Silas Malafaia e a Síndrome do Holofote: promovendo até guerra entre pentecostais e reformados para se manter na mídia gospel

camisa-de-forçaO (im)Pastor Silas Malafaia tem bacharelado em Psicologia, mas ele mesmo é um ótimo caso para estudo. Quando esbraveja na tevê contra seus adversários, pouco ou nada demonstra dos “frutos do Espírito” (amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança, segundo Gálatas 5:22). O único momento em que se torna um pouquinho mais simpático é na hora em que anuncia os produtos de sua gravadora ou da editora.

Mas só Deus conhece os corações (embora as atitudes, falas e comportamentos deixem transparecer muita coisa, ao ponto de termos a alegoria do conhecer a árvore pelos frutos, ou seja, conhecer uma pessoa por aquilo que produz). E só Deus pode julgar Malafaia no que tange à sua sinceridade em relação a Ele, pois a sinceridade pertence ao campo do coração, que só Deus verdadeiramente conhece.

Mas os atos, palavras, ideias, projetos, esses todos podemos e devemos, segundo a Bíblia, julgar, pois fazem parte do campo dos frutos da árvore, que todos podemos ver. Afinal, como não saber que aquela macieira está dando bananas? E como não saber se uma ideia ou atitude condiz ou não com o Evangelho? Não há como não saber, pois são coisas expostas às nossas vistas!

Em vários outros artigos neste blog há críticas teológicas a Silas Malafaia. Criticamos sua pregação com ênfase na obtenção de vitórias e riquezas nessa terra, sua venda de bênçãos (vinculação a uma bênção específica a quem lhe der certa quantia em dinheiro – ex.: unção financeira em troca de oferta de 900 reais, casa própria em troca de oferta no valor de uma prestação), sua identificação com igrejas neopentecostais (como Universal, Mundial, Plenitude e tantas outras que colocam o dinheiro e riquezas como meta principal), sua vinculação política (com o fim de conseguir benesses para si e sua denominação). Neste artigo, infelizmente abordaremos um problema que talvez tenha a ver com toda essa deformação do Evangelho que Malafaia criou – e que tem milhares de cegos seguidores.

A Síndrome do Holofote é algo da nossa sociedade contemporânea. Andy Warhol profetizou que chegaria um dia em que todos teriam seus quinze minutos de fama. George Orwell achou que em 1984 teríamos uma sociedade totalmente vigiada por câmeras e controlada com mãos de ferro – apenas errou a data, atualmente estamos bem próximos da ficção descrita em seu livro. Além de centenas de canais de televisão temos a internet, as redes sociais, muitas oportunidades para nos fazermos conhecidos de alguma forma. E imersos na globalização e em meio a várias crises, só sobrevive apesar da livre mão do mercado quem consegue colocar seu produto mais em evidência que seus concorrentes.

Mas voltemos à Síndrome do Holofote. Resumidamente, leva a seu portador a buscar estar sempre no centro das atenções, sempre no topo, sempre na mídia, sempre na boca do povo. Para isso, seu portador é capaz de criar factoides, inventar inimigos, fazer coisas escandalosas, tudo para que esteja sempre em voga. Como não lembrar dessas pessoas que participam de realities shows e, após caírem no esquecimento (umas duas semanas depois de terminado o programa) inventam situações para continuar como notícia? Fulana foi vista tomando sorvete no parque, Sicrano começou um namoro com Beltrano, paparazzo flagrou topless de Fulana?

A psicóloga Terezinha Barreiro assim define a Síndrome do Holofote:

Dentre tantos problemas que surgiram com a civilização, hoje observamos um fenômeno que já está pra lá de categorizado: a síndrome do holofote, ou melhor, dizendo, a necessidade incontrolável em ser o centro das atenções, de “roubar a cena”, de querer ser o “umbigo” do mundo.

Essas pessoas vivem em constante desafio com os que o cercam e, às vezes, até com uma nação inteira.

[…] Para essas pessoas, qualquer oportunidade será uma chance que não pode ser perdida. Esquecem estes, que sentimentos negativos são gerados em quem os cercam, tornando-se assim pessoas inconvenientes, chatas e sem medidas,  porque a “necessidade de aparecer” também tem sua contramão, como tudo na vida, e neste caso, ela vem com o repúdio, o desgaste da imagem, a intolerância e o valor negativo impresso e associado a sua foto ou presença.”

Consegue enxergar o (im)Pastor Silas Malafaia nessa descrição?

Malafaia sempre quer estar diante dos holofotes. Sempre. Em todo o tempo.

Começou defendendo a Igreja Universal e seu dono Edir Macedo, que sofria com os ataques da Rede Globo, especialmente depois de vazar um vídeo onde Macedo ensinava a seus pastores a teoria do “dá ou desce”, a ser ministrada para aumento da arrecadação em forma de dízimos e ofertas. Há quem diga que recebia uma mesada da IURD nesse período. Mas depois se distanciou de Macedo, chegando a pedir para que não votassem em Marcelo Crivella para o governo do Rio de Janeiro. Há pouco voltou atrás, inclusive indicando dessa vez a seus seguidores que votassem em Crivella para a prefeitura do Rio.

Houve uma época em que se colocou contra o movimento G12. Depois se irmanou a ele.

Durante muito tempo gritava contra seu inimigo, a Rede Globo. Anos depois se gabou de ficar amigo da Vênus Platinada, chegando a ajudar na divulgação da FIC (Feira Internacional Cristã), a feira de negócios gospel da Globo (que durou uma única edição) e no Festival Promessas (que durou algumas poucas edições). Com o fim da lua-de-mel entre a Globo e os evangélicos, Malafaia ainda assim não desistiu de aparecer, mendigando pequenas entrevistas nas afiliadas locais quando das Marchas para Jesus.

Malafaia estava sumindo da mídia. Aí precisou inventar outro factoide. Dessa vez, um que contasse com a aprovação de boa parte dos crentes. E iniciou então sua cruzada contra os gays, não denunciando o pecado, mas ofendendo, “caindo de pau”, buscando uma guerra que o deixou por muito tempo em evidência.

Para estar nos holofotes é necessário estar ao lado de quem está no poder. Assim vemos Malafaia contra Lula (quando não tinha chances de ser eleito), a favor de Lula (quando finalmente foi eleito), a favor de Dilma (quando do primeiro mandato), contra Dilma (quando começava a cair). Ficou aliadíssimo de Eduardo Cunha, que era presidente da Câmara dos Deputados. Defendeu-o até quase o fim, e quando finalmente não tinha mais como defendê-lo tratou de dizer que nunca recomendou voto para ele.

Levantou um boicote a O Boticário, pois numa de suas propagandas havia um casal homossexual. E dia desses levantou outro boicote, agora à Disney, por conta de uma cena do filme A Bela e A Fera. Nenhum dos boicotes surtiu efeito (em relação à queda nas vendas), mas serviu para manter Silas Malafaia nos holofotes midiáticos.

Como essa história contra os gays já está desgastada, não dá mais o mesmo “ibope” que antes, Malafaia teve que se reinventar para continuar no centro da mídia. E aí resolveu se voltar contra o Pr. Paulo Junior e movimentos de defesa do Evangelho, isso porque, para esses, Malafaia é um herege, alguém que não prega o verdadeiro Evangelho, que é renúncia do Eu, mas prega um falso e demoníaco evangelho, que é de afirmação do Eu, da busca por holofotes, riquezas e poder. Ou seja, todo o contrário do que fizeram e buscaram Jesus Cristo e seus apóstolos (os de verdade, não as falsificações do nosso tempo).

Gravou vídeo, fez mimimi, foi duramente criticado. Mas quem sofre de Síndrome do Holofote não tem medo de crítica. Ao contrário, se regozija com ela, pois através dela consegue se manter na boca do povo. Para isso, o portador dessa síndrome não teme fazer papéis ridículos, nem falar besteiras ou contradições.

No seu falso desabafo (e verdadeira criação de factoide para se manter na mídia gospel), Malafaia criticou o Pr. Paulo Junior por ter citado seu nome e de outros hereges como Morris Cerullo, Mike Murdock, Myles Munroe e Benny Hinn. Disse que não deveria ter citado os nomes (embora na Bíblia os hereges e apóstatas tiveram seus nomes citados).

Hoje, porém, Malafaia em seu Twitter vomitou seu factoide, estendendo a discussão (para se manter na mídia, lembre-se da fissura dos portadores da Síndrome do Holofote), citando nominalmente o Pr. Paul Washer. Porém o citou de forma absurdamente mentirosa, colocando o pastor americano como inimigo dos pentecostais brasileiros.

E Malafaia se colocando como pentecostal!!!
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Malafaia, desde que deixou a pureza do Evangelho para construir seu império financeiro e midiático, deixou de ser pentecostal para abraçar o neopentecostalismo, esse sim contrário às tradições cristãs. O pentecostalismo e as igrejas históricas seguem os dogmas cristãos, com suas diferenças, é verdade, mas que não se sobrepõem à mensagem da Cruz.

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Já os neopentecostais trocaram a Cruz pelas promessas de satanás no deserto. Trocaram a Cruz pelos reinos que vislumbraram do alto do pináculo do Templo.

Nenhuma disfunção é desculpa para mau caratismo. Nem a Síndrome do Holofote é desculpa para alguém distorcer uma verdade. Paul Washer não tem nada contra os pentecostais. Tem contra os neopentecostais, como Silas Malafaia, contra gente que usa da fé para conseguir gordas ofertas e grandes impérios religiosos (em meio a um mundo de miseráveis).

Quando Malafaia coloca Paul Washer como inimigo dos pentecostais, não coloca só ele. Coloca todos os reformados contra os pentecostais. Ressuscita a ridícula batalha Calvino X Armínio. Reforça a divisão entre verdadeiros irmãos em Cristo Jesus. Traz guerra onde deveria haver a Paz. E tudo isso para se manter em evidência. Quanta falta de amor pelas almas!!!

Paul Washer erra. Paulo Junior erra. Você erra. Eu erro. Ninguém é perfeito, mas quem tem sinceridade no coração Deus ajuda a reconhecer o erro e se converter, voltar atrás, voltar ao caminho estreito que leva à Salvação.

Silas Malafaia não apenas erra (muito, e feio), como o faz de forma premeditada, estudada, para conquistar aquilo que um dia sentiu o gostinho e agora não sabe mais viver sem: os holofotes.

Oremos por Silas Malafaia. Que ele possa ter ajuda psicoterápica e principalmente espiritual. Que ele retome a razão e possa se derramar diante Daquele que, sim, tem que ser e é o verdadeiro centro de tudo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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O Apóstolo(?) Agenor Duque quer 1 milhão em ofertas para bancar seu 90. Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil

img_20170211_122143161Leia também 9o. Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil: conheça os palestrantes

Estranhamos que, faltando menos de um mês para o congresso do Apóstolo(?) Agenor Duque e do falso profeta Benny Hinn, ainda não estava à venda os ingressos da Área Vip (que nos anos anteriores, em troca de R$ 1.000,00, davam direito a um “camarote gospel” e a receber unção diretamente das mãos de Benny Hinn). Será que finalmente deixaram de fazer acepção de pessoas para o recebimento de bênçãos?

Ledo engano.

Na internet, onde esse tal apóstolo(?) está mais sujo do que pau de galinheiro, ele não postou nada. Nem do Facebook da igreja, nem no site do tal congresso.

Mas em seus programas de rádio e tevê, aí sim o negócio é aberto! Pois na internet Agenor Duque coleciona críticos à sua Teologia da Prosperidade, e esses críticos têm como lhe responder rapidamente. Já em seus programas, a maioria de quem assiste é de pessoas desesperadas por uma bênção, e mesmo havendo quem o poderia criticar, para esses não há espaço no rádio e na tevê.

Assim, em seus programas Agenor Duque pode posar de reizinho sem problemas.

duque momo

Mas hoje assistimos a um dos seus programas, ao vivo. Perdemos boa parte do que disse, mas conseguimos filmar o suficiente para que se possa entender a barganha gospel.

Uma vez que a Área Vip causou uma enormidade de críticas, desta vez Agenor Duque inventou que precisa de 1.000 ofertantes com R$ 1.000,00 para a realização do tal congresso. Mil vezes mil dá 1 milhão de reais, dinheiro que deve pagar o cachê dos ungidos e pagar o aluguel dos estádios, fora que ainda se levantarão ofertas dentre a multidão nos dias do congresso. Ou seja, se a coisa não rendesse bastante não ocorreria todo o ano.

Levando-se em conta que outro apóstolo(?) conseguiu arrecadar 8 milhões em poucos dias, aproveitando-se de um atentado que sofrera, e que ainda outro apóstolo(?) conseguiu 800 mil da prefeitura de São Paulo para patrocinar sua Marcha para Jesus, levantar 1 milhão entre os fiéis vai ser fichinha.

Ainda mais quando levamos em conta o público-alvo do pedido de ofertas e os argumentos utilizados.

Assista ao vídeo, perdoando-nos pelos ruídos, coisas de quem tem filhos menores.

Os frequentadores da Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus são em geral pessoas humildes, com pouco ou nenhum conhecimento da Palavra, muitas migrantes de igrejas como a Mundial e a Universal. Ou seja, gente que acredita em qualquer coisa que alguém fale do alto do púlpito e que é capaz de qualquer coisa para receber a bênção prometida.

Aliado a isso, vemos no vídeo que Agenor Duque dá uns benefícios para quem ofertar os mil reais: terá oração especial dele, terá sua ficha untada no gigantesco pote de Óleo do Provedor (que, como o nome sugere, deve trazer bênçãos financeiras ao ofertante), chama a oferta de “sacrifício” (pois fala aos pobres, a quem mil reais faz muita falta sendo, muitas vezes, tudo o que se tem na poupança para uma emergência – para os ricos, mil reais é troco), e ainda promete que o ofertante participará de uma exclusivíssima Santa Ceia na Quarta-Feira de Cinzas, na qual provavelmente se poderá tirar selfies ungidas com Benny Hinn.

Glorioso é Deus, que não faz acepção de pessoas. Em Cristo, não há diferença entre o Óleo do Provedor e o Óleo Lisa (ambos, quando na panela em fogo brando e misturado a temperos e a algum alimento, cozinham que é uma beleza); não há diferença entre a oração de um pretenso apóstolo (pois o último dos verdadeiros morreu há uns 2 mil anos) e a oração de um mísero pecador; não há diferença entre se orar no monte, em Israel ou no escondido dos aposentos (ou mesmo nas ruas, sem privacidade, na triste situação em que muitos vivem); não há diferença entre o que oferta mil reais e entre quem não tem condições de dar o valor estipulado pelos estelionatários da fé, pois a Graça não tem preço: é de graça, é sem merecimento algum. Em Cristo todos somos iguais e carecemos igualmente de Sua misericórdia.

Nos dias desse congresso haverá um pequeno grupo em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, portando faixas que levem a multidão a refletir sobre as verdades do Evangelho. Deus não é mercadoria, não se vende e não se aceita vender.

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Movimento pela Ética Evangélica Brasileira levando versículos bíblicos no 7o. Congresso de Avivamento Fogo para o Brasil, no Estádio do Canindé em São Paulo

Você é nosso(a) convidado(a).

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A Deus toda a honra e toda a glória para sempre.

Em tempo: perceberam como o tal Agenor Duque trata seus funcionários? Em pleno programa de tevê se referiu à funcionária Aline (responsável por anotar os nomes dos ofertantes) de forma desrespeitosa, como se ela fosse incompetente, burra mesmo. E isso aconteceu duas vezes, praticando assédio moral ao vivo e às vistas de telespectadores de todo o país. Nenhuma surpresa para nós, que já o conhecemos e que o vimos amaldiçoar seus críticos por duas vezes. Pelos frutos os conhecereis, nos ensinou o Mestre Jesus.

E a propósito, não somos contra ofertas. Somos totalmente favoráveis a ofertas de acordo com o coração do ofertante, sem manipulações ou vinculação de realização de bênçãos e milagres, e direcionadas para a manutenção básica do templo, para o sustento de missionários e para o cuidado com os órfãos, viúvas e estrangeiros dos nossos tempos. Líder que enriquece às custas da igreja serve a Mamom, não a Deus.

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Uma análise sobre o uso de verbas públicas nas “Marchas para Jesus”

“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.” – Mateus 7:15

Há 2 dias saiu a notícia que deu origem a esse artigo: Marcha para Jesus não terá mais verba da Prefeitura, tratando da cidade de São José do Rio Preto (SP). Após lê-la, resolvemos destrinchar, mesmo que de forma superficial, o assunto. Assim, transcreveremos trechos da notícia em itálico para melhor compreensão.

A Prefeitura de Rio Preto negou o pedido da Igreja Renascer em Cristo, que queria R$ 314 mil para realização da Marcha para Jesus. Outros eventos religiosos, como a encenação da Paixão de Cristo, também não vão contar com dinheiro público neste ano. Em 2016, a marcha gospel reuniu cerca de 20 mil fiéis das mais variadas igrejas em uma passeata por ruas e avenidas que terminou no Recinto de Exposições.

O primeiro ponto a se discutir: o Estado é laico, ou seja, não toma partido por nenhuma religião. Mesmo com a maior parte da população brasileira se declarando cristã (em suas mais diversas vertentes), ainda assim o Estado é laico e precisa, por isso, agir com equidade frente a todos os credos religiosos, ou mesmo a falta deles.

Quando o Estado usa de verba pública para beneficiar este ou aquele credo religioso, está agindo contrariamente aos cidadãos que não professam essa fé, mas que mesmo assim percebem parte do dinheiro pago em impostos sendo direcionado para algo em que não concordam.

Além disso, fica a “dívida” da instituição religiosa frente ao político que lhe facilitou o recebimento da verba pública. Essa “dívida” terá que ser paga em algum momento, mas disso falaremos mais adiante.

A justificativa para não liberar o auxílio é que não há recursos suficientes para eventos particulares de qualquer religião. Além disso, a verba não está prevista no orçamento. “A Prefeitura não tem condições de patrocinar evento particular de qualquer religião. Os eventos religiosos são muitos na cidade. Se for financiar todos, não sobra dinheiro para as criancinhas que precisam, para creche, essas coisas”, afirmou o secretário de Governo, Jair Moretti, destacando o respeito pela religião.

Não é segredo para ninguém que vivemos uma crise sem precedentes, na qual vemos Estados ricos como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul deixando de pagar o salário dos seus servidores. Em momentos como esse, é necessário cortar o máximo de gastos menos necessários para conseguir manter os serviços essenciais e as contas em dia. E não há dúvidas que é muito mais importante manter um hospital, uma creche, uma escola ao invés de investir numa “festa” estilo “Marcha para Jesus” ou “Carnaval”.

E aqui cabe um adendo. Para muitos, o Carnaval é uma festa cultural. Para nós, porém, é cultural (por fazer parte da cultura brasileira), mas também é religiosa. O feriado de Carnaval é previsto no calendário gregoriano, sendo os dias que antecedem o período da Quaresma (que prevê contrição até a chegada da Páscoa). E apesar de dito pagão, o Carnaval brasileiro é a apoteose das religiões de raiz afro, especialmente o Candomblé, que é uma religião amoral. Não à toa, a maioria das escolas de samba fazem homenagens abertas a deuses do Candomblé ou mesmo os citam em seus sambas-enredo.

Voltando, muitas prefeituras estão entendendo que não dá para patrocinar o Carnaval ou a Marcha para Jesus enquanto os servidores estão sem salário, os hospitais sem condições de funcionamento e as escolas fechadas por falta de estrutura. Algumas cidades cancelaram o Carnaval neste ano, e o mesmo está acontecendo em algumas Marchas para Jesus. No Rio de Janeiro não houve Marcha em 2016, pois o dinheiro que tinham – e o que não tinham – foi direcionado para as Olimpíadas.

Porém, nem todos têm esse entendimento. Na cidade de São Paulo, sede da maior Marcha para Jesus do Brasil, veja duas emendas ao orçamento da cidade enviadas pelo Vereador Abou Anni, ligado à Igreja Renascer em Cristo (cujo líder Apóstolo [?] Estevam Hernandes patenteou a marca “Marcha para Jesus”):

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Percebe a discrepância? Enquanto o político pede 800 mil reais para uma “festa” de um dia de um grupo religioso, solicita apenas cem mil para socorrer um hospital que cuida de pacientes de câncer, um hospital 100% SUS, cujas despesas devem ser absurdas.

Na época do Mais Médicos, cada médico cubano custava dez mil reais. Se não houve aumento de salários passados alguns anos, a verba solicitada pelo vereador cobre apenas o salário de um mês de 10 médicos. Só que esse hospital tem muito mais do que 10 médicos!!!

Já pensou se fosse o contrário? 800 mil em socorro a um hospital público que é referência e que recebe pacientes do Brasil inteiro, que vêm se tratar gratuitamente (até por não possuir bens)?

Que Cristianismo é esse das Marchas para Jesus patrocinadas com altas verbas públicas, em detrimento das necessidades das viúvas, órfãos e estrangeiros dos nossos tempos?

“São anos difíceis”, disse sobre a situação financeira. O que pode ser fornecido, segundo ele, é apoio, como a presença da Guarda Municipal no evento. Segundo Jair Moretti, é tradição disponibilizar o espaço para eventos, mas é preciso fazer a requisição com antecedência.

Nisso concordo plenamente. Quer fazer uma Marcha para Jesus? Então que o Poder Público possa colaborar com o necessário, ou seja, um espaço para o evento, ambulância para socorrer alguém que passe mal, policiais e agentes de trânsito para manter a segurança dos participantes, itens básicos e que não onerarão o Orçamento. Mais do que isso, é abuso.

Infelizmente, como os líderes das Marchas para Jesus são “abusados”, acabam extrapolando nos pedidos.

[…] Segundo Daniel [Rigoleto, Bispo da Renascer], a Marcha vai acontecer neste ano, mesmo sem o patrocínio da Prefeitura. “Vai depender de doações, de patrocínio, que agora a gente tem de ir atrás. A Prefeitura não bancava sozinha, mas dava toda a estrutura do evento, não só som, palco e luz, mas também cachê de banda, trios elétricos”, comentou.

Cachê de banda. Cachê de banda???

Sim. Nas Marchas para Jesus só quem vai adorar de graça é o público. Os “levitas”, os “adoradores”, na verdade os artistas gospel em nada se diferem dos artistas seculares. Por isso, “adoram” ser chamados para Marchas para Jesus: pois é a chance de embolsar um bom dinheirinho.

“Ah, mas a Bíblia diz que o trabalhador é digno do seu salário, blablablá!”

“Causou discussão em plenário da Câmara Municipal, na sessão de ontem, o recurso financeiro utilizado pela Prefeitura para custear um show durante a Marcha para Jesus, realizada na cidade no último sábado. O questionamento refere-se ao cachê pago à empresa Faz Chover Produções Artísticas Ltda, para apresentação do cantor gospel Fernandinho, que se apresentou na Praça Antonio Carlos. Conforme extrato do contrato, publicado no Atos do Governo, foi pago R$ 85 mil ao conjunto musical.” (fonte: Tribuna de Minas)

Bom, vejamos… Digamos que o Fernandinho “louvou a Deus” na tal Marcha por umas 2 horas (penso que até menos). E ele e sua banda, por “louvar a Deus”, recebeu 85 mil reais. Por 2 horas.

Pelo visto, é melhor ser “artista gospel” do que  morrer fazendo Mestrado e Doutorado para depois trabalhar 8 horas por dia!!!

“Ah, mas o Fernandinho e os outros artistas gospel têm gastos com a banda e a estrutura de palco!”

Não, eles não têm gastos com a banda e com a estrutura de palco. Eles têm a banda e a estrutura faraônica de palco como INVESTIMENTO. Quanto mais equipada a banda, quanto mais efeitos especiais no palco, mais bonito e chamativo fica o show e, consequentemente, mais pessoas vão PAGAR para ver o artista e COMPRAR seus cds.

Ou seja, estratégia de mercado, pura e simplesmente.

Um verdadeiro adorador não precisa dos últimos recursos tecnológicos e instrumentais para levar as pessoas a Cristo. Voz e violão bastam para se levar a Palavra às multidões. Como exemplo, abaixo o vídeo de um “cantor secular”, que tive a oportunidade de assistir pessoalmente e que até hoje vive de forma simples, levando sua música a quem o chamar (e sem cobrar 85 mil por isso):

Sim, o trabalhador é digno do seu salário. Mas louvor não é profissão. O Apóstolo (de verdade) Paulo tecia tendas para não ser pesado a ninguém, e olha que ele viajava muito mais e de forma muito mais demorada e difícil que uma Aline Barros ou um Thalles Roberto. Mas, ainda assim, trabalhava. O problema é que os líderes e artistas gospel não gostam de trabalhar, então buscam enriquecer com a desculpa de que estão fazendo a obra de Deus. Mas não conheço um único Apóstolo (de verdade) que ficou rico pregando na porta do Templo, ou mesmo algum Levita (de verdade) que enriqueceu com as ofertas do povo. Só os de mentira fazem isso, e sem qualquer pingo de vergonha na cara.

E tem também o gasto, nas Marchas, com aluguéis de trios-elétricos. O legal deles é que sempre estampam os líderes de suas denominações. Jesus Cristo passa longe dali – o que manda é o Ego. Mas é mais um gasto que tentam empurrar para o Erário, para ser pago com o meu e o seu dinheiro.

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Pagar cachês milionários a pseudo adoradores e a exposição dos líderes em grandes outdoors nos trios-elétricos. É para isso que em São Paulo, neste ano, serão direcionados 800 mil reais.

[…] O Diário lançou nesta sexta-feira, 27, uma enquete questionando os internautas se a Marcha para Jesus deveria receber verba da Prefeitura. Em duas horas foram 11.676 votos. Disseram “não” 10.042 pessoas e “sim” 1.634 internautas. Nesse tempo, 413 pessoas compartilharam a enquete. “Marcha, seja ela qual for, deve ser feita e financiada exclusivamente por quem está envolvido!”, opinou um internauta.

A reportagem deixa claro como a opinião pública vê a questão da liberação de verbas públicas para as Marchas para Jesus. Infelizmente, torna-se mais um ato que escandaliza o Evangelho. E de forma motivada por tudo o que já foi dito neste artigo.

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Fonte: 
http://www.otempojornal.com.br/site/religiao/item/98-polemicas-relacionadas-ao-custeio-da-marcha-para-jesus-nao-tira-brilho-do-evento

Lá no início citamos a questão da “dívida” entre os líderes das Marchas e os políticos que propiciam a liberação de verbas públicas. Em tempos de Lava-Jato, a situação se torna ainda mais grave.

O que normalmente ocorre é lideranças eclesiásticas beneficiadas por verbas públicas levando ao palco das Marchas os políticos “amigos”, sutilmente levando os fiéis a acreditarem que devem votar neles nas próximas eleições. No linguajar gospel, a expressão “vamos orar por eles”, quando endereçada a políticos, significa “vamos votar neles”. Para nós, isso não passa de uma forma nua e crua de barganha de verbas públicas em troca de votos, pois o número de evangélicos que participam desses eventos é bastante expressivo, tornando esses eventos gospel como ferramenta de campanha para muitos políticos e seus partidos.

Com certas igrejas apoiando políticos que, por sua vez, servem aos propósitos pessoais das lideranças eclesiásticas, forma-se uma relação indecente, ausente de ética, que não satisfaz as necessidades da população em geral. Se a despesa com a Marcha para Jesus está prevista no Orçamento ela é legal, mas ainda assim se torna imoral e antiética. Jesus nunca precisou da ajuda do Império Romano para pregar Suas Boas-Novas, ao contrário, seus ensinos batiam de frente com os valores predominantes. Porém, nos dias de hoje, queremos pregar um evangelho aceitável ao mundo, no qual um Eduardo Cunha da vida pode ser membro dizimista de uma igreja, sem que seja disciplinado por conta de seu poderio financeiro.

Precisamos de menos Marchas e de mais Jesus. E Ele se mostra ao mundo através da bondade, da justiça, do amor, da pregação da necessidade de arrependimento que todos nós, fiéis ou líderes, multidões ou artistas gospel, cidadãos ou políticos temos que ter. Todos pecamos e carecemos da misericórdia divina.

Que as igrejas sejam Sal e Luz nesse mundo, espelhando o Cristo que buscam pregar. Tudo nos é lícito, até utilizar verbas públicas previstas em Orçamento, mas nem tudo nos convém.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A Deus toda a honra e toda a glória para sempre.

Links consultados:

http://www.cpadnews.com.br/universo-cristao/36176/ministerio-publico-suspende-marcha-para-jesus-em-guarulhos.html

http://www.midiamax.com.br/transparencia/justica-suspende-concessao-r-60-mil-prefeitura-6a-marcha-jesus-314488

http://irineusalgado.com.br/blog/justica-condena-ex-prefeito-por-financiar-marcha-para-jesus/

http://www.correiodoestado.com.br/cidades/igreja-e-obrigada-a-devolver-r-30-mil-por-marcha-de-jesus-ilegal/286103/

http://www.saoroque.sp.gov.br/portal/noticias/0/3/3292/Deputado-Marcelo-Aguiar-vem-a-S%C3%A3o-Roque-e-anuncia-apoio-para-a-Marcha-para-Jesus

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,sp-veta-uso-de-verba-do-governo-na-marcha-para-jesus,77452

http://www.camara.sp.gov.br/wp-content/uploads/2017/01/Abou-Anni-5.pdf

http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/365620/verba-municipal-da-marcha-para-jesus-motiva-acao-do-mp

https://noticias.gospelprime.com.br/mp-investiga-verba-marcha-jesus-rj/

http://gcn.net.br/noticias/270699/franca/2014/11/prefeitura-corta-verba-e-marcha-para-jesus-e-cancelada

http://www.tribunademinas.com.br/verba-de-marcha-para-jesus-causa-discussao/

http://www.expressaobahia.com.br/v1/2015/06/08/planalto-verba-municipal-da-marcha-para-jesus-motiva-denuncia-da-oposicao-contra-prefeito/

http://guaruevoce.com.br/prefeitura-suspende-marcha-para-jesus/

http://bandnewsfmcuritiba.com/mp-recomenda-fim-do-repasse-da-prefeitura-a-marcha-para-jesus/

http://www.diariodaregiao.com.br/cidades/marcha-para-jesus-n%C3%A3o-ter%C3%A1-verba-da-prefeitura-1.666201

http://www.otempojornal.com.br/site/religiao/item/98-polemicas-relacionadas-ao-custeio-da-marcha-para-jesus-nao-tira-brilho-do-evento

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Resoluções da Igreja para o novo ano

ano-novo-destroi-anos-de-idadeÀs vésperas de 2017, muita gente está fazendo sua listinha de resoluções para o próximo ano. Emagrecer, voltar a estudar, fazer uma viagem dos sonhos, arrumar casamento… Enfim, a simbologia de que tudo se modifique junto à mudança do calendário pode servir de alavanca para se deixar a procrastinação e o comodismo. Ou não (a repetição de certas resoluções ano após ano que o diga).

Mas e se as igrejas também tivessem sua lista de resoluções, de desejos para 2017? Imagino que seria mais ou menos assim:

– Fazer uma dieta urgente para perder a gordura das falsas conversões, que me tornam inchada e desnutrida espiritualmente;
– Fazer uma poupança nos céus, onde a inflação e o consumismo não corroem, distribuindo os recursos financeiros terrenos onde forem necessários para trazer dignidade às pessoas;
– Desapegar dos valores deste mundo, que têm ocupado um espaço muito grande em meu coração, tirando o espaço para Deus;
– Dedicar um bom tempo ao estudo e à prática das Escrituras, para não ser vítima de estelionatários e aproveitadores da fé;
– Adquirir o máximo de almas possível com o preço do sacrifício de Cristo e o amor por Ele ordenado;
– Tratar a todos com equidade, sem acepção de pessoas, não havendo distinção entre o menor e o maior ofertante, entre o desconhecido e o artista gospel, entre quem cometeu um ou outro tipo de pecado;
– Refutar com todas as forças a tentação da teologia da prosperidade, que me faz negar a Cristo em troca das promessas de satanás no deserto, enchendo-me de ganância pelas riquezas desta terra (de cujos valores preciso me desapegar);
– Exercitar diariamente o perdão, em sessões de setenta vezes sete;
– Viajar muito, não em caravanas gospel para Israel ou em cruzeiros marítimos com pregadores famosos, mas para os lugares onde minha presença se faz necessária para levar provisão, conforto e esperança aos necessitados;
– Deixar de confiar nos poderes político e econômico e passar a confiar Naquele que detém todo o Poder;
– Lembrar-me de que não sou feita de tijolos, mas de gente – e que preciso alimentar gente, não tijolos;
– Libertar-me da “cura e da libertação” e de todas as metodologias de crescimento e superstições gospel, que dificultam o acesso a Cristo ao impor rituais e cerimônias para a obtenção daquilo que Ele já me conquistou na Cruz do Calvário;
– Aguardar ansiosamente pelo meu casamento, nos céus, linda e ataviada, pura e santa. E enquanto aguardo a chegada do Noivo, que eu possa espelhar Sua luminosidade, trazendo, através do meu testemunho, luz a esse mundo em trevas.

E depois, 365 dias para colocá-las em prática. Será?

resolucoes

Que as igrejas possam  sair do círculo vicioso no qual vivem há séculos e se definam como Igreja, como Corpo guiado pelo Cabeça que é Cristo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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Algumas considerações sobre a condução coercitiva de Silas Malafaia

497861156-pastor-silas-malafaia-grava-video-indignado-por-ser-alvo-de-conducao-coercitiva-em-acao-da-policia-fOntem, a imprensa noticiou uma etapa da Operação Timóteo, da Polícia Federal, que investiga “um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral”. […] “O diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral, Marco Antonio Valadares Moreira, e a mulher dele foram presos pela PF.” (fonte: O Estado de São Paulo). Até aí, mais uma operação contra a corrupção no país. Porém, o (im)Pastor Silas Malafaia também foi alvo, através de um mandato de condução coercitiva.

O Canal Ciências Criminais traz uma boa definição do que é condução coercitiva:

“[…]’é um instrumento de restrição temporária da liberdade conferido à autoridade judicial para fazer comparecer aquele que injustificadamente desatendeu à intimação e cuja presença seja essencial para o curso da persecução penal, seja na fase do inquérito policial, seja na da ação penal.’ (Desembargador Cândido Ribeiro MEDIDA CAUTELAR CRIMINAL (BusApr) 0042276-27.2013.4.01.0000/DF.g.n.)

Além do conceito, é importante também ressaltar os requisitos para a condução coercitiva:

  • Intimação/comunicação regular para comparecimento ao ato
  • Recusa injustificada de quem foi intimado e não compareceu ao ato.”

Assim posto, vamos aos fatos:

Na manhã do dia 16/12 a Polícia Federal foi à busca de Silas Malafaia para conduzi-lo coercitivamente para depor a respeito de uma oferta que teria recebido a cerca de dois anos, de um dos envolvidos na investigação. Malafaia, que estava em São Paulo (por conta da inauguração da filial de sua igreja – vide artigo anterior), imediatamente lançou um áudio e posteriormente um vídeo explicando a situação: anos atrás, “orou” por um advogado, membro endinheirado do seu colega, pr. Michel Abud da igreja Embaixada do Reino de Deus. Então, há uns 2 anos, esse advogado entregou uma “oferta pessoal” de cem mil reais para Malafaia. Essa oferta em forma de cheque foi depositada na conta conjunta do (im)Pastor e sua esposa, e segundo ele, declarada em seu Imposto de Renda. A tal condução coercitiva seria uma forma do Poder Judiciário o intimidar, já que estaria “batendo forte” sobre a questão de abuso de autoridade.

Algumas considerações:

Em primeiro lugar, realmente não é muito compreensível o juiz ter emitido o mandato de condução coercitiva nesse caso. Afinal, segundo Malafaia, ele não foi intimado anteriormente e, se o fosse, não se recusaria a depor. Ao contrário do que aconteceu com o ex-presidente Lula, que se recusou a depor e por isso foi conduzido coercitivamente. Porém, de forma obrigatória ou de forma voluntária, a intimação ao depoimento atrairia de qualquer forma toda a atenção da imprensa, pois Malafaia é uma pessoa pública e bastante controversa, devido ao seu império eclesiástico e suas declarações, além do grande envolvimento na política.

Em segundo lugar, chama a atenção a rapidez com que Malafaia lançou sua defesa por áudio e vídeo. Enquanto a Polícia Federal fazia buscas em sua residência no RJ, Malafaia explicava, via áudio, os pormenores da oferta recebida há 2 anos. Ora, esse (im)pastor, pelo negócio que administra, deve receber muitas, mas muitas ofertas de todos os valores possíveis. Assim, como foi possível se lembrar especificamente da oferta objeto de investigação? Teria alguém infiltrado na PF ou no Judiciário, que lhe passaria informações privilegiadas? Teria recebido essa oferta ciente de sua proveniência duvidosa? Teria sido alertado profeticamente do problema que iria acontecer?

Sinceramente, não sei. Só sei que é muito suspeito alguém se defender imediatamente de uma coisa que aconteceu há muito tempo e da qual acaba de ter conhecimento.

Só lembrando, durante anos, enquando o PT ainda governava o Brasil, Malafaia volta e meia alertava a seus fiéis de que os “esquerdopatas” (como ele se refere aos petistas) estariam armando alguma armadilha ou mentira para denegrir sua imagem. É irônico que sua “profecia” tenha se realizado justamente após a queda do PT, em pleno governo PMDB, dos seus amigos Eduardo Cunha e Michel Temer.

Em terceiro lugar, a questão da “oferta pessoal”. Que um pastor, um padre, um funcionário público, um bancário, recebam, no exercício de sua função, algum presente, sem problemas. Mas quando o presente é da ordem de cem mil (o valor do tal cheque), ou um Mercedes E500 blindado na Alemanha, a situação passa a ser no mínimo constrangedora, quando não claramente corruptível.

Ou um funcionário público teria coragem de multar alguém que lhe presenteou com cem mil reais? E como um pastor pode exortar alguém que lhe dá cem mil reais?

Não à toa, vemos o réu preso Eduardo Cunha como membro da Igreja Assembleia de Deus no Brás, e vemos esse tal advogado Jader como membro da Embaixada do Reino de Deus. E quantos outros Cunhas e Jaders não existem nas igrejas, posando de bons e generosos moços, comprando seus líderes eclesiásticos com muito dinheiro, achando que assim compram, também, o perdão de sua iniquidade e a salvação eterna (sem ter que deixar a corrupção para isso)?

E o que dizer desses (im)pastores, que pensam que podem vender o perdão e a salvação eterna, desfrutando do dinheiro de quem os possa corromper?

O funcionário público, quando recebe um presente de grandes proporções, precisa recusá-lo veementemente ou, na impossibilidade disso, doá-lo para alguma entidade. Mas Malafaia acha que não precisa fazer isso, que não precisa se desfazer do dinheiro em prol de missões ou de entidades que cuidam de pessoas, afinal ele é filho do rei, é cabeça e não cauda, veio para vencer e prosperar e todo esse blablablá da demoníaca Teologia da Prosperidade da qual tornou-se grande divulgador. Eis que começa a colher os frutos de sua imprudência e ganância.

Um adendo: quando ainda tentava salvar sua pele, a ex-presidente Dilma promulgou uma lei que anistiou os pastores e outros líderes religiosos de multas que teriam, junto à Receita Federal, por erros em suas declarações de renda pessoais. Além disso, isentou-os totalmente a partir de então (antes a isenção era só para as contas das instituições religiosas). Silas Malafaia, nessa história, foi anistiado em 1,5 milhão de reais. Ou seja, muuuuito dinheiro, talvez de “ofertas pessoais”, havia sido “canetado” até então. E após isso, pode cair quantas “ofertas pessoais” quiser em sua conta, que nada será tributado junto à Receita Federal.

Não sei porque, mas lembrei que tenho que fazer lavagem… de algumas roupas, aproveitando o dia de sol.

Por fim, fica o recado dado pela Operação Timóteo (baseada na carta a Timóteo, capítulo 6):

“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.” – 1 Timóteo 6:9-11

Faixa vista por Malafaia nas Marchas para Jesus no Rio. Infelizmente, ele não pode dizer que não foi avisado.

Faixa vista por Malafaia nas Marchas para Jesus no Rio. Infelizmente, ele não pode dizer que não foi avisado.

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Malafaia abre filial de sua empreja na capital do capital

silas_malafaiaHoje o (im)Pastor Silas Malafaia está todo radiante. Afinal, é o dia da inauguração do “templo provisório” da sua igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) na cidade de São Paulo. Disse ser um templo provisório, pois já tem o terreno e o projeto para a construção de uma catedral para até 9 mil fiéis. No templo provisório, localizado em frente ao Shopping Mooca Plaza, a capacidade é de 4 mil pessoas.

Inteligente a estratégia de empreendedorismo gospel do Malafaia na capital financeira do país. Primeiro, abre uma grande igreja num ponto de relativo fácil acesso (estação de trem, tendo como ponto de referência um shopping). Como a cada culto suporta 4 mil pessoas e deverão ser em média uns 6 cultos semanais (tendo como referência a programação do templo no Rio de Janeiro), imagina-se uma grande arrecadação semanal na forma de dízimos e ofertas.

E essa arrecadação tende a ser bastante agressiva. Afinal, existe um terreno (que se dirá que precisa ser pago), um grande projeto de catedral gospel (que precisa ser viabilizado, para aumentar o número de frequentadores de 4 para 9 mil a cada culto), fora, obviamente, o valor do aluguel e das despesas do templo provisório e, claro, ajuda para o pagamento dos programas de televisão.

Só a título de curiosidade, a catedral malafaiana carioca custou a bagatela de 30 milhões de reais. Quanto custará a catedral paulistana?

Não importa. O que importa é que o empresário de visão vai para onde o dinheiro está. Apesar da crise, é em São Paulo que circula boa parte do dinheiro do país. E um dia a crise vai embora (segundo alguns economistas, haverá melhoras a partir de 2018).

Mas existem dois setores que não sofrem (ou sofrem muito pouco) com a crise: o setor bancário e o mercado da fé. Esse segundo, ainda por cima costuma dar um pequeno prejuízo para o primeiro. Explico:

Na Teologia da Prosperidade, na qual o “deus” dá retorno ao fiel proporcionalmente ao que dele recebe na forma de ofertas e dízimos entregues à instituição religiosa, a ideia é dar o máximo possível para receber no futuro esse máximo multiplicado 10, 20, 100 vezes mais. Em nenhum lugar do mundo os bancos oferecem lucratividade tão alta em tão curto espaço de tempo (os impastores costumam propagar a bênção em uma semana, um mês, um ano quando muito). Assim, qualquer um que tenha noções mínimas de matemática (e nenhuma noção do que Jesus Cristo realmente ensinou) entende que é mais lucrativo tirar o dinheiro da poupança e aplicá-lo no poço sem fundo das igrejas da prosperidade. Como, em meio a uma multidão de fiéis, estatisticamente alguns realmente ficarão prósperos (com ou sem dízimo), esses alguns se tornam testemunhos poderosos de que o negócio com o Sagrado realmente funciona. E assim, líderes religiosos inescrupulosos conseguem manter seus impérios apesar de quaisquer crises.

Eu mesma sei de várias pessoas que retiraram todo o dinheiro de suas aplicações financeiras para transferi-los para contas de igrejas que seguem a diabólica Teologia da Prosperidade. Infelizmente, por mais que se tente demovê-las, isso não é possível. A lavagem cerebral feita nessas igrejas é tão grande a ponto dos fiéis acharem que serão castigados caso desobedeçam às ordens do seu (im)pastor. Como exemplo, um triste caso contado no Facebook, no qual uma senhora carregava a culpa da morte de seu filho por não ter dizimado no mês em que ele coincidentemente morreu.

nova-sede-ad-vitoria-em-cristoMas voltemos ao empresário gospel e mercador da fé, o (im)Pastor Silas Malafaia. Aberta a filial provisória da sua empreja, a meta inicial será convencer os fiéis de que precisam ajudar – e muito! – financeiramente para o pagamento do templo provisório, dos programas de tevê e para a construção do megatemplo oficial. E dá-lhe campanha financeira, pregações de autoajuda gospel, venda de bênçãos em troca de grandes ofertas, enfim, tudo aquilo que ele já faz há tempos.

E Evangelho de Jesus Cristo que é bom…

E, uma vez realizado o projeto do megatemplo, São Paulo terá mais uma grande catedral linda e imponente, cheia de pompa e circunstância, pronta para concorrer com o Templo de Salomão, com a Cidade Mundial e com tantas outras catedrais que, de Jesus Cristo, Aquele que é manso e humilde de coração, não têm nada.

Estão mais para antros de adoração a Baal e a Mamom, pois ensinam a adorar a si próprio, a ser maior e melhor do que os outros e a amontoar tesouros nessa terra que jaz no maligno.

Como empresário da fé, Malafaia está é muito certo. Está investindo na cidade onde pode ganhar muito dinheiro. Investindo é modo de dizer, pois o dinheiro virá dos fiéis, totalmente livre de impostos e deduções. E no final, o megatemplo luxuoso não pertencerá a Deus ou aos fiéis. Pertencerá à Malafaia e sua família, embora conste o nome de ADVEC como proprietária. Ou alguém acha que os feudos saem das mãos de seus donos? Hoje o presidente da ADVEC é Malafaia, amanhã será o Malafaia Júnior, depois o filho do Júnior, e assim por diante. Mas quem investiu – e muito! – continuará de campanha em campanha, esperando uma prosperidade financeira que só os líderes religiosos, com seus argumentos sem qualquer escrúpulo religioso, conseguem obter.

Aqui cabe um adendo: anos atrás a Revista Forbes nomeou Malafaia como um dos 3 pastores mais ricos do Brasil, com uma fortuna estimada em 150 milhões de dólares. Malafaia está processando a revista, afinal alega que esses milhões não são dele, estão em nome da ADVEC. Está tudo claro ou preciso desenhar?

Se, como empresário, Malafaia está certo, como Pastor Malafaia está no caminho errado. Espiritualidade, santidade, fé, temor a Deus não se mede pelo tamanho ou luxo do templo. As Escrituras nos ensinam, ao contrário, que o Templo do Espírito Santo somos nós, eu, você, o pobre, a viúva, o doente, o necessitado. Nesses templos é que a verdadeira Igreja investe seus recursos.

Os valores do mundo são o mais e o melhor. Os valores de Deus, o menos e o menor, para que ninguém Lhe roube a glória. Jesus morreu em nosso lugar não para que nos assentássemos em poltronas de couro e debaixo de potente ar condicionado, mas para que fôssemos salvos apesar de sermos pecadores. Muitos enriquecemos líderes religiosos e suas instituições pela ganância do recebimento da bênção cem vezes mais, mas somos incapazes de ajudar um parente ou conhecido que passa, nesses tempos de crise, por grave situação financeira. Na igreja, temos a promessa de multiplicação aqui e agora. Mas ajudar ao pobre, em que serei retribuído?

Infelizmente, só temos sido ensinados a juntar tesouros na terra, e Malafaia é um desses professores. Ah, se juntássemos tesouros nos céus!

Termino com um longo vídeo (mas que vale muito a pena ser visto), de uma pregação do (im)Pastor Silas Malafaia, na qual anos atrás ele desafiou os críticos de seus ensinos a mostrar onde estava a heresia. Confesso que foi muito fácil, pois Malafaia não prega em prol do Reino, mas em prol de si mesmo.

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Conferência Vozes

vozes

A Conferência Vozes (18 a 20 de novembro) tem como tema Reflexões a Partir de uma Visão Cristocêntrica. Embora ocorra no Acre, tem transmissões ao vivo pelo Youtube (canal Ibr Oficial), e as palestras e debates ficam disponíveis para visualização posterior. Além disso, há o site do evento, que traz toda a programação: www.conferenciavozes.com.

Participam da conferência:

Pr. Geremias Couto – RJ
Pr. Paulo Siqueira – SP
Pr. Hector Vargas – SP
Pr. Joaquim Ribeiro – AC
Pr. Marcos Lopes – AC

Que possamos juntos refletir sobre a centralidade de Jesus Cristo na Igreja nos dias de hoje.

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