Conferência Vozes

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A Conferência Vozes (18 a 20 de novembro) tem como tema Reflexões a Partir de uma Visão Cristocêntrica. Embora ocorra no Acre, tem transmissões ao vivo pelo Youtube (canal Ibr Oficial), e as palestras e debates ficam disponíveis para visualização posterior. Além disso, há o site do evento, que traz toda a programação: www.conferenciavozes.com.

Participam da conferência:

Pr. Geremias Couto – RJ
Pr. Paulo Siqueira – SP
Pr. Hector Vargas – SP
Pr. Joaquim Ribeiro – AC
Pr. Marcos Lopes – AC

Que possamos juntos refletir sobre a centralidade de Jesus Cristo na Igreja nos dias de hoje.

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De que vale ser Protestante se até na igreja há quem prefira as bruxas?

31cOntem, dia 31 de outubro, uma pequena parte da população se lembrou de Martinho Lutero, Calvino, Zwínglio, Huss, Pedro Valdo e tantos homens e mulheres que, na defesa da pureza do Evangelho, não hesitaram em até dar suas próprias vidas. E uma parte bem maior estava às voltas com a celebração mitológica e mística das bruxas, num mini carnaval fora de época.

E nós do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) nos colocamos diante da sede da Igreja Plenitude do Trono de Deus, no Brás, com faixas que remetiam à reflexão sobre a importância do resgate dos valores cristãos, a tônica dos reformadores.

Mas ali, diante daquelas pessoas que olhavam as faixas e logo depois adentravam no templo, fiquei me perguntando: de que vale estarmos aqui?

Enquanto estávamos lá fora, imagino que do lado de dentro acontecia o que fora antes anunciado: uma reunião de pastores e empresários, com o mote na vitória financeira e com o bônus da revelação da “visão apostólica” para 2017 para quem estava sob a “cobertura espiritual” do Apóstolo (?) Agenor Duque.

“Visão apostólica”, “cobertura espiritual”… onde você já ouviu essas expressões?

Se você respondeu movimento apostólico e de batalha espiritual e cura interior, penso que acertou.

No espiritismo kardecista, temos uma “revelação”. Allan Kardec teve como guia um espírito que se autointitulava “Espírito de Verdade”, e que se dizia o Consolador prometido por Jesus Cristo há 2000 anos. As informações do “Espírito de Verdade” eram condizentes com o amor ao próximo e, por que não dizer? com o amor e a busca de justiça e paz. E muitos outros também tiveram “revelações” divinas: Joseph Smith (através do Anjo Moroni), José Luis de Jesus Miranda (que se dizia o Jesus Cristo Homem), etc. E a partir dessas “revelações”, cada um criou sua religião embasada na figura de Jesus Cristo. Até o espiritismo kardecista se autointitula cristão, pois considera Jesus o “maior espírito” que já pisou na Terra, além de ser uma espécie de governador do planeta espiritualmente falando.

Assim, uma “revelação” não é divina ou cristã só porque se coloca o nome de Jesus na história. E a grande prova é que há atualmente centenas ou milhares de igrejas com a inscrição “Jesus Cristo é o Senhor” na entrada, porém que em nada refletem o caráter cristão e a direção do Espírito Santo.

Cientes disso, vamos brevemente analisar a “visão apostólica” (ou “palavra profética”) e a “cobertura espiritual”:

O atual movimento apostólico é bastante recente. O anterior ocorreu na Igreja Primitiva, com os Doze mais o Apóstolo (de verdade) Paulo. Passaram dois mil anos após a morte do último Apóstolo (de verdade), e em dois mil anos não houve a falta desse chamado ou dom. Ninguém reivindicou ser apóstolo, a Palavra não deixou de ser pregada em toda a terra apesar das pesadas perseguições. Porém, 2ooo anos depois alguém aprouve ressuscitar esse título, que coincidentemente recai sob líderes de igrejas grandes, que repassam o título para líderes de pequenas congregações, e esses últimos são voluntariamente obrigados a estar sob a “cobertura espiritual” de quem os ungiu Apóstolos (?).

A “cobertura espiritual” é um negócio (literalmente) interessante. Pressupõe que o Apóstolo (?) Mor, o que tem o maior ministério, o que unge, por ser bem sucedido segundo os valores do mundo (ou seja, tem grandes templos, carros, jatinhos, seguranças, horários em rádio e tv, influência com políticos, etc) tem o poder de passar toda sua “unção” para pastores mais humildes, em início de carreira. É claro, contanto que eles aceitem o negócio: são ungidos Apóstolos (?) também (o que por si só já lhes aumenta a autoestima, pois é uma massagem e tanto no ego), e recebem oração especial e constante do líder maior. Mas como em todo negócio, há sempre a contrapartida: a exigência de fidelidade total e irrestrita do apostolozinho ao apostolozão (inclusive no que tange a apoio aos políticos indicados e direcionamento dos votos dos fiéis), e claro, quantias mensais pagas religiosamente (afinal, todo clube tem despesas de manutenção). E seguir a “visão apostólica” do chefe é item básico nisso tudo.

A prova cabal de que a “visão apostólica” depende do freguês é que, ano após ano, cada Apóstolo (?) envia sua visão, diferente das visões dos demais. Ora, mas se o Espírito Santo é o mesmo, como isso é possível?

Exemplo: “visão apostólica” 2016

Igreja Apostólica Renascer em Cristo: ano apostólico de Israel (conquistas, prosperidade e avanço);
Igreja Reino dos Céus: ano apostólico de Davi (edificação dos seus sonhos);
Comunidade Vida: ano apostólico da colheita sobrenatural (constituição Apostólica como primogênito, herdeiro, realizador, consagrado e abençoado do Deus vivo).

E por aí vai.

Da mesma forma que alguns ressuscitaram o apostolado 2000 anos depois da morte do último Apóstolo, os espíritas também, quase 2000 anos depois, reinventaram o Espírito Santo, se apossando dele através da alcunha de Espírito de Verdade. E da mesma forma que os espíritas se maravilham dos fenômenos que ocorrem nos centros (incorporação, psicografia, revelações do futuro, pintura mediúnica, cirurgias espirituais que curam doenças, etc), os adeptos do movimento apostólico buscam não a Palavra de exortação que leva ao reconhecimento do pecado e ao arrependimento e verdadeira conversão, mas buscam o espetáculo das curas milagrosas, das profecias sobre o futuro, dos rituais judaizantes, das quedas no “espírito” e gritarias de supostos demônios (muitas vezes apenas transe hipnótico), do ouro e da púrpura dos templos e de seus líderes.

Tudo muito lindo, muito milagroso, muito espetacular, muito feliz. Mas onde está Jesus em tudo isso?

Lutero também não viu Cristo na pompa e circunstância da Catedral de Wittenberg. Nem nas roupas luxuosas dos cardeais. Nem na “infalível” e quase toda poderosa figura papal. Nem na bolsa de Tetzel, que tilintava com o chacoalhar das moedas de ouro conseguidas na venda de objetos ditos sagrados (ou, no linguajar atual, “ungidos”). Tanto não viu Cristo, que Lutero se dispôs a escrever suas teses, no intuito de trazê-Lo à vista de todos (mesmo desagradando, assim, a muitas pessoas).

Pronto. Agora sei a resposta para a pergunta do terceiro parágrafo deste texto.

“E, chegando um, anunciou-lhes, dizendo: Eis que os homens que encerrastes na prisão estão no templo e ensinam ao povo.
Então foi o capitão com os servidores, e os trouxe, não com violência (porque temiam ser apedrejados pelo povo).
E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou,
Dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem.
Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.
O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro.
Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.
E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem.” – Atos 5:25-32

Cada vez que, em nome de Jesus, se produzem heresias, é a Ele que tentam novamente matar e crucificar. É o véu do templo que tentam recosturar, dificultando a aproximação a Deus para se obter vantagens na intermediação entre o Divino e o fiel.

Mas Ele tem a Vida Eterna. E já rasgou o véu do templo. TUDO está consumado, não dependendo de rituais místicos para nos achegarmos ao Sagrado.

Que Deus abra os olhos do Seu povo.

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Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

 

 

 

 

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Os desafios da Igreja Cristã num mundo pós-moderno

Somos a quarta nação em índices de corrupção no mundo. Somos um dos países mais violentos do globo terrestre. Nossa qualidade na educação não supera pequenos países da América do Sul, sem contar a triste realidade da saúde, do saneamento básico, moradia, etc.

Nossos índices de pobreza e miséria em alguns Estados se assemelham a países da África. Muitos dizem: “mas está melhorando”. Eu digo: já foi pior, por isso notamos algumas diferenças.

O mais triste desta realidade é que a igreja evangélica brasileira diz crescer em meio a tudo isso. Esse crescimento só tem destaque pois a avaliação é dentro de uma perspectiva puramente quantitativa. Os números não condizem com a qualidade do Evangelho de Cristo.

Nossa sociedade demonstra resultados contrários para uma nação genuinamente cristã. Vivemos no Brasil uma atmosfera dos resultados do que seria o Evangelho de Cristo, pois o Evangelho vive e existe numa perspectiva qualitativa.

Muitos são os que se enganam, acreditando que simplesmente o fato de ser membro de uma instituição evangélica lhes garante a vida eterna. Ser um cristão genuíno envolve muito mais coisas do que simplesmente estar inserido nesse sistema de clientelismo religioso.

Essa realidade e suas complexidades, bem como suas possíveis transformações, serão debatidas amanhã no programa A Última Trombeta na Rádio Cear, um ministério radiofônico que se utiliza dos meios de comunicação para levar o Evangelho a muitos países.

Você é o(a) nosso(a) convidado(a) para refletir sobre a realidade do mundo religioso que nos cerca.

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Uma triste expectativa para a Igreja Brasileira: a era de Laodiceia

rene“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” – Apocalipse 3:15,16

No dia 10 de setembro nós do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) estivemos no Congresso Estadual M12SP, no Estádio da Portuguesa em São Paulo. Esse evento é liderado pela autointitulado Apóstolo-Patriarca Renê Terra Nova, criador de mais um processo metodológico de crescimento para igrejas, onde os cultos nos lares reproduzem as teologias místicas do líder referido.

Nesse evento, o Apóstolo-Patriarca trataria da “Reforma”, que para ele parte do “manto apostólico” gerando avivamento. Meu Deus! O que seria tudo isso?

Estivemos na porta de entrada com nossas faixas, camisetas e folhetos, no intuito de chamar a atenção e despertar o povo para uma consciência essencialmente cristã. O texto que vos apresento é uma reflexão diante do que vi e ouvi naquele lugar.

Primeiramente, não posso negar: Renê Terra Nova e sua nefasta teologia atrai pessoas, principalmente jovens. Porém, a questão aqui é refletir sobre essas pessoas.

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Lamentavelmente, o conhecimento bíblico e sua reflexão é o que menos importa nesses ambientes. Algumas pessoas até concordam que a Igreja precisa passar por transformações, porém não permitem, em hipótese alguma, que alguma crítica seja feita à sua liderança e muito menos que as ideologias ali pregadas sejam contestadas ou colocadas à prova. Essas pessoas estão sob a influência da Teologia do Medo, fundamentada no texto de 1 Samuel 26, na triste crônica do “não toqueis nos ungidos”. Também na famigerada Teologia da Prosperidade, que se fundamenta nas obrigações de Deus de abençoar o fiel que oferta e dizima. Essas teologias trazem uma atmosfera mística, mágica, como se um anjo fosse pousar no referido local de culto.

O que se observa nesses ambientes são pessoas num certo transe, movidas por uma perspectiva de algo grandiosamente sobrenatural. O triste de tudo isso é que nesses eventos temos um número incontável de adolescentes e jovens, envolvidos por essas lideranças e por esses propósitos.

Por isso minha reflexão nesse texto é de uma triste expectativa para a Igreja Brasileira, pois no Brasil temos vários segmentos dessa mesma realidade. Renê Terra Nova chama sua metodologia de Mir12, porém temos outras variantes, por exemplo o Movimento Celular do Cesar Castelhanos (G12), o MDA de Santarém (PA), agora temos igrejas históricas com suas cópias e transformações da metodologia, enfim, temos muitas igrejas envolvidas com esses métodos que têm como única finalidade produzir números, tanto de frequentes como de arrecadação financeira para as diversas instituições religiosas.

pastor-e-dinheiroPor que essa perspectiva é ruim, a meu ver?

Porque essas pseudoteologias não se fundamentam na Palavra de Deus. Não são cristocêntricas. Fundamentam-se numa fonte de entretenimento e não numa fonte de espiritualidade.

Lideranças como Renê Terra Nova não representam o caráter cristão, que era a marca predominante dos verdadeiros apóstolos de Cristo. E o lamentável, Renê Terra Nova está conseguindo reproduzir suas ideias e sua metodologia, cegando a muitos.

Muitos jovens querem se espelhar em Renê e demais lideranças.

O que esperar de uma igreja que tem suas bases não fundamentadas na Palavra, e que se fundamenta no entretenimento, no lucro e no crescimento numérico?

Triste, mas estamos plantando ervas daninhas nos pastos verdejantes do Senhor. Isso não vai acabar bem.

A Igreja está entorpecida com os elementos da pós-modernidade. A Igreja está trocando o Eterno pelo momentâneo, pelo passageiro. Os cultos promovidos pelo Renê e sua turma objetivam o consumismo e perpetuam os valores terrenos, ou seja, preciso comer o melhor dessa terra. Mas muitos se esquecem que o Senhor Jesus nos ordenou a não ajuntarmos tesouros nessa terra.

Infelizmente, essas metodologias tiram a Igreja de sua verdadeira essência, que é transformar o caráter do ser humano, fazendo-0 uma nova criatura em Cristo Jesus.

Temos muita emoção, porém pouca razão. Muita música, muita dança, muito pulo, muitos gritos, porém pouca espiritualidade. E quando se pensa que há uma espiritualidade, essa aparente espiritualidade é fruto de técnicas neurolinguísticas, hipnose, transes coletivos, ou seja, uma esquizofrenia coletiva, com ares de uma espiritualidade.

Se você for dialogar com as pessoas que participam desses eventos, a resposta é sempre a mesma: “foi tremendo”. Como se estivessem em transe. Porém, muitos se esquecem de que o verdadeiro sentido do genuíno cristianismo está na transformação dos seres humanos no seu cotidiano. Ou seja, novas criaturas que refletem os valores cristãos nas suas atividades diárias, seja no trabalho, seja na família, ou seja, em toda a sociedade.

Nesse sentido, esses eventos não refletem a realidade do nosso país, onde o pecado reflete os altos índices de corrupção, de violência, de uso de substâncias tóxicas, lícitas e ilícitas, a má qualidade da nossa política e  dos nossos políticos e, consequentemente, a má qualidade das nossas igrejas, que também nesse contexto reproduzem uma péssima teologia, teologia essa quase inexistente, pois no nosso país as teologias produzidas só existem para os interesses daqueles que a produzem.

O reflexo disso são as nossas universidades. Todas possuem donos, onde se ensinam as teologias de interesses. Essa é a razão de termos comunidades eclesiásticas de interesses.

Tudo isso são reflexos de uma era pós-cristã. Isso mesmo. Estamos vivendo dias de um pós-cristianismo, pois as igrejas e suas lideranças não mais se importam com as essências do Cristianismo.

Vivemos um momento onde não importa o certo, mas sim o que dá certo, o que dá lucro, o que dá crescimento, o que dá resultado. Lamentavelmente, a cultura do jeitinho brasileiro adentrou nossas igrejas, influenciando as lideranças e também a membresia. O importante é que estou recebendo a bênção, não importa se é fruto de heresias, se é fruto de hipnose, de transe ou pura emoção. O importante é a bênção.

Muitos são os cristãos que frequentam essa realidade há anos e nada sabem sobre a volta de Jesus, sobre o julgamento de cada individuo diante do trono de Deus. Muitos jamais leram os primeiros capítulos de Apocalipse, onde o Senhor avalia as igrejas, numa linguagem também futurística, prevendo a realidade das igrejas da modernidade.

Diante desses textos, classifico que estamos na era de Laodiceia, onde a igreja não é quente nem fria, é morna, morna porque tem uma aparência de santa, porém é extremamente pecadora, pois não é dependente de Deus, mas sim de homens. Morna porque sua espiritualidade é falsa, pois suas essências são momentâneas, são passageiras, são emocionais, fruto de metodologias e entendimento puramente humanos, ou seja, irreais e falsos. Morna porque seu crescimento não se fundamenta em almas convertidas, transformadas pela ação do Espírito Santo através da Palavra genuína de Deus. Morna porque busca o lucro, que se fundamenta nas riquezas deste mundo e seus valores que produzem desigualdades e o sofrimento de muitos.

laodiceia1À Igreja de Laodiceia restou ao Senhor vomitá-La.

Confesso que diante do que tenho visto nesses últimos anos, participando de diversos eventos, também estou nauseado, também sinto vontade de vomitar. Talvez faça isso em forma de palavras, porém é minha tentativa de despertar e conscientizar alguns de que a Igreja de Cristo não é isso o que estamos vendo, pois a Igreja Genuína persevera na Palavra, persevera na comunhão, tem tudo em comum, é dependente totalmente de Deus e por isso luta pela justiça, pela verdade e pela paz.

E acima de tudo, é solidária, é piedosa, não vive para os seus próprios prazeres, mas vive pelo próximo, luta pela vida. Não tem seus pés fixados nesse mundo, mas ao contrário, almeja a casa que o Senhor foi nos preparar junto ao Pai.

Ou seja, a nossa verdadeira morada.

Minhas expectativas são de que muitos ainda serão despertados, porque minhas expectativas estão fundamentadas na Palavra de Deus. É Nele que creio e confio.

Quem tem ouvidos, que ouça a voz do Espírito Santo.

Paulo Siqueira

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Programa Entendes? – Conferência Vozes

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A neopentecostalização de igrejas históricas e pentecostais

Hoje, com muita tristeza, soubemos que pastores e presbíteros de igrejas históricas estão sendo ameaçados da perda de seus cargos ministeriais caso não cumpram as metas de arrecadação (ou, no linguajar da carta ao lado, não paguem as cotas orçamentárias). Infelizmente, é apenas mais uma prova do movimento de neopentecostalização em que algumas igrejas pentecostais e até denominações históricas têm se entranhado, com o fim de crescimento rápido.

Além da cobrança financeira cada vez maior, temos igrejas se neopentecostalizando através da adoção de práticas judaizantes, movimentos tipo G12, rituais de cura interior e libertação, nomeação de apóstolos e de campanhas mirabolantes. Isso é razoavelmente compreensível quando se trata de pastores sem instrução teológica, sem conhecimento da história da Igreja, que muitas vezes seguem ventos de doutrina por achar que, se a maioria está fazendo, é porque é o certo. Porém, o que dizer das igrejas históricas e algumas pentecostais envolvidas nesse movimento?

A Igreja Metodista, por exemplo, exige de seus pastores o bacharelado em Teologia na UMESP. Ninguém se torna pastor metodista só por vocação ou por ter uma carteirinha de ministro do Evangelho. É preciso ficar no mínimo 4 anos estudando matérias como noções de Hebraico e Grego, Hermenêutica, Exegese Bíblica, Homilética e Fundamentos Históricos Cristãos. Não se aprende maldição hereditária, teologia da prosperidade, a importância do lenço ungido. Ao contrário, o docente sai preparado justamente para rechaçar as heresias que rodeiam nosso meio.

Mas então, como é possível que essas mesmas pessoas venham a aceitar ensinos estranhos ao Evangelho?

Enche os olhos de muitos o crescimento exponencial dos impérios neopentecostais no Brasil. Em poucos anos, vemos um Agenor Duque abrir sua igreja, tornar-se “apóstolo” (?), alugar horários em rádios e tevê e a partir daí abrir filiais em todo o Brasil. E isso tudo utilizando-se de misticismo exacerbado (pois o brasileiro é um místico por excelência), rituais judaizantes, venda de objetos ungidos e um incessante e contundente discurso de petições financeiras em troca de bênçãos específicas.

metodistag12Algumas igrejas pentecostais e históricas, ao ver tudo isso, percebem que se manter fiéis à pregação pura do Evangelho não lhes renderá dinheiro e sucesso, pois o povo quer ver espetáculo e ver suas vontades atendidas, não a Cruz. E resolvem não abandonar a Cruz de todo, mas incrementá-la com os métodos aprendidos dos neopentecostais.

Porém, ao adotar esses métodos, tornam a Cruz, instrumento de morte do Eu, num obelisco, monumento de exaltação ao Eu. A cruz deixa de ser Cruz e Cristo deixa de ser o Filho de Deus para se tornar o mordomo dos dizimistas e ofertantes fiéis.

metodistaÉ muito triste e preocupante ver esse movimento de neopentecostalização avançando nas igrejas. Cada vez é menor o número daquelas nas quais se pode aprender e praticar o verdadeiro Evangelho, nas quais os cristãos valem mais do que suas contas bancárias e onde a ênfase é a manutenção do ser humano, não de catedrais cada vez maiores e mais vistosas. Se as estatísticas apontam o Brasil como segundo maior país cristão do mundo, as evidências (aumento da corrupção, violência, desigualdade social) apontam para o contrário: uma nação onde poucos realmente prezam pelos valores de Cristo e buscam praticá-los no cotidiano.

Lamentavelmente, a neopentecostalização está se tornando recorrente no universo da igreja evangélica brasileira, onde o Sagrado se transforma em profano, onde o fiel se torna um cliente, onde a instituição se torna uma fonte de comércio.

Que os cristãos pentecostais e históricos possam demover as lideranças de suas denominações para que se mantenham firmes no propósito de pregar o Evangelho, o verdadeiro, aquele pelo qual milhões nesses séculos entregaram – e ainda entregam – suas vidas. Muito melhor morrer em Cristo do que viver pelas benesses desse mundo que jaz no maligno.

Que o Remanescente não venha a se calar, mesmo que isso lhe custe um alto preço. O maior, Jesus Cristo já pagou por nós.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
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Receita de prosperidade

SETE_SEGREDOS_PARA_O_HOMEM_FICAR_RICO_1271853457PTexto base: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” – Mateus 6:19-21

Estamos no século XXI. Para filósofos, sociólogos e teólogos vivemos dias modernos. Em algumas circunstâncias, alguns autores citam a pós-modernidade. E na modernidade, a palavra prosperidade torna-se a palavra a ser conquistada, seja para o sujeito social, seja para o sujeito religioso.

No universo social, político e econômico, a prosperidade é a diferença entre riqueza e pobreza. No universo religioso, prosperidade é a diferença entre vencedores e derrotados. Nesse sentido, a versão marxista é uma grande idiotice, pois para Marx essa realidade se resume em opressor e oprimido, diferenciados pelo largo abismo da desigualdade.

Porém, o que eu gostaria de refletir nesse artigo é uma visão da prosperidade cristocêntrica. Muitas lideranças, em suas instituições religiosas têm total foco no tema. Seus sermões, suas canções, sua liturgia tem um único tema: prosperar e vencer. E para isso é preciso ser cabeça e não cauda.

Silas Malafaia, em seus sermões, destaca: sua igreja é business, e quem dá dinheiro sem a intenção de receber algo em troca é um idiota. Outro pregador, Jerônimo Onofre, resume seus sermões numa busca desenfreada por riquezas, tendo como ênfase o chamado curso “como ficar rico”.


blog75
Porém, o contexto bíblico vai revelar um grande contraste em meio a essas ideias todas. Podemos dar o exemplo das diversas vezes em que os Evangelhos destacam Cristo trazendo pensamentos extremamente sensatos no sentido de prosperidade.

O primeiro exemplo disso é a passagem do jovem rico (Mateus 19). O jovem citado no texto tinha tudo para ser um exemplo a ser seguido, porém Jesus vai resumi-lo em uma palavra: vende tudo o que tens, dá aos pobres e segue-me.

Outro exemplo é o texto de Lucas 9.58: “E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”.

Tenho dito nos últimos anos, em meio a tanta ênfase em prosperidade: se prosperidade é o que importa, por que o texto acima faz referência de que Jesus era pobre? Porque já é uma verdade que os diversos ministérios e lideranças que têm como foco a questão da prosperidade, embasada em um sistema de barganhas, onde o fiel dá dez para receber cem, que nesse processo os únicos a enriquecer são as lideranças. E isso não é conclusão minha, mas sim da Revista Forbes, que destacou algumas lideranças brasileiras entre os mais ricos no Brasil e também no mundo.

Algo não está certo em meio a tudo isso. Se as lideranças ficam ricas, por que os membros continuam pobres?

Outro ponto em destaque é que os próprios apóstolos, após a ressurreição de Cristo, continuam a viver em simplicidade. Vários exemplos são descritos no livro de Atos. O exemplo maior vem do próprio apóstolo Paulo, que cita por diversas vezes em suas cartas ser imitador de Cristo, vivendo bem mesmo em tempos de fartura ou de dificuldade, pois para ele o viver era Cristo. Ou seja, seus valores não estavam fixados nos valores do mundo.

Acredito que essa forma de viver era em reflexo ao texto que abre esse artigo, pois o apóstolo Paulo já havia vivido os valores da lei. Porém, após seu encontro com Cristo no caminho de Damasco, ele descobre que o viver dentro de uma essência cristocêntrica é viver além dos valores desta terra.

A Palavra diz que não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Lucas 4.4).

O que vemos é uma mistura de mágica, misticismo, uma espécie de lavagem cerebral com o uso de neurolinguística e técnicas, que fazem com que muitas igrejas se tornem verdadeiros picadeiros, onde o texto bíblico é desprezado, onde bases exegéticas e hermenêuticas são desprezadas pelo único propósito de lucrar com os sujeitos religiosos em trânsito no universo religioso.

Eu creio em prosperidade. Porém, creio numa prosperidade embasada em um conjunto de fatores. E o primeiro vem do exemplo bíblico. Não existe prosperidade sem ética, sem trabalho, sem esforço, dedicação, respeito. A prova disso é que nem todo homem rico enriqueceu com algo lícito ou ético, ou com valores religiosos.

Para um sujeito religioso, a prosperidade bíblica é precedida de amor ao próximo, piedade e justiça. Um homem temente a Deus não enriquece para si mesmo, mas faz uso da prosperidade concedida por Deus em prol dos que o cercam, sendo caridoso e usando a dádiva de Deus, fruto de Sua graça, amor e misericórdia, para a transformação daqueles que o cercam.

O exemplo disso era Jó, que quando lhe sobreveio o mal os que o cercavam se indignaram muito mais com o que lhe ocorreu. Isso era em decorrência do testemunho e da bondade de Jó diante dos que o cercavam. A prosperidade de um servo de Deus não se resuma às coisas unicamente materiais, mas está fundamentada no reconhecimento de que nenhum valor monetário deste mundo é capaz de comprar a salvação de um ser humano.

O texto bíblico diz: quanto dará o homem por sua alma? Pois de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma (Marcos 8.36)?

Lamentavelmente, muitos dos que seguem os métodos, as fórmulas mágicas, os desafios financeiros se esquecem de olhar para uma das essências do cristianismo que é a Palavra de Deus.

Em Josué 1.8: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.”

Essa palavra tem milhares de anos. Foi uma Palavra de Deus nos primórdios da história de Israel. Se o povo tivesse seguido esses preceitos, não seria necessário em pleno século XXI muitos pularem a fogueira de Israel, depositar dinheiro nos pés de líderes, fazer votos de sacrifício e muitas outras heresias e mágicas dos nossos dias.

Como disse no início deste artigo, que tem por título Receita de Prosperidade, a ênfase aqui é bíblica. Não há fórmulas, pois para um verdadeiro cristão não importa em qual situação financeira estamos. Cristo é sempre o Senhor.

Para encerrar, o texto base para mim, quando a vaidade e os desejos deste mundo me rodeiam:

“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” – Mateus 6:33

A Deus toda a glória.

Paulo Siqueira

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