Marcha para políticos ou para Jesus?

Aborreço com veemência as vossas celebrações – a vossa hipocrisia, honrando-me com festas religiosas.
Não aceitarei os vossos holocaustos e sacrifícios de gratidão. Nem sequer olharei para os vossos sacrifícios de paz.
Calem antes os vossos hinos de louvor – não passam de mero barulho aos meus ouvidos. Não escutarei a vossa música, por muito bonita que possa ser.
O que eu quero ver é antes a justiça correndo como o poderoso caudal de um rio – como uma torrente abundante de boas obras. – Amós 5:21-24 Edição O Livro

Começamos neste mês em todo o Brasil o evento intitulado Marcha para Jesus, evento esse que é referido por seus fundadores como “o maior evento gospel do mundo”. Um evento que é uma marca registrada da Igreja Renascer em Cristo, e devido a isso, para que esse evento possa ocorrer em qualquer parte do território nacional é preciso que se pague para se utilizar a marca. Por essa razão, em muitos locais o evento ocorre com outros títulos, por exemplo Marcha da Família.

Em decorrência dos fatos ocorridos com os líderes da Igreja Renascer, muitas igrejas e suas lideranças deixaram de participar do evento, fazendo com que a Marcha se tornasse um evento de uma só bandeira, exigindo da liderança acordos e conchavos para a execução do mesmo.

Em São Paulo capital, esses conchavos fizeram com que o evento se tornasse, além de religioso, também um evento político. Isso é facilmente percebível diante das inúmeras reuniões, cafés, cultos com a participação de candidato A, B ou C. Sem contar que são nesses eventos que se apresentam candidatos, partidos, fazem-se orações, profecias em torno desses candidatos e partidos.

Isso foi amplamente visto, por exemplo, pela ampla defesa de Eduardo Cunha em pleno palco do evento no Rio de Janeiro.

E por que deste artigo?

Porque lamentavelmente, ano após ano, nós do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) temos denunciado neste e em outros blogs as verdades por trás desse evento que ora tem um título religioso, porém sua essência ultrapassa os limites do Sagrado e do Profano.

Por que esse evento desperta tamanho interesse por parte dos políticos e seus partidos?

  1. Já faz anos que o Ministério Público proíbe o uso de showmícios promovidos por políticos e partidos (Lei 9.504/97).
  2. É proibido pedir votos em templos religiosos segundo o MP (Folha Web).

Diante disso, eventos como a Marcha para Jesus se tornaram um grande trunfo, já que por ser “religioso” pode atrair as grandes massas, podendo ser uma ferramenta de marketing comercial, político ou não.

Se um referido político se diz participante ou simpatizante de determinada instituição religiosa, quem poderá impedi-lo de participar ou “abençoar” ou “ser abençoado” no evento?

Com isso, políticos se tornaram figuras fáceis no alto dos trios-elétricos e nos palcos do evento.

Outro ponto que preciso destacar é que igrejas como a Universal do Reino de Deus, a Mundial, Renascer, AD Vitória em Cristo e outras fazem, através de seus líderes, uma aberta campanha e projetos em prol da conquista do poder e dos espaços públicos. Para isso, defendem abertamente seus candidatos e seus partidos.

Por exemplo, a Universal encabeça um partido onde lança seus candidatos diretamente vinculados aos propósitos e objetivos da igreja; Silas Malafaia, no Rio de Janeiro, não esconde de ninguém seus candidatos e usa os espaços na mídia para divulgar e buscar votos para esses candidatos, de tal forma que nesse ano São Paulo e Rio se dividem no cenário religioso eleitoral.

Enquanto no Rio Malafaia usa seu universo religioso como cabo eleitoral de Bolsonaro (na intenção de conquistar a presidência da república), em São Paulo Edir Macedo se une a Estevam Hernandes no intuito de lançar seu candidato também à presidência da república – um candidato um tanto desconhecido do público, que necessitará do apoio de seus “padrinhos políticos” para ganhar projeção no cenário nacional.

Então, eventos como a Marcha para Jesus se tornam um grande trunfo nas mãos daqueles que buscam o poder.

Algumas igrejas e suas lideranças não escondem de ninguém que ter um vereador, um deputado, um prefeito, um governador ou um presidenciável como membro é algo de destaque para a promoção e crescimento da referida instituição, tanto que em ano eleitoral vemos uma verdadeira caça, de ambos os lados, em busca desses benefícios.

Muitos são os estudos que divulgam essa realidade a fundo. Um estudioso que já citei em outros artigos sobre essa realidade é o sociólogo inglês Paul Freston, que por muito tempo pesquisou a igreja coreana no intuito de traçar um paralelo entre a igreja coreana e a igreja brasileira. Isso em virtude da igreja coreana fascinar tanto as lideranças evangélicas brasileiras, principalmente as pentecostais.

Do_pulpito_as_midias_sociais-212x300Recomendo o estudo das conclusões de Freston sobre o tema. Já adianto que, por ver os resultados da igreja da Coreia do Sul, a igreja brasileira caminha para uma situação não muito boa.

As lideranças que se utilizam da Marcha para Jesus para negócios com o universo político não têm por alvo a democracia, muito menos o caráter evangelístico-missionário. As intenções são diretas. Por exemplo, Edir Macedo não esconde de ninguém que seu objetivo é tomar o poder. E, assim como os católicos, dirigir o país através de uma teocracia, tendo como base a teologia da Universal. Para isso, não medem esforços para utilizar a Marcha para Jesus.

Uma pena que muitos que participam desses eventos não param um segundo para pensar e refletir. O alto som dos trios-elétricos, o ritmo dos cantores gospel não deixam espaços para isso. Lamentavelmente, não há uma teologia, não há uma reflexão histórica e muito menos uma sociologia ou uma consciência da realidade que tudo cerca.

Hoje, quem tem o conhecimento se tranca em suas instituições e divide o conhecimento só com os seus. Muitos são os pastores que preferem levar os membros da sua igreja para um retiro longe de tudo, com o pensamento de que, não vendo, não serão contaminados. Grande engano!

A Igreja de Cristo é uma só.

Alguns analistas já dizem que o silêncio de Cunha é no propósito de defender a igreja, pois muitos são os líderes envolvidos com os escândalos da política brasileira.

Nós do MEEB estaremos no próximo dia 31 de maio novamente na referida Marcha para Jesus. Temos a consciência de que o evento não é para Jesus. Estaremos com nossas faixas, camisetas e folhetos no propósito de despertar alguns para as verdades do Evangelho. Sabemos que diante do volume das músicas, da grande apoteose do culto, somos meramente insignificantes. Porém, estaremos envoltos no versículo que abre esse artigo. Estaremos ali como uma pequena fonte que goteja justiça e retidão.

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A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

Paulo Siqueira

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O que esperar dos evangélicos no Brasil?

oração“Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas (…).” – Apocalipse 2:10,11

Diante de tudo o que temos visto e ouvido no contexto evangélico brasileiro, atrevo-me mais uma vez a refletir a nossa realidade, numa perspectiva de futuro.

1o.) O universo evangélico vive de aparências

Segundo os principais teólogos da religião, entre eles Paul Freston, o crescimento evangélico é evidente. Porém, para muitas instituições o crescimento é simplesmente uma fonte de marketing; em outras, o crescimento é real; e em outras, é apenas um propósito.

Nessas que têm o crescimento como um propósito ou projeto se destacam as igrejas históricas, como o Metodismo que, em busca desse crescimento, submete suas lideranças e membros a partes remodeladas do pentecostalismo e do neopentecostalismo.

As igrejas que dizem que crescem pelo marketing são as que se utilizam dos movimentos de cura divina, prosperidade e libertação de demônios e opressões cotidianas.

E a terceira, que é a igreja que cresce verdadeiramente (pois as três citadas crescem de alguma forma), tem esse crescimento refletido por diversos estudiosos e não consiste num percentual relativo de novos convertidos.

O que vemos é um movimento cada dia mais frequente do sujeito religioso em trânsito, ou seja, o que chamam de crescimento nada mais é do que uma troca de frequência entre as instituições. E essa troca tem vários motivos: ministérios mais estruturados, ministérios mais midiáticos, ministérios com maior capacidade de promoção de eventos e atrações artísticas, ministérios com maior comodidade.

Ou seja: muitos motivos supérfluos, e acredito que alguns mudam em busca de algo que melhor lhes capacite ao serviço do Reino.

Diante disso, o grande marketing sobre o crescimento do movimento evangélico no Brasil não passa de uma grande maquiagem para encobrir as verdades que entranham o universo evangélico.

2o.) A falta de uma teologia brasileira faz da igreja refém de todo tipo de teologia

O que me assusta no presente é ver igrejas como a própria Metodista trocando sua teologia wesleyana por práticas neopentecostais. Isso também ocorre em igrejas calvinistas, luteranas, tudo tendo como justificativa o crescimento.

É preciso dizer que o Brasil ainda não tem uma teologia propriamente brasileira. As teologias que temos são importadas, e isso já é sabido por todos há muito tempo.

O que muitas instituições tentam explicar é que o que está sendo feito são adaptações no sentido de aproximar as teologias europeias e americanizadas à realidade brasileira. Porém, calvinismo continua calvinismo, metodismo continua metodismo, etc. O cotidiano revela bem ao contrário.

Em viagem ao Rio de Janeiro presenciei, em frente a uma igreja histórica, uma faixa anunciando uma campanha de cura e libertação.

Vemos, pelas redes sociais, flashes de cultos em igrejas históricas onde os pregadores desenvolvem uma homilética semelhante a dos pregadores pentecostais e neopentecostais. Sem contar a constante ênfase na arrecadação e no crescimento.

No meio pentecostal temos de pessoas sóbrias e dedicadas na prática de uma teologia bíblica a extravagâncias, arrogâncias, tudo em nome do crescimento.

A referência nesse sentido é o próprio Silas Malafaia e seu ministério Vitória em Cristo, que só não saiu das Assembleias de Deus porque o mesmo insiste no sonho de ser presidente da denominação. A prova disso é que, na sua existência, ele se faz distinto de todos os demais. Seu discurso teológico é totalmente pragmatizado pela cultura americana, em prol dos seus objetivos de ter uma igreja brasileira aos moldes da igreja pentecostal americana. E ele faz muitos discípulos nesse mesmo propósito.

O neopentecostalismo já é uma coisa desenfreada, desequilibrada ladeira abaixo. Vemos de tudo: desde heresias, mágicas, espetáculo, e eu tenho a esperança de que exista nesse meio alguns inconformados com essa realidade.

A questão é que a falta de uma teologia genuinamente brasileira traz grandes prejuízos para nossa cultura religiosa.

3o.) A igreja quer o poder, porém resiste a uma visão social

Alguém pode me dizer: mas e o pessoal da Missão Integral? E o Pastor Ariovaldo e sua turma?

Eu respondo: estão aí tomando pedradas de todos os lados e são dia após dia endemonizados por muitos.

Para que eu não entre nessa guerrinha, digo que meu pensamento social não é ideológico nem partidário. Quando falo de social estou falando de uma visão dentro do padrão bíblico e dentro de uma visão que contempla a história do cristianismo. Que parte da Igreja Primitiva no ato de dividir tudo para que todos tivessem tudo em comum.

A visão social da igreja busca a paz, a justiça, a igualdade, tudo no sentido de testemunhar Cristo na busca e na esperança de que um mundo melhor é possível. E essa é uma visão de Reino. E para isso se faz necessários projetos de educação, de capacitação profissional, de fornecimento de ferramentas para enfrentar as dificuldades do cotidiano (como orientação sobre doenças sexualmente transmissíveis, uso indevido de drogas), sem contar que a igreja precisa ser um braço de apoio à população que a rodeia em momentos de dificuldades, catástrofes, sendo uma fonte a ser utilizada até mesmo pelo Estado na promoção da vida para os cidadãos.

O que vemos são muitas igrejas com seus templos enormes, rodeados por pobreza, por fome, doenças, violência, e essas igrejas simplesmente ignoram o que está à sua volta. E, quando indagadas, respondem que o problema vem do fato das pessoas ao redor ainda não terem se convertido.

O que dizer dos já convertidos que ainda são pobres, que ainda não têm moradia, dos que ainda necessitam de programas sociais do Estado?

Já sei! Muitos vão responder: minha igreja distribui cestas básicas.

E eu pergunto: uma cesta básica resolve o problema social de uma vida toda? Com certeza que não.

O que estou tentando dizer é que a igreja precisa elaborar projetos com começo, meio e fim, no intuito de promover uma vida melhor para os que necessitam.

4o.) Uma igreja fracionada tentando existir cada um por si, cega na sua capacidade de enxergar o outro

Essa é a mais triste face da igreja brasileira. Ela é incapaz de enxergar a pluralidade do Evangelho.

O que dizer das ações da IURD e da Mundial, que vivem uma verdadeira guerra pelos fiéis? Onde temos a existência de patéticos vídeos onde os demônios dizem vir e frequentar uma e outra?

E essas divisões são muito profundas. Muitos a levam para o campo teológico.

O que dizer dos programas de debates onde arminianos e calvinistas se digladiam com seus academicismos em prol de ganhar a razão?

Enquanto isso, os fiéis são disputados como uma marca comercial. Ou seja, não temos um Corpo. Temos ideias e discursos que se aproximam. Quando vemos uma ou mais igrejas unidas, tudo vem por um interesse, por exemplo a busca por poder político.

Os evangélicos descobriram que na hora do voto uma união pode fazer a diferença, mas na essência não há união, mas sim o famoso cada um por si e Deus por todos.

Suas lideranças são incapazes de perceber que temos uma igreja refém do seu próprio pragmatismo, o que a impossibilita de cumprir a sua verdadeira missão. Assim, a essência é trocada pelo supérfluo, fazendo da igreja uma instituição meramente comercial e empresarial, onde a espiritualidade é entendida e transformada numa fonte semelhante a uma empresa comum.

O que vemos hoje no meio evangélico é o mais do mesmo, e tudo dentro de uma visão puramente empresarial.

Muitos pastores sonham em ver suas igrejas funcionando como uma empresa e conquistando espaços e adeptos como uma líder do seu mercado. Para isso, é comum ver que muitos estão dispostos a morrer por suas “marcas”.

Conheço muitos pastores que relatam ter consciência dessas realidades, porém não sabem e não conseguem reagir e nem sair dessa situação. Muitos pastores hoje estão sendo obrigados por suas lideranças a fazer cursos de coaching porque nos Estados Unidos isso se tornou moda no meio pastoral.

Muitos não percebem, mas a igreja caiu numa mesmice de programas e atividades onde os discursos que exaltam o ego e faz dos cultos uma mera atividade para suprir os desejos dos “clientes religiosos”, fazendo da igreja “comunidades de interesses”.

5o.) O que esperar

É possível uma saída? O que fazer com as frustrações? Como resistir a institucionalização da fé?

Acredito que essas respostas só são possíveis através da sociologia da religião, e para isso recomendo a leitura dos estudos de Paul Freston nos anos que estudou a igreja da Coreia do Sul.

Freston teve a oportunidade de acompanhar a igreja coreana desde seu crescimento até a chegada no ápice do poder político. Também reflete a queda dos coreanos através da igreja que dominava o poder.

Muitos não sabem, mas a igreja coreana chegou à presidência da República, a dominar o Senado e o Congresso porém, em decorrência de anos, teve suas principais lideranças envolvidas em grandes escândalos de corrupção, ao ponto de que a igreja que mais cresce hoje na Coreia é a Católica.

E a igreja da Coreia muito influenciou a igreja brasileira, principalmente o pentecostalismo.

A questão é que muitos não param para refletir o que aconteceu com a igreja coreana.

No Brasil, o crescimento evangélico teve muito a ver com o êxodo dos fiéis católicos, e esse êxodo ocorre quando os fiéis percebem que a igreja católica estava passando e vivendo os mesmos problemas em que hoje as lideranças evangélicas estão se entranhando. Dentre esses problemas, os citados acima.

Hoje muitas práticas católicas do passado são práticas do presente das lideranças evangélicas. Hoje o crescimento evangélico tem como alvo, pelas suas lideranças, premiar o mais efetivo, o mais lucrativo, o mais popular como o Papa ou como aquele que fala em nome de todos os evangélicos.

Não é difícil ver Silas Malafaia, Valdemiro, Macedo, Ernandes e outros se tentando fazer porta-vozes de uma dita nação evangélica. E, para isso, não poupam recursos. Esse exibicionismo vai da aliança com políticos e partidos a construção de templos, como o Templo de Salomão, a compra de concessões de tv e rádio, a desfiles de helicópteros, carros, comitivas de seguranças, a roupas e relógios importados, tudo no único propósito de ser aquele que comanda a massa evangélica.

Porém, muitos não aprenderam nada com o êxodo católico. Os fiéis católicos, quando perceberam a decadência de sua igreja, viram nos evangélicos a esperança de algo novo e santo para a continuidade de uma vida de fé. Mas os evangélicos, ao perceberem a decadência das suas instituições, estão partindo para três caminhos:

a) Muitos estão se tornando desigrejados, ou seja, aqueles que não querem a igreja, aqueles que se negam a seguir lideranças gananciosas, que buscam os seus próprios interesses. Uma característica central desses desigrejados é que eles foram fiéis ao extremo, cumpriram todas as orientações, todos os sacrifícios, tudo o que lhes fora ordenado. E o que conseguiram foram frustrações, feridas profundas e marcas para uma vida toda. E muitos chegaram a essa conclusão descobrindo as verdades encobertas por muitos ministérios.

b) O exército dos deixados para trás, que são os que não conseguiram caminhar e cumprir as regras das instituições. Entre eles estão muitos pastores, líderes de louvor, presidentes de grupos, tesoureiros, músicos, líderes de grupos de oração, pessoas que, apesar dos seus esforços, muitas vezes foram trocados por pessoas melhores e com maior capacidade de cumprir os objetivos da instituição. Muitos são pastores que envelheceram e hoje não se encaixam mais na moldura da instituição. Entre esses, estão aqueles que foram derrotados pelas adversidades da vida, seja por uma doença familiar ou pela perda do emprego, ou pela perda do status que tinha. Alguns ministérios não possuem tempo para lidar com pessoas problemáticas, com feridas profundas ou com qualquer tipo de problema que traga mais gastos do que lucros, pois em algumas instituições até um milagre pode dar lucro.

c) Apostasia. Muitos evangélicos estão apostatando da fé. Alguns partem para outras religiões, principalmente as asiáticas e as de matriz africana e espiritismo. Porém, um grande número está se tornando ateus.

Muitos são os que ficam se alternando entre essas três lacunas apresentadas. Alguns até se aventuram a frequentar um culto ou outro, porém descobrem que ou a realidade está igual, ou muitas vezes está bem pior.

Tenho tido contato com essas pessoas nos últimos anos, principalmente pelas redes sociais. Lamentavelmente, esse quadro para muitos resulta em um aprisionamento dentro de uma depressão profunda, de um universo à base de medicações controladas, de pessoas que têm aversão à religião e a religiosos e muitos são os que estão se entregando ao suicídio.

O que esperar de uma entidade que se diz espiritual, porém espetaculariza e comercializa suas ações? O que esperar de uma entidade que não sabe se relacionar com as verdades do Evangelho e que, ao invés de ser reconhecida como uma fonte de verdade, é estigmatizada como uma entidade que produz engano e dores?

Muitas igrejas, hoje, podem ser definidas como a fábula do médico e do monstro: ora se apresenta como uma fonte de cura, libertação e vida, ora ela se transforma em algo que esmaga, sufoca, tira a liberdade e exerce uma coerção para nos tirar tudo.

Muitas igrejas são um misto de verdades e mentiras, ilusões, fábulas, e eu chamo tudo isso dos paradoxos da religiosidade. E entre eles eu destaco a fé institucional versus a fé comercial versus a fé necessária.

O paradoxo entre o academicismo versus a falta de conhecimento, ou o místico, o mágico, o espetaculoso versus a espiritualidade bíblica.

Poderia descrever muitos outros.

Chego ao final deste artigo como aquele que tem a esperança de que a igreja brasileira pode ser aquilo que a Bíblia diz que ela é. Tenho acreditado nisso e tenho vivido isso a cada dia, através da luta dentro do Movimento pela Ética Evangélica Brasileira, dentro dos artigos que escrevo neste blog, nas ações do dia a dia, nas ministrações por onde tenho passado, porém a luta maior se trava nos encontros diários com aqueles e aquelas que, ao me encontrar, relatam um pouco de tudo o que descrevi aqui.

É nesses encontros diários que nasce em mim a esperança de que uma igreja melhor é possível. E para isso cabe a denúncia no intuito de despertar reflexões, consciências no sentido puramente cristão e bíblico.

Não tenho propósito de outras coisas, a não ser de acreditar que, como Jesus disse aos fariseus em João 8:36: “se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.

A DEUS toda a honra e toda a glória.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

Paulo Siqueira

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IURD na Marcha para Jesus em São Paulo: conluio gospel para a eleição do presidenciável do partido do Edir Macedo?

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“E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.” – Mateus 4:9

Eis o versículo-chave da demoníaca Teologia da Prosperidade, seguida por igrejas neopentecostais e algumas pentecostais extraviadas. Um versículo isolado lindo, pois fala de vitória, de riquezas, de ser cabeça e não cauda e ainda fala de adoração, ou seja, tem espiritualidade e dependência de um ser superior no meio. Porém, a beleza do versículo se esvai quando lemos seu contexto, mais propriamente os versículos 8 e 10. E aí nos damos conta de outra passagem bíblica:

“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo.
E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.
Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras.” – 2 Coríntios 11:13-15

Entendida essa pequena introdução, vamos aos fatos.

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Desde 2009, ano em que o Casal Hernandes voltou glorioso após um período prisional nos Estados Unidos, acompanhamos in loco as Marchas para Jesus em São Paulo, evento patenteado pelo Apóstolo (?) Estevam Hernandes. Sim, se você quiser fazer uma Marcha para Jesus em sua cidade, usando esse nome, precisa pedir autorização ($$$?) ao Apóstolo (?). E sinceramente não me recordo de ter visto a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) participando de alguma edição, exceto pelo político e Bispo Marcelo Crivella.

Nos últimos anos, o Apóstolo (?) Valdemiro Santiago da Igreja Mundial do Poder de Deus tem participado das Marchas em São Paulo, inclusive desfilando nos principais trios-elétricos (os primeiros, que carregam as autoridades eclesiais gospel e alguns políticos) e tendo um ou dois trios de sua própria denominação. Fora ele, nas últimas edições a Marcha foi exclusividade da Igreja Renascer em Cristo (do dono do evento gospel).


Marcha para Jesus 2017. A partir do minuto 3:50 a constatação de que havia mais trios-elétricos do que público que os seguisse.

A participação de igrejas nas Marchas é garantia de público. Afinal, os fiéis das grandes emprejas costumam obedecer cegamente a seus líderes e só frequentam os eventos que eles indicam. E eles somente indicam os eventos dos quais fazem parte, obviamente. Assim, nas últimas edições a Marcha para Jesus em São Paulo foi bastante esvaziada de público, pois contemplava majoritariamente os membros da Renascer e da Mundial. Ai se um membro de uma das igrejas não participantes aparece na tevê participando da Marcha!!!

Porém, esse ano a Marcha para Jesus promete um boom de público. Afinal, ninguém menos que o Bispo Edir Macedo se irmanou ao Casal Hernandes na Marcha para Jesus. E o Macedão está investindo bastante (não tanto como na venda de ingressos para seu filme, é claro)!

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Por ordem do “patrão”, as estrelas da Rede Record gravaram vídeos convidando para a Marcha, algo que jamais aconteceu em todos esses anos. Tem vídeo do Marcos Mion, Sabrina Sato, Gilberto Barros, Otávio Mesquita e até Gugu Liberato. O SBT (que tem trabalhado em conjunto com a Record em alguns projetos) também “liberou” artistas como o Ratinho e o Dudu Camargo para fazerem o convite. Além, é claro dos astros e estrelas gospel que se apresentarão gratuitamente (?), em prol apenas da pregação do Evangelho, como denunciado num artigo da edição passada.

Só para dar um gostinho:

“Causou discussão em plenário da Câmara Municipal, na sessão de ontem, o recurso financeiro utilizado pela Prefeitura para custear um show durante a Marcha para Jesus, realizada na cidade no último sábado. O questionamento refere-se ao cachê pago à empresa Faz Chover Produções Artísticas Ltda, para apresentação do cantor gospel Fernandinho, que se apresentou na Praça Antonio Carlos. Conforme extrato do contrato, publicado no Atos do Governo, foi pago R$ 85 mil ao conjunto musical.” (fonte: Tribuna de Minas)

Ah, mas é bênção pura a IURD participar da Marcha para Jesus! É a união das igrejas para glorificar a Deus e abençoar a cidade de São Paulo!

Será?

“O PRB anunciou nesta terça-feira (27) o lançamento da pré-candidatura do empresário Flávio Rocha, executivo da Riachuelo, à Presidência da República.” (fonte: G1 – Eleições 2018)

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“No início da campanha eleitoral, líderes do PRB fizeram uma análise realista do que vinha pela frente. Nas duas maiores frentes de disputa, apostavam muito no sucesso do senador Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro, e desconfiavam um pouco das chances do deputado Celso Russomanno em São Paulo, apesar da liderança folgada na ocasião. A impressão, apesar de feita sem nenhuma ciência ou base estatística, se confirmou. O PRB ganhou neste domingo, dia 30, a eleição na segunda maior cidade do país. Transformou-se em uma força eleitoral a ser observada.

Flavio-Rocha-2-instagramNo total, o PRB passou de 80 para 105 prefeitos. Firma-se como um projeto ímpar no cenário político, do partido que nasceu fincado na religião, criado e identificado com a Igreja Universal do Reino de Deus, uma das maiores agremiações cristãs neopentecostais do mundo. É natural que Crivella, um dos maiores líderes da igreja e uma aposta antiga dela na política, tenha atingido a maior vitória eleitoral do partido. Contudo, o PRB há tempos se firmou como uma força política à parte da igreja; é um partido onde cabem políticos com potencial eleitoral, a maior parte deles desvinculada da Universal, como é o caso do católico Russomanno, o deputado federal mais bem votado do Brasil em 2014.” (fonte: Revista Época – grifo do blog)

Seria uma grande coincidência que, no ano em que o partido do Edir Macedo resolve lançar um candidato à Presidência (e não um candidato qualquer, mas o dono da rede de lojas Riachuelo) a IURD resolva participar ativamente da Marcha para Jesus em São Paulo?

(pausa para reflexão)

Ah, mas a Marcha para Jesus não tem nada a ver com política, é adoração a Deus!

Será? (vídeos curtinhos que precisam ser vistos)

Acredito que uma parte da multidão que participa da Marcha lá está de coração sincero, buscando agradar a Deus. Outra parte, munida de celulares com bastante memória, lá está para tirar selfies e tentar fotos com seus artistas, líderes e políticos prediletos. E outra parte lá está para obter as benesses que uma multidão de fiéis pode proporcionar.

marcharioComo visto nos vídeos, os políticos participantes não apenas desfilam nos trios-elétricos como são chamados ao palco principal para que o povo “ore” por eles. É sabido que, no linguajar gospel, orar por um político no púlpito significa aprovação do líder para sua candidatura. E como nessas igrejas neopentecostais e em algumas pentecostais a palavra do líder é lei (sob pena de desobediência a Deus, o tal pecado de rebelião), automaticamente os votos dos fiéis são direcionados a quem foram levados a orar.

Assim, não espanta a IURD participar neste ano da Marcha. Os interesses políticos se sobrepõem ao orgulho de ter que participar de um evento de uma empreja concorrente. Marcelo Crivella que o diga.

Só fico pensando como será, caso tanto Edir Macedo como Valdemiro Santiago decidam participar pessoalmente da Marcha (lembrando que o Apóstolo [?] da Mundial também tem seus políticos a eleger). Ficarão em trios-elétricos separados ou cada um em um lado do trio?

Bom seria se a Marcha para Jesus em São Paulo fosse um evento de união das igrejas pelo único propósito de adorar a Deus. Bom seria se não houvesse a idolatria a artistas, pastores e políticos. Bom seria se os políticos que lá fossem se arrependessem de seus maus caminhos e buscassem, a partir daí, governar com justiça e bondade. Bom seria…

Mas a triste realidade é que, mais uma vez, em mais um ano, a multidão que participar da Marcha para Jesus em São Paulo será moeda de troca em conluios escusos na busca incessante pelo poder. Cada cabeça, um voto a ser negociado em nome de Jesus.

E aliás, Jesus só aparece no nome patenteado. É uma marca que dá muito, muito lucro a seus detentores. Mas é uma marca inferior aos donos da Marcha e dos trios elétricos, e o sinal disso é que só eles apareceram, nesses 9 anos em que temos acompanhado o evento, enfeitando os trios.

“E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.
E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo.
E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.
E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da sua doutrina.” – Marcos 11:15-18

“Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembleias solenes não me exalarão bom cheiro.
E ainda que me ofereçais holocaustos, ofertas de alimentos, não me agradarei delas; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos.
Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas.
Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso.” – Amós 5:21-24

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

Em tempo:

“Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos e testemunhávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos;
Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” – 1 Tessalonicenses 2:11,12

No dia 31 de Maio estaremos na Marcha para Jesus em São Paulo. Vestiremos camisetas que apontem para a volta à pureza e simplicidade do Evangelho e carregaremos faixas com versículos bíblicos que não agradam aos que usam o Evangelho como mercadoria para proveito próprio. Caso você queira estar conosco nessa aparente solitária missão (pois só na Eternidade saberemos quantos anjos o Senhor colocou ao nosso redor para nos guardar), venha estar conosco. É de graça, e pela Graça tão somente.

Caso deseje, deixe seu contato nos comentários para que possamos combinar.

Deus é, apesar de nós.

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Ajude missionários brasileiros na China

wendersonpaulinha2A China, apesar de ser um país com certo destaque na economia mundial, ainda está muito fechada à pregação do Evangelho. Recentemente, o país proibiu a venda de Bíblias e é sabido que são poucas as igrejas que têm autorização para funcionar (apenas aquelas que sujeitam sua pregação à autoridade estatal).

É nessa situação que um jovem casal de missionários deixou sua vida no Brasil e foi buscar almas na China. Os irmãos Wenderson e Paulinha estão há meses no país, para onde foram com a promessa de sustento por parte de alguns irmãos. Porém, com o passar dos meses e as dificuldades que são colocadas a cada um o sustento foi rareando. Embora se esforcem e consigam algum trabalho esporádico, a dificuldade com a língua e o fato de serem estrangeiros e cristãos tem dificultado bastante.

O casal Wenderson e Paulinha não é fazendo turismo na China, nem tampouco vivendo nababescamente. Atualmente, moram num alojamento da Jocum, pois não têm condições de alugar uma casa. E a provisão diária vem de Deus.

Vídeo: Páscoa na China

Se você puder, colabore com o sustento deste casal, que também são nossos amigos. Não vincularemos promessas de bênçãos financeiras especiais, como o fazem os falsos profetas. Apenas oramos para que Deus esteja no controle de nossas vidas. O casal não precisa apenas de ajuda financeira, mas principalmente de orações, de uma Igreja e um pastor que possa acompanhá-los como casal e como missionários. Eles precisam de irmãos com quem dividir o fardo e compartilhar as alegrias e tristezas.

Você pode entrar em contato com o casal através das redes sociais, lembrando que uma palavra de ânimo e de apoio pode ajudá-los muito nesta caminhada, pois a missão destes irmãos não é de um mês ou de um ano. Para aprender a língua será necessário, pelo menos, de quatro a cinco anos.

Seja também um(a) missionário(a). A essência da Igreja é ser missionária.

Que Deus seja com todos!

 

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Nada a Perder: a triste história de alguém que preferiu ganhar o mundo

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Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? – Marcos 8:36

Na semana em que relembramos os momentos que antecederam a morte e a ressurreição de Jesus Cristo há a no mínimo irônica estreia nos cinemas do filme autobiográfico Nada a Perder, que conta a história do Bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (segundo sua própria visão, é claro). Não assisti ao filme e não posso tecer grandes comentários sobre, mas posso analisar alguns pontos que estão expostos na mídia, chegando à conclusão de que esse filme, estreado especificamente nesta data, é uma grande cusparada de satanás na memória da Cruz.

O filme é baseado na trilogia de livros Nada a Perder, o que sugere que serão feitos mais 2 filmes. E a intenção dos livros e dos filmes neles baseados é uma só: glorificar Edir Macedo e sua IURD.

O site Entretenimento UOL traz 2 acontecimentos da época retratada nesse primeiro livro/filme, mas que foram “esquecidos”, apesar de sua grande importância e repercussão na época:

    • Divisão dos dólares de dízimo em Nova York

      A primeira parte do filme não mostra a expansão da igreja Universal para os Estados Unidos. A única menção à cidade americana ocorre ao final da projeção, quando Edir Macedo é alertado de uma situação muito grave que pode destruir a igreja. Uma reportagem da TV Globo, desta época, mostrou o bispo junto com outros pastores sorrindo enquanto contava dólares que estavam dentro de várias sacolas de dízimo. Os religiosos estão nos fundos da igreja ao final do culto, enquanto eles contam o dinheiro no chão.

    • “Ou dá ou desce”

      Em uma das cenas mais emblemáticas da biografia do bispo Edir Macedo é a “aula” que ele dá a outros pastores sobre como conseguir mais dízimo dos fiéis. “Se quiser [dar o dízimo], bem. Se não quiser, que se dane. Ou dá ou desce”, diz o pastor. Anos depois, Edir comentou sobre o vídeo em uma entrevista ao SBT e disse não se arrepender. “Ou você se entrega para Deus ou desce, vai para o inferno”, justificou o pastor na entrevista a Roberto Cabrini (fonte: Entretenimento UOL).

O fato é que, com seu falso evangelho do “dá ou desce”, Edir Macedo conseguiu erguer um império na Terra. Comprou sua própria emissora de tevê (Rede Record), tem redes varejistas, construiu templos no Brasil e no exterior e até um majestoso Templo de Salomão numa das regiões mais pobres de São Paulo. E, há cinco anos, foi citado pela Revista Forbes como o pastor mais rico do Brasil.

É emblemática a resposta que Edir Macedo deu sobre sua menção como pastor mais rico do Brasil na Revista Forbes. Sua resposta, cheia de ironia e sarcasmo, foi que a revista errou, pois na verdade ele era o pastor mais rico do mundo.

E o mais triste: ver a plateia rindo e concordando com isso, como se fosse algo bom, prova da bênção de Deus sobre a vida desse (im)pastor.

Não bastasse tudo isso, estão distorcendo – para não dizer falsificando – o número de expectadores do filme Nada a Temer. Assim como já fizeram com Os Dez Mandamentos, há suspeitas de que a IURD tem “convidado” seus membros a comprarem milhares de ingressos na pré-estreia, para alavancar as estatísticas do filme. A prova disso seria que, apesar de sessões com ingressos esgotados, poucos têm sido os lugares realmente ocupados. Afinal, no mundo do falso evangelho da Teologia da Prosperidade, tem que parecer maior do que os demais. Já o verdadeiro Evangelho nos ensina a sermos os menores diante dos irmãos.

Sobre isso, veja o que observou o repórter do jornal O Estado de São Paulo:

“No Espaço Itaú de Cinema da Pompeia, no shopping Bourbon, o filme foi exibido em 14 sessões espalhadas por três salas. Porém os postos de venda exibiam como ocupados assentos que na verdade estavam vagos. Na sessão das 18h, na sala 7, a única opção disponível era a primeira fileira, mas durante a exibição do longa havia apenas um espectador na segunda fileira, dois na terceira e pouco menos da metade das poltronas ficaram vazias.

Já no Cinemark do Central Plaza Shopping, a lotação foi ainda menor. Após o início da exibição do filme, havia apenas cerca de 10% dos ingressos para a sessão das 20h20, na sala 1, e somente quatro poltronas estavam indisponíveis para compra na sessão das 20h40, na sala 8. Apesar de quinta-feira ser o dia das estreias cinematográficas, havia pouco movimento próximo à entrada do cinema.”

Ou seja, o dinheiro do “dá ou desce” nunca foi usado segundo os preceitos bíblicos de ajuda aos órfãos, viúvas, estrangeiros e necessitados. Na IURD, ele serve para comprar emissoras que transmitem programas como A Fazenda, para tornar seu líder o mais rico do mundo (esse é o desejo dele) e para financiar suas excentricidades, como a produção de filmes de autoidolatria e a compra de todos os ingressos possíveis e impossíveis, para, pelo menos estatisticamente, torná-lo um grande sucesso de bilheteria.

Sim, Edir Macedo se esforçou (com meios não tão santos) e conquistou o mundo. Mas Jesus fala sobre os que agem como o tal bispo:

“E começou a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que depois de três dias ressuscitaria.
E dizia abertamente estas palavras. E Pedro o tomou à parte, e começou a repreendê-lo.
Mas ele, virando-se, e olhando para os seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens.
E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.
Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.
Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?
Ou, que daria o homem pelo resgate da sua alma?
Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.” – Marcos 8:31-38

Quando Jesus ensina a repartir e Edir Macedo ensina a ajuntar para si, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Quando Jesus ensina a ser o menor e Edir Macedo ensina a ser o maior, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Quando Jesus ensina que devemos morrer para esse mundo e Edir Macedo ensina a conquistar e usufruir o máximo possível das dádivas desse mundo, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Quando Jesus ensina que não devemos tirar a vida de ninguém e Edir Macedo ensina que aborto é bom e ele gosta, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Quando Jesus nos pede nosso coração e Edir Macedo nos pede todos os nossos bens em Seu Santo Nome, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Quando Jesus ensina: “vem e segue-me” e Edir Macedo ensina que devemos seguir a ele, esse (im)pastor está se envergonhando das Palavras de Deus.

Um cego leva os demais cegos para o abismo. Veja quem você está seguindo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS – e não a Edir Macedo e cia. – seja toda a honra e toda a glória para sempre.

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Hipnose ou milagre no 10o. Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil?

jeronimoavivamentoDurante o feriado de Carnaval o Apóstolo (?) Agenor Duque promoveu o 10o. Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil, com a presença de Benny Hinn, Marco Feliciano, Abílio Santana, Jerônimo Onofre da Silveira e outros. Neste artigo analisaremos uma das preleções, a do Jerônimo Onofre.

Antes de continuar a leitura, recomendamos assistir ao seguinte vídeo:

O que se espera de um Congresso de Avivamento? Um avivamento, é claro! E avivamentos só ocorrem pela ação do Espírito Santo, quando buscado de todo o coração pelos fiéis. E essa busca se faz presente quando, entre os fiéis, há verdadeiro arrependimento pelos pecados e sincera vontade de agradar a Deus. E quando há temor e tremor do Senhor.

E o que a participação do Jerônimo Onofre nos faz pensar? Ela denota arrependimento, vontade de agradar a Deus, temor e tremor do Senhor? Ou denota excesso de autoconfiança, certeza no poder próprio, desejo de aplausos, reconhecimento e até de se tornar um ídolo perante a multidão?

É possível um avivamento verdadeiro quando os homens desejam se igualar a Deus?

Como falamos de igreja, temos que nos palpar nas Escrituras Sagradas. Se desejamos seguir a Cristo, precisamos seguir Seus ensinos e Seus passos.

Através de Jesus e dos Apóstolos (de verdade), muitos milagres foram realizados. Leprosos foram curados, cegos enxergaram, deficientes físicos voltaram a andar, mortos ressuscitaram, demônios foram expulsos. Bastava uma ordem para que o milagre se realizasse, e quando isso acontecia, o mundo ao redor ficava em polvorosa.

Hoje em dia, na ânsia de demonstrar poder e autoridade, algumas igrejas ditas cristãs têm falsificado milagres. Já que a prometida cura não veio, alguns pastores dão uma “ajudinha” a Deus manipulando os fiéis. A hipnose é uma das técnicas mais utilizadas, por ser fácil e promover resultados imediatos. Imediatos mas pouco duradouros, mas isso não é um problema, pois o fiel já terá dado seu testemunho e não voltará para desmentir o que ele mesmo afirmou dias atrás.

Se já está difícil obter milagres, quiçá um verdadeiro avivamento. E por isso todos os anos precisa-se buscar novos avivamentos em novos congressos, reuniões de poder, vigílias no monte, viagens a Israel e campanhas mil. E de campanha em campanha, reunião em reunião, viagem em viagem, congresso em congresso sem obter os resultados prometidos, a fé de muitos se esfria. E o amor também.

Muitos pastores precisam aprender que avivamento não é busca por riquezas e prosperidade, não é cura de todas as doenças, não é eleição dos políticos indicados pela liderança, não é a construção de maiores e mais suntuosos templos, não é multidão de dizimistas e ofertantes fiéis. Avivamento é profunda dor pelos nossos pecados e pelos da nação. Avivamento é desejo de justiça para os que mais sofrem. Avivamento é um amor tão grande por Deus que nos faz esquecer de nós mesmos.

Avivamento é amor pela Verdade. Não é falsificação de milagres, não é mentira em prol de uma falsa propaganda de espiritualidade do (im)pastor.

Tristes os dias em que vivemos, onde alguns líderes ditos cristãos colocam sua confiança em políticos, na oferta de empresários, nas técnicas de hipnose e em seu poder de persuasão junto ao rebanho. E que pobre esse rebanho, proibido até de pensar, por medo das ameaças de maldição desses (im)pastores!

Recomendo a leitura do livro Lavagem Cerebral e Hipnose nos Cultos Protestantes. Foi escrito por um católico, e a propósito, os católicos demoram anos para reconhecer um milagre, justamente para que não haja falsificações. Já nós, evangélicos, aceitamos qualquer palavra claramente induzida pelo pastor para dizer que alguém foi curado. Mesmo sem tê-lo sido de fato.

Quando houver seriedade nas igrejas evangélicas, haverá um verdadeiro avivamento. E nem será necessário fazer congressos com esse específico fim.

Por mais Evangelho e menos “ajudinhas” humanas.

Deus não precisa de nós. Nós é que precisamos Dele.

Quem se enche com truques baratos são teatros e circos, não verdadeiras igrejas.

avivamento

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

 

 

 

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O que uma simples faixa causou no 10o. Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil

Leia o conteúdo da faixa a seguir:

precisamos de uma igreja

Sentiu-se ofendido(a)? Ameaçado(a)? Ou simplesmente serviu para lhe colocar em estado de reflexão momentânea, advindo depois a simples aprovação ou desaprovação da mensagem?

Misteriosamente, mais uma vez percebemos que essa faixa pode causar grandes reações. Hoje a levamos diante da entrada do 10o. Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil, no Estádio do Canindé em São Paulo. “Vacinados”, muitos dos que lá foram e que usavam camiseta do congresso com foto do Benny Hinn mal a olharam. E entre os que ousaram olhar, muitos fizeram ar de reprovação.

Compreendo ser justo não concordar com os dizeres da faixa, uma vez que temos total livre arbítrio. Mas, onde está o erro da mensagem?

Para nossa surpresa, a certa altura do campeonato surge o Apóstolo (?) Agenor Duque em seu carro. Para diante de nós, pega seu celular e tira fotos nossas e da faixa. Aceita educadamente um folheto e nos pergunta o que estávamos fazendo ali.

Na rápida conversa, o que mais nos espantou foi a reação geral. Estávamos em meio a um batalhão de ambulantes e fiéis, e obviamente a gritaria imperava. Os ambulantes, cada um vendendo seu peixe, além do zunzunzum de quem foi buscar uma bênção. Porém, quando a figura do Apóstolo (?) apareceu por trás dos vidros escuros do veículo, fez-se um silêncio sepulcral. Olhei ao redor e todos – sim, todos! – estavam parados, olhando atentamente. Foi uma reação surpreendente, como se todos estivessem diante de algo muito sagrado, muito idealizado, diante do qual não devessem sequer demonstrar movimento. Talvez uma grande autoridade, até mesmo um rei. Fazendo uma analogia, lembrou-me filmes de heróis super rápidos, naquelas cenas em que o mundo inteiro fica praticamente parado enquanto o herói caminha em volta do cenário.

Quando o carro do Apóstolo (?) Agenor Duque deu partida e entrou no estádio, como num passe de mágica tudo voltou ao normal: a gritaria, o caminhar dos fiéis para lá e para cá, a curiosidade de alguns sobre nossa faixa e folhetos e o desprezo de outros pelo mesmo motivo. E então chegaram alguns seguranças do evento, preocupados por acharem que tínhamos outras faixas que denegririam pessoalmente o Apóstolo (?) e a Bispa (?). Mas é claro que não tínhamos, pois nossa intenção não é denegrir pessoas, mas criticar sua teologia dita cristã.

Em certo momento, recebi o “calendário apostólico” (foi assim que a moça o descreveu). De um lado, um calendário. Do outro, a foto do Deputado (querendo se reeleger) Jorge Tadeu e um outro pastor que não conheço. E o outro Deputado Marco Feliciano havia pregado numa noite do congresso. Afinal, uns confiam em carros, outros em cavalos, outros mais em políticos que os favoreçam, mas nós faremos menção do nome do Senhor Nosso Deus.

Estávamos em cinco, o suficiente para passarmos totalmente despercebidos na multidão. Mas Deus não quis que fosse assim. Mesmo em cinco, com apenas uma faixa com uma mensagem que normalmente agradaria a qualquer cristão, ainda assim incomodamos – e muito. A luz da Verdade incomoda os olhos que permaneceram muito tempo na escuridão, e a defesa, nesse caso, é tentar apagar a Verdade. Mas, quem pode conter a luz?

Fomos embora antes do Benny Hinn subir no palco. O que tínhamos que fazer ali Deus já havia feito. Mesmo aqueles que hoje se incomodaram e até se irritaram com nossa presença, temos fé de que Deus lhes visitará e lhes ensinará novas coisas em Seu tempo, como um dia fez conosco. Deus conhece os corações sinceros e não os deixará no engano.

Sobre o congresso em si, infelizmente muitas heresias e falsificações de milagres, mas disso trataremos no próximo artigo.

Agradecemos a Deus pela oportunidade que Ele nos deu no dia de hoje.

A Ele toda a honra e toda a glória para sempre.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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