Dia 31 de Maio estaremos na Marcha POLÍTICA para Jesus em São Paulo

aad3Não, você não leu errado: Marcha POLÍTICA para Jesus em São Paulo, evento patenteado e organizado pelos líderes da Igreja Evangélica Renascer em Cristo, do Apóstolo (?) Estevam Hernandes e sua esposa Bispa (?) Sônia Hernandes. E provaremos, neste artigo, que de Jesus essa marcha só tem o nome (pois os objetivos são POLÍTICOS).

Voltemos um ano no tempo. Feriado católico de Corpus Christi, tendo como evento de maior proeminência a Marcha para Jesus. Em todas as edições, essa Marcha tem participações especiais de grandes autoridades, como o Governador do Estado, o Prefeito e Vereadores e Deputados aliados aos líderes “apostólicos”. Porém, na edição de 2017, por conta do forte rebuliço em torno de denúncias de corrupção por autoridades, Geraldo Alckmin e João Dória não compareceram (sendo o governador citado na delação da Odebrecht com a alcunha de “santo”, fato que está, ou estava, sendo investigado).

14jul2012---marcha-para-jesus-realizada-em-sao-paulo-1342291590213_956x500O Apóstolo (?) Estevam Hernandes ficou chateadinho com a ausência das maiores autoridades do Estado em SUA marcha. Conforme noticiado no jornal Folha de São Paulo, o Apóstolo (?) Hernandes disse que o Governador Alckmin não julgava a Marcha importante, pois se a julgasse estaria lá. Disse também que não entendia porque o Governador não tinha ido. Que dó. Mas sobre o Prefeito João Dória, disse entender que ele tinha viajado para o exterior.

[um adendo: recomendo muitíssimo que você leia a íntegra da reportagem da Folha clicando aqui – abrirá em outra janela]

Esforçando-me para ter toda a empatia possível, entendo a decepção do Apóstolo (?). É muito triste fazer um grande evento e a pessoa mais importante não estar lá. E nem estou falando de Jesus, pois esse só dá nome ao evento, é apenas marketing. Estou falando mesmo é da ausência do Governador do Estado de São Paulo, já que a Marcha tem conotação POLÍTICA.

marchaMat1-eEnfim, o Apóstolo (?) ficou “de mal” com o Governador. Mas um precisa do outro. O Apóstolo (?) precisa do Governador para viabilizar seus sonhos de grandeza e poder para si e sua denominação religiosa, e o Governador precisa de cada voto dos milhares de seguidores e fiéis do Apóstolo (?). Uma mão lava a outra e juntas enxugam o rosto.

Assim, esse “mal-estar” político-religioso precisava se resolver logo. Apenas “pedir desculpas” não ajudaria muito, pois o Apóstolo (?) sentiu a ausência do Governador em SUA marcha como uma grande desfeita. Imaginem como o Apóstolo (?) ficou em relação a outros líderes estelionatários gospel! O que devem ter rido dele pelas costas…

Para desfazer o “mal-estar”, o Governador teve que presentear o Apóstolo (?). E, conhecendo-o, escolheu um presente que serviu direitinho – para o seu grande ego gospel. No dia 16 de outubro de 2017, cerca de 4 meses após sua ausência na Marcha, promulgou a Lei 16.547, que institui o dia 12 de Março como o Dia da Igreja Renascer em Cristo (lembrando que esse projeto de lei estava parado desde 2016).

[outro adendo: tão bom saber que o Estado de São Paulo está em ótima situação, a ponto do Governador perder tempo promulgando essa tão importante data comemorativa!]

600-doria-renascerComo neste ano teremos eleições (e Alckmin concorre a Presidente ou mesmo ao Senado), alguém duvida que, desta vez, ele aparecerá na Marcha? E não só ele, mas também o candidato ao Governo do Estado João Dória, e todos os demais que queiram uma parte dos votos dos marchadores (candidatos a deputados, senadores, presidente – talvez o candidato da IURD Flávio Rocha –  e o que mais for)?

O Apóstolo (?) Estevam Hernandes deu seu recado na última Marcha: fica magoadinho com político que não o apoia abertamente, desfilando seu ar da graça nos trios-elétricos ou no palco do show da Marcha para Jesus. Atitude que revela toda a santidade, espiritualidade e dependência de Deus que percorre os bastidores desse evento dito – apenas dito – cristão.

Nem vou falar da questão do comércio que ronda o evento, que é gratuito mas arrecada com a venda de camisetas oficiais e tem patrocínio governamental em forma de verbas do orçamento de São Paulo. Também não vou novamente citar o comércio dos shows, na forma de cachês para as atrações, para os artistas gospel. Isso tudo já foi dito em outros artigos neste blog. No final deste artigo, deixaremos alguns links caso você tenha estômago, pois é muito triste ver no que se tornou muitas igrejas nos dias de hoje.

Mas fica a dica: se Jesus não for à Marcha não tem problema, afinal para muitos Ele é apenas uma ideia que dá muito dinheiro. O importante é que os políticos estejam lá.

043Em nossa infinita insignificância, estaremos na Marcha POLÍTICA para Jesus no dia 31 de maio, em São Paulo. Estaremos carregando faixas com dizeres bíblicos, buscando em Deus que o Espírito Santo leve alguns que as lerem a refletir sobre o que é o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo. Em Marchas anteriores já fomos chamados de fariseus pela multidão, já jogaram objetos em nós, já roubaram nossas faixas para que o público não as lesse, já tentaram encobrir as faixas formando uma parede de brutamontes na nossa frente e na última passaram os carros alegóricos com líderes gospel e políticos no outro lado da rua, para que seus ocupantes não se escandalizassem ao ler os versículos bíblicos que portávamos. Ainda assim, estaremos lá novamente, pois o que nos move é o amor a Deus e à Sua Palavra e o amor aos sinceros que lá estão e são enganados em nome do “Gizuiz” que muitos lobos pregam.

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Nos tempos bíblicos, Deus levantou “coisas loucas” para se opor aos sacerdotes que distorciam Sua Palavra. Cadê as “coisas loucas” do nosso tempo, deste tempo em que a apostasia está se espalhando em muitas igrejas em grande velocidade?

Haverá “coisas loucas” para confundir as que pensam que são alguma coisa no dia 31/05, às 10 horas em frente ao posto de gasolina na saída da estação Armênia do Metrô. Quantas, só Deus sabe, lembrando que nosso Deus, em Sua Superioridade, não trabalha com grandes números, mas com o necessário para que se saiba que não é por nossa força e poder, mas pela força e poder que vem do Alto.

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A Igreja de Cristo não precisa de carros, de cavalos, de governadores, presidentes, prefeitos, deputados, senadores e vereadores. A Igreja de Cristo precisa apenas de Cristo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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Ofertas ou investimentos: sobre a arrecadação nas igrejas

dinheiro no bolso

Antes de iniciar este artigo, sugiro que assista ao vídeo a seguir (apenas 24 segundos):

Sempre que buscam por apoio financeiro, as igrejas apelam para versículos bíblicos com as palavras “dízimo” e “oferta”. Por serem expressões bíblicas, soa como um ordenamento o fato do fiel transferir parte (ou todo, dependendo da “campanha” – exemplo Fogueira Santa da IURD) do seu salário ou patrimônio como doação para instituições religiosas. Porém, em muitas igrejas o objetivo bíblico dessas doações não é observado (servir aos irmãos mais necessitados), sendo os valores arrecadados investidos na reforma e construção de catedrais nababescas, na compra de jatinhos, iates, helicópteros, haras, fazendas, empresas, bancos, enfim, no enriquecimento pessoal dos seus líderes.

Como o objetivo dessas igrejas não é converter o pecador, mas fidelizar fiéis financiadores, o ensino do porquê dos dízimos e ofertas também é adulterado. Biblicamente falando, o dinheiro deve ser usado para ajudar os necessitados e, como necessitados que são, não poderão retribuir ou devolver o valor doado. Sim, biblicamente falando o dinheiro ofertado é literalmente uma doação, ou seja, uma cessão sem se esperar retorno, sem se esperar nada em troca. Essa lição só quem se converte verdadeiramente a Deus pode compreender, pois deixa de buscar benefícios para si para se alegrar em beneficiar o próximo.

Porém, os fiéis financiadores fidelizados não recebem ensinamento bíblico que promova neles uma conversão de mente. Assim, continuam com a mesma mentalidade de antes de frequentar a denominação. E essa mentalidade é a reinante no mundo: o importante é lucrar, é se dar bem, é ser mais esperto, é ser melhor do que o outro, é ter e não ser. E, com essa mentalidade, uma pessoa não consegue entender que precisa perder algo para ajudar a outra pessoa. Mas entende – e muito bem! – que só vale a pena perder algo se isso for por pouco tempo e com a promessa de remuneração maior mais adiante.

Peço licença para que assista a mais um vídeo antes de continuarmos este artigo (apenas 1 minuto e 27 segundos):

O (im)Pastor Silas Malafaia, mesmo com bigode, já não tinha papas na língua e expôs, de forma bastante clara, os ensinos dessas igrejas fidelizadoras de fiéis financiadores. Para ele, quem oferta biblicamente, sem buscar nada em troca além de agradar a Deus é “trouxa”. E trouxa é sinônimo de mané, idiota, otário e bobo (outras expressões muito usadas por esse impastor para tratar seus adversários de forma pejorativa) e de pessoa que é facilmente enganada, segundo o site Significados.

Mas voltemos ao primeiro vídeo, com o Apóstolo (?) Valdemiro Santiago da Igreja Mundial do Poder de Deus. Nesse vídeo, bem mais recente do que o do Malafaia, o líder já não usa a expressão “oferta”. Fala em “investimento”, palavra que, em si, já traz todo o significado que tanto agrada a fiéis financiadores: a promessa de ter um retorno financeiro superior ao valor inicialmente investido num negócio. E isso é esperado num “negócio”, não numa igreja.

Mas essa é a mentalidade do mundo. Por essa mentalidade, milhões são ganhos e milhões são perdidos diariamente. Pessoas investem suas economias numa financeira que oferece taxas mais altas do que a concorrência, mas não se importam com os riscos, já que só têm olhos para o retorno prometido. É um jogo onde os espertos ganham e os demais saem perdendo. E, aplicado nas igrejas, é um jogo onde os que têm mais fé (os impastores) ganham mais e os que têm menos fé ($) ganham menos ou nada ganham.

Peço licença para um último vídeo (apenas 3 minutos e 31 segundos):

O Apóstolo (?) Estevam Hernandes começa ameaçando o fiel: “você vai querer viver de migalhas? Você vai querer ficar nessa situação?”, sendo que pouco antes ele dava o exemplo de um fiel que, mesmo desempregado, se virou para conseguir o dinheiro para a oferta. Afinal, se não tem dinheiro, que peça emprestado. Mas tem que ofertar para sua Igreja Renascer em Cristo para então conseguir que o líder religioso coloque a “unção” (que obrigaria Deus a escancarar as janelas do céu) sobre o fiel. E, aproveitando sua experiência anterior como vendedor, Estevam Hernandes trabalha com contagem regressiva de unção, para dar a impressão de que a oferta imperdível está acabando e assim forçar a quem possa ter alguma dúvida a correr para o telefone e finalizar o negócio com a empreja.

Sim, empreja. Essas não são igrejas. São emprejas.

Deus, o Verdadeiro, não se compraz com a venda do Seu Santo Santo Santo Nome. Jesus, o Cristo, tratou a chicote os que mercadejavam no templo.

Deixo algumas passagens bíblicas para reflexão:

A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo. –  Tiago 1:27

Mas é grande ganho a piedade com contentamento.
Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele.
Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.
Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.
Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas. – 1 Timóteo 6:6-12

E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará.
Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.
E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra;
Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres;a sua justiça permanece para sempre. –  2 Coríntios 9:6-9

Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum.
Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um.
Unidos de coração freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração,
louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação. – Atos 2:44-47

Se você está fazendo “negócios com deus” por ouvir os falsos ensinos de algum pastor, arrependa-se, saia dessa Babilônia e converta-se inteiramente a Cristo. Oferte por amor numa igreja que cumpra os princípios do Evangelho. Ajude aos necessitados, àqueles que não poderão lhe recompensar. E estará juntando tesouros no céu.

Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;
Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!
Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. – Mateus 6:19-24

As emprejas são as igrejas de Mamom. Não sirva ao senhor errado.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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De Lula a Bolsonaro: 10 anos em que as lideranças evangélicas, em busca de benesses, apoiaram quem estava no poder

 

 

Há exatos dez anos, publicávamos um artigo denunciando a sanção do Dia da Marcha para Jesus pelo então Presidente Lula, agradando aos líderes evangélicos (em especial ao casal Hernandes da Igreja Renascer em Cristo, na época recém chegados de uma longa estadia nos Estados Unidos onde cumpriram pena por entrar no país com dinheiro não declarado – inclusive dentro de uma Bíblia). Era 2009, e estávamos profundamente indignados com isso e outros fatos, e pela Graça de Deus naquele ano, dois meses depois, o MEEB participou de sua primeira Marcha para Jesus portando faixas e camisetas com dizeres de exortação e a frase “Voltemos ao Evangelho puro e simples, o $how tem que parar!”.

Sim, já naquela época havia um movimento das lideranças evangélicas, especialmente as neopentecostais, de buscar alianças políticas. Mas não qualquer aliança, mas com o mandatário maior da nação, na época o Lula.

É engraçado perceber que, anos antes, Lula havia sido literalmente satanizado pelos neopentecostais que em 2009 o bajulavam. Nos púlpitos dizia-se claramente que o Lula era do diabo, o que levava a crer que seus adversários diretos, seja Collor, seja posteriormente Fernando Henrique Cardoso, eram as escolhas divinas. Porém, quando Lula passou a ter chances reais de vitória, aí “deus” o libertou das garras do diabo e o considerou digno do apoio dos evangélicos. Esse apoio durou seus 2 mandatos e seguiu no apoio à Dilma, sua sucessora. Só que Dilma, quando no segundo mandato demonstrou certa fraqueza política. Nesse momento, perdeu o apoio evangélico para o então vice Michel Temer. E, da mesma forma, Bolsonaro herdou o apoio gospel por estar na liderança e ser o símbolo da luta com o diabo do Partido dos Trabalhadores (sim, na cabeça dos líderes evangélicos Lula ora é do diabo, ora é de “deus”, dependendo das circunstâncias).

Não é nosso objetivo julgar politicamente FHC, Collor, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Todos eles são políticos, têm seus ideais e fazem alianças para alcançar suas metas políticas. Nosso objetivo é julgar o discernimento dos líderes evangélicos, que ora apoiam candidatos de esquerda, ora de direita, ora de centro-esquerda. Como no momento o apoio é para a direita, demonizam a esquerda. Mas ontem, quando a esquerda estava no poder, era vontade divina e digna de apoio total.

Engana-se quem pensa que esses líderes evangélicos agem por discernimento espiritual. O único discernimento que seguem é a quantidade de benefícios que podem abarcar. Assim, ganharam Dias da Marcha para Jesus, concessões de rádio e TV, terrenos privilegiados para a construção de templos, isenção de impostos, passaportes diplomáticos, presença vip em camarotes do 7 de Setembro, patrocínio para feiras de comércio gospel, espaço nas emissoras abertas de TV e jornais, etc.

Há 10 anos, um pequeno grupo se indignou contra tudo isso e demonstrou sua indignação silenciosamente com faixas e camisetas. Mas, 10 anos depois, tudo continua igual, os mesmos líderes posam de papagaio de pirata nas fotos com presidentes e outras autoridades, elegem seus deputados e senadores para votar os assuntos de seu interesse e riem daqueles que, como João Batista, os chamam daquilo que realmente são: raça de víboras!

Não se engane. Se, daqui há alguns anos, houver uma reviravolta política e Lula ou o PT voltarem ao poder, esses mesmos líderes que antes os demonizaram, depois os adularam e há pouco novamente os satanizaram, passarão a vê-los mais uma vez como “homens de deus”, afinal quem alcança o poder pode ajudar muito seus aliados – mesmo os de última hora, como costumam ser os (im)pastores. E se amanhã ou depois Bolsonaro for deposto ou cair no ostracismo, esses mesmos religiosos que hoje o consideram “representante de deus” dirão, na cara dura com óleo de peroba ungido, que nunca o apoiaram – e se empoleirarão no ombro do político que o suceder. Esse é o (mau) caráter dessa gente que cospe na Cruz o luxo, a fama, o poder e o dinheiro que conseguem vendendo a história de um tal Nazareno que nunca conheceram realmente.

Nossa certeza e esperança é que de Deus não se zomba.

Que Ele abra os olhos do Seu Povo, e que Lhe dê coragem e ousadia para denunciar e resistir ao mal.

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Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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O verdadeiro Reino de Deus

Culto do Ku Klux Klan na igreja metodista

Digo-lhes a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai. – João 14:12

Estamos vivendo dias catastróficos nas relações entre as palavras “poder” e “religiosidade”. Não falo só de Brasil. Vivemos isso em caráter mundial.

Logicamente, diante do que vemos e ouvimos diariamente no Brasil dá-se a impressão de que tudo está centrado em nosso redor. As questões sociais, políticas e econômicas relacionadas com a religião parecem ser o tema. Por exemplo, as relações de Trump vão muito além do que simplesmente política econômica. Seu descontentamento com a China não é somente comercial, mas sim pelo fato da China ter aliados no mundo árabe/muçulmano.

Esquecemo-nos de que estamos numa era globalizada, e a globalização tem seus prós e contras. E o que estamos vivenciando é que, para muitos, não há uma diferenciação entre os valores deste mundo e o Reino de Deus.

Jesus, o Verbo que se fez carne e habitou no meio de nós, usou cada um dos seus dias para demonstrar que o Reino de Deus é bastante diferente dos reinos e poderes deste mundo.

Jesus nasceu em meio a uma grande transformação social, política e econômica no seu mundo. Jesus viveu sobre o peso de um império dominante e de suas influências. E Jesus nasceu e viveu dentro das relações entre a religiosidade e esses poderes dominantes, diante dos resultados desses conflitos.

A pobreza, o massacre de vidas, as doenças, a fome que eram muitas vezes ofuscados pelo luxo do império e da igreja não lhes era oculto aos olhos. Ao contrário, tornaram-se terreno fértil para sua grande missão, que é salvar e libertar o povo sofrido.

É preciso entender que o Messias representa o Reino dos Céus. Isso significa dizer que o Seu Reino não é o deste mundo, pois seus valores e suas essências não se fundamentam no que é terreno. Por isso, Suas verdades foram tão controversas. Ele simplesmente viveu o Reino dos Céus a cada dia.

Cada palavra, cada ato visavam o Reino de Deus.

Temos inúmeros fatos descritos nas Sagradas Escrituras que demonstram que Jesus, realmente, não era deste mundo. Posso citar a questão envolvendo a mulher adúltera. Ele não contrariou a Lei, não usou nenhum poder sobrenatural. Simplesmente usou daquilo que lhe era maior: Ele foi o Messias.

Ao perguntar “quem não tem pecado, que atire a primeira pedra”, Ele trouxe aos homens um grande reflexo, como num espelho, do Reino de Deus e o mundo.

O Reino de Deus está sempre em conflito com os nossos valores e com os nossos sentidos.

O mundo vive em sentido contrário ao Reino de Deus. Muitos seres humanos nada sabem do Reino de Deus, porque, infelizmente, até mesmo a igreja e suas lideranças não representam esse Reino. O que vivenciamos há séculos contraria as essências do Reino de Deus.

Jesus é o verdadeiro exemplo para aqueles que querem viver o Reino de Deus, e a única forma de ter esses ensinamentos implícitos em nossa vida cotidiana é viver como Ele viveu.

A grande pergunta é: como isso seria possível em um mundo onde a lógica é viver para mim mesmo?

A igreja não consegue transformar as palavras de Jesus em algo penetrante, que leva a sociedade a viver uma verdadeira transcendência entre o céu e a terra.

Conheço muitos que, há décadas, frequentam uma instituição religiosa, mas até hoje não conseguem praticar o perdão ou um ato de misericórdia. Infelizmente, o que tem sido pregado em muitos púlpitos não são os exemplos de Cristo, mas sim resumos de teologias sistemáticas segundo teólogos locais. Há uma infinidade disso. Saímos de nossos lares, vamos a uma igreja para ouvir sínteses teológicas de pastores, carregadas de cunho e sentimentos pessoais, alicerçadas sobre interesses denominacionais, tudo assinado em nome de Jesus.

O resultado disso tudo é o que temos visto: pessoas ditas cristãs defendendo a tortura, a morte, a violência, o ódio, a destruição do meio ambiente. Pessoas que não admitem, em hipótese alguma, serem confrontadas com os exemplos de Jesus.

Quando citamos algum texto bíblico onde Jesus pratica o amor, a solidariedade, a misericórdia, muitos até se ofendem. Já tive que ouvir uma vez que Jesus era socialista.

Não, Jesus representa o Reino de Deus.

É nisso que se fundamentam os Seus atos.

Jesus não confrontou o César, porém não o adorou. O Seu alvo era o Reino de Deus.

Tenho visto e me entristecido muito com muitos pastores mais preocupados em ensinar a Constituição do que a própria Bíblia. Para muitos, dá muito mais lucro defender o governo do momento do que as verdades bíblicas. Porém, muitos se esquecem que, para aqueles que querem viver o verdadeiro Reino de Deus, é preciso negar o reino e os poderes deste mundo.

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Jesus disse que não podemos servir a dois senhores. É preciso fazer a escolha.

A qual Reino queremos servir?

Lembrando sempre que somente Um nos levará ao Céu.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

Paulo Siqueira
(um candidato a servo inútil)

 

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Marcha para Jesus em São Paulo 2019: politicagem e jeitinho brasileiro gospel

marcha191Mais um ano, mais uma Marcha para Jesus, mais uma vez Deus nos permitindo lá estar com frases para reflexão em nossas faixas e camisetas. Mais uma vez estávamos em poucos, mais uma vez houve o que há em todas as demais edições: muito oba oba gospel, muita micareta, muita palavra de vitória, muitos trios elétricos, muitos políticos e muito pouco que remeta à Jesus, o Cristo. E todas essas coisas já foram descritas em artigos deste blog desde 2009, quando o MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) surgiu.

Assim, nesse artigo trataremos basicamente de dois pontos: o uso político da Marcha e o seu esvaziamento. Comecemos por esse último ponto.

Ao passar por nós, do alto de seu trio elétrico de 24 metros de comprimento e repleto de políticos, pastores famosos, artistas gospel e empresários bons dizimistas, o Apóstolo (?) Estevam Hernandes, dono da Marcha (literalmente, pois patenteou a marca) disse que aquela seria a “maior Marcha da história”. Conseguimos gravar essa fala, que faz parte do vídeo que disponibilizamos nos próximos parágrafos deste artigo.

Os líderes neopentecostais têm uma crença de que tudo o que eles falam vira verdade, afinal são ungidos de Deus e suas palavras têm poder. Assim, quando o Apóstolo (?) Hernandes diz que aquela seria a maior Marcha da história, subentende-se que ele esteja profetizando algo, espiritualmente falando. E, como profeta, não pode falar mentiras.

Porém, talvez o Apóstolo (?) estivesse apenas querendo se engrandecer, fazer marketing da grandiosidade do seu evento, fazer crer que sua Marcha atual era maior do que todas as demais, numa atitude infantil e totalmente contrária ao que é esperado de um líder cristão. O fato é que, seja profecia, seja exibicionismo, a Marcha em São Paulo 2019 foi a com menos gente desde 2009, ano em que começamos a frequentá-la. Mas, ao mesmo tempo, temos fotos de veículos de imprensa mostrando que o local do palco, depois da Marcha, estava repleto de pessoas.

Ué, mas como assim?

O aprendiz reflete o que aprende do seu mestre, o aluno do seu professor, a ovelha do seu pastor. E o que o “povo apostólico” tem aprendido de seus líderes?

Tem aprendido a ser “cabeça” e não “cauda”. A estar “por cima” e não “por baixo”. A ser vencedor e não fracassado. Que possui direito de possuir, de determinar, de ganhar, de receber. Tem aprendido a famigerada Teologia da Prosperidade e a “ética” (ou falta de) que tal doutrina preconiza.

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Então sejamos práticos: para que se vai numa Marcha para Jesus? Para “louvar” com os artistas gospel, para ouvir os “homens de Deus”, para “orar pelos políticos” indicados pela liderança gospel. E onde tudo isso acontece? No palco da Marcha, é claro!

Então, se o objetivo é curtir as 10 horas de shows que acontecem no palco, por que perder tempo “marchando” pela longa Avenida Tiradentes? Se o objetivo é ficar o mais próximo possível dos “ídolos”, por que não ir direto para o local dos shows, garantindo um lugar mais próximo do palco, onde a unção deve correr mais solta?

Eis o Jeitinho Brasileiro Gospel! Beneficiar-se de toda a diversão que o evento Marcha para Jesus pode proporcionar, mas sem se cansar numa longa caminhada (mesmo que, em tese, seja essa caminhada o ponto mais importante do evento, tanto que lhe dá nome)!

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Enquanto estávamos parados, vendo todos os trios elétricos passarem por nós cercados por muito poucas pessoas, até acreditamos que muita gente tinha desistido de participar da Marcha por “N” motivos. Mas, quando em casa pudemos ver os flashes dos shows e o local lotado de pessoas, aí nos caiu a ficha: as pessoas não estão desistindo de ir à Marcha para Jesus, apenas estão desistindo de marchar.

Antes, a Marcha para Jesus se justificava como uma espécie de procissão, onde os líderes e fiéis andavam pela cidade orando e cantando para Deus, decretando bênçãos e quebrando maldições hereditárias segundo a doutrina neopentecostal. Agora, nem essa justificativa existe mais. Em breve, os organizadores poderão economizar com trios elétricos, pois pelo que foi visto nesse ano, talvez não haja quem os siga no ano que vem.

Se a Marcha no sentido literal foi um fracasso de público, os shows da Marcha bombaram. Teve gente que chegou às 7 da manhã para garantir lugar na grade em frente ao palco. Os artistas gospel, políticos e líderes evangélicos fizeram suas apresentações, o povo delirou, aplaudiu, gritou “mito”, adorou (nos dois sentidos). Talvez seja hora de mudar o nome de Marcha para Jesus para Show do Messias, muito mais adequado.

E falando em Messias, como sempre a politicagem correu solta no evento. O governador de São Paulo João Dória, o prefeito Bruno Covas e até o presidente Jair Bolsonaro estiveram presentes, além de vereadores, deputados, senadores em busca de orações, ou seja, de votos. A imagem mais marcante foi o gesto de Bolsonaro simulando estar com uma arma:

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Analisando a foto, vemos que o presidente simula carregar um fuzil ou coisa do tipo. E  direciona a arma para baixo, como se seu inimigo estivesse embaixo, talvez deitado ou caído, possivelmente já rendido. Se a arma estivesse na altura do peito, seu inimigo aparentaria estar em pé. Mas não foi o que aconteceu, o presidente simulou uma execução covarde, desnecessária, pois se o inimigo já está rendido, basta prendê-lo e levá-lo às autoridades.

Mas até aí, nada diferente do discurso político que o elegeu, um discurso de vingança. Como político, Bolsonaro estava lá fazendo o seu papel, como o Dória e os demais também fizeram o seu: aparecer como simpatizantes da religião, para que a multidão lhes dê crédito e continue votando neles nas próximas eleições. O grande problema foi a reação dos pastores.

Pela foto, vemos os pastores rindo, achando graça, se divertindo com a execução virtual efetuada pelo presidente. Eles riem e bajulam o presidente e demais políticos porque dependem deles para a obtenção de benefícios para si e suas denominações. Esses pastores são (im)pastores, que pregam aos fiéis fidelidade total a Deus, mas eles mesmos não creem nisso e colocam sua fidelidade nos políticos do momento, quais sejam: FHC, Lula, Dilma, Bolsonaro e, caso esse também caia, qualquer um que for levantado em seu lugar.

Esses (im)pastores são urubus e hienas, sem ética, sem moral, sem amor a Deus, sem amor aos outros, sem tremor e temor do Senhor. E o triste é que estão formando seguidores com o mesmo péssimo caráter cristão. O Jeitinho Brasileiro Gospel é mais uma prova disso.

Ainda analisando a foto, vemos que todos no palco usam uma camiseta com o slogan da Marcha, igualando-se aos demais participantes. Que lindo, a igualdade nos trajes simbolizando a igualdade na Igreja! Só que não…

Olhe mais atentamente e veja que as pólos do presidente e do Apóstolo (?) apresentam o singular símbolo da marca Lacoste, cuja pólo branca basiquinha custa R$ 329,00:

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Ou alguém acha que líder bem sucedido se mistura com pobre povo dizimista fiel? Não fazer acepção de pessoas é coisa de nazareno ultrapassado! Rico que é gospel não usa essas camisetinhas de poliéster com algodão que eles vendem pros pobres, pois lhes dá alergia (tanto a camiseta quanto os pobres, diga-se de passagem).

Tudo o mais (imagens gigantes dos líderes nos trios elétricos, uso de dinheiro público na Marcha, demonstração de poderio espiritual e político sobre a multidão, contratação de artistas gospel para atrair os fiéis, etc) são apenas o reflexo de um evento que nada tem de espiritual e que apenas serve para a vaidade dos seus organizadores (além de lhes render muitos lucros!).

O mais patético de tudo é que as lideranças no alto dos trios ficam de costas para nós para não correrem o risco de ler as faixas. Quanto medo de seis pessoas e das frases de juízo que portamos! Pensando bem, eles têm mesmo motivos para temer…

Glorificamos a Deus por, mais uma vez, nos permitir lá estar. Que Ele abra os olhos espirituais de muitos que lá estiveram e puderam ler as faixas e pegar os folhetos, e traga consciência a muitos de que o verdadeiro Cristianismo está além de tudo isso, afinal não conquistamos o título de Protestantes ao longo da história para estarmos do lado daqueles que praticam a iniquidade, como disse Jesus e Seus Apóstolos. Que Ele abra os olhos dos líderes e políticos, e que todos possamos nos arrepender dos nossos maus caminhos e não marchar, mas caminhar em direção ao Pai.

Que Deus tenha misericórdia de nós.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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MEEB: 10 anos conscientizando a igreja evangélica brasileira

Evangelho puro e simples anunciado em São PauloGrandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres. – Salmos 126:3

Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. – 2 Timóteo 4:5

Parece que foi ontem, mas dez anos se passaram. Uma conversa na sala da minha casa, vinda da indignação com a realidade de muitas igrejas evangélicas, e veio uma ideia à nossa mente: precisamos fazer alguma coisa para mudar essa realidade.

Éramos somos eu e minha esposa. E a pergunta foi: como duas pessoas podem enfrentar as contínuas horas dos telepastores e dos pregadores nas milhares de rádios, vindos de milhares de igrejas espalhadas por esse país? A resposta era: é impossível.

Porém, diz a Bíblia que o que é impossível para os homens é possível para Deus (Lucas 18:27).

Assim nasceu, através da fé de que Deus faz das coisas loucas algo para confundir as sábias, e que faz das coisas pequenas algo para sobrepor até mesmo as grandes potenciais, o MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) no ano de 2009.

Não sabíamos como fazer, porém tínhamos em nossos corações que a realidade da igreja evangélica brasileira não estava em conformidade com as Sagradas Escrituras. Que o grande comércio, que as contínuas barganhas e a sede desenfreada de muitos líderes e pastores não estavam enquadrados nos ensinamentos de Jesus nem nas doutrinas dos apóstolos de Cristo. Que líderes como Macedo, Malafaia, Santiago, Terra Nova e outros criaram suas próprias teologias, teologias essas muito distantes das essências do verdadeiro Cristianismo.

Nosso primeiro passo foi criar dois blogs, com o intuito de divulgar os pensamentos e conscientizar o povo evangélico sobre a realidade e apontar formas de mudança. Porém, nesse intervalo o Brasil foi abalado com a vinda de Morris Cerullo a convite de Silas Malafaia, com uma ideia de que os fiéis poderiam adquirir por 900 reais uma chamada “unção financeira”, ou seja, compre essa unção e acabe com os seus problemas financeiros, essa era a promessa. Então, subitamente, minha esposa cria uma camiseta e parte para um evento (Expo Cristã) no intuito de chamar a atenção dos evangélicos para essa vergonha.

SAM_0651Essa simples camiseta, despertando a muitos sobre o fato, nos mostrou que Deus queria que fôssemos ao povo evangélico brasileiro. Então, nasce em meu coração a frase que iria guiar todas as ações do MEEB. Até então não tínhamos noção do que estávamos criando, pois até então tudo se resumia a mim, minha esposa e o Espírito Santo na sala do nosso apartamento. A frase era:

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

Na mesma semana em que estávamos envolvidos em tudo isso, o Brasil recebia a notícia de que o auto-intitulado Apóstolo Estevam Hernandes, após cumprir prisão dos Estados Unidos, estava retornando ao Brasil e sua apoteose seria em uma Marcha para Jesus em São Paulo. Nossos corações arderam. Primeiramente, em indignação e depois veio a nós que esse era o lugar em que deveríamos estar.

Então, confeccionamos uma simples faixa de papel com a frase “slogan” do movimento, fizemos uma camiseta com a mesma frase e um versículo nas costas, referindo que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, para que todos soubessem que nós desaprovávamos a apoteose dos Hernandes.

Publicamos em nossos blogs que estaríamos no evento praticando esse ato.

Partimos para o evento, imaginando que eu e ela estaríamos diante da multidão. Mas fomos surpreendidos pela ação do Espírito Santo, pois mais seis pessoas atenderam ao toque do Espírito Santo e foram na batalha conosco.

Um pouco do que aconteceu está no vídeo abaixo.

Esse vídeo se espalhou por todo o canto. Em questão de meses, o vídeo fora visto em todos os cantos do país. Passamos a receber ligações de todo o Brasil e até do exterior. Alguns queriam apoiar, outros querendo ofertar, alguns querendo participar e o que dizíamos era: faça o mesmo onde você estiver.

O que me surpreendia era muita gente querendo saber quanto custava para participar e quanto custava a camiseta. E quando respondíamos que a arte da camiseta estava disponível nos blogs, muitos se admiravam. Algumas pessoas perguntavam se podiam fazer a camiseta e vender.

Em pouco tempo, começamos a ser procurados por revistas, periódicos, jornais evangélicos de todo o Brasil. Nossa primeira entrevista em uma revista da Igreja Anglicana tinha por título O Blog que vai virar Igreja. E eu sempre dizia: não sei o que vai se tornar, eu só sei o que Deus nos dizia: cumpre o seu ministério.

Não demorou, e em outros eventos em que fomos participar fomos surpreendidos pelos seguranças do dono da Marcha para Jesus, e fomos agredidos e tivemos nossas faixas retiradas. O sr. Hernandes, quando perguntado por um jornal sobre a nossa presença, disse que éramos “insignificantes”. Essa palavra é o grande referencial do nosso movimento.

Realmente éramos e somos até hoje insignificantes.

Porém, o que Deus nos inspirou na sala de nossa casa em pouco tempo começou a se repetir em todos os cantos do país. Começamos a receber fotos, vídeos e relatos de pessoas reproduzindo a frase, confeccionando camisetas, faixas, e indo diante de igrejas e eventos, e chamando a igreja à consciência de que a igreja deveria voltar ao Evangelho puro e simples de Jesus e que o $how do comércio, das barganhas e heresias deveria parar. Ao ponto de que todo esse movimento chegou à grande mídia e fomos convidados a participar de uma matéria na Revista Época, onde relatava a realidade dos Novos Evangélicos.

Nós até então estávamos atônitos com tudo, porque nunca gastamos um único centavo com mídia, com nada, apenas nos deixando conduzir pelo interesse das pessoas em saber o que era o Evangelho puro e simples e porque o $how tem que parar. Participamos de documentário, mas uma coisa sempre nos chamou a atenção: nunca recebemos apoio nenhum de nenhuma igreja, ministério ou pregador ou grande líder. Se fôssemos enumerar as pessoas que nos apoiaram nesse período, contaríamos nos dedos. As únicas pessoas que caminharam conosco e nos propiciaram alguma forma e condições de podermos divulgar nosso trabalho foi o casal Luciana Mazza e Marcelo Rebello, organizadores do antigo Salão Internacional Gospel, evento esse no qual sempre tivemos total liberdade para agir em prol de uma consciência verdadeiramente cristã.

precisamosdeumaigrejaMesmo assim, tive oportunidade de pregar em inúmeras igrejas, em vários cantos.

Com tudo isso, descobrimos algo. A mensagem é para poucos, pois o Evangelho puro e simples de Jesus é totalmente contrário à Teologia da Prosperidade, à Teologia da Barganha e à Teologia do Poder Político dos telepastores brasileiros.

Não demorou e começaram a aparecer ameaças de processos judiciais, xingamentos em programas de TV. Éramos citados como os blogueiros filhos do diabo, blogueiros invejosos, porém a cada dia sabíamos e recebíamos relatos de que muitos estavam tendo seus olhos abertos pelo Espírito Santo de Deus. E as verdades do Evangelho de Cristo estavam prevalecendo em muitas vidas.

Começamos a ver igrejas e ministérios mudando de rumo e começando a praticar o Evangelho puro e simples de Jesus.

Em tudo isso, descobrimos que a igreja evangélica brasileira está mais voltada para as emoções do que para a razão. Que a igreja evangélica, em muitos ministérios, está focada unicamente nos números, nas quantidades e na arrecadação. Que muitos ministérios estão distantes da consciência e da espiritualidade verdadeiramente cristãs.

Descobrimos, dia após dia, evento após evento, que muitas igrejas e suas lideranças e membros não sabem dialogar, não sabem fazer uma autocrítica e não suportam ser contrariados. Nós, em simples frases em faixas, camisetas e folhetos, sentimos na pele o quão difícil é levar a igreja brasileira à reflexão, à consciência e ao arrependimento. Que os telepastores, os donos de igrejas são crianças mimadas que não suportam e que se revoltam quando têm suas vontades contrariadas. Homens que, com certeza, seriam confrontados pelos verdadeiros apóstolos Paulo, Pedro e João por suas vaidades, por sua ganância e pelo seu desejo desenfreado de viver segundo os valores deste mundo, buscando os tesouros desta terra.

Assistimos pastores demonstrando poder com a aquisição de bens, roupas, imóveis, relógios, carros, numa demonstração grotesca de que o que importa é conquistar este mundo. Enquanto a Bíblia diz que não devemos ajuntar tesouros nessa terra, mas sim tesouros nos céus, os grandes templos, as catedrais, os aviões, os passaportes diplomáticos trocados com alianças políticas e partidárias são divulgados amplamente por toda a mídia, denotando claramente que o importante é prosperar, ganhar, vencer, conquistar, tomar posse, tudo em nome de Deus, fazendo com que as palavras bíblicas como arrependimento, humildade, mansidão, compaixão, perdão, amor ao próximo, piedade, misericórdia se tornem sem nexo.

Começamos a ver que a igreja evangélica brasileira está totalmente cega para as verdades do Evangelho, e que muitas lideranças fazem isso conscientemente, pois buscam o poder. A prova disso são as alianças e as barganhas políticas.

Temos a impressão de que Deus, Jesus, a Bíblia são meros produtos para a arrecadação e enriquecimento dessas lideranças. A prova de tudo isso é que mesmo a igreja evangélica atingindo índices jamais vistos na história do Brasil, seu crescimento em nada impacta o nosso país no sentido de mudança social, cultural, humana e, acima de tudo, de uma espiritualidade bíblica.

3Apesar de termos um grande número de evangélicos, ainda somos um país violento, corrupto, miserável, com os piores índices de educação, com uma igreja mal formada, mal educada, com pastores despreparados, com crentes que não conhecem a Bíblia.

Tudo isso porque a igreja não consegue refletir a luz de Cristo ao país, pois falta-lhe uma consciência ético-cristã.

A igreja brasileira, na sua imaturidade, ainda tenta ensinar a Deus a ser Deus, e muitos líderes acreditam ajudar a Deus a fazer a Sua obra, pois se defendem mais as doutrinas do que as Escrituras. Assim temos uma fé puramente denominacional.

Muitos pastores não conseguem viver a sua fé sem a sua denominação. É como se Deus se sujeitasse às vontades da sua denominação. Não há liberdade para muitos se não estiver debaixo da denominação.

Temos uma igreja que não sabe servir, uma igreja que só sabe ser empresa e reagir ao mercado.

Temos pastores não convertidos, liderando igrejas através de técnicas gerenciais, onde a espiritualidade se resume a números. Pastores reféns de estruturas puramente empresariais. Com isso, temos muitas igrejas que sequer sabem o que é fé.

Muitos jamais viveram uma espiritualidade verdadeira, pois tudo gira em torno do emocional, do empresarial, do místico. A igreja não sabe viver o Cristianismo sem emoções e sem o denominacionalismo.

Em muitos lugares, não há liberdade.

Quando o MEEB diz que a igreja precisa voltar ao Evangelho puro e simples de Jesus e que o $how tem que parar, estamos querendo dizer que a igreja precisa voltar a ser um local de libertação, de crescimento e acima de tudo, o local onde a Verdade que é Cristo esteja no coração das pessoas. E assim poderemos dizer que a prática do amor verdadeiro é o verdadeiro sentido da igreja.

Que não sejamos conhecidos pelo tamanho das nossas catedrais ou pela riqueza dos nossos líderes ou pela aliança com políticos e partidos, mas que sejamos conhecidos por nossa ética, como promotores da justiça, da paz, e acima de tudo pelo nosso amor uns para com os outros.

Nesses dez anos descobrimos que o nosso trabalho foi levantado por Deus para conscientizar a igreja brasileira de que precisamos voltar a Cristo, pois não há um nome sequer no mundo pelo qual possamos nos salvar, senão a Cristo.

Sabemos que estamos na contramão, pois assim estiveram os apóstolos, os pais da igreja, assim estiveram os mártires, assim estiveram todos aqueles que ousaram viver as verdades do Evangelho.

Até onde iremos? Iremos até onde o Evangelho nos conduzir.

Sabemos que as Escrituras nos revelam que há muito por vir ainda, mas cremos que assim como Deus levantou os seus profetas, os seus apóstolos, Deus sempre levantará os seus, mesmo que sejam as pedras. Mas a Sua Palavra e as Suas Essências serão levadas adiante.

Nesses dez anos, não foi a violência, não foram as ameaças, não foram as caras feias, não foram os dedos apontados que nos desanimaram, pois estamos convictos de que o Senhor é conosco. Só estamos exercendo o ministério que Deus confiou a nós.

Agradecemos a todos os irmãos e irmãs de todos os cantos que estiveram conosco pessoalmente, por palavras nas redes sociais, muitos que nós nunca conhecemos mas que sempre estiveram conosco ajudando, intercedendo. Nesses dez anos, vimos com os nossos olhos que o nosso Redentor vive e reina, e por isso continuaremos levando essa mensagem.

A DEUS toda a honra e toda a glória. Que Ele sempre cresça, e que nós sempre venhamos a diminuir.

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10 anos proclamando que o $how tem que parar: os ensinos nas igrejas evangélicas entre 2009 e 2019

Há dez anos, usamos a camiseta acima no que seria o primeiro protesto pacífico do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira). Isso porque o (im)Pastor Silas Malafaia lançou um anúncio enigmático: no programa do sábado seguinte levaria o “profeta de deus” Morris Cerullo, que por sua vez daria uma palavra poderosa.

E assim foi. Ligados na telinha, ouvimos cerca de 40 minutos de pregação e profecia misturada com numerologia de quintal (coisas tipo 2009 termina com 9, que é o número da prosperidade). Havia várias admoestações para que se confiasse cegamente no “profeta”, afinal desconfiar seria “pecado de rebeldia”, Para os que obedecessem totalmente ao “profeta” estaria reservada a “unção financeira dos últimos dias”, o derramar das riquezas dos ímpios em favor dos fiéis, afinal uma grande crise se avizinhava e “deus” queria prosperar o seu povo (contanto que se fizesse o que o “profeta” lhe ordenava).

Após uns 30 minutos de “lavagem cerebral gospel”, finalmente a facada: para receber a tal “unção financeira”, o fiel precisaria desembolsar 900 reais e depositar a quantia nas contas da Associação Vitória em Cristo de Silas Malafaia. Como brinde, o fiel receberia inteiramente “grátis” a Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira, de autoria de Morris Cerullo.

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Ensino da Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira, bíblia símbolo da Teologia da Prosperidade

Abaixo, 5 minutinhos da tal pregação para se ter uma ideia do tamanho do engano:

Enfim, após assistirmos ao tal programa (que foi reprisado várias vezes para tentar abarcar o maior número possível de incautos) ficamos na tal ira santa. Afinal, havíamos acabado de assistir a seres inescrupulosos usando do Santo Nome do Senhor para arrecadar dinheiro. E sabíamos que 2 meses depois aconteceria a Expo Cristã, uma feira de negócios gospel. Então decidimos ir, mas vestindo uma camiseta que externasse nossa indignação. Era a tal camiseta do início deste artigo. E mais uns meses, e houve nossa primeira participação, com faixas e camisetas, na Marcha para Jesus em São Paulo.

Virou pecado ser protestante

Essa breve introdução foi necessária para situarmos o clima “gospel” em 2009. Nessa época já havia alguns que se autointitulavam “Apóstolos”, como o próprio dono da Marcha, o Apóstolo (?) Estevam Hernandes da Igreja Apostólica Renascer em Cristo; Edir Macedo já tinha grande fortuna e já havia divisões em sua denominação (como as que levaram à fundação das igrejas do R. R. Soares e do Valdemiro Santiago); o Apóstolo (?) Agenor Duque tinha recém criado sua igreja Plenitude do Trono de Deus, e seguia pelo mesmo caminho; o movimento G12, embora mais fraco, ainda existia e tinha suas imitações, como o MIR12 do Apóstolo (como essa modinha se prolifera!) Renê Terra Nova e o MDA; igrejas pentecostais como algumas Assembleias de Deus buscam se modernizar para arregimentar novos membros; os shows gospel passam a ser uma alternativa para atrair os jovens através de uma forma de entretenimento “saudável”; muitas igrejas download (1)passam a entender que crescimento numérico e aumento na arrecadação são sinônimos de salvação de vidas – a transformação do caráter passa a não ter tanta importância, conquanto que o fiel esteja assiduamente nos cultos e seja generoso nos dízimos e ofertas; para facilitar a aquisição de benesses, as grandes igrejas passam a indicar políticos a seus fiéis, além de buscar adquirir canais de TV e rádio, ou pelo menos manter uma programação diária ou semanal nessas mídias.

A “unção financeira dos últimos dias” de Malafaia e Cerullo foi apenas o pavio que levou o MEEB a realizar manifestações pacíficas em vários eventos gospel Brasil afora, porém aberrações iguais ou até piores continuaram a ocorrer nos meios evangélicos. Cerullo voltou ao programa do Malafaia outras tantas vezes, intercalando com o Dr. Mike Murdock. Ambos, Murdock e Cerullo apresentavam sempre a mesma fórmula: uma unção especial, que seria dada a quem desembolsasse a quantia exigida pelo grupo, do qual Malafaia fazia parte e era o principal beneficiário (já que as doações iam, pelo menos em tese, para o bolso de suas instituições). Malafaia terminou seu “Projac gospel”, comprou jatinho, ampliou editora, tomou para si a igreja do falecido sogro e construiu dezenas de templos-filiais por todo o Brasil. E figurou na Revista Forbes como um dos pastores mais ricos do Brasil (depois entrou em litígio com a revista, pois a riqueza não está em seu nome, mas no nome das instituições das quais é o eterno e único presidente).

De 2009 para cá, vimos o Evangelho ser aviltado de todas as formas. Ele foi vendido, desfigurado, desmentido, envergonhado. Vimos (im)pastores vendendo arcas da aliança, óleos com propriedades mágicas, água ungida, lenço ungido, seguro de vida gospel, consórcio gospel, cartão de crédito da denominação, viagens a Israel com pastor famoso, cruzeiro gospel, unção da riqueza, unção de nobreza, títulos eclesiásticos, até a salvação (sim, certa vez Mike Murdock vendeu a salvação da família do fiel se ele desse R$ 1.000,00 para o programa do Malafaia).

O Evangelho também se espetacularizou ainda mais nesses últimos 10 anos. Os (im)pastores descobriram 2 formas bastante eficientes de simular milagres: o uso de truques baratos de mágica e a hipnose. Com o primeiro método simulam a retirada de caroços, agulhas, gosmas e coisas do tipo que estariam no corpo do fiel e seriam obra de magia negra. Com o segundo método, simulam possessões demoníacas, levam o fiel a se esquecer de fatos negativos da sua vida, o fazem girar, cair, rir, chorar. E a plateia, ao ver tudo isso, encantados com o poder do (im)pastor, não titubeiam quando chamados a colocar o dinheiro na sacolinha (os mais modernos usam maquininhas de cartão).

E o Evangelho se irmanou com o Mundo. Nesses dez anos, recrudesceram os laços entre as igrejas e os governos. Ao invés de defender os pobres e os necessitados, as igrejas em boa parte agora defendem a si mesmas, às suas isenções tributárias, aos seus desejos de ter uma concessão de rádio ou TV, às suas necessidades de desburocratizar a construção de grandes templos em locais que, pelas leis então vigentes, não poderiam acontecer.

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Nesses dez anos, os grandes líderes evangélicos saíram da obscuridade de seus templos para os holofotes das colunas sociais, das festas da alta sociedade, das homenagens através de seus nomes em placas de rua, das fotos como papagaios de pirata dos políticos mais influentes (mas que precisam dos votos dos fiéis para se manterem no poder). A simplicidade deu lugar aos caríssimos relógios importados e carrões do ano.

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Mas tanta iniquidade não passou despercebida.

Nesses 10 anos, pessoas anônimas se levantaram por todo o Brasil estendendo faixas e portando camisetas que buscavam levar à reflexão sobre as essências do Evangelho. O resgate da Verdade gritava através das faixas, das frases e versículos nelas escritas. Olhos foram abertos, outros mais se fecharam com mais força para não ter que abrir mão daquilo que o Mundo lhes oferecia com tanto prazer.

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Morris Cerullo e Mick Murdock deixaram de vir ao Brasil a pedido de Malafaia, pois a coisa chegou num ponto em que ninguém mais lhes dava crédito. Mas agora a onda é o Apóstolo (?) Agenor Duque trazer o (im)Pastor Benny Hinn para derrubar os fiéis na base da hipnose coletiva.

Ainda há muito a fazer. Nós só seguramos as faixas, o Senhor é quem faz o trabalho.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

Em tempo: no dia 20 de Junho (feriado católico de Corpus Christi apropriado indevidamente pelos evangélicos) haverá a Marcha para Jesus em São Paulo. Pelo décimo ano seguido estaremos lá, permitindo Deus, portando nossas faixas com versículos bíblicos e exortações. Se você sentir de estar lá conosco nessa inglória tarefa, estaremos a partir das 9 horas no Posto BR na saída do metrô Armênia.

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10 anos proclamando que o $how tem que parar: o que mudou na relação mundo-igreja evangélica entre 2009 e 2019

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Essa foi a primeira faixa estendida numa Marcha para Jesus pelo MEEB – Movimento pela Ética Evangélica Brasileira. Isso ocorreu em 2009, há 10 anos. Naquela época, clamávamos pela volta da Igreja ao ensino do Evangelho puro e simples de Jesus, pois estávamos imersos em ensinos heréticos (especialmente ligados à Teologia da Prosperidade) e nos conluios com políticos com o fim de conseguir benefícios para os líderes e suas instituições religiosas.

Não, não estou descrevendo resumidamente 2019. Estou descrevendo o contexto de 2009 mesmo. Veja:

Em 2009 vivíamos o penúltimo ano do segundo mandato do Presidente Lula. Como não poderia se reeleger, o político já indicava sua sucessora, a então Ministra Dilma Rousseff. Mas antes de continuar, voltemos um pouquinho mais no tempo.

Em 2002, Luis Inácio Lula da Silva finalmente conquistou a Presidência do Brasil. Desde a abertura política, o político tentava se eleger sem sucesso, também pela pecha de “baderneiro”, “comunista” e outras expressões do tipo que seus adversários lhe impunham. Perdeu as eleições para o Collor e posteriormente para o Fernando Henrique Cardoso. Os líderes evangélicos o definiam como “filho do diabo” e, pelo medo, levaram seus fiéis a não votarem nele nessas ocasiões.

Porém, em 2002 a situação mudou. Lula filho do diabo passou a ser o Lulinha paz e amor. Talvez por inspiração divina, talvez por ver que dessa vez ele tinha reais chances de vitória (eu particularmente aposto mais nessa hipótese), as grandes lideranças evangélicas deixaram de acreditar no viés baderneiro e comunista do candidato e lhe deram aberto apoio. E suas ovelhas, agora, já não tinham medo do barbudo e depositaram seu voto no indicado pelos representantes de “deus” na terra.

Para melhor exemplificar, eis um trecho de matéria veiculada no portal Uol Notícias (https://noticias.uol.com.br/inter/reuters/2002/10/17/ult27u27501.jhtm):

[…] Em um concorrido evento numa churrascaria na zona norte do Rio de Janeiro, que reuniu cerca de 900 pessoas, Lula obteve o apoio de representantes de várias igrejas, incluindo a Metodista, Batista, Sara Nossa Terra, Igreja Universal e pastores da Assembléia de Deus, que não seguiram a decisão das duas principais convenções da igreja de apoiar Serra. Ao discursar para a platéia de evangélicos, Lula recorreu a imagens bíblicas para rechaçar a campanha do adversário, que insiste na tese do medo para desconstruir sua candidatura às vésperas do segundo turno das eleições.

‘A gente não tem que ter medo, a gente tem que votar com consciência, porque se a gente permitir que prevaleça a teoria do medo, a gente vai voltar milhares de anos atrás, quando Herodes, por medo do novo, queria matar todas as crianças à procura de Jesus Cristo,’ disse Lula.

[…] O pastor Silas Malafaia, presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos, que congrega mais de 10 mil pastores, também refutou a teoria do medo.

Lula disse estar convicto de que vencerá as eleições “sem atacar o adversário” nem falar mal do governo. E notou que pretende contar com a ajuda dos evangélicos para atacar os problemas sociais do país.

Então, em 2002 os líderes evangélicos deixaram de enxergar o demônio no PT, e isso perdurou durante os dois mandatos de Lula e também durante o governo Dilma. A exceção fica com Silas Malafaia, que não apoiou Dilma, preferindo apoiar o adversário Serra. Mas durante 8 anos também esse pastor viu em Lula a “paz e o amor” divinos.

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Agora pulemos novamente para 2009. Lula está com o “ibope” em alta e querendo fazer sua sucessora. E os líderes evangélicos querem se manter próximos ao poder e vêem que, pela popularidade de Lula, são grandes as chances de Dilma se eleger. Juntando a fome de poder de Lula com a vontade de comer os manjares da terra dos líderes evangélicos, obviamente que “deus” continuou aconselhando seus representantes a indicar o voto das ovelhas em Dilma Rousseff.

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Assim, vemos em 2009 toda a Cambada Evangélica (ops, ato falho!?) seguindo as instruções divinas e apoiando Dilma. Para “fortalecer” essa aliança, o ainda Presidente Lula instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus, atendendo a um anseio das lideranças gospel, especialmente do casal Estevam e Sônia Hernandes, donos da Igreja Renascer em Cristo. Coincidentemente, meses antes o casal aportou no Brasil após quase 3 anos de reclusão (prisão mesmo) nos Estados Unidos por tentarem entrar com dólares não declarados, escondidos até numa Bíblia (alguma unção financeira nova?).

Se fôssemos um país sério, com evangélicos sérios, com conversões sérias, tal casal voltaria para o Brasil envergonhado, entristecido, contristado, arrependido de suas más ações, e ficariam, no mínimo, “em disciplina” em sua denominação para evitar mais escândalo. Mas como somos o Brasil, eles voltaram com toda a pompa e circunstância, esnobando a tudo e a todos, fazendo conchavos políticos com os petistas e anunciando que em novembro daquele ano São Paulo teria a “maior Marcha para Jesus de toda a sua história” (a propósito, tal Marcha é marca registrada desse casal).

E Lula, querendo o voto dos frequentadores da Renascer e dos demais marchantes de outras igrejas, fez o agrado ao casal e decretou a data tão importante (fonte: Estadão – https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,lula-institui-dia-da-marcha-para-jesus,429197).

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira, 3, o projeto de lei que institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus. Participaram da cerimônia, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o presidente da Câmara, Michel Temer, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, estavam presentes no evento.

[…] A solenidade contou com a participação de representantes de várias igrejas evangélicas, inclusive dos bispos Estevam e Sônia Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. O casal voltou ao Brasil no começo de agosto, depois de um período de dois anos e seis meses de prisão e liberdade condicional nos Estados Unidos. Eles foram condenados após tentar entrar no país com US$ 56 mil não declarados.

[…] Antes do início da cerimônia, Estevam Hernandes fez questão de puxar uma oração pela saúde da ministra Dilma, que deu entrevista nesta quinta-feira dizendo que está curada do câncer linfático. Dilma é a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência em 2010.”

 

Pela alegria das fotos, parece que os líderes evangélicos estão juntos com enviados do diabo?

Mas enfim, em novembro de 2009 ocorreu a tão esperada Marcha para Jesus, os líderes evangélicos e os políticos puderam desfilar no alto dos carros-alegóricos, foi dito que “o Brasil será do Senhor Jesus blablablá”, o povo acreditou neles e votou na candidata indicada, Dilma Rousseff levou as eleições e os líderes evangélicos continuaram apoiando-a enquanto lhes foi conveniente.

A conveniência acabou logo após Dilma conquistar seu segundo mandato e entrar em guerra com o antigo aliado Eduardo Cunha, Presidente evangélico e corrupto da Câmara dos Deputados que, por seu cargo, pode instaurar uma série de pautas-bomba que aceleraram a queda da Presidente. Os líderes evangélicos então pularam para o barco do então Vice Michel Temer, através da Cambada Evangélica ajudaram no Impeachment de Rousseff e apoiaram o novo Presidente Temer até o final do mandato de forma menos ostensiva, pois já estavam articulando para apoiar a nova indicação do “deus” deles, o então candidato Jair Messias (seria um sinal?) Bolsonaro.

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E chegamos em 2018/2019, quando vemos uma reprise de 2009 só que com outros personagens, ou seja:

As lideranças evangélicas recebem “direção de deus” para apoiar Jair Bolsonaro para a Presidência, seus adversários se tornam filhos do diabo (especialmente o adversário do 2o. turno, Fernando Haddad), o antigo aliado Lula volta a virar filho do diabo (pois está preso e não pode mais trazer benefícios), o rebanho gospel acredita em tudo (pois não tem a menor lembrança do que comeu no café da manhã, quiçá dos fatos que aconteceram 10 anos atrás), o Presidente Bolsonaro toma atitudes polêmicas mas é tolerado cegamente (afinal, confirmou presença no carro-alegórico da Marcha para Jesus, a versão 2019 do ato de Lula de decretar o Dia da Marcha para Jesus em 2009), os conchavos e conluios entre os governos e as igrejas evangélicas se mantém (por exemplo, a promessa de não tributação das igrejas e aumento das isenções que já existem), afinal continua a máxima de que a fome de poder de Bolsonaro e a vontade de comer os manjares da terra dos evangélicos é o elo que os une.

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Pois é, a história é a mesma, só mudam os personagens. E o Santo Deus não tem nada a ver com nada disso, nem em 2009, nem em 2019. Deus é Santo, Santo, Santo e não se une à patifaria política.

ADENDO EM 20/05: Ontem o Presidente Bolsonaro postou um vídeo de um “profeta” chamado Steve Kunda, onde ele declara que Bolsonaro é o “Ciro enviado por deus” para melhorar o Brasil. Nesse vídeo, o “profeta” diz que todos devemos apoiar incondicionalmente o presidente, pois essa seria a vontade de deus. Porém, o tal “profeta” se autointitula APÓSTOLO e é chegado na Teologia da Prosperidade, coincidentemente se assemelhando em perfil doutrinário à maior e mais expressa parcela de líderes evangélicos brasileiros que citamos nesse artigo.

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Postagem do Apóstolo (?) em sua conta no Facebook de ato patético (digo, profético) da IEQ, onde ungiram óleo em frente à Casa da Moeda do Brasil para que os fiéis possam receber riquezas.

Neste artigo enfocamos que a espúria relação entre política e religião (em especial os evangélicos) se repete circularmente e os políticos são os únicos que mudam, já que os religiosos são mais ardilosos e sabem a hora de pular do barco, contando sempre com a obediência cega dos seus fiéis e com a consequente falta de memória histórica e de senso crítico. Ou seja, os religiosos são milhares de vezes piores do que qualquer grupo político, pois manipulam pessoas usando do Sagrado. Falamos isso com muita dor no coração, mas é a verdade. No próximo artigo enfocaremos a Teologia da Prosperidade e outras heresias.

Nesses 10 anos, estivemos empunhando faixas com frases de exortação e versículos bíblicos em diversas Marchas para Jesus em várias cidades, além de outros eventos gospel como feiras, festivais, shows. Muitos desses líderes leram as faixas, mesmo fingindo não nos ver, e mal sabem eles que, ao ler a Verdade, seja na forma de faixas, de versículos, de palavras, de pregações, de vídeos, eles tomaram conhecimento da Verdade e isso lhes traz peso de juízo. Que Deus lhes abra os olhos e eles se arrependam enquanto é tempo.

No dia 20 de Junho (feriado católico de Corpus Christi apropriado indevidamente pelos evangélicos) haverá a Marcha para Jesus em São Paulo. Pelo décimo ano seguido estaremos lá, permitindo Deus, portando nossas faixas com versículos bíblicos e exortações. Se você sentir de estar lá conosco nessa inglória tarefa, estaremos a partir das 9 horas no Posto BR na saída do metrô Armênia.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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