Não estamos em fevereiro, mas é mês de “marchinhas”

Nesse mês de agosto tivemos pelo Brasil afora diversas Marchas que deveriam ser para Jesus. Nós do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) tivemos a oportunidade de estar em algumas delas.

Para nós, que já nos acostumamos a participar desses eventos, foi o mesmo do mesmo, pois já não mais nos referimos a esse evento como puramente cristão. Infelizmente, esse evento tornou-se mercadológico e político.

Triste, mas foi o que vimos nas marchinhas das quais participamos. E as referimos como marchinhas em decorrência do baixo número de pessoas que tem participado desses eventos. Isso é notório.

Outro ponto em destaque é o número de políticos que desfilam no alto dos trios-elétricos, deixando claro que o evento tem forte conotação político-partidária.

A festa, o show são os de sempre. Porém, queremos acreditar que muitos são os que estão tendo seus olhos abertos para a realidade evangélica brasileira, e estão deixando de participar.

Fico a me perguntar o porquê das lideranças ainda insistirem nesse mesmo tipo de evento, e talvez já tenhamos a resposta: são vaidades, vaidades, vaidades, vaidades e mais vaidades.

Nosso objetivo, ao participar desses eventos, é despertar alguns e conscientizar de que a igreja que aí está precisa passar por mudanças. Como diz uma de nossas faixas: “o Brasil precisa passar por uma faxina ética e isso deve iniciar pela igreja e suas lideranças”, isso no intuito de termos a esperança de que uma igreja melhor, mais humana, mais solidária e mais santa é possível.

Até o final do ano, ainda muitos eventos virão. E nós estaremos lá, conclamando a todos que a igreja deve voltar-se ao Evangelho puro e simples de Jesus, e que o $how, a mercantilização da fé devem parar.

A Deus, toda a honra e toda a glória para sempre.

Paulo Siqueira

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Malafaia perde 30 mil ofertantes e barganha a fé para compensar

blog26Na manhã de hoje foi ao ar mais um programa do Pr. Silas Malafaia na Rede TV. Nesse programa, tal (im)pastor gastou quase 25 minutos numa pseudo-pregação com o fim de constranger os fiéis a lhe dar “ofertas especiais”.

Como sempre, Malafaia começou com seu manjado bordão: “duvidar, criticar e determinar”. Com isso, pretende que todos somos livres para analisar quaisquer propostas que nos cheguem, e então decidir pela sua aceitação, aceitação parcial ou total rejeição. No discurso malafaiano, muito bonito e digno de nota. Na prática, porém, tem efeito placebo total, já que tudo pode ser criticado e analisado, menos as ideias do Malafaia. Para quem decide por rejeitá-las sobram adjetivos, alguns expressos no programa de hoje: mesquinhos, caluniadores, manés, vagabundos, filhos do diabo, trouxas e palavras amáveis do tipo.

A “pregação” começou com Romanos 10.14-15:

“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?
E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas.”

Em seguida, Malafaia mostrou algumas obras sociais nas quais sua Associação Vitória em Cristo contribui com certa quantia em dinheiro e a quantidade de países nos quais seus programas televisivos estão disponíveis. E, como nada é por acaso, partiu logo para um resumo do programa “Uma vida de prosperidade”, aquele programa que foi um desafio para que se encontrasse nele algo fora da Bíblia. Um desafio de tolo, diga-se de passagem, pois praticamente toda a pregação demonstrava uma interpretação errônea, calcada na escolha de versículos isolados de seu contexto com o fim de afirmar a Teologia da Prosperidade, da qual Malafaia é um dos principais expoentes no Brasil. Enfim, como vale a pena ver de novo, eis o link para tal programa.

blog25O resumo sobre prosperidade versou sobre alguns versículos de 2 Coríntios 9: os versículos 6, 7, 8, 10 e 11, cada um, isoladamente e por si só, suficientes (segundo Malafaia) para justificar uma das 5 Leis do Ofertante, as leis da semeadura, da abundância, do favor de Deus para o ofertante, do amor de Deus para o ofertante e da multiplicação. Segundo a falsa interpretação de Malafaia, quem oferta em “terra boa” (ou seja, na dele), quase tudo o que tem (pois o que vale é a “qualidade” da oferta, e deu como exemplo a oferta da viúva), para investimento em evangelização receberá de Deus bênçãos materiai$ e espirituais com grande abundância, pois Deus gosta de multiplicação e não de soma, segundo o (im)pastor.

Claro, frisa o Malafaia, ninguém deve ser constrangido ou obrigado a ofertar. Porém, só quem ofertar receberá as bênçãos e favores divinos com abundância. Contraditório, não?

É engraçado que Malafaia usa, na defesa de sua pregação, 2 Coríntios 9.6,7,8,10 e 11. Note que ele pula o versículo 9. Por que será?

“Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre.” – 2 Coríntios 9:9

Ou, em outra tradução:

“Como está escrito: “Distribuiu, deu os seus bens aos necessitados; a sua justiça dura para sempre”. 

Ou seja, o versículo 9 destroi, aniquila, quebra, estraçalha a péssima interpretação malafaiana de 2 Coríntios 9. Afinal, quem lê todo o capítulo 9 (e o 8 também) percebe claramente que o Apóstolo (de verdade) Paulo fala da importância de se ofertar em prol dos necessitados. Já para Malafaia essa interpretação não é interessante, pois o tal (im)pastor não quer que os fiéis dêem dinheiro para os pobres, mas sim para SEU MINISTÉRIO VITÓRIA EM CRISTO.

E assim, Malafaia age como o ladrão, pois através de um absurdo exercício de exegese (acho que ele nem sabe o que é isso) leva os fiéis a transferirem para ele (ou para sua ADVEC, ou o que o valha) os recursos que, na Bíblia, há ordenamento para que sejam enviados aos que necessitam.

Bonito, né, sr. Malafaia?

O fato de ajudar a manter obras sociais não justifica a NINGUÉM alterar a mensagem bíblica. O fato de fazer o bem não justifica a ninguém deturpar a Palavra de Deus. Bem por bem, os espíritas fazem muito mais do que o (im)pastor Malafaia e muitos de nós.

Bonito, né, sr. Malafaia?

No final da pseudo-pregação, Malafaia explica o porquê de tanto ardor em “ensinar” liberalidade: após a reportagem da Revista Forbes, que o enumera entre os pastores mais ricos do Brasil, Malafaia perdeu cerca de 30 mil “patrocinadores fiéis” (aqueles que, mensalmente, enviam certa quantia para seu ministério).

Pois é, TRINTA MIL. E, talvez por isso, o (im)pastor necessite de algum dinheiro para ajudar a pagar as contas do seu ministério.

Mas, quem ensina algo deve, por um mínimo de coerência, praticar o que ensina. Já que Malafaia gosta tanto de ensinar o povo a ser liberal, dando boa parte do que têm para a igreja em troca das bênçãos financeiras e outras mais, porque o próprio Malafaia não põe a mão no bolso e investe ofertas bem alçadas em seu próprio ministério? Se o que ele prega for verdade, vai ser o maior investimento de sua vida, já que poderá investir uma Mercedes blindada e ganhar em troca umas 10; investir um anel de 4.000 dólares e ganhar outros cem anéis; doar o aviãozinho e receber uma frota em troca. Assim, não apenas cobriria o rombo financeiro de seu ministério, como também garantiria riquezas para umas 4 gerações depois da sua.

Ah, mas liberalidade, “lei da semeadura” e afins são para os pobres fiéis!!!

Bonito, né, sr. Malafaia?
blog27Só para piorar mais um pouquinho (se é que isso é possível), Malafaia é daqueles (im)pastores que sabem que, se suas ovelhas descobrirem o verdadeiro significado da Graça de Deus, não terá sobre elas o domínio cego que possui hoje. Por isso, para mantê-las aprisionadas em seu aprisco, Malafaia usa e abusa de “leis”, de normas ditas por ele bíblicas (mas na verdade inventadas por homens sedentos de poder), para que as ovelhas mantenham a obediência às suas ordens. Não à toa, segundo tal (im)pastor, para se obter a própria Graça de Deus é preciso seguir uma Lei específica, que é citada durante a pseudo-pregação. Essa lição Malafaia aprendeu de seu professor de heresia americano, o tal “Doutor” (em quê?) Mike Murdock, além das aulinhas de especialização com o “profeta de deus” (Mamom?) Morris Cerullo. A propósito, o Murdock já veio neste ano pedir dinheiro pro Malafaia. Está faltando o Cerullão, que deve aparecer nos próximos meses, cumprindo a tradição anual.

Bonito, né, sr. Malafaia?

Nada de bonito. É triste, abominável, execrável, terrível. Isso é zombar de Deus e zombar da inteligência dos fiéis. Está certo que há muitos que acreditam em qualquer baboseira que um líder religioso diga, mas aí a coisa fica ainda pior, pois é se aproveitar da boa fé e ingenuidade de muitos para alcançar seus objetivos financeiros e de poder. Sim, de poder também, pois já começou a corrida eleitoral e, claro, Malafaia e outros (im)pastores como ele já estão articulando apoio a candidatos de todos os níveis, com o fim de alcançar poder em todas as esferas políticas.

Já que o Malafaia gosta de ensinar, de dar conselhos, também vou dar meu conselho ao Malafaia:

Arrependa-se enquanto ainda é tempo.

“Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho;
O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo.
Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.
Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.” – Gálatas 1:6-9

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

 

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Viagem missionária II

001No dia 26/07, após estar em Registro (SP), me desloquei para o Rio de Janeiro no intuito de participar de mais um Festival Promessas da Rede Globo de Televisão focado na música gospel.

O festival deste ano aconteceu na pequena cidade de Itaguá (RJ). Você está surpreso? Eu também.

No meu deslocamento, no fundo havia uma dúvida se realmente o evento aconteceria, pois pouco se viu na mídia e, com uma busca bastante interessada, se descobria na internet algumas notícias sobre o evento.

Só acreditei quando cheguei no evento. O evento era o de sempre, porém alguns pontos precisam ser destacados:

0041o. Por que a mídia teve um enfoque discreto sobre o evento?

2o. Por que escolher uma cidade tão pequena, distante do Rio de Janeiro? Os eventos anteriores sempre foram realizados nas grandes capitais e em locais de destaque.

Diante disso, várias perguntas ficaram no ar:

Por que o evento era patrocinado pela prefeitura da pequena cidade?

Outra questão é: por que, diante de um ano eleitoral, um só político participava do evento, e só propaganda desse mesmo político era distribuída no evento?

005Talvez a resposta para todas essas questões estivesse no pequeno público que compareceu ao evento, num dia frio, com garoa. Para nós do MEEB, foi o mesmo do mesmo, mas essa questão de um evento patrocinado por uma prefeitura e com um único político tendo acesso nos chamou bastante a atenção.

Era nítido que o Festival Promessas era apenas um pretexto para a propaganda política e para a exploração dos fiéis pelo referido candidato. Talvez as repostas para tudo isso estejam em que esse candidato para o governo do RJ também é evangélico e tem uma ligação fortíssima com o principal “negociador” das relações entre evangélicos e a Rede Globo.

Se você acompanha esse blog, você sabe que não gosto de fazer segredos das peripécias de alguns líderes do meio evangélico. Então aqui vão os nomes: o candidato é o Antony Garotinho, e o vulgo “negociador” é o sr. Silas Malafaia.

015Nós do MEEB estivemos lá como sempre, estendendo nossas faixas e distribuindo nossos folhetos na intenção de despertar a consciência de muitos. O resultado também foi o de sempre: uma boa receptividade, muitos vieram dialogar conosco e ouvimos de várias pessoas a afirmação de que não caem mais nas armadilhas dos senhores citados acima.

Confesso que, apesar de tudo, me alegrei, pois é perceptível que muitos evangélicos estão tendo seus olhos abertos para as verdades, e isso tem gerado uma consciência crítica, longe do medo imposto por essas e outras lideranças. No Brasil, a verdade e a ética parecem ser uma contravenção, um erro, pois criticar após avaliar ideias e valores traz ira a muitos líderes. O que temos visto é que, apesar de poucos, muitos estão tendo a coragem de confrontar os discursos e práticas de algumas lideranças à luz do texto bíblico.

018Uma senhora me perguntou: “Paulo, qual a bíblia boa para confrontar esses falsos profetas?”

Apesar do $how, do entretenimento, muitos confessaram estar lá para averiguar a realidade do evento.

Novamente a música, que deveria ser utilizada para louvar a Deus em espaço cúltico foi transformada em uma fonte de negócio$, lucro$ e idealização de projetos puramente humanos.

E o povo, massa de manobra como sempre.

025029receitamedica026Triste, mas fico na esperança dos poucos que nos abordaram, enaltecendo nosso trabalho e demonstrando que seus olhos estão bem abertos para a realidade do contexto evangélico.

A Deus toda a glória.

Paulo Siqueira

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Viagem missionária

batistaNa última semana de julho tive a grata satisfação de participar do encontro de pastores da Ordem de Pastores Batistas do Vale do Paraíba, para tratar da realidade da Igreja, principalmente no contexto neopentecostal.

O encontro foi realizado na Primeira Igreja Batista de Registro (SP). Foi um encontro bastante proveitoso, onde pudemos, junto com os pastores, refletir de que algo necessita ser feito por aqueles que realmente amam a obra de Deus.

Alguns pontos que destaco foram a questão de buscar um sério comprometimento com a identidade da Igreja, sua práxis e a sua representatividade diante do mundo, pois a Igreja não pode ser simplesmente conhecida pelo templo, pelos pertences ou pela “prosperidade” dos seus membros. A Igreja tem que ser conhecida por ser a mensageira de Cristo diante de um mundo em caos pelo pecado, e essa representatividade acontece na luta pela paz, pela justiça, pela igualdade, principalmente no contexto dos que sofrem diante das desigualdades, que insistem em manter os fracos e oprimidos distantes de uma vida digna.

Este é o papel da Igreja, e isso vai muito além de estar preso a um reduto puramente religioso. Hoje o pastor representa muito mais que sua instituição: ele representa o Reino de Deus num mundo em desigualdades.

Diante disso, o pastor precisa estar atualizado e capacitado para representar uma luta dos verdadeiros discípulos de Cristo, pois os falsos profetas estão diariamente expandindo suas “emprejas” com o misticismo, mágicas, mentiras do “outro” evangelho.

batista2Outro ponto discutido foi a questão da acessibilidade da Igreja, pois lamentavelmente muitas igrejas não são acessíveis ao povo. Hoje, líderes religiosos (para denotar prosperidade e poder) circulam cercados de seguranças, impedindo que os simples irmãos tenham acesso à sua presença, transformando a Igreja em verdadeiras caixas-fortes. Sem contar as igrejas onde os pastores atendem com hora marcada, em horário comercial.

Eu mesmo já vivenciei experiências onde famílias necessitavam de um pastor na madrugada ou num feriado, e não encontravam.

Nesse sentido, também vemos que a Igreja é uma grande fonte de desigualdades, pois esses mesmos pastores, cercados por seus seguranças, inacessíveis às pessoas comuns da Igreja, oferecem livre acesso aos ricos e poderosos.

A Igreja precisa ser acessível desde a porta até os seus líderes, pois assim foi Cristo, que não impediu as criancinhas, nem a mulher pecadora, nem o cobrador de impostos, nem o centurião, nem os leprosos, de irem até Ele. Ao contrário, os Evangelhos relatam que o Cristo era acessível a todos.

A palestra tinha por título “Neopentecostalismo: cristianismo ou empreendedorismo?”, e é com muita tristeza que eu defino que, lamentavelmente, o neopentecostalismo não tem traços nem identidade e nem referencial do cristianismo. É um grande empreendedorismo, onde os Evangelhos e o próprio Jesus são fontes de merchandising para o crescimento e expansão dos “negócios” religiosos. Isso é facilmente percebível quando observamos que o neopentecostalismo não se relaciona com os valores da Reforma, nem se autodenominando como protestantismo, sem contar que, na ânsia de se autopromover com a mídia, valores essenciais do Evangelho são trocados por métodos tanto administrativos quanto de autoajuda.

batista3Sendo assim, esse grupo que “cresce” no Brasil se distancia da essência da palavra Igreja. Hoje, esses grupos podem ser denominados um pouco de tudo, porém em nada se enquadram no sentido da Igreja de Cristo.

Foi bastante proveitoso. Quero agradecer a todos pela hospitalidade, pelos momentos de reflexão, e principalmente ao Pr. Alonso, que teve a iniciativa do convite.

São experiências como essa que nos fazem ainda ter esperança de que um mundo novo ainda é possível, pois nem todos se dobraram a Baal e aos deuses deste mundo.

A Deus, toda a honra e toda a glória.

Paulo Siqueira

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Os Neopentecostais no Brasil: cristianismo ou empreendedorismo?

debate em registro

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Ainda somos colônia II

Nunca antes um logo da copa do mundo foi tão significativo. O que vemos no logo da copa 2014 é uma mão na face como em sinal de indignação e vergonha, vergonha essa que ficou expressa na tarde ontem.

Para os que achavam que não bastava a vergonha do super faturamento na construção dos nossos estádios, refletidos na realidade brasileira, o episódio de ontem demostrou que nossas autoridades não têm limites quando o assunto é envergonhar o Brasil. O futebol apresentado ontem pela seleção de futebol reflete a desorganização, a prepotência e o desrespeito de dirigentes que, diante dos altos lucros do futebol, se acham acima da verdade e da lógica.

O que vimos ontem são reflexos de uma nação que ainda não se libertou da domesticação estrangeira, pois nossa confederação de futebol caminha diante das ordens da FIFA. Nada é feito sem os cabrestos da FIFA.

Ainda somos uma colônia onde a exploração estrangeira é o grande foco. Nossos estádios superfaturados refletem que somos um povo ainda impossibilitado de reagir diante de tamanha domesticação.

A domesticação é a caracterização da perda do ânimo de lutar e buscar a liberdade. Somos um povo tratado a pão e água pelas autoridades. Isso é facilmente visto diante da nossa realidade. Somos o país com os maiores déficits educacionais, na saúde, no saneamento básico, no atraso arquitetônico e urbanista das nossas cidades. Somos uma das nações mais violentas do mundo, sem contar que nossa corrupção envergonha o país em todo o mundo.

E mesmo assim o povo ainda acredita no pão e circo da copa do mundo. Essa é a ração colocada a cada dia no coxo do povo domesticado, que não pode ser chamado de escravo, pois o escravo luta por sua liberdade a cada dia.

Quem estava nas arquibancadas dos estádios?? O povo??? O povo é assalariado, com um salário de fome, que impossibilitava a muitos estarem nos estádios. Os estádios estavam cheios da burguesia que representa os domesticados que adoram ir aos EUA transformar reais em dólares, tudo para poder desfilar suas roupas importadas.

Vergonha e tristeza, pois o resultado do jogo tem como pano de fundo uma realidade em que muitos estão alienados. Somos ainda colônia, pois ainda não somos um povo verdadeiramente livre. Somos ainda um povo cativo do capital e da cultura estrangeira. Somos domesticados pois somos incapazes de enxergar, de lutar por valores essenciais de verdadeira nação.

Paulo Siqueira

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Herdeira e Marcha para Jesus no Rio de Janeiro e em São Paulo: o $how tem que parar!

blog127

Leia também:  Propondo a volta ao Evangelho Puro e Simples na Marcha para Jesus em São Paulo, por Laudinei

Marcha para Jesus no Rio de Janeiro e em São Paulo: o $how tem que parar!

No último mês o MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) teve a oportunidade de participar de 3 grandes eventos gospel: no Herdeira (congresso de mulheres para ouvir o Dr. Mike Murdock) e na Marcha para Jesus no Rio de Janeiro, e ontem na Marcha para Jesus em São Paulo. Nos três eventos pudemos estender faixas que remetiam a passagens bíblicas e que demonstravam que a Teologia da Prosperidade, pregada pelos líderes desses eventos, é uma teologia demoníaca, pois afasta o fiel dos verdadeiros ensinos de Jesus Cristo.

blog128Descrever o que aconteceu nesses eventos seria chover no molhado. Desde 2009 participamos de eventos desse tipo e o script é mais ou menos o mesmo: desaprovação dos líderes eclesiásticos mancomunados com o ensino de doutrinas centradas no homem e que os beneficiam materialmente; pessoas que participam do evento e rejeitam totalmente os dizeres das faixas, mesmo que sejam a descrição literal de um versículo da Bíblia que dizem seguir; pessoas que se aproximam levadas pelo desejo de refletir sobre onde está a verdade: no que pregamos em nossas faixas e camisetas ou no que os pregadores modernos pregam em seus púlpitos-palcos. No final, apesar das rejeições saímos felizes, com a certeza de que o mais Deus fará na vida daqueles que se dispuserem a ser como os bereanos.

blog129Porém, embora tecnicamente nossa participação nesses eventos seja parecida, para nós é sempre como se fosse a primeira vez. Afinal, são novas pessoas que nos abordam, são novas pessoas que nos rejeitam, é novo o agir de Deus a cada dia.

A primeira Marcha na qual o MEEB participou foi em 2009, em São Paulo. Nesse ano, estimou-se o público em cerca de 3 milhões de fiéis. Já na Marcha de ontem, em São Paulo, falou-se em 200 ou 250 mil o número de fiéis, perdendo pela primeira vez para o público estimado no Rio de Janeiro, que neste ano foi de cerca de 300 mil participantes.

blog131O lado bom disso é que muita gente está percebendo o que a Marcha para Jesus realmente é: uma grande micareta gospel com um palco para idolatria a líderes e cantores do segmento, além de vitrine para barganha de favores junto a políticos (que, vendo a quantidade de evangélicos, prometerá qualquer coisa aos líderes gospel com o fim de arregimentar para si os votos dos fiéis).

Já o lado ruim disso é a consolidação cada vez maior do (im)Pastor Silas Malafaia como líder evangélico mais influente, uma vez que a Marcha para Jesus no Rio lhe pertence e está crescendo cada vez mais, proporcionalmente ao número de membros de suas igrejas.

blog132Malafaia é uma pessoa eternamente agressiva, irritada e destemperada, em nada demonstrando os frutos do Espírito. Para piorar, é um divulgador da diabólica Teologia da Prosperidade, a maldita teologia que aprendeu dos (im)pastores americanos Mike Murdock e Morris Cerullo. Malafaia já vendeu Bíblia por 900 reais em troca de riquezas, já vendeu a salvação de toda a família do fiel em troca de mil reais, já vendeu a casa própria em troca de um aluguel, e muitas outras coisas afins. Mais recentemente chamou de “manés” os que não têm, como ele, um anel de 4 mil dólares no dedo e uma Mercedez alemã na garagem. No passado chamou de “trouxas” os fiéis que davam ofertas na igreja apenas por amor, sem esperar nada em troca. E chamou de “filhos do diabo” os blogueiros e donos de sites que atrapalhavam seus planos imperialistas-religiosos, ao divulgar suas heresias.

blog133Em São Paulo, os donos da Marcha são o Apóstolo (?) Estevam Hernandes e sua esposa Bispa Sonia. A moral desse casal já não ia bem há tempos, por conta de sua passagem “prolongada” nos EUA por terem tentado entrar no país com dinheiro não declarado (e escondido até numa Bíblia). Porém, apesar da igreja Renascer em Cristo ter sofrido um grande baque, inclusive com a perda de muitos fiéis (entre eles o maior dízimo: o jogador Kaká), ainda assim os Hernandes têm força e poder suficiente para levar em sua Marcha personalidades como o ex-prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckimin. Assim como Malafaia, também pregam a bestial Teologia da Prosperidade, mas com o agravante de se valerem das superstições gospel-apostólicas. Ontem, assim como nas Marchas em São Paulo anteriores, os fiéis eram incentivados a escrever seus pedidos para 2014 num papel em forma de palmilha e coloca-los dentro do sapato, para marcharem com os pedidos aos seus pés.

blog134Ora, mas vem cá: os apostólicos não gostam de dizer que pisam na cabeça do diabo? Como então pisam nos pedidos que querem ver realizados? Como se vê, as simpatias gospel são tão criativas que se perdem em seus próprios ensinamentos.

Agradeço a Deus pela vida dos irmãos e irmãs que puderam participar desses eventos, pela vida daqueles que colaboraram com o MEEB e pela vida daqueles que, devido às circunstâncias, não puderam participar, embora ardentemente desejassem. Deus está levantando a cada dia um remanescente silencioso, mas que através da sua insignificância numérica, tem podido ser usado por Ele para que Sua Palavra seja pregada. Afinal, não é por força, nem por violência.

blog126 Agradeço também a Deus pela vida de todos e todas que puderam ler as frases nas faixas e camisetas, e que se dispuseram a refletir sobre se o que lhes tem sido ensinado está ou não de acordo com as Escrituras.

Não há nada melhor do que pregar a Cristo. Ontem, mais uma vez, pude ter essa certeza.

Que a Igreja Brasileira se volte, de coração, à pregação do Verdadeiro Evangelho. O mais, Ele fará.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

blog135

 

blog126

 


Marcha para Jesus no Rio de Janeiro 2014


Marcha para Jesus em São Paulo 2014


Outro olhar da Marcha para Jesus em São Paulo 2014


Congresso Herdeira 2014


Considerações finais após a Marcha para Jesus no Rio de Janeiro 2014

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