Pentecostalismo enigmático

pentecostesComo poderíamos definir o atual pentecostalismo no Brasil? Com certeza não é uma tarefa muito fácil. Recentemente em um evento fiz uma pergunta  a um dos convidados: seria possível definir se as Igrejas Assembleia de Deus Vitoria em Cristo e do Brás, são realmente pentecostais??  O professor fugiu da resposta, falou e falou e nada respondeu.

Sinceramente diante do que tenho visto neste dois ministerios, e em suas lideranças o neopentecostalismo entrou para ficar em suas açãoes, cultos e reuniões. As vezes me pergunto do porque ainda sustentam o nome de Assembleia de Deus.

 

Sei que esta pergunta está dificil de ser respondida, pois a igreja está perdida em sua identidade, em sua tradição e em sua essência. Hoje lamentavelmente estamos perdidos em nossas relações com o cristianismo histórico e referencial. Não podemos nos classificar como a igreja primitiva de Atos 2:42-44: E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.

 E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.

 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.

 

Com o surgimento do Neopentecostalismo e do movimento apostólico ficou muito mais difícil definirmos o que realmente está acontecendo com a igreja brasileira. Já sabemos que igrejas Metodistas, Batistas, já sucumbiram às tentações do neopentecostalismo e movimento apostólico. O que estamos vendo foge do caos e se aproxima do pandemônio.

É preciso definir essas duas palavras para entrarmos na gravidade do problema enfrentado pela igreja.

Caos: Designação de desordem, confusão, balbúrdia ou barafunda; Referente a indistinção ou desarranjo; perturbação ou transtorno. Para os gregos o caos era antecedente de abismo.

Pandemônio: Origem  ETIM ing. pandemonium, palavra criada por Milton, no Paraíso Perdido (1667) para designar o palácio de Satã; significados: associação de pessoas para praticar o mal ou promover desordens e balbúrdias; mistura confusa de pessoas ou coisas; confusão.

 

 

As duas definições podem parecer semelhantes, porém na sua essência são bastante diferentes. Porém, ao avaliarmos a situação da igreja dentro de um contexto de responsabilidade bíblica, hermenêutica e exegética, confesso o temor e assombro com a realidade.

Atualmente a realidade assistida no contexto de algumas denominações só pode ser classificada como herética e próxima da apostasia. Algumas denominações podem ser definidas como tudo, menos como igrejas genuinamente cristãs. Por quê? Simples, suas práticas, ritos e cerimônias não refletem o texto bíblico e muito menos as tradições cristãs através da história do cristianismo. É preciso que saibam que apesar dos avanços e transformações do mundo, o cristianismo prossegue com suas essências inabaláveis.

 

Ao que Jesus lhe propôs: “O que está escrito na Lei? Como tu a interpretas?” E ele replicou: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e com toda a tua capacidade intelectual’ e ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’”. Então, Jesus lhe afirmou: “Respondeste corretamente; faze isto e viverás                                                                        ( Lucas I0:26-28)

 

 

Avaliação bíblica

 

À luz do texto bíblico, estamos vivendo dias dos profetas Isaías, Oseias e Amós. A igreja e suas lideranças avançam rumo à apostasia, com heresias frutos de desvios de caráter, enganos, vaidades, irresponsabilidades e cegueira espíritual de seus lideres. A igreja se tornou uma casa de negócios, como afirmou Silas Malafaia. Dentro desse aspecto, o cuidado com a pregação bíblica não mais importa, está em segundo plano. Isso é refletido nas letras das músicas, das pregações, no ensino.

Essa realidade é descrita na metodologia aplicada em muitos seguimentos vindos do pragmatismo americano, classificados como: células, GI2, MDA. Sistematizações que transformaram a igreja em um mecanismo de lucro e barganhas, onde fiéis são clientes de uma organização econômica. Os frutos dessa máquina podem render poder politico, econômico, social aos que souberem manipular as Escrituras em proveito próprio. O povo, ou melhor, os fiéis, são o retrato de uma nação já acostumada à manipulação oriunda de uma colonização já envolta no sincretismo religioso, onde o místico, mágico já estão inseridos. Para o brasileiro, o sagrado e o profano caminham próximos, não distinguidos à luz da bíblia, pois a bíblia é algo difícil. Observa-se que o sujeito religioso no cenário brasileiro não se assusta com a manipulação e o engano vindos das lideranças. Não se assustam com a falta dos textos bíblicos nos cultos, nas cerimônias e no dia a dia da vida religiosa.

Já ouvi uma fiel dizer que não precisa da bíblia, pois seu pastor sabe tudo da bíblia. Esse engano já foi experimentado na história do cristianismo, com as missas em latim e a proibição dos fiéis leigos de possuir a bíblia.

Isso está se repetindo em muitos segmentos ditos evangélicos no Brasil. O ensino foge da realidade bíblica, do verdadeiro cristianismo. Isso é claramente percebivel no cotidiano dessas igrejas. Por exemplo, não se ensina a Reforma Protestante, os Pais da Igreja. Não está incluso nos ensinos a história da igreja, pois toda essência é focada no imediatismo cotidiano. As relações dentro desse contexto é puramente material, a espiritualidade é uma forma  de negócio, pois gira no propósito de lucrar. A benção é uma forma de lucro tanto do líder, quanto da instituição e do fiel, não importando para isso que o texto bíblico fique de lado. Não importa se o pastor não porte a bíblia, não importa se os textos são adulterados, importa que dê resultados. Não importa quem Deus é, mas sim o que Ele produz.

 

No início fiz a pergunta: como definir se uma igreja é ou não pentecostal, afinal é possível definir se uma igreja é realmente metodista, presbiteriana, anglicana, etc. Não é mais possível, e vou mais a fundo, está difícil definir se uma igreja é realmente cristã, pois na verdade perdemos nossa identidade confessional.

Os motivos disso são muitos, vou destacar alguns:

 

Teologias intencionais

 

 

Não temos mais uma teologia cristã, e sim teologias intencionais. Hoje as universidades, seminários, cursos são puramente intencionais. A formação dos alunos seguem preceitos de doutrinação, domesticação, pois ao serem formados os alunos terão que agir dentro de propósitos já estabelecidos. Essa é a realidade de muitas instituições de ensino religioso. A teologia foge dos preceitos bíblicos e históricos do cristianismo e passam a ser puramente intencionais. Se o curso é metodista, nada foge do metodismo; se quiser estudar um teólogo liberal, vai encontrar dificuldades. E vice-versa, se o curso é pentecostal vai encontrar dificuldades para pesquisar teólogos fora da linha pentecostal. É uma teologia intencional, longe do cristianismo comum, não pode ser diferente pois, afinal, os que estão ali vão servir aos seus segmentos.

Mal sabem os futuros pastores que suas instituições esperam que eles atinjam as metas estabelecidas, em número de membros e financeiramente. E que seus ministérios estarão mais ligados ao cumprimento dessas metas do que ao conhecimento  adquirido. Ou seja, tem que dar fruto, tem que entreter o povo, tem que fazer a igreja crescer tanto em números como financeiramente. O amor ao próximo, o social, o aconselhamento, a pastoral… ora, alcance as metas e isso vai acontecendo naturalmente.

Já fui acordado de madrugada em minha casa por mães e pais pedindo ajuda, pois seus filhos estavam desaparecidos. Perguntei onde estavam seus pastores e eles responderam que o pastor não atende  àquela hora e, para falar com o pastor, era preciso marcar uma hora. Muitos jovens em hospitais ou com problemas judiciais que não podiam contar com ajuda pastoral, pois seus pastores estavam condicionados a estruturas muito mais empresariais do que pastorais. Quantas igrejas que possuem um poder econômico superior a muitas empresas e nada fazem pelo social de suas comunidades!  Com pastores e lideranças inacessíveis ao povo, pois vivem como verdadeiros astros do mundo gospel. Vivem cercados de seguranças, vivem com uma estrutura totalmente empresarial. O povo é visto a distância, o acesso só facilitado pelo poder econômico ou pelos benefícios da relação oferecidos. Sem contar as igrejas de pai para filho, ministérios que vivem de heranças ministeriais – não importa o talento ou capacitação dos demais, a igreja tem um herdeiro. São inúmeras as igrejas e membros fragilizados por lideranças sem carisma, sem capacitação ministerial ou pastoral. Ministérios fundamentados no histórico do pai ou do avô.

Anos atrás me chegou a história de uma certa igreja, onde o filho recebeu de herança uma igreja vinda da administração de 40 anos do pai. Em pouco tempo, o camarada passou a andar com carros de luxo, mudou-se para um bairro de luxo e uma grande mansão. Em poucos anos se descobriu que o camarada vivia em poligamia, pois tinha uma família na cidade onde estava a igreja e outras duas famílias em cidades ao redor. Após a descoberta, muitas irmãs relataram que eram assediadas cotidianamente, e eram ameaçadas a não denunciar aos seus familiares. O camarada herdou a igreja, porém era um pecador que ainda não tinha passado por uma verdadeira conversão. Pena que não posso contar muitos dos casos que chegam a mim, decorrentes do mesmo problema. Igrejas herdadas por vínculos familiares.

 

Fragmentação

A igreja não mais vive ou prega a unidade, tudo é motivo para a divisão. Divisões fruto de intrigas, iras, vinganças, ódio. Essa é a clara realidade de que falta caráter e espiritualidade realmente cristã nas lideranças. Falta perdão, humildade, simplicidade, muitos querem o poder a todo custo. Anos atrás soube de uma igreja no interior de SP que teve a presidência disputada a bala. Membros divididos pelos interesses dentro e fora e ao redor da igreja, armados, querendo a todo custo tomar posse do bem maior: a igreja e seus benefícios. Quer um retrato mais real da situação da igreja brasileira? Sem contar as inúmeras histórias que vão parar na justiça. Sem contar as que caem no  esquecimento popular. Hoje, cada denominação é encarada como um segmento dentro do contexto religioso. Todos estão à caça do sujeito religioso, e para isso é preciso apresentar seus produtos. Seguem as regras de mercado, onde os diferentes produtos são ofertados aos interessados. Como disse Edir Macedo, é dá ou desce. Temos igrejas para todos os segmentos: igrejas do rock, da dança, da cura, da prosperidade, do milagre urgente. Temos a igreja para tirar os vícios, o mal olhado, arrumar namoro e casamento. Tem igreja para rodar, pular, correr, rir, chorar, enfim, tem para todo gosto. O triste é que, com tantas igrejas, o brasileiro ainda seja tão desumano, antiético, corrupto, violento, mal educado. Ou seja, a multiplicação de igrejas pouco está fazendo no caráter do povo. Muitos vão à igreja dançar, gritar, cantar, porém ao saírem pouco reproduzem do verdadeiro cristianismo, do fruto dos ensinos de Cristo e seus verdadeiros apóstolos.

Temos um cristianismo sem vida real em Cristo Jesus.

 

 

Universo gospel

Não poderia deixar de citar esse segmento do universo evangélico. Onde foi parar a música?  Vi, dias atrás, em uma postagem do facebook uma discussão sobre louvor. Uma pessoa disse que devemos louvar a Deus pelo que Ele faz. Entrei no debate e disse: não, minha irmã, nós devemos louvar a Deus pelo que Ele é, pois é através da Sua existência que tudo o mais nos é feito. Foi para adorá-Lo que nós fomos criados. Adoramos a Deus por Sua existência em nossas vidas, por Sua fidelidade, por Sua soberania, amor, graça. Pelo universo criado a nosso dispor, ou seja, há inúmeros motivos para louvarmos a Deus. Por que vemos tantas músicas fora do contexto bíblico? É sabor de mel, é determina, restitui, dá o que é meu. Tem músicas que ao invés de levar-nos à Espiritualidade, ao sagrado, simplesmente nos entretêm. O universo gospel reflete claramente a realidade descrita nesse artigo, segue o mesmo contexto: business.

A música é um elemento de culto e não um produto a ser explorado. Tenho participado de muitos eventos do universo gospel nos últimos anos em todo o país. O que tenho visto é de assustar. Os cantores, cantoras, bandas se tornaram astros como no mundo secular. Ou melhor, não é possivel diferenciar um cantor gospel do cantor secular, os universos se uniram. Há de tudo: histeria, gritos, desmaios, muito choro, ou seja, os astros do universo gospel se tornaram cantores como os demais. Sem contar os cachês e o alto custo da promoção desse universo. Hoje as grandes empresas do universo musical exploram com veemência o ramo gospel. Quem sofreu com isso foi a igreja, pois os cultos se tornaram shows, onde o que se vê é tudo, menos adoração e louvor. Vemos cantores cobrando e exigindo coisas inimagináveis para um culto ao Senhor. O gospel tirou da música sua fonte de Espiritualidade e ação do sagrado. Só se vê emoções e lucros, nada mais. Hoje temos todos os ritmos e formas de músicas, porém pouco vemos de músicas que levem à reflexão e conversão. Ainda me lembro do tempo em que a música era uma forma de ação do Espirito Santo na conversão e libertação de quem adentrava a igreja para cultuar a Deus.

É preciso que os músicos saibam que o culto é para o Senhor e o espaço da igreja é para a Espiritualidade. Usar este espaço para o puro entretenimeto é prostituição e idolatria. Tenho visto pessoas gritarem os nomes de artistas e bandas, sem se atentar que o culto é para Deus. Recentemente participei de um evento onde os apresentadores tiveram que repreender a plateia diante da histeria ao anunciar um determinado artista. Onde vamos parar, sabendo que em muitas igrejas a música toma praticamente quase todo tempo do culto? Restando pouco tempo para a Palavra, isso faz com que a figura do músico seja em muitos redutos superior a do pastor. É preciso deixar claro: igreja é igreja, casa de show é outra coisa, a mistura não resulta em algo bom. Hoje vemos igrejas com baladas, louvorzão, com o slogan de alcançar os jovens, porém se esquecem que é preciso incentivar a integridade, a santificação, a responsabilidade para enfrentar os desafios da vida. Tenho notícias de jovens que engravidaram em retiros, vigílias, encontros, etc. Também tenho relatos de jovens que passaram a usar drogas depois de algumas amizades em algumas igrejas, onde havia muita música e muitas festas. Ou seja, é preciso haver bom senso, responsabilidade de quem lidera esse tipo de evento ou movimento. Gospel ou não, é preciso que promova a vida.

 

Enriquecimento desordenado de instituições e líderes a todo custo

Isso mesmo, enriquecimento, muito luxo, muitos bens, muitas vaidades. Pastores fazendeiros, donos de muitas terras e bois, cavalos, carros de luxo, aviões, roupas de grife, muitas joias, plásticas, viagens, muita mídia. Pastores colecionadores de motos, cavalos, botas, sapatos, relógios, anéis, perfumes. Ou seja, tudo o que a vaidade pode proporcionar às custas do dinheiro vindo de ofertas e dízimos. Pastores possuidores de fortunas que poderiam tirar a fome e a pobreza de muitos, porém isso não se cogita em hipótese nenhuma. Pobreza é do diabo, declara Edir Macedo. O povo é pobre porque não tem fé. Ele se esquece que a bíblia declara em Romanos 10:17: “Logo a fé vem pelo ouvir, e o ouvir vem pela Palavra de Cristo”.

Em muitas instituições o culto se resume à coleta de ofertas e dízimos, e a pregação é simplesmente um pretexto para a coleta. Tudo gira em torno da prosperidade, promessas, desafios, sacrifícios. Vale tudo para conseguir a riqueza prometida pelos pregadores. Em algumas igrejas, o salário do pastor é segundo as metas financeiras alcançadas, forçando o pastor a não ter medidas quando o assunto for dinheiro. Com isso muitos, na busca incansável por riquezas, se atiram nos sacrifícios propostos, porém não percebem que nesses ministérios quem realmente enriquece são as lideranças. Há um exército de frustrados, enganados, roubados por essa teologia do engano.

Temos hoje no Brasil até jurisprudências relacionadas com o estelionato de muitas igrejas e líderes. É preciso equilíbrio nas emoções ao adentrar esses locais. Em muitos templos estão usando até hipnose e técnicas de neurolinguística para poder induzir os fiéis a dar tudo o que possuem. Muitos induzem em seus discursos os fiéis a dar o dinheiro do aluguel, do pagamento de dívidas familiares, sem contar os desafios impostos em cima de empréstimos dos fiéis. Ou seja, vale tudo no propósito de construir os maiores templos e possuir os melhores bens. Esse espírito de ganância é também referencial no sentido de barganhar os fiéis aos partidos e políticos nos períodos eleitorais. O número de membros vale por cabeça em muitos ministérios, pois cada um representa um voto, e cada voto representa poder político e financeiro. Assim tem crescido muitos ministérios, que ampliam suas conquistas aos olhos de todos, dando o sentido de que conquistaram a  terra para Deus. Porém vemos que os cofres das lideranças estão cada dia mais cheios.

Essas barganhas políticas tiram da igreja a autoridade de cobrar o sistema político diante da incompetência de gerir a máquina pública em prol das necessidades da população. O que temos visto são políticos eleitos com o voto dos evangélicos, porém ao chegar no Congresso e no Senado, nada fazem prol do povo, pois ali estão para representar as instituições que os apoiaram ou a seus próprios interesses. A chamada bancada evangélica nada faz em prol dos interesses públicos, ao ponto de ser um grupo praticamente nulo no cenário político. Hoje, se não bastasse o enriquecimento das lideranças, o alvo é desfrutar dos favores vindos da máquina pública. São verbas públicas para financiar eventos (exemplo: marcha para Jesus, encontros, shows, lançamento de cds, livros, construção de templos, custeio de viagens), sem contar o tal passaporte diplomático que muitas lideranças fazem questão de publicar sua posse. Outro ponto é cada segmento, por ter seus representantes tanto no Senado como no Congresso, ficar a cada dia tentanto puxar a sardinha para seu fogo, aprovando projetos de concessões de rádios, jornais, canais de TV e outras fontes de comunicação. Tudo isso resulta em constantes fotos com políticos, sem contar a presença de políticos nos eventos promovidos pelos segmentos. Ou seja, política e religião têm sido bastante rentáveis às instituições religiosas e seus líderes.

A riquza de muitos líderes contrasta com a pobreza de um país todo, e muitos não estão nem aí com isso. Dizem fazer trabalhos sociais, porém o montante gasto com o social não chega a um décimo do seu gasto com roupas e luxos.

Em uma nação como o Brasil, saber que um pastor coleciona cavalos, carros, relógios, chega a ser ofensivo, pois o valor mínimo do luxo poderia matar a fome de muitos. Poderia dar vida digna a muitos miseráveis. Já andei ao redor dos grandes templos na Av. Celso Garcia, em São Paulo. É uma região onde inúmeros imigrantes da América Latina e África se amontoam em cortiços, em becos mal iluminados. Falta água, falta espaço, falta tudo. Crianças correm nuas, homens e mulheres com semblantes caídos. Nitidamente falta esperança a esses seres humanos. Os grandes templos fazem sombra à esses cortiços e becos. Porém, esses seres são invisíveis a muitos membros e líderes em seus carros e em suas roupas de grife nos cultos e reuniões. É a igreja como instrumento de desigualdades e segregação, pois a igreja em seu discurso e ações cotidianas não faz questão de ver os pobres e menos favorecidos. Isso é totalmente contrário à tradição cristã. A recomendação aos apóstolos de Jesus era que eles não se esquecessem dos pobres e viúvas. Os dízimos e ofertas foram instituídos para os pobres, as viúvas e os necessitados. Se dízimos e ofertas estão proporcionando riquezas e luxo algo está errado, pois onde há riquezas e luxo não há compartilhamento. A riqueza e o luxo na história  normalmente são frutos da exploração de um grupo ou de uma classe.

O título desse artigo é pentecostalismo enigmático porque acredito que só haverá uma solução para tudo isso se nos definirmos como verdadeiros cristãos. Os metodistas querem ser pentecostais, porém estão indo para o neopentecostalismo. Não vai demorar e teremos um apóstolo dito metodista. Precisamos e com urgência definir nosso pentecostes vindo das marcas da igreja de Cristo. Não basta simplesmente crescer numericamente ou enriquecer, é preciso ter um caráter cristão. Como pode um país que se diz cristão ser uma vergonha mundial na educação, saúde, segurança, saneamento básico, infraestrutura? Somos o país da falta de caráter, da falta de honestidade, do jeitinho antiético para tudo. Isso é manifesto pela corrupção, pelas desigualdades sociais, pela colonização exploradora, pela imposição da religião, porém agora também é manifesto pelos escândalos frutos das ditas igrejas evangélicas. O que dizer dos inúmeros casos de líderes e instituições evangélicas envolvidas nos escândalos de corrupção do país? O que dizer do escândalo envolvendo família de pastores  querendo entrar em outro país com dinheiro não declarado na cueca, na bíblia? Os inúmeros casos de estupros, pedofilia e demais casos envolvendo membros e líderes evangélicos?

Como disse, saímos do caos para cair no pandemônio, pois hoje há pessoas que convivem e apoiam essa situação. É lamentável, porém é a realidade.

Não sabemos mais a diferença dos profissionais da fé e dos falsos profetas de um cristão real e verdadeiro.

No meio desse pandemônio todo, graças a Deus que há aqueles e aquelas que não se dobram aos deuses e valores deste mundo. Pessoas que guardaram seus corações em Cristo e seus tesouros estão na Glória com Deus.

Posso citar um pessoa ímpar no estudo do verdadeiro pentecostalismo histórico. É o Prof. Dr. Bispo Paulo Aires, da UMESP. Uma referência no estudo do pentecostalismo desde suas fontes primárias, tanto do pentecostalismo americano como do latino americano e do Brasil. Uma pessoa que acredita que o pentecostalismo tem algo a oferecer ao povo brasileiro, no sentido de proporcionar uma fé palpável e possível tanto aos mais desfavorecidos, como aos mais abastados. Uma fé cidadã, plural, fundamentada nas Escrituras, calçada na vida cotidiana, onde cada ser humano é capacitado com a responsabilidade social e com as ferramentas que possibilitam a construção de mundo melhor. Um pentecostalismo onde os dons e serviços partem do equilíbrio entre os seres humanos e o universo que os cerca. Bispo Paulo é um camarada que faz com que você queira saber mais sobre o assunto, pois suas experiências ministeriais retratam que é possivel viver o pentecostes bíblico sem as extravagâncias observadas no universo pentecostal.

Outra pessoa a quem referencio é a Profa. Dra. Magali Cunha. Em seu livro Explosão Gospel temos um referencial consciente e responsável do que realmente é o gospel desde sua fundação. Profa. Magali é uma pessoa que conhece a fé em diferentes culturas. Uma visão abrangente no sentido global. São duas pessoas que deveriam ser referencial quando falamos em pentecostalismo e universo gospel. Tive a felicidade de ter os dois como mestres, e acredito que suas reflexões me cativaram a ter o senso crítico sobre o tema.

Minha luta tem sido contínua em denunciar, orar e lutar para que essa situação seja mudada. Creio ser possível viver o Evangelho de Cristo, e isso faço e vivo na comunidade em que colaboro. É preciso que os mercenários da fé saibam que Cristo ainda é honrado por muitos, que nem todos querem fazer parte do pragmatismo cotidiano de muitas instituições. Creio que a cada dia esse rebanho será despertado pelo Espírito Santo de Deus fazendo o verdadeiro pentecostes, que é a aproximação do Criador à suas criaturas mediante a graça e amor incondicionais, pois nada temos a não ser nosso louvor e gratidão contínua. Somos devedores, somos agraciados pelo sacrifício de Cristo na cruz, favor também imerecido, porém suficiente para nossa reaproximação com o Criador. Essa é a verdadeira mensagem do pentecostes. Essa é a verdadeira igreja pentecostal, a que reconhece a revelação de Cristo ao mundo, e mediante isso proclama ao mundo através de suas ações cotidianas refletidas na Palavra de Deus que: Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:I6). Com o exercício diário da convivência, mesmo com os diferentes da fé, refletimos  a paz que só Cristo dá. Paz essa refletida na vida, seja ela simples ou abastada, pois os verdadeiros tesouros estão distantes deste mundo que jaz no maligno.

Ora, sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não é escravo do pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o protege, e não permite que o Maligno o possa tocar. Estamos cientes de que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno. Da mesma forma, temos pleno conhecimento de que o Filho de Deus é vindo e nos tem concedido entendimento para reconhecermos o Verdadeiro. E nós estamos vivendo naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. …                                                                                             I João 5: I8-20

 

Voltemos ao evangelho puro e simples. O $how tem que parar.

 

A Deus toda honra e toda gloria.

 

Paulo Siqueira

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A Graça no cotidiano segundo o livro de Oseias

oseias“Semeai para vós em justiça, ceifai segundo a misericórdia; lavrai o campo de lavoura; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que venha e chova a justiça sobre vós”. (Oseias 10:12)

A partir dessa quarta-feira, dia 13 de janeiro, começamos a estudar na Igreja Paz o livro de Oseias, um livro que descreve o Amor de Deus em ação no mundo. Um mundo conturbado, onde os valores estão invertidos. Vivemos uma crise humanitária, o ser humano está sendo trocado por valores passageiros, o amor está fora do contexto. Tudo é passageiro, nada suporta a velocidade do novo. Com isso, o mundo se vê na necessidade de ter a cada dia mais. É a felicidade paradoxal de Gilles Lipovetsky.

Essa busca contínua pelo material e pelo prazer de ter também alcançou a igreja. A teologia da prosperidade e seus pregadores impõem sobre o fiel a necessidade de possuir, conquistar, não importando o que faça para isso. Essa teologia que ensina errado também desemboca em uma ética errada.

Por que estudar o livro de Oseias nos dias atuais? –  é a pergunta de muitos. Um livro do Antigo Testamento, sem muitas profecias relevantes para o contexto cotidiano, onde os temas são: vitória, prosperidade, poder, domínio, posse, restituição, etc.

Para Hernandes Dias Lopes, em seu comentário do livro de Oseias, Oseias é o profeta da Graça. Ele declara que Oseias é o homem de coração quebrantado pelo amor de Deus, pois suas mensagens não só falaram aos ouvidos mas também aos olhos dos seus ouvintes. Em dias onde o exemplo é escasso, o livro de Oseias é totalmente essencial, pois não só fala mas também toca em nossos corações a partir do testemunho de um homem que ousou amar como Deus nos ama.

Oseias era profeta de Israel, filho de Beeri (1.1), viveu durante a “era de ouro” do reinado de Jeroboão II e segundo uma tradição cristã, pertencia à tribo de Issacar. O nome “Oseias” era comum nos tempos do Antigo Testamento e significa “ajuda” ou “livramento”. O nome é derivado da palavra hebraica que significa “salvação”. “Jesus” ou “Yeshua” é uma forma desse nome (Mt 1.21). Oseias foi contemporâneo de Amós, pois ambos profetizaram no final do melhor dos tempos e nas bodas do pior dos tempos em Israel. O rei Jeroboão II estava no final do seu longo reinado. A nação havia alcançado seu apogeu tanto política como economicamente. Havia paz nas fronteiras e prosperidade dentro dos muros. Porém, com a morte desse grande monarca, a nação entrou em célebre decadência rumo ao colapso. O trono de Israel tornou-se o centro nevrálgico de intrigas, conspirações e assassinatos. Os reis insensatos faziam alianças com as grande potências mundiais da época: a Assíria e o Egito.

Para conhecer mais esse período da história, leia 2 Reis 14-17 e 2 Crônicas 26-29.

Nesse contexto, o profeta Oseias ergue sua voz contra essa estratégia insana e compara Israel a uma pompa enganada, deixando de confiar em Deus, colocando sua confiança naqueles que haveriam de pôr sobre seu pescoço um jugo pesado. Israel, ao invés de buscar as onipotentes mãos de Deus, buscou ajuda daqueles que mais tarde seriam implacáveis opressores. As alianças políticas pavimentaram o caminho da apostasia, fazendo com que Israel abandonasse a Deus, seu redentor, para render-se aos ídolos pagãos. Em vez de servir ao Criador, o povo apóstata prostrava-se diante das obras de suas próprias mãos, atribuindo as bênçãos aos baalins. Com isso, Israel rendeu-se à imoralidade, à idolatria, à prostituição e à morte. Os reis e os sacerdotes lideravam o povo nessa corrida rumo ao desastre. O palácio e os templos religiosos eram centros de opressão. A política e a religião se uniram pelos motivos mais sórdidos. A violência ganhou as ruas, a roubalheira acontecia à luz do dia, e a imoralidade transbordava por todos os lados. A nação inteira era como um corpo chagado.

Em Oseias 4:6 temos: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.”

Nessa passagem vemos que os dias de Oseias são bastante semelhantes aos nossos. O povo a cada dia abandona o conhecimento da Palavra de Deus para se render aos deuses deste mundo. E hoje muitos estão recorrendo aos líderes do momento, lhes dando mais atenção do que à Palavra do Senhor. Os males dos dias de Oseias se achegaram à igreja cotidiana: prostituição, imoralidade, idolatria e casamento do povo de Deus com os poderes e meretrizes modernas.

Oseias profetiza à Israel que, por não ter dado ouvido à voz de Deus, Israel receberia a disciplina de Deus. Com isso veio o amargo cativeiro como um remédio para a cura do povo. Porém, o fracasso de Israel não destruiu os planos de Deus, pois onde abundou o pecado, superabundou a Graça divina. (Rom 5:20)

Esta é a mensagem central do livro de Oseias: o amor de Deus prevalece sobre Sua ira. Da noite escura do pecado brota a luz da esperança. Deus, em Seu amor, chamou seu povo para voltar-se para Ele, trazendo em seus lábios palavras de arrependimento.

A mensagem do livro se torna presente nos dias de hoje, onde a igreja caminha para a apostasia. É preciso lembrar a muitos que o Deus de Israel não mudou. Ele ainda restaura e levanta o caído. Ele ainda se apresenta como orvalho para aqueles que vivem a aridez de um deserto. A mensagem de Oseias ecoa em nossos ouvidos, é para os nossos dias, pois a Palavra de Deus é sempre atual. Todos são convidados a buscar o conhecimento que vem da Palavra de Deus.

É tempo de voltarmos ao Evangelho puro e simples do Senhor.

A Deus toda glória.

Paulo Siqueira.

BIBLIOGRAFIA:
HOUSE, Paulo R. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2005.
WILLMINGTON, Harold. A Bíblia em Esboços. São Paulo: Hagnos, 2001.
MEARS, Henrietta. Estudo Panorâmico da Bíblia. São Paulo: Editora Vida, I982.
LOPES, Hernandes Dias. Oseias, O amor de Deus em ação. São Paulo: Hagnos, 20I0.
KLAIBER, Walter. MARQUARDT, Manfred. Viver a Graça de Deus: Um compendio de Teologia Wesleyana. 2ed. São Bernardo do Campo: Editeo, 2006.

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Apóstolo (?) Agenor Duque envergonhando o Evangelho na Revista Época

Enquanto há 65 países, segundo a Missão Portas Abertas, onde há perseguição a quem vive a fé cristã (e neste 2015 o mundo se fartou com imagens de massacres de cristãos na Nigéria, na Síria, no Iraque e em outros lugares), no Brasil temos o país das maravilhas. Aqui, pode-se professar qualquer tipo de fé (ou falta de) sem maiores problemas. E mais: embora seja crime o estelionato (segundo o Google “fraude praticada em contratos ou convenções, que induz alguém a uma falsa concepção de algo com o intuito de obter vantagem ilícita para si ou para outros [p.ex., a venda de coisa alheia como própria, a hipoteca de bem já hipotecado, a emissão de cheque sem fundos]; burla”), quando se trata de estelionato da fé (ou seja, usando o argumento religioso para ameaçar e extorquir) tudo é possível.

Ou quase tudo. Volta e meia aparece notícias de prisões de “videntes” ou integrantes de religiões afro acusados de tal crime (por exemplo, clique nesse link). Porém, vê-se em rede nacional de rádio e tv os mesmos crimes todos os dias, vindos de supostos cristãos evangélicos, mas para esses nada acontece (um exemplo de claro engano supostamente profético gospel aqui).

Por que dois pesos e duas medidas, se afinal o crime de estelionato da fé é o mesmo? Talvez medo da reação das multidões de cegos que tais lideranças manipulam a seu bel-prazer?

Abaixo reportagem da semana passada da Revista Época, sobre um desses (im)pastores. Ou melhor, Apóstolo (?). Ou melhor ainda, Rei Momo Gospel (pois agora deu de andar com uma coroa carnavalesca na cabeça, para melhor entreter e enganar seus fiéis). Enquanto muitos têm perdido suas vidas pregando o verdadeiro Evangelho com seriedade, tremor, temor, de graça e pela Graça, esse e outros lobos mais têm tosquiado suas ovelhas sem dó nem piedade.

O Dia do Senhor não tarda. Que possam se arrepender enquanto é tempo.

 

Apóstolo emergente das igrejas neopentecostais promete apagar a memória dos fiéis

Numa incansável cruzada por arrecadação, o autointitulado apóstolo Agenor Duque, da Igreja Plenitude do Trono de Deus, pede à plateia que raspe a carteira e que doe até o décimo terceiro salário. Já anda de Porsche e voa de jatinho

ALINE RIBEIRO, COM HARUMI VISCONTI
27/12/2015 – 10h00 – Atualizado 27/12/2015 10h00
ad3ad2Agenor Duque num culto em novembro. Ele se veste de estopa em sinal de humildade, mas não dispensa o Nike no pé (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)

Do alto do púlpito, diante de cerca de 7 mil fiéis com as cabeças cobertas por um pequeno pano avermelhado, um homem vestindo uma roupa que imita estopa aponta o dedo para um rapaz da plateia: “Você é homossexual?”, diz ao microfone. Ao ouvir uma resposta afirmativa, continua: “E você quer sair do homossexualismo?”. O interlocutor diz que sim, e é convidado a subir no altar. Enquanto uma canção entorpecente embala a cena, o líder espiritual cerra os dois punhos, ergue os braços e grita: “No milaaaagre de Manassés, Deus apaga da memória agora todo o passado de sofrimento. No milaaaagre de Manassés, Deus faz a pessoa esquecer que um dia foi homossexual”. Volta a se dirigir ao rapaz.

– Seu nome?
– Junior.
– Você tinha alguma vida errada no passado?
– Não.
– Pensei que você era gay… Pensei que você morava com um homem…
– Não, Deus me livre.

Como que num passe de mágica, Junior diz que nunca gostou de homens. Na semana seguinte, volta ao mesmo altar para contar o desfecho de sua história. Diz que seu namorado, ao saber da conversão, caiu no choro. A mãe, surpresa com o esquecimento súbito, cogitou levar o filho a um hospital. Entre gritos entusiasmados de “aleluia” e “eu creio”, o público se levanta e aplaude a transformação.

O homem das vestes de saco – um figurino para demonstrar humildade diante de Jesus Cristo – é o autoproclamado apóstolo Agenor Duque, um paulistano de 37 anos, filho de pais separados, crescido numa família pobre da Zona Leste de São Paulo, ex-viciado em drogas. No concorrido mercado das igrejas neopentecostais, Duque é o pastor emergente do momento. Com uma forte vocação teatral e adepto da prática de prometer o impossível, Duque abocanha cada vez mais fiéis e começa a incomodar as igrejas concorrentes. Além das usuais curas de doenças e vícios, Duque promete apagar o passado da mente dos fiéis.

Não hesita em abusar de condutas preconceituosas, como propagar o “milagre” de fazer um homem esquecer a homossexualidade ou enfrentar num duelo um suposto adepto do candomblé. Prova de sua destreza para lotar igrejas e influenciar opiniões, o deputado e pastorMarco Feliciano não sai do altar da Plenitude. Na campanha eleitoral do ano passado, o tucano Geraldo Alckmin, reeleito governador de São Paulo, ajoelhou-se no púlpito de Duque.

Num roteiro já conhecido entre os pastores das neopentecostais, Duque começou na Igreja Universal do Reino de Deus e migrou para a Mundial – até que teve uma “visão espiritual” e decidiu criar seu próprio templo. Em setembro de 2006, abria a porta da Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus. Com R$ 25 mil da venda de um Astra, Duque comprou algumas poucas horas nas madrugadas de rádios e alugou um galpão na Avenida Celso Garcia – que, pela facilidade de acesso e circulação intensa, concentra boa parte das igrejas neopentecostais. Há dois anos, Duque tinha cinco modestas igrejas em São Paulo.

Hoje, são pelo menos 20, espalhadas por São Paulo, Amazonas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal – sem contar as dezenas de núcleos, galpões abertos pelo interior que, ainda sem documentação, não são considerados templos. No ano passado, a Plenitude firmou uma espécie de joint venture evangélica com a igreja de André Salles, o líder evangélico responsável pela conversão da ex-senadora Marina Silva, para aportar em Brasília. Em dois anos, a Plenitude saltou de quatro para 18 horas no canal de televisão RBI. Só entre outubro e novembro, passou de quatro para mais de nove na Rede Brasil TV.

>> “Deus me revelou que Marina será a próxima presidente”, afirma o pastor que converteu a candidata

O traje de saco nos cultos é uma espécie de abadá para uma encenação de pobreza. Há tempos Duque deixou a dureza para trás. Como os adeptos do funk ostentação, fora do palco ele se enfeita com cordões, anéis e relógios dourados, bonés e tênis de marcas como Nike e Hugo Boss e adora exibir-se no Instagram. Dirige um Porsche e um BMW. Já se exibiu em um vídeo com uma Ferrari – após críticas de internautas, recuou e disse que o carro era de um “amigo”, o pastor Arthur Willian Van Helfteren, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Sempre que viaja, Duque evita apertar o corpanzil nas poltronas da aviação comercial; prefere o conforto de um bimotor Cessna Citation. De acordo com os registros da Agência Nacional de Aviação Civil, a aeronave pertence à Cimeeli Comércio e Indústria, uma empresa sem rastro. O telefone atribuído à Cimeeli é residencial e seus sócios não foram localizados.

Em um universo em que não faltam exageros, os cultos de Duque são espetáculos ainda mais histriônicos. Ele atua em parceria com a mulher, a autointitulada bispa Ingrid Duque, e mais recentemente com o filho adotivo, o pastor Allan. Em suas performances, Agenor Duque intercala suas falas com expressões incompreensíveis que diz virem da língua do Espírito Santo – “Traz o óleo, quibalamacia balabaliã”, diz, em meio ao culto, enquanto checa mensagens no telefone. Suas orações quase sempre terminam com um “hallelujah”, num esforçado sotaque americano.

>> A força dos evangélicos

“A religiosidade brasileira sempre foi muito sincrética. O brasileiro valoriza tudo o que o ajuda a se relacionar diretamente com o sagrado”, afirma Rodrigo Franklin de Sousa, professor de pós-graduação em ciências da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “O teatro cai como uma luva.” Os cultos da Plenitude reúnem dramas humanos de todos os tipos. Há mulheres traídas pelo marido, fiéis com pendências com a Justiça, mães desesperadas para tirar o filho da prisão, pais de família desempregados, viciados que tentam resgatar a dignidade.

Converter os dramas em espetáculo e gerar lucro requer organização. Nos cultos de domingo, mais lotados, a igreja é dividida em quadras imaginárias, cada qual vigiada por um pelotão de obreiros. Numa cerimônia, um homem se exaltou e foi contido por seguranças. Curiosa, parte da plateia foi repreendida pelos obreiros: “Deus está no altar lá na frente. Parem de olhar para o lado”.

ad1O apóstolo Agenor Duque, o pastor André Salles e a bispa Ingrid Duque. Numa espécie de joint venture evangélica, suas igrejas se uniram no ano passado para arrebanhar mais fiéis (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)

Em um dos episódios mais plásticos, no ano passado, Duque estava no altar quando um dos obreiros avisou sobre um homem que, sem abrir a boca, se apresentava como pai de santo e o desafiava. Rodando uma jaqueta ao redor do corpo, o homem subiu ao palco e foi ao encontro de Duque. Como se estivesse num MMA espiritual, Duque encostou a cabeça no adversário, deu dois gritos e – shazam! – o sujeito desmilinguiu-se. A plateia foi ao delírio. “O público gosta”, diz Paulo Romeiro, doutor em ciências da religião. “A igreja neopentecostal brasileira é cega, infantilizada, cheia de picaretas e cambalacheiros.”

Tanto cultos quanto programas no rádio e na TV da Plenitude têm um roteiro simples, que converge para a arrecadação. A pregação da Bíblia é quase inexistente. Invariavelmente, o pastor apresenta um “milagre” e, na sequência, pede dinheiro ostensivamente. Numa tarde de terça-feira, em outubro, uma pastora da Plenitude pediu aos fiéis que abrissem suas Bíblias em 1 Reis 17. A passagem conta a história de uma viúva miserável que, diante de uma onda de fome, doou tudo o que tinha – um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite numa botija – a um profeta desconhecido, antes mesmo de alimentar o filho.

Ao final da leitura do capítulo, a pastora gritou ao microfone: “Deus está me dizendo que alguém aqui tem R$ 50 na carteira, é tudo que essa pessoa tem. Se você sentiu que esse chamado é para você, faça como a viúva. Ela deu tudo que tinha, e foi recompensada”. Uma mulher se encaminhou ao altar e retirou a única nota de R$ 50 da carteira. Os pedidos aos demais continuaram num crescente. “Prova para Deus que você acredita. Precisa ser um sacrifício grande, algo que dói! Limpa a carteira! Raspa a carteira! Ou faz como uma mulher no culto desta manhã, que doou o próprio carro.”

A adivinhação no púlpito, diz um ex-obreiro da Plenitude, não passa de uma trapaça. Na chegada à igreja, os fiéis com um pedido especial preenchem uma ficha com sua história – depois colocada no altar. Enquanto lê disfarçadamente o relato, o pastor repete tudo ao microfone como se estivesse tendo uma epifania. Ao reconhecer sua história, o fiel emocionado se dirige ao altar e confirma o milagre. “São verdadeiras empresas da fé”, afirma o teólogo João Flávio Martinez, presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas. Os pastores que arrecadam mais são recompensados e ascendem. “Eles recebem até bônus”, afirma um ex-obreiro da Plenitude. “Eles dizem que você tem de entrar na mente da pessoa, convencê-la a aceitar o que você diz”, afirma.

Às quintas-feiras, numa reunião fechada de presbíteros, os mais experientes recomendam “agressividade” e “olhar clínico” para identificar potenciais doadores. “Os pastores dessas igrejas são bem preparados, fazem cursos de marketing, de gestão, de oratória. A lógica é unicamente de mercado. Não existe uma base de doutrina”, diz Rodrigo Sousa. Os pastores das maiores agremiações fazem cursos específicos de gestão financeira de igrejas no exterior. A hierarquia é rígida. Como um presidente de empresa, Agenor Duque convive com poucos de seus comandados. Usa até mesmo uma entrada exclusiva na sede. Os insistentes pedidos de entrevista de ÉPOCA – todos negados – percorreram três instâncias antes de chegar a ele.

Em sua incansável cruzada por arrecadação, a Plenitude promove campanhas temáticas com objetivos específicos. Uma do Vale de Elah, traz um boneco recente, gigante que procura reproduzir a figura do rei David, vestido como um guerreiro, com escudo e espada no altar da igreja. Uma loja vende diversos badulaques inspirados longinquamente em temas bíblicos. A gama de produtos inclui a marca própria de roupas e acessórios femininos da bispa Ingrid, na loja Amor Oficial.

Os looks – saias estampadas, calças boca de sino, bolerinhos e vestidos longos com estampas em três dimensões – usados por Ingrid na TV e nas redes sociais são reproduzidos por boa parte das fiéis nos cultos. “Quem usa é escolhida por Deus”, diz Ingrid no Instagram da marca. Como a inflação não respeita nem o sagrado e não está fácil nem para milagreiros, na Amor Oficial também tem liquidação – só muda o nome: a Black Friday, o dia internacional do desconto, chama-se White Friday.

O ritmo de inovação da Plenitude é incessante. Recentemente, Duque passou a pedir o 13º salário dos fiéis – e até o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Para os próximos meses, planeja a construção de um novo templo, para o qual criou uma campanha específica, cuja contribuição começa em R$ 1.000. Em fevereiro, pretende lotar o Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, com capacidade para 13 mil pessoas, e o estádio do Canindé, em São Paulo, que acomoda 21 mil pessoas, com uma atração internacional: o controverso pastor Benny Hinn, que percorre o mundo com seus megacultos milagrosos. “Com a crise financeira, as igrejas neopentecostais estão tendo de se reinventar para entregar resultados”, afirma Rodrigo Sousa. No que depender da criatividade de Duque, a Plenitude pode superar limites.

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Até quando, Senhor?
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
Agradecimentos à irmã Bete C. Pitanga por disponibilizar o link da reportagem.
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O Didaqué: conhecendo a doutrina dos verdadeiros Apóstolos

didaque“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” – Atos 2:42

O Didaqué é um manuscrito datado por volta de 150 d.C., onde constam os ensinos e a doutrina dos Apóstolos na Igreja Primitiva. Por sua evidente importância, é difícil entender o porquê de não constar da Bíblia. Porém, após uma leitura, tudo fica claro. Afinal, entre outras coisas, os Apóstolos, segundo a Didaquê, chamavam a quem pedia dinheiro em nome de Deus de falso profeta. O que diriam, então, de muitos líderes dos dias atuais, que até fazem congressos e cursos ditos espirituais com o fim de angariar dinheiro? Porém, era totalmente lícito pedir dinheiro para os necessitados, ou mesmo dar ofertas voluntárias aos apóstolos (ofertas voluntárias são as dadas sem exigir nada em troca, diferente das “ofertas voluntárias” dos nossos dias, que são dadas para se conseguir bênçãos específicas).

Por ora, apenas transcreveremos a Didaquê, logo abaixo. Leiamos e reflitamos, à luz das Escrituras.

Didaqué: a Instrução dos Doze Apóstolos

(Ano 145-150 DC)

 

O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE

CAPÍTULO I

1Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois. 2Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.

3Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.

4Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.

5Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez… e daí não sairá até que devolva o último centavo.
6Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.


CAPÍTULO II

1O segundo mandamento da instrução é:

2Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.

3Não cobice os bens alheios, não cometa falso juramento, nem preste falso testemunho, não seja maldoso, nem vingativo.

4Não tenha duplo pensamento ou linguajar pois o duplo sentido é armadilha fatal.

5A sua palavra não deve ser em vão, mas comprovada na prática.

6Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.

7Não odeie a ninguém, mas corrija alguns, reze por outros e ame ainda aos outros, mais até do que a si mesmo.


CAPÍTULO III

1Filho, procure evitar tudo aquilo que é mau e tudo que se parece com o mal.

2Não seja colérico porque a ira conduz à morte. Não seja ciumento também, nem briguento ou violento, pois o homicídio nasce de todas essas coisas.

3Filho, não cobice as mulheres pois a cobiça leva à fornicação. Evite falar palavras obscenas e olhar maliciosamente já que os adultérios surgem dessas coisas.

4Filho, não se aproxime da adivinhação porque ela leva à idolatria. Não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre isso, pois disso tudo nasce a idolatria.

5Filho, não seja mentiroso pois a mentira leva ao roubo. Não persiga o dinheiro nem cobice a fama porque os roubos nascem dessas coisas.

6Filho, não fale demais pois falar muito leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa porque as blasfêmias nascem dessas coisas.

7Seja manso pois os mansos herdarão a terra.

8Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranquilo e bondoso. Respeite sempre as palavras que você escutou.

9Não louve a si mesmo, nem se entrege à insolência. Não se junte com os poderosos, mas aproxima dos justos e pobres.

10Aceite tudo o que acontece contigo como coisa boa e saiba que nada acontece sem a permissão de Deus.


CAPÍTULO IV

1Filho, lembre-se dia e noite daquele que prega a Palavra de Deus para você. Honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois Ele está presente o­nde a soberania do Senhor é anunciada.

2Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis para encontrar forças em suas palavras.

3Não provoque divisão. Ao contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Julgue de forma justa e corrija as culpas sem distinguir as pessoas.

4Não hesite sobre o que vai acontecer.

5Não te pareças com aqueles que dão a mão quando precisam e a retiram quando devem dar.

6Se o trabalho de suas mãos te rendem algo, as ofereça como reparação pelos seus pecados.

7Não hesite em dar, nem dê reclamando porque, na verdade, você sabe quem realmente pagou sua recompensa. reverência, como à própria imagem de Deus.

12Deteste toda a hipocrisia e tudo aquilo que não agrada o Senhor.

13Não viole os mandamentos dos Senhor. Guarde tudo aquilo que você recebeu: não acrescente ou retire nada.

14Confesse seus pecados na reunião dos fiéis e não comece a orar estando com má consciência. Este é o caminho da vida.


CAPÍTULO V

1Este é o caminho da morte: primeiro, é mau e cheio de maldições – homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatria, magias, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, coração com duplo sentido, fraudes, orgulho, maldades, arrogância, avareza, palavras obscenas, ciúmes, insolência, altivez, ostentação e falta de temor de Deus.

2Nesse caminho trilham os perseguidores dos justos, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os ignorantes da justiça, os que não desejam o bem nem o justo julgamento, os que não praticam o bem mas o mal. A calma e a paciência estão longe deles. Estes amam as coisas vãs, são ávidos por recompensas, não se compadecem com os pobres, não se importam com os perseguidos, não reconhecem o Criador. São também assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam os necessitados, oprimem os aflitos, defendem os ricos, julgam injustamente os pobres e, finalmente, são pecadores consumados. Filho, afaste-se disso tudo.


CAPÍTULO VI

1Fique atento para que ninguém o afaste do caminho da instrução, pois quem faz isso ensina coisas que não pertencem a Deus.

2Você será perfeito se conseguir carregar todo o jugo do Senhor. Se isso não for possível, faça o que puder.

3A respeito da comida, observe o que puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos pois esse culto é destinado a deuses mortos.


A CELEBRAÇÃO LITÚRGICA
CAPÍTULO VII

1Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

2Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente.

3Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

4Antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias.


CAPÍTULO VIII

1Os seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Porém, você deve jejuar no quarto dia e no dia da preparação.

2Não reze como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou em seu Evangelho. Reze assim: “Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai nossa dívida, assim como também perdoamos os nossos devedores e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal porque teu é o poder e a glória para sempre”.

3Rezem assim três vezes ao dia.


CAPÍTULO IX

1Celebre a Eucaristia assim:

2Diga primeiro sobre o cálice: “Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre”.

3Depois diga sobre o pão partido: “Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

4Da mesma forma como este pão partido havia sido semeado sobre as colinas e depois foi recolhido para se tornar um, assim também seja reunida a tua Igreja desde os confins da terra no teu Reino, porque teu é o poder e a glória, por Jesus Cristo, para sempre”.

5Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor pois sobre isso o Senhor disse: “Não dêem as coisas santas aos cães”.


CAPÍTULO X

1Após ser saciado, agradeça assim:

2″Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo nome que fizeste habitar em nossos corações e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.

3Tu, Senhor o­nipotente, criaste todas as coisas por causa do teu nome e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, orém, deste uma comida e uma bebida espirituais e uma vida eterna através do teu servo.

4Antes de tudo, te agradecemos porque és poderoso. A ti, glória para sempre.

5Lembra-te, Senhor, da tua Igrreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu Reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre.

6Que a tua graça venha e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Venha quem é fiel, converta-se quem é infiel. Maranatha. Amém.”

7Deixe os profetas agradecerem à vontade.

A VIDA EM COMUNIDADE
CAPÍTULO XI

1Se vier alguém até você e ensinar tudo o que foi dito anteriormente, deve ser acolhido.

2Mas se aquele que ensina é perverso e ensinar outra doutrina para te destruir, não lhe dê atenção. No entanto, se ele ensina para estabelecer a justiça e conhecimento do Senhor, você deve acolhê-lo como se fosse o Senhor.

3Já quanto aos apóstolos e profetas, faça conforme o princípio do Evangelho.

4Todo apóstolo que vem até você deve ser recebido como o próprio Senhor.

5Ele não deve ficar mais que um dia ou, se necessário, mais outro. Se ficar três dias é um falso profeta.

6Ao partir, o apóstolo não deve levar nada a não ser o pão necessário para chegar ao lugar o­nde deve parar. Se pedir dinheiro é um falso profeta.

7Não ponha à prova nem julgue um profeta que fala tudo sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas esse não será perdoado.

8Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser que viva como o Senhor. É desse modo que você reconhece o falso e o verdadeiro profeta.

9Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa não deve comer dela. Caso contrário, é um falso profeta.

10Todo profeta que ensina a verdade mas não pratica o que ensina é um falso profeta.

11Todo profeta comprovado e verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, mas que não ensina a fazer como ele faz não deverá ser julgado por você; ele será julgado por Deus. Assim fizeram também os antigos profetas.

12Se alguém disser sob inspiração: “Dê-me dinheiro” ou qualquer outra coisa, não o escutem. Porém, se ele pedir para dar a outros necessitados, então ninguém o julgue.


CAPÍTULO XII

1Acolha toda aquele que vier em nome do Senhor. Depois, examine para conhecê-lo, pois você tem discernimento para distinguir a esquerda da direita.

2Se o hóspede estiver de passagem, dê-lhe ajuda no que puder. Entretanto, ele não deve permanecer com você mais que dois ou três dias, se necessário.

3Se quiser se estabelecer e tiver uma profissão, então que trabalhe para se sustentar.

4Porém, se ele não tiver profissão, proceda de acordo com a prudência, para que um cristão não viva ociosamente em seu meio.

5Se ele não aceitar isso, trata-se de um comerciante de Cristo. Tenha cuidado com essa gente!


CAPÍTULO XIII

1Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se em seu meio é digno do alimento.

2Assim também o verdadeiro mestre é digno do seu alimento, como qualquer operário.

3Assim, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê aos profetas, pois são eles os seus sumos-sacerdotes.

4Porém, se você não tiver profetas, dê aos pobres.

5Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito.

6Da mesma maneira, ao abrir um recipiente de vinho ou óleo, tome a primeira parte e a dê aos profetas.

7Tome uma parte de seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, conforme lhe parecer oportuno, e os dê de acordo com o preceito.


CAPÍTULO XIV

1Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro.

2Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado.
3Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: “Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei – diz o Senhor – e o meu nome é admirável entre as nações”.


CAPÍTULO XV

1Escolha bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados pois também exercem para vocês o ministério dos profetas e dos mestres.

2Não os despreze porque eles têm a mesma dignidade que os profetas e os mestres.

3Corrija uns aos outros, não com ódio, mas com paz, como você tem no

Evangelho. E ninguém fale com uma pessoa que tenha ofendido o próximo; que essa pessoa não escute uma só palavra sua até que tenha se arrependido.
4Faça suas orações, esmolas e ações da forma que você tem no Evangelho de nosso Senhor.


O FIM DOS TEMPOS
CAPÍTULO XVI

1Vigie sobre a vida uns dos outros. Não deixe que sua lâmpada se apague, nem afrouxe o cinto dos rins. Fique preparado porque você não sabe a que horas nosso Senhor chegará.

2Reúna-se com freqüência para que, juntos, procurem o que convém a vocês; porque de nada lhe servirá todo o tempo que viveu a fé se no último instante não estiver perfeito.

3De fato, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio.

4Aumentando a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então o sedutor do mundo aparecerá, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.

5Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos, escandalizados, perecerão. No entanto, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.

6Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos. 7Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: “O Senhor virá e todos os santos estarão com ele”. 8Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu.

 

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I Café Teológico na IBR – Rio Branco (AC)

acre

Por Ruy Cavalcante

Está chegando, é neste sábado, dia 14 de novembro, o Primeiro Café Teológico IBR.

Venha participar conosco desta roda de conversa sobre o Evangelho Puro e Simples de Jesus. Na oportunidade serão analisadas questões cruciais envolvendo tópicos mais específicos, tais como:

+ A essência do Verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo;
+ A perversão do(s) outro(s) evangelho(s), não apenas o judaizante combatido por Paulo em sua carta aos Gálatas, mas outros igualmente falsos que estão presentes em nosso dia a dia eclesiástico;
+ O apostolado de Paulo e os ataques contra ele;
+ Dentre outros.

Conduzindo as análises estarão o Pastor Renato Vargens, do Rio de Janeiro, o Pastor Paulo Siqueira, de São Paulo, e o Pastor Marcos Lopes, da Igreja Batista Memorial, em Rio Branco.

Haverá também sabatina, onde os presentes poderão realizar perguntas aos analistas.

Venha conosco se deleitar com a Palavra de Deus, enquanto saboreia um delicioso café expresso (e outras bebidas à base de café e/ou chocolate).

A entrada é franca, o café é gratuito e a Palavra de Deus não tem preço!

Local: Templo da Igreja Batista Restauração, atrás do colégio Meta 3, Dentro do canal da Maternidade (Eu disse DENTRO DO CANAL).
Horário: 08:00 da manhã.

OBS.: O café é para todos, desde que estejam participando do evento efetivamente.

Deus abençoe a todos, encontro vocês lá!

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Sendo protestantes no Dia da Reforma Protestante

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Protestantes do MEEB em São Paulo, em frente ao Templo de Salomão

Há 498 anos temos o monge Martinho Lutero afixando 95 teses na entrada da Catedral de Wittenberg (alguns historiadores dizem que enviando cartas para o Papa Leão X). Na época, para terminar a construção da Basílica de São Pedro, Leão X determinou a venda de indulgências (perdão dos pecados) como forma de arrecadação de dinheiro. O dominicano Tetzel saiu pela Europa vendendo indulgências e recolhendo o dinheiro, deflagrando o ato de Lutero.

Porém, antes de Lutero houve muitos indignados com a situação da igreja. E após Lutero, outros tantos se levantaram. Muitos, ao defender a fé diante da igreja constituída, foram perseguidos e martirizados, como Jan Huss e os valdenses.

Hoje ouvimos muito que não devemos julgar ou criticar os líderes religiosos porque isso pode dividir a igreja. Porém, o que a história do cristianismo nos ensina?

31aA começar pelos profetas do Antigo Testamento, todos foram enviados por Deus para exortar os líderes religiosos de seu tempo. Deus enviou até meninos (como Jeremias e Davi) para confrontar anciões, reis e sacerdotes. Todos os enviados por Deus devem ter ouvido que estavam agindo errado, afinal não se pode criticar um rei ou um sumo sacerdote. Mas não temeram perseguições ou morte e abriram suas bocas para proclamar a verdade e denunciar os erros doutrinários em voga.

Chegando no Novo Testamento, vemos Jesus Cristo e seus discípulos afrontando abertamente os líderes religiosos do seu tempo. O diálogo de Jesus com os fariseus em Mateus 23 é de arrasar. Se não dissermos que é Jesus falando com os sacerdotes, mas que é um protestante falando com um apóstolo (?) moderno, muita gente vai subir nas tamancas e defenestrar o protestante, afinal “não se pode tocar num ungido do Senhor” (citação fora do contexto, é claro).

E qual o resultado das exortações aos líderes religiosos no Novo Testamento? Perseguições e martírio dos cristãos.

31eE com o passar dos séculos, a Igreja começou a se contaminar com ensinos estranhos. Como no início, Deus levantou homens e mulheres para confrontar tais ensinos. Esses foram também perseguidos e martirizados, e quanto mais os verdadeiros seguidores de Cristo eram mortos, outros tantos se convertiam e abriam mão de suas vidas em prol da proclamação do Evangelho.

Na Idade das trevas, vemos uma luz: a Reforma Protestante, que visava trazer a Igreja ao eixo cristocêntrico. Novos grupos cristãos foram formados, mesmo com toda a perseguição e ameaça de morte. A Igreja Romana acabou obrigada a rever alguns conceitos (por medo de perder a hegemonia e o poder adquirido), culminando na chamada Contra-Reforma.

31fAs igrejas hoje chamadas evangélicas são frutos da Reforma Protestante. São frutos de divisão, divisão essa necessária para que a Bíblia pudesse ser resgatada e os ensinos de Cristo pregados em todas as nações.

Tudo o que foi dito aqui seria desnecessário se muitos dos que frequentam igrejas evangélicas conhecessem sua história. Porém, não apenas não conhecemos de onde viemos, como não sabemos o que somos ou o porquê de estarmos reunidos semanalmente num estabelecimento supostamente sem fins lucrativos.
31cA grande maioria dos evangélicos não sabem quem são. Não sabem que vieram de uma divisão. Não sabem que vieram do movimento protestante, conhecido assim porque seus integrantes protestavam contra os desmandos, as injustiças e os ensinos heréticos. Não sabem o que Jesus Cristo fazia ou ensinava, pois se soubessem não aceitariam calados tantos desvios doutrinários. Se muitos preferem ficar quietinhos no seu banco de igreja, é porque não entenderam a essência do que dizem seguir.

A maior prova de que não sabemos o que fazemos numa igreja é que muitos vamos buscar bênçãos pessoais. Porém, o objetivo maior, segundo o cristianismo, não é nosso próprio benefício e sim a anulação do nosso Eu, deixando espaço para o Espírito Santo agir em nossas vidas. O grande objetivo é o crescimento do Reino, não de nossas contas bancárias. Quando 31dvamos a uma igreja buscando apenas riqueza e sucesso, como vemos em muitos testemunhos, mais uma vez martirizamos a todos que deram suas vidas para que a Palavra de Deus chegasse até nós.

A história existe para que não venhamos a cometer os mesmos erros do passado. E por isso o ensino de história é tão menosprezado. Quanto menos o povo conhece de si, mais fácil se torna manipulá-lo.

A história da Igreja de Cristo é formada por milhares e milhares de homens, mulheres, crianças e velhos que um dia ousaram renunciar aos valores deste mundo para defenderem os valores do Reino de Deus. A defesa de valores diversos dos dominantes os fez serem odiados, perseguidos, torturados, executados. Esses protestantes pagaram o preço num mundo que não dá voz e nem vez a ninguém, num mundo em que todos são vistos como gado.

Protestantes do MEEB no Rio de Janeiro, em frente ao Barrashopping

Protestantes do MEEB no Rio de Janeiro, em frente ao Barrashopping

“E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas,
Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões,
Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos.
As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição;
E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões.
31jForam apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados
(Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra.
E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa,
Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados.” – Hebreus 11:32-40

31kQuando criticamos alguém por estar apontando os erros doutrinários de algum líder religioso, estamos desmerecendo todos os que, no passado, fizeram o mesmo. Graças a esses, o Evangelho nos chegou nos dias de hoje.

“E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus.
Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus.” – Lucas 12:8,9

31lConfessar a Jesus não é apenas levantar a mão e fazer uma oração para aceitá-Lo como Seu Único e suficiente Salvador. Confessar a Jesus é, abertamente, defender Suas doutrinas diante dos ensinos enganosos dos lobos em pele de cordeiro, dos demônios travestidos de anjos de luz.

Que Deus nos dê a ousadia e a coragem dos antigos reformadores, para que possamos defender a sã doutrina e para que o verdadeiro Evangelho chegue a todas as nações.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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A profecia de Morris Cerullo não funcionou para o Silas Malafaia

Morris-Cerullo-e-silas-malafaia-e14302246677132009 foi um ano muito triste para a Igreja Brasileira. Foi nesse ano que o (im)Pastor Silas Malafaia trouxe pela primeira vez ao seu programa de televisão o (im)Pastor  e suposto profeta Morris Cerullo, um americano adepto da Teologia da Prosperidade.

Em sua pregação, cheia de técnicas de autoajuda, no final fez sua profecia: o deus dele iria dar até o final de 2009 a “unção financeira dos últimos tempos” àqueles que não hesitassem (pois hesitação, segundo o falso profeta, é pecado de rebeldia) e ligassem naquele momento para o programa se dispondo a pagar R$ 900,00 para o Malafaia. Em troca, o fiel receberia “grátis” a Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira de autoria do próprio Cerullo (veja o vídeo a seguir, apenas 5 minutos).

Em 2011 a proposta foi semelhante, pois o deus deles também oferecia riquezas sem fim, só que com outro nome (unção da Medida Extra) e valor inflacionado: R$ 911,00. E de “graça”, uma Bíblia da Oração do Cerullo. E quem quisesse ainda mais riquezas tinha que dar R$ 10.011,00.

Morris Cerullo e seu comparsa americano, o “Dr.” Mike Murdock, foram diversas vezes, de 2009 para cá, no programa do Malafaia. A fórmula sempre foi a mesma: oferecer muitas riquezas em troca de polpudas ofertas com valor preestabelecido. Muita gente sincera caiu no engodo, afinal Malafaia os vendia como “homens de Deus”. E muita gente interesseira também.

A estatística de quantos ficaram milionários depois de dar as tais ofertas? Não há. E não vai haver, pois o verdadeiro Deus não se vende e não tem o propósito de criar milionários, e sim SERVOS FIÉIS. E para quem não sabe, servo é escravo. E escravo não tem nada de si, apenas tem o que seu senhor lhe dá.

O ensino desses (im)pastores é tão falso, tão absurdo, que para eles a pobreza é escravidão (no pior sentido da palavra)!!!

Ensino da Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira, bíblia símbolo da Teologia da Prosperidade

Ensino da Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira, bíblia símbolo da Teologia da Prosperidade

Pois é, mas o tempo passa justamente para que as profecias lançadas sejam provadas. Afinal:

“E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou?
Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele.” – Deuteronômio 18:21,22

Apenas 6 anos se passaram e olha o que saiu na Revista Época desta semana:

“A editora Central Gospel, do pastor Silas Malafaia, teve de demitir 40% de seus funcionários para se adequar aos tempos de crise. “É lamentável. As pessoas não estão consumindo. Estão ficando desempregadas e, como outras empresas, sentimos a crise. O sol se levanta e a chuva cai para o justo e o injusto. Veio para todos”, disse. Além de bíblias e livros religiosos, a empresa de Malafaia também vende cosméticos.”

Antes disso, o Malafaia já tinha anunciado que neste ano, pela primeira vez, sua ESLAVEC (Escola de Líderes da Associação Vitória em Cristo) não bancaria o transporte e a hospedagem dos inscritos, além de usar a sede da própria igreja do Malafaia (ao invés de hotéis). Isso por si só já sugere uma senhora busca por redução de custos.

Tudo isso seria natural, afinal o Brasil passa por uma grande crise financeira, resultado das crises ética e política e da especulação internacional. Porém, isso não é natural para alguém que, durante 6 anos, vendeu aos seus fiéis que eles não passariam por crises financeiras se doassem gordas quantias. Ao contrário, nas crises esses fiéis seriam os prósperos, tipo José do Egito nos sete anos de fome.

Tudo foi um engodo. E pior, usando do Santo Nome de Deus. A prova está aí. Nem o próprio Silas Malafaia está conseguindo arcar com os custos básicos, tendo que demitir quase metade do seu pessoal. Esses demitidos, que já eram pobres, ficarão pior ainda se não arranjarem logo uma colocação (coisa difícil nesses tempos). Se eles lerem a bíblia que o Malafaia lhes vendeu, descobrirão que estão “em escravidão”.

Cadê o Deus de misericórdia???

Esse não existe para Malafaia e seus falsos profetas. Apenas o deus do dinheiro (mas esse deve ter ido enganar em outras bandas e os abandonou por um tempo).

Em 2009, após ver o Morris Cerullo vomitando a profecia dos R$ 900,00, fiquei indignada. Na verdade, acho que fiquei bastante irada.

Sabia que dias depois haveria, em São Paulo, uma edição da Expocristã, uma feira de negócios gospel. E aí me veio de fazer uma camiseta protestando contra a falsa profecia da dupla Cerullo e Malafaia:

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Imagem0047Fiz a camiseta e fui na tal feira. Fiquei “desfilando” de lá para cá, atraindo muitos olhares, alguns meio irados, outros de reflexão. Algumas pessoas se aproximaram para saber o que aquilo significava, outros mais me apoiavam, outros desviavam os olhos quando percebiam que eu os observava. Saí de lá tão feliz!

Dois meses depois conseguimos juntar 8 pessoas para protestar na Marcha para Jesus, o primeiro trabalho do Movimento pela Ética Evangélica Brasileira (MEEB).

BannerSeis anos se passaram, e ver in loco que as profecias de Cerullo e Mike Murdock eram falsas (a ponto de não funcionarem nem pro Malafaia) só nos traz a certeza de que o MEEB está no caminho certo. Um caminho espinhoso, solitário, mas nos passos do Mestre.

Mas infelizmente parece que o Malafaia não aprendeu nada com as falsas profecias. Apenas a trocar de falso profeta: em novembro trará o Creflo Dollar, outro (im)pastor da mesma laia que Murdock e Cerullo.

Minha oração é para que todos os que perderam o emprego nas empresas do Malafaia e em quaisquer outras sejam providos por Deus. Pelo verdadeiro, por Aquele que veste os lírios dos campos e alimenta as aves dos céus. Por Aquele que não deseja riquezas sem fim para ninguém, pois a riqueza as traças e a ferrugem a destroem. Quem deseja riquezas não deseja verdadeiramente a Deus, afinal não se pode servir a dois senhores.

Que Deus abra os olhos do Seu povo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!!!

 

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