Neopentecostalismo paradoxal: o que os metodistas querem com isso

Renê Terra Nova ungindo "apóstolos"

Renê Terra Nova ungindo “apóstolos”

Já há muito tempo o namoro entre pentecostais e metodistas é algo do conhecimento de muitos. A prova disso é a Igreja Metodista negra americana, que é uma referência em se tratando de um pentecostalismo verdadeiro.

Aos que não sabem, o metodismo é o ramo do protestantismo oriundo dos pensamentos e da teologia de John Wesley. Sendo assim, a teologia que rege os metodistas é a teologia wesleyana, fundamentada em suas bases essenciais: a salvação, a santificação e a piedade.

Ou seja, se alguém diz seguir a teologia wesleyana, é preciso que sua vida prática espelhe salvação, santificação e piedade.

A grande questão é que o pentecostalismo brasileiro não se fundamenta nesses princípios, pois o pentecostalismo brasileiro está fundamentado em duas bênçãos: salvação e batismo do Espírito Santo.

Então a pergunta que gostaria de fazer inicialmente: por que metodistas brasileiros se sentem tão influenciados por um pentecostalismo que se diferencia em muito da teologia wesleyana?

Essa pergunta fica mais complexa quando analisamos que muitas lideranças da Igreja Metodista brasileira estão se deixando levar pelo neopentecostalismo. Isso mesmo, o neopentecostalismo fundamentado nas doutrinas apostólicas, vindas de líderes como Renê Terra Nova, Estevan Hernandes, Neuza Itioka, Valnice Milhomens e sua turma!

Isso é facilmente visto em muitas igrejas metodistas, que aderiram à metodologia de células, encontros de poder, quebra de maldições, cura interior, cair na unção, cultos da arca, enfim, o pacote neopentecostal em um todo.

Fico admirado por algumas lideranças metodistas se sentirem atraídas pelo lixo doutrinário que nem mesmo alguns segmentos pentecostais aceitam em suas igrejas. Digo isso porque no meio pentecostal, apesar de raro, ainda existem líderes que não se deixam levar por modismos e métodos que só envaidecem, cegam e corroem a sã doutrina.

Lembro-me de uma viagem no interior do Estado do Rio de Janeiro, onde vi uma faixa em frente a uma igreja metodista anunciando uma campanha de libertação e milagres. Na época achei estranho, mas deixei passar. Porém, com o tempo comecei a olhar mais de perto o que estava ocorrendo na Igreja Metodista.

Talvez você me pergunte: você é metodista?

Não, eu não sou um metodista. Porém meus estudos teológicos foram feitos na Faculdade Teológica da Igreja Metodista. Meus colegas de sala são hoje pastores e pastoras metodistas.

Ao observar que muitas igrejas aderiram à metodologia G12, me senti na obrigação de testemunhar minhas experiências com esse sistema. Fui pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, uma das igrejas precursoras do sistema G12 no Brasil. Participei de todos os processos, porém o que vi não é nada agradável, pois vi a igreja que eu frequentava ser destruída, dividida, esfacelada, não só na igreja local mas também na igreja nacional.

Os maiores estragos estavam na deturpação da Palavra, na perda da identidade da igreja e na destruição do caráter puramente cristão, de que a igreja tinha e que deveria ter. Lamentavelmente, vejo que esses processos, de forma lenta, já estão acontecendo na Igreja Metodista.

Primeiro, porque algumas igrejas estão destituindo a Escola Bíblica Dominical. Muitas igrejas fundamentam as bases da teologia wesleyana em encontro e reencontros, sem contar que tudo se fundamenta na “visão”.

Triste engano.

Carregamento e adoração de réplica da arca da aliança em Igreja Metodista que agora tem "apóstolo"

Carregamento e adoração de réplica da arca da aliança em Igreja Metodista que agora tem “apóstolo”

Como podem lideranças metodistas trocar uma teologia fundamentada como a wesleyana pelos devaneios das doutrinas neopentecostais? Eu respondo com a experiência que tive ao indagar um colega de turma da Faculdade de Teologia, que nos dias acadêmicos era uma pessoa simples e humilde. Após um tempo de pastoreio, começou a publicar nas redes sociais suas viagens e seus gastos advindos de uma prosperidade fruto da teologia da prosperidade. Indaguei-lhe o que tudo isso tinha a ver com a Palavra de Deus e com a doutrina de Wesley. Ele me respondeu com outra pergunta: “que carro você tem? Você já foi para Israel?”

Está aí a resposta do porquê muitos líderes metodistas estão trocando a teologia wesleyana, fundamentada no Evangelho de Cristo, por doutrinas e modismos neopentecostais. O desejo é de poder, de lucro, enriquecimento.

Muitos pastores e pastoras não querem uma vida simples, mas querem desfrutar dos tesouros desta terra. Para isso, não vão poupar esforços para que as igrejas cresçam e lucrem cada dia mais.

Para isso, não medirão esforços, mesmo que isso custe a história e as essências de uma Igreja que faz parte da história do cristianismo no mundo.

Muitos metodistas já começaram a se levantar contra esse movimento nas redes sociais, principalmente pelo Facebook, na página Observatório Metodista, onde denúncias e debates acontecem todos os dias. Foi lá nessa página que vi a denúncia de que a Igreja Metodista já tem um “apóstolo ungido” por Renê Terra Nova. A igreja fica em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Fico a me perguntar o que um pastor metodista tem a ouvir e a aprender com Renê Terra Nova, um esquizofrênico deturpador da Palavra de Deus.

Tristes dias. Só posso crer que o desvio da sã doutrina está cegando a muitos.

Lamentável. Mas os metodistas não estão sozinhos nessa batalha.

Certa vez perguntaram para Wesley: “o que é um metodista?”. Ele respondeu: “um metodista é um verdadeiro cristão”.

Sendo assim, acredito que estou lutando em vida para cumprir essa palavra, e não vou permitir que falsos cristãos deturpem a Palavra de Deus.

Em outro artigo que publiquei sobre a intervenção na Faculdade de Teologia, dei o título de “O povo do coração aquecido está esfriando“. Porém, diante de tudo o que tenho visto, sinto em afirmar que muitos metodistas estão querendo esfriar.

Graças a Deus que a Igreja Metodista tem muitos que ainda não se dobram para Baal e os deuses deste mundo. É por esses que vale a pena lutar.

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Enquanto o Brasil discute o arco-íris do Facebook, lideranças gospel se tornam cidadãos de uma casta superior

ir2Nesse final de semana não se fala de outra coisa. Por conta da legalização do casamento entre homossexuais nos EUA (coisa que já foi aprovada no Brasil há uns 4 anos), o Facebook criou um filtro que pinta as fotos dos perfis com as cores do arco-íris (símbolo da militância gay). Assim, muitos tingiram seus perfis e começou-se uma discussão. Os cristãos deveriam pintar seus perfis, apoiando a causa? Quem não pintou o perfil é homofóbico? Deveria-se pintar o perfil por uma lei dos EUA, que já vigora no Brasil há anos? Deveria-se defender causas mais importantes, como o fim da miséria e da fome?

E não sobraram acusações de todos os lados.

Porém, no oculto, na surdina, por debaixo dos panos, como é próprio daqueles que fazem algo que não é lá muito certo, foi aprovada nesta mesma semana uma Medida Provisória que transforma alguns brasileiros mais brasileiros que os outros.

E quem são esses brasileiros? Os líderes religiosos, com gigantesco destaque para os líderes evangélicos, principais – e talvez os únicos – beneficiados com a MP 668.

Mas do que trata tal MP?

Segundo sua ementa, “Altera a Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, para elevar alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP- Importação e da COFINS-Importação, e dá outras providências.”

Ou seja, em tese nada a ver com os líderes evangélicos. Porém, na parte de “outras providências”, foram inseridas medidas de outros assuntos, que na linguagem legislativa chamam de “jabuti”. Uma dessas medidas é a isenção de impostos para o salário dos pastores.

irSegundo o jornalista Luis Nassif,

“[…] a manobra de Cunha para agradar a bancada evangélica e líderes religiosos como R.R. Soares e Silas Malafaia pode garantir a anulação de autuações fiscais que extrapolam R$ 300 milhões.

“Esse ‘jabuti’ – nome dado a temas estranhos inseridos em MPs – aumenta a isenção fiscal de profissionais da fé, ao livrar da cobrança de impostos as chamadas ‘comissões’ que líderes religiosos ganham por arrebanhar fieis ou recolher mais dízimos”, publicou a Folha.

Na prática, funciona assim: um líder religioso (um pastor, por exemplo) pode receber um salário mínimo oficialmente e continuar pagando contribuição previdenciária e imposto de renda sobre essa remuneração. À parte, por causa de seu desempenho, ele pode receber uma comissão – “ajuda de custo” para moradia, transporte, educação – da ordem de R$ 100 mil, por exemplo, sem que esse valor seja tributado.

De acordo com o jornal, muitos dos casos de sonegação religiosa são de pastores que se enquadram nessa situação de receber um salário modesto e receber por fora uma comissão a título de ajuda de custo, atrelada ao seu desempenho “em angariar fieis”.

Atualmente, essas “comissões”, na visão da Receita Fiscal, não configuram ajuda para subsistência e, por isso, os religiosos que não prestam contas passaram a ser atuados.

“O jabuti colocado na MP amplia o conceito de ajuda de custo ao dizer que as condições descritas na lei atual são ‘exemplificativas’ e não ‘taxativas’. Ou seja, o dinheiro não precisa ser exclusivamente para subsistência e pode ser vinculado ao desempenho do pastor“, explicou a Folha. “ [grifo nosso]

Ou seja, se você é vendedor de roupas e ganhar boas comissões por conta de suas vendas, sobre elas incidirá Imposto de Renda. Porém, se você é um vendedor de promessas bíblicas, não incidirá IR sobre as comissões por seu desempenho na arrecadação de dízimos e ofertas.

Ou, em outras palavras, os líderes religiosos, a partir de agora, são cidadãos diferenciados. Basta dizer que os milhões são comissão pelo trabalho na igreja e está tudo bem.

ir3Intriga sobremaneira uma MP com esse teor, que foi transformada na Lei Ordinária 13137/2015 após a aprovação da Presidente Dilma, passe num momento como o atual, onde passamos por grave crise econômica, com sucessivos aumentos nas contas de consumo, inflação mascarada mas galopante, aumento do desemprego e das taxas de juros bancários, além da ameça de terceirização ampla e irrestrita. Quando mais o governo precisa arrecadar para equilibrar suas contas, dá-se um tiro no pé desprezando a (grande!) arrecadação oriunda do “salário” de líderes religiosos.

Agora é possível entender – bem na prática! – a real função das Marchas para Jesus, por exemplo. Essas marchas tem servido, ano após ano, para demonstrar a grande quantidade de evangélicos fiéis cegamente às suas lideranças, e isso assusta a qualquer um. As eleições mostram que os candidatos indicados por lideranças gospel quase sempre vencem, graças aos votos dos cegos fiéis. A própria Rede Globo sentiu o baque este ano, quando viu sua novela das nove Babilônia ter, num dia, menos audiência que Malhação, por conta também do boicote organizado por líderes evangélicos.

Embora estejamos num Estado laico, o poderio e influência dos líderes evangélicos é capaz de muitas coisas. Até de se colocarem acima dos demais trabalhadores. Deus não faz acepção de pessoas, mas os líderes religiosos o fazem, principalmente a seu favor.

O mais triste de tudo é que praticamente não há, até o momento, vozes contrárias a isso. E sabe por quê? Porque tal projeto beneficia os Malafaias, os Edir Macedos, os R. R. Soares, os Valdemiros, os Hernandes, os Terra Novas, mas também beneficia qualquer pastor de qualquer denominação. Inclusive os que dizem pregar um Evangelho bíblico.

Assim, embora seja uma lei imoral, antiética, é uma lei. E já que é uma lei, vamos todos nos beneficiar dela.

Triste, muito triste, pois prova que, quando nos interessa, todos somos sujeitos a aderir ao “jeitinho” para nos dar bem. Porém…

“E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas?
Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?
Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, estão livres os filhos.
Mas, para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-o por mim e por ti.” – Mateus 17:24-27

“E, observando-o, mandaram espias, que se fingissem justos, para o apanharem nalguma palavra, e o entregarem à jurisdição e poder do presidente.
E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, nós sabemos que falas e ensinas bem e retamente, e que não consideras a aparência da pessoa, mas ensinas com verdade o caminho de Deus.
É-nos lícito dar tributo a César ou não?
E, entendendo ele a sua astúcia, disse-lhes: Por que me tentais?
Mostrai-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscrição? E, respondendo eles, disseram: De César.
Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
E não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, maravilhados da sua resposta, calaram-se.” – Lucas 20:20-26

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A cruz está vazia: Ele ressuscitou! Essa é a essência do verdadeiro cristianismo

Cruz-vaziaQuando me tornei evangélico, deixei para trás o catolicismo. Uma das primeiras coisas que aprendi na igreja pentecostal que frequentava é que, para os evangélicos, a cruz está vazia, pois Jesus ressuscitou. Diferente dos católicos, não adoramos nem servimos a um Cristo crucificado, mas sim ao Cristo ressurreto, que voltou para a glória do Pai, e que só será visto novamente voltando em glória para buscar os lavados e remidos por Seu sangue.

Estou descrevendo esse fato em reflexão a toda controvérsia gerada em torno do ato de protesto ocorrido na parada gay de São Paulo no domingo passado. De forma assustadora, mais uma vez os evangélicos demonstraram revolta e constrangimento pelo ato de uma transexual desfilar crucificada, criticando um dos principais símbolos cristãos.

Porém, não entendo o porquê de tanta revolta, pois para os verdadeiros cristãos a cruz só tem sentido porque Ele ressuscitou ao terceiro dia. Por mais que alguém queira protagonizar críticas, desrespeitos ou até mesmo chacotas para com a cruz, para os verdadeiros cristãos a cruz de Cristo se reflete em nós a cada dia.

Em Atos 4.12, Pedro exclama em alta voz que não há nos céus, nem na terra, nem sobre a terra, outro nome pelo qual importa que sejamos salvos.

O reflexo da parada gay deve ser também analisado por outro evento que ocorreu na quinta-feira, dia 4/6, que foi a Marcha para Jesus, onde evangélicos, também usando de revolta, de ira, de violência contra os movimentos LGTB. Sem contar as inúmeras declarações de alguns líderes evangélicos incitando essa verdadeira guerra.

Há erros dos dois lados, mas vejo que as principais lideranças que incitam essa intolerância toda agem em inconformidade com a Palavra de Deus, pois a Bíblia nos orienta que nossa maior arma para com o mundo é o amor e o perdão. Assim nos ensinou Jesus, não só em palavras mas também em atos.

O cristianismo se fundamenta em amor. Lamentavelmente, Silas Malafaia, Marco Feliciano e sua turma agem com o intuito de autopromoção e de promover suas ideologias, tanto políticas como religiosas. A prova disso é que Silas enriquece cada dia mais com seus conchavos políticos, elegendo familiares e interessados nas últimas eleições. E Marco Feliciano ganhou notoriedade nacional, sendo também reeleito.

2015-06-07t192043z_15110779Os homossexuais não são o principal problema da nação brasileira. Nossos maiores problemas vêm da corrupção, da hipocrisia, da impunidade, da mentira. Lamentavelmente, a grande massa é confundida por esses líderes, que se utilizam de verbas públicas e da grande mídia para ludibriar e trazer engano. Para isso, usam o apoio da bancada evangélica, que eu chamo de bancada da vergonha, pois nada faz em prol da coletividade. Há muito tempo, nada faz de importante dentro do cenário político-social brasileiro.

Gostaria de perguntar ao Sr. Magno Malta por que no dia em que o escândalo da Petrobras foi jogado na mídia a bancada evangélica não orou ou esbravejou no Congresso Nacional? Por que o sr. não expôs fotos da miséria, da fome, da falta de saúde, segurança, das injustiças e de todo o mal produzido pela corrupção no nosso país?

Com certeza, isso não será respondido. Mas eu respondo porque a bancada evangélica nada faz contra a corrupção. É porque cada político que ali está responde aos seus próprios interesses e aos interesses de suas instituições eclesiásticas, que vivem, cada qual, segundo suas próprias vontades, não se importando com nada mais.

Como que a bancada evangélica vai se voltar contra os corruptos e seus partidos, se muitos estão lá para conseguir verbas públicas para eventos e atos de suas instituições, sem contar que muitos, em seus mandatos, só querem concessões de rádio ou tv para que seus líderes venham a brilhar dentro do cenário religioso nacional?

Mas o que isso tem a ver com o ato na parada gay?

Lamentavelmente, essa guerra de ódio promovida por Silas Malafaia e Marco Feliciano explora o cenário religioso e político, pois são elementos essenciais para a exploração midiática.

Será que Silas nunca leu o texto de Atos, quando Pedro chega à conclusão de que Deus não faz acepção de pessoas? Creio que não, pois lamentavelmente em nosso país as principais lideranças evangélicas não alcançaram o sucesso pelo seu conhecimento bíblico.

O que dizer das pregações de Macedo, de Valdemiro e do próprio Feliciano? Dá vergonha, se olharmos pela perspectiva bíblica dentro de uma lógica hermenêutica e exegética.

Infelizmente, não vejo essa guerrinha com bons olhos, porque o ato da parada gay representa que o movimento LGTB também entrou na guerra, e onde há intolerância, ódio, não pode haver bons frutos.

É preciso que os verdadeiros cristãos, aqueles e aquelas que têm suas vidas guiadas pelo Espírito Santo de Deus, vivam a verdadeira essência do cristianismo, que é amar a Deus acima de todas as demais coisas e amar ao nosso próximo como a nós mesmos, e isso parte do princípio de que tenhamos a capacidade, em Cristo Jesus, para amar também aos nossos inimigos, sejam eles gays ou héteros.

Cristianismo não pode ser fundamentado em intolerância, vingança ou ódio, pois está fundamentado em santificação, misericórdia, piedade, justiça, paz e amor.

Que a Igreja deixe de ouvir e ser guiada por esses lobos gananciosos, que vivem do sangue das ovelhas, se deixando guiar pelo verdadeiro Pastor, o Pastor que teve, como ato de amor, a capacidade de morrer pelas ovelhas.

É triste o cenário, mas que possamos olhar para a cruz vazia e nos lembrar que nosso Redentor vive e reina para todos o sempre, e que para aqueles que intentarem desafiar o Seu nome, o texto bíblico declara que todo o joelho se dobrará e toda a língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor.

Quem tem ouvidos, ouça…

A Deus toda a glória.

tome

Paulo Siqueira

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Marcha supostamente para Jesus em São Paulo: o $how tem que parar!

1Vou começar com uma das cenas mais bizarras que presenciei durante a Marcha para Jesus em São Paulo, na última quinta-feira:

Uma moça e uma senhora me rodearam, ficando bem próximas a mim. Começaram a pular e a gritar palavras de amarração de demônios e expulsão de principados da minha pessoa, com as mãos levantadas sobre mim. Embora quase ensurdecida pelos gritos, fiquei imóvel, apenas fitando nos olhos das duas pessoas. Uns 5 minutos depois, que me pareceram intermináveis, as moças perceberam que daqui não teria manifestação alguma e foram embora, seguindo a multidão.

Um misto de sentimentos tomou conta de mim: tristeza, raiva desse falso Evangelho que lhes ensinaram, vontade de rir do inusitado da situação, vontade de chorar pela falta de discernimento espiritual deste povo.

Talvez esse fato resuma o “espírito” da Marcha para Jesus em São Paulo: muito pulo, muito grito, muito suposto poder, muita festa, mas pouca oração, pouco discernimento dos espíritos, pouco conhecimento da Palavra, pouco Evangelho.

2Como sempre, nos trios-elétricos estavam os líderes gospel, artistas gospel e políticos. No chão, a multidão de seguidores. Alguns sinceros, que ali estavam para, segundo o tema deste ano, “exaltar o Rei dos Reis”. Outros nem tanto, apenas “convencidos” e não convertidos a Jesus.

Um grupo veio debater conosco e quando se viu sem argumentos começou a gritar “marcha pra Jesus”. Se fossem convertidos, teriam argumentos e gritariam “glórias a Jesus”. Mas pelo menos houve uma evolução de 2009 para cá. Em 2009, gritavam “espada pelo Apóstolo e pela Bispa” (lembrando que, naquele ano, eles voltaram de sua “estada” nos Estados Unidos e estavam bastante queimados pela imprensa).

Neste ano, talvez porque furou o pneu do trio-elétrico principal, talvez porque alguma personalidade gospel se atrasou (era grande o vai e vem de helicópteros), talvez porque estavam esperando juntar mais gente para fazer bonito nas tomadas aéreas, a Marcha em São Paulo demorou bastante para começar. Estava marcada para às 10h, mas no local onde estávamos o trio principal só foi passar às 12:30h (normalmente nesse horário a Marcha já está quase acabando). Porém, para nós foi uma grande bênção, pois sem barulho dos trios e a concorrência com as celebridades em cima deles, o povo teve todo o tempo do mundo para ler nossas faixas e conversar conosco. Nunca entregamos tantos folhetos como nesse dia.

3Uma de nossas faixas pedia uma “faxina ética”, que deveria iniciar na igreja evangélica e em seus líderes. Não havia nenhuma outra faixa pedindo faxina ética. Porém, saiu na grande imprensa que havia faixas pedindo faxina ética para a política do país apenas. Enfim, o que esperar do mundo e de sua imprensa?

Desta vez estávamos em 7 pessoas. Essas 7 pessoas devem ter incomodado de montão, ao ponto de gente do alto do trio-elétrico e até pessoas na multidão virem discutir conosco e, vendo-se sem argumentos, demonstrar que eles estavam certos pois eram a maioria. Mal sabem – pois não leem a Bíblia – que foi a maioria que pediu para que Jesus fosse crucificado. E a maioria tem aceito, até hoje, toda a sorte de atrocidades e de injustiças. O mundo jaz no maligno pois a maioria segue os desejos do mundo, não de Deus.

Era interessante verificar os sinceros e os gospel durante a Marcha. Havia paradas para orações, e nelas muitos participavam, principalmente o povo. Já do alto dos trios-elétricos alguns oravam, outros olhavam tudo com tédio, outros conversavam animadamente uns com os outros ou pelo celular. É que dão muita importância à oração, e têm muito temor e tremor do Altíssimo.

4Enfim, pela permissão de Deus pudemos pregar Sua Palavra para pessoas que, embora crentes, nem sabiam que existia um tal de livro de Amós (afinal só leem os versículos que seus líderes gospel pregam, que não saem muito de Malaquias 3.10). Muita gente rejeitou, muita gente ficou na dúvida, em reflexão, e muita gente nos deu apoio.

No final, o que a Marcha deixou para a sociedade? Apenas a imagem de um evento com intenções políticas e de manipulação de massas (tinha até gente pedindo intervenção militar!!!).

Lembro-me de, pequena, participar das procissões de Corpus Christ – a Marcha para Jesus dos católicos. Quanta diferença!!! Andávamos pelas ruas do bairro orando, orando e entoando pequenos cânticos. Os padres, bispos, andavam junto à multidão, não havendo diferenciação entre as pessoas. Está certo que a oração era do tipo vã, repetitiva. Está certo que carregávamos andores com imagens de santos, quando o único intermediário entre Deus e os homens é Jesus Cristo. Porém, sinto muitas saudades do clima de contrição, arrependimento, busca de Deus sem interesses de participação em $hows, discursos políticos, pregações de vitórias baseadas na riqueza dos crentes (em detrimento do resto da sociedade).

5Já pensou se a Marcha para Jesus fosse assim: sem $hows, sem espetáculos humanos, apenas orando e pedindo perdão a Deus por nossa iniquidade? Mas aí não haveria milhares marchando. Se nem reunião de oração as igrejas conseguem lotar…

O fato é que há muitos cristãos sinceros. Mas há muito mais crentes convencidos de que são salvos, conquanto que tenha show do Thalles no evento. Mas a culpa não é só deles: o evangelho que lhes foi apresentado pretendia agradar aos homens, não a Deus.

Que possamos pregar – até para nós mesmos – as verdades do Evangelho de Jesus. Pois é conhecendo a Verdade que seremos libertos.

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MEEB proclama que o Brasil precisa de uma faxina ética na Marcha para Jesus em São Paulo

Jesus, em João 8.32, declara “e conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará”.

Nesse texto, Jesus, em um confronto direto com os fariseus, declara que a única forma haver liberdade em meio ao sistema religioso é se essa liberdade acontecer Nele.

O que vimos hoje em mais uma Marcha que deveria ser para Jesus foi que muitos ainda estão presos nas garras de um sistema religioso que cega o entendimento das pessoas para que não vejam as verdades que estão em Cristo. Assim como na Marcha no Rio, fica totalmente evidente que a estratégia das principais lideranças é unir mídia, política e religião em prol da conquista do poder a todo custo.

marchaPara isso, é preciso fazer uso do povo, pois o povo é o meio de se conseguir o voto, e o mesmo povo é a moeda de barganha para partidos e políticos, e para muitos que de certa forma dominam a sociedade em geral.

Os evangélicos são a moeda da vez, pois são um grupo crescente e facilmente manipulável por suas lideranças. Dentro do conceito evangélico, os fiéis não podem contestar suas lideranças. Por conta disso, é crescente o voto do cabresto, onde os fiéis, acreditando estar ouvindo a voz de Deus, votam nos candidatos escolhidos pelas instituições e lideranças evangélicas.

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Com o slogan “o Brasil será do Senhor Jesus” a Marcha ganha a cada ano conotações muito mais políticas do que puramente espirituais. Porém, é preciso dizer que a infiltração de inúmeros políticos da bancada evangélica é tendenciosa, interesseira e com um único objetivo: conquistar o poder a todo custo.

Diante desses fatos, o Movimento pela Ética Evangélica Brasileira (MEEB) mais uma vez esteve presente na Marcha, proclamando como sempre a volta ao Evangelho puro e simples de Jesus, e chamando a todos à consciência de que o $how tem que parar.

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Neste ano, também estendemos uma faixa que dizia: “o Brasil precisa de uma faxina ética, e isso precisa iniciar na igreja evangélica e em seus líderes”. Interessante que as fontes de mídia que cobriram o evento fizeram questão de tomar para si o slogan de “faxina ética”, porém em momento algum citaram a frase por completo e nem deram a fonte de tal frase.

Achamos interessante essa relação da mídia com esses grupos evangélicos e suas relações políticas.

Enfim, nós do MEEB continuaremos a anunciar o Evangelho que não é fundamentado em poderes humanos e nem se fundamenta no lucro, que enriquece e sustenta as vaidades e a soberba de lobos em pele de ovelhas, que lamentavelmente é o perfil de muitos líderes evangélicos.

marcha4

Sabemos que a tarefa não será fácil, pois hoje sentimos o peso da falta de conhecimento de muitos evangélicos, que nos xingavam, nos hostilizavam, nos jogavam coisas simplesmente pelo fato de exibirmos um versículo bíblico que não é do agrado da maioria.

É preciso que muitos saibam que Deus não falta aquilo que nós queremos ouvir, mas sim o que nós precisamos ouvir. Em meio a essa secularização, a essa busca desenfreada de poder por parte das lideranças, as pregações se tornaram superficiais, fazendo o gosto do “cliente”.

marcha5

Com isso, lamentavelmente a igreja evangélica brasileira se tornou uma fonte única de entretenimento, e não mais de uma espiritualidade profunda e verdadeira.

Muitos nos indagaram se éramos contra a Marcha, e nós mais uma vez enfatizamos não sermos contra. O que queremos é uma Marcha realmente para Jesus, onde Cristo seja exaltado e reconhecido. O contrário do que vemos hoje, onde, para começar, a Marcha tem um dono, pois é uma patente reconhecida, ou seja, não há liberdade, ponto esse que faz com que muitos ministérios e lideranças se afastem de um evento que poderia ser um meio de realmente propagar o Reino de Deus.

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Marcha dos políticos supostamente para Jesus no Rio de Janeiro: o $how tem que parar!

marchario2Ontem, dia 30/05, houve a Marcha para Jesus no Rio de Janeiro. Como sempre, muita música, muita dança, muito grito, muita festa. E muitos políticos também.

O tema da marcha do Malafaia (pois ele é quem manda na organização do evento carioca) foi “Pela família, pelo Brasil e contra a corrupção”. Um tema muito bonito, mas…

Como em todo ano, no trio-elétrico do Malafaia desfilaram alguns pastores e muitos políticos: o Senador Magno Malta, o presidenciável Pr. Everaldo, o Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, o Deputado Federal Jair Bolsonaro (católico, mas sempre presente), entre outros. Sentimos a falta do Senador Lindbergh Farias, presente em outras edições da Marcha, sempre sendo bastante honrado pelo Malafaia, com direito a se apresentar no palco principal e tudo o mais.

Marcha pela família, pelo Brasil e contra a corrupção…

Vamos começar pelo Deputado Eduardo Cunha, grande aliado de Malafaia. Segundo a revista Veja:

“Embora não tivesse muita afinidade política com Garotinho, foi nomeado para a presidência da Companhia Estadual de Habitação (Cehab), que controla as verbas destinadas à construção de casas populares. Foi acusado de favorecer uma empreiteira vencedora de concorrências consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Assim como Garotinho, hoje é deputado federal eleito pelo PMDB. Ambos são inimigos declarados e, no começo de 2011, trocaram uma série de insultos via Twitter. Cunha é alvo de inquérito no STF por crimes contra a ordem tributária. Também responde a ações por crime de improbidade administrativa. Em 2014, concorre novamente a uma vaga na Câmara.”

Selfie dos homens de Jenezio

Selfie dos homens de Jenezio

Hummm… e que tal o Pr. Everaldo? Segundo o jornalista Lauro Jardim:

“O pastor Everaldo Dias (PSC), o quarto colocado entre os candidatos a presidente, de acordo com todas as pesquisas, escolheu o tema família como mote de sua campanha. É justamente de casa, contudo, que surge uma acusação grave contra o candidato evangélico.

No ano passado, a ex-mulher de Everaldo, Katia Maia, levou ao STJ um processo em que o acusa de agressão física, seguida de ameaça de morte. Na ação, há relatos de “chutes e socos, o que causou a perfuração da membrana timpânica” de Katia.

Everaldo diz que agiu em legítima defesa depois de uma perseguição de carro pelas ruas do Rio de Janeiro.

Em 2012, o pastor foi condenado na primeira instância a pagar para a ex-mulher uma indenização de 84 450 reais por danos morais e materiais. Everaldo reverteu a decisão no Tribunal de Justiça do Rio e agora o caso está em Brasília.”

Sobre o Senador Magno Malta, consta acusação de envolvimento no Escândalo dos Sanguessugas:

“Segundo os Vedoin, combinou a apresentação de emendas favoráveis à Planam no valor de 1 milhão de reais e recebeu como adiantamento um Fiat Ducato, que usou entre 2003 e 2005.

marchario3O que aconteceu

Malta foi reeleito senador pelo PR do Espírito Santo em 2006. O Conselho de Ética arquivou a acusação naquele ano, mas o senador ainda é alvo de inquérito no STF, que corre sob segredo de Justiça.”

E o que dizer do Deputado Jair Bolsonaro? Apesar de se dizer cristão católico, além de ser a favor da pena de morte, ainda é favorável à tortura:

“(…) A uma emissora de TV, Bolsonaro disse também que ‘a situação do país seria melhor hoje se a ditadura tivesse matado mais gente’.
Entre os que deveriam ser eliminados, ele incluiu o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Posteriormente, Bolsonaro defendeu novamente a tortura. Referindo-se ao ex-padre José Antônio Monteiro, que denunciou o ex-diretor-geral do PF João Batista Campelo por tortura, afirmou: ‘É o que dá torturar e não matar’.”

Antes do envolvimento na Operação Lava-Jato, Lindbergh Farias estava em todas com o Malafaia.

Antes do envolvimento na Operação Lava-Jato, Lindbergh Farias estava em todas com o Malafaia.

E, apesar de não estar presente neste ano, como podemos nos esquecer do Senador Lindbergh Farias, que conseguiu se eleger graças ao apoio dos evangélicos, por “indicação” e influência de Silas Malafaia?

“A base da investigação são dois depoimentos prestados ao Ministério Público Estadual (MPE) pela ex-chefe de gabinete da Secretaria de Finanças de Nova Iguaçu Elza Elena Barbosa Araújo. ÉPOCA obteve cópias das declarações, prestadas em fevereiro de 2007 e até aqui mantidas sob sigilo. Elza disse que, logo no início do mandato de prefeito, em 2005, Lindbergh montou um esquema de captação de propina entre empresas contratadas pelo município. O valor podia chegar a R$ 500 mil por contrato. O dinheiro sujo, segundo Elza, chegava à sala da secretaria em bolsas e maletas trazidas por empresários. Depois as quantias eram usadas, conforme ela disse, para quitar despesas pessoais de Lindbergh.

Pregação no Largo da Carioca

Pregação no Largo da Carioca

Segundo os depoimentos, o esquema ainda bancava as prestações de um apartamento da mãe de Lindbergh, Ana Maria, num edifício em Brasília. Elza relatou que numa das ocasiões, em 11 de julho de 2005, ela saiu da prefeitura com R$ 15 mil em dinheiro para pagar uma das prestações do imóvel. Sobraram R$ 4.380, que Elza disse ter depositado na conta de Lindbergh. Ela também afirmou que a propina abastecia a conta da empresa Bougainville Urbanismo, que pertence a Carlos Frederico Farias, irmão de Lindbergh que mora na Paraíba, terra natal de Lindbergh. A empresa recebeu, ainda conforme a acusação, quatro depósitos que totalizaram R$ 250 mil.

O MPE considerou os depoimentos “homogêneos e ricos em detalhes”. Os procuradores disseram que receberam documentos de Elza, incluindo uma planilha, chamada “pendências para Chico”, uma referência ao nome do então secretário de Finanças de Nova Iguaçu, Francisco José de Souza. A lista traz “diversos números de contas bancárias, valores de dívidas e pagamentos que deveriam ser efetuados por Chico em favor do prefeito e seus familiares”, diz o MPE. Com base no material, os procuradores abriram uma investigação e pediram, em julho de 2008, a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lindbergh, sua mulher, sua mãe, dois irmãos e sete empresas da família, incluindo a Bougainville.

marchario6O Tribunal de Justiça (TJ) autorizou a quebra de sigilos relativa ao período de junho de 2004 a junho de 2008. Exatamente um ano depois, em 2009, o TJ estendeu a medida aos cartões de crédito e aplicações em Bolsas de Valores. ÉPOCA obteve cópias das duas decisões relativas às quebras de sigilo, que também permaneciam inéditas. De acordo com o desembargador Alexandre Varella, os extratos dão sustentação às acusações de Elza. Varella afirmou que o pedido do MPE não tinha como base apenas os depoimentos da ex-funcionária. “Foram inquiridas testemunhas que confirmaram a presença de pessoas por ela mencionadas na referida prefeitura”, como os portadores de malas com dinheiro.”

E então? Você ainda concorda com o slogan que o Malafaia escolheu para sua Marcha de 2015? Ou concorda com a manchete do jornal O Dia?

Marcha para Jesus ganha tom político

Deputados da bancada evangélica, além do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, participam de evento

marchario4Infelizmente, essa marcha não foi para Jesus. Também não foi pela família, pelo Brasil e contra a corrupção. Essa marcha, como infelizmente todas as demais, têm um único objetivo: mostrar ao mundo que meia dúzia de lideranças evangélicas têm poder sobre uma multidão de milhares de fiéis. Esse poder se manifesta sob a forma de influência em todos os assuntos: nos valores morais, no investimento de suas finanças e até na escolha de políticos que venham a governar o Brasil. Não à toa, tantos políticos se aliam aos religiosos. E tantos religiosos buscam se infiltrar na política.

Mas como influenciar multidões e fazê-las concordar com nossos pensamentos, com nossas escolhas, com nossos candidatos ao poder? Dando-lhes aquilo que elas mais gostam: música, dança, festa, alegria, entretenimento – e tudo isso sob uma falsa aura de espiritualidade. Afinal, não estão numa rave. Estão numa autointitulada Marcha para Jesus.

Porém, é tudo tão diferente de Jesus…

Jesus não estaria no alto de um trio-elétrico, estaria caminhando entre o povo. Seria tão disponível que até uma mulher conseguiria tocar Suas vestes em meio à multidão.

marchario7Jesus não estaria rodeado de políticos. Estaria rodeado de pecadores e marginalizados, pois os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.

Jesus não estaria cantando e dançando funk e afins para Deus. Estaria de joelhos, em oração, vertendo lágrimas de sangue por essa nossa geração perversa.

Mas ainda tem quem diga que a Marcha é para Jesus…

Horas antes da Marcha, um pequeno grupo foi pregar – gratuitamente – no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro. Não se pregou sobre a vitória do crente, sobre teologia da prosperidade, sobre plantar dez e colher mil. Pregou-se sobre a Boa-Nova do Reino, e apesar de não haver métodos de entretenimento, algumas pessoas se aproximaram e puderam ouvir a Palavra.

Sim, a Palavra de Deus ainda atrai as pessoas, sem a necessidade de métodos humanos.

À tarde, os integrantes do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) estenderam suas faixas com os versículos bíblicos que muitos líderes gospel arrancaram de suas bíblias (por serem contrários às intenções de seus ministérios). Como sempre, muitos olhares de desaprovação e outros muitos de apoio e reflexão.

É um trabalho como o da andorinha que tentava apagar o incêndio na floresta. Se uma única pessoa na multidão se permitir ouvir a voz do Espírito Santo, deixando assim de ser parte da massa de manobra de líderes gananciosos, grande será a festa no céu.

A maior corrupção não é a cometida pelos políticos. A maior corrupção é a que envolve o nome Santo Santo Santo de Deus. Quem se utiliza do Seu nome, seja para batizar uma marcha com fins políticos, seja para arrecadar dinheiro dos fiéis e enriquecer, melhor seria se amarrasse uma pedra no pescoço e se lançasse no fundo de um rio.

Que possamos nos arrepender enquanto é tempo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

P.S.: Dia 4/6 (quinta) haverá a Marcha para Jesus em São Paulo. Se Deus permitir, estaremos lá. E se você puder, esteja lá também para nos ajudar a estender as faixas (a seara é grande, mas poucos os trabalhadores).

 

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Por que há Marchas para Jesus?

$howEstá aberta a temporada de Marchas para Jesus. Na semana passada houve marchas no Paraná, no dia 30/5 ocorrerá no Rio de Janeiro e no dia 4/6, em São Paulo. Isso sem falar nas diversas marchas em várias cidades do país.

Nessas marchas, todos os anos parte da população caminha pelas principais ruas de suas cidades, com os líderes e artistas gospel em cima de trios-elétricos, declarando que o Brasil é (ou será) do Senhor Jesus. Após a caminhada, há shows gospel no palco principal e discurso de políticos e de pregadores.

Segundo o discurso oficial, essas marchas são para glorificar ao Senhor e para trazer as pessoas para mais perto de Deus. Porém, nas entrelinhas, há toda uma manipulação e muitos negócios sendo feitos em nome de Deus.

Veja o vídeo abaixo (clique em Playlist no canto superior esquerdo e escolha o último vídeo, o de no. 32). É do empresário e playboy Chiquinho Scarpa. Nesse vídeo, ele convida as pessoas a se encontrarem com ele na Marcha para Jesus em São Paulo. E claro, cita sua empresa Microcamp, o real motivo do convite (afinal, é bom que os evangélicos façam cursos de computação na empresa dele, assim ele fica ainda mais milionário):

026Mais do que o uso da Marcha para fins comerciais, a Marcha costuma ser bastante usada para fins políticos. Afinal, quanto maior a Marcha, quanto mais pessoas participam, mais o líder da Marcha pode negociar votos com os políticos. Veja abaixo (menos de 2 minutos), o (im)pastor Silas Malafaia apresentando no palco principal os políticos Eduardo Paes e Lindbergh Farias (esse último, recentemente citado por envolvimento na Operação Lava-Jato):

No site do Dep. Marcelo Aguiar, cria do Apóstolo (?) Estevam Hernandes, líder da Igreja Renascer e dono da Marcha para Jesus em São Paulo, temos a foto dele e de outros políticos que se aproveitaram do evento para se oferecer ao público evangélico nas eleições de 2012. E o mesmo ocorre todos os anos, em todas as eleições, e mesmo quando não é ano eleitoral. Afinal, para os organizadores um dos principais objetivos da Marcha é demonstrar seu poder junto aos fiéis.

O negócio das Marchas é tão bom que até a Rede Globo, antigamente conhecida por ser inimiga dos evangélicos, de alguns anos para cá passou a investir no evento. Até no Jornal Nacional, principal noticiário da emissora, as Marchas para Jesus e seus líderes têm tido presença garantida. Como no mundo nada é de graça, não foi à toa que vimos recentemente o Silas Malafaia indo contra o boicote dos evangélicos à novela Babilônia. Coincidentemente, dias depois esse (im)pastor foi chamado para estrelar um debate no programa global Na Moral e, claro, como nos anos anteriores dará entrevistas aos jornais locais durante sua Marcha para Jesus.

038Uma imagem tem circulado no Facebook com um forte simbolismo: enquanto jovens “marcham para Jesus”, um morador de rua apenas observa, solitário, já que para a multidão de “cristãos” ele não existe, ou se o enxergam é melhor ignorá-lo, afinal cada um com os seus problemas. Aquele momento é para pular, gritar, marchar para Cristo, não para socorrer os necessitados.

Como entretenimento, as Marchas para Jesus são um grande negócio. Proporcionam, de forma gratuita, acesso a vários shows de artistas gospel e ainda é possível ficar em meio à multidão de forma razoavelmente segura, uma vez que se espera que não haja violência num evento cheio de crentes. Porém, como manifestação de espiritualidade essas Marchas têm muito a dever, pois embora haja momentos de oração e louvor, o cerne da questão é a diversão e as negociatas nos bastidores.

DSCF0038Será que Jesus participaria de uma dessas Marchas e dividiria o palco com astros da música gospel, pastores famosos e políticos em campanha? Ou, ao invés disso, estaria visitando os órfãos e as viúvas, os necessitados de qualquer tipo?

Abaixo, a primeira parte do vídeo da primeira participação do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) numa Marcha para Jesus (em São Paulo, em 2009). Já naquela época buscávamos levar parte da multidão à reflexão do que é realmente viver o Evangelho de Cristo e de que, infelizmente, há muitos lobos liderando multidões em nome de Jesus.

11146619_1604399966493666_2952068589410739947_nInfelizmente, de 2009 para cá muito pouca coisa mudou. Continuam as negociações de votos nos bastidores, continuam os negócios em nome da fé, continua a idolatria a artistas gospel, continua a deificação de líderes eclesiásticos, cujas falas não podem nunca ser julgadas – apenas aceitas cegamente. O que mudou é que algumas pessoas, nesses 7 anos, puderam ter seus olhos abertos para a verdade do Evangelho.
É pelas pessoas que estaremos, novamente, com nossas faixas com versículos bíblicos que não agradam aos profetas da Teologia da Prosperidade no dia 30/5 no Rio e no dia 4/6 em São Paulo. E você também pode participar. Basta ir e levar sua faixa ou cartaz, ou então nos ajudar a levantar as que levarmos. Se puder, vá a uma loja de transfer e mande fazer uma camiseta com dizeres bíblicos. Na página inicial deste site há um link “camisetas para o protesto pacífico” com alguns modelos, se você preferir.

Se você também acha que há muito $how e pouco Evangelho no Brasil, não se cale. A seara é grande, mas os trabalhadores são muito poucos. Afinal, pra que trabalhar se é possível viver muito bem só de dízimos e ofertas.

Permitindo Deus, estaremos lá.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!!!

marcha 5faixa2

P.S.: nesse site há o relato de todas as passagens do MEEB nas Marchas para Jesus.

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