A política e a corrupção dos que se dizem evangélicos: o diabo tem muitos filhos por aí

Agora que a canoa está virando, os ratos começam a saltar para fora.

Agora que a canoa está virando, os ratos começam a saltar para fora.

“Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.” – João 8:44

O cristão é aquele que segue os ensinamentos de Jesus Cristo, e em Seus ensinos sempre se cobrou o amor a Deus acima de todas as coisas, a honestidade, o morrer para si em prol do próximo, o não entesourar riquezas, compartilhando-as com os necessitados, a busca por mudanças positivas em nossa sociedade (ser “sal e luz”). Porém, a cada dia vemos, no Brasil, o quão distante estão o discurso e a prática cristã.

Sim, somos milhões de evangélicos e outros milhões de católicos, maioria absoluta da população se diz cristã, mas…

A Igreja Evangélica Assembleia de Deus intermediou o recebimento de pelo menos R$ 250 mil em propinas ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em 2012. A acusação foi feita pela PGR (Procuradoria Geral da República) e está na denúncia feita nesta quinta-feira (20) contra Cunha ao STF (Supremo Tribunal Federal). O dinheiro seria referente a propina do esquema investigado pela operação Lava Jato.

A PGR denunciou Eduardo Cunha e prefeita da cidade fluminense de Rio Bonito, Solange Almeida (PMDB), por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de ter pedido e aceitado o pagamento de US$ 5 milhões em propinas referentes a contratos da Samsung com a Petrobras.

De acordo com a denúncia da PGR, Fernando Soares orientou o lobista Júlio Camargo, responsável pelo pagamento de propinas a Eduardo Cunha, para que ele efetuasse o pagamento de R$ 250 mil a deputado por meio de depósitos feitos na conta da Igreja Evangélica Assembleia de Deus.

“Soares teria alertado que pessoas dessa igreja iriam entrar em contato com o declarante [Júlio Camargo].Representantes da igreja procuraram Júlio Camargo e informaram os dados bancários da Igreja Evangélica Assembleia de Deus,” diz o texto.

Depois desse contato, empresas de fachada operadas por Júlio Camargo teriam feito três depósitos na conta da Igreja no dia 31 de agosto de 2012. Segundo a denúncia, a justificativa dada pelas empresas para os depósitos foi “pagamento a fornecedores”.

A PGR diz que “não há dúvidas” de que as transferências foram feitas por indicação de Cunha e para o pagamento de parte dos US$ 5 milhões em propina que teria pedido a Júlio Camargo.

Ainda de acordo com a PGR, a ligação entre Eduardo Cunha e líderes da Igreja Evangélica Assembleia de Deus é “notória”. Cunha é declaradamente evangélico.

“O diretor da referida Igreja perante a Receita Federal é Samuel Cássio Ferreira, irmão de Abner Ferreira, pastor da Igreja Assembleia de Deus Madureira, no Rio de Janeiro, que o denunciado [Cunha] frequenta”, afirmou.” (Uol Notícias)

Nos últimos anos temos visto um movimento das maiores denominações evangélicas, que fazem um grande trabalho junto a seus fiéis com o fim de eleger políticos que os represente nas esferas legislativa e executiva. Tal estratégia tem alcançado sucesso, tanto que existe uma “bancada evangélica” na Câmara dos Deputados. Essa bancada, se seguisse os princípios de Jesus, seria conhecida por promover a justiça, defender a vida e o direito dos cidadãos, por trazer projetos para coibir a corrupção em todos os níveis do governo e para a diminuição da desigualdade social no país. Porém, nossa “bancada evangélica” é conhecida por sua truculência, por sua perseguição ao inimigo número um dos evangélicos (os “malditos e monstruosos pecadores homossexuais” ), por seus projetos pífios e inócuos (mudança de nomes de ruas para homenagear líderes gospel, invenção de datas comemorativas como o dia da mulher do pastor ou o dia do levita, defesa dos interesses das denominações que os elegeram, mesmo que em detrimento do resto da sociedade). Um ou outro projeto dessa bancada se salva, mas não deveria ser o contrário (a grande maioria dos projetos retratarem o Mestre)?

“O lobista Júlio Camargo, delator da Operação Lava Jato, relatou aos procuradores que conduzem as investigações de políticos envolvidos no esquema que não mencionou a pressão sofrida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para pagamento de propina por medo das retaliações que o parlamentar poderia fazer à sua família ou empresas. “Eu tenho medo do deputado Eduardo Cunha”, disse o delator, em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho.

Os três depoimentos de Camargo o grupo de trabalho do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, permaneciam em sigilo até hoje, e serviram de fundamento para o oferecimento de denúncia contra o peemedebista por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. “Estamos tratando da terceira pessoa mais importante do País e de uma pessoa agressiva quando quer alcançar seus objetivos”, disse Camargo aos procuradores.” (Estadão – Blog do Fausto Macedo)

Beatriz Catta Preta, ex-advogada de nove delatores da Operação Lava Jato, disse em entrevista exibida nesta quinta-feira (30) no “Jornal Nacional”, da TV Globo, que um de seus clientes, o empresário da Toyo Setal Júlio Camargo, tinha “medo de chegar” ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em suas delações.

Beatriz, que deixou os casos envolvendo a Lava Jato no último dia 22 e foiconvocada a depor na CPI da Petrobras, também afirmou que está deixando a profissão após receber “ameaças veladas” de integrantes da CPI. “Vamos dizer que aumentou essa pressão, essa tentativa de intimidação a mim e à minha família. Vem dos integrantes da CPI que votaram a favor da minha convocação”, disse, sem citar nomes.

 

[…] “O deputado Eduardo Cunha é conhecido como uma pessoa agressiva, mas confesso que comigo foi extremamente amistoso, dizendo que ele não tinha nada pessoal contra mim, mas que havia um débito meu com o Fernando e que ele era merecedor de US$ 5 milhões”, afirmou Camargo em seu segundo depoimento.” (Uol Notícias)

É muito triste ver a corrupção dentro das igrejas ditas cristãs. É muito triste ver líderes, que dizem seguir a Cristo, envolvidos em episódios de corrupção, escandalizando o Santo Nome de Jesus. É claro que um ou outro pode ser acusado injustamente. Mas infelizmente muitos têm se rendido ao suave chamado de Mamom.

“Diante das acusações dos delatores, o peemedebista resolveu retaliar o governo. Comunicou sua decisão ao vice-presidente da República e principal articulador do governo, Michel Temer, e ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que lhe teria dito que o país vive uma crise institucional. Desde o começo desta semana, Cunha tem dito a aliados que espera a formalização de uma denúncia da Procuradoria-Geral da República, com comentários sobre retaliação nos bastidores. Ele avalia a mudança de postura de Camargo, que até então o havia manido fora de suas acusações, a uma interferência do governo em “conluio” com a PGR.

“Não há mais volta. A partir de hoje, minhas relações com o governo estão rompidas”, disse Cunha, segundo a revista Época. Já apuração da Folha de S.Paulo dá conta de que Cunha admite a aliados que pode se “ferrar”, mas que o governo sofrerá as consequências. “Guerra é guerra”, teria dito o deputado, reservadamente. “Vou explodir o governo”, avisa Cunha, nos bastidores, segundo o blog do jornalista Josias de Souza, hospedado no Portal UOL.” (Congresso em Foco)

[nota da blogueira: lendo a frase em vermelho dá para sentir uma sutil admissão de culpa?]

Mas no mundo gospel tudo se resolve. Se o líder fulano ou beltrano for pego em grave escândalo, das duas uma: ou se joga tudo para debaixo do tapete, ou se busca desvencilhar a imagem da dele. No caso que estamos estudando nesse artigo (um em meio a muitos outros!!!), um famoso pastor disse que nunca apoiou o deputado acusado de corrupção. Porém, basta dar uma rápida pesquisada na internet para se descobrir que isso não é verdade.

E só lembrando, quem é o pai da mentira mesmo?

Para o Malafaia, os blogueiros e sites apologéticos são "filhos do diabo". Mas quem é que anda mentindo?

Para o Malafaia, os blogueiros e sites apologéticos são “filhos do diabo”. Mas quem é que anda mentindo, para desvincular sua imagem à de um acusado de corrupção?

“A bancada evangélica naturalmente tem muito mais afinidade comigo pelo fato de eu fazer parte dela, de eu defender a vida e a família. Sabem que sou contra o aborto. Defesa da vida e da família, essa é a minha posição”, disse Cunha, que em 2010 apresentou projeto de lei que criminaliza a discriminação contra heterossexuais.

Nesta semana, quem entrou em campo pedindo votos para Cunha foi o pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Ele disse que resolveu se manifestar após o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), defensor das causas LGBT na Câmara, dizer em entrevista publicada pelo jornal carioca “O Dia” no último domingo, dia 11, que “não tem santo que me faça votar em Eduardo Cunha”.

“Como eu tenho posições radicais contra o que ele (Wyllys) tem de ideologia, onde ele se manifesta ideologicamente com força, eu me manifesto ao contrário”, disse Malafaia.

“Se algum deputado evangélico (estava) em dúvida, caiu no colo do Cunha”, afirmou o pastor. Malafaia calcula que elegeu cerca de 20 deputados, mas acredita que sua influência na bancada vai além.

Além de conversar com seus deputados, Malafaia designou o deputado recém-eleito Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) para acompanhar Cunha e fazer a ponte entre o candidato e aqueles que integrarão a bancada evangélica a partir de fevereiro.

Pastor da Assembleia de Deus, Cavalcante também foi diretor de eventos da Associação Vitória em Cristo, de Malafaia.” (Revista Exame)

A melhor forma de quebrar uma estrutura é de dentro para fora. Assim, o mundo se infiltrou em boa parte das igrejas para, de dentro, implodi-las. Mas a destruição não é como nossos olhos humanos enxergam. Para nós, essas igrejas são as que mais crescem, com templos cada vez mais grandiosos e luxuosos, com seus líderes cada vez mais ricos e famosos, alguns até com caros programas de televisão (que visam não evangelizar, mas aumentar o número de membros, e assim, de arrecadação e lucros). Para o mundo, o sinal do sucesso é ter poder, grandiosidade, riqueza, fama.

Mas para Deus é o contrário. A grande marca do sucesso espiritual podemos ver claramente em Jesus, nos profetas, nos apóstolos, nos pais da Igreja, nos mártires. O sucesso espiritual trouxe a marca do fracasso segundo os padrões do mundo. Jesus e seus apóstolos não construíram grandes templos, não ficaram milionários, não desfrutaram dos prazeres deste mundo e nem comeram do melhor desta terra. Ao contrário, foram perseguidos, ultrajados, humilhados em sua fé. Muitos tiveram mortes degradantes, mortes como criminosos, julgados pelos poderes de sua época e condenados à torturas e crucificação, apedrejamento, mutilação, alguns foram serrados ao meio, outros queimados na fogueira. Mais atualmente temos visto verdadeiros cristãos sendo mortos por defenderem sua fé em países que rejeitam totalmente o Evangelho de Cristo.

Esses não estão preocupados em defender sua denominação. Esses não estão preocupados em angariar recursos para seu próprio enriquecimento (bradado depois de cima do púlpito como um triste testemunho, como se fosse obra de Deus e não maracutaias humanas). Esses não estão preocupados em arrecadar milhões para a construção de templos suntuosos, que glorificam não a Deus, mas sim aos donos dos templos. Esses não estão preocupados em influenciar politicamente uma nação.

A preocupação desses é seguir Àquele que é digno de todo o louvor e de toda a glória, mesmo que isso lhes custe a própria vida.

Arrependamo-nos enquanto é tempo. Arrependamo-nos dos pecados cometidos, e arrependamo-nos de seguir os falsos Cristos e falsos profetas. Arrependamo-nos enquanto é tempo.

Que Deus permita que, apesar de tantos escândalos demoníacos, muitos possam continuar a crer que há verdadeiros homens e mulheres de Deus, e que lutar pelo Evangelho vale a pena.

Que os verdadeiros cristãos entendam que as trevas não se misturam com a luz. Assim, não se pode apoiar a corrupção de uns para que esses ajudem a derrubar um governo também considerado corrupto. Deus não precisa de corruptos para fazer Sua Justiça, embora possa usar-se deles. Porém, não nos compete fazer vistas grossas à iniquidade para que nosso desejo seja realizado.

O verdadeiro cristão, assim como Cristo nos ensinou, repudia toda a forma de corrupção e de injustiça. Mesmo que isso preveja que cortemos na própria carne. Afinal,

“Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar.
Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!
Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.
E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno.
Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.
Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido.” – Mateus 18:6-11

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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Do lado de dentro do IV Salão Internacional Gospel e do Troféu de Ouro: o $how tem que parar!

culto1A semana passada foi especial. Recebemos, aqui em São Paulo, a visita dos irmãos do Ministério Restauração do Louvor, de Rio Branco (AC). Foram hospedados pelo Pr. Hector e sua esposa Pra. Raquel, da Igreja Paz. Vieram a princípio como convidados no Troféu de Ouro, mas participaram também do culto no IV Salão Internacional Gospel.

Mas vamos por partes:

O IV Salão Internacional Gospel, no Expo Center Norte (São Paulo SP), é uma feira de negócios evangélica. Começou privilegiando o ramo musical, mas com o passar dos anos se diversificou. Nesse ano, teve como expositores ministérios, editoras, grupos de louvor e artistas gospel e outros produtos.

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Um evento como o Salão Internacional Gospel deveria ser um dos últimos lugares a receber a faixa “Voltemos ao Evangelho puro e simples, o $how tem que parar” e permitir a distribuição de panfletos contrários a teologias como a da prosperidade. Sim, pois tal frase vai contra os interesses de muitos dos expositores, que pagam para ali divulgar seus produtos e serviços. É importante pontuar que não somos contra o mercado. Nós, como qualquer outro, compramos roupas, alimentos, livros. Compramos até a Bíblia. Porém, somos contra o comércio de Deus: venda de indulgências, de objetos “ungidos”, de “louvor” (cantores que dizem ter ministério de louvor, mas só se apresentam nas igrejas mediante pagamento de cachê), da Palavra (pregadores que só funcionam movidos a gordas e preestabelecidas ofertas), de bênçãos. E como há expositores, nas feiras gospel, ofertando esse tipo de (mau) produto!

culto3Porém, apesar da insatisfação de alguns dos expositores, os organizadores do Salão Internacional Gospel (Luciana Mazza e Marcelo Rabelo) sempre nos convidaram para abrir nossas faixas do lado de dentro da feira.

Nos anos anteriores, tivemos a oportunidade de palestrar sobre a necessidade da volta das igrejas à pregação e vivência da pureza e simplicidade do Evangelho. Desta vez, tivemos espaço para um culto a Deus. O louvor ficou a cargo da banda da Igreja Paz e do Ministério Restauração do Louvor. Na Palavra dividiram-se o irmão Marquinhos (abertura), o Pr. Hector e o Pr. Paulo Siqueira. O tema das mensagens: um avivamento é possível? Sim, se vivermos os Evangelhos!

culto4A Palavra de exortação foi lançada.

culto5Enfim, muitos dos que estavam na feira se aproximaram para tirar fotos segurando a faixa, demonstrando aprovação. A verdade é que são muitos os que estão cansados das falsas promessas que os falsos profetas têm trazido no nosso tempo. O Espírito Santo tem impulsionado os sinceros a buscar a Deus. Aos poucos, muitos têm tido seus olhos abertos para os enganos teológicos e a idolatria a pseudos homens e mulheres de Deus.

Realmente foi um sábado especial para todos.

Dois dias depois, na segunda, foi a entrega do Troféu de Ouro. Esse troféu tem substituído o antigo Troféu Promessas, que era entregue por uma empresa ligada à Rede Globo aos melhores “levitas” (como se escolhe o melhor adorador? Pelo número de almas que se convertem após ele cantar uma música?).

culto6A cerimônia do Troféu de Ouro aconteceu no Teatro Bradesco, e lá estava boa parte dos artistas gospel do momento, a grande parte disputando a estatueta irmã-gêmea do Oscar de Hollywood. E lá estava o Ministério Restauração do Louvor, que foi convidado a abrir a cerimônia. E os pastores Hector e família e Paulo, que foram acompanhar o grupo.

Foi um $how de horror. Claro que entre a grande maioria de artistas gospel havia cantores sinceros. Mas o ambiente era de espetáculo, de exibição. Um fato resumiu o espírito do lugar: uma fulana artista gospel, ao subir para pegar seu “Oscar”, disse: “gente, eu tenho um sonho, e vocês precisam realizar o meu sonho: todo mundo levanta e me aplaude!”. E mais: “esse troféu é tão lindo que, se eu não ganhasse, eu comprava um”.

11229284_395775810629036_4293697592006140405_nA coisa foi tamanha que em certa parte da cerimônia os organizadores perderam totalmente o controle. A multidão que pagou no mínimo R$ 50,00 para entrar ficou enlouquecida atrás dos artistas, de autógrafos, de fotos. Muitos gritos, muito alvoroço atrás de homens e mulheres. Deus ficou do lado de fora.

Enquanto os ânimos se exaltavam de glamour, os nossos estavam cabisbaixos, tristes, horrorizados com a situação. Afinal, os que ali estavam diziam estar para a glória de Deus. Em meio a tudo isso, alguém pegou uma das revistas que estavam espalhadas em todas as cadeiras do teatro. Era um exemplar da Revista Prisma, com cerca de 90% das páginas divulgando os artistas, uma espécie de Caras gospel. Ao folhear a revista, qual não foi a surpresa ao ver que havia uma reportagem falando do episódio em que Silas Malafaia chama os blogueiros cristãos de “filhos do diabo”, e contrapondo essa fala no mínimo infeliz trechos de um artigo do Paulo Siqueira em seu blog As Pedras Clamam!

10421485_396651273874823_6693406687005760287_nAbsurdo, não? O tipo de reportagem que poderia estar em qualquer lugar, menos ali, naquele lugar de exaltação ao ser humano e de valorização de artistas, através do troféu, para uma majoração na cobrança dos cachês.

Sim, as pedras clamam. E estão clamando em todo o lugar. Ninguém poderá, naquele dia, dizer que não ouviu, que não foi alertado da Verdade.

Quem estava ali gritando pelos artistas, e os próprios artistas que incentivam o culto à sua pessoa, se folhearam e leram a revista, leram também tal reportagem. Deus tem feito as pedras não apenas clamar, mas gritar aos quatro cantos. Até no meio de $how da vaidade gospel.

Sinceramente, estamos sem palavras. Apenas profundamente gratos a Deus, que faz além do que pedimos ou pensamos.

Glorifico a Deus pela vida de homens e mulheres que, mesmo diante das riquezas e dos benefícios que o “mundo gospel” pode lhes dar, ainda assim vêem o verdadeiro valor no tomar a sua cruz e seguir a Cristo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

(abaixo alguns dos irmãos que estenderam a faixa)

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(reportagem da Revista Prisma, distribuída no Troféu de Ouro 2015):
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Culto no IV Salão Internacional Gospel – Um avivamento é possível?

Culto2No dia 8 de agosto, próximo sábado, estaremos, às 18 horas, prestando culto a Deus num dos auditórios do IV Salão Internacional Gospel, no Expo Center Norte (em São Paulo).

Desde a primeira edição do evento, o MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) participa com palestras. Neste ano, teremos espaço para um culto, no qual participarão também a Igreja Paz (São Paulo capital), o Ministério Restauração de Louvor (Rio Branco-Ac) e demais convidados. Será um tempo no qual entoaremos cânticos de louvor e adoração a nosso Deus e refletiremos na Sua Palavra.

O tema da mensagem a ser pregada: “Um avivamento é possível? Sim, se vivermos os Evangelhos”.

Você é nosso(a) convidado(a). A entrada na feira é gratuita.

A Deus toda a honra e toda a glória.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

O MEEB numa das edições do Salão Internacional Gospel

O MEEB numa das edições do Salão Internacional Gospel

 

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Neopentecostalismo paradoxal: o que os metodistas querem com isso

Renê Terra Nova ungindo "apóstolos"

Renê Terra Nova ungindo “apóstolos”

Já há muito tempo o namoro entre pentecostais e metodistas é algo do conhecimento de muitos. A prova disso é a Igreja Metodista negra americana, que é uma referência em se tratando de um pentecostalismo verdadeiro.

Aos que não sabem, o metodismo é o ramo do protestantismo oriundo dos pensamentos e da teologia de John Wesley. Sendo assim, a teologia que rege os metodistas é a teologia wesleyana, fundamentada em suas bases essenciais: a salvação, a santificação e a piedade.

Ou seja, se alguém diz seguir a teologia wesleyana, é preciso que sua vida prática espelhe salvação, santificação e piedade.

A grande questão é que o pentecostalismo brasileiro não se fundamenta nesses princípios, pois o pentecostalismo brasileiro está fundamentado em duas bênçãos: salvação e batismo do Espírito Santo.

Então a pergunta que gostaria de fazer inicialmente: por que metodistas brasileiros se sentem tão influenciados por um pentecostalismo que se diferencia em muito da teologia wesleyana?

Essa pergunta fica mais complexa quando analisamos que muitas lideranças da Igreja Metodista brasileira estão se deixando levar pelo neopentecostalismo. Isso mesmo, o neopentecostalismo fundamentado nas doutrinas apostólicas, vindas de líderes como Renê Terra Nova, Estevan Hernandes, Neuza Itioka, Valnice Milhomens e sua turma!

Isso é facilmente visto em muitas igrejas metodistas, que aderiram à metodologia de células, encontros de poder, quebra de maldições, cura interior, cair na unção, cultos da arca, enfim, o pacote neopentecostal em um todo.

Fico admirado por algumas lideranças metodistas se sentirem atraídas pelo lixo doutrinário que nem mesmo alguns segmentos pentecostais aceitam em suas igrejas. Digo isso porque no meio pentecostal, apesar de raro, ainda existem líderes que não se deixam levar por modismos e métodos que só envaidecem, cegam e corroem a sã doutrina.

Lembro-me de uma viagem no interior do Estado do Rio de Janeiro, onde vi uma faixa em frente a uma igreja metodista anunciando uma campanha de libertação e milagres. Na época achei estranho, mas deixei passar. Porém, com o tempo comecei a olhar mais de perto o que estava ocorrendo na Igreja Metodista.

Talvez você me pergunte: você é metodista?

Não, eu não sou um metodista. Porém meus estudos teológicos foram feitos na Faculdade Teológica da Igreja Metodista. Meus colegas de sala são hoje pastores e pastoras metodistas.

Ao observar que muitas igrejas aderiram à metodologia G12, me senti na obrigação de testemunhar minhas experiências com esse sistema. Fui pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, uma das igrejas precursoras do sistema G12 no Brasil. Participei de todos os processos, porém o que vi não é nada agradável, pois vi a igreja que eu frequentava ser destruída, dividida, esfacelada, não só na igreja local mas também na igreja nacional.

Os maiores estragos estavam na deturpação da Palavra, na perda da identidade da igreja e na destruição do caráter puramente cristão, de que a igreja tinha e que deveria ter. Lamentavelmente, vejo que esses processos, de forma lenta, já estão acontecendo na Igreja Metodista.

Primeiro, porque algumas igrejas estão destituindo a Escola Bíblica Dominical. Muitas igrejas fundamentam as bases da teologia wesleyana em encontro e reencontros, sem contar que tudo se fundamenta na “visão”.

Triste engano.

Carregamento e adoração de réplica da arca da aliança em Igreja Metodista que agora tem "apóstolo"

Carregamento e adoração de réplica da arca da aliança em Igreja Metodista que agora tem “apóstolo”

Como podem lideranças metodistas trocar uma teologia fundamentada como a wesleyana pelos devaneios das doutrinas neopentecostais? Eu respondo com a experiência que tive ao indagar um colega de turma da Faculdade de Teologia, que nos dias acadêmicos era uma pessoa simples e humilde. Após um tempo de pastoreio, começou a publicar nas redes sociais suas viagens e seus gastos advindos de uma prosperidade fruto da teologia da prosperidade. Indaguei-lhe o que tudo isso tinha a ver com a Palavra de Deus e com a doutrina de Wesley. Ele me respondeu com outra pergunta: “que carro você tem? Você já foi para Israel?”

Está aí a resposta do porquê muitos líderes metodistas estão trocando a teologia wesleyana, fundamentada no Evangelho de Cristo, por doutrinas e modismos neopentecostais. O desejo é de poder, de lucro, enriquecimento.

Muitos pastores e pastoras não querem uma vida simples, mas querem desfrutar dos tesouros desta terra. Para isso, não vão poupar esforços para que as igrejas cresçam e lucrem cada dia mais.

Para isso, não medirão esforços, mesmo que isso custe a história e as essências de uma Igreja que faz parte da história do cristianismo no mundo.

Muitos metodistas já começaram a se levantar contra esse movimento nas redes sociais, principalmente pelo Facebook, na página Observatório Metodista, onde denúncias e debates acontecem todos os dias. Foi lá nessa página que vi a denúncia de que a Igreja Metodista já tem um “apóstolo ungido” por Renê Terra Nova. A igreja fica em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Fico a me perguntar o que um pastor metodista tem a ouvir e a aprender com Renê Terra Nova, um esquizofrênico deturpador da Palavra de Deus.

Tristes dias. Só posso crer que o desvio da sã doutrina está cegando a muitos.

Lamentável. Mas os metodistas não estão sozinhos nessa batalha.

Certa vez perguntaram para Wesley: “o que é um metodista?”. Ele respondeu: “um metodista é um verdadeiro cristão”.

Sendo assim, acredito que estou lutando em vida para cumprir essa palavra, e não vou permitir que falsos cristãos deturpem a Palavra de Deus.

Em outro artigo que publiquei sobre a intervenção na Faculdade de Teologia, dei o título de “O povo do coração aquecido está esfriando“. Porém, diante de tudo o que tenho visto, sinto em afirmar que muitos metodistas estão querendo esfriar.

Graças a Deus que a Igreja Metodista tem muitos que ainda não se dobram para Baal e os deuses deste mundo. É por esses que vale a pena lutar.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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Enquanto o Brasil discute o arco-íris do Facebook, lideranças gospel se tornam cidadãos de uma casta superior

ir2Nesse final de semana não se fala de outra coisa. Por conta da legalização do casamento entre homossexuais nos EUA (coisa que já foi aprovada no Brasil há uns 4 anos), o Facebook criou um filtro que pinta as fotos dos perfis com as cores do arco-íris (símbolo da militância gay). Assim, muitos tingiram seus perfis e começou-se uma discussão. Os cristãos deveriam pintar seus perfis, apoiando a causa? Quem não pintou o perfil é homofóbico? Deveria-se pintar o perfil por uma lei dos EUA, que já vigora no Brasil há anos? Deveria-se defender causas mais importantes, como o fim da miséria e da fome?

E não sobraram acusações de todos os lados.

Porém, no oculto, na surdina, por debaixo dos panos, como é próprio daqueles que fazem algo que não é lá muito certo, foi aprovada nesta mesma semana uma Medida Provisória que transforma alguns brasileiros mais brasileiros que os outros.

E quem são esses brasileiros? Os líderes religiosos, com gigantesco destaque para os líderes evangélicos, principais – e talvez os únicos – beneficiados com a MP 668.

Mas do que trata tal MP?

Segundo sua ementa, “Altera a Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, para elevar alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP- Importação e da COFINS-Importação, e dá outras providências.”

Ou seja, em tese nada a ver com os líderes evangélicos. Porém, na parte de “outras providências”, foram inseridas medidas de outros assuntos, que na linguagem legislativa chamam de “jabuti”. Uma dessas medidas é a isenção de impostos para o salário dos pastores.

irSegundo o jornalista Luis Nassif,

“[…] a manobra de Cunha para agradar a bancada evangélica e líderes religiosos como R.R. Soares e Silas Malafaia pode garantir a anulação de autuações fiscais que extrapolam R$ 300 milhões.

“Esse ‘jabuti’ – nome dado a temas estranhos inseridos em MPs – aumenta a isenção fiscal de profissionais da fé, ao livrar da cobrança de impostos as chamadas ‘comissões’ que líderes religiosos ganham por arrebanhar fieis ou recolher mais dízimos”, publicou a Folha.

Na prática, funciona assim: um líder religioso (um pastor, por exemplo) pode receber um salário mínimo oficialmente e continuar pagando contribuição previdenciária e imposto de renda sobre essa remuneração. À parte, por causa de seu desempenho, ele pode receber uma comissão – “ajuda de custo” para moradia, transporte, educação – da ordem de R$ 100 mil, por exemplo, sem que esse valor seja tributado.

De acordo com o jornal, muitos dos casos de sonegação religiosa são de pastores que se enquadram nessa situação de receber um salário modesto e receber por fora uma comissão a título de ajuda de custo, atrelada ao seu desempenho “em angariar fieis”.

Atualmente, essas “comissões”, na visão da Receita Fiscal, não configuram ajuda para subsistência e, por isso, os religiosos que não prestam contas passaram a ser atuados.

“O jabuti colocado na MP amplia o conceito de ajuda de custo ao dizer que as condições descritas na lei atual são ‘exemplificativas’ e não ‘taxativas’. Ou seja, o dinheiro não precisa ser exclusivamente para subsistência e pode ser vinculado ao desempenho do pastor“, explicou a Folha. “ [grifo nosso]

Ou seja, se você é vendedor de roupas e ganhar boas comissões por conta de suas vendas, sobre elas incidirá Imposto de Renda. Porém, se você é um vendedor de promessas bíblicas, não incidirá IR sobre as comissões por seu desempenho na arrecadação de dízimos e ofertas.

Ou, em outras palavras, os líderes religiosos, a partir de agora, são cidadãos diferenciados. Basta dizer que os milhões são comissão pelo trabalho na igreja e está tudo bem.

ir3Intriga sobremaneira uma MP com esse teor, que foi transformada na Lei Ordinária 13137/2015 após a aprovação da Presidente Dilma, passe num momento como o atual, onde passamos por grave crise econômica, com sucessivos aumentos nas contas de consumo, inflação mascarada mas galopante, aumento do desemprego e das taxas de juros bancários, além da ameça de terceirização ampla e irrestrita. Quando mais o governo precisa arrecadar para equilibrar suas contas, dá-se um tiro no pé desprezando a (grande!) arrecadação oriunda do “salário” de líderes religiosos.

Agora é possível entender – bem na prática! – a real função das Marchas para Jesus, por exemplo. Essas marchas tem servido, ano após ano, para demonstrar a grande quantidade de evangélicos fiéis cegamente às suas lideranças, e isso assusta a qualquer um. As eleições mostram que os candidatos indicados por lideranças gospel quase sempre vencem, graças aos votos dos cegos fiéis. A própria Rede Globo sentiu o baque este ano, quando viu sua novela das nove Babilônia ter, num dia, menos audiência que Malhação, por conta também do boicote organizado por líderes evangélicos.

Embora estejamos num Estado laico, o poderio e influência dos líderes evangélicos é capaz de muitas coisas. Até de se colocarem acima dos demais trabalhadores. Deus não faz acepção de pessoas, mas os líderes religiosos o fazem, principalmente a seu favor.

O mais triste de tudo é que praticamente não há, até o momento, vozes contrárias a isso. E sabe por quê? Porque tal projeto beneficia os Malafaias, os Edir Macedos, os R. R. Soares, os Valdemiros, os Hernandes, os Terra Novas, mas também beneficia qualquer pastor de qualquer denominação. Inclusive os que dizem pregar um Evangelho bíblico.

Assim, embora seja uma lei imoral, antiética, é uma lei. E já que é uma lei, vamos todos nos beneficiar dela.

Triste, muito triste, pois prova que, quando nos interessa, todos somos sujeitos a aderir ao “jeitinho” para nos dar bem. Porém…

“E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas?
Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?
Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, estão livres os filhos.
Mas, para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-o por mim e por ti.” – Mateus 17:24-27

“E, observando-o, mandaram espias, que se fingissem justos, para o apanharem nalguma palavra, e o entregarem à jurisdição e poder do presidente.
E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, nós sabemos que falas e ensinas bem e retamente, e que não consideras a aparência da pessoa, mas ensinas com verdade o caminho de Deus.
É-nos lícito dar tributo a César ou não?
E, entendendo ele a sua astúcia, disse-lhes: Por que me tentais?
Mostrai-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscrição? E, respondendo eles, disseram: De César.
Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
E não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, maravilhados da sua resposta, calaram-se.” – Lucas 20:20-26

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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A cruz está vazia: Ele ressuscitou! Essa é a essência do verdadeiro cristianismo

Cruz-vaziaQuando me tornei evangélico, deixei para trás o catolicismo. Uma das primeiras coisas que aprendi na igreja pentecostal que frequentava é que, para os evangélicos, a cruz está vazia, pois Jesus ressuscitou. Diferente dos católicos, não adoramos nem servimos a um Cristo crucificado, mas sim ao Cristo ressurreto, que voltou para a glória do Pai, e que só será visto novamente voltando em glória para buscar os lavados e remidos por Seu sangue.

Estou descrevendo esse fato em reflexão a toda controvérsia gerada em torno do ato de protesto ocorrido na parada gay de São Paulo no domingo passado. De forma assustadora, mais uma vez os evangélicos demonstraram revolta e constrangimento pelo ato de uma transexual desfilar crucificada, criticando um dos principais símbolos cristãos.

Porém, não entendo o porquê de tanta revolta, pois para os verdadeiros cristãos a cruz só tem sentido porque Ele ressuscitou ao terceiro dia. Por mais que alguém queira protagonizar críticas, desrespeitos ou até mesmo chacotas para com a cruz, para os verdadeiros cristãos a cruz de Cristo se reflete em nós a cada dia.

Em Atos 4.12, Pedro exclama em alta voz que não há nos céus, nem na terra, nem sobre a terra, outro nome pelo qual importa que sejamos salvos.

O reflexo da parada gay deve ser também analisado por outro evento que ocorreu na quinta-feira, dia 4/6, que foi a Marcha para Jesus, onde evangélicos, também usando de revolta, de ira, de violência contra os movimentos LGTB. Sem contar as inúmeras declarações de alguns líderes evangélicos incitando essa verdadeira guerra.

Há erros dos dois lados, mas vejo que as principais lideranças que incitam essa intolerância toda agem em inconformidade com a Palavra de Deus, pois a Bíblia nos orienta que nossa maior arma para com o mundo é o amor e o perdão. Assim nos ensinou Jesus, não só em palavras mas também em atos.

O cristianismo se fundamenta em amor. Lamentavelmente, Silas Malafaia, Marco Feliciano e sua turma agem com o intuito de autopromoção e de promover suas ideologias, tanto políticas como religiosas. A prova disso é que Silas enriquece cada dia mais com seus conchavos políticos, elegendo familiares e interessados nas últimas eleições. E Marco Feliciano ganhou notoriedade nacional, sendo também reeleito.

2015-06-07t192043z_15110779Os homossexuais não são o principal problema da nação brasileira. Nossos maiores problemas vêm da corrupção, da hipocrisia, da impunidade, da mentira. Lamentavelmente, a grande massa é confundida por esses líderes, que se utilizam de verbas públicas e da grande mídia para ludibriar e trazer engano. Para isso, usam o apoio da bancada evangélica, que eu chamo de bancada da vergonha, pois nada faz em prol da coletividade. Há muito tempo, nada faz de importante dentro do cenário político-social brasileiro.

Gostaria de perguntar ao Sr. Magno Malta por que no dia em que o escândalo da Petrobras foi jogado na mídia a bancada evangélica não orou ou esbravejou no Congresso Nacional? Por que o sr. não expôs fotos da miséria, da fome, da falta de saúde, segurança, das injustiças e de todo o mal produzido pela corrupção no nosso país?

Com certeza, isso não será respondido. Mas eu respondo porque a bancada evangélica nada faz contra a corrupção. É porque cada político que ali está responde aos seus próprios interesses e aos interesses de suas instituições eclesiásticas, que vivem, cada qual, segundo suas próprias vontades, não se importando com nada mais.

Como que a bancada evangélica vai se voltar contra os corruptos e seus partidos, se muitos estão lá para conseguir verbas públicas para eventos e atos de suas instituições, sem contar que muitos, em seus mandatos, só querem concessões de rádio ou tv para que seus líderes venham a brilhar dentro do cenário religioso nacional?

Mas o que isso tem a ver com o ato na parada gay?

Lamentavelmente, essa guerra de ódio promovida por Silas Malafaia e Marco Feliciano explora o cenário religioso e político, pois são elementos essenciais para a exploração midiática.

Será que Silas nunca leu o texto de Atos, quando Pedro chega à conclusão de que Deus não faz acepção de pessoas? Creio que não, pois lamentavelmente em nosso país as principais lideranças evangélicas não alcançaram o sucesso pelo seu conhecimento bíblico.

O que dizer das pregações de Macedo, de Valdemiro e do próprio Feliciano? Dá vergonha, se olharmos pela perspectiva bíblica dentro de uma lógica hermenêutica e exegética.

Infelizmente, não vejo essa guerrinha com bons olhos, porque o ato da parada gay representa que o movimento LGTB também entrou na guerra, e onde há intolerância, ódio, não pode haver bons frutos.

É preciso que os verdadeiros cristãos, aqueles e aquelas que têm suas vidas guiadas pelo Espírito Santo de Deus, vivam a verdadeira essência do cristianismo, que é amar a Deus acima de todas as demais coisas e amar ao nosso próximo como a nós mesmos, e isso parte do princípio de que tenhamos a capacidade, em Cristo Jesus, para amar também aos nossos inimigos, sejam eles gays ou héteros.

Cristianismo não pode ser fundamentado em intolerância, vingança ou ódio, pois está fundamentado em santificação, misericórdia, piedade, justiça, paz e amor.

Que a Igreja deixe de ouvir e ser guiada por esses lobos gananciosos, que vivem do sangue das ovelhas, se deixando guiar pelo verdadeiro Pastor, o Pastor que teve, como ato de amor, a capacidade de morrer pelas ovelhas.

É triste o cenário, mas que possamos olhar para a cruz vazia e nos lembrar que nosso Redentor vive e reina para todos o sempre, e que para aqueles que intentarem desafiar o Seu nome, o texto bíblico declara que todo o joelho se dobrará e toda a língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor.

Quem tem ouvidos, ouça…

A Deus toda a glória.

tome

Paulo Siqueira

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Marcha supostamente para Jesus em São Paulo: o $how tem que parar!

1Vou começar com uma das cenas mais bizarras que presenciei durante a Marcha para Jesus em São Paulo, na última quinta-feira:

Uma moça e uma senhora me rodearam, ficando bem próximas a mim. Começaram a pular e a gritar palavras de amarração de demônios e expulsão de principados da minha pessoa, com as mãos levantadas sobre mim. Embora quase ensurdecida pelos gritos, fiquei imóvel, apenas fitando nos olhos das duas pessoas. Uns 5 minutos depois, que me pareceram intermináveis, as moças perceberam que daqui não teria manifestação alguma e foram embora, seguindo a multidão.

Um misto de sentimentos tomou conta de mim: tristeza, raiva desse falso Evangelho que lhes ensinaram, vontade de rir do inusitado da situação, vontade de chorar pela falta de discernimento espiritual deste povo.

Talvez esse fato resuma o “espírito” da Marcha para Jesus em São Paulo: muito pulo, muito grito, muito suposto poder, muita festa, mas pouca oração, pouco discernimento dos espíritos, pouco conhecimento da Palavra, pouco Evangelho.

2Como sempre, nos trios-elétricos estavam os líderes gospel, artistas gospel e políticos. No chão, a multidão de seguidores. Alguns sinceros, que ali estavam para, segundo o tema deste ano, “exaltar o Rei dos Reis”. Outros nem tanto, apenas “convencidos” e não convertidos a Jesus.

Um grupo veio debater conosco e quando se viu sem argumentos começou a gritar “marcha pra Jesus”. Se fossem convertidos, teriam argumentos e gritariam “glórias a Jesus”. Mas pelo menos houve uma evolução de 2009 para cá. Em 2009, gritavam “espada pelo Apóstolo e pela Bispa” (lembrando que, naquele ano, eles voltaram de sua “estada” nos Estados Unidos e estavam bastante queimados pela imprensa).

Neste ano, talvez porque furou o pneu do trio-elétrico principal, talvez porque alguma personalidade gospel se atrasou (era grande o vai e vem de helicópteros), talvez porque estavam esperando juntar mais gente para fazer bonito nas tomadas aéreas, a Marcha em São Paulo demorou bastante para começar. Estava marcada para às 10h, mas no local onde estávamos o trio principal só foi passar às 12:30h (normalmente nesse horário a Marcha já está quase acabando). Porém, para nós foi uma grande bênção, pois sem barulho dos trios e a concorrência com as celebridades em cima deles, o povo teve todo o tempo do mundo para ler nossas faixas e conversar conosco. Nunca entregamos tantos folhetos como nesse dia.

3Uma de nossas faixas pedia uma “faxina ética”, que deveria iniciar na igreja evangélica e em seus líderes. Não havia nenhuma outra faixa pedindo faxina ética. Porém, saiu na grande imprensa que havia faixas pedindo faxina ética para a política do país apenas. Enfim, o que esperar do mundo e de sua imprensa?

Desta vez estávamos em 7 pessoas. Essas 7 pessoas devem ter incomodado de montão, ao ponto de gente do alto do trio-elétrico e até pessoas na multidão virem discutir conosco e, vendo-se sem argumentos, demonstrar que eles estavam certos pois eram a maioria. Mal sabem – pois não leem a Bíblia – que foi a maioria que pediu para que Jesus fosse crucificado. E a maioria tem aceito, até hoje, toda a sorte de atrocidades e de injustiças. O mundo jaz no maligno pois a maioria segue os desejos do mundo, não de Deus.

Era interessante verificar os sinceros e os gospel durante a Marcha. Havia paradas para orações, e nelas muitos participavam, principalmente o povo. Já do alto dos trios-elétricos alguns oravam, outros olhavam tudo com tédio, outros conversavam animadamente uns com os outros ou pelo celular. É que dão muita importância à oração, e têm muito temor e tremor do Altíssimo.

4Enfim, pela permissão de Deus pudemos pregar Sua Palavra para pessoas que, embora crentes, nem sabiam que existia um tal de livro de Amós (afinal só leem os versículos que seus líderes gospel pregam, que não saem muito de Malaquias 3.10). Muita gente rejeitou, muita gente ficou na dúvida, em reflexão, e muita gente nos deu apoio.

No final, o que a Marcha deixou para a sociedade? Apenas a imagem de um evento com intenções políticas e de manipulação de massas (tinha até gente pedindo intervenção militar!!!).

Lembro-me de, pequena, participar das procissões de Corpus Christ – a Marcha para Jesus dos católicos. Quanta diferença!!! Andávamos pelas ruas do bairro orando, orando e entoando pequenos cânticos. Os padres, bispos, andavam junto à multidão, não havendo diferenciação entre as pessoas. Está certo que a oração era do tipo vã, repetitiva. Está certo que carregávamos andores com imagens de santos, quando o único intermediário entre Deus e os homens é Jesus Cristo. Porém, sinto muitas saudades do clima de contrição, arrependimento, busca de Deus sem interesses de participação em $hows, discursos políticos, pregações de vitórias baseadas na riqueza dos crentes (em detrimento do resto da sociedade).

5Já pensou se a Marcha para Jesus fosse assim: sem $hows, sem espetáculos humanos, apenas orando e pedindo perdão a Deus por nossa iniquidade? Mas aí não haveria milhares marchando. Se nem reunião de oração as igrejas conseguem lotar…

O fato é que há muitos cristãos sinceros. Mas há muito mais crentes convencidos de que são salvos, conquanto que tenha show do Thalles no evento. Mas a culpa não é só deles: o evangelho que lhes foi apresentado pretendia agradar aos homens, não a Deus.

Que possamos pregar – até para nós mesmos – as verdades do Evangelho de Jesus. Pois é conhecendo a Verdade que seremos libertos.

6Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

 

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