Publicado por: pedrasclamam | 07/11/2009

Os porquês da Marcha pela ética

A grande pergunta que tem surgido desde o início do nosso propósito da marcha pela ética da igreja evangélica brasileira, e muito mais depois que a executamos, é o porquê e qual nossa verdadeira intenção.

Dos inúmeros comentários que recebemos, várias pessoas destacam diversas hipóteses: desejo de 15 minutos de fama dentro do cenário gospel, que somos fariseus, hipócritas, desviados ou nunca convertidos, e muitos outros elogios. Dentro dos diversos comentários de apoio, o destaque está na coragem e na determinação de enfrentar a situação.

Para entendermos os porquês, gostaria que soubessem que sou um homem de quarenta anos, nascido no interior de São Paulo, em uma família muito pobre. Nasci em uma pequena favela, diante de um grande lixão. Meu primeiro berço foi um caixote de frutas, e até minha adolescência todos os alimentos consumidos por mim e por minha família eram tirados do lixão ou provenientes da pouca renda que minha mãe conseguia como empregada doméstica.

Tive um pai ausente desde meu nascimento, devido ao abuso do álcool e dos jogos de azar. Ou seja, sobreviver, no meu caso, já foi uma grande aventura.

Muitos dos meus amigos tomaram o rumo da marginalidade e das drogas, mas em minha casa a questão religiosa veio antes mesmo de eu nascer, pois minha mãe, também com uma história parecida com a minha, se prendeu ao contexto religioso, firmando uma promessa de que todos os filhos teriam o nome da sua santa devota, a Aparecida. Sendo assim, eu e todos os meus três irmãos somos “aparecidos”.

Cresci com muito sofrimento, porém em minha casa ir à igreja sempre foi algo presente. Dessa forma, a vida religiosa era o único lugar onde eu e minha família éramos reabastecidos de esperança.

Cresci na Igreja Católica. Como católico praticante, tão praticante que fui ao Seminário, e ali permaneci e só não me tornei padre, acredito hoje, pelos planos de Deus. Nesse contexto, aprendi o que era a teologia, e também a filosofia, tornando-me não só um ouvinte mas também um praticante.

Quando saí do catolicismo, me converti em um culto público, em meio à uma praça, num grupo de ex-dependentes químicos da Assembléia de Deus, que testemunhavam a obra de Cristo em suas vidas. Tornei-me pastor muito cedo, pois para mim o Evangelho sempre foi prático. Apesar do conhecimento adquirido no Seminário, fiz diversos cursos teológicos no contexto pentecostal. Sempre fui um contínuo interessado no aprender teológico.

Cheguei em São Paulo em 1996, a convite de uma ong que, após ter contato com meus trabalhos junto a presidiários no interior, me convidou para um trabalho bastante desafiador, que era com prostitutas e travestis nas ruas e prostíbulos em São Paulo. E aqui estou desde então. Passei por algumas igrejas como pastor-auxiliar, ora como cooperador, e ora como simples membro. Aqui casei, e até que chegamos ao porquê da marcha.

Primeiramente, é preciso dizer que toda a minha experiência de vida foi vivida com a presença da igreja. Então, assim como muitos criticaram, o objetivo da marcha não é destruir a igreja. Calvino, em suas Institutas, define que o homem necessita de Deus através da comunhão com Sua Igreja. Na Igreja estão os eleitos. A Igreja é um Corpo do qual Cristo é a cabeça pelo Pai, e o Espírito é o que une o Corpo à Cabeça. E aqui está o verdadeiro ponto do porquê da marcha: de forma romântica e poética, podemos até concluir que a Igreja é o Corpo, porém na realidade eu e você sabemos que não é bem assim.

Muitas coisas ocorreram ao longo da história. A igreja que temos hoje é indefinida se relacionada com os propósitos da Igreja Primitiva. A força institucional da igreja faz com que as manipulações e os desejos de poder ultrapassem as necessidades humanas. Nas cartas paulinas, temos a descrição de diversas situações que assemelham a igreja brasileira à decadência, umas mais, outras menos, mas se somos um Corpo todas estão inclusas, inclusive eu.

Se não posso viver sem a Igreja, e se sou parte dela, então eu tenho que lutar pela Igreja, pois o propósito de Deus é uma Igreja santa, pronta para cumprir sua missão no mundo. A Igreja é o propósito perpétuo e visível da vontade de Deus no mundo. Ela não é um fenômeno transitório da história, ela é a comunidade dos filhos de Deus, onde o Reino de Deus é levado até o fim do drama terreno. E é enxergando e querendo isso ardentemente em nossos corações que nasce o porquê da marcha pela ética na igreja evangélica brasileira.

Sei que também é o desejo de muitos. Vi isso na marcha e nos diversos comentários que recebemos. O primeiro passo foi dado. Não quero ser um reformador, mas se minhas ações e minhas palavras levarem a Igreja a uma nova Reforma, ficarei muito feliz, pois não concordo, não aceito e não me conformo com o evangelho que está sendo pregado.

Por que do Evangelho puro e simples? Porque Calvino e Lutero também queriam. Porque o Evangelho de Cristo era puro e simples. Quero o Evangelho da Graça, de graça, sem barganhas, sem preço, mas sim com as dádivas do amor divino. Para isso, necessitamos de uma Reforma, porém também precisamos de uma Revolução. Mas, acima de tudo, necessitamos de Restauração, e esse processo de restauração deve ser contínuo e duradouro, não pode ser interrompido por mãos humanas.

Faz parte da obra de Deus o homem e a mulher, mas como representantes de Sua imagem em Graça, em amor, em sabedoria, em justiça. Nisso estão manifestas as obras dos verdadeiros apóstolos, pois para os apóstolos houve momentos de acolher, confortar, mas também houve momentos de dizer “raça de víboras”, “arrependei-vos, pois vos é chegado o Reino De Deus”. Um deles ousou dizer: “não mais vivo eu, mas Cristo vive em mim”. Não adianta ameaçar, amaldiçoar, desdenhar, ironizar, pois a Palavra de Deus nos diz: “quem nos separará do amor de Cristo? A espada, tribulação, a morte?” Em Cristo, somos verdadeiramente muito mais que vencedores.

Esse é o primeiro passo de muitos e muitos passos nessa longa e árdua caminhada para devolver a Igreja brasileira aos propósitos reais de estender o Reino de Deus a todo o mundo.

Em Cristo, Aquele em quem me espelho.

Publicado por: pedrasclamam | 07/11/2009

O vídeo do protesto na Marcha para Jesus – primeira parte

Irmãos, o Pablo Silva colocou no ar a primeira parte do vídeo Duas Marchas, um documentário que produziu durante a manifestação pelo Evangelho puro e simples. Que todos vejam a simplicidade e a irrelevância do nosso protesto. Todo o resultado é apenas o reflexo da obra de Deus. Quem viver, verá.

A Deus seja toda a glória, para sempre!!!

http://videolog.uol.com.br/pabloosilva/videos/493923

(logo postaremos a 2a. parte, aguarde!)

Publicado por: pedrasclamam | 07/11/2009

Um dia na Marcha

Ontem estive na Marcha Jesus, mas minha marcha era outra, pois diferente da marcha oficial não usamos o nome de Deus em vão, não aplaudimos mercenários, não cantamos que somos a “geração apostólica”, não respondemos as palavras de ordem do “apostolo” etc.

Para ir a marcha tomei um trem em Santo André e pude ver na estação e na composição muitos participantes da marcha, a maioria uniformizados com a camiseta da marcha.

Apesar de eu estar com a camiseta pedindo ética e pedindo para o show terminar não fui (acho) notado no trem e quando chegou na estação da luz esta lotado de “soldados” que se dirigiam a Marcha. Na estação o barulho era desagradável, parece que eles não se importaram com o cidadão comum que estava usando o trem para ir a outro lugar.

Chegando ao local comecei a conhecer meus companheiros de luta, e em pouco tempo estávamos todos lá, 8 pessoas no meio de um milhão. O tema criado para marcha foi real para nós pois estávamos enfrentando gigantes, mas não seria isso que nos faria desistir.

Sinceramente esperava mais hostilidade, afinal tirando um pouco da agua que jogaram em nós e em nossa faixa, na garafada que um rapaz deu nesta mesma faixa, da fralda que voou e quase acertou um dos nossos que esperto conseguiu se desviar , não houve nada de mais sério. Ah sim teve as vaias, o xingamento de fariseus e até de Judas, mas isso foi secundário.

A mensagem impressa em nossas camisetas:
MARCHA PELA ÉTICA EVANGÉLICA, O SHOW TEM QUE PARAR, o texto bíblico estampado nas costas da camiseta ” O AMOR AO DINHEIRO É A RAIZ DE TODOS OS MALES,E ALGUNS NESTA COBIÇA, SE DESVIARAM DA FÉ,” I Tim 6:3-1O e a mensagem das faixas: “VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES, O SHOW TEM QUE PARAR”, foram lidas por centenas ( diria milhares) de pessoas.

Alguns criticavam, outros queriam saber qual era nosso objetivo ali. Fomos questionados mas também recebemos muito apoio.

Nossa faixa e nossas camisetas foram fotografadas por dezenas de participantes da marcha, posei ao lado de muitos deles em algumas destas fotos.

Mossas faixas foram lidas pelos organizadores e artistas da marcha que passaram nos trios eletricos.

Algumas pessoas ao conversar conosco entenderam nosso protesto, outras preferiam falar palavras sem sentidos e repetir chavões gospéis.

Conversei com pessoas sem conhecimento bíblico nenhum, só sabiam repetir palavras de efeitos, mas respalda-la nas escrituras era difícil para elas e pior, não aceitavam a bíblia quando nós a citávamos.

Percebemos muita religiosidade, percebemos muitos sendo levados por ventos de doutrinas.

Vendo a multidão lembrei de Jesus que viu a multidão como ovelhas sem pastor.

Talves num futuro próximo saberemos os efeitos práticos deste trabalho na vida de alguns, talves só a eternidade nos revele isso em ralação a outros, mas uma semente foi plantada.

Alias vários tipos de sementes foram plantadas, pois alem destas citadas ,no coração de participantes da marcha que tiveram contato conosco, outras sementes foram plantadas no coração de irmãos em todo o Brasil que estão despertando para este tipo de ação e farão o mesma coisa em suas cidades enquanto outros estarão conosco nas próximas oportunidade.

Fico feliz com a repercussão nos blogs, me animo com cada palavra de apoio.

A Deus toda gloria….

Fonte: Blog Exemplo Bereano (http://exemplobereano.blogspot.com/)

Publicado por: pedrasclamam | 05/11/2009

Um dia eu fui protestante

Após quarenta anos de vida, posso dizer que já vivi inúmeras emoções amargas, tristes, dolorosas, alegres, que vão desde a dor de reconhecer o corpo de meu pai no IML, com seis anos de idade, ao saltar de pára-quedas no exército aos dezoito, à emoção de minha conversão. Porém, nada se assemelha à emoção e o enorme prazer que tive nesse dia 2 de novembro de 2009, juntamente com minha esposa Vera e nosso futuro bebê, que aos dois meses de gestação já é um verdadeiro protestante.

Sempre fui um angustiado, como diz Heidegger. Sempre busquei ser um cristão protestante, que caminhasse juntamente com Cristo no caminho de Emaús da vida. Via a Igreja crescendo e se perdendo em meio às fantasias e os sonhos, que nada mais, nada menos, eram uma luta desenfreada de alguns homens e mulheres, que buscavam o poder.

O slogan da nossa marcha nasce no retorno da facudade, após uma aula sobre a Missio Dei. Quando meditava sobre a verdadeira missão da Igreja, me veio à mente a relação da verdadeira missão da Igreja e do show que se tornaram os cultos evangélicos. Aí foi simples concluir: o show tem que parar. E por meses eu e a Vera caminhamos passo a passo, desde a criação da camiseta, as idéias das faixas, e todos os passos a serem seguidos.

É preciso pensar que tudo isso foi criado apesar de nossos trabalhos e nossos estudos, sem contar os nossos afazeres domésticos. Mas chega o dia, e lá vamos nós, eu, a Vera e o nosso filhinho, com uma grande incerteza: de que teríamos mais companheiros. Mas louvado seja Deus, pois nossa humilde fé não poderia imaginar que o Senhor da seara já havia preparado seus obreiros.

No caminho, quando estava dentro do metrô, fui indagado por um homem que, com olhos fixos em nossas camisetas, disse: “que palhaçada é essa?”, e eu respondi que era um protesto que estaríamos fazendo pela ética na igreja evangélica brasileira. E ele, com uma expressão bastante brava, e também com uma certa indignação, disse que não ia discutir. Senti que a caminhada seria árdua.

Estava bastante apreensivo e preocupado com a Vera, pois ela está em período de gestação e temia que algo lhe acontecesse. Minha preocupação aumentou quando saímos em meio a uma grande multidão no metrô Tiradentes. De imediato, fomos sendo interpelados com olhares e pequenas vaias, mas ao encontrar os demais irmãos, confesso que senti uma grande paz, pois em meu coração tinha aquela sensação de que seríamos um casal solitário em prol de uma luta.

Éramos oito! Não sete, que é o “número profético”, mas na verdade éramos nove (estão esquecendo do meu baby?). Mas aí realmente começou nosso protesto.

Fomos a uma van da Rede Gospel, e ali estendemos nossas faixas. Foi aí que sentimos que estávamos diante de uma árdua tarefa, pois começamos a ser vaiados, xingados, e foi quando um jovem tentou me passar uma rasteira por trás. Porém, permanecemos firmes, e dali partimos para o trio-elétrico que carregava os principais líderes dos movimentos evangélicos brasileiros.

Apesar do ar de desprezo e desconsideração, foi possível ver Hernandes e sua turma visualizarem nossas faixas, mesmo sendo poucas. Caminhamos em meio à muita hostilidade. Imaginem o que é caminhar em meio à multidão que lhe vaia, xinga, repudiando-lhe sem nem lhe conhecer, e quando você olha ao redor, os seus companheiros são também desconhecidos, pois os oito participantes foram se conhecer pessoalmente ali no meio da marcha, segurando as faixas. Em certo momento, eu e o Diogo carregávamos a faixa e ele, bastante contrito, confessou que sentia vontade de chorar, por ver tudo aquilo. Que muito se entristecia, por saber que muitos ali estavam sem saber realmente quem era o Cristo Vivo, e eu lhe disse que, com certeza, havia muito mais tristeza nos céus. Porém, muito me alegrava o fato de que nossa geração não enfrentou nem leões, nem coliseus, nem fogueiras.

Apesar de tudo, tínhamos a liberdade de poder manifestar nossa insatisfação com a realidade da igreja. Muito me alegrei pelas inúmeras pessoas que nos pararam para demonstrar o respeito pelo nosso ato.

Com o decorrer da marcha, vários trios-elétricos passaram por nós, carregando a cúpula das principais igrejas neopentecostais de São Paulo. Não sei dizer qual apóstolo, ou bispo, ou pastor que, de posse do microfone, gritou a todos ao ler nossas faixas: “isso aqui não é show não! Olha aí os fariseus”, e uma multidão incontável se virou para nós e começou a gritar: “fariseus, fariseus”. Sem contar a chuva de garrafas de água que vieram para cima de nós.

Sem querer me assemelhar, pois não é possível, me senti no coliseu, cercado pelas multidões nos dias de massacre. Porém, uma alegria veio em meu coração, e bradava bastante forte.

Sou grato a Deus pelo sacrifício de Cristo. O Reino de Deus não é feito de funcionários, mas sim por filhos e filhas, que reconhecem o seu senhorio. E ali ficamos até que toda a marcha passasse, na contínua repetição de desaforos, chacotas, até que todo o público se dissipasse em direção ao “show”. Nós, como grupo, nos reunimos e nos regozijamos pela tarefa cumprida. Oramos juntos, agradecendo a Deus pela oportunidade, mas acima de tudo, reconhecemos que não havia em nós mérito algum, pois tudo foi tão simples, tão insignificante! Imagine, nossas faixas eram de papel! As frases simples, “voltemos ao Evangelho puro e simples. O $how tem que parar”. Éramos apenas oito, mas na história bíblica dá-se a impressão de que Deus gosta das coisas insignificantes, pequenas, sem aparência. Assim foi desde o AT e em todo o NT.

Apesar de todos os autores e autoras da história, nada substitui a oportunidade de estar dentro do fato histórico, e principalmente ser sujeito da história. Nossa verdadeira luta é contra todo o sentido herético que envolve os personagens do universo gospel, porque quando enfrentamos uma mentira, é simples, é só confrontá-la com a verdade. Porém uma heresia é um grande desafio, pois enfrentamos uma meia-verdade. Muito pior que uma mentira absoluta, é uma meia-verdade. Por isso o desafio de enfrentarmos os gigantes do meio gospel é ter a consciência de que teremos que reverter as meias-verdades.

Por um dia fui protestante de coração, sem o desejo e a vaidade de querer aparecer, mas unicamente com o verdadeiro intuito de demonstrar que não é com conformismo, nem com covardia, que iremos mudar a situação. A cada dia surge uma nova denominação, um novo apóstolo, e novas heresias. É preciso armas realmente espirituais, que não sou eu, mas sim o verdadeiro apóstolo Paulo quem disse.

Precisamos de emoções, mas precisamos muito mais de sabedoria. É preciso por a Igreja para pensar, para refletir dentro dos inúmeros desafios que envolvem a vida cotidiana. Precisamos de uma Igreja pronta para dizer à sociedade brasileira: nós temos o caminho, a verdade e a vida. A Igreja tem que voltar a ser voz profética para o mundo em caos, e esse é o grande desafio de todo  cristão e cristã, de combater  cada passo contrário, dado em direção contrária às manifestações da vontade de Deus no mundo.

Não paremos aqui. Repito aqui a frase de um antigo metalúrgico: a luta continua,companheiros!!!

Publicado por: pedrasclamam | 04/11/2009

Repercussão do Protesto na Marcha

O Cid, do blog Cidoido (http://cidoido.blogspot.com/), achou uma reportagem hoje no jornal Diário de São Paulo que cita o milagre da visibilidade dos 8 perante mais de um milhão de pessoas. Para ler a reportagem na íntegra, clique aqui. Abaixo, a transcrição de parte da reportagem:

“Aliás, um pequeno grupo fez um protesto contra o evento. Com faixas estendidas, eles exibiam a mensagem: ‘Voltemos ao Evangelho puro e simples. O show tem que parar’, dizia um tímido movimento pela ética evangélica. ‘Somos contrários a essa marcha, porque ela visa o lucro. Tentaram rasgar a nossa faixa e nos jogaram água, mas estamos aqui para deixar uma mensagem’, explica Paulo Siqueira, um dos manifestantes.”

Fonte: Jornal Diário de São Paulo, Caderno São Paulo, de 3 de novembro de 2009, p. 5.

Isso só engrandece ainda mais a Deus, que tem proporcionado maravilhas num protesto que não tinha nada para ser visto ou dar certo. Toda a honra e toda a glória ao Único Senhor e Rei!!!

A propósito, no blog Cidoido está a campanha para doação de sangue no próximo sábado. Essa também é uma forma de protesto, pois estaremos agindo por amor ao próximo, ao invés de buscar bênçãos para nós mesmos. Doar sangue é fácil e rápido, uma picadinha quase indolor que pode salvar muitas vidas. Se você não pôde participar da Marcha, participe dessa campanha!

Publicado por: pedrasclamam | 06/10/2009

Marcharão juntos?

O profeta Amos fez esta pergunta no passado e apesar de ter sido feito em outro contexto ela pode ser aplicada ao contexto da chamada igreja evangélica do Brasil no século XXI.
 
Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?
Contextualizando ao momento eu pergunto:
Marcharão dois juntos se não estiverem de acordo?
 
A chamada “Marcha para Jesus” que só tem Jesus no nome ( e no coração de alguns que marcham sem avaliar direito o que estão fazendo) não é como se pensa uma marcha da igreja evangelica brasileira, ela tem um dono ( A marcha é properidade da Igreja Renascer e seus lideres e é patenteada), ela é organizada visando os interesses da referida igreja e de sua liderança e interesses de outras igrejas que por se aliarem a esta turma demonstram que seus fins também não são nada nobres ou espirituais.
Alguém com certeza vai usar uma frase famosa da qual eu concordo: UNIDADE NA DIVERSIDADE, mas será que no caso da marcha podemos aplica-la?Eu como cristão, creio na biblia e faço dela minha regra de fé e pratica e tenho minhas convicções baseada nela, mas acredito que outras pessoas que também fazem da bíblia regra de fé e pratica possam ter interpretações diferentes da minha, e quando estas interpretações não ferem fundamentos bíblicos é possivel sim ter unidade apesar da diversidade.
Por exemplo tanto um calvinista como um arminista ( Eu não gosto muito de rótulos, mas…) conseguem usar a bíblia para fundamentar sua fé e ambos poderão citar dezenas de textos , mas isso não é suficiente para dividir a igreja, pois ambos quando sinceros estão buscando o melhor da palavra de Deus e não chegam a criar heresias nem desvirtuar o evangelho e seus principios.
Um pentencostal e um cesassionalista também afirmarão suas crenças pelas escrituras e apesar das diferenças podem ser unidos quando não exageram em suas conclusões a ponto de ferir as escrituras e atribuir uma obra de Deus ao diado ou vice versa.
Ser mileneista, pré ou pós; ser tribulacionista, pré ou pós,, acreditar num Apocalipse mais ou menos literal não afeta principios e é possivel caminhar juntos sim.;
Alguns em nome da santidade chegam a radicalizar em costumes mas quando fazem isso para Deus e não colocam nisso sua salvação e alguém mais liberal mesmo que ate exagerem, socialmente falando, em seus costumes ou falta deles podem caminharem juntos .
Pela liturgia, modo de cantar, interpretação de textos secundários não devemos nem podemos afastar a união da igreja de Jesus ,portanto um assembleiano pode andar junto com um presbiteriano e vice versa, pois ambos estarão de acordo no tocante a supremacia das escrituras e sobre sua fé em Deus, ambos buscarão ser moralmente corretos e buscarão um ética bíblica.
 
Mas quando estamos falando da marcha estamos falando em marchar juntos, e em consequencia anunciarmos ao mundo que concordamos com bizarrices que por mais que tentem, não tem respaldo bíblico, estamos mostrando que concordamos com doutrinas diabólicas que se infiltram na igreja, estamos falando que a nossa ética esta de acordo com a ética de vigaristas que usam a palavra de Deus para se enriquecerem, estamos concordando com fariseus que manipulam o povo e pior manipulam a Palavra de Deus ao seu bel prazer.
 
Não, não estou de acordo com estes lideres e suas igrejas heréticas e por não estar de acordo não posso marchar junto, o que posso fazer é estar ali para alertar os desavisados, para dar remédios aos doentes, para falar de vida a mortos e mostrar para a sociedade que igreja de Jesus não é aquela dos noticiários policiais, não é aquela dos fanáticos religiosos, não é aquela da teologia da prosperidade ou dos atos poféticos, dos encontros tremendos, das maldições hereditárias, do poder da palavra humana, das unções estranhas, etc.. Que o mundo saiba diferenciar a igreja de Jesus- um organismo vivo- das organizações humanas que chamam de igrejas.
O mundo precisa saber que a igreja de Jesus prima por sua palavra, prima pela moral, prima pela ética.
Alias o dia dia da igreja deve mostrar isso não num dia especifico, ajuntar pessoas e marchar mostrando que a igreja é grande e com isso receber ajudinhas politicas ou coisa parecida.
Quem concorda com o apostolo que esconde dólares dentro da bíblia para fazer remessas ilegais de dinheiro espoliado do povo, quem concorda em quem manipula a bíblia para pedir dinheiro e com o mesmo viverem como marajás e aplicar em empresas que nada tem em haver com o reino de Deus, quem concorda com a teologia da prosperidade, com maldiçoes na vida de crentes a serem quebradas, em unções pré fabricadas, em atos patéticos, digo proféticos, nos neos apóstolos etc participarão da marcha com toda naturalidade,
Quem não concorda que fiquem em casa ou melhor, se una com quem também não concorda e vamos a batalha…

Fonte: Blog Exemplo Bereano

Antes de ler esse artigo, eu lhe convido a assistir ao vídeo abaixo. É a oficialização do Dia da Marcha para Jesus, sancionado pelo presidente Lula na presença de “personalidades” evangélicas e políticos.

http://www.youtube.com/watch?v=QeLSxmq2U2g&feature=player_embedded

No próximo dia 2 de novembro se realizará, aqui na capital de São Paulo, mais uma edição da Marcha para Jesus. Essa edição é bastante especial, pois é a primeira após sancionada a data e também “comemora” a volta do casal Hernandes ao Brasil após “férias prolongadas” nos EUA. Também marca a reconstrução da sede da Igreja Renascer em Cristo, que literalmente caiu, matando 9 pessoas e ferindo centenas.

Mas a importância dessa marcha não pára por aqui. Ela ocorrerá no ano em que o Pr. Pai Dinah Morris Cerullo, com a conivência e total apoio do Pr. Silas Malafaia, lançou a profetada da unção financeira dos R$ 900,00. Nesse ano outros líderes também se utilizaram de numerologia para aumentar a arrecadação e aprisionar os fiéis em suas denominações, com promessas de bênçãos sem fim. O Pr. Marco Feliciano, por exemplo, lançou a campanha da oração dos 7 minutos antes da meia-noite, com oferta de R$ 7,00 (cada líder usa o número que acha mais bonitinho).

Esse está sendo o ano da vitória financeira para muitos ministérios. O Paipóstolo Terra Nova, por exemplo, conquistou seu aviãozinho particular, e o Bispo Edir Macedo continua faturando muito com sua igreja, inclusive tendo que responder à várias denúncias, entre as quais a da injetar dinheiro dos fiéis para alavancar sua Rede Record.

Esse foi mais um ano em que a Igreja se deixou levar pelas promessas de satanás, que disse a Jesus em Mt 4.9: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”. Mais uma vez nos curvamos a doutrinas espúrias e ao gnosticismo. Novamente a igreja se deixou levar pelas promessas de facilidades para quem se sujeita a um deus que dizem se chamar Cristo, mas que não corresponde à descrição que Lhe é feita na Palavra de Deus. Continuamos buscando as igrejas não para obter salvação, mas sim a solução de nossos problemas financeiros, de saúde, realização dos nossos sonhos, reconhecimento acima dos demais. Em nossa cegueira não buscamos mais a Jesus, mas aos homens que dizem intermediar essa relação através de copos com água, lenços suados, amuletos de toda a sorte. E marchamos não para Cristo, mas para que essas lideranças todas sejam glorificadas, afinal graças a elas e suas mega-igrejas é que há tantos que se dizem evangélicos na marcha (convencidos sim, convertidos apenas muito poucos).

Segundo profetada do líder da Renascer e seus asseclas, este é o Ano Apostólico de Davi. Pensando bem, de repente seja uma profecia verdadeira…

Davi era um homem com um coração agradável a Deus. Era o menor dentre seus irmãos, mas foi o escolhido por Deus para reinar em Israel. Pequeno, franzino, venceu o gigante Golias com uma funda e uma pedra, motivado pela ira santa ao ver o nome de Deus sendo afrontado. Foi perseguido por anos antes de se tornar rei, e mesmo depois, até pelos de sua própria casa. Mesmo quando pego em erro, teve a humildade de reconhecê-lo e de se arrepender publicamente. Mais do que um rei, Davi foi um inconformado com esse mundo.

Segundo os Hernandes (que simbolizam bem o culto a Mamom praticado sutilmente por muitas igrejas evangélicas brasileiras), este é o ano de Davi. Como Davi, nós, povo cristão que não suporta mais ouvir o nome de Deus ser afrontado pelos “Golias” da fé, temos que fazer alguma coisa. Nossa funda e nossa pedra são a nossa indignação, expressa em mensagens em camisetas e faixas, à vista de todo o exército filisteu ao nosso redor.

Dia 2 de novembro de 2009 pode ser um dia histórico para a Igreja evangélica brasileira. Pode ser histórico por confirmar a vitória dos líderes e profetas de Mamom, que se utilizam de Deus e do povo sem esperanças para que seus objetivos espúrios sejam realizados. Pode ser histórico por sepultar de vez todas as vozes contrárias à essas lideranças, que demonstrarão todo o seu poderio e prestígio através do grande número de ingênuos participantes usados como massa de manobra religiosa e política. Pode ser histórico por enterrar de vez todas as acusações contra esses líderes, afinal a grandeza do evento mostra que Deus está com eles e que jamais se deve sequer ousar em pensar algo contra um ungido do Senhor, levando assim mais e mais pessoas à escravidão mental e espiritual.

Mas o dia 2 de novembro de 2009 pode ser histórico por ser a data em que centenas e até milhares de cristãos, que estavam escondidos em cavernas por serem impedidos de pensar contrariamente aos ensinos de qualquer liderança religiosa, por mais absurdos que fossem, sairão às ruas em meio ao exército filisteu e, como Davi, bradarão:

“Quem são, pois, esses adoradores de Baal e de Mamom, para afrontar os exércitos do Deus vivo?” (adaptação livre de 1 Sm 17.26)

A escolha é nossa. Poderemos assistir à Marcha para Jesus confortavelmente em nossas poltronas, escondidos em nossas cavernas, e tudo continuará como sempre. Mas poderemos também estampar nossa indignação em nossas camisetas e faixas, e mostrar ao Brasil e ao mundo que há uma verdadeira Igreja, formada por cristãos de diversas denominações, irmanados pelo amor de Cristo e pela observância de Seus ensinamentos, que se resumem no amor à Deus e ao próximo, à busca do Seu Reino e da Sua Justiça, mesmo que isso signifique sofrer perseguições, passar fome, frio, necessidades. Já dizia o escritor do livro de Hebreus:

“Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa”. Hb 11.24-26

“E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra”. Hb 11.32-38

Poderemos ser centenas ou milhares no dia 2 de novembro, proclamando o retorno da Igreja brasileira à ética cristã, ao Evangelho puro e simples, escancarando os falsos cristos e falsos profetas e proclamando a salvação em Cristo Jesus.

Não sei quantos seremos ou o que poderá surgir a partir disso. Só posso garantir uma coisa: pelo menos uma faixa de indignação aos profetas de Baal e de Mamom haverá naquele evento, sustentada por um casal de cristãos sem “igreja”, sem títulos, sem honras ou glórias eclesiais, mas apenas uma grande ira santa e temor e amor por Deus. Estarão vestindo camisetas pretas com os seguintes dizeres: “Marcha pela Ética Evangélica Brasileira – O $how tem que parar!” (frente) e “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé” – 1 Tm 6.3-10 (costas). Mas creio que, pela Graça e misericórdia de Deus, não haverá apenas um casal, mas todo um exército contra a afronta babilônica à Noiva de Cristo, cada qual com sua mensagem de indignação e disposição para apanhar dos mais “apostólicos”, dos que morrem por suas denominações mas não têm coragem de morrer em seu orgulho, ganância e vaidade pelo Verdadeiro Cristo.

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. – Rm 12.2

Publicado por: pedrasclamam | 30/08/2009

A Missão de Deus e a missão da igreja

Deus se revela a nós, compartilha do mundo juntamente conosco. A nossa humanidade busca um sentido da santificação espiritual; a humanidade também quer ir a Deus. Sem querer ser agostiniano, muitos traços de nossa espiritualidade vem do contexto católico, onde os processos de espiritualidade vêm da prática dos dogmas. Esquecemo-nos de que Deus se fez humano para fazer parte da nossa humanidade.

A teologia da missão vai revelar que o âmago da missão é que Deus se fez humano. João diz que “Ele se fez gente, e veio morar conosco”: Deus se faz gente. Há um grande segredo nisso. Deus, no seu projeto missionário, necessitava do testemunho do Cristo vivo, caminhando no meio dos seres humanos. Com isso se justifica o envio de Mateus 28, como o grande complemento da missão de Cristo.

“Assim como o Pai me enviou Eu envio a vós…”.

O envio é na mesma intensidade, pois Ele mesmo diz: “estão vendo as coisas que Eu faço, creia e coisas maiores vocês farão…”; o Pai se revela no Filho. Assim o Pai diz à humanidade que a lógica do mundo não é a lógica de Deus. Jesus traz uma lógica nova ao mundo, sua mensagem focava que os interesses do Pai não são os interesses do mundo. Nessa nova lógica, o foco é o comunitário, a vida comum a todos, pois os sofrimentos também são compartilhados. A lei não trazia uma visão de comunidade, pois trazia a cultura do cada um por si e Deus para todos.

Na análise da obra de Cristo vemos o contrário das lógicas humanas. São inúmeros os exemplos. João vai dizer que seriam incontáveis os livros para numerar os feitos de Cristo em meio à vida cotidiana no mundo romano. Imagine Cristo num mundo capitalista, praticando o que ele descreve na parábola do trabalhador da vinha?

Num mundo tão competitivo, onde o importante é ser o primeiro, onde até mesmo as pregações destacam o ser vitorioso , os evangelhos destacam a bondade de Deus para com o mundo. Eles revelam que o desejo de Deus é que todos tenham acesso a Sua vontade, e também usufruam dessa vontade no mundo.

No encontro de Pedro com Jesus, após a negação e a ressurreição, vemos um Pedro bastante envergonhado, rebaixado pelo ato da traição, porém Cristo pergunta: “tu me amas Pedro?”, e ele responde: “tu sabes que te amo, com minha humanidade”, e logo Cristo responde então: “apascenta minhas ovelhas”. Deus em Cristo reconhece nossa humanidade falha e pecadora, porque “Ele habitou no meio de nós”. “No mundo tereis aflição, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo”. O cristão verdadeiro é aquele que, como Cristo, se desprende das recompensas para se dedicar ou se dar pela a humanidade.

Martin Luther King disse que quem não tem uma razão para morrer, não tem uma razão para viver. Esse mundo triunfalista que a teologia da prosperidade prega não se encaixa com a teologia da missão, pois se assim fosse como podemos definir a vida e obra dos apóstolos ou dos pais da igreja primitiva, derrotados, pecadores, portadores de maldição hereditária, fracos na batalha espiritual?

São questões que, se analisadas, poderiam devolver o avivamento à igreja atual. O desprendimento das recompensas desse mundo é uma busca contínua e verdadeira pelos propósitos do Reino de Deus. Nisso podemos encontrar o apoio das escrituras e verdadeiramente o apoio da obra de Cristo.

Vejo muitos hoje se intitularem apóstolos, mas vejo pouca ou quase nenhuma compatibilidade desses títulos com a vida dos apóstolos no contexto bíblico. O equívoco dos pregadores da vida financeira abundante é não praticar os preceitos da vida de Cristo, manifesto na vida dos apóstolos: não confere, não testemunha, não traz continuidade. Algo fica evidente: ou o testemunho de Cristo é mentiroso, ou os apóstolos dos dias atuais criaram uma nova teologia e servem a um novo Deus, pois o Deus que se fez homem e habitou no meio de nós foi humilde, não se apegou aos valores desse mundo, demonstrou em morte de cruz a união Deus com o mundo.

Será essa a pregação dos púlpitos atuais? Onde está a missão? Ir para o mundo ganhar o máximo de dinheiro, ser vitorioso, esmagar o diabo antes da hora bíblica, vencer o inferno todo e nadar na prosperidade, como se o mundo espiritual estivesse aos seus pés?

Muitos pensam, ao ouvir essa mensagem, que a missão cristã é algo sem razão alguma. Levar a mensagem do Reino só tem sentido quando há uma recompensa. Eu pergunto: você conhece alguém que faz ou busca as coisas de Deus sem a intenção de recompensa? Ou melhor, enumere cinco pastores que você conhece que, ao invés de ganhar, pagam para pregar o evangelho.

Você conhece ou já ouviu alguma história de um pastor de uma grande igreja, de uma catedral, que tem na sua proximidade uma pequena igreja muito simples, que não é da sua denominação, que tem um pastor que até passa dificuldades para pregar o evangelho, e lhe foi em socorro, de forma humilde, batendo-lhe na porta com alimentos e roupas, e que junto com aquele irmão chora e ora e compartilha a Graça de Deus, lhe deixando a verdadeira Paz do Senhor?

A igreja nasce do envio trinitário, dessa missão de Deus na festa de Pentecostes. Ela vive a essência missionária de sua origem no seguimento de Jesus, anunciando o Reino e convocando a humanidade para o encontro com Deus. A missão vem de Deus e volta para Deus.

Precisamos rever nossos conceitos sobre o que é milagre, o que é Reino de Deus e o que é ser mensageiro desse Reino.

A grande discussão nos meios teológicos na Europa é a pergunta: o que seria do cristianismo, se os projetos egocêntricos do mundo ocidental tivessem vencido o projeto missiológico cristão?

II Co 5.19: Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.
Rom 4.7-8: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.

A igreja, quando cumpre sua missão, está centrada num princípio de reconciliação. Os desvios do mundo devem ser consertados com a reconciliação. A missão é descrever ao mundo os propósitos de Deus e seu Reino.

Oramos o Pai Nosso para que a vontade de Deus seja feita lá no céu e não aqui na terra.

Como se desenvolve ministério da reconciliação?

Hoje a missão está muito mais próxima da concorrência. Os mecanismos que acirram essas concorrências são os mecanismos de manipulação de massas. Na dinâmica do ministério da reconciliação, ele não se dá a partir da acusação do outro. Para a herança cristã Paulo é o grande missionário, e essa estratégia da acusação se torna o foco. Exemplo disso são as cruzadas.

O princípio da missão é: Deus ama as pessoas, Deus não aponta o dedo para o ser humano.

A reconciliação é a essência da pregação do Evangelho, nela está fundamentada o ser, a razão, o sentido do Reino de Deus.

A lógica do Reino não é a lógica do mundo. A lógica do mundo é a concorrência, os índices, as metas numéricas “enfeitiçando” a todos.

Observamos que com novos focos, figuras e novas armas as cruzadas não terminaram. Exemplo disso são os embates entre Rede Globo e Rede Record, onde a mídia é o foco da concorrência dentro do âmbito religioso.

A nossa confissão religiosa tem um valor maior que nossos valores de Reino. O foco de nossa evangelização se distancia dos propósitos do Reino. Com isso nasce uma igreja racional, ou melhor, gestacional, administrativa ou juridicamente falando uma “pessoa jurídica”, onde suas regras e “status quo” são regidos por fundamentos distantes do Reino.

A Bíblia se torna simplesmente o objeto de relação entre o sagrado e o profano, ou seja, é o meio que dá a linguagem religiosa para o “empreendimento”. A igreja é vista a partir daí unicamente como uma gestão pessoal, onde risco e decepções são previsíveis.

A esses “mercadores”, a grande decepção é que na gestão humana os frutos do Espírito Santo não são comprados ou adquiridos com dividendos financeiros.

A igreja é regida pelo Pai, pelo Filho, e pelo Espírito Santo: essa é a supremacia do cristianismo.

A grande comissão (Mt 28.18-20) é movida pelo foco no Reino. Qualquer intervenção humana é desastrosa, a história nos mostra isso.

Administrar a igreja com uma visão administrativa é uma grande erro. Vejo muitas igrejas partindo para esse erro. Algumas, além de terem uma visão administrativa, ainda se utilizam de gestões vindas do enfoque da maçonaria. Há um grande número de pastores vindos do contexto maçom, que apesar de sua “conversão”, mantêm amizades e regras de vida ainda fundamentadas no conceitos da maçonaria, que historicamente tem seu foco no comando e na administração da vida religiosa e econômica de muitas nações.

Com isso, a igreja sai do eixo cristológico e se torna puramente mercadológica.

O foco das missões que movimentaram o mundo em prol da extensão do reino de Deus se perdeu. Não estou falando de turistas religiosos, que partem para o mundo africano com o intuito de marketing financeiro para muitas “ONGs” evangélicas. Estou dizendo foco como o de 1910 em Endimburg, que moveu o mundo para o verdadeiro sentido da igreja, a reconciliação do mundo com o Deus verdadeiro e Vivo, que deseja comunhão com a humanidade e toda a criação. É preciso lembrar que nada seríamos se não houvesse ao longo da história homens e mulheres que aceitaram o desafio de fazer valer os preceitos bíblicos diante de todas as “tentações” do mundo moderno.

Posso parecer um tanto retrógrado com meus pensamentos, talvez sejam reflexos de minha consciência histórica. Não vejo um bom futuro para a atual situação da igreja com o atual modelo de administração em que muitas estão caminhando. A respeito disso, incentivo aos defensores do movimento celular a pesquisarem os efeitos desse método ao longo do tempo na Coréia do Sul, berço desse método. Pesquise sobre o assunto com o Prof.Dr. Paul Freston.

A igreja tem que voltar a discutir seus caminhos, e retornar a ser o meio de reconciliação do homem com Deus.

A mão invisível que movimenta o Reino de Deus no mundo é o Espírito incorruptível do Deus Altíssimo. Nisso creio e vivo.

Publicado por: pedrasclamam | 22/08/2009

Pentecostalismo e a Palavra de Deus

Para muitos, o crescimento religioso brasileiro não passa de um processo natural da própria cultura nacional. Fomos colonizados pela cultura e religiosidade portuguesa, fundamentada no catolicismo europeu. No decorrer de nossa colonização, diferentes avanços de movimentos protestantes europeus tentaram introduzir no Brasil sua “evangelização”, porém os interesses econômicos se sobrepuseram aos interesses religiosos.

Com a vinda dos escravos, iniciamos as transformações religiosas no nosso país, nascendo o sincretismo entre catolicismo e as práticas africanas. Porém, com a chegada dos movimentos missionários vindos principalmente dos Estados Unidos, tivemos a introdução do protestantismo histórico e, logo depois, dos movimentos pentecostais. Num breve espaço da história poderíamos sintetizar isso com o crescimento da Igreja nos anos 90 e nos dias atuais, com o surgimento do neopentecostalismo.

Para muitos, o movimento pentecostal representa a verdadeira igreja protestante do Brasil. De fato, o movimento pentecostal é hoje algo notório dentro do cenário religioso brasileiro, mas há pontos a serem destacados.

Para muitos pentecostais, o pentecostalismo é a diferenciação entre os protestantes tradicionais e os adeptos dos avivamentos provindos dos Estados Unidos, principalmente do movimento da Rua Azuza. O grande foco é a força do Espírito Santo, Suas manifestações e uma certa transição entre o natural e o sobrenatural, que nasce desde sensações, arrepios, ao falar em línguas estranhas e que desencadeia em um emaranhado de fenômenos, que podem ir de transes, gritos, visões, alucinações, risos, rodopios, transfigurações, etc. Para muitos, o pentecostalismo não existe sem esses fenômenos sobrenaturais. Apesar de que muitos crêem que o pentecostalismo vem dos movimentos avivalistas americanos, muitos pentecostais jamais leram ou pesquisaram ou ouviram algum sermão que destacasse as verdades ou os contextos históricos do que é realmente o pentecostalismo.

Pouco se tem em material palpável, de forma teológica, sobre o pentecostalismo brasileiro. O que temos são biografias ou histórias institucionais, que contam partes ou fragmentos da verdadeira história, pois no pentecostalismo, desde o seu início, vale o ditado “cada um por si e Deus por todos”.

Os movimentos do cristianismo estão sempre ligados aos movimentos históricos e processos teológicos: um ponto não se desassocia do outro. Não existe pentecostalismo sem processo histórico.

Não é possível acreditar que o pentecostalismo são só sensações. Ele foi formado por homens e mulheres com lutas, com desfechos culturais que ultrapassam as sensações. Houve sim muita dor e ranger de dentes. O pentecostalismo nasce da busca da igualdade, da justiça para todos, nasce na certeza de que todos e todas são imagem e semelhança de Deus, sejam negros, brancos, pobres, ricos, estrangeiros. O pentecostalismo surge em meio às divisões sociais, surge em meio ao esmagamento público dos menos favorecidos, mas nasce também daqueles que pertenciam às altas camadas, e que através da verdadeira ação do Espírito Santo enxergaram essas realidades e realmente se empenharam para que o Reino de Deus fosse levado a todos e todas.

Para muitos pentecostais, o pentecostalismo é coisa da Assembléia de Deus, da Deus é Amor, da Quadrangular. Esquecem-se de igrejas como a Metodista, a Congregação Cristã, que são tão pentecostais quanto as mais tradicionais.

O cristianismo já nasce diverso, exemplos disso são os próprios evangelhos. Mateus não é igual a Marcos, mostrando a diversidade de todo o evangelho. Assim também é o pentecostalismo desde sua formação. O pentecostalismo produz opiniões diversas. De um lado estão os que apóiam com toda força, porém do outro lado estão aqueles que dizem ser a “boca de satanás”. Com isso temos todo um ambiente amplo para o estudo desse fenômeno do pentecostalismo; temos que ter em mente todos seus processos teológicos.

Outro ponto fundamental a ser analisado é que pensar ou interpretar as diferentes formas da multiforma do Deus Criador são meras “picuinhas” teológicas. Enquanto para muitos pentecostais não existe ação do Espírito Santo sem o sobrenatural, para muitos só existe ação do Espírito Santo no natural. São dois extremos. Já tive a oportunidade de ouvir defesas de teses contra o falar em línguas. Do outro lado, já participei de vigílias de uma noite toda onde membros de igrejas protestantes históricas buscavam “o dom de línguas”. Nessa infinita discussão do batismo do Espírito Santo, do falar ou não em línguas, fica para trás todo o sentido e a riqueza do movimento pentecostal.

Por que tudo isso?

O grande desafio é devolver tanto ao contexto protestante histórico como ao contexto pentecostal o sentido da interpretação da Palavra de Deus. Muitos dos fenômenos sobrenaturais que ocorrem em muitas igrejas pentecostais jamais e nunca passariam pelo crivo da teologia de Paulo, jamais seriam aprovadas pelos concílios dos apóstolos, e olha que eles sabiam o que era ação do Espírito Santo! Muitos pastores pentecostais deixaram de estudar a Bíblia. Muitos não sabem interpreta-la. Muitos não sabem a arte de pregar. Não há exegese, não há hermenêutica, não há homilética nos púlpitos. A desculpa para isso é que pregam no poder de Deus, e esse poder que dizem vir de Deus é o poder que confunde, perturba e desvia muitos das verdades do evangelho.

Certa vez fui convidado para pregar em uma igreja protestante histórica. Quando cheguei, os presbíteros dessa igreja, sabendo de minha formação pentecostal, de forma bastante discreta me convidaram para uma sala, e de forma direta me perguntaram: “pastor, podemos ver o esboço do seu sermão?” Eu, apesar de surpreso, abri minha pasta e lhes ofereci meu esboço. Eles se trancaram em outra sala e uns vinte minutos depois retornaram e disseram que meu sermão havia sido aprovado, dando-me as diretrizes da liturgia do culto.

Saí daquela igreja bastante contente, pois havia passado por uma das melhores experiências que um pastor pode passar em seu ministério. Descobri que aquela igreja, há pouco tempo atrás, possuía mais de 700 membros. Com o intuito de provar dos movimentos pentecostais e dos modismos da época, passaram a convidar diversos pastores, bispos, apóstolos, na tentativa de levar aos membros daquela igreja um avivamento pentecostal. Em pouco tempo, essa igreja foi dizimada e restaram pouco mais de quarenta membros. Essa experiência levou a liderança daquela igreja a provar os espíritos e os homens e mulheres que adentravam aquele lugar. Muitos pregadores não passariam por uma prova dessas, pois seus conhecimentos só atingem aqueles que não conseguem raciocinar dentro da revelação e das verdades bíblicas. Muitos pregadores jamais submeteriam seu conhecimento a homens que realmente conhecem a Palavra de Deus. Por isso, se escondem atrás dos fenômenos sobrenaturais. Com isso, a busca do conhecimento da Palavra deu lugar à busca desenfreada dos fenômenos sobrenaturais.

Gostaria de destacar aqui um nome para a pesquisa e aprofundamento daqueles que realmente querem descobrir as verdades sobre o pentecostalismo. O grande autor liberal Henry Van Dusen disse que o pentecostalismo é a terceira força religiosa do mundo: primeiro os católicos, os protestantes históricos e os pentecostais. Ele destaca que o movimento pentecostal “ é o tambor de Deus para o mundo”.

Não existe pentecostalismo sem Bíblia.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim”, disse Jesus (Jo 14.6)

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