Os Neopentecostais no Brasil: cristianismo ou empreendedorismo?

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Ainda somos colônia II

Nunca antes um logo da copa do mundo foi tão significativo. O que vemos no logo da copa 2014 é uma mão na face como em sinal de indignação e vergonha, vergonha essa que ficou expressa na tarde ontem.

Para os que achavam que não bastava a vergonha do super faturamento na construção dos nossos estádios, refletidos na realidade brasileira, o episódio de ontem demostrou que nossas autoridades não têm limites quando o assunto é envergonhar o Brasil. O futebol apresentado ontem pela seleção de futebol reflete a desorganização, a prepotência e o desrespeito de dirigentes que, diante dos altos lucros do futebol, se acham acima da verdade e da lógica.

O que vimos ontem são reflexos de uma nação que ainda não se libertou da domesticação estrangeira, pois nossa confederação de futebol caminha diante das ordens da FIFA. Nada é feito sem os cabrestos da FIFA.

Ainda somos uma colônia onde a exploração estrangeira é o grande foco. Nossos estádios superfaturados refletem que somos um povo ainda impossibilitado de reagir diante de tamanha domesticação.

A domesticação é a caracterização da perda do ânimo de lutar e buscar a liberdade. Somos um povo tratado a pão e água pelas autoridades. Isso é facilmente visto diante da nossa realidade. Somos o país com os maiores déficits educacionais, na saúde, no saneamento básico, no atraso arquitetônico e urbanista das nossas cidades. Somos uma das nações mais violentas do mundo, sem contar que nossa corrupção envergonha o país em todo o mundo.

E mesmo assim o povo ainda acredita no pão e circo da copa do mundo. Essa é a ração colocada a cada dia no coxo do povo domesticado, que não pode ser chamado de escravo, pois o escravo luta por sua liberdade a cada dia.

Quem estava nas arquibancadas dos estádios?? O povo??? O povo é assalariado, com um salário de fome, que impossibilitava a muitos estarem nos estádios. Os estádios estavam cheios da burguesia que representa os domesticados que adoram ir aos EUA transformar reais em dólares, tudo para poder desfilar suas roupas importadas.

Vergonha e tristeza, pois o resultado do jogo tem como pano de fundo uma realidade em que muitos estão alienados. Somos ainda colônia, pois ainda não somos um povo verdadeiramente livre. Somos ainda um povo cativo do capital e da cultura estrangeira. Somos domesticados pois somos incapazes de enxergar, de lutar por valores essenciais de verdadeira nação.

Paulo Siqueira

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Herdeira e Marcha para Jesus no Rio de Janeiro e em São Paulo: o $how tem que parar!

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Leia também:  Propondo a volta ao Evangelho Puro e Simples na Marcha para Jesus em São Paulo, por Laudinei

Marcha para Jesus no Rio de Janeiro e em São Paulo: o $how tem que parar!

No último mês o MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) teve a oportunidade de participar de 3 grandes eventos gospel: no Herdeira (congresso de mulheres para ouvir o Dr. Mike Murdock) e na Marcha para Jesus no Rio de Janeiro, e ontem na Marcha para Jesus em São Paulo. Nos três eventos pudemos estender faixas que remetiam a passagens bíblicas e que demonstravam que a Teologia da Prosperidade, pregada pelos líderes desses eventos, é uma teologia demoníaca, pois afasta o fiel dos verdadeiros ensinos de Jesus Cristo.

blog128Descrever o que aconteceu nesses eventos seria chover no molhado. Desde 2009 participamos de eventos desse tipo e o script é mais ou menos o mesmo: desaprovação dos líderes eclesiásticos mancomunados com o ensino de doutrinas centradas no homem e que os beneficiam materialmente; pessoas que participam do evento e rejeitam totalmente os dizeres das faixas, mesmo que sejam a descrição literal de um versículo da Bíblia que dizem seguir; pessoas que se aproximam levadas pelo desejo de refletir sobre onde está a verdade: no que pregamos em nossas faixas e camisetas ou no que os pregadores modernos pregam em seus púlpitos-palcos. No final, apesar das rejeições saímos felizes, com a certeza de que o mais Deus fará na vida daqueles que se dispuserem a ser como os bereanos.

blog129Porém, embora tecnicamente nossa participação nesses eventos seja parecida, para nós é sempre como se fosse a primeira vez. Afinal, são novas pessoas que nos abordam, são novas pessoas que nos rejeitam, é novo o agir de Deus a cada dia.

A primeira Marcha na qual o MEEB participou foi em 2009, em São Paulo. Nesse ano, estimou-se o público em cerca de 3 milhões de fiéis. Já na Marcha de ontem, em São Paulo, falou-se em 200 ou 250 mil o número de fiéis, perdendo pela primeira vez para o público estimado no Rio de Janeiro, que neste ano foi de cerca de 300 mil participantes.

blog131O lado bom disso é que muita gente está percebendo o que a Marcha para Jesus realmente é: uma grande micareta gospel com um palco para idolatria a líderes e cantores do segmento, além de vitrine para barganha de favores junto a políticos (que, vendo a quantidade de evangélicos, prometerá qualquer coisa aos líderes gospel com o fim de arregimentar para si os votos dos fiéis).

Já o lado ruim disso é a consolidação cada vez maior do (im)Pastor Silas Malafaia como líder evangélico mais influente, uma vez que a Marcha para Jesus no Rio lhe pertence e está crescendo cada vez mais, proporcionalmente ao número de membros de suas igrejas.

blog132Malafaia é uma pessoa eternamente agressiva, irritada e destemperada, em nada demonstrando os frutos do Espírito. Para piorar, é um divulgador da diabólica Teologia da Prosperidade, a maldita teologia que aprendeu dos (im)pastores americanos Mike Murdock e Morris Cerullo. Malafaia já vendeu Bíblia por 900 reais em troca de riquezas, já vendeu a salvação de toda a família do fiel em troca de mil reais, já vendeu a casa própria em troca de um aluguel, e muitas outras coisas afins. Mais recentemente chamou de “manés” os que não têm, como ele, um anel de 4 mil dólares no dedo e uma Mercedez alemã na garagem. No passado chamou de “trouxas” os fiéis que davam ofertas na igreja apenas por amor, sem esperar nada em troca. E chamou de “filhos do diabo” os blogueiros e donos de sites que atrapalhavam seus planos imperialistas-religiosos, ao divulgar suas heresias.

blog133Em São Paulo, os donos da Marcha são o Apóstolo (?) Estevam Hernandes e sua esposa Bispa Sonia. A moral desse casal já não ia bem há tempos, por conta de sua passagem “prolongada” nos EUA por terem tentado entrar no país com dinheiro não declarado (e escondido até numa Bíblia). Porém, apesar da igreja Renascer em Cristo ter sofrido um grande baque, inclusive com a perda de muitos fiéis (entre eles o maior dízimo: o jogador Kaká), ainda assim os Hernandes têm força e poder suficiente para levar em sua Marcha personalidades como o ex-prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckimin. Assim como Malafaia, também pregam a bestial Teologia da Prosperidade, mas com o agravante de se valerem das superstições gospel-apostólicas. Ontem, assim como nas Marchas em São Paulo anteriores, os fiéis eram incentivados a escrever seus pedidos para 2014 num papel em forma de palmilha e coloca-los dentro do sapato, para marcharem com os pedidos aos seus pés.

blog134Ora, mas vem cá: os apostólicos não gostam de dizer que pisam na cabeça do diabo? Como então pisam nos pedidos que querem ver realizados? Como se vê, as simpatias gospel são tão criativas que se perdem em seus próprios ensinamentos.

Agradeço a Deus pela vida dos irmãos e irmãs que puderam participar desses eventos, pela vida daqueles que colaboraram com o MEEB e pela vida daqueles que, devido às circunstâncias, não puderam participar, embora ardentemente desejassem. Deus está levantando a cada dia um remanescente silencioso, mas que através da sua insignificância numérica, tem podido ser usado por Ele para que Sua Palavra seja pregada. Afinal, não é por força, nem por violência.

blog126 Agradeço também a Deus pela vida de todos e todas que puderam ler as frases nas faixas e camisetas, e que se dispuseram a refletir sobre se o que lhes tem sido ensinado está ou não de acordo com as Escrituras.

Não há nada melhor do que pregar a Cristo. Ontem, mais uma vez, pude ter essa certeza.

Que a Igreja Brasileira se volte, de coração, à pregação do Verdadeiro Evangelho. O mais, Ele fará.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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Marcha para Jesus no Rio de Janeiro 2014


Marcha para Jesus em São Paulo 2014


Outro olhar da Marcha para Jesus em São Paulo 2014


Congresso Herdeira 2014


Considerações finais após a Marcha para Jesus no Rio de Janeiro 2014

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Marcha para Jesus no Rio de Janeiro e em São Paulo: o $how tem que parar!

blog117Como ocorrem todos os anos, em dois sábados consecutivos (dias 31/5 e 7/6) teremos as Marchas para Jesus no Rio de Janeiro e em São Paulo. E, como ocorre desde 2009, estaremos lá também, mas com uma proposta bem diferente da dos organizadores desses eventos.

É sabido que o simples marchar pelas ruas das cidades e declarar que elas pertencem a Jesus Cristo não é o objetivo principal das Marchas. O principal, infelizmente, é demonstrar a força numérica dos evangélicos e o poder de influência que os líderes (nos trios elétricos principais) têm sobre essa multidão. Neste ano isso vem muito bem a calhar, pois é ano de eleições para várias funções em nossa república, inclusive a presidência do país. E por isso, dezenas de políticos darão os braços aos evangélicos, participarão inclusive do palco dos shows das marchas, pois precisam dos votos daquela multidão para se elegerem ou permanecerem no poder. E, por conta disso, muitas bizarrices acontecem “em nome de Jesus”.

Quem não se lembra da “conversão” do então prefeito de São Paulo Gilberto Kassab? O tal político, como os demais, foi angariar votos numa denominação evangélica e acabou sendo impelido a “aceitar a Jesus”. É triste ver o que acontece no vídeo, mas “em nome de Gizuiz” e em nome do poder vale tudo.

As Marchas para Jesus no Rio (31/5) e em São Paulo (7/6) têm dono, mas não é Jesus, como haveria de esperar. Em São Paulo a Marcha pertence ao Apóstolo (?) Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. No Rio de Janeiro, a liderança está nas mãos do Pr. Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC). Esses líderes são conhecidos pela grande proximidade com os políticos e por suas denominações pregarem a Teologia da Prosperidade. Recentemente os Hernandes estavam vendendo a “mezuzá” (ou melhor, trocando o objeto abençoado por uma oferta “voluntária” de amor, mas com preço preestabelecido) por R$ 500,00, e esse objeto, segundo os líderes da Renascer, trazem bênçãos diversas e inclusive evitam que a morte entre na casa do fiel. Já o Malafaia é conhecido por vender Bíblia de Vitória Financeira (ou melhor, trocar a bíblia abençoada por uma oferta “voluntária” de amor, mas com preço preestabelecido) por R$ 900,00, e o fiel receberia a unção financeira dos últimos tempos; em troca de um aluguel, o fiel receberia a casa própria; em troca de R$ 1.000,00, além de riquezas o fiel compraria de “deus” a salvação de toda a sua família; e por aí.

O "convertido" Kassab querendo votos gospel

O “convertido” Kassab e o Ap. Estevam Hernandes no palco da Marcha para Jesus em São Paulo

Enquanto muitos, inclusive de coração puro, estarão marchando nesses eventos, esses e outros líderes estarão contabilizando o que poderão “pedir” (de acordo com o número de pessoas participando das marchas) para quem resolverem apoiar politicamente. Sim, pois quem esses e outros líderes disserem às suas ovelhas que é um bom candidato, com certeza receberá os votos da congregação.

Se a Marcha realmente fosse para Jesus, o Cristo, JAMAIS haveria sequer espaço no altar (pois não seria palco) da Marcha para a apresentação de políticos. O Malafaia até tenta usar um artifício, dizendo que os políticos que apoia sobem no palco e recebem oração, mas não falam nada. Só de estarem ali em cima, com os propósitos que todos sabemos quais são, já estão profanando o que seria o altar dedicado a Deus.

blog120Se a Marcha realmente fosse para Jesus, o Cristo, o altar não seria palco para apresentação de ídolos gospel como Thalles Roberto e tantos outros que usam o santo nome de Jesus para ganhar muito dinheiro. No altar subiriam os verdadeiros adoradores, aqueles que O adoram em espírito e em verdade, os que nada cobram para isso, mas que acabam recebendo de bom grado daqueles que Deus toca para os abençoar (pois será que ninguém ainda percebeu o grau de abominação que é cobrar cachê para falar ou cantar para Deus?).

Se a Marcha realmente fosse para Jesus, o Cristo, não veríamos os grandes líderes e ídolos gospel em cima dos trios-elétricos, mas junto à multidão, lado a lado, marchando contritos mas felizes, orando e suplicando pela cidade sem demonstração de superioridade perante os demais (pois Jesus nos deixou a lição de que devemos ser servos uns dos outros, e que o maior, o líder, tem que servir ao menor).

blog121Se a Marcha realmente fosse para Jesus, o Cristo, não viveria de rinhas com outras marchas mundanas, como a Gay e a da Maconha. Uma Marcha realmente de Jesus marcharia, mesmo que tivesse menos benefícios que as demais. Uma Marcha realmente de Jesus não buscaria se vangloriar de ter maior ou menor número, pois saberia que os lá marchando, não importa o número que a imprensa do mundo noticie, são suficientes para o propósito de Deus naquele lugar.

Não somos contra Marchas para Jesus. Somos até favoráveis. Pena que vemos tão pouco de Jesus nesses eventos…

Troque sua Aparecida e seu S. Jorge pelo Thalles, e dê o Thalleco para ensinar idolatria aos pequeninos!

Troque sua Aparecida e seu S. Jorge pelo Thalles, e dê o Thalleco para ensinar idolatria aos pequeninos!

E é aqui que entramos com nossa proposta diferente. No Rio (dia 31 de maio) e em São Paulo (dia 7 de junho) haverá um pequeno grupo, portando faixas e camisetas com frases bíblicas e de reflexão sobre o que é o Evangelho de Jesus Cristo. Qualquer um pode participar, e nossas participações são pacíficas, embora algumas vezes alguns se exaltem contra nós, clamando palavras de ordem, jogando objetos e até mesmo roubando nossas faixas, na tentativa de que o resto da multidão não leia os versículos que certos líderes gospel arrancaram de suas bíblias para que pudessem pregar a Teologia da Prosperidade (abaixo a primeira parte do vídeo da nossa primeira participação, em 2009):

Para participar, é muito simples. Basta, se você quiser, copiar o desenho das camisetas e levar a uma loja de transfer (em São Paulo há várias na Rua Bresser, no Brás, mas até pela internet há empresas que fazem esse serviço e entregam em casa – apenas atente para o prazo de entrega) e entre em contato conosco:

Para o Marcha no Rio de Janeiro, em 31/5 – falar com Ideraldo: dera.adc@hotmail.com
Para a Marcha em São Paulo, em 7/6: falar com o Paulo Siqueira: qaplokw@hotmail.com ou com o Nei: ldnei@hotmail.com

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Lá nos encontraremos e estenderemos nossas faixas, e teremos a oportunidade de conversar com aqueles que, concordando ou não com os dizeres, vierem falar conosco. E teremos, talvez, a oportunidade de confrontar alguns líderes e ídolos com os dizeres das faixas e camisetas, e se Deus permitir eles poderão pelo menos refletir sobre o evangelho que têm pregado.

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Se estaremos em dois ou em cem, não importa. Maioria numérica não tem a menor importância para o Deus que servimos. Para Ele, o que importa é o coração e o confiar Nele.

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Você está convidado(a) a participar conosco!

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Voltemos ao Evangelho puro e simples,
o $how tem que parar!

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Capital da Fé – o Filme

blog20No ano passado fomos convidados a participar do documentário Capital da Fé, que versa sobre o que chamam de “nova igreja evangélica”: a igreja regida pela Teologia da Prosperidade, pela prática de atos proféticos, pela transformação de interpretações pessoais da Bíblia em doutrinas a serem seguidas pelos fiéis como se fossem mandamentos divinos. Há uma inversão dos valores cristãos, fazendo com que preceitos como o entesouramento nos céus (com os bens materiais sendo utilizados em prol dos menos favorecidos) seja trocado pelo entesouramento na terra, pelo ajuntamento de riquezas; as antigas tradições cristãs são trocadas pelas revelações dos apóstolos (?) modernos; o carregar a cruz e seguir a Cristo se tornou a busca por vitória incondicional sobre os inimigos, doa a quem doer.

É nesse contexto que o filme Capital da Fé foi feito, numa tentativa de trazer à reflexão o cristianismo de hoje. É interessante observar que é uma iniciativa de pessoas não ligadas ao movimento evangélico, e algumas nem são cristãs. Isso é interessante, pois dá ao filme a visão que o “mundo” tem dos que se dizem cristãos evangélicos.

Fica nosso agradecimento a todos que realizaram esse projeto, pelo carinho que nos reservaram durante as gravações, e nossas orações para que Jesus Cristo seja revelado ao mundo como verdadeiramente Ele é. Que esse filme sirva para que muitos descubram que há pessoas que se guiam pelos ensinos cristãos, que essencialmente são o amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo (seja ele quem for) como amamos a nós mesmos.

A Deus seja a honra e a glória para sempre.

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ED RENÉ KIVITZ – NÃO QUERO MAIS SER EVANGÉLICO (DESABAFO DE ARIOVALDO RAMOS)

Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho (Boas Novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante – o segmento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro.

Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por “profissionais da fé”. Voltemos à consciência de que o Caminho, a Verdade e a Vida é uma Pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa Pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro: uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter.

Chega dessa “diabose”! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar: voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada.

Voltemos ao amor, à convicção de que ser cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam – em profundo amor e senso de dependência: quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome “meu”, mas, o pronome “nosso”.

Para que os títulos: “pastor”, “reverendo”, “bispo”, “apóstolo”, o que eles significam, se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo! Para que o clericalismo? Voltemos, ao sermos servos uns dos outros aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei” de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes – chega de show! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra!
Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao “instruí-vos uns aos outros” (Cl 3. 16).

Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou a sermos uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. “(Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras “todo o Evangelho ao homem… a todos os homens”. Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que “acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos”, sem adulterar a mensagem.

“Tornai vós para mim, e eu tornarei para vós diz o Senhor dos exércitos”. Seja um patrocinador desta obra, seja um colaborador de Cristo!
Que Deus te abençoe!

Escrito por Ariovaldo Ramos
Via Oficialeusder

 

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Ainda somos colônia

Neste ultimo sábado no fim da tarde, fui ao Carrefour Pauliceia em São Bernardo dos Campos como sempre faço nos sábados. Fiz minhas compras, e já estava saindo em direção ao estacionamento quando subitamente ouvi gritos de crianças, como se estivesse apanhando. Larguei tudo e sai na tentativa de saber de onde vinha o barulho. Foi quando subi uma escadaria que fica de canto no mercado e vi de encontro, um funcionário do Carrefour (uniformizado), espancando a socos e pontapés duas crianças, que não aparentavam mais de 8 anos. As crianças negras, sujinhas, pés descalços, com certeza crianças de uma favela que fica bem próximo do supermercado. Quando fui de encontro a cena varias pessoas também chegaram pois os gritos eram ouvidos por todo canto. O funcionário quando viu a multidão chegando saiu correndo e sumiu dentro do mercado. Todos foram para dentro da loja e pediam pela gerencia, o que apareceu após uns 15 minutos. Todos tentavam ligar para a policia o estranhamente também não conseguíamos. A gerencia chegou com ar de deboche e totalmente irônico disse que aquilo não existia. Mais de 30 pessoas que viram a cena e estavam indignadas, foram desmentidas. Logo chegou uma cidadão dizendo que era chefe da segurança, e dize que aquilo não acontecia, o interessante que o local que as crianças estavam sendo espancadas é o único local na loja onde não há câmeras. O mais triste em meio a tudo isto os gerentes saíram rindo e nos deixaram ali plantados sem respostas. Não conseguimos falar no 190, restou ligar para o 0800 do Carrefour, que fez o atendimento como o de uma reclamação comum, com a fala costumeira: queira anotar o numero do protocolo, Senhor!!!   Estou triste, pois esta não é uma situação isolada, isto acontece em todo canto em nosso pais. Basta ter aparência de pobre, estar sujo, mal vestido que a violência gratuita acontece. E o mais triste isto não assusta mais ninguém pois gritos de dor de pobre não toca o coração de muitos. É negro, pobre, sujo, deve ter feito alguma coisa, tem que apanhar mesmo. Graças a Deus isto não aconteceu neste fato, dezenas de pessoas se mostraram estarrecidas com o fato, e ficaram lá quase uma hora esperando a policia (que não veio). E alguns tentaram ate contato com a imprensa. Lamentavelmente se tratando de maturidade social ainda estamos nos dias de colônia, onde negros, índios e escravos eram espancados a céu aberto, tudo em nome do progresso. Esta é a realidade, estou triste, pois só consegui tiras as crianças das mãos deste torturador, não consegui puni-lo. Não consegui fazer justiça. Com certeza estas crianças vão apanhar outros dias, pois esta é de um pais que vive a cultura da violência, principalmente contra os mais fracos. O Carrefour perdeu um cliente pois quem apoia o erro comete dois erros. Que Deus abra os nossos olhos e nos de coragem para lutar por um pais mais justo.

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;   Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;   Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;   Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;   Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;   Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;   Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”;   Mateus 5:3-9

Vivemos uma crise de humanização, perdemos a consciência do que é a vida.

Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós.

Paulo Siqueira

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