Dia 31 de Maio estaremos na Marcha POLÍTICA para Jesus em São Paulo

aad3Não, você não leu errado: Marcha POLÍTICA para Jesus em São Paulo, evento patenteado e organizado pelos líderes da Igreja Evangélica Renascer em Cristo, do Apóstolo (?) Estevam Hernandes e sua esposa Bispa (?) Sônia Hernandes. E provaremos, neste artigo, que de Jesus essa marcha só tem o nome (pois os objetivos são POLÍTICOS).

Voltemos um ano no tempo. Feriado católico de Corpus Christi, tendo como evento de maior proeminência a Marcha para Jesus. Em todas as edições, essa Marcha tem participações especiais de grandes autoridades, como o Governador do Estado, o Prefeito e Vereadores e Deputados aliados aos líderes “apostólicos”. Porém, na edição de 2017, por conta do forte rebuliço em torno de denúncias de corrupção por autoridades, Geraldo Alckmin e João Dória não compareceram (sendo o governador citado na delação da Odebrecht com a alcunha de “santo”, fato que está, ou estava, sendo investigado).

14jul2012---marcha-para-jesus-realizada-em-sao-paulo-1342291590213_956x500O Apóstolo (?) Estevam Hernandes ficou chateadinho com a ausência das maiores autoridades do Estado em SUA marcha. Conforme noticiado no jornal Folha de São Paulo, o Apóstolo (?) Hernandes disse que o Governador Alckmin não julgava a Marcha importante, pois se a julgasse estaria lá. Disse também que não entendia porque o Governador não tinha ido. Que dó. Mas sobre o Prefeito João Dória, disse entender que ele tinha viajado para o exterior.

[um adendo: recomendo muitíssimo que você leia a íntegra da reportagem da Folha clicando aqui – abrirá em outra janela]

Esforçando-me para ter toda a empatia possível, entendo a decepção do Apóstolo (?). É muito triste fazer um grande evento e a pessoa mais importante não estar lá. E nem estou falando de Jesus, pois esse só dá nome ao evento, é apenas marketing. Estou falando mesmo é da ausência do Governador do Estado de São Paulo, já que a Marcha tem conotação POLÍTICA.

marchaMat1-eEnfim, o Apóstolo (?) ficou “de mal” com o Governador. Mas um precisa do outro. O Apóstolo (?) precisa do Governador para viabilizar seus sonhos de grandeza e poder para si e sua denominação religiosa, e o Governador precisa de cada voto dos milhares de seguidores e fiéis do Apóstolo (?). Uma mão lava a outra e juntas enxugam o rosto.

Assim, esse “mal-estar” político-religioso precisava se resolver logo. Apenas “pedir desculpas” não ajudaria muito, pois o Apóstolo (?) sentiu a ausência do Governador em SUA marcha como uma grande desfeita. Imaginem como o Apóstolo (?) ficou em relação a outros líderes estelionatários gospel! O que devem ter rido dele pelas costas…

Para desfazer o “mal-estar”, o Governador teve que presentear o Apóstolo (?). E, conhecendo-o, escolheu um presente que serviu direitinho – para o seu grande ego gospel. No dia 16 de outubro de 2017, cerca de 4 meses após sua ausência na Marcha, promulgou a Lei 16.547, que institui o dia 12 de Março como o Dia da Igreja Renascer em Cristo (lembrando que esse projeto de lei estava parado desde 2016).

[outro adendo: tão bom saber que o Estado de São Paulo está em ótima situação, a ponto do Governador perder tempo promulgando essa tão importante data comemorativa!]

600-doria-renascerComo neste ano teremos eleições (e Alckmin concorre a Presidente ou mesmo ao Senado), alguém duvida que, desta vez, ele aparecerá na Marcha? E não só ele, mas também o candidato ao Governo do Estado João Dória, e todos os demais que queiram uma parte dos votos dos marchadores (candidatos a deputados, senadores, presidente – talvez o candidato da IURD Flávio Rocha –  e o que mais for)?

O Apóstolo (?) Estevam Hernandes deu seu recado na última Marcha: fica magoadinho com político que não o apoia abertamente, desfilando seu ar da graça nos trios-elétricos ou no palco do show da Marcha para Jesus. Atitude que revela toda a santidade, espiritualidade e dependência de Deus que percorre os bastidores desse evento dito – apenas dito – cristão.

Nem vou falar da questão do comércio que ronda o evento, que é gratuito mas arrecada com a venda de camisetas oficiais e tem patrocínio governamental em forma de verbas do orçamento de São Paulo. Também não vou novamente citar o comércio dos shows, na forma de cachês para as atrações, para os artistas gospel. Isso tudo já foi dito em outros artigos neste blog. No final deste artigo, deixaremos alguns links caso você tenha estômago, pois é muito triste ver no que se tornou muitas igrejas nos dias de hoje.

Mas fica a dica: se Jesus não for à Marcha não tem problema, afinal para muitos Ele é apenas uma ideia que dá muito dinheiro. O importante é que os políticos estejam lá.

043Em nossa infinita insignificância, estaremos na Marcha POLÍTICA para Jesus no dia 31 de maio, em São Paulo. Estaremos carregando faixas com dizeres bíblicos, buscando em Deus que o Espírito Santo leve alguns que as lerem a refletir sobre o que é o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo. Em Marchas anteriores já fomos chamados de fariseus pela multidão, já jogaram objetos em nós, já roubaram nossas faixas para que o público não as lesse, já tentaram encobrir as faixas formando uma parede de brutamontes na nossa frente e na última passaram os carros alegóricos com líderes gospel e políticos no outro lado da rua, para que seus ocupantes não se escandalizassem ao ler os versículos bíblicos que portávamos. Ainda assim, estaremos lá novamente, pois o que nos move é o amor a Deus e à Sua Palavra e o amor aos sinceros que lá estão e são enganados em nome do “Gizuiz” que muitos lobos pregam.

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Nos tempos bíblicos, Deus levantou “coisas loucas” para se opor aos sacerdotes que distorciam Sua Palavra. Cadê as “coisas loucas” do nosso tempo, deste tempo em que a apostasia está se espalhando em muitas igrejas em grande velocidade?

Haverá “coisas loucas” para confundir as que pensam que são alguma coisa no dia 31/05, às 10 horas em frente ao posto de gasolina na saída da estação Armênia do Metrô. Quantas, só Deus sabe, lembrando que nosso Deus, em Sua Superioridade, não trabalha com grandes números, mas com o necessário para que se saiba que não é por nossa força e poder, mas pela força e poder que vem do Alto.

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A Igreja de Cristo não precisa de carros, de cavalos, de governadores, presidentes, prefeitos, deputados, senadores e vereadores. A Igreja de Cristo precisa apenas de Cristo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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O artigo mais óbvio deste blog: uma igreja que é Igreja

coracaoUma igreja que é Igreja. Essa aparente redundância esconde, na verdade, uma triste constatação: as igrejas, em sua maioria, não possuem os atributos que a Igreja de Cristo deve possuir. Então, quando se encontra uma fora desta triste curva, vale vencer a obviedade do tema e lhe dedicar um artigo.

O vídeo a seguir é uma reportagem da TV local sobre a ação social promovida, dias atrás, pela Igreja Batista Restauração no bairro pobre de Airton Senna, na capital do Acre. Na verdade, há meses a comunidade cristã adotou os moradores desse bairro, levando o Evangelho teórico e o prático também. Não é uma ajuda de um dia, uma esmola de tempo para acalmar a consciência. É um trabalho de dia após dia. É um discipulado.

Gostaria que fosse desnecessário fazer este artigo, mas infelizmente muitas instituições se fazem de igreja, quando na realidade são clubes de interesses, onde nos associamos buscando algo de valor em troca, e onde somos aceitos caso tenhamos também algo a oferecer. As verdadeiras igrejas são as que amam incondicionalmente, espelhando e apresentando ao mundo o Cabeça, que é Cristo.

E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;
E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;
E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.
Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver.
Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;
Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;
Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.
Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?
Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.
E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. – Mateus 25:31-46

Sabemos que nenhuma igreja é perfeita, e nem se espera que seja. Espera-se, apenas, que seja Igreja.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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O culto ao Eu: o que foi a Expo Cristã 2018

IMG_20180927_073139377Domingo, dia 30/09, um pequeno grupo com camisetas com frases bíblicas passeou pelos corredores da Expo Cristã (ou Expo Mamom para os mais íntimos). A total ausência de filas na bilheteria já preconizava o que estava por vir.

Embora contasse neste ano com espaços onde se simulavam passagens bíblicas através de telões, além do Bem Festival, com shows de artistas gospel conhecidos, aparentemente havia menos participantes do que nas outras edições, tanto em matéria de estandes como de público. Essa visível queda de público se explica pois muitos estão tendo seus olhos abertos e, cientes, não pensam valer a pena gastar R$ 25,00 apenas para entrar num espaço que se diz cristão, mas onde prevalece o culto a Mamom.

Mas Mamom, em 2018, teve que dividir seu senhorio gospel com outro deus: o Eu. Se, na última edição, o destaque foi a quantidade de estandes vendendo máquinas para arrecadar dízimos e ofertas, nesta edição o destaque ficou totalmente para o ego inflamado dos expositores. Fotos em tamanho gigante dos pastores, bispos, apóstolos (?) e suas esposas. Fotos dos cantores. Fotos dos pregadores. Até um estande gigante chamado de Autógrafos Gospel – Best Sellers havia no local, dividido em vários puxadinhos, cada qual com a foto gigante do Eu que deveria ser adorado, digo, idolatrado, digo, homenageado no lugar.

IMG_20180930_134419753Institucionalizou-se o Culto ao Eu na Expo Cristã (que de cristã nem o nome deveria ter, pois com raríssimas exceções – como os minúsculos estandes de entidades sociais – nada trazia de Jesus, o Cristo).

E claro, o púlpito mor do Culto ao Eu estava no tal Bem Festival.

IMG_20180930_111536352E aí lembro-me da minha primeira impressão quando cheguei ao local, por volta de 11 horas da manhã. Fui ler a programação do Bem Festival, grudada num poste na entrada. Um grupinho chegou e começou a ler também, aos gritos de “ahhhhhh!!!! Hoje tem Ton Carfi!!!!” E por um bom tempo presenciei pessoas chegando, lendo e dando seus gritinhos de êxtase. Afinal, o Evangelho virou um show. E já que é show, “bora” se divertir. E satisfazer o deus Eu.

Como não podia deixar de ser, a política estava também representada na Expo Cristã. Menos no dia 30 (através de cabos eleitorais distribuindo santinhos ou balançando bandeiras na entrada) e muito mais no dia 27, quando houve o Café “político” dos Pastores. Nesse dia também estivemos, só que com uma proposta diferente: estendemos uma faixa em frente ao evento, já que só pastores cadastrados podiam entrar.

E uma das nossas primeiras impressões foi a acepção de pessoas. Uma fila gigantesca e que não andava, para o credenciamento dos pastores “pobres”. E uma Sala Vip para os pastores “ricos” e políticos convidados.

Sobre a tal Sala Vip, fica o depoimento de um dos funcionários que ajudou a montá-la: “Já fiz Sala Vip para a Fórmula 1, para o Presidente Lula, para a Presidente Dilma, para muitos eventos importantes, mas essa Sala Vip foi a mais cara e mais ostentatória de todas”. Nossa fonte deu o depoimento indignado, pois se dizia filho de evangélicos e não entendia como pastores podiam agir assim. E um adendo: nem os seguranças da Sala Vip podiam subir para o andar vip, isso ouvimos de um dos seguranças. Então fique em sua imaginação como deve ter sido o Templo do Eu, onde o Eu de Agenor Duque, Silas Malafaia, Flamarion Rolando, Jabes de Alencar, Renê Terra Nova, Estevam Hernandes, Marco Feliciano e muitos outros líderes religiosos se esbaldaram. E onde receberam o Eu de políticos como Geraldo Alckmin, João Dória, Major Olímpio, Bruno Covas e outros tantos mais.

Sobre a presença de políticos no Café de Pastores, eles estavam no seu papel. Afinal, político tem que ir onde for chamado para angariar votos. O problema não foram os políticos, foram os (im)pastores que convidaram os políticos!

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Houve um tempo em que Café de Pastores era uma reunião para comunhão, para troca de experiências, para auxílio mútuo, para jejum e oração. Hoje, Café de Pastores é espaço para negociação de apoios políticos a quem mais beneficiar as igrejas envolvidas. Não sei o seu deus, mas o Meu Deus vomitaria tudo isso.

Falando em negociação, naquele mesmo panfleto com o horário do Culto ao Eu no Bem Festival estava anunciado também o Business Class, que deixo que a imaginação de cada um defina o que deveria ser (e o que de cristão tem isso, é claro).

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Termino esse triste relato com algo que aconteceu na quinta-feira. Encontramo-nos com uma senhora que, ao ler a camiseta, se pôs em atitude de desabafo. Seu esposo só pensava em dinheiro. Era o dia inteiro na internet vendo a Bolsa de Valores, investimentos, isso e aquilo. Mal tinha tempo para a família. Dissemos que orássemos por ele, pois Deus pode transformá-lo. E nos despedimos.

Um tempo depois, nos encontramos com um senhor, que também leu a camiseta. Ficou eufórico, pois era isso mesmo, o Evangelho estava sendo mal interpretado em muitas igrejas e devemos nos voltar para Deus e nos afastar deste mundo.

E então chegou a senhora. Era a esposa daquele senhor. Oferecemos um folheto para a senhora, mas o senhor nos interrompeu, pois não precisava. E se foram.

Essa situação nada mais é do que a verdade de muitos de nós. Somos como a semente da parábola, semeada entre espinhos:

“E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na.” – Mateus 13:7

“E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera;
Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta.” – Mateus 13:22,23

Eventos como a Expo Cristã nos mostram o quanto a Palavra tem sido sufocada pelos espinhos dos cuidados deste mundo e da sedução as riquezas. Fazer uma Sala Vip mais cara e vistosa do que a de um evento mundial como é a Fórmula 1, apenas para demonstrar poder, chega a ser abominação. A Fórmula 1 é um entretenimento mundano, não podendo em nada se comparar a um evento que ostenta o nome de Cristo. Quantos poderiam ter suas necessidades supridas, seu sofrimento aplacado, mas não foram pois alguns queriam satisfazer seu Eu por algumas horas?

E paramos por aqui, pois se formos investigar de onde veio o dinheiro para tantas ostentações… Só de dízimos e ofertas e aluguel de estandes é difícil, viu…

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De Deus não se zomba. Por muito menos, Jesus expulsou os mercadores do Templo.

Nem Mamom, nem o Eu. Cultuemos ao único Deus Supremo, o Criador de todas as coisas.

Arrependamo-nos enquanto é tempo.

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Assembleia de Deus Ministério Madureira indica voto para a filha do presidiário Eduardo Cunha: filha de peixe?

danicunhaO Brasil é um país intrigante. Uma de suas peculiaridades é que absorvemos uma única grande notícia por vez, notícia essa que dura alguns dias até que outra grande notícia se sobreponha, fazendo-nos esquecer das anteriores. E enquanto isso, outras notícias também muito importantes passam despercebidas, como por exemplo a aprovação de leis que desfavorecem a população. Quando essas outras notícias são finalmente percebidas pela população, aí já é tarde demais.

A grande notícia do momento é o trágico atentado ao presidenciável Bolsonaro. Uma pessoa talvez desequilibrada (pois em equilíbrio normal ninguém seria capaz de fazer isso), ex-filiado ao PSOL e dizendo-se missionário de uma igreja evangélica, diz ter recebido de “deus” a ordem para atacar Bolsonaro. E a população dividiu-se, uns dizendo que é culpa dos partidos de esquerda, outros que é culpa dos evangélicos, outros criticando o apoio à tortura e mortes por parte do tal candidato (pois violência geraria violência), outros defendendo-o como “mito” que o consideram ser (pois seu empenho contra os bandidos geraria a violência recebida). Nas redes sociais, a “treta” está formada, amizades são desfeitas, fake news sobre o assunto correm à vontade, insultos a quem pensa diferente também. Um verdadeiro inferno.

Lamentamos o ocorrido, assim como lamentamos o recente assassinato de outra figura política, a vereadora Marielle. Vivemos tempos de ódio, em especial ódio pela classe política, envolvida em tantos escândalos de corrupção. Se antes se brincava que alguém deveria jogar uma bomba em Brasília, esses atentados recentes mostram que os políticos precisam, mais do que nunca, se precaver, pois infelizmente tudo é possível.

amala4Mas enfim, a grande notícia da vez encobriu uma série de outras notícias consideradas não tão grandes assim, mas também muito importantes. Uma delas, o apoio do Bispo Manoel Ferreira (Assembleia de Deus Ministério Madureira) à candidatura de Danielle Dytz Cunha, ou apenas Danielle Cunha, a deputada federal pelo Estado do Rio de Janeiro.

Para começar: Danielle Cunha é filha do presidiário Eduardo Cunha, aquele ex-deputado federal que chegou à Presidência da Câmara ovacionado pelas lideranças evangélicas. Aquele que tinha um olhar empreendedor, tanto que registrou anos atrás tudo quanto era domínio na internet relacionado ao nome de Jesus. Aquele que posava de santo na Assembleia de Deus Ministério Madureira, onde era dizimista e possivelmente excelente ofertante. Aquele que tentou chantagear a então Presidente Dilma para que não fosse denunciado, mas como não conseguiu, caiu e levou a então Presidente junto. Aquele que foi talvez o maior denunciado nas delações da Lava-Jato, que pelas denúncias comprava o voto de grande parte dos deputados e que vendia a aprovação de emendas em troca de bom pagamento. Aquele que tinha contas no exterior em seu nome, no de sua esposa Cláudia Cruz e – pasme!!! – no de sua filha Danielle Dytz, a mesma que hoje está se candidatando a Deputada Federal com a indicação de voto, para seus fiéis, do “dono” da Assembleia de Deus Ministério Madureira!!!

Alguns artigos para relembrar o caso:

Algumas palavras sobre Eduardo Cunha
A política e a corrupção dos que se dizem evangélicos: o diabo tem muitos filhos por aí
Os evangélicos e a corrupção: delações de Funaro, novo Refis e o direito de comer o melhor desta terra
Mulher e filha de Cunha dizem que peemedebista abastecia conta na Suíça  (essa reportagem será a fonte de algumas informações mais adiante)

O vídeo do Bispo Manoel Ferreira indicando para seus fiéis em quem devem votar (lembrando que o próprio Bispo também é político, sendo o primeiro suplente ao Senado na chapa de Cristóvam Buarque no Distrito Federal):

Analisemos em primeiro lugar a candidata.

Danielle Dytz Cunha, ou Danielle Cunha, teve seu nome citado na Lava-Jato junto com o de sua mãe por possuírem contas não declaradas no exterior. Na época, sua defesa convenceu o Judiciário de que ambas eram inocentes, possivelmente duas dondocas alienadas que viviam no absoluto luxo e abundância acreditando que tudo se devia ao salário parlamentar de Eduardo Cunha. E tão bobinhas, coitadas, que assinavam documentos de abertura de contas e outros sem ler, sem saber do que se tratavam, afinal obedeciam ao exímio esposo e pai. O Judiciário, convencido da ingenuidade das duas senhoras (sim, Danielle até casada já era), as absolveu e prendeu apenas ao Eduardo Cunha. Coincidentemente ele, que ameaçava contar todos os podres possíveis dos quais sabia (até estava sondando editoras onde publicaria seu livro de memórias), há anos curte silenciosa e discretamente sua temporada na prisão.

CULTO EM AÇÃO DE GRAÇA ANIVERS. PR. SAMUEL 19-05-1067

Ainda sobre a candidata da Assembleia de Deus Ministério Madureira (segundo o Estadão):

“Em seu depoimento, Danielle disse que ainda era financeiramente dependente do pai, apesar de ter uma empresa em seu nome e ter um rendimento mensal que variava entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.

Ela também afirmou que o pai ‘sempre gerenciou a sua vida financeira, mesmo quando foi casada, não vendo nenhum problema nesse fato’.

Assim como Cláudia, ela disse nunca ter questionado Cunha sobre a origem do dinheiro e que ‘presumia que o dinheiro que mantinha o alto padrão de vida da família era proveniente do patrimônio da atividade anteriormente desenvolvida’ pelo peemedebista.”

Senhora bastante inocente essa Danielle Cunha, não é mesmo?

E é essa mesma senhora inocente e visivelmente alienada das coisas do mundo que o Bispo Manoel Ferreira “indica” a seus fiéis como pessoa que fará um grande mandato!

Ora, segundo palavras da própria Danielle ao Judiciário, ela mesma nunca sequer administrou sua vida! Quem fazia tudo era seu pai (fazia ou ainda faz?)…

Que capacidade tem uma pessoa que nem sabe tomar conta de sua conta bancária de ocupar uma vaga na Câmara dos Deputados?

Quem verdadeiramente ocupará essa vaga? Danielle ou, virtualmente, o seu pai presidiário Eduardo Cunha?

Essas são perguntas das que o Bispo Político Manoel Ferreira sabe muito bem a resposta, e justamente por conta disso está “indicando” o voto ao seu gado, digo, rebanho.

Agora, analisando a posição da igreja nesse caso.

Sendo filha de peixe ou não, Danielle Cunha tem todo o direito de se candidatar ao que quiser, e as pessoas têm todo o direito de votar nela ou não. Isso é fato.

Porém, quando o líder de uma denominação religiosa deliberadamente indica a seus fiéis um(a) candidato(a), espera-se, no mínimo, que tal figura espelhe os valores ensinados na instituição. Por se autodenominar uma igreja evangélica, supõe-se que a Assembleia de Deus Ministério Madureira ensine a seus fiéis os preceitos cristãos de ética, honestidade, amor, equidade, mansidão, justiça, prudência, sabedoria. Assim, o melhor seria, por motivos éticos, nem se indicar alguém. Mas vá lá, já que vai indicar, que seja alguém realmente comprometido com os valores cristãos.

Danielle Dytz Cunha está alinhada aos princípios básicos cristãos?

Lembremo-nos de que a Assembleia de Deus Ministério Madureira também foi citada na Lava-Jato. Copiando parágrafo do terceiro artigo indicado acima:

“E lembrando, essa igreja [Assembleia de Deus do Bom Retiro], que antes era do Jabes de Alencar, agora é do Samuel Ferreira, também dono da ADBras, que é a mesma que tem (ou tinha) Eduardo Cunha como fiel dizimista e ofertante. E a ADBras é a mesma que, tempos atrás, foi acusada de lavar parte do dinheiro de Eduardo Cunha, no caso uns 250 mil reais (fonte: UOL Notícias). E vale lembrar que seu papa, o agora Bispo Samuel Ferreira [filho do Bispo Manoel Ferreira], foi acusado na delação da JBS de receber 1 milhão de dólares de propina em 10 parcelas de 100 mil dólares, numa conta nos Estados Unidos (por que será? – Fonte: G1 Notícias).”

Resumindo: o buraco é mais embaixo e o poço de sordidez não tem fundo nesse caso.

Muitos estão preocupados com a eleição para Presidente, alguns se matando pelas redes sociais, outros até na vida real. Mas a votação mais importante será para o Senado e para a Câmara dos Deputados, pois nessas casas as leis que definem e limitam nossas vidas são votadas. Bons deputados e senadores farão leis justas, que serão executadas pelo Presidente e serão a base para as decisões do Judiciário. Deputados e senadores corruptos farão leis que beneficiarão apenas eles mesmos e as empresas que estiverem dispostas a lhes pagar para obter vantagens, prejudicando ainda mais nossa população tão sofrida. E, entre as empresas, inclui-se as do ramo religioso.

Ou por que você acha que alguns líderes religiosos se empenham tanto em apoiar esse ou aquele candidato? Porque “deus” lhes mandou?

Vivemos tempos sombrios, onde o mundo busca nos enganar a todo momento. O mundo busca cegar nossos olhos para a verdade, focando-os naquilo que quer que vejamos. Está nos focando na disputa presidencial, para que os corruptos de sempre voltem para a Câmara e o Senado (ou eles, ou seus “filhos” políticos).

Os tempos são maus.  O ódio impera. Mas a Igreja prevalece, mesmo minúscula, sendo uma pitada de sal e um raio de luz nesse caldeirão infernal.

A boa notícia: Jesus está às portas! Que Ele nos encontre dando sabor à vida e iluminando o ambiente.

Não aceite ser gado. Você é rebanho do Senhor!

Oremos pelo Brasil.

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Expocristã 2018 e a convocação para um mesmo propósito

Um vídeo lindo, tipo comercial de fim de ano de instituição bancária. Mas, ao final, não vemos o nome deste ou daquele banco, mas a marca Expocristã (o que, se pensarmos bem, traz algumas semelhanças).

Pelo vídeo, somos informados de que estamos em guerra – guerra espiritual – porém o Inimigo se utiliza de armas materiais (miséria, fome) para vencer. E somos convocados a lutar sob o comando do General Supremo Jesus Cristo, utilizando como armas o amor ao próximo, compaixão e união. E a convocação denota que, juntos no propósito da Expocristã, poderemos vencer essa guerra.

Mas… o que a feira de negócios evangélicos Expocristã tem a ver com a linda mensagem do vídeo?

2018-08-26

Desde 2009 temos acompanhado essa e outras feiras do mesmo público-alvo. Basicamente, o propósito tem sido o de um empreendedor alugar um espaço, subdividi-lo e alugá-lo para igrejas, líderes gospel e empresas relacionadas (editoras, lojas de amuletos gospel, gravadoras etc). Normalmente, tem-se um espaço para apresentações musicais, teatro e pregações ou palestras, algumas gratuitas (para servir como chamativo para a multidão de fiéis), outras pagas, com ingressos vendidos antecipadamente. Em algumas edições, vemos mini estandes apresentando obras sociais, mas esse corredor costuma ser o mais vazio (exceto pelas moscas, mais crentes que muito crente). Já a praça de alimentação e os estandes das rádios e de lideranças gospel, esses costumam ficar cheios o dia inteiro.

Na abertura da Expocristã, inicialmente se faz um Café de Pastores (numa quinta-feira pela manhã, afinal lideranças gospel não costumam bater ponto como os membros comuns). O que deveria ser um encontro de pastores, orando pela nação, pelas igrejas e até pelo evento, na verdade é a desculpa para a apresentação dos candidatos “pagãos” a algum cargo político ou com plenos interesses no apoio dos evangélicos. No ano passado, por exemplo, tivemos a “quase” presença ilustre do próprio Presidente da República Michel Temer, que na última hora (por causa da imprensa e do que ela poderia falar?) “desistiu” de participar do evento. Mas sem problemas, o então Prefeito João Doria e o então Governador Geraldo Alckmin compareceram ao Café. E deputados e vereadores interessados no “propósito” também.

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Sim, como diz o slogan 2018 da Expocristã: “juntos por um propósito”.

A pergunta que fica é: esse “propósito” tem alguma coisa a ver com o Santo, Santo, Santo? Ou tem a ver com interesses de lucro e de busca pelo poder terreno e sucesso aparente?

Muitos precisam aprender a discernir entre o Santo e o Profano. Tentar transformar coisas profanas em santas é abominação. Tentar santificar a busca por lucro incessante, a venda de indulgências contemporânea, o fanatismo idólatra por personalidades gospel, a barganha entre igrejas e políticos é abominação. E de Deus não se zomba.

Clicando aqui, você terá acesso ao depoimento da Expocristã 2017. Até “moeda da viúva” estava sendo vendida. Alguns, em secreto, venderam suas almas também.

Em um mês, a Expocristã (que carinhosamente chamamos de Expo Mamom) 2018 dará suas caras. E convoca-nos a participar do “seu propósito”. Devemos aceitar essa convocação?

Que Deus nos dê discernimento. E tremor e temor.

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A Deus toda a honra e toda a glória para sempre.

Em tempo: o Movimento pela Ética Evangélica Brasileira (MEEB) estará lá, não para participar de propósitos escusos e antagônicos ao Evangelho, mas para denunciar as mazelas, clamando para que o Espírito Santo abra os olhos do Seu povo.

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Por que algumas igrejas estão se tornando empresas?

cruz“E disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.” – João 2:16

Alguns anos atrás, no lançamento de uma feira evangélica em São Paulo, ao ser indagado sobre o crescimento dos evangélicos no Brasil Silas Malafaia respondeu de forma rápida e enfática: “É tudo business”.

O que temos observado nos últimos anos nas relações entre igrejas evangélicas e o mundo é de assustar, pois as igrejas vêm se apoderando das mesmas armas utilizadas pelo universo corporativo, tanto para o crescimento quanto para a administração de sua eclesiologia.

Indo direto ao ponto, lamentavelmente muitas igrejas estão se tornando verdadeiras empresas. Isso mesmo.

Não há outro nome para definir a forma como muitas estão agindo.

Para muitos, o grande problema da igreja eram as questões relacionadas à teologia liberal e o neopentecostalismo. Porém, a meu ver, esses já são pontos ultrapassados, pois até mesmo as igrejas históricas já se renderam a esses pontos.

A questão é que muitas, agora, além de abraçarem o liberalismo e as crendices neopentecostais, abraçaram para si o desejo ardente pelo lucro, tornando-se casas de negócios.

No texto base desta reflexão, temos a narrativa na qual Jesus, ao ver no que havia se tornado o templo, faz chicotes e adentra o local expulsando os vendedores e derrubando as mesas, até que diz uma frase: “não faça da casa do meu Pai casa de negócios”.

Para muitos, Jesus está se referindo a Si mesmo como templo que havia de ser restaurado. Porém, há preocupação com a conduta daqueles que frequentavam o templo.

Em Mateus 21, a mesma narrativa é apresentada com mais detalhes nesse sentido, pois além de tombar as mesas, Jesus repreendeu os comerciantes do templo dizendo: “está escrito: a minha casa será chamada casa de oração, vós, ao contrário, estais fazendo dela um covil de salteadores”.

O texto a que Jesus está se referindo é o texto de Isaías 56.7, onde o Senhor nos descreve que a Sua casa será chamada casa de oração para todos os povos. Ou seja: apesar de estarmos na pós-modernidade, a essência de toda a espiritualidade cristã ainda continua na Palavra de Deus. E a igreja ainda é a assembleia dos santos.

O que vemos hoje é que esse referencial foi deixado de lado, pois muitas lideranças abandonaram as Escrituras, rendendo-se às metodologias da administração, da gestão de pessoas, da psicologia e demais ciências. Ou seja, em muitas igrejas há um pouco de tudo, menos uma teologia fundamentada nas Escrituras.

Isso faz com que a igreja também seja um pouco de tudo: casa de show; agência de turismo, principalmente para a Terra Santa; clube social nos finais de semana e feriados; fonte de entretenimento para jovens e crianças; sociedade secreta para empresários; etc.

Lamentavelmente, a solidariedade, a misericórdia, a oração, a promoção da justiça e da paz ficaram em segundo plano. Para muitos, isso se tornou “assistencialismo social”. O que importa hoje, para muitos, é que a igreja cresça, arrecade e apareça.

Sempre ouvi que a igreja não podia ter duas coisas: ter um dono e ter por essência o lucro.

Não ter um dono, porque a igreja tem por cabeça o Senhor Jesus. Em Efésios 5, Paulo se refere à igreja como a Noiva de Cristo e, como tal, deve se apresentar com suas vestes brancas, sem mácula. Triste se compararmos com nossa realidade e vermos que muitos dos escândalos que vêm a tona, relacionados à igrejas e suas lideranças, têm sempre como pano de fundo a ganância e o desejo de desenfreado de se manter no poder.

Exemplos não faltam. Se fosse para citá-los, essa reflexão se tornaria extensa demais. A questão é que temos visto que muitas lideranças parecem não conseguir refrear seu desejo cada dia maior de poder, enriquecimento e vaidades e vaidades.

Esses dias vi uma publicação onde certo pastor ironizava os demais presentes pelo fato do seu avião ser maior e mais caro do que o dos demais. E alguns, cita o pastor, nem avião têm. Ou seja, o bom pastor é que aquele que tem o poder e a capacidade financeira de poder se esbaldar diante dos outros.

E aí entra nosso segundo ponto, o lucro. E aqui está uma questão que muitos ignoram, ou fazem que não vêem.

A igreja nunca foi referência de lucro ou enriquecimento para seus líderes.

É preciso lembrar que ela nasce na narrativa de Atos 2, onde os membros da igreja vendiam tudo o que tinham e depositavam aos pés dos Apóstolos para que todos na comunidade tivessem tudo em comum e não houve necessitados no meio deles.

Isso parece até uma utopia diante do que vemos hoje, pois o que vemos hoje é o contrário. Os pastores e líderes chegam na igreja em helicópteros, limusines, carros importados e blindados, cercados pela comitiva de seguranças, enquanto muitos membros suportam horas nos sucateados transportes públicos.

Em muitas denominações, a desigualdade sócio econômica do líder para com o fiel é assustadora.

livro-economia-e-fe-no-inicio-da-era-crist-justo-gonzalez-D_NQ_NP_379325-MLB25419916715_032017-FGostaria de referir como base para essa questão do lucro envolvendo a igreja o livro de Justo González Economia e Fé no início da era cristã (Ed. Hagnos), no qual o escritor nos descreve bem qual era a relação da Igreja primitiva com o dinheiro, a prosperidade e a riqueza diante dos direitos e obrigações dos ricos para com os pobres e necessitados.

Outra questão a ser referida em razão do lucro são os fundamentos da Reforma Protestante, onde Lutero embasa suas teses principalmente em relação da entregada busca pela Igreja Católica do lucro. Muitos se esqueceram que, em decorrência da ganância dos papas, foram criadas as indulgências, que sacrificaram a vida de muitos unicamente pelo lucro.

Essa relação igreja e lucro também é denunciada por Calvino e muitos outros Pais da Igreja.

É triste, mas o que estamos vendo hoje não tem nada de novo, pois a igreja sempre retorna nessa mesma tentação de ser uma casa de negócios, deixando de lado os valores essenciais do Cristianismo.

Lamentavelmente, até mesmo as igrejas ditas reformadas também se deixaram levar pelo desejo do crescimento desenfreado das riquezas.

Lutero tem vários escritos se referindo à “usura” dos fiéis, porém seu maior embate era contra a ambição da própria igreja.

autoridadeGostaria de citar como referência disso o livro Autoridade Bíblica Pós-Reforma de Kevin Vanhoozer, no qual o autor descreve fatos que resgatam as Solas segundo as essências do cristianismo protestante puro e simples (Ed. Vida Nova).

São muitas obras sobre o assunto. Nessa reflexão, quero tocar na ferida que lamentavelmente tem tirado muitas igrejas e suas lideranças do verdadeiro caminho da santificação e da consagração a Cristo.

Muitos vão dizer: “a igreja sem dinheiro não vive”, “como que a igreja irá sustentar os obreiros e os missionários?”, “como a igreja irá evangelizar?”. São perguntas comuns, e aqui está o grande problema.

Muitas igrejas, por conta desse espírito de dominação e lucro, se esqueceram dessas coisas, pois o que vemos hoje não é mais evangelismo ou missões, são empreendimentos, abertura de filiais para perpetuação da marca.

Já citei isso em muitos outros artigos e não quero ser repetitivo, porém quero refletir que essa não é a missão da Igreja.

Melhor dizendo: a missão da Igreja não é ganhar dinheiro, expandir imóveis, enriquecer as lideranças e se tornar “uma marca famosa” em todo o mundo. O papel da Igreja é a simplicidade, a santidade, a espiritualidade e, acima de tudo, a integridade para com Deus.

É um grande desafio, porém, como disse Jesus, a casa de Deus é casa de oração e não casa de negócios.

A Deus toda a honra e toda a glória.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

 

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Prefeito Marcelo Crivella é flagrado “beneficiando” pastores com dinheiro público: a corrupção consentida na relação igreja/Estado

Marcelo-Crivella-3“Pois o SENHOR vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas;
Que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa.” –  Deuteronômio 10:17,18

“Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para o que é posto diante de ti,
E se és homem de grande apetite, põe uma faca à tua garganta.
Não cobices as suas iguarias porque são comidas enganosas.” – Provérbios 23:1-3

Para entender o caso, assista à reportagem do programa Bom Dia RJ (menos de 8 minutos):

https://globoplay.globo.com/v/6854628/

Conforme a reportagem, o prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella se reuniu, a portas fechadas e com a observância do não uso de celulares (pois gravar a reunião seria prejudicial), com 250 pastores. Nessa reunião, mostrou-se muito benevolente ao grupo que ali estava, prometendo-lhes prioridade na realização de cirurgias de catarata e varizes, a priorização no andamento de processos de isenção de IPTU e até a colocação de sinal (ou farol ou semáforo) e quebra-molas diante dos templos. Para que os fiéis não venham a pegar chuva, prometeu também deslocar pontos de ônibus para próximo das igrejas.

Que lindo! Que bênção! Um prefeito comprometido com o povo de Deus! Oh glórias!

Mas vejamos:

Milhares de pessoas aguardam nas filas para cirurgia de catarata e de varizes. Pessoas católicas, evangélicas, espíritas, umbandistas, candomblecistas, budistas, agnósticas e até que não acreditam na existência de um Deus. Porém, todas possuem algo em comum: moram na cidade do Rio de Janeiro e lá pagam seus impostos (IPTU, IPVA, IR, ISS e sei lá mais quantos). Quando fazem sua compra no mercado, cerca de 30% fica retido sob a forma de impostos. E o mesmo acontece quando pagam suas contas de energia e água. Parte desses impostos fica no município e o valor é redirecionado, segundo o Orçamento, para prover os programas necessários. Assim, o contrato de 15 mil cirurgias de catarata foi pago com dinheiro não apenas de evangélicos, mas de todos os cidadãos de todos os credos. Ora, e por que apenas os fiéis dos 250 pastores presentes na reunião merecem o privilégio de furar a fila da cirurgia? E como ficam os casos mais urgentes, mas cujos portadores não rezem na cartilha do Crivella e seus asseclas?

Processos administrativos costumam ser demorados, por conta da lentidão ocasionada pelo excesso de burocracia e pela falta de servidores no Estado (de servidores, não de “indicados” que nada fazem, além de lesar o Erário e servir aos seus padrinhos políticos). Assim, mesmo que alguém tenha razão, pode demorar anos para que seu direito seja reconhecido. Mas Crivella promete resolver o problema dos 250 pastores com cobranças de IPTU num piscar de olhos. Afinal, precisam aproveitar que Deus colocou um evangélico no poder para que essas coisas se resolvam.

Sim, templos evangélicos não pagam IPTU, mas devem ter prioridade no recebimento das benesses do poder.

E entre essas benesses, conforme o prefeito do Rio, está a segurança dos fiéis. Na reunião, Marcelo Crivella deixou muito claro o quanto é fácil a instalação de semáforos e quebra-molas próximo aos templos (sinal que deve ter dinheiro sobrando na prefeitura). Basta pedir e esses equipamentos de segurança no trânsito serão prontamente instalados.

Mas será que a essa mesma celeridade ocorre quando uma escola ou um hospital solicitam esses equipamentos? Ou mesmo quando uma comunidade os solicita, por conta da realização de rachas ou mesmo da existência de vias onde há frequentes abusos de velocidade, trazendo perigo aos pedestres?

A própria proposta indecorosa do Crivella diz que não. Afinal, se há como agilizar (falando com as pessoas certas), é porque se não agilizar a coisa demora, e muito.

O Rio de Janeiro, como grande cidade que é, deve ter grandes dificuldades na questão do transporte público. Muito provavelmente as linhas de ônibus disponíveis não são suficientes para abarcar toda a demanda. Para ir ao trabalho, à escola ou mesmo curtir um lazer, o carioca que não pode contar com um veículo próprio deve penar nos ônibus e lotações.

Mas, se for fiel de um dos pastores que aceitarem a proposta indecorosa de Crivella, seus problemas (pelo menos para se deslocar para o templo religioso) “acabaram-se”! Com a influência do prefeito, o ponto de ônibus que ficava há 3 quadras do templo se deslocará para a frente dele! Se isso vai ocasionar dificuldades para quem descia 3 quadras atrás para chegar ao trabalho, escola ou casa, aí já é outra história. Deus colocou o homem no governo para que possa ajudar aos seus “irmãos de fé”. O resto que se lixe (mas continue pagando impostos e votando nos candidatos do PRB e aliados, por favor).

crivella-prb-pesquisa-prefeito-rio-de-janeiro-foto-oglobo-28-04-2016-2000x1333Nojento. Asqueroso. Diabólico. Inadmissível. Infelizmente, as palavras são poucas para manifestar toda a nossa indignação diante de um escândalo como esse, que fere com punhal os verdadeiros seguidores de Jesus Cristo. Os (im)pastores, esses vão se fazer de desentendidos, esperar a notícia se desfazer diante de outras novas atrocidades e vão mamar nas tetas da prefeitura do Rio de Janeiro, com as bênçãos do Bispo Marcelo Crivella e de seu chefe Bispo Edir Macedo.

Porém, o leitinho das tetas governamentais tem um preço: mandar os fiéis votarem nos candidatos indicados por esses abomináveis. Ou alguém achou que essas propostas indecorosas foram feitas faltando apenas 3 meses para as eleições para Presidente, Governador, Deputados e Senadores por simples coincidência do destino?

Trocar voto por dentadura ou dinheiro é coisa do passado. Agora troca-se voto por cirurgia de catarata, instalação de semáforo e celeridade em processos administrativos. E em nome de Deus.

Monstros sanguinários!!! Desgraçados!!! O nome de Deus é Santo, Santo, Santo!!!!

Paramos por aqui, pois não nos responsabilizamos pelo que poderemos escrever diante desse claro comércio das coisas de Deus.

De Deus não se zomba. Arrependam-se – se é que isso ainda é possível – enquanto há tempo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

 

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A igreja brasileira é uma igreja fundamentada na essência bíblica?

igreja-destruida-na-siria“E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro.” – Ezequiel 44:23

Gostaria de escrever artigos que exaltassem a vida prática cotidiana da igreja, sua liturgia cúltica e pregação centrada no Evangelho. Gostaria de dizer que a vida pastoral de muitas igrejas fosse exemplo de conduta ética, moral para o sistema político e demais cidadãos. Gostaria de pensar que a igreja fosse fundamentada na Palavra de Deus e na extensão do Seu Reino.

Porém, o que vejo são evangélicos defendendo aborto, se engajando em campanhas de volta ao regime militar, evangélicos favoráveis à tortura e a políticas armamentistas, evangélicos que são a favor de políticas violentas contra imigrantes em diversas partes do mundo, evangélicos que acreditam que o Deus da sua igreja e do seu líder é maior e melhor do que o de outra denominação. E muitos exemplos mais.

Tudo isso que citei acima faz parte de um contexto onde a maioria das instituições estão centradas. Graças a Deus, apesar deste artigo ser uma crítica à realidade da igreja brasileira, eu tenho consciência de que, apesar de poucos, muitos ainda não se dobraram aos deuses deste mundo.

Depois que iniciei, junto com outros irmãos, os trabalhos do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira), uma das frases que mais ouvimos em nossos trabalhos de conscientização é a referência ao texto de Mateus 12:25: “Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá”, onde alguns pensam que nossas críticas são formas de dividir o chamado “reino de Deus”. Porém, é preciso dizer que o texto referido tem por base mais uma das expressões onde Jesus tenta descrever a essência do movimento religioso de seus dias, nos quais fariseus, escribas, saduceus etc. tentavam viver uma vida aparente, longe das essências da Lei.

Quando alguém diz que minhas críticas dividem o Reino, logo me vem à mente: será que essa pessoa acredita que um dia veremos Edir Macedo, Valdemiro Santiago trabalhando em prol dos mesmos objetivos? Será que essa pessoa acredita que calvinistas, arminianos, pentecostais e neopentecostais vivem a mesma essência de fé?

Lamentavelmente, muitos são os cristãos que não têm consciência das realidades da igreja brasileira. Quando digo realidades, estou dizendo dos bastidores, das reuniões ministeriais, dos acertos de contas envolvendo ministros, membros, diretorias, líderes, professores. O que temos visto é que, para muitos, a igreja se resume aos curtos períodos de permanência na igreja, de tal forma que, para muitos, o ser cristão se resume a uma espiritualidade de cinquenta a noventa minutos semanais.

Porém, isso não é verdade.

A palavra espiritualidade deixou de ser vivida e entendida entre muitos que se dizem evangélicos. Não estou me referindo aos leigos, porque esses vivem daquilo que recebem dos seus líderes. Estou falando de lideranças que não sabem mais definir para si mesmos e para quem os ouve o que é uma verdadeira espiritualidade. Estamos vivendo dias onde igrejas metodistas, luteranas, batistas, presbiterianas, igrejas fundamentadas em uma teologia com bases históricas, fundamentas nas essências do cristianismo, também se deixaram levar pelos modismos e pelas metodologias vigentes.

O camarada se diz presbiteriano, metodista, porém suas reuniões são fundamentadas na Teologia da Prosperidade! Diz crer na infalibilidade da Bíblia, porém também crê em misticismos, práticas neurolinguísticas e muitos até em hipnose “cúltica”!

É assustador, mas é essa a realidade.

igrea2Por que de tudo isso?

Algumas igrejas criaram para si teologias fundamentadas em uma filosofia institucional, filosofia essa que faz líderes e membros acreditarem que sua instituição tem uma missão acima das demais, fazendo com que a vida diária dessas instituições se fundamentem em um crescimento que mais se assemelha à concorrência comercial e industrial de algumas marcas e patentes.

Eu já vivi uma experiência onde, ao criar um projeto de evangelismo que unia membros de várias denominações, após alguns meses, quando começamos a ver frutos do trabalho, alguns líderes retiram seus membros. Algum tempo depois, descobri que esses mesmos líderes haviam mudado o nome do projeto, porém na sua funcionalidade, o projeto era o mesmo que eu havia iniciado, isso porque os líderes não conseguiam exercer o evangelismo sem o pensamento institucional. Tenho conhecimento de um pastor que carrega esse projeto como algo seu, nunca se referindo que o irmão A ou B iniciou aquele trabalho.

Lamentavelmente, a filosofia institucional não permite que muitas igrejas consigam ver o mundo como algo global, mas simplesmente como algo individualista e pessoal. Com isso, a igreja cotidiana vive uma teologia fundamentada na filosofia institucional, onde lideranças e membros só agem nos seus próprios interesses, fazendo com que Deus e Seu Reino e Sua Palavra sejam simplesmente fórmulas e métodos. Nesse sentido, tudo o que a cerca são meios de interesses. E quais são as consequências disso? A falência da missio dei  da igreja. Muitas igrejas não enviam mais missionários, enviam gerentes das novas filiais para o mercado religioso.

O papel do sacerdote não é entreter, nem multiplicar, nem arrecadar.

O versículo base deste artigo traz, nas palavras de Ezequiel, os fundamentos da vida sacerdotal. Estamos observando a nova onda de “coaching“, onde líderes religiosos são treinados para produzir e bater metas institucionais, transformando pastores em gerentes eclesiásticos.

Muitas escolas já oferecem cursos de administração eclesiástica. Não vejo problema nisso, porém dentro do pensamento que rege o universo evangélico brasileiro, que acredita que o bom pastor é aquele que tem uma grande igreja, valores como caráter, ética, moral, santificação, transparência, transcendência se tornam valores de segundo plano dentro da carreira sacerdotal.

Hoje somos obrigados a ver telepastores se vangloriando de suas posses, se vangloriando por usar relógios caríssimos e roupas importadas. Alguns até se dispõem a apresentar os valores e as marcas de seus objetos, criando a imagem do super pastor.

O que diríamos disso, se refletíssemos a realidade de João Batista, dos Apóstolos e do próprio Jesus?

Certa vez, encontrei-me com um pastor que fez parte da minha mocidade. Ao conversarmos, entramos no assunto do ministério. A primeira pergunta dele para mim foi: “que carro você tem?” Ao citar a marca do meu automóvel, com voz de espanto ele disse: “isso não é carro de pastor!” E prossegui a conversa. E daqui a pouco veio outra pergunta: “quantas vezes você já foi para Israel?” E eu disse que nunca fui. E ele, mais assustado ainda, respondeu: “meu irmão, essa sua igreja não tem poder!” E eu lhe contei a história de um pastor que conheci no interior do Estado do Paraná, um pastor que era lavrador e cortava cana o dia todo, e mesmo assim, após o dia de trabalho, pregava em uma pequena igreja de madeira na periferia da cidade.

Passei vários dias com esse homem, e o que aprendi com ele me são referências até hoje. Aprendi que o homem de Deus não deve ser medido pelo seu tablet de marca importada, nem por suas gravatas italianas, nem pelo seu diploma da grande e referida universidade, mas sim pela sua capacidade de reconhecer a sua pequenez e pecaminosidade diante da Glória do Deus que ele prega.

Aos pastores que têm possibilidades de viver com posses, é preciso que tenham a consciência de que nada que possuem poderá comprar a Salvação, pois o que dará o homem em prol da sua alma?

O papel do sacerdote é demonstrar aos seus eclesianos os caminhos para uma vida onde Cristo é o cabeça. Por isso o texto de Ezequiel nos vai dizer que é dever, que é obrigação de todo o sacerdote ensinar, instruir todos aqueles que pararem para ouvi-lo qual a diferença entre o Sagrado e o Profano, qual a diferença entre o entretenimento e a espiritualidade, e esses ensinamentos não são só para sua denominação, mas esses ensinamentos são para o Reino. Só teremos uma igreja fundamentada pelo Sagrado se essas lideranças se multiplicarem.

O pastor, o líder que se submete à ordenanças de entreter, multiplicar e arrecadar precisa rever os seus conceitos, pois o Reino de Deus não é feito de funcionários. O Reino de Deus é feito de filhos e servos.

É triste ver igrejas sendo dirigidas como lojas de fast food e casas de entretenimento. A casa de Deus é casa de oração, é casa de arrependimento e transformação, onde as coisas velhas ficam para trás e as coisas novas ressurgem para todos aqueles que estão em Cristo.

Qual a verdadeira religião?

O livro de Tiago traz vários exemplos de como distinguir um movimento religioso e os discípulos de Cristo.

“A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” – Tiago 1:27

Muitos vão dizer: “lá vem mais um defensor do assistencialismo!”

Edir Macedo diz que a pobreza e o sofrimento são frutos de uma vida sem Deus, onde o diabo toma conta. Para mudar isso, é preciso fazer sacrifícios, e sacrifícios esses financeiros e monetários.

Silas Malafaia, em um dos seus programas, desafiava aqueles que pagavam aluguel a ofertarem o valor do seu aluguel para que Deus lhes providenciasse uma casa própria.

Muitos e muitos e muitos são os pregadores que afirmam ser bíblico o ato de quanto mais dar, mais receber. Essa se tornou a lógica de muitas igrejas e seus pregadores.

Dia após dia, ano após ano, e isso tem sido pregado e enfatizado. E o que temos visto: líderes e instituições enriquecendo nababescamente.

O exemplo bíblico não descarta o trabalho, não descarta o esforço, não descarta a dedicação em busca do crescimento e da conquista, porém Jesus deixa-nos claro que não devemos juntar para nós tesouros nessa terra, pois onde estiver nosso tesouro ali estará nosso coração. E o texto bíblico tem por essência que todo aquele e aquela genuinamente discípulo de Cristo é capacitado com o Espírito da compaixão, da solidariedade e da misericórdia, e esses são atributos que nos capacitam a dividir. Se temos duas capas, compartilhamos uma com os mais necessitados.

Diante do tal crescimento evangélico, onde as denominações expandem suas catedrais por todo canto das metrópoles, o que pouco vemos são trabalhos palpáveis, substanciais de compaixão e solidariedade aos menos favorecidos.

Dentro do universo pentecostal e neopentecostal, os investimentos de ajuda humanitária são irrisórios, e quando o fazem são fantasiosos e midiáticos. Igrejas como Metodista do Brasil, fundamentas na Teologia Wesleyana e no seu Credo Social perdem a cada dia o ânimo e o enfoque nas práticas humanitárias. Até mesmo os metodistas estão focando o aqui e agora e o ter e poder.

Com isso, o que vemos nas grandes metrópoles: catedrais suntuosas, umas frente às outras, porém rodeadas de famintos, miseráveis, sofrendo com a degradação socioeconômica imposta por um sistema político que satisfaz aos ricos e poderosos.

O que dizer do vulgo Apóstolo, que tem em seu programa televisivo a ênfase em curas e milagres, onde todos que forem tocados por suas mãos receberão um grande milagre? Porém, ao sofrer uma queda e lesionar o joelho, vai de helicóptero para um grande hospital da cidade de São Paulo, onde é socorrido, operado por médicos renomados do hospital dos ricos e famosos.

Quanta incoerência!

Se ele realmente acredita em milagres, e se sua igreja é fundamentada em curas e milagres, nada mais lógico do que pedir aos seus bispos e pastores que impusessem suas mãos sobre ele e orassem. Essa seria a lógica. Mas não. É preciso esnobar, é preciso ostentar. Hoje podemos dizer que existe a “ostentação gospel”. Esse é o Espírito que rege muitas instituições e seus líderes, músicos e membros.

E, enquanto isso, os pobres que se convertam ao deus ostentação que muitos pregam.

A triste notícia de tudo isso é que o planeta Terra conta com 7,7 bilhões de habitantes, onde somente 2,2 bilhões se dizem cristãos, ou seja, 5,5 bilhões de habitantes da Terra não são cristãos. E muitos e muitos e muitos de todos esses vivem na mais profunda miséria.

As nações mais ricas, como os Estados Unidos, hoje já são interpretadas por muitos teólogos como nações pós cristãs, isso porque os valores cristãos sucumbiram diante da materialidade da pós modernidade, que engole dia após dia a espiritualidade e a consciência do Sagrado.

Só há uma saída: voltarmos ao Evangelho puro e simples de Jesus, e essa volta deve ser em consciência e em reflexo aos ensinos de Cristo nas Sagradas Escrituras.

Aí alguém pode dizer: “ah, mas eu sigo a Bíblia, eu cumpro toda a Bíblia, eu sou pós doutor em teologia”. E aí só me resta repetir o que Jesus disse ao doutor da lei em Lucas 10: ama o teu próximo como a ti mesmo e assim terá a vida eterna.

“Só seremos verdadeiros discípulos de Cristo quando vivermos as Suas verdades, enquanto quisermos que Cristo se enquadre nas nossas verdades nossa fé será vã,”

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

Paulo Siqueira

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