Blasfêmia!!! Batismo da Prosperidade na Igreja do Evangelho Quadrangular

Por Vera Siqueira

“Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.
Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.” – Efésios 4:4-7

O irmão Renato Santiago enviou pelo Facebook um vídeo que deixou a mim e a muitos estarrecidos, no mínimo (na verdade fiquei com uma bruta ira santa). No vídeo, a seguir, temos a Igreja do Evangelho Quadrangular Templo dos Anjos, do (im)pastor Jerônimo Onofre e seus asseclas, anunciando para 10/11 um tal “batismo de prosperidade”, no qual seria morto o indivíduo com problemas financeiros, econômicos, profissionais, e renasceria outro indivíduo cheio da prosperidade financeira, econômica e profissional. A reunião onde aconteceu tal fato é conhecida como “segunda-feira dos vencedores”. Além do tal batismo financeiro, quem lá compareceu ainda pôde assistir a um $how da cantora Jamille, hoje adulta, mas conhecida nacionalmente quando ainda era uma criança com uma linda voz no programa Raul Gil.

Tal “batismo” deve ter sido bom mesmo (em termos de arrecadação), pois a 1a. Igreja Quadrangular de Governador Valadares, do (im)pastor Flamarion Rolando, copiou tal ritual no dia 18/11 (o vídeo a seguir é o mesmo do anterior, salvo os últimos minutos, onde há a propaganda da igreja do tal (em)Rolando:


Aviso: senhores (im)pastores, não adianta deletar esses vídeos, pois já estão bem salvos.

Mas o que a Bíblia diz sobre batismo?

Há o batismo de João Batista, que era para arrependimento, e era dado antes da revelação de Cristo. O próprio Jesus se permitiu ser batizado. Na nova aliança, somos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo como sinal da aceitação da fé cristã.

Ensino no qual o (im)pastor Jerônimo Onofre é especialista (em proveito próprio, é claro).

Ensino no qual o (im)pastor Jerônimo Onofre é especialista (em proveito próprio, é claro).

Existe batismo da prosperidade?

Não. Se há um só batismo para os cristãos, e este é em nome da Trindade, não há como existir outros tipos de batismo. Quem aceita ser batizado na prosperidade, aceita um batismo que não é em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Vai saber, talvez seja o batismo em nome de Mamom (Mateus 6.24; Lucas 16.13).

Percebem o tamanho da blasfêmia???

Infelizmente, não há muito o que esperar espiritualmente de seres como os (im)pastores Jerônimo Onofre e Flamarion Rolando. E não há muito o que esperar da Igreja do Evangelho Quadrangular, que há décadas tem aos poucos se entregado a movimentos como o G12 e a demoníaca Teologia da Prosperidade.

Flamarion Rolando, Silas Malafaia e demais asseclas adoram ganhar dinheiro fazendo congressos go$pel.

Flamarion Rolando, Silas Malafaia (os primeiros), Jerônimo Onofre (primeiro da segunda fila) e demais asseclas adoram ganhar dinheiro fazendo congressos go$pel.

Há um artigo nesse blog que fala de outras heresias desse tal Jerônimo. E sobre o Flamarion, bom, ele é apenas o cúmplice ministerial de seres como o Silas Malafaia, um dos expoentes da diabólica Teologia da Prosperidade no Brasil. Quer mais?

Dá muita tristeza ver o que está acontecendo com a Quadrangular e outras igrejas, por conta das metas de arrecadação (que obrigam os pastores a inventarem métodos e rituais para tirar o máximo possível dos fiéis e prendê-los à denominação). Um dia, em 2001, pastores da Quadrangular me apoiaram durante minha difícil saída do espiritismo kardecista rumo ao cristianismo. Está certo que na Quadrangular aprendi um deus gedozista, chegado em rituais de regressão gospel (cura interior e libertação) e em maldições hereditárias (coisas muito semelhantes do que eu tinha visto anteriormente no espiritismo), e que só ajudava a quem desse tudo o que tinha – e que não tinha – para a igreja. Mas Deus – o Verdadeiro – sabe todas as coisas e, a Seu tempo, me abriu os olhos e hoje posso adorar a Deus sem estar presa a rédeas de doutrinas puramente humanas e anticristãs.

Quando tive meus olhos abertos, renunciei diante de Deus a todos os ritos e superstições gospel dos quais participei, e que anulavam o sacrifício de Cristo por mim. Que Deus possa abrir os olhos de quem passou por esse batismo e que possam também se arrepender e se voltar pura e simplesmente ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Infelizmente, esse tal “batismo da prosperidade” tem tudo para se espalhar, como o joio, em outras IEQs e até em outras denominações que professam a satânica Teologia da Prosperidade.

Que Deus tenha misericórdia do Seu povo. E que possamos nos arrepender enquanto é tempo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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A propósito das eleições: o mundanismo de lideranças do campo evangélico

A propósito das eleições: o mundanismo de lideranças do campo evangélico

Magali do Nascimento Cunha http://midiareligiaopolitica.blogspot.com.br

“Mundanismo” é um termo comum no mundo evangélico brasileiro. Diz respeito à atitude de pessoas que não são evangélicas e se rendem aos prazeres da vida como beber, fumar,  cultivar uma sexualidade fora da moralidade religiosa, frequentar de baladas/barzinhos/shows seculares. O teólogo reformado estadunidense H. Richard Niehbur, no final dos anos 1940, deu mais consistência ao termo, quando escreve sobre responsabilidade e irresponsabilidade cristã. Niehbur classifica como “mundana” a atitude de igrejas e lideranças que, em nome de poder, prestígio e acomodação na ordem social, assimilam valores deste mundo (competição, violência, intolerância, injustiça, mentira), incompatíveis com os valores do Evangelho de Jesus Cristo (amor, a misericórdia, a paz, a reconciliação, a justiça, a verdade). Niehbur relaciona a esta reflexão sobre irresponsabilidade cristã, por exemplo, as igrejas alemãs que se renderam à ideologia nazista no período. O mundanismo, para o teólogo norte-americano, ao contrário do senso comum evangélico, é uma traição ao Deus que a igreja serve, pois substitui Deus pelo “lugar ao sol” na sociedade (quem quiser ler parte do texto de Richard Niehbur que trata do tema, produzi uma tradução disponível aqui).

Esta reflexão me vem, inevitavelmente, à mente todas as vezes que tenho acesso às postagens de material do pastor-presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia na internet (seja no microblog Twitter, seu mais forte veículo nas mídias sociais, seja nos vídeos que produz para o seu programa ou para postar nos seus sites).

Imagem: vídeo do site Verdade Gospel

Ao encarnar a personagem daquele “que diz as verdades, doa a quem doer”, e se torna, portanto, “o polêmico”; que está sempre com o dedo em riste e com a voz exaltada; que abusa do deboche, da ironia e de palavras grosseiras; o pastor Malafaia assume postura de violência verbal, “popularesca” e vulgar. Quem assim se pronuncia quer disseminar seu pensamento e opinião “ganhando no grito”, não necessariamente com argumentos consistentes e verdadeiros. E esta postura tem apelo e resposta. Responde ao imaginário que dá forma à cultura brasileira do que é “coisa de macho”, de “homem de verdade”. E como pastor midiático, ele se equipara a outras celebridades que atuam na mesma linha como Ratinho, Wagner Montes, Geraldo Luis, Marcelo Rezende, e também à linguagem de programas como “Casos de Família”, do SBT,  e “Teste de Infidelidade”, da RedeTV!.

A tipologia da irresponsabilidade cristã, de Richard Niehbur, se aplica ao perfil do pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Isso se dá na medida em que, em nome de um “lugar ao sol” no concorrido campo religioso evangélico e na arena pública, ele privilegia linguagem e atitudes consonantes com os “valores do mundo”, como violência, intolerância, competição, mentira. Assim, descarta os valores evangélicos que, historicamente, caracterizavam o perfil dos pastores evangélicos. Ou seja, uma prática baseada na simplicidade, na cordialidade, no diálogo, no bom trato com as pessoas, na misericórdia, no amor incondicional/desinteressado, respeito, verdade. O discurso dele tem sido baseado no princípio superado pela fé cristã do “olho por olho, dente por dente” e não no “caminhar a outra milha… dar a outra face”, pregados pelo modelo dos cristãos, Jesus de Nazaré, crucificado pelos políticos e pelos religiosos da época justamente por ensinar este tipo de atitude contra os “valores do mundo”.

Por meio de sarcasmo e deboche associados a expressões vulgares, banais e grosseiras, o pastor Malafaia não só ensina, espalha e estimula violência simbólica, como manipula as palavras com uso da retórica do terror para fins políticos. Esta prática já era adotada por ele há algum tempo, mais intensamente desde o período eleitoral de 2010, na busca de espaço religioso e político. Desde 2013, ao se tornar um defensor do deputado federal e pastor assembleiano Marco Feliciano (PSC-SP), envolvido em polêmicas em torno de racismo e homofobia (ler mais sobre isto aqui), o pastor Malafaia ganhou mais destaque na arena política e reforçou ainda mais o discurso bélico e seus recursos. Com isso conquistou admiradores e, ao mesmo tempo, a antipatia de amplos setores evangélicos. O pastor ampliou espaço na rede social Twitter e na produção de vídeos-mensagens veiculados no seu site “Verdade Gospel”.

O ápice desses movimentos foi alcançado no processo eleitoral de 2014 quando o pastor Malafaia passou a liderar uma cruzada contra o Partido dos Trabalhadores (PT) e contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Nesse período, não se evidencia o caráter pastoral de sua atuação (apenas cinco mensagens religiosas entre 1.035 postadas em período monitorado, como se verá adiante). No entanto, o pastor Malafaia encarnou uma postura política aguerrida na campanha anti-PT e anti-Dilma. Ele abandonou a campanha do Pastor Everaldo (PSC) para declarar apoio a quem passou a se destacar nas pesquisas – a candidata Marina Silva (PSB), que, em 2010, ele havia atacado e repudiado. “Qualquer um menos Dilma” passou a ser o lema do religioso que, no segundo turno, declara voto no candidato de oposição Aécio Neves (PSDB).

Nesta reflexão não está sendo considerada a atitude política de oposição do pastor nem a referência ideológica com a qual ele embasa todo o seu discurso. O pastor está correto em advogar direito à comunicação e à liberdade de expressão, quando criticado pelo conteúdo de suas postagens e vídeos. Este pensamento reflete uma tendência sociopolítica no Brasil, refratária aos avanços sociais alcançados na última década e meia. É parte do processo democrático e suas disputas.

O que interessa aqui é o “mundanismo” (conforme a tipologia de Niehbur) abraçado pelo pastor Silas Malafaia para alcançar o seu objetivo de ser oposição. Isto é, o fato dele não ter a identidade que se espera de um pastor evangélico, dentro dos princípios elencados acima. O pastor diz que sua atitude se dá em defesa dos cristãos e da causa evangélica. No entanto, até mesmo com este argumento parece negar os valores evangélicos, uma vez que assume a máxima maquiavélica de que “os fins justificam os meios”.

Os Evangelhos relatam momentos em que Jesus de Nazaré se deu o direito de expressar ira em ações (quando expulsou vendilhões do templo) e em palavras (em debates com os religiosos de sua época, a quem chamou de “raças de víboras” e “sepulcros caiados”). O contexto indica que o fez na sua vocação de profeta que denunciava explorações e injustiças mas que, acima de tudo, disseminava palavras de consolo e esperança, em nome de uma religião libertadora que dava voz e vez aos mais desprezados. As palavras de Jesus, mesmo duras, eram sábias, coerentes com o nível de seus debatedores, pautadas na justiça e na verdade. Há uma enorme diferença aqui.

Um monitoramento básico do Twitter do Pastor Silas Malafaia,  que vem sendo frequentemente replicado em matérias de diferentes mídias, religiosas ou não, é ilustrativo disto.  De 5 a 18 de outubro (às 19h20) foram 1.305 tuítes (média de 93 por dia). Nestes 14 dias, foram 1.301 tuítes de campanha política “anti” e quatro com versículos bíblicos (Romanos 8.39b, em 7/10; João 5.4, em 8/10; Colossenses 3.14, em 13/10; Provérbios 26.12, em 16/10) e um com uma oração mesclada com texto bíblico no dia das eleições, o 5/10: “Deus abençoe o Brasil, e o Espírito Santo ilumine a mente dos brasileiros. Esse é o dia que fez o Senhor, regozijemo-nos e alegremo-nos dele”. Ou seja, quase 0% de mensagens pastorais e quase 100% de campanha política “anti”, com linguagem que faz uso de sarcasmo, deboche, vulgaridade, banalidade, grosserias, intolerância, distorção de informações. A seguir uma seleção de exemplos categorizados do tipo de linguagem utilizada nas postagens (alguns exemplos estão para além da data de monitoramento pois se destacaram como “muito acessados”):

Linguagem chula/vulgar

Sarcasmo/deboche:

Manipulação/distorção de informações e lançamento de dados “bombásticos” sem base comprobatória:

Para concluir

Esta seleção é um pequeno extrato que ilustra a linguagem predominante no discurso do pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A quantidade de seguidores, admiradores e defensores revela o retrato do universo cristão hoje no Brasil, marcado por uma crise de valores e por uma identidade híbrida: usando os termos de Niehbur, busca-se ser evangélico com princípios “mundanos”.
Ao mesmo tempo, o espaço que as grandes mídias dão para a livre expressão do pastor Silas Malafaia, autoriza/credencia o seu discurso e revela as opções desses grupos midiáticos, responsáveis por boa parte do que brasileiros/as sabem. Este é o tipo de religioso que as mídias noticiosas querem destacar: “popularesco”, exótico e grosseiro. E isto é amplamente reproduzido pelos veículos religiosos. Vale lembrar que além de ter sido entrevistado por boa parte dos principais jornais e revistas, durante o processo eleitoral, supostamente falando em nome dos evangélicos, no dia 8 de outubro, um debate entre os candidatos a governador do Estado do Rio de Janeiro, promovido pela revista Veja, teve o pastor Malafaia como “convidado especial”. Não se poderia esperar outra coisa senão uma destacada pergunta ao candidato Marcelo Crivella, marcada por sarcasmo, palavras vulgares e intervenções debochadas.

Este texto foi produzido para estimular uma reflexão. Estas questões levantadas são apenas um caso, um exemplo a ser tomado para se tentar medir a quantas andam o nível dos valores ressaltados no campo evangélico em disputa no Brasil. O silêncio das lideranças das igrejas históricas e pentecostais sobre a crise que se revela é mais um sinal de que “as pedras clamarão”.

Postado por Magali do Nascimento Cunha 

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De quem sois imitadores? – trecho de reportagem da revista Panorama Cristão

receitamedica033Durante a III FLIC Salão Internacional Gospel foi lançada a edição no. zero da Revista Panorama Cristão.

[…] São do teólogo Demétrius Franck (63)as palavras: “Um absurdo que parece não ter fim e a cada dia se agrava ainda mais. Hoje em dia temos uma grande parte das lideranças, dos músicos e da população evangélica em geral se rendendo aos apelos do mundo e buscando uma semelhança diabólica que preferem chamar de modernidade, evolução ou ainda entretenimento. Antigamente os cultos eram direcionados a Deus e pessoas saíam transformadas, hoje os tempos mudaram… A transformação não se faz necessária. Se tornou algo ultrapassado como alguns dizem por aí, o importante é trazer a pessoa para a igreja, tê-la como dizimista e entretê-la. Todos os esforços são em cima do entretenimento. Temos “Pastores” de todos os tipos, atendendo a todos os gostos: dançarinos, surfistas, roqueiros, artistas que dominam a técnica do stand-up comedy pregando de forma diferente com uma abordagem cheia de humor e piadas, marqueteiros, milagrosos. Proféticos, líderes de igrejas inclusivas e pastores PHD quando o assunto é teologia da prosperidade.

Na política cada vez mais evangélicos se infiltram e misturam fé com política, sob o argumento que o povo de Deus tem que participar das mudanças políticas do país, porém só se preocupam em conseguir votos e fazer igrejas de palanque. Na música, uma verdadeira invasão mundana e uma oportunidade de se dar bem. Nunca se viu tantos cantores do mundo que deram uma guinada em suas carreiras mergulhando no gospel, cachês absurdos, pulos, gritos, atos proféticos avessos à Bíblia, histeria, acessórios idólatras como fitinhas tipo “Senhor do Bonfim”, só que com o nome dos artistas preferidos. Atos heréticos, calças coloridas apertadinhas, fã-clube. E como no mundo secular as drogas fazem parte da vida de alguns músicos e de pessoas que frequentam o mundo artístico, no nosso meio tem até aqueles que cheiram a Bíblia ou colocam dinheiro dentro dela. O Apóstolo Paulo disse certa vez em I Co 11:1 “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. Precisamos atentar a essa recomendação nada interessante para os moderninhos oportunistas.

Devemos ter como referência a história de Daniel, ele se recusou comer dos manjares do rei, na verdade os babilônios tentavam mudar o modo de pensar de Daniel. O fato é que Daniel não se comprometeu e encontrou uma maneira de viver de acordo com os padrões de Deus em uma cultura que não honrava a Deus. É exatamente a situação que vivemos hoje, precisamos de mais homens como Paulo e Daniel que são firmes em valores e que não se contaminam com inovações absurdas que não são amparadas pela palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.”

receitamedica032Para o Reverendo Paulo Siqueira (45), pós-graduado em Filosofia Contemporânea e História pela Universidade Metodista de São Paulo e fundador do Movimento pela Ética Evangélica Brasileira, que tem o slogam “O show tem que parar!”, a opinião do teólogo Demétrius é verídica e ele ainda acrescenta: “Analiso que vivemos uma crise primeiramente da identidade cristã, depois das bases históricas e da cultura cristã. É preciso que muitas lideranças saibam que o cristianismo teve começo, meio e um fim proposto e tudo isso está contido na Palavra de Deus, o texto base da fé cristã. Isso faz com que minha análise sobre a conduta de muitos cristãos nos dias de hoje seja bastante pessimista, pois o que vejo não são condutas cristãs, mas sim um emaranhado de invencionices. É triste ver que nem mesmo algumas igrejas ditas históricas perseveraram nas essências cristãs. Hoje a busca pelo crescimento e pelo lucro faz com que muitas igrejas e suas lideranças percam os princípios básicos do temor de Deus e façam de tudo e inventem de tudo um pouco em busca de resultados puramente terrenos. Digo isso diante de muitas coisas que tenho visto e ouvido. Hoje, no espaço de culto, tudo é possível. Lamentavelmente, a conduta cristã se tornou um grande show. A igreja se deixou envolver pela modernidade, pois hoje não é mais uma fonte de espiritualidade, mas de entretenimento e lucro. E o desejo de lucro não é só das lideranças, mas também dos participantes, que querem lucrar e se entreter. Dessa forma, não só houve perda de valores, mas valores invertidos. Cansei de ver líderes evangélicos brincando com suas igrejas, como se fossem semideuses. Cansei de ver igrejas sendo dirigidas como verdadeiras empresas, onde o lucro criava mitos de super homens, tudo em nome de Deus, porém nada era para Deus. Cansei de ver a superficialidade dos sermões e cânticos, e em meio a tudo isso vi pessoas frágeis, doentes e sofridas, querendo saber e descobrir mais sobre Deus. Diante desse cenário me dispus a fazer algo que pudesse trazer reflexão e mudança. Então, em 2009, eu e minha esposa iniciamos essa caminhada, chamando a igreja de volta à sua essência e à sua identidade. Já fomos agredidos até por um então deputado estadual evangélico, mas a grande perseguição parte de alguns apóstolos. Porém, outros fazem questão de nos ignorar, mas se utilizam de seus programas de TV e até 20 minutos de seus sermões para tentar nos denegrir e desqualificar nosso trabalho. Hoje, já não tenho mais ideia de até onde nosso trabalho tem repercutido. Muitos são os que já foram tocados pelo chamado do evangelho puro e simples de Jesus”, finaliza. […]

Qual será o futuro dos evangélicos?

É possível prever através do que relata a Bíblia. Mas sabemos que tudo tem ligação com escolhas feitas no presente para escrever as próximas páginas do futuro. Se serão idênticos ou diferentes dos não convertidos, intensos ou superficiais, salvos ou perdidos, separados ou comuns. A Bíblia diz em Deuteronômio: “Se ouvires a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o SENHOR teu Deus te exaltará sobre todas as nações da Terra. Porém, se não deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão”. Certa vez, um escritor verdadeiramente cristão, bem conhecido, escreveu: “Eu já mudei minha estratégia de pregação do evangelho de Cristo, além de pregar para os não convertidos, prego o Plano de Salvação para os Evangélicos! Muitos precisam aceitar Jesus!”

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Os Neopentecostais no Brasil: Cristianismo ou Empreendedorismo?

Oração "pura e simples" na abertura da III FLIC Salão Internacional Gospel

Oração “pura e simples” na abertura da III FLIC Salão Internacional Gospel

Por Vera Siqueira

No dia 18/09 estivemos no culto de abertura da III FLIC Salão Internacional Gospel, no Centro de Convenções Imigrantes, onde tivemos a oportunidade de fazer a oração (uma oração “pura e simples”, diga-se de passagem) diante de autoridades governamentais e eclesiásticas. E no dia 19/09 o MEEB fez a palestra “Os Neopentecostais no Brasil: Cristianismo ou Empreendedorismo?”. O palestrante seria o Paulo Siqueira, porém ele passou por uma cirurgia horas antes da palestra e não foi liberado a tempo. Mas Deus provê todas as coisas, e proveu também essa palestra. Nas próximas linhas, um resumo do que foi dito.   Os Neopentecostais no Brasil: Cristianismo ou Empreendedorismo? Antes de mais nada, iniciemos falando um pouco sobre como era a Igreja há cerca de 1000 anos, em plena Idade Média. Nesse tempo, na Alemanha e no norte da Itália os bispos eram nomeados pelo imperador, não pelo papado. Nessa época, o Império Romano do Ocidente queria melhor administrar seus imensos territórios conquistados, e para isso dividiu-os em feudos (condados, marquesados, ducados) que eram administrados por homens de confiança do imperador. Porém, esses homens constituíam família, e seus herdeiros passaram a herdar também essas terras, porém esse não era o desejo do Império. Assim, como o Imperador era quem nomeava os bispos, passou a coloca-los na direção dos feudos (afinal, bispos tinham que fazer voto de castidade e não poderiam ter filhos legítimos que pudessem pleitear as terras – filhos bastardos não contavam). Daí criou-se uma situação de corrupção na Igreja, pois os bispos-condes, como passaram a ser conhecidos, eram mais leais ao imperador que ao papado, e eram administradores, não homens espirituais. Nessa época também floresceram os franciscanos (seguidores de S. Francisco de Assis) e os valdenses (seguidores de Pierre Valdo, rico mercador de Lion). Tanto S. Francisco como Valdo tinham origem rica, porém abandonaram seus bens em prol da crença de que o cristianismo implicava no desprendimento material e na distribuição dos bens entre os pobres, um ensino contrário ao papado e aos demais sacerdotes, que viviam no luxo. O povo se identificava com a pregação desses homens, o que trouxe preocupação no papado sobre como anular tais movimentos. Decidiu-se pela adoção, pela Igreja Romana, dos franciscanos (movimento conhecido como “pobres católicos”) e pela total perseguição aos valdenses (que, além de optarem por uma vida simples e comunitária, ainda atacavam duramente a corrupção da Igreja). Contra os valdenses os papas chegaram a ordenar duas Cruzadas (sim, houve Cruzadas contra cristãos, não apenas contra muçulmanos) e muitos sofreram grandes torturas e morreram na fogueira. Com o tempo, porém, entre os franciscanos houve uma divisão: os conventuais achavam que poderia ser flexibilizada a regra de pobreza, e os espirituais continuavam fiéis aos ensinos de S. Francisco. Desses espirituais surgiram os fraticelli, que pregavam absoluta pobreza. É claro que esses passaram também a ser perseguidos pela Igreja, alguns até mortos. O papado dessa época chamou de heresia o fato de se dizer que Jesus e os Apóstolos eram pobres. E aí chegamos na simonia, ou a chamada venda de indulgências. Sacerdotes saíam pelas terras vendendo indulgências, que garantiam a quem as comprava a absolvição de qualquer pecado e a salvação. Abaixo, o preço de tabela de algumas indulgências:

  • Sacerdote que deflora virgem: 2 libras e 8 soldos;
  • Religiosa que quer ser abadessa após ter se entregado a um ou mais homens simultânea ou sucessivamente: 131 libras e 15 soldos;
  • Sacerdotes que querem viver em concubinato: 76 libras e 1 soldo;
  • Homicídio simples contra um leigo: 15 libras, 4 soldos e 3 denários;
  • Homicídio de um bispo ou prelado: 131 libras, 14 soldos e 6 denários;
  • Afogamento do próprio filho ou aborto: 17 libras e 15 soldos;
  • Autorização para venda de quaisquer produtos nos pórticos da igreja: 45 libras, 19 soldos e 3 denários;
  • Leigos feios ou deformados que querem receber ordenamentos sagrados: 58 libras e 2 soldos;
  • Para cada pecado de luxúria de um leigo: 27 libras e 1 soldo.
  • Mulher adúltera que quer continuar na relação ilícita e ser absolvida: 87 libras e 3 soldos.

Mudando um pouquinho de assunto, empreendedorismo, no mundo atual, é uma coisa boa. O empreendedor é aquela pessoa, criativa, perseverante, ambiciosa, que olha ao redor, identifica uma necessidade e cria uma empresa ou produto que possa supri-la, gerando empregos e lucro. Porém, o que dizer de igrejas com visão de empreendorismo? Se for um empreendedorismo voltado à divulgação da Palavra, é muito bom. Hoje podemos pregar na TV, nas rádios, pela internet e de outras formas ou com outras tecnologias. Se a Palavra não é deturpada e não há intenção de lucro (pois aí não seria igreja, mas empreja), o empreendedorismo é muito bem quisto. Porém, principalmente entre as denominações neopentecostais e em algumas neopentecostais, o que tem imperado é um empreendedorismo voltado para o cumprimento de metas e obtenção de lucro. Se deixarmos de lado os contextos históricos, essas igrejas hoje são bastante semelhantes à Igreja Romana no período pré-reforma. Vejamos os vídeos a seguir: No primeiro vídeo, vemos uma reunião de pastores onde são tratadas as estratégias para o atingimento das metas financeiras da denominação. Claramente, o que importa ali é o aumento da arrecadação, não a pregação do Evangelho. Há alguma semelhança com os “bispos-condes” do período pré-Reforma? No segundo e no terceiro vídeo vemos pastores vendendo bênçãos em troca de grandes ofertas. Há alguma semelhança com a simonia praticada na Idade Média? No quarto vídeo também há uma venda de favores. Se você for feia basta participar das 7 semanas de embelezamento com o kit de beleza da Rainha Ester. Assim como na Idade Média os leigos feios não podiam ser ordenados (a não ser que tivessem dinheiro para comprar a indulgência), no nosso tempo algumas denominações dão grande valor à beleza física, às aparências, chegando ao ponto de vender o milagre do embelezamento. No quinto vídeo vemos que muitas denominações estão literalmente no fundo do poço, e para lá levando os fiéis que as seguem. Aí também há a simonia, pois o milagre se dará com a compra do sabonete de mirra. Se fosse um grupo humorístico seria até engraçado. Como se tratam de pastores, de pessoas que dizem representar a Deus, é uma lástima. No sexto e último vídeo vemos um pastor forçando a barra para que um candidato a prefeito aceite a Jesus diante de toda a congregação. Aqui vemos o perigo que é confundir púlpito com palanque eleitoral e também uma estratégia muito usada por várias denominações no atingimento das metas de conversões (sim, existe isso, e tem um motivo: quanto mais conversões, mais membros; quanto mais membros, mais arrecadação). Assim, não é raro ver pessoas que entram numa igreja, são levadas ao choro após meia hora de músicas especialmente preparadas para trazer à tona nossas emoções. Já num estado de fragilidade, essas pessoas ouvem um sermão apelativo emocionalmente e no final a pergunta: “quem quer aceitar a Jesus, venha aqui para a frente e repita o que eu dizer”. Pronto! Oficialmente a igreja ganhou mais um membro, porém para esse membro esse ritual não significou nada, pois racionalmente nem sabia bem o que estava fazendo. E isso ajuda a explicar milhões e milhões que se dizem evangélicos, porém sem que sejam sal e luz nessa terra (pois, se fossem, cairia drasticamente todos os índices negativos do país, como corrupção, violência, etc). Enfim, a pergunta que fica é: O Cristianismo evoluiu? Ou está regredindo a níveis iguais ou talvez até piores aos que existiam antes da Reforma Prostestante?   blog147De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.Atos 2:41-47 Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. – 1 Timóteo 6:7-11   Referências: A Bíblia Sagrada. FO, J. TOMAT, S. MALUCELLI, L. O livro negro do cristianismo: dois mil anos de crimes em nome de Deus. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007. MELO, N. M. SEBRAE e empreendedorismo: origem e desenvolvimento. São Carlos: UFSCar, 2008. Site Youtube. Disponível em: <http://www.youtube.com&gt;. Acesso em: 14 Set. 2014.   VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES, O $HOW TEM QUE PARAR! A DEUS, toda a honra e toda a glória para sempre. www.pedrasclamam.com http://estrangeira.wordpress.com http://exemplobereano.blogspot.com e outros blogs e sites apologéticos   Um agradecimento especial ao Josef, que esteve com o Paulo durante todo o tempo de internação; À Liliam Oliveira, minha “mãe na fé”, que como um anjo esteve comigo desde a tarde, me ajudando a carregar o fardo; Aos irmãos e amigos Morelo, Bem-Hur, Nei, Luis Henrique e Tamara, que também carregaram boa parte do fardo e estão sempre conosco, em comunhão e alegria apesar das tribulações; Aos irmãos e irmãs que não puderam estar presentes, seja pela distância, pelo horário ou por qualquer outro motivo, mas que estavam presentes – e bem presentes – em oração; Em especial ao irmão Marquinhos, que não estava presente por motivo de saúde, que Deus possa lhe dar a cura e o refrigério. Aos poucos mais muito, muito importantes ouvintes que ali estiveram apesar de todos os pesares, obrigada! A semente mais uma vez foi lançada, por permissão Dele. Que Deus abençoe a todos!!!!

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5 erros do Evangelho da Prosperidade

5 Erros do Evangelho da Prosperidade

David W. Jones
07 de Abril de 2014 – Igreja e Ministério

Há mais de um século, falando à então mais numerosa congregação em toda a cristandade, Charles Spurgeon disse:

Eu creio que é anticristão e pecaminoso para qualquer cristão viver com a finalidade de acumular riquezas. Você dirá: “Não devemos lutar o quanto pudermos para conseguirmos todo o dinheiro que pudermos?” Você pode fazer isso. De qualquer maneira, não posso duvidar que ao fazê-lo, você possa servir à causa de Deus. Mas o que eu disse é que viver com a finalidade de acumular riquezas é anticristão.[1]

Ao longo dos anos, contudo, a mensagem pregada em algumas das maiores igrejas do mundo mudou — de fato, um novo evangelho está sendo ensinado a muitas congregações hoje. Muitos nomes têm sido atribuídos a tal evangelho: o evangelho do “declare e tome posse”, o evangelho do “fale e receba”, o evangelho da “saúde e riqueza”, o “evangelho da prosperidade” e a “teologia da confissão positiva”.

Não importa qual nome seja usado, a essência desse novo evangelho é a mesma. Colocando de maneira simples, esse “evangelho da prosperidade” egocêntrico ensina que Deus quer que os crentes sejam fisicamente saudáveis, materialmente ricos e pessoalmente felizes. Ouça as palavras de Robert Tilton, um dos mais conhecidos representantes do evangelho da prosperidade nos Estados Unidos: “Eu creio que é a vontade de Deus que todos prosperem, porque eu vejo isso na Palavra, não porque isso funcionou poderosamente para outra pessoa. Eu não olho para homens, mas para Deus que me dá o poder para adquirir riquezas”. [2] Mestres do evangelho da prosperidade encorajam seus seguidores a orar e até mesmo a exigir prosperidade material de Deus.

Cinco erros teológicos do evangelho da prosperidade

Recentemente, Russel Woodbridge e eu escrevemos um livro chamado Health, Wealth, and Happiness (Saúde, Riquezas e Felicidade, em tradução livre) para examinar as alegações dos defensores do evangelho da prosperidade.[3] Embora nosso livro seja demasiadamente amplo para resumi-lo aqui neste artigo, eu gostaria de rever cinco doutrinas que cobrimos em nosso livro — doutrinas sobre as quais os defensores do evangelho da prosperidade erram. Discernindo tais erros a respeito das doutrinas-chave, espero que os leitores vejam claramente os perigos do evangelho da prosperidade. As doutrinas que eu cobrirei são a aliança Abraâmica, a expiação, ofertas, fé e oração.
1.A aliança Abraâmica é um meio para o direito a bens materiais

O primeiro erro que consideraremos é que o evangelho da prosperidade vê a aliança Abraâmica como um meio para o direito a bens materiais.

A aliança Abraâmica (Gn 12, 15, 17, 22) é uma das bases teológicas do evangelho da prosperidade. É bom que os teólogos da prosperidade reconheçam que muito da Escritura é o registro do cumprimento da aliança Abraâmica, mas é ruim que eles não mantenham uma visão ortodoxa de tal aliança. Eles possuem uma visão incorreta do princípio da aliança; mais significativamente, eles possuem uma visão errônea a respeito de sua aplicação.

Edward Pousson definiu muito bem a visão da prosperidade na aplicação da aliança Abrâmica quando escreveu: “Os cristãos são os filhos espirituais de Abraão e herdeiros das bênçãos da fé […] Tal herança Abraâmica se dá primariamente em termos de direitos materiais”.[4] Em outras palavras, o evangelho da prosperidade ensina que o propósito primário da aliança Abraâmica era Deus abençoar Abraão materialmente. Visto que agora os crentes são os filhos espirituais de Abraão, eles herdaram tais bênçãos financeiras.

O mestre da prosperidade Kenneth Copeland escreveu: “Visto que a aliança de Deus foi estabelecida e a prosperidade é uma provisão de tal aliança, você precisa perceber que a prosperidade agora pertence a você!”[5]

Para apoiar essa declaração, os mestres da prosperidade apelam para Gálatas 3.14, que se refere à “bênção de Abraão chegando aos gentios por Jesus Cristo”. É interessante, contudo, que em seus apelos em Gálatas 3.14, os mestres da prosperidade ignorem a segunda metade do versículo, que diz: “… a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido”. Nesse versículo, Paulo estava claramente lembrando os gálatas sobre a bênção espiritual da salvação, não a bênção material da riqueza.
2.A expiação de Jesus se estende ao “pecado” da pobreza material.

Um segundo erro teológico do evangelho da prosperidade é uma visão deficiente da expiação.

O teólogo Ken Sarles escreve que “o evangelho da prosperidade afirma que tanto a cura física quanto a prosperidade financeira foram concedidas através da Expiação”.[6] Esta parece ser uma observação acurada à luz do comentário de Kenneth Copeland de que “o princípio básico da vida cristã é saber que Deus depositou os nossos pecados, doenças, enfermidades, aflições, pesares e pobreza sobre Jesus no Calvário”.[7] Tal equívoco a respeito do escopo da expiação decorre de dois erros que os defensores do evangelho da prosperidade cometem.

Primeiro, muitos que defendem a teologia da prosperidade têm uma concepção errônea da vida de Cristo. Por exemplo, o mestre John Avanzini proclamou: “Jesus tinha uma boa casa, uma casa grande”[8], “Jesus lidava com muito dinheiro”[9], e ele até mesmo “vestia roupas de grife”[10]. É fácil ver como tal visão distorcida da vida de Cristo poderia levar a uma concepção igualmente distorcida da morte de Cristo.

Um segundo erro que leva a uma visão deficiente da expiação é uma interpretação errônea de 2 Coríntios 8.9, que diz: “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”. Embora uma leitura superficial desse versículo possa levar alguém a crer que Paulo estava ensinando sobre um aumento da riqueza material, uma leitura contextualizada revela que Paulo, na verdade, estava ensinando exatamente o princípio oposto. De fato, Paulo estava ensinando aos coríntios que, uma vez que Cristo conquistou tantas coisas por eles, através da expiação, eles deveriam esvaziar-se de suas próprias riquezas a serviço do Salvador. É por isso que, em apenas cinco curtos versículos depois, Paulo insistirá que os coríntios doem suas riquezas para irmãos em necessidade “suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles” (2Co 8.14).
3.Os cristãos dão ofertas para ganhar compensação material de Deus

Um terceiro erro do evangelho da prosperidade é que os cristãos deveriam dar ofertas para ganhar compensação material de Deus. Uma das mais notáveis características dos teólogos da prosperidade é a sua aparente fixação com o ato de dar. Estudantes do evangelho da prosperidade são incitados a dar generosamente e são confrontados com declarações piedosas como: “A verdadeira prosperidade é a habilidade de usar o poder de Deus para atender às necessidades da humanidade em cada esfera da vida”[11]; e: “Nós fomos chamados para financiar o evangelho para o mundo”[12]. Embora tais declarações pareçam ser dignas de louvor, tal ênfase nas ofertas é construída sobre motivos que são qualquer coisa, menos filantrópicos. A força propulsora por trás desse ensino sobre dar é o que o mestre da prosperidade Robert Tilton se refere como a “Lei da Compensação”. De acordo com essa lei, que é supostamente baseada em Marcos 10.30, [13] os cristãos precisam dar generosamente a outros, porque, quando dão, Deus lhes dará mais em troca. Isso, por sua vez, levaria a um ciclo de prosperidade sempre crescente.

Como Gloria Copeland disse: “Dê $10 e receba $1000; dê $1000 e receba $100.000 […] resumindo, Marcos 10.30 é um ótimo negócio”[14]. É evidente, portanto, que a doutrina do evangelho da prosperidade de dar é construída sobre motivos deficientes. Enquanto Jesus ensinava aos seus discípulos “dá, sem esperar nada em troca” (Lc 10.35), os teólogos da prosperidade ensinam os seus discípulos a darem, porque terão algo muito maior em troca.
4.Fé é uma força espiritual autogerada que leva à prosperidade

Um quarto erro da teologia da prosperidade é o seu ensino de que a fé é uma força espiritual autogerada que leva à prosperidade. Enquanto o cristianismo ortodoxo entende a fé como a confiança na pessoa de Jesus Cristo, os mestres da prosperidade abraçam uma doutrina bastante diferente. Em seu livro The Laws of Prosperity (As Leis da Prosperidade, em tradução livre), Kenneth Copeland escreve: “Fé é uma força espiritual, uma energia espiritual, um poder espiritual. É essa força da fé que faz as leis do mundo espiritual funcionarem. […] Há certas leis governando a prosperidade revelada na Palavra de Deus. A fé faz com que elas funcionem”.[15] Esse é obviamente um entendimento distorcido, talvez até mesmo herético, da fé.

De acordo com a teologia da prosperidade, fé não é um ato da vontade de Deus, concedido por Deus e centralizado em Deus. Mas é uma força espiritual humanamente forjada, dirigida a Deus. De fato, qualquer teologia que vê a fé somente como um meio para o ganho material, em vez da justificação diante de Deus, deve ser julgada deficiente e inadequada.
5.A oração é uma ferramenta para forçar Deus a conceder prosperidade.

Finalmente, o evangelho da prosperidade trata a oração como uma ferramenta para forçar Deus a conceder prosperidade. Os pregadores do evangelho da prosperidade frequentemente observam que nós não temos, porque não pedimos (Tg 4.2). Os defensores do evangelho da prosperidade encorajam os crentes a orar por sucesso pessoal em todas as áreas da vida. Creflo Dollar escreve: “Quando oramos, crendo que já recebemos aquilo pelo qual oramos, Deus não tem escolha a não ser fazer as nossas orações se tornarem realidade […] Essa é uma chave para conseguir resultados como cristão”[16].

Certamente as orações por bênçãos pessoais não são inerentemente erradas, mas a ênfase demasiada do evangelho da prosperidade sobre o homem transforma a oração em uma ferramenta que os crentes podem usar para forçar Deus a conceder seus desejos.

Dentro da teologia da prosperidade, o homem — não Deus — se torna o foco da oração. Curiosamente, os pregadores da prosperidade frequentemente ignoram a segunda metade do ensino de Tiago sobre a oração que diz: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg 4.3). Deus não responde a solicitações egoístas que não honram o seu nome.

Certamente todas as nossas petições devem ser levadas ao conhecimento de Deus (Fp 4.6), mas o evangelho da prosperidade se concentra tanto nos desejos dos homens, que pode levar as pessoas a fazerem orações egoístas, superficiais e frívolas, que não trazem a glória para Deus. Além disso, quando combinada com a doutrina de fé do evangelho da prosperidade, tal ensino pode levar as pessoas a tentarem manipular Deus para conseguirem o que querem — uma tarefa vã. Isso está muito longe da oração que deseja que a vontade de Deus seja feita.

Um falso evangelho

À luz da Escritura, o evangelho da prosperidade é fundamentalmente defeituoso. Na base, o evangelho da prosperidade é, na verdade, um falso evangelho devido à sua visão distorcida sobre o relacionamento entre Deus e o homem. Em outras palavras, se o evangelho da prosperidade é verdadeiro, a graça é obsoleta, Deus é irrelevante e o homem é o centro de todas as coisas. Quer eles estejam falando sobre a aliança Abraâmica, a expiação, as ofertas, a fé ou a oração, os mestres da prosperidade transformam o relacionamento entre Deus e o homem em uma transação quid pro quo.[17] Como James R. Goff observou, Deus é “reduzido a uma espécie de ‘serviçal cósmico’, atendendo às necessidades e desejos da sua criação”.[18] Essa é uma visão completamente inadequada e antibíblica do relacionamento entre Deus e o homem.

David W. Jones é Professor Associado de Ética Cristã no Southeastern Baptist Theological Seminary.

[1] Tom Carter, ed., 2,200 Quotations from the Writings of Charles H. Spurgeon (Grand Rapids: Baker Book House, 1988), 216.

[2] Robert Tilton, God’s Word about Prosperity (Dallas, TX: Word of Faith Publications, 1983), 6.

[3] David W. Jones and Russell S. Woodbridge, Health, Wealth, and Happiness: Has the Prosperity Gospel Overshadowed the Gospel of Christ? (Grand Rapids: Kregel, 2010).

[4] Edward Pousson, Spreading the Flame (Grand Rapids: Zondervan, 1992), 158.

[5] Kenneth Copeland, The Laws of Prosperity (Fort Worth, TX: Kenneth Copeland Publications, 1974), 51.

[6] Ken L. Sarles, “A Theological Evaluation of the Prosperity Gospel,” Bibliotheca Sacra 143 (Oct.-Dec. 1986): 339.

[7] Kenneth Copeland, The Troublemaker (Fort Worth, TX: Kenneth Copeland Publications, 1996), 6.

[8] John Avanzini, “Believer’s Voice of Victory,” programa na TBN, 20 de janeiro de 1991. Citado em Hank Hanegraaff, Christianity in Crisis (Eugene, OR: Harvest House, 1993), 381.

[9] Idem, “Praise the Lord,” programa na TBN, 15 de setembro de 1988. Citado em Hanegraaff, 381.

[10] Avanzini, “Believer’s Voice of Victory.”

[11] Kenneth Copeland, The Laws of Prosperity, 26.

[12] Gloria Copeland, God’s Will is Prosperity (Fort Worth, TX: Kenneth Copeland Publications, 1973), 45.

[13] Outros versículos sobre os quais baseiam a “Lei da Compensação” incluem Ec 11.1, 2Co 9.6 e Gl 6.7.

[14] Gloria Copeland, God’s Will, 54.

[15] Kenneth Copeland, The Laws of Prosperity, 19.

[16] Creflo Dollar, “Prayer: Your Path to Success,” 2 de março de 2009, http://www.creflodollarministries.org/BibleStudy/Articles.aspx?id=329 (acessado em 30 de outubro de 2013).

[17] A expressão tem origem latina e significa “tomar uma coisa por outra”. No uso do português tem o significado de confusão ou engano.

[18] James R. Goff, Jr., “The Faith That Claims,” Christianity Today, vol. 34, fevereiro de 1990, 21.

Tradução: Alan Cristie

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David W. Jones

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David W. Jones

David W. Jones é professor associado de Ética Cristã no Southeastern Baptist Theological Seminary.

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Falsos Apóstolos já Atacavam Igrejas no Novo Testamento

Falsos Apóstolos já Atacavam Igrejas no Novo Testamento

Augustus Nicodemus
10 de Setembro de 2014 – Igreja e Ministério

Examinemos agora o caso daqueles a quem o apóstolo Paulo chama de “superapóstolos” e “falsos apóstolos”, na sua segunda carta aos coríntios (2Co 11.5; 11.13 e 12.11). Trata-se de obreiros que apareceram na igreja de Corinto, ostentando o título de apóstolos, apresentando credenciais que supostamente provavam esta reivindicação, querendo diminuir Paulo como apóstolo e assumir a liderança da igreja.

Paulo os chama de “super apóstolos,” (2Co 11.5; 12.11), provavelmente como uma ironia. [1] Os tais se apresentavam com reivindicações extravagantes e se colocando acima de Paulo e talvez dos doze. Paulo os considera “falsos apóstolos” (2Co 11.13), não somente porque a mensagem deles representava um desvio do ensino apostólico original, mas também porque eram imitadores, tentando se passar por apóstolos de Cristo. [2]

Robertson e Plummer afirmam que “não poderia ter havido falsos apóstolos (2Co 11.13), a menos que o número de Apóstolos [sic] fosse indefinido”. [3] O que eles querem dizer é que se reconhecia a existência de apóstolos além de Paulo e dos doze, e que não havia limite para o número de apóstolos naquela época. De acordo com esta interpretação, os “falsos apóstolos” eram falsos não porque estavam usurpando um título que era somente dos doze ou de Paulo, pois havia muitos outros apóstolos além deles. Eles eram falsos somente porque pregavam um falso evangelho. Assim, de acordo com esta linha de interpretação, a existência de falsos apóstolos no período apostólico é uma prova de que havia muitos apóstolos em atividade naquela época e que consequentemente não existe nenhuma razão pela qual se deva negar a existência deles em nossos dias.

Todavia, uma análise mais atenta aos textos de 2Coríntios que se referem aos falsos apóstolos, parece sugerir que Paulo os considera “falsos” não somente por serem falsos mestres, mas também por serem usurpadores do título. Eles se apresentavam como apóstolos similares aos doze e a Paulo, e não como enviados de alguma igreja para cumprir uma missão. Eles queriam poder, autoridade, reconhecimento e, especialmente, ganhar dinheiro. Suas credenciais envolviam sonhos, visões, revelações, milagres, ascendência judaica e outras coisas destinadas a impressionar os crédulos coríntios. É verdade que haviam outros apóstolos além de Paulo e dos doze, conforme já mostramos anteriormente, mas estes que apareceram em Corinto não eram do nível de Silas, Timóteo, Barnabé ou Epafrodito – não, eles eram “superapóstolos”, como os doze e acima de Paulo. Eles eram falsos porque o grupo de “apóstolos de Jesus Cristo” ao qual eles queriam pertencer – os doze e Paulo – era limitado. [4]

Examinemos mais de perto as evidências. Quase que certamente esses obreiros eram judeus, supostamente convertidos ao Cristianismo, pregadores itinerantes, que se vangloriavam de sua ascendência judaica e de serem ministros de Jesus Cristo. [5] Eles haviam entrado na igreja de Corinto e estavam fazendo graves acusações contra Paulo, o que levou o apóstolo a ter de escrever esta carta depois de haver visitado a cidade para tratar do assunto.

Paulo diz que eles “mercadejavam a Palavra de Deus”, uma alusão às exigências financeiras que estavam fazendo (2Co 2.17). Eles se apresentavam com “cartas de recomendação,” provavelmente da igreja de Jerusalém, com o intuito de imporem a sua autoridade sobre a igreja (2Co 3.1-3). [6] Ao apresentar-se como “ministro de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito” (2Co 3.6) e ao fazer o contraste entre o Evangelho e o Judaísmo (2Co 3.6-18), Paulo deixa transparecer que eles pregavam as glórias da antiga aliança baseada na lei de Moisés como superior ao Evangelho de Paulo. [7] Ao fazer isto, eles astutamente “adulteravam” a Palavra de Deus (2Co 4.2) e pregavam a si mesmos e não a Cristo (2Co 4.5). Paulo os critica por se “gloriarem na aparência”, o que pode ser uma referência ao fato de que se gloriavam de ser judeus legítimos, talvez de Jerusalém, ao contrário de Paulo que era da Dispersão (2Co 5.12). Eles haviam sugerido que Paulo havia enlouquecido (2Co 5.13). Criticavam-no por proceder como o mundo (2Co 10.2) e de ser covarde, pois escrevia cartas fortes e graves quando estava distante, mas quando estava presente, sua apresentação pessoal era “fraca” e sua palavra “desprezível” (2Co 10.9-10; cf. 11.6). Eles insinuavam que Paulo queria aproveitar-se financeiramente deles, ao inventar uma coleta para os pobres de Jerusalém (2Co 8.14-18). [8] Eles apresentavam-se como verdadeiros israelitas (2Co 11.22) e “ministros de Cristo” (2Co 11.23), talvez operadores de milagres (2Co 12.12), que tinham visões e revelações do Senhor (2Co 12.1). Apresentavam-se como no mesmo nível de Paulo, ou mesmo como superiores a ele, por terem maiores e melhores credenciais (2Co 11.12). A igreja de Corinto, ou um grupo dentro dela, estava aceitando a presença e o discurso deles, com suas críticas a Paulo, que certamente tinham o objetivo de minar a sua liderança e autoridade e, finalmente, assenhorear-se da comunidade (2Co 11.1-4).

A resposta de Paulo a tudo isto vem de várias maneiras. Primeira, ele responde às reivindicações destes “apóstolos” apresentando, constrangido, as suas próprias credenciais apostólicas, aceitando, num primeiro momento, que estas credenciais definem um apóstolo de Cristo: ele também é judeu (2Co 11.22), faz sinais e prodígios (2Co 12.12), tem visões e revelações do Senhor (2Co 12.1-4).

Mas, paralelamente, Paulo apresenta as credenciais de um verdadeiro apóstolo que estes “apóstolos” não tinham, e que o faziam um verdadeiro “ministro de Cristo,” em contraste com eles, que eram ministros de Satanás: eles traziam cartas de recomendação, mas a recomendação de Paulo eram os próprios coríntios, convertidos pela sua pregação (2Co 3.1-4). Eles se vangloriavam de seus predicados e credenciais, mas Paulo se gloriava de seus sofrimentos (2Co 6.4-10), de um espinho na carne (2Co 12.7-10) e de ter tido de fugir uma vez de uma cidade descido num cesto, pelo muro, para não ser morto pelos judeus (2Co 11.32-33).

Terceiro, Paulo os denuncia como “falsos apóstolos,” “obreiros fraudulentos,” que na verdade eram ministro de Satanás travestidos de ministros de Cristo, seguindo a estratégia do diabo de se passar por Deus (2Co 11.13-15). Ele apela aos coríntios para não se porem em “jugo desigual com os incrédulos,” no que parece ser uma referência a estes falsos apóstolos (2Co 6.14-18).

Fica evidente, então, de nossa análise, que estes obreiros fraudulentos haviam arrogado a si mesmos o título de apóstolos de Jesus Cristo, numa tentativa de se imporem autoritativamente sobre as igrejas, numa espécie de imitação dos doze, com o fim de dominarem sobre elas. Eles eram apóstolos falsos, não somente porque o grupo de apóstolos ao qual eles reivindicavam pertencer estava já fechado, mas também porque não possuíam as credenciais essenciais de um verdadeiro apóstolo. Além disso, estavam adulterando a Palavra de Deus no intento de auferir ganhos financeiros das igrejas.

Nossa conclusão está de acordo com o fato de que apareceram muitos, quando os doze e Paulo ainda viviam, reivindicando um status similar. Encontramos um exemplo disto no livro de Apocalipse, na carta à igreja de Éfeso: “Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos” (Ap 2.2). À semelhança do que havia acontecido em Corinto, homens maus apareceram na igreja de Éfeso dizendo-se apóstolos. Ao contrário do que havia acontecido na igreja de Corinto, os crentes de Éfeso puseram estes apóstolos à prova – certamente examinando as suas reivindicações, suas credenciais e sua mensagem – e concluíram que eles eram impostores, no que foram aprovados pelo Senhor. Aqui cabem as palavras de Spence-Jones: “Chamar um homem de sucessor dos apóstolos, o qual não tem o caráter apostólico – nobreza, lealdade a Cristo e total autoabnegação – é uma farsa malévola”. [9]

O status de apóstolo era cobiçado desde cedo na história da igreja cristã, não como um indicativo de alguém que estava envolvido na obra missionária, mas pelo poder, autoridade e respeito que este status comandava. E é exatamente neste sentido que ele vem sendo apropriado e usado por muitos hoje que se apresentam como apóstolos de Jesus Cristo.

Notas:

1. Cf. “tais apóstolos”, ARA; “superapóstolos”, NVI; “superapóstolos” NTLH. A ARC, todavia, traduziu como sendo uma referência não irônica,“aos mais excelentes apóstolos”, o que altera substancialmente a interpretação da passagem, sugerindo que estes apóstolos “mais excelentes” eram os doze com quem Paulo estava se comparando.

2. Alguns estudiosos sugerem que Paulo estava se referindo ironicamente aos doze apóstolos de Jesus Cristo, sediados em Jerusalém. Contudo, diante dos relatos do livro de Atos e de Gálatas capítulo dois, da concordância e harmonia entre Paulo e os doze, esta sugestão não se sustenta. Veja os argumentos contra a ideia de que os “superapóstolos” eram os doze em Kirk, “Apostleship since Rengstorf,” 253.

3. Robertson, Corinthians, 279.

4. “Apóstolos de Jesus Cristo” é uma designação quase que exclusiva dos doze e Paulo no Novo Testamento, cf. a argumentação na seção “Apóstolos de Jesus Cristo”.

5. Cf. Carson, New Bible Commentary, na Introdução.

6. Isto não quer dizer que os apóstolos de Jerusalém estariam de acordo com a atividade sectária e mercenária deles, em Corinto.

7. Para uma posição contrária, veja Clark, “Apostleship,” 359-360 e Carson, New Bible Commentary, Introdução. Mesmo admitindo que os oponentes de Paulo eram judeus cristãos, Carson não acredita que eram judaizantes, como aqueles que infestaram as igrejas da Galácia. Contudo, o contraste entre as duas alianças no capítulo 3 só faria sentido no contexto de uma mensagem judaizante dos oponentes de Paulo.

8. Esta é, provavelmente, a razão pela qual Paulo toma várias precauções para evitar acusações de apropriação indébita das ofertas que ele haveria de levar a Jerusalém, cf. 2Co 8—9.

9. Spence-Jones, Galatians, 140.

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Voltemos ao Evangelho puro e simples no III Flic Salão Internacional Gospel

feira_2014_new_site_slides_homeNo dia 19 de setembro (sexta-feira) às 19:30h o MEEB – Movimento pela Ética Evangélica Brasileira estará na III Flic Salão Internacional Gospel (Centro de Convenções Imigrantes, na zona sul de São Paulo), apresentando uma palestra sobre a necessidade da igreja brasileira voltar ao ensino do Evangelho de Jesus Cristo, sem dogmas humanos, sem barganhas com o Divino, sem a ganância que tem marcado muitos que se dizem cristãos.

A entrada é gratuita. Se puder, venha conhecer nossas propostas!

O MEEB no II Salão Internacional Gospel

O MEEB no II Salão Internacional Gospel

 

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