IURD na Marcha para Jesus em São Paulo: conluio gospel para a eleição do presidenciável do partido do Edir Macedo?

marchajezuisiurd

“E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.” – Mateus 4:9

Eis o versículo-chave da demoníaca Teologia da Prosperidade, seguida por igrejas neopentecostais e algumas pentecostais extraviadas. Um versículo isolado lindo, pois fala de vitória, de riquezas, de ser cabeça e não cauda e ainda fala de adoração, ou seja, tem espiritualidade e dependência de um ser superior no meio. Porém, a beleza do versículo se esvai quando lemos seu contexto, mais propriamente os versículos 8 e 10. E aí nos damos conta de outra passagem bíblica:

“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo.
E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.
Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras.” – 2 Coríntios 11:13-15

Entendida essa pequena introdução, vamos aos fatos.

aad3

Desde 2009, ano em que o Casal Hernandes voltou glorioso após um período prisional nos Estados Unidos, acompanhamos in loco as Marchas para Jesus em São Paulo, evento patenteado pelo Apóstolo (?) Estevam Hernandes. Sim, se você quiser fazer uma Marcha para Jesus em sua cidade, usando esse nome, precisa pedir autorização ($$$?) ao Apóstolo (?). E sinceramente não me recordo de ter visto a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) participando de alguma edição, exceto pelo político e Bispo Marcelo Crivella.

Nos últimos anos, o Apóstolo (?) Valdemiro Santiago da Igreja Mundial do Poder de Deus tem participado das Marchas em São Paulo, inclusive desfilando nos principais trios-elétricos (os primeiros, que carregam as autoridades eclesiais gospel e alguns políticos) e tendo um ou dois trios de sua própria denominação. Fora ele, nas últimas edições a Marcha foi exclusividade da Igreja Renascer em Cristo (do dono do evento gospel).


Marcha para Jesus 2017. A partir do minuto 3:50 a constatação de que havia mais trios-elétricos do que público que os seguisse.

A participação de igrejas nas Marchas é garantia de público. Afinal, os fiéis das grandes emprejas costumam obedecer cegamente a seus líderes e só frequentam os eventos que eles indicam. E eles somente indicam os eventos dos quais fazem parte, obviamente. Assim, nas últimas edições a Marcha para Jesus em São Paulo foi bastante esvaziada de público, pois contemplava majoritariamente os membros da Renascer e da Mundial. Ai se um membro de uma das igrejas não participantes aparece na tevê participando da Marcha!!!

Porém, esse ano a Marcha para Jesus promete um boom de público. Afinal, ninguém menos que o Bispo Edir Macedo se irmanou ao Casal Hernandes na Marcha para Jesus. E o Macedão está investindo bastante (não tanto como na venda de ingressos para seu filme, é claro)!

macedo3

Por ordem do “patrão”, as estrelas da Rede Record gravaram vídeos convidando para a Marcha, algo que jamais aconteceu em todos esses anos. Tem vídeo do Marcos Mion, Sabrina Sato, Gilberto Barros, Otávio Mesquita e até Gugu Liberato. O SBT (que tem trabalhado em conjunto com a Record em alguns projetos) também “liberou” artistas como o Ratinho e o Dudu Camargo para fazerem o convite. Além, é claro dos astros e estrelas gospel que se apresentarão gratuitamente (?), em prol apenas da pregação do Evangelho, como denunciado num artigo da edição passada.

Só para dar um gostinho:

“Causou discussão em plenário da Câmara Municipal, na sessão de ontem, o recurso financeiro utilizado pela Prefeitura para custear um show durante a Marcha para Jesus, realizada na cidade no último sábado. O questionamento refere-se ao cachê pago à empresa Faz Chover Produções Artísticas Ltda, para apresentação do cantor gospel Fernandinho, que se apresentou na Praça Antonio Carlos. Conforme extrato do contrato, publicado no Atos do Governo, foi pago R$ 85 mil ao conjunto musical.” (fonte: Tribuna de Minas)

Ah, mas é bênção pura a IURD participar da Marcha para Jesus! É a união das igrejas para glorificar a Deus e abençoar a cidade de São Paulo!

Será?

“O PRB anunciou nesta terça-feira (27) o lançamento da pré-candidatura do empresário Flávio Rocha, executivo da Riachuelo, à Presidência da República.” (fonte: G1 – Eleições 2018)

E

“No início da campanha eleitoral, líderes do PRB fizeram uma análise realista do que vinha pela frente. Nas duas maiores frentes de disputa, apostavam muito no sucesso do senador Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro, e desconfiavam um pouco das chances do deputado Celso Russomanno em São Paulo, apesar da liderança folgada na ocasião. A impressão, apesar de feita sem nenhuma ciência ou base estatística, se confirmou. O PRB ganhou neste domingo, dia 30, a eleição na segunda maior cidade do país. Transformou-se em uma força eleitoral a ser observada.

Flavio-Rocha-2-instagramNo total, o PRB passou de 80 para 105 prefeitos. Firma-se como um projeto ímpar no cenário político, do partido que nasceu fincado na religião, criado e identificado com a Igreja Universal do Reino de Deus, uma das maiores agremiações cristãs neopentecostais do mundo. É natural que Crivella, um dos maiores líderes da igreja e uma aposta antiga dela na política, tenha atingido a maior vitória eleitoral do partido. Contudo, o PRB há tempos se firmou como uma força política à parte da igreja; é um partido onde cabem políticos com potencial eleitoral, a maior parte deles desvinculada da Universal, como é o caso do católico Russomanno, o deputado federal mais bem votado do Brasil em 2014.” (fonte: Revista Época – grifo do blog)

Seria uma grande coincidência que, no ano em que o partido do Edir Macedo resolve lançar um candidato à Presidência (e não um candidato qualquer, mas o dono da rede de lojas Riachuelo) a IURD resolva participar ativamente da Marcha para Jesus em São Paulo?

(pausa para reflexão)

Ah, mas a Marcha para Jesus não tem nada a ver com política, é adoração a Deus!

Será? (vídeos curtinhos que precisam ser vistos)

Acredito que uma parte da multidão que participa da Marcha lá está de coração sincero, buscando agradar a Deus. Outra parte, munida de celulares com bastante memória, lá está para tirar selfies e tentar fotos com seus artistas, líderes e políticos prediletos. E outra parte lá está para obter as benesses que uma multidão de fiéis pode proporcionar.

marcharioComo visto nos vídeos, os políticos participantes não apenas desfilam nos trios-elétricos como são chamados ao palco principal para que o povo “ore” por eles. É sabido que, no linguajar gospel, orar por um político no púlpito significa aprovação do líder para sua candidatura. E como nessas igrejas neopentecostais e em algumas pentecostais a palavra do líder é lei (sob pena de desobediência a Deus, o tal pecado de rebelião), automaticamente os votos dos fiéis são direcionados a quem foram levados a orar.

Assim, não espanta a IURD participar neste ano da Marcha. Os interesses políticos se sobrepõem ao orgulho de ter que participar de um evento de uma empreja concorrente. Marcelo Crivella que o diga.

Só fico pensando como será, caso tanto Edir Macedo como Valdemiro Santiago decidam participar pessoalmente da Marcha (lembrando que o Apóstolo [?] da Mundial também tem seus políticos a eleger). Ficarão em trios-elétricos separados ou cada um em um lado do trio?

Bom seria se a Marcha para Jesus em São Paulo fosse um evento de união das igrejas pelo único propósito de adorar a Deus. Bom seria se não houvesse a idolatria a artistas, pastores e políticos. Bom seria se os políticos que lá fossem se arrependessem de seus maus caminhos e buscassem, a partir daí, governar com justiça e bondade. Bom seria…

Mas a triste realidade é que, mais uma vez, em mais um ano, a multidão que participar da Marcha para Jesus em São Paulo será moeda de troca em conluios escusos na busca incessante pelo poder. Cada cabeça, um voto a ser negociado em nome de Jesus.

E aliás, Jesus só aparece no nome patenteado. É uma marca que dá muito, muito lucro a seus detentores. Mas é uma marca inferior aos donos da Marcha e dos trios elétricos, e o sinal disso é que só eles apareceram, nesses 9 anos em que temos acompanhado o evento, enfeitando os trios.

“E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.
E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo.
E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.
E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da sua doutrina.” – Marcos 11:15-18

“Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembleias solenes não me exalarão bom cheiro.
E ainda que me ofereçais holocaustos, ofertas de alimentos, não me agradarei delas; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos.
Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas.
Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso.” – Amós 5:21-24

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

Em tempo:

“Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos e testemunhávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos;
Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” – 1 Tessalonicenses 2:11,12

No dia 31 de Maio estaremos na Marcha para Jesus em São Paulo. Vestiremos camisetas que apontem para a volta à pureza e simplicidade do Evangelho e carregaremos faixas com versículos bíblicos que não agradam aos que usam o Evangelho como mercadoria para proveito próprio. Caso você queira estar conosco nessa aparente solitária missão (pois só na Eternidade saberemos quantos anjos o Senhor colocou ao nosso redor para nos guardar), venha estar conosco. É de graça, e pela Graça tão somente.

Caso deseje, deixe seu contato nos comentários para que possamos combinar.

Deus é, apesar de nós.

Anúncios
Publicado em Igreja e Sociedade, Mundinho gospel | Marcado com , , , , , , , | Deixe um comentário

Ajude missionários brasileiros na China

wendersonpaulinha2A China, apesar de ser um país com certo destaque na economia mundial, ainda está muito fechada à pregação do Evangelho. Recentemente, o país proibiu a venda de Bíblias e é sabido que são poucas as igrejas que têm autorização para funcionar (apenas aquelas que sujeitam sua pregação à autoridade estatal).

É nessa situação que um jovem casal de missionários deixou sua vida no Brasil e foi buscar almas na China. Os irmãos Wenderson e Paulinha estão há meses no país, para onde foram com a promessa de sustento por parte de alguns irmãos. Porém, com o passar dos meses e as dificuldades que são colocadas a cada um o sustento foi rareando. Embora se esforcem e consigam algum trabalho esporádico, a dificuldade com a língua e o fato de serem estrangeiros e cristãos tem dificultado bastante.

O casal Wenderson e Paulinha não é fazendo turismo na China, nem tampouco vivendo nababescamente. Atualmente, moram num alojamento da Jocum, pois não têm condições de alugar uma casa. E a provisão diária vem de Deus.

Vídeo: Páscoa na China

Se você puder, colabore com o sustento deste casal, que também são nossos amigos. Não vincularemos promessas de bênçãos financeiras especiais, como o fazem os falsos profetas. Apenas oramos para que Deus esteja no controle de nossas vidas. O casal não precisa apenas de ajuda financeira, mas principalmente de orações, de uma Igreja e um pastor que possa acompanhá-los como casal e como missionários. Eles precisam de irmãos com quem dividir o fardo e compartilhar as alegrias e tristezas.

Você pode entrar em contato com o casal através das redes sociais, lembrando que uma palavra de ânimo e de apoio pode ajudá-los muito nesta caminhada, pois a missão destes irmãos não é de um mês ou de um ano. Para aprender a língua será necessário, pelo menos, de quatro a cinco anos.

Seja também um(a) missionário(a). A essência da Igreja é ser missionária.

Que Deus seja com todos!

 

wendersonpaulinha

Publicado em Igreja e igreja | Marcado com , , | 1 Comentário

Nada a Perder: a triste história de alguém que preferiu ganhar o mundo

biografia-de-edir-macedo-e1479390612452

Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? – Marcos 8:36

Na semana em que relembramos os momentos que antecederam a morte e a ressurreição de Jesus Cristo há a no mínimo irônica estreia nos cinemas do filme autobiográfico Nada a Perder, que conta a história do Bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (segundo sua própria visão, é claro). Não assisti ao filme e não posso tecer grandes comentários sobre, mas posso analisar alguns pontos que estão expostos na mídia, chegando à conclusão de que esse filme, estreado especificamente nesta data, é uma grande cusparada de satanás na memória da Cruz.

O filme é baseado na trilogia de livros Nada a Perder, o que sugere que serão feitos mais 2 filmes. E a intenção dos livros e dos filmes neles baseados é uma só: glorificar Edir Macedo e sua IURD.

O site Entretenimento UOL traz 2 acontecimentos da época retratada nesse primeiro livro/filme, mas que foram “esquecidos”, apesar de sua grande importância e repercussão na época:

    • Divisão dos dólares de dízimo em Nova York

      A primeira parte do filme não mostra a expansão da igreja Universal para os Estados Unidos. A única menção à cidade americana ocorre ao final da projeção, quando Edir Macedo é alertado de uma situação muito grave que pode destruir a igreja. Uma reportagem da TV Globo, desta época, mostrou o bispo junto com outros pastores sorrindo enquanto contava dólares que estavam dentro de várias sacolas de dízimo. Os religiosos estão nos fundos da igreja ao final do culto, enquanto eles contam o dinheiro no chão.

    • “Ou dá ou desce”

      Em uma das cenas mais emblemáticas da biografia do bispo Edir Macedo é a “aula” que ele dá a outros pastores sobre como conseguir mais dízimo dos fiéis. “Se quiser [dar o dízimo], bem. Se não quiser, que se dane. Ou dá ou desce”, diz o pastor. Anos depois, Edir comentou sobre o vídeo em uma entrevista ao SBT e disse não se arrepender. “Ou você se entrega para Deus ou desce, vai para o inferno”, justificou o pastor na entrevista a Roberto Cabrini (fonte: Entretenimento UOL).

O fato é que, com seu falso evangelho do “dá ou desce”, Edir Macedo conseguiu erguer um império na Terra. Comprou sua própria emissora de tevê (Rede Record), tem redes varejistas, construiu templos no Brasil e no exterior e até um majestoso Templo de Salomão numa das regiões mais pobres de São Paulo. E, há cinco anos, foi citado pela Revista Forbes como o pastor mais rico do Brasil.

É emblemática a resposta que Edir Macedo deu sobre sua menção como pastor mais rico do Brasil na Revista Forbes. Sua resposta, cheia de ironia e sarcasmo, foi que a revista errou, pois na verdade ele era o pastor mais rico do mundo.

E o mais triste: ver a plateia rindo e concordando com isso, como se fosse algo bom, prova da bênção de Deus sobre a vida desse (im)pastor.

Não bastasse tudo isso, estão distorcendo – para não dizer falsificando – o número de expectadores do filme Nada a Temer. Assim como já fizeram com Os Dez Mandamentos, há suspeitas de que a IURD tem “convidado” seus membros a comprarem milhares de ingressos na pré-estreia, para alavancar as estatísticas do filme. A prova disso seria que, apesar de sessões com ingressos esgotados, poucos têm sido os lugares realmente ocupados. Afinal, no mundo do falso evangelho da Teologia da Prosperidade, tem que parecer maior do que os demais. Já o verdadeiro Evangelho nos ensina a sermos os menores diante dos irmãos.

Sobre isso, veja o que observou o repórter do jornal O Estado de São Paulo:

“No Espaço Itaú de Cinema da Pompeia, no shopping Bourbon, o filme foi exibido em 14 sessões espalhadas por três salas. Porém os postos de venda exibiam como ocupados assentos que na verdade estavam vagos. Na sessão das 18h, na sala 7, a única opção disponível era a primeira fileira, mas durante a exibição do longa havia apenas um espectador na segunda fileira, dois na terceira e pouco menos da metade das poltronas ficaram vazias.

Já no Cinemark do Central Plaza Shopping, a lotação foi ainda menor. Após o início da exibição do filme, havia apenas cerca de 10% dos ingressos para a sessão das 20h20, na sala 1, e somente quatro poltronas estavam indisponíveis para compra na sessão das 20h40, na sala 8. Apesar de quinta-feira ser o dia das estreias cinematográficas, havia pouco movimento próximo à entrada do cinema.”

Ou seja, o dinheiro do “dá ou desce” nunca foi usado segundo os preceitos bíblicos de ajuda aos órfãos, viúvas, estrangeiros e necessitados. Na IURD, ele serve para comprar emissoras que transmitem programas como A Fazenda, para tornar seu líder o mais rico do mundo (esse é o desejo dele) e para financiar suas excentricidades, como a produção de filmes de autoidolatria e a compra de todos os ingressos possíveis e impossíveis, para, pelo menos estatisticamente, torná-lo um grande sucesso de bilheteria.

Sim, Edir Macedo se esforçou (com meios não tão santos) e conquistou o mundo. Mas Jesus fala sobre os que agem como o tal bispo:

“E começou a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que depois de três dias ressuscitaria.
E dizia abertamente estas palavras. E Pedro o tomou à parte, e começou a repreendê-lo.
Mas ele, virando-se, e olhando para os seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens.
E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.
Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.
Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?
Ou, que daria o homem pelo resgate da sua alma?
Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.” – Marcos 8:31-38

Quando Jesus ensina a repartir e Edir Macedo ensina a ajuntar para si, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Quando Jesus ensina a ser o menor e Edir Macedo ensina a ser o maior, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Quando Jesus ensina que devemos morrer para esse mundo e Edir Macedo ensina a conquistar e usufruir o máximo possível das dádivas desse mundo, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Quando Jesus ensina que não devemos tirar a vida de ninguém e Edir Macedo ensina que aborto é bom e ele gosta, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Quando Jesus nos pede nosso coração e Edir Macedo nos pede todos os nossos bens em Seu Santo Nome, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Quando Jesus ensina: “vem e segue-me” e Edir Macedo ensina que devemos seguir a ele, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Um cego leva os demais cegos para o abismo. Veja quem você está seguindo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS – e não a Edir Macedo e cia. – seja toda a honra e toda a glória para sempre.

Publicado em Igreja e Sociedade | Marcado com , | Deixe um comentário

Hipnose ou milagre no 10o. Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil?

jeronimoavivamentoDurante o feriado de Carnaval o Apóstolo (?) Agenor Duque promoveu o 10o. Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil, com a presença de Benny Hinn, Marco Feliciano, Abílio Santana, Jerônimo Onofre da Silveira e outros. Neste artigo analisaremos uma das preleções, a do Jerônimo Onofre.

Antes de continuar a leitura, recomendamos assistir ao seguinte vídeo:

O que se espera de um Congresso de Avivamento? Um avivamento, é claro! E avivamentos só ocorrem pela ação do Espírito Santo, quando buscado de todo o coração pelos fiéis. E essa busca se faz presente quando, entre os fiéis, há verdadeiro arrependimento pelos pecados e sincera vontade de agradar a Deus. E quando há temor e tremor do Senhor.

E o que a participação do Jerônimo Onofre nos faz pensar? Ela denota arrependimento, vontade de agradar a Deus, temor e tremor do Senhor? Ou denota excesso de autoconfiança, certeza no poder próprio, desejo de aplausos, reconhecimento e até de se tornar um ídolo perante a multidão?

É possível um avivamento verdadeiro quando os homens desejam se igualar a Deus?

Como falamos de igreja, temos que nos palpar nas Escrituras Sagradas. Se desejamos seguir a Cristo, precisamos seguir Seus ensinos e Seus passos.

Através de Jesus e dos Apóstolos (de verdade), muitos milagres foram realizados. Leprosos foram curados, cegos enxergaram, deficientes físicos voltaram a andar, mortos ressuscitaram, demônios foram expulsos. Bastava uma ordem para que o milagre se realizasse, e quando isso acontecia, o mundo ao redor ficava em polvorosa.

Hoje em dia, na ânsia de demonstrar poder e autoridade, algumas igrejas ditas cristãs têm falsificado milagres. Já que a prometida cura não veio, alguns pastores dão uma “ajudinha” a Deus manipulando os fiéis. A hipnose é uma das técnicas mais utilizadas, por ser fácil e promover resultados imediatos. Imediatos mas pouco duradouros, mas isso não é um problema, pois o fiel já terá dado seu testemunho e não voltará para desmentir o que ele mesmo afirmou dias atrás.

Se já está difícil obter milagres, quiçá um verdadeiro avivamento. E por isso todos os anos precisa-se buscar novos avivamentos em novos congressos, reuniões de poder, vigílias no monte, viagens a Israel e campanhas mil. E de campanha em campanha, reunião em reunião, viagem em viagem, congresso em congresso sem obter os resultados prometidos, a fé de muitos se esfria. E o amor também.

Muitos pastores precisam aprender que avivamento não é busca por riquezas e prosperidade, não é cura de todas as doenças, não é eleição dos políticos indicados pela liderança, não é a construção de maiores e mais suntuosos templos, não é multidão de dizimistas e ofertantes fiéis. Avivamento é profunda dor pelos nossos pecados e pelos da nação. Avivamento é desejo de justiça para os que mais sofrem. Avivamento é um amor tão grande por Deus que nos faz esquecer de nós mesmos.

Avivamento é amor pela Verdade. Não é falsificação de milagres, não é mentira em prol de uma falsa propaganda de espiritualidade do (im)pastor.

Tristes os dias em que vivemos, onde alguns líderes ditos cristãos colocam sua confiança em políticos, na oferta de empresários, nas técnicas de hipnose e em seu poder de persuasão junto ao rebanho. E que pobre esse rebanho, proibido até de pensar, por medo das ameaças de maldição desses (im)pastores!

Recomendo a leitura do livro Lavagem Cerebral e Hipnose nos Cultos Protestantes. Foi escrito por um católico, e a propósito, os católicos demoram anos para reconhecer um milagre, justamente para que não haja falsificações. Já nós, evangélicos, aceitamos qualquer palavra claramente induzida pelo pastor para dizer que alguém foi curado. Mesmo sem tê-lo sido de fato.

Quando houver seriedade nas igrejas evangélicas, haverá um verdadeiro avivamento. E nem será necessário fazer congressos com esse específico fim.

Por mais Evangelho e menos “ajudinhas” humanas.

Deus não precisa de nós. Nós é que precisamos Dele.

Quem se enche com truques baratos são teatros e circos, não verdadeiras igrejas.

avivamento

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

 

 

 

Publicado em Igreja e igreja, Igreja e Sociedade, Mundinho gospel | Marcado com , , , , , , | 2 Comentários

O que uma simples faixa causou no 10o. Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil

Leia o conteúdo da faixa a seguir:

precisamos de uma igreja

Sentiu-se ofendido(a)? Ameaçado(a)? Ou simplesmente serviu para lhe colocar em estado de reflexão momentânea, advindo depois a simples aprovação ou desaprovação da mensagem?

Misteriosamente, mais uma vez percebemos que essa faixa pode causar grandes reações. Hoje a levamos diante da entrada do 10o. Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil, no Estádio do Canindé em São Paulo. “Vacinados”, muitos dos que lá foram e que usavam camiseta do congresso com foto do Benny Hinn mal a olharam. E entre os que ousaram olhar, muitos fizeram ar de reprovação.

Compreendo ser justo não concordar com os dizeres da faixa, uma vez que temos total livre arbítrio. Mas, onde está o erro da mensagem?

Para nossa surpresa, a certa altura do campeonato surge o Apóstolo (?) Agenor Duque em seu carro. Para diante de nós, pega seu celular e tira fotos nossas e da faixa. Aceita educadamente um folheto e nos pergunta o que estávamos fazendo ali.

Na rápida conversa, o que mais nos espantou foi a reação geral. Estávamos em meio a um batalhão de ambulantes e fiéis, e obviamente a gritaria imperava. Os ambulantes, cada um vendendo seu peixe, além do zunzunzum de quem foi buscar uma bênção. Porém, quando a figura do Apóstolo (?) apareceu por trás dos vidros escuros do veículo, fez-se um silêncio sepulcral. Olhei ao redor e todos – sim, todos! – estavam parados, olhando atentamente. Foi uma reação surpreendente, como se todos estivessem diante de algo muito sagrado, muito idealizado, diante do qual não devessem sequer demonstrar movimento. Talvez uma grande autoridade, até mesmo um rei. Fazendo uma analogia, lembrou-me filmes de heróis super rápidos, naquelas cenas em que o mundo inteiro fica praticamente parado enquanto o herói caminha em volta do cenário.

Quando o carro do Apóstolo (?) Agenor Duque deu partida e entrou no estádio, como num passe de mágica tudo voltou ao normal: a gritaria, o caminhar dos fiéis para lá e para cá, a curiosidade de alguns sobre nossa faixa e folhetos e o desprezo de outros pelo mesmo motivo. E então chegaram alguns seguranças do evento, preocupados por acharem que tínhamos outras faixas que denegririam pessoalmente o Apóstolo (?) e a Bispa (?). Mas é claro que não tínhamos, pois nossa intenção não é denegrir pessoas, mas criticar sua teologia dita cristã.

Em certo momento, recebi o “calendário apostólico” (foi assim que a moça o descreveu). De um lado, um calendário. Do outro, a foto do Deputado (querendo se reeleger) Jorge Tadeu e um outro pastor que não conheço. E o outro Deputado Marco Feliciano havia pregado numa noite do congresso. Afinal, uns confiam em carros, outros em cavalos, outros mais em políticos que os favoreçam, mas nós faremos menção do nome do Senhor Nosso Deus.

Estávamos em cinco, o suficiente para passarmos totalmente despercebidos na multidão. Mas Deus não quis que fosse assim. Mesmo em cinco, com apenas uma faixa com uma mensagem que normalmente agradaria a qualquer cristão, ainda assim incomodamos – e muito. A luz da Verdade incomoda os olhos que permaneceram muito tempo na escuridão, e a defesa, nesse caso, é tentar apagar a Verdade. Mas, quem pode conter a luz?

Fomos embora antes do Benny Hinn subir no palco. O que tínhamos que fazer ali Deus já havia feito. Mesmo aqueles que hoje se incomodaram e até se irritaram com nossa presença, temos fé de que Deus lhes visitará e lhes ensinará novas coisas em Seu tempo, como um dia fez conosco. Deus conhece os corações sinceros e não os deixará no engano.

Sobre o congresso em si, infelizmente muitas heresias e falsificações de milagres, mas disso trataremos no próximo artigo.

Agradecemos a Deus pela oportunidade que Ele nos deu no dia de hoje.

A Ele toda a honra e toda a glória para sempre.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

28058792_2058967454130411_8931860868080306014_n

 

Publicado em Igreja e igreja, Igreja e Sociedade, Mundinho gospel | Marcado com , , , , , | Deixe um comentário

Por que os evangélicos brasileiros têm dificuldades em apresentar um caráter transformado?

carc3a1ter.jpgPor que as igrejas evangélicas brasileiras têm dificuldades de se apresentar à sociedade através dos exemplos frutos da transformação do caráter dos seus fiéis?

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” – 2 Coríntios 5:17

Essa é uma reflexão bastante difícil. Muitos que acompanham este blog talvez possam pensar: “só há críticas ao sistema evangélico brasileiro?”

A questão é que este blog é uma ferramenta de conscientização cristã, e para isso objetivamos refletir a realidade cotidiana. Lamentavelmente, o que temos observado na nossa vivência ministerial em meio à igreja é que muito do que é pregado nos púlpitos não é vivenciado nem praticado por muitos que se dizem “evangélicos” no Brasil.

Está difícil ver no cotidiano exemplos de uma verdadeira transformação que parte do caráter para a consciência genuinamente cristã, à luz dos Evangelhos. O que temos visto são pessoas superficiais, levadas por modismos, metodologias, que produzem conversões emotivas, sensacionalistas, frutos de um evangelho místico, mágico, centrado muito mais no propósito de satisfazer os anseios humanos do que ser um referencial de espiritualidade para seus fiéis.

Os evangélicos brasileiros perderam sua identidade, ou melhor, será que um dia a tiveram? (https://pedrasclamam.wordpress.com/2012/04/18/a-igreja-barasileira-precisa-recuperar-sua-identidade/)

Segundo a Profa. Dra. Magali do Nascimento Cunha em seu livro Do Púlpito às Mídias Sociais:

“A imagem dos ‘evangélicos’ no país foi construída com base na identidade de dois grupos de cristãos não católicos e ortodoxos: os protestantes de diferentes confissões, que chegaram ao Brasil  por meio de missões dos Estados Unidos, a partir da segunda metade do século XXI, e os pentecostais, que aportaram na primeira década do século X. Os grupos protestantes que alcançaram o Brasil por meio de imigração, luteranos e anglicanos, construíram uma identidade própria com aberturas significativas à contextualização/inculturação. (…)

Independente das peculiaridades dos distintos grupos que formam o segmento, os evangélicos brasileiros são identificados nos estudos de religião por: 1) uma predominante leitura fundamentalista (literalista, a partir das ideias dos fundamentos da fé) do texto sagrado cristão, a Bíblia; 2) ênfase na piedade pessoal, na busca da salvação da alma (influência do puritanismo e do pietismo dos pioneiros missionários que vieram do Sul dos Estados Unidos no século XIX ao Brasil; 3) frequentes posturas de rejeição das manifestações culturais não cristãs no país (fruto da mesma ação de missionários); 4) um isolamento das demandas sociais (resultante da espiritualização das questões da existência individual e social), entre elas a participação política. Tudo isso gera uma imagem construída em torno do nome evangélico, centrada nas práticas e ideias do protestantismo missionário do Sul dos Estados Unidos e do pentecostalismo embranquecido, mostrando ao Brasil um segmento cristão predominantemente conservador teologicamente, marcado pela conjunção milenarista e fundamentalista e puritana – arminiana – pietista. Desprovido de tradição litúrgica, com prática centrada na palavra e pouca ou nenhuma ênfase na comunicação visual e/ou simbólica; rígido em relação aos prazeres do corpo e à moralidade cotidiana, por meio de um rompimento com expressões culturais brasileiras, anticatólico e denominacionalista. Sendo assim, a terminologia evangélico é resultado desta forma de identidade.”

Vários são os autores que tentam definir ou interpretar qual a verdadeira identidade dos evangélicos. Dentro da proposta deste artigo, essa perda ou falta de identidade é um dos principais motivos da igreja evangélica brasileira ter dificuldades em formar um verdadeiro caráter cristão em seus fiéis, pois se partirmos do princípio que a igreja não sabe o que é, fica difícil a caminhada.

Falo isso em reflexão do que temos visto. Se imaginarmos que uma igreja como a Metodista do Brasil está enfrentando um processo de neopentecostalização, o que dizer?

Nessa reflexão vamos analisar diversos pontos:

  1. As conversões não ocorrem influenciadas pelas essências do Evangelho, mas sim moldadas dentro dos interesses, programas das instituições, lideranças ou “donos” das igrejas. As igrejas se tornaram “casas de interesses” tanto das instituições, dos líderes e dos fiéis. Em muitos segmentos, o foco é satisfazer esses interesses. Para isso, o Evangelho não é o centro das ações. Tudo gira em torno de metodologias, ideias, reprodução de estratégias, tudo objetivando o crescimento financeiro, de membresia. Isso faz surgir uma igreja muito mais administrativa, burocrática, onde a espiritualidade é simplesmente um termo empregado para justificar que aquele local tem o nome de “igreja”. As conversões também seguem esse rito, ou seja, não se produzem novas criaturas, mas sim cópias. Quem ainda não viu cópias de Edir Macedo, Valdemiro Santiago, Agenor Duque e outros? O sujeito não tem o direito de escolher a roupa, o corte de cabelo, o vocabulário. Tudo tem que seguir a padronização da instituição e do líder. Até os trejeitos, cacoetes devem ser copiados das lideranças. Se alguém não seguir essa padronização, está fora. O cabeça, ali, não é Cristo, mas sim o “dono” ou líder da igreja. Com isso, não temos conversões ao Evangelho, mas sim um espírito de convencimento onde o objetivo é se tornar uma cópia do líder. É triste, mas essa é a realidade, e olha que estou tentando descrever essa realidade sem me aprofundar nas bizarrices existentes.
  2. Foco em “teologias” e não em uma prática e vivência cristocêntrica.Vemos muitas igrejas mais preocupadas em divulgar suas teologias institucionais do que o próprio Evangelho. O Evangelho só aparece porque ele é a forma de publicar ou justificar as ideias. Há muitos teólogos e líderes que se tornaram verdadeiros especialistas nos fundadores das suas instituições, dando-se a impressão de que sabem mais da biografia dos criadores de sua denominação do que do próprio Cristo. Chego a pensar muitas vezes que nesses espaços o fundador da instituição é o motivo da fé. Isso tem se refletido na formação de muitos pastores, pois a maioria das instituições de ensino teológico são regidas por ideologias, onde não se aprende uma teologia plural, mas sim uma determinada teologia, ignorando as demais. Isso é refletido na falta de uma verdadeira teologia fundamentada na cultura brasileira. As teologias que temos não são frutos de um pensamento teológico brasileiro. Tudo o que temos e vemos vem de fora. Parece que só há sentido em um pensamento teológico se ele for importado. Muitos teólogos brasileiros que ousam quebrar esse círculo não conseguem encontrar apoio e estão isolados com seus pensamentos. Só há continuidade em um pensamento teológico se ele for amparado pelas antigas cátedras acadêmicas. Fora disso, parece não haver teologia. O resultado disso é que somos obrigados a suportar um cidadão como Agenor Duque se autointitulando teólogo. E somos cotidianamente bombardeados por inúmeras heresias travestidas de teologias. Já é sabido que no Brasil a grande maioria dos pastores não tem uma formação teológica consistente, e isso é fruto de vários dos pontos citados acima. Lamentavelmente, em muitas instituições de ensino não se ensina teologia, ensina-se a manutenção, o crescimento e a subsistência da instituição. Por conta disso, muitas são as instituições religiosas no Brasil onde os pastores e líderes têm seus vencimentos calculados de acordo com as metas e objetivos alcançados.
  3. Para muitos evangélicos, a instituição está acima do próprio Evangelho. Pastores estão sendo transformados em funcionários das instituições. São cobrados e os resultados determinam os passos do seu ministério. Os pastores não são avaliados pela consagração, pelo conhecimento, mas sim pelos resultados. Com isso temos igrejas fracas, e muitas que nem sequer podem ser consideradas igrejas. Isso reflete o porquê de tantos pastores que desistem do ministério em tão pouco tempo. Os que permanecem aos poucos vão esfriando na fé, vão abandonando as práticas cristãs e aos poucos se tornam verdadeiros atores, que encenam um personagem: o pastor. O reflexo disso são pastores doentes, igrejas doentes, fiéis doentes. E essas doenças são graves. Os noticiários estão refletindo isso.
  4. Igrejas que não evangelizam. Hoje é comum se acreditar mais em metodologias de marketing e comunicação do que numa evangelização que espelhe os Evangelhos. Evangelização, hoje, para muitas instituições é o marketing pessoal do seu líder. São suas ideias sendo expostas. A exemplo da Universal, onde os versículos bíblicos são fracionados, isolados e em muitos casos nem sequer citados. O pastor ou apresentador usa pseudônimos para se referir a Deus, a Jesus. Tudo se torna um grande espetáculo. O objetivo ali não é levar a pessoa que assiste ou ouve à consciência de que é um pecador e de que Cristo foi enviado por Deus para lhe salvar, e que essa salvação é mediante a Graça (e de graça). Para isso, é preciso que todos os seres humanos se arrependam, convertam seus caminhos e cheguem à reconciliação com o Criador. Temos visto uma grande confusão, onde alguns acreditam que pelo simples fato de se emocionar, chorar ouvindo uma música com fundo emocional é reflexo de uma conversão. Em alguns locais, chamam de discipulado reuniões de adestramento e doutrinação (para não chamar de lavagem cerebral). Sem falar que transformaram o termo missão em reuniões para arrecadação de fundos, transformando a missão da igreja em algo sem fundamento. Muitas das igrejas que fazem algum tipo de evangelização não conseguem fazer sem a ideia centrada de propagar o Reino de Deus, mas sim com o objetivo de abrir mais uma filial da sua instituição. Sem contar que as chamadas missões estão se transformando em verdadeiras empresas de turismo religioso. Temos irmãos e irmãs que em nome da evangelização ou de missões têm visitado diversos países sem apresentar um trabalho consistente em prol do Reino. E mesmo com todas essas viagens, muitos são os que não apresentam transformação de vida e frutos de uma conversão. Muitos projetos de evangelização só têm sentido se trouxer alguma vantagem ou algum lucro à instituição. Essa é a razão pela qual a evangelização de marginalizados é praticamente ignorada por muitas denominações. Temos visto igrejas cercadas por comunidades carentes, e essas instituições nem sequer um programa social possuem. A falta de evangelização tem gerado um crescimento desordenado, fazendo da igreja pequenas porções e não um todo. Os fiéis são vistos como parte do capital das instituições, e não como vidas a serem reparadas, transformadas.

Muitos são os pastores que enxergam e sabem de todos esses pontos aqui citados, porém não conseguem se desmamar do sistema. Muitos se acovardam e vivem e fazem o jogo. Com isso, muitos frequentam a igreja, porém poucos passam por uma verdadeira transformação. E muitos são os que têm uma conversão incompleta, pois foram convencidos de que para seguir a Cristo basta levantar a mão e ir à frente. Recebem uma oração, aprendem a dizimar e ofertar e buscar a vitória. Muitos são os que nada sabem da Graça transformadora do Espírito Santo Consolador.

Estas são algumas razões pelas quais muitos não conseguem completar sua caminhada de fé. Lamentavelmente, o número de fiéis que sai das instituições é maior do que os que entram. As instituições não estão se atentando para o número crescente de “deixados para trás”, os chamados desigrejados, os machucados, os feridos.

Sem contar que muitas são as denominações que não se importam com o fato de, apesar de termos um grande percentual de evangélicos no país, isso não resulte em uma transformação de caráter do brasileiro. Ainda somos reconhecidos como o povo do “jeitinho”, da sensualidade.

Na minha opinião, o grande problema da igreja brasileira é o fato de que muitos crentes não são levados ao arrependimento, à redenção e à santificação através da consciência bíblica. É triste dizer, mas muitos são os que, apesar de frequentar, dizimar, ofertar, ainda assim não se converteram.

precisamosdeumaigreja

O caminho é longo e árduo. Nós precisamos voltar ao Evangelho de Cristo. A igreja precisa deixar de dar lucro e começar a ter, se possível, prejuízos, porém ela precisa ser um instrumento unicamente de Deus para o mundo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

Publicado em Igreja e igreja, nova reforma, novos evangelicos | 2 Comentários

O que o Natal realmente significa?

o-natal-nascimento-jesus

Stephen Nichols

Uma das mais extraordinárias histórias de Natal vem de um dos momentos mais sombrios da história moderna. A Primeira Guerra Mundial devastou um continente, deixando destruição e destroços em seu rastro. As perdas humanas, mesmo de milhões, nos deixam desconcertados. Mas a partir do meio desse conflito tenebroso ocorre a história da Trégua de Natal de 1914. A Frente Ocidental, há apenas alguns meses na guerra, era um cenário deplorável de devastação. Talvez para dar aos combatentes um dia para que respirassem novamente, foi convocada uma trégua desde a véspera de Natal até o dia de Natal.

Enquanto a escuridão caía sobre a frente como um cobertor, o som de explosivos e o barulho do tiroteio desapareceram. Pequenos corais, de vozes francesas ou inglesas de um lado e de vozes alemãs do outro, se elevavam de modo a encher o silêncio da noite.

Pela manhã, soldados, a princípio de maneira hesitante, começaram a sair do emaranhado das trincheiras para o solo terrível e seco da Terra de Ninguém. Havia mais cânticos. Presentes de alimentos e cigarros foram trocados. As fotos de família foram mostradas. Bolas de futebol surgiram. Ao longo de toda a Frente Ocidental, os soldados, que apenas horas antes estavam travando o combate mortal, agora se enfrentavam em jogos de futebol.

Por um dia breve, mas inteiramente extraordinário, houve paz na terra. Alguns chamaram a Trégua de Natal de 1914 de “o Milagre na Frente Ocidental”.

Ansioso para imprimir algumas boas notícias, The Times of London informou sobre os eventos da Trégua de Natal. Os soldados registraram o dia em cartas para a família e em diários. Algumas dessas anotações chegaram aos jornais, enquanto outras permaneceram desconhecidas até serem descobertas posteriormente. Aqui está uma dessas anotações do diário de um soldado alemão da infantaria:

Os ingleses trouxeram uma bola de futebol das trincheiras, e logo ocorreu um jogo animado. Quão surpreendentemente maravilhoso, e, contudo, quão estranho foi. Os oficiais ingleses sentiram o mesmo. Assim, o Natal, a celebração do Amor, conseguiu unir inimigos mortais como amigos por um momento.

“Amigos por um momento”, “a celebração do amor”, “paz na terra” — este é o significado do Natal. Mas essas celebrações, essas tréguas, não duram. Depois do dia de Natal, as bolas de futebol e os soldados voltaram para as trincheiras. As canções natalinas acabaram e a guerra continuou. E mesmo que a 1ª Guerra Mundial terminasse, algumas décadas mais tarde, o campo e as cidades da Europa se tornaram novamente um campo de batalha, assim como a África e o Pacífico, durante a 2ª Guerra Mundial.

Eventos como a Trégua de Natal são dignos de serem celebrados. Mas eles carecem de algo. Falta-lhes a permanência. Essa paz não permanente é o que muitas vezes encontramos em nossa busca pelo significado real do Natal. Se buscamos a boa vontade, o amor e a paz duradouros e definitivos, devemos olhar para além de nossos encontros para entrega de presentes, reuniões e festas no trabalho. Não devemos olhar para outro lugar senão para uma manjedoura.

Devemos olhar para um bebê nascido não com festejo, pompa ou riquezas, mas com pais pobres em momentos de desespero. José e Maria, e o bebê Jesus nesse sentido, foram figuras históricas reais. Mas, de certa forma, José e Maria se estendem além de si mesmos, além de seu lugar e tempo particulares. Eles representam todos nós. Todos nós somos pobres e vivemos momentos de desespero. Alguns de nós são melhores do que outros em camuflar isso. No entanto, todos nós somos pobres e desesperados, então todos nós precisamos da promessa vinculada a esse bebê.

Precisamos de uma saída para nossa pobreza de alma e para o estado desesperado da nossa condição humana. Encontramos a saída nessa criança deitada numa manjedoura, que era e é Jesus Cristo, o Messias, a Semente, o Redentor e o Rei, há muito prometido.

O nascimento de Jesus há séculos atrás pode ter sido um nascimento um pouco fora do comum. Mesmo em épocas antigas, estalagens não eram comumente usadas como salas de parto e manjedouras geralmente não eram usadas como berços para bebês recém-nascidos. E esse bebê recém-nascido era muito fora do comum. Naturalmente, em alguns aspectos, ele era perfeitamente comum. Ele era um ser humano, um bebê. Ele teve fome. Ele teve sede. Ele sentiu cansaço. Quando nasceu, foi envolto em faixas — o equivalente antigo de fraldas.

Um bebê. Desamparado, com fome, frio e cansaço.

Ainda assim, essa criança era o Filho de Deus encarnado. Ele era Emanuel, que traduzido significa “Deus conosco”. De acordo com o relato do apóstolo Paulo, esse bebê criou todas as coisas. Esse bebê criou a sua própria manjedoura. E esse bebê, esse Rei, opera paz na terra, paz definitiva e permanente.

Tradução: Camila Rebeca Teixeira

Revisão: William Teixeira

Original: The Real Meaning of Christmas.

Fonte: Ministério Fiel

Publicado em Igreja e igreja, Igreja e Sociedade | Marcado com | Deixe um comentário