Expo Cristã, digo Expo MAMOM 2017: quem disse que tínhamos chegado ao fundo do poço?

IMG_20170819_145328392Dinheiro. Essa é a palavra que melhor resume o “espírito” que imperou na ressuscitada Expo Cristã 2017. E dinheiro remete a Mamom.

Mamom é a tradução de dinheiro para o aramaico. Porém, tem conotação de ser um “deus” ou “espírito” pela comparação que Jesus faz em Mateus:

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. – Mateus 6:24

Não sejamos ingênuos em achar que tudo o que se compra remete à adoração a Mamom. Os cristãos precisam comprar alimentos, roupas, ter uma casa, móveis, se possível um meio de transporte, se possível pagar educação para os filhos, plano de saúde, etc. Também precisam adquirir pelo menos uma Bíblia, se possível bons livros para melhor aprender da Palavra, itens para evangelização, e por aí vai. Mas os cristãos não precisam comer até passar mal, não precisam de um closet de sapatos estilo Imelda Marcos, coleções de relógios Rolex ou de carros importados. Os cristãos não precisam de autógrafos de ídolos gospel, não precisam de livros que lhes ensinem heresias em nome de Deus, não precisam de objetos judaicos (ou é judeu, ou é cristão, fujamos do sincretismo religioso), não precisam incomodar os vizinhos tocando shofar de hora em hora.

Entendido isso (que há coisas que devem ser compradas pelos cristãos, outras são apenas vaidades das vaidades, para falar o mínimo), vamos analisar o que vimos nesta edição da Expo Cristã.

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O Pavilhão Amarelo do Expo Center Norte, onde ocorreu a feira, é o menor de todos. Tem cerca de 8 mil metros quadrados. Nas outras edições, a feira acontecia num pavilhão de cerca de 14 mil metros quadrados. Assim, fica difícil saber se havia mais ou menos gente, porque se confinarmos menos pessoas num espaço menor tem-se a impressão de multidão, de gigantismo. E talvez essa foi a intenção dos organizadores.

Mas o fato é que havia beeeem menos expositores que nas edições passadas.

Logo na entrada, é lógico, os estandes dos donos da feira: Apóstolo (?) Agenor Duque e Bispa (?) Ingrid Duque. Em comum, a venda de objetos judaizantes, kipás e talits. Tinha o véu vermelho da Bispa (?), tinha réplicas tamanho playmobil do Templo de Salomão (R$ 120,00), lamparinas de barro (das 10 virgens?) e até as moedas da viúva por R$ 10,00 (pensei em comprar e revender por 5 milhões no Mercado Livre, mas aí descobri que eram réplicas fajutas, sem valor nenhum. Será que essas emprejas as aceitariam como pagamento do dízimo?).

E tinha um tocador de shofar, que tocava de 5 em 5 minutos, acho que para atrair compradores para suas mercadorias.

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E falando em dízimo, esse negócio de ter que passar a sacolinha ou manter um gazofilácio no púlpito já era. Estamos em tempos digitais, onde a maioria das pessoas não costuma andar com dinheiro no bolso. E, sem muito dinheiro no bolso, como era antigamente, também caem bastantes as ofertas dos fiéis.

Mas claro, a Expo Mamom tem a solução! Vimos pelo menos 3 estandes de empresas diferentes, cada uma com sua solução para o recebimento de dízimos e ofertas via app, com cartão de crédito ou emissão de boleto bancário. Uma das 3 empresas ainda inovou mais e lançou também um totem, tipo os das lojas Renner e C&A, onde o fiel escolhe o tipo de pagamento que deseja fazer (dízimo, oferta, campanha, etc) e a forma de pagamento (cartão para os mais antenados, depósito na máquina com envelope para os mais tradicionais). O vendedor nos explicou a praticidade: o fiel vai orar na igreja de manhã e lembra que é o dia de dar o dízimo. Ao invés de ter que voltar à noite, faz o depósito do dízimo na mesma hora. Realmente muito funcional, mas… O preço do totem é 13 mil reais. Imagino que uma igreja que possa “investir” essa quantia não está assim tão necessitada de aumento dos dízimos…

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Onde tem dinheiro, tem que ter banco. E na Expo Cristã tinha, é claro! Em seu estande, o Bradesco distribuía sacolinhas contendo um bloco de anotações, uma caneta e uma pasta de papel expondo seus “nichos de mercado”, entre eles: franquias e negócios, microempreendedor individual, universitário, clubes e associações e RELIGIÕES. Sim, os bancos já perceberam que o negócio religioso é dos mais rentáveis, e não querem ficar de fora dessa boquinha.

E já que ainda falamos de negócios gospel (confesse que achou que exageramos quando resumimos a Expo Cristã na palavra dinheiro), “você sente que sua igreja está paralisada? Os membros da sua igreja estão desmotivados? Parece que sua oração não está funcionando?”

Na Expo Cristã você tem a solução!

Não, não tem nada a ver com orar, com arrepender-se, com ansiar com um avivamento, com buscar a ação do Espírito Santo no acrescentar das almas e na vivificação do rebanho. Isso tudo é coisa do passado. Agora a onda é ser moderno, ser digital, ser neurolinguista, ser COACHING. E um tal de Carlos Di Capi promete ensinar os pastores a levantarem seus ministérios com um curso de coaching de fim de semana por módicos R$ 997,00. Só para comparar, um mês inteirinho de estudos de Teologia na Universidade Mackenzie custa R$ 838,00 para o segundo semestre de 2017.

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E falando em Mackenzie, havia um estande lá. Vazio. Assim como estavam vazios os (raros) estandes de entidades assistenciais. Os Atletas de Cristo estavam vazios. A Jethro estava arrecadando assinaturas de apoio ao trabalho da Polícia Federal na operação Lava-Jato, mas poucos tinham “tempo” para parar e participar. A AMAV – Associação Missionária Atravessando os Vales – que tem trabalhos junto a moradores de rua e famílias em situação de risco no Brasil e na Bolívia, também estava com o estande vazio. E na AMAV o Pr. Paulo Felix estava distribuindo GRATUITAMENTE seu livro Tehillim – Poesia Hebraica Inserida nos Textos. Mas os livros continuavam nas estantes, pois quase ninguém se aproximava. A multidão estava interessada era em dinheiro e nos ídolos gospel.

Quase fomos atropelados pela multidão algumas vezes. Eu pessoalmente cambaleei quando uma turba enlouquecida correu atrás da cantora Priscila Alcântara. Senti-me como que junto aos fãs da Madonna (nos idos nos anos 80, claro).

Também quase caí quando, no estande da Igreja Renascer, surgiram o Apóstolo (?) Estevam Hernandes, Samuel Ferreira, Jabes de Alencar, Silas Malafaia e políticos gospel. Todo mundo queria ver, tirar foto, chegar perto. Até a quase desconhecida Lucimara Parisi (só fui lembrar quem era quando chegamos em casa) tinha sua fila para tirar fotos.

Fila para tirar fotos com um tal de Remuel (ou coisa parecida), gritos com o anúncio dos cantores gospel da Caravana do Raul Gil. O lugar dos shows super cheio. Cheio de fãs ensandecidos pelos seus ídolos. E pensar que esses mesmos fãs torcem o nariz quando alguém diz que vai assistir a um show de música “secular”. E se reviram contra os católicos, por conta da idolatria.

Encontramos um católico na Expo Cristã. Veio falar conosco. Estava horrorizado com tudo o que via ali, e sentiu que nem tudo estava perdido quando viu os dizeres em nossas camisetas.

Muitas pessoas nos abordaram. “Vocês não têm medo de apanhar aqui?”, “Nós os vimos na frente do Café de Pastores”, “Vocês têm muita coragem”.

Não, nós não temos muita coragem. Somos humanos, com medos e aflições como todos. Mas Deus plantou em nossos corações um zelo pela Sua Palavra, pelas Suas coisas. E esse zelo nos impediu de ficar calados, em casa, comendo pipoca e assistindo ao Caldeirão do Huck.

É emblemático que, há poucos dias de comemorarmos os 500 anos da Reforma Protestante, a igreja no Brasil esteja ainda em pior estado do que aquela que Lutero criticou em 1517. Se Tetzel estivesse vivo, teria que tomar umas aulinhas de coaching gospel e comprar um totem para melhor arrecadar, afinal o “espírito” é o mesmo, mas os métodos evoluíram com o tempo.

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E mais emblemático foi encontrar, no estande da editora do Malafaia, lado a lado um livro sobre a Reforma Protestante e um Guia de Sucesso Financeiro. Isso mais do que concretiza a tese de que estudar essas pessoas até estudam, saber até sabem, mas preferem Mamom a Deus abertamente. Não é por falta de conhecimento, é por safadeza e destemor puro e simples mesmo.

O triste é que, em sua ganância, acabam levando para a perdição os que cegamente os seguem. E, pelo que vimos na Expo Cristã, são a grande maioria dos que se dizem cristãos.

A propósito, vimos nos estandes imagens dos (im)pastores, dos artistas gospel, até do Seiya de Pégaso (Cavaleiros do Zodíaco). Mas numa feira que se diz cristã não vimos a Jesus Cristo. Levando-se em conta que na quinta, no Café de Pastores, o intuito era só de politicagem para conseguir dinheiro (vide presenças de João Dória e Geraldo Alckmin, e a “quase” presença do presidente Michel Temer, sobre quem recaem pesadas suspeitas de corrupção), não é de se admirar que a Expo Mamom tenha perfurado o fundo do poço gospel.

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No Café dos Pastores da Expo Cristã 2017

A quem nos abordou, distribuímos folhetos e marcadores de página do movimento. Nossa oração é para que, mesmo quem riu ou não gostou das frases em nossas camisetas, venham no futuro a refletir e a abrir os olhos para o verdadeiro Evangelho. Que as correntes da religiosidade caiam. Que a dependência dos políticos e de Mamom seja substituída pela dependência única e exclusiva de Deus.

A luta é grande, mas já sabemos quem é o vencedor (Apocalipse 22).

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória agora e para sempre.

Obs.: nos próximos dias disporemos o vídeo da Expo Mamom neste espaço.

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Relativizando o Evangelho: os fins justificam os meios?

O-que-é-EvangelhoPor isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos;
Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade. – 2 Coríntios 4:1,2

Muitos não entendemos como, 500 anos depois de Lutero, a situação de boa parte das igrejas ditas cristãs encontra-se igual ou até pior do que a igreja da Idade Média. Mais difícil ainda é entender como, mesmo nos tempos da Igreja Primitiva, enganos eram sutilmente propagados entre os santos, a ponto dos apóstolos (de verdade) terem que lutar pela pureza da fé.

E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas. – Colossenses 2:4

Como corações aparentemente sinceros podem se deixar levar por ensinos enganosos? Como esses ensinos penetram nas igrejas e se tornam parte delas?

E Jesus, respondendo-lhes, começou a dizer: Olhai que ninguém vos engane;
Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. – Marcos 13:5,6

Penso que a resposta talvez esteja na relativização da fé, na falsa crença de que os fins justificam os meios. No caso, o fim seria a rápida e mais abrangente divulgação do Evangelho e, consequentemente, do número de salvos. Os meios, quaisquer que aparentemente levem a esse resultado.

Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. – 2 Coríntios 11:3

Na relativização da pregação do Evangelho, o mal nem sempre é mal. Ora, Raabe não usou de uma mentira para salvar os anjos? O Apóstolo (de verdade) Paulo não disse que se fazia de tudo para alcançar a todos? Para que o nome de Jesus seja conhecido, vale absolutamente tudo!

Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios. – 1 Timóteo 4:1

A pregação do Evangelho não precisa de vale tudo. A pregação do Evangelho não precisa sequer de mim ou de você. Ser um instrumento de Deus é uma grande honra, pois é algo que independe de nós. Deus não precisa de nossos planos mirabolantes de crescimento de igrejas, nem de milhões gastos em rádio e programas de tevê, nem de campanhas financeiras para arrecadar recursos para propaganda evangelística. Deus é. Deus faz. E Deus é quem provê e usa a quem quer, quando quer. Se até uma mula Ele usou certa vez para exortar um (falso) profeta, se Ele quiser até a nós, com todas as nossas imperfeições e dificuldades, também podemos ser usados. E se Ele não quiser, nem com todo o dinheiro do mundo, nem como emissoras de rádio e televisão nossa pregação prosperará (pois seremos nós com a falsa força do nosso braço, não Deus com o Seu Espírito e Poder).

E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles.
Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples. – Romanos 16:17,18

Uma vez que usamos nossa falsa força, de forma até inconsciente tendemos a nos apossar do objeto de conquista. E, uma vez com a posse, podemos usufruir da forma que acharmos melhor. E assim é também com a pregação do Evangelho.

Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. – Efésios 4:14

O fim é louvável: a expansão da pregação do Evangelho. Mas a falta de conhecimento bíblico nos faz acreditar que apenas com nosso trabalho árduo tal objetivo será alcançado. E começam esforços mentais em busca das melhores estratégias para se alcançar a meta: cargos de liderança para fidelizar membros-chave, campanhas com promessas de grandes bênçãos em troca de grandes ofertas, cobrança de grandes cachês para sustentar a mais tecnológica parafernália de som (para atrair os jovens), pouca ou nenhuma ênfase no arrependimento dos pecados e outros temas que possam afastar os dizimistas, grande destaque para rituais judaizantes e místicos (inclusive simulando milagres e expulsões demoníacas) para manter a plateia atenta e fiel, incentivo dito divino para o sucesso pessoal do membro (desejo de dez entre dez brasileiros) por ser filho de Deus. E a lista de estratégias ditas evangelísticas vai longe…

Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem.
Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré. – Judas 1:10,11

Uma vez relativizada a pregação do Evangelho, também torna-se relativa a conversão do fiel e dos líderes. Sem a luz da Palavra de Verdade, as trevas do pecado têm terreno fértil. As duas horas de culto semanal tornam-se suficientes para justificar nossos pecados e fraquezas. Contanto que um dia tenha dito aceitar a Jesus e dizime e oferte com regularidade, o fiel pode ocultamente manter seus vícios, satisfazer seus desejos, retaliar seus inimigos, fazer negócios com as coisas de Deus.

Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. – 2 Pedro 3:16

Como um abismo chama outro abismo, a cada dia torna-se mais difícil manter a máscara de santidade em meio a uma mente e a um coração não transformados pelo Evangelho (pois o que vemos em muitas igrejas é relativizado, humanizado, deturpado e não tem o poder divino de transformar a ninguém). Pela misericórdia de Deus, algumas dessas máscaras caem, e com elas seus portadores. O universo gospel torna-se então implacável contra o desmascarado, apontando-lhe com toda a força a malignidade do seu pecado, tratando-o como um ser desprezível, excluindo-lhe dos seus ambientes santos. Digo pela misericórdia divina, pois essa é uma chance real que Deus dá a essas pessoas para que encarem suas fraquezas, para que se arrependam daquilo que faziam escondido entre um culto e outro, e assim para que, humilhados, se rendam verdadeiramente ao Pai, tendo um real contato com o verdadeiro Evangelho. Mas nem todos se arrependem, voltando assim que possível ao vômito que fora exposto, mas Naquele Dia não poderão dizer que não tiveram sua chance. Infelizmente, até a Graça tem sido relativizada, sendo para muitos a desculpa perfeita para se manter em seus maus caminhos.

Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.
Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.
Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.
Não erreis, meus amados irmãos. – Tiago 1:13-16

Para muitos, o Evangelho não é missão: tornou-se profissão. Desde pastores que, por ganhar salário de suas denominações, não podem falar nada além do que a instituição religiosa permite (cerceando muitas vezes a mensagem), até os escandalosos casos de líderes e artistas que enriquecem às custas da boa fé do povo. Como esses conseguirão pregar aquilo que a multidão realmente precisa ouvir, se necessitam fidelizá-la para que continuem lhe dando o sustento ou até mesmo bancando suas excentricidades financeiras? É muito triste ver pastores que, mesmo não concordando com suas lideranças, precisam se calar com medo de perder a provisão de suas famílias. E mais triste ainda é ver líderes que formam verdadeiros impérios religiosos (às custas dos fiéis) e que propositadamente aprisionam os pastores das suas filiais com bons salários. O que aparentemente é uma coisa boa, na verdade se torna bastante ruim, pois faz os liderados dependerem exclusivamente do salário da igreja, deixando de buscar provisão por seus outros talentos, tornando-se verdadeiros reféns da denominação em que servem. E essa, querendo servir aos fiéis um Evangelho relativizado, usará dos pastores-reféns. Um círculo vicioso e maquiavélico.

Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo. – Colossenses 2:8

Jesus disse que não é possível servir a dois senhores, e os especificou como a Deus e ao dinheiro. Isso porque o dinheiro é essencial no mundo em que vivemos, seja para adquirir alimentos, roupas, moradia, educação, saúde e toda e qualquer futilidade para alegrar, mesmo que momentaneamente, a alma humana. O desejo de ter dinheiro é tão grande que muitas vezes sobrepuja o desejo de servir a Deus. Mas os mais espertos conseguiram relativizar tanto o Evangelho que pensam ter desmentido a Cristo, sendo possível servir aos dois senhores. Assim, inventaram o comércio gospel, a venda de produtos gospel, de entretenimento gospel. O crente fiel não pode ouvir música “do mundo”, mas deve comprar os cds de música gospel; não deve usar roupas “do mundo”, mas deve comprar roupas das grifes gospel; precisa cancelar o canal de tevê a cabo “do mundo” e contratar o canal gospel; não pode frequentar uma balada “do mundo”, mas sim uma balada gospel.

Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem;
Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo.
Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. – 1 Coríntios 5:9-11

Kit de embelezamento da Rainha Ester, óleo de unção de diversas fragrâncias, bíblias de estudo com a relativização do Evangelho que se deseja ter. Idolatria a personalidades gospel (pois não se pode admirar cantores “do mundo”), votos nos políticos indicados pelas lideranças eclesiásticas, congressos e eventos para dar lucro aos empresários gospel. Teremos essa semana a Expo Cristã, uma feira de negócios gospel, onde haverá Evangelhos relativizados em vários estandes. De tão relativo, será possível reunir num mesmo ambiente presbiterianos, “mundiais” e os da Plenitude, sendo a Igreja Mundial do Poder de Deus considerada como “seita” pela Igreja Presbiteriana do Brasil, e sendo a Igreja Apostólica Plenitude de Trono de Deus, com as mesmíssimas características da Mundial e da IURD, apenas ainda não oficializada como seita por faltar literatura a respeito. E observação: a feira é do líder da Plenitude, mas relativizemos a presença dos presbiterianos a título de tentativa de propagação do verdadeiro Evangelho (nada a ver com lucro, espero!).

Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele.
Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.
Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. – 1 Timóteo 6:7-11

Para expandir, o Evangelho não pode ser relativizado. A Palavra não pode ser deturpada, pois perde Poder. O ser humano não pode ser afagado nos púlpitos, mimado, satisfeito em sua vida mundana, mas confrontado com a Verdade, Verdade essa que doi, que machuca, que desagrada, que humilha. A Verdade é que temos uma Cruz a ser carregada, se queremos seguir ao Mestre e Senhor. E essa Cruz é o instrumento nossa morte para o Eu, para o mundanismo deste mundo tenebroso. Uma vez mortos para o pecado, realmente viveremos para Cristo. E, servindo a Cristo, não haverá espaço para servirmos também a Mamom.

O Evangelho relativizado conseguiu o seu propósito: hoje temos, só no Brasil, a grande maioria dos cidadãos ditos cristãos. Porém, essa grande maioria não dá testemunhos de fé e de caráter na mesma proporção. Ao contrário, o Brasil ainda é o país onde proliferam o “jeitinho brasileiro”, a luxúria, a corrupção, o desamor. Ao invés de Frutos do Espírito, o Evangelho relativizado traz Frutos de Iniquidade.

A porta que leva à Salvação é estreita, e poucos passarão por ela. Os que vivem e se deleitam num Evangelho relativizado perigam não conseguir passar por essa porta.

Uma marca dos verdadeiros profetas é que eles não eram adorados pelas multidões, pois suas duras palavras afastavam a muitos. Não se corrige um filho passando-lhe a mão na cabeça e dando-lhe um beijinho na face.

Quem ama disciplina. O líder que ama as ovelhas que Deus lhe confiou não lhes poupa as palavras, pois não deseja ter seu sangue nas mãos.

O Evangelho, por si só, tem força para sua propagação. Ainda é o Espírito Santo quem acrescenta as almas, não nossa eloquência ou os meios midiáticos dos quais podemos dispor.

Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! – 1 Coríntios 9:16

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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Por que as verdades bíblicas não entusiasmam muitos evangélicos?

bibliaalgemas“O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.” – 1 Coríntios 13:6

Neste mês, tive a oportunidade de pregar em diferentes lugares, e algo pude constatar:

Há muitas instituições e seus membros vivendo um verdadeiro engano em relação às verdades bíblicas. Alguns por ignorância, por desconhecimento. Outros, porém, por pura falta de caráter genuinamente cristão.

A partir do próximo mês iniciamos em São Paulo o período das chamadas “feiras gospel”. Atualmente, em São Paulo, temos 3 segmentos. Nos anos 2000 era apenas uma, que subitamente se extinguiu. Essa era chamada de Expo Cristã, feira da qual tive a oportunidade de participar e também de conhecer seu idealizador e produtor.

A Expo Cristã reproduziu o avanço da “explosão gospel”, que inundou o país, transformando e capitalizando todos os sentidos da fé então evangélica. Essa feira transformava em algo visual e palpável os avanços e os desejos de muitas instituições e de muitos ditos evangélicos.

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Em seguimento ao que era mostrado nessa feira, surgiu nos púlpitos a famigerada teologia da prosperidade, uma verdadeira febre a partir dessa época, tornando a igreja um verdadeiro mercado, e as suas lideranças, verdadeiros homens de negócio, onde nasceu o termo pejorativo “pequenas emprejas, grandes negócios”.

Esse período todo é muito bem descrito e explicado no livro Explosão Gospel da Profa. Magali Cunha.

Desde essa década, na visão de muitos pregadores da TdP (Teologia da Prosperidade), a igreja não mais deveria se diferenciar do mundo, mas buscar, de forma veemente, ser igual ao mundo, principalmente no contexto de mercado. Afinal, segundo eles, Deus é o dono de todo o ouro, de toda a prata, e nós, como filhos, devemos tomar “posse”. Para isso, há inúmeros textos, versículos, opiniões que buscar apoiar essas ideias.

Em busca dessa tal igualdade para com o mundo, usa-se de tudo: desde misticismo, mágicas extravagantes, cultos em formato de show e entretenimento, pregações com técnicas de hipnose e neurolinguística, mescla de ritos de outras religiões, ou seja, um verdadeiro vale tudo para tentar impor aos fiéis a crença de que tudo posso naquele que me fortalece.

Tudo isso regado a enormes desafios financeiros, na promessa de que os membros estarão conquistando os céus na terra.

Para as lideranças, esse movimento todo tinha como objetivo aumentar o número de fiéis e expor ao mundo a instituição como representante legal de Deus na terra.

Até aqui eram simplesmente intenções. Porém, como o caráter do homem é o principal foco do pecado, muitas coisas mudaram nas últimas décadas.

Em busca do tal crescimento, da tal prosperidade e da expansão midiática, muitas coisas entraram nesse “negócio”. Hoje está quase impossível se definir o que é pentecostalismo, quase impossível saber o que creem os ditos cristãos históricos e impossível saber os limites das extravagâncias e heresias dos ditos neopentecostais.

Hoje é possível ver presbiterianos, metodistas, batistas, luteranos na prática de métodos de crescimento celular. Há cultos ditos de avivamento, batalha espiritual e campanhas financeiras. Tudo em nome do tal “crescimento”.

A feira citada acima ganhou novos donos, donos esses que não são divulgados. Por exemplo, o proprietário da feira não é citado nos eventos da própria feira. Por que será?

Essas mudanças todas e esse interesse pelo extravagante, pelo moderno, fizeram com as igrejas e suas lideranças entrassem por um caminho obscuro, onde as essências do cristianismo não são relevantes.

O primeiro ponto é que essas práticas em busca do crescimento e da prosperidade ignoram as verdades bíblicas, pois muito do que vemos nesses cultos, seja na liturgia, seja no louvor, seja nas pregações e nas práticas ensinadas, muito, mas muito mesmo foge da Palavra de Deus.

O segundo ponto é o fato de que, em nome do crescimento e da prosperidade, o vale tudo tem criado uma atmosfera onde a verdade é menosprezada, ou seja, não é simplesmente mentir, mas é a vivência em um espírito total de mentiras. Por exemplo, vemos metodistas enaltecendo práticas neopentecostais e desprezando as tradições e a teologia wesleyana de forma pública. Porém, quando interrogados, mentem de forma natural. E isso não é uma prática só dos metodistas, é uma prática geral. É claro que nos pentecostais isso é mais aparente pois são mais numerosos. Outro exemplo disso é que, diante do caos político, social e econômico, pouco vimos de ações envolvendo as lideranças e os evangélicos em prol da ética, contra a corrupção, em prol de um Brasil melhor.

E o por que disso é o fato de muitas lideranças e instituições evangélicas estarem envolvidas até o cabelo com a corrupção e o apoio a políticos e seus partidos. Em busca de crescimento e prosperidade, muitas são as instituições e lideranças que barganham o voto de seus membros por privilégios vindos das verbas públicas.

Um exemplo bem pequenino disso tudo é a concessão de passaportes diplomáticos a lideranças evangélicas. Essa é apenas a ponta do iceberg.

A vivência nessa forma escrachada de mentiras paralisa a ação do Espírito Santo, pois o Espírito Santo é puro e não se envolve em nada impuro.

É preciso dizer que 99,9% de verdade é 100% de mentiras. Não podemos dizer que somos genuinamente cristãos se vivemos em meias verdades.

Um dos pontos centrais do cristianismo é viver a verdade, pois a verdade é o próprio Cristo. Ele mesmo disse isso em João 14:6. E esse foi um dos pontos citados aos fariseus em João 8:32. Os fariseus eram o exemplo máximo dos danos de uma religiosidade focada na tentativa de se igualar ao mundo.

Por diversas vezes, o próprio Cristo cita que o grande mal dos fariseus era a sua hipocrisia. Ou seja, viviam uma espiritualidade puramente aparente, superficial, mas ostentavam uma vida dogmática, cercada de ritos, porém suas essências estavam focadas nas discriminações, desprezo para com os mais fracos e acima de tudo, na prática e na vivência da mentira, pois os Evangelhos destacam que as lideranças tinham acordos e comunhão com o sistema político vigente na época.

Qualquer semelhança com os dias atuais não é mera coincidência.

Estamos vivendo dias catastróficos no meio evangélico. Em nome do crescimento, da prosperidade, a mentira se tornou uma prática comum. Isso fica claro na vida diária de muitas lideranças, pois quando não mentem descaradamente, omitem ou fazem o jogo das meias verdades. A Palavra de Jesus para os fariseus em João 8:32 é viva e eficaz para os nossos dias, pois é preciso que a verdade volte a ser a essência daqueles que se dizem evangélicos. Só assim teremos o verdadeiro testemunho de que somos libertos do mundo e dos seus valores.

Que a igreja não tenha como principal foco o crescimento e a prosperidade, pois isso já são promessas naturais para aqueles que buscam o Reino de Deus. Que nossa sede, que nossa busca seja por um mundo mais justo, com menos desigualdades sociais, econômicas. Que a nossa riqueza não seja nos nossos templos, nem nos jatos, nem nas casas, nem nos carros, nem nos relógios, roupas e joias, nas nossas lideranças e membros, mas que seja no nosso caráter genuinamente cristão, nas práticas do amor ao próximo, na solidariedade, na misericórdia, na promoção da paz.

Que nós, evangélicos, sejamos conhecidos como um povo que vive a verdade e que não negocia nem barganha isso por nada. Sei que isso é um grande desafio, mas esse é o trabalho daqueles que realmente se dizem cristãos.

E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”.
João 8:32

Respondeu Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.
João 14:6

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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O Apóstolo (?) Agenor Duque comete um milagre: ressuscita a ExpoMamom, digo, a Expocristã

duque72012 foi o último ano da Expo Cristã, feira de negócios gospel carinhosamente apelidada de ExpoMamom pelo MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) por ter foco no lucro pela venda de objetos e personalidades gospel, pouco ou nada espelhando a cristandade que carrega em seu título (da mesma forma que não enxergamos o Jesus Cristo estampado nas placas dos templos da IURD). Com o falecimento de Eduardo Berzin Filho, seu criador, a Expo Cristã também teve seu fim.

Até “ontem”.

No início do ano soubemos que um grupo que fazia feiras gospel no interior de São Paulo havia se unido à Rede do Bem, de propriedade do Apóstolo (?) Fred Flintstone-Rei Momo-amaldiçoador de desafetos Agenor Duque. Porém, por causa de suas fantasias de Fred Flintstone, de sua coroa de Rei Momo, de sua mania de amaldiçoar quem o desagrade, além das inúmeras campanhas sincréticas que promove em sua Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus (com o fim de arrecadar mais e mais dinheiro), Agenor Duque não é muito benquisto na comunidade evangélica brasileira. Um exemplo do quanto é “amado” pelos crentes de fora de seu curral, digo igreja, é que não pode sequer pregar na Igreja Batista Getsêmani, mesmo com o (im)Pastor Jorge Linhares se descabelando para elogiá-lo diante de seus fiéis. Tal convite foi uma troca, pois Jorge Linhares pregaria no Congresso Fogo de Avivamento de Agenor Duque.

Se nem em setores neopentecostais Agenor Duque é suportado (seria o Rei das Heresias?), muito menos em setores pentecostais e tradicionais. Assim, estampar o nome de Agenor Duque na frente da tal Expo Cristã seria dar um tiro de canhão no pé, pois poucos, muito poucos decidiriam ligar suas denominações a esse autointitulado Apóstolo (lembrando que o último apóstolo de verdade faleceu há uns 2.000 anos). Assim, buscou-se ocultar de todas as formas o sobrenome Duque, apenas transparecendo que a organização da feira de negócios gospel está nas mãos da tal Rede do Bem.

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Nem na lista de pastores que participarão do Café de Pastores da ExpoMamom Agenor Duque aparece. E olha que ele é um dos organizadores da feira… vai estar queimado assim na churrascaria da esquina!!!

Mas sobre essa “omissão” do nome do Agenor Duque há um outro artigo.

Outro ponto intrigante é o “milagre” da ressuscitação da marca Expo Cristã. Até abril, a feira de negócios gospel do Agenor Duque e cia. chamava-se Expo São Paulo Cristã. Tinha como endereço na web o link www.exposaopaulocrista.com.br, além de ter essa nomenclatura no logotipo e materiais promocionais:

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Porém, como um passe de mágica Agenor Duque e cia. mudaram tudo, apropriando-se da antiga marca Expo Cristã e anunciando ser uma continuação tardia da antiga feira:

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Obviamente, o endereço na web também mudou: www.expocrista.com.br. Tudo isso, pensamos, com o intuito de afastar a relação da feira com o nome do Apóstolo (?) Agenor Duque e tentar, assim, dar alguma credibilidade aos negócios.

Mas enfim, para que serve a Expo Cristã?

Já existe feira literária gospel, feira musical gospel, feira de tecnologia para igrejas gospel. A Expo Cristã, que costumava reunir um pouco de tudo gospel, também era uma simbologia do mercado que havia no Templo há 2.000 anos. Jesus, o Cristo, vendo a situação, usou de um chicote para derrubar as mesas e expulsar os mercadores. O zelo pela Casa do Pai O consumia.

Mas e nós, que somos seus seguidores, por que não nos sentimos consumidos pelo comércio que vemos hoje, dentro e fora das igrejas e em nome de Jesus?

A presença confirmada de figuras como Silas Malafaia, Samuel Ferreira, Renê Terra Nova e tantos outros similares (além da presença “omitida” de Agenor Duque) nos leva a crer que esta edição ressuscitada (vai saber por quais meios) tem tudo para ser a pior, em termos de apostasia, de todas. Como no vídeo acima, prevemos que haja gigante politicagem (no Café dos Pastores já está anunciada a presença de autoridades governamentais), incentivo à idolatria de personalidades gospel, busca por mercadorias de conteúdo duvidoso apenas por estampar grifes de ministérios, clientes àvidos pelo consumo e vendedores desesperados por comissões. Enfim, bem pior até do que a cena que Jesus vivenciou no Templo.

A primeira manifestação pacífica do MEEB foi justamente numa edição da Expo Cristã, em 2009. Dias antes da tal feira, o (im)Pastor Silas Malafaia anunciou em seu programa televisivo a visita de outro (im)Pastor: Morris Cerullo. Esse dito-cujo, com a maior desfaçatez da história, vomitou que viria uma grande crise mundial, mas que “deus” distribuiria a “unção financeira dos últimos dias” a quem doasse “voluntariamente” R$ 900,00 para o Malafaia. Em troca, o fiel receberia “inteiramente grátis” a Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira, que tem ensinamentos estilo “pobreza é escravidão”.

Após assistir ao festival de heresias, e ciente de que haveria uma feira de negócios gospel dias depois, decidimos ir numa loja de transfer e fazer uma camiseta, com a qual andaríamos pela feira numa espécie de protesto silencioso.

O relato de como foi essa primeira manifestação pela volta à pureza e simplicidade ao Evangelho pode ser lida aqui. Após essa, muitas têm sido as oportunidades que Deus tem nos dado de, silenciosamente, através das mensagens em nossas camisetas e nas faixas que estendemos, anunciar o verdadeiro Evangelho.

E agora, em agosto, há mais uma oportunidade. Assim como ressuscitaram a ExpoMamom, se Deus permitir também ressuscitaremos nossa manifestação pacífica nessa feira de negócios para benefício de uns poucos e em nome do Santo, Santo, Santo. Vestiremos camisetas com versículos bíblicos, clamando pela volta ao Evangelho puro e simples de Jesus, o Cristo. Caminharemos pelos corredores da feira, cruzaremos olhares, receberemos expressões de ódio, de indignação, de dúvidas e algumas até de aprovação, mas não temeremos, pois estaremos portando a Espada do Espírito que é a Palavra de Deus. Estaremos no dia 19/08, sábado.

Se você também está se consumindo com o que estão transformando o Evangelho de Cristo, venha participar conosco. Se não puder fazer uma camiseta, pegue uma mais velhinha e escreva de caneta mesmo aqueles versículos que Silas Malafaia, Agenor Duque, Valdemiro Santiago, Renê Terra Nova e afins fazem questão de ignorar. Os lobos precisam saber que foram descobertos. E as ovelhas precisam saber que há lobos em seu meio.

Que possamos destronar Mamom dos corações dos crentes. E entronizar definitivamente a Cristo, o Único Senhor e Salvador, Digno de toda a Adoração.

“E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados.
E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas;
E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda.
E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorou.
Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Que sinal nos mostras para fazeres isto?
Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei.
Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?
Mas ele falava do templo do seu corpo.
Quando, pois, ressuscitou dentre os mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isto; e creram na Escritura, e na palavra que Jesus tinha dito.” –  João 2:13-22

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Marcha para Jesus em São Paulo 2017: o $how tem que parar!

IMG_20170615_110028023Leia também: Uma análise sobre o uso de verbas públicas nas “Marchas para Jesus” parte 2: o caso de São Paulo.

No dia 15 de junho, feriado católico de Corpus Christi, tivemos mais uma Marcha para Jesus em São Paulo (leia aqui artigo sobre as diferenças e semelhanças entre esses dois eventos religiosos). Desde 2009 o Movimento pela Ética Evangélica Brasileira (MEEB) participa das Marchas e pouco ou nada há de diferente.

Comecemos pelo básico: os trios-elétricos. Em outras edições, os trios pertencentes ao dono da marca “Marcha para Jesus”, ou seja, o Apóstolo (?) Estevam Hernandes, seguiam adiante. Assim, os trios da Igreja Renascer em Cristo iam à frente e, no final, os trios menores de algumas outras denominações. Só que, neste ano, só haviam trios da própria Renascer, denotando falta de unidade denominacional. E isso se refletiu no número de participantes, muito menor do que em outras edições. Chegamos a comentar entre nós que havia mais trios-elétricos do que participantes, e isso foi um fato. Excetuando os dois primeiros, onde houve aglomeração de pessoas pela presença dos “líderes”, havia grandes espaços entre os demais trios por falta de pessoas.

Ainda sobre os trios, um fato inédito: pela primeira vez eles passaram do lado direito da avenida, distantes ao máximo possível de onde estávamos com nossas faixas, numa tentativa infantil (para dizer o mínimo) dos “líderes” não visualizarem os dizeres bíblicos que portávamos. Suas consciências devem estar bastante pesadas por conta de suas condutas em relação ao Evangelho para que tal atitude fosse tomada. Enfim, até fingiram não ver as faixas dos “insignificantes” (nomenclatura nos dada pelo tal Apóstolo[?] em 2009), mas demonstraram que 8 gatos-pingados não são grandes e fortes como elefantes, mas podem incomodar muita gente através do Espírito de Deus.

Se os trios passaram distantes, os que marchavam ficaram mais próximos. Assim, muitas pessoas puderam ler as faixas e, quem sabe, refletir sobre elas. Além das “palmilhas gospel”, na qual muitos escreveram pedidos e colocaram dentro dos sapatos para marchar sobre eles, numa estranha “simpatia”, havia os que usavam coroas iguais as do “Burger King”, porém aludindo à Marcha. À propósito, o tema deste ano era Jesus é o meu rei ou coisa parecida, mas em todos os trios-elétricos havia grandes imagens dos Hernandes junto à frase “eu achei meu rei”. Porém, a forma como a imagem e a frase foram dispostas trazia uma conotação negativa. Ficava implícito que o “rei” daquele evento era o Apóstolo (?).

IMG_20170615_114156794_HDRE, como rei, ele tinha o direito de falar o que quisesse e todos lhe diriam “amém” sem pestanejar. E ele sabia disso e aproveitou-se da situação para demonstrar sua fidelidade (momentânea, é óbvio) aos atuais governantes, ainda que envoltos em gigantescas denúncias de corrupção, incluindo áudios e vídeos como o de um deputado carregando uma maleta de 500 mil reais (a “semanada” a qual o governante-mor teria “direito” por ajudar o empresário corruptor a lucrar mais com o meu e o seu dinheiro).

Segundo o UOL Notícias, “Indagado se isso representaria, por exemplo, também a renúncia ou o impeachment de Temer –que foi convidado para o evento, mas não confirmou presença–, o apóstolo negou. ‘Estamos em um processo em que ele já substituiu Dilma Rousseff e, apesar de ele ter o nome citado em delações, não há uma sentença definitiva. Além disso, sinto que o país talvez não suportasse outra mudança tão brusca de rumos –acredito que a mudança mesmo deve vir pelas eleições de 2018’, acrescentou. ‘Isso é o que todo mundo espera.'”

Não, senhor Apóstolo (?). Todo o mundo espera justiça, espera punição exemplar nesta terra para os corruptos e, no caso dos cristãos, ainda há a expectativa de que os bandidos venham a se arrepender dos seus delitos e colocar suas vidas nas mãos do Único Senhor e Salvador.

“Isso é o que todo mundo espera.” Com essa frase, o tal Apóstolo (?) sintetiza o verdadeiro motivo da Marcha (que ele espertamente patenteou com o nome “de Jesus”): mostrar ao mundo que tudo o que for definido e falado por seus organizadores reflete a vontade de toda a população evangélica do Brasil, representada pela multidão atrás do trio-elétrico. Nessa intenção, políticos são convidados e negócios são feitos nos bastidores, de modo que tanto políticos quanto líderes religiosos saiam satisfeitos. Corrupção santa?

Ainda se aproveitando de falar em nome da multidão de crentes, o Apóstolo (?) Estevam Hernandes disse, segundo o UOL Notícias: “Sobre o que o público evangélico espera de um Congresso substancialmente envolvido em escândalos de corrupção? ‘Que se votem projetos fundamentais à retomada da economia, como as reformas Trabalhista e Previdenciária. Pessoalmente, sou a favor de ambas’, posicionou-se o apóstolo.”

Embora o tal Apóstolo (?) diga que pessoalmente é favorável às reformas que tiram direitos trabalhistas adquiridos e dificulta sobremaneira a conquista da aposentadoria pelos cidadãos “normais”, ele deixa claro no início de sua fala que o público evangélico espera a votação de “projetos fundamentais”, ou seja, mais uma vez deixa nem implícito, mas explícito que os evangélicos, que ele diz representar, apoiam as reformas.

É para isso que ele patenteou a marca “Marcha para Jesus”: para usar os participantes como base de seu palanque eleitoral gospel, como fundação que sustenta sua lojinha de negócios gospel.

E é por isso que certas frases escritas em faixas lhe causam tanto medo e mal, a ponto de ter que se esconder delas.

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A verdadeira Marcha para Jesus não tem dono, não é patenteada, não faz barganhas políticas, não busca o próprio bem. A verdadeira Marcha para Jesus é tão dura e tão pesada que só uns poucos conseguem participar. A verdadeira Marcha para Jesus é aquela na qual pegamos nossa cruz e O seguimos. Até a morte do Eu.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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Marcha para Jesus em Juiz de Fora (MG): o $how tem que parar!

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No dia 10 de junho estivemos em Juiz de Fora (MG) para participar da tradicional Marcha para Jesus. Na cidade, está em sua 24a. edição, e é organizada pelo Conpas, o Conselho de Pastores local, que trazia como novidade as presenças “vip” dos (im)pastores Silas Malafaia, Jabes de Alencar e Flamarion Rolando, todos pregadores da famigerada e demoníaca Teologia da Prosperidade, aquela que atrai fiéis com a promessa de bênçãos financeiras e que exige, para tal, “provas de fé” na forma de grandes quantias em dinheiro (aceita-se carros, jóias e casas também). Um exemplo famoso é o da “unção financeira” mais Bíblia da Prosperidade de brinde para quem desse R$900,00 para o Malafaia (porém, nem para o Malafaia essa negociata gospel deu certo).

Enfim, como a Marcha estava marcada para as 12h, estávamos no local desde às 11:30h e estendemos as faixas. Logo percebemos olhares por parte dos que trabalhavam no evento, mas depois – muito depois – entendemos o porquê.

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Os pastores da Conpas vieram falar conosco e, sabendo qual o nosso propósito ali, foram muito gentis. Aliás, fica aqui nosso elogio a todo o povo juizforano por sua educação e amabilidade. Mesmo quem não concordava com nossas faixas não nos hostilizou, ao contrário do que já aconteceu em outros eventos.

Também colocamos como ponto positivo nessa Marcha que, pelo menos enquanto estávamos na praça (até umas 18:30h), não vimos nenhum político no palco. Havia propaganda de apoio da prefeitura de Juiz de Fora, mas o palco não foi maculado com discursos políticos ou com “orações” para quem pudesse, posteriormente, “retribuir” com as igrejas presentes.

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Falando em igrejas presentes, lá estavam algumas Igrejas do Evangelho Quadrangular e algumas pentecostais. As igrejas históricas de Juiz de Fora e neopentecostais como a do R. R. Soares não participaram. Na pequena multidão havia senhores e senhoras com suas bíblias, mas majoritariamente jovens. A grande maioria só chegou depois das 18h.

Estendemos nossas faixas e lá ficamos. Pessoas se aproximaram para melhor ler, receberam folhetos, algumas apoiavam, outras iam embora. Percebemos alguns homossexuais dispersos na praça e só entendemos à noite: por conta da presença de Silas Malafaia, um grupo LGBT havia marcado, pelas redes sociais, um protesto pacífico. Porém, até o momento em que lá estivemos, nada aconteceu.

Do lado do palco havia uma espécie de camarote, onde moradores de rua dormiam. Foi emblemático que eles tiveram que sair do local que os protegia para dar lugar aos preparativos da Marcha. E mais emblemático ainda que se colocaram ao lado das faixas, sendo que um deles aproveitou a sombra delas para se proteger.

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E começou o show gospel. Cantores e bandas se alternavam a propagandas dos patrocinadores. Havia de apartamentos com iniciais de apenas R$ 299,00 a sorteio de lava-jato e martelinho de ouro. Talvez tocados pelas faixas, os apresentadores a todo momento lembravam o público de que o “show” ali era no sentido da tradução “mostrar”, não de espetáculo ou entretenimento.

Como sempre, teve o tal “ato profético”, pelo qual muitas e muitas vidas seriam salvas através da Marcha para Jesus.

Mas o mais triste foi ouvir dos apresentadores, volta e meia, que aquela era a “segunda” maior Marcha do Brasil, só perdendo para São Paulo. E que era a “maior” Marcha da região. E nem foi pelo fato de acharmos, quando muito, que no total havia umas mil pessoas (e que Marchas como a de Guarulhos [SP] devem ter muito mais adesão). O triste é ver que, enquanto Jesus ensinava Seus discípulos que em Seu Reino o maior era o menor, muitas igrejas ainda vão pela lógica daquele que tentou a Cristo no deserto, a lógica do “quanto maior, melhor”. Não dá para entender esse desejo gospel de destaque, de ser o maior, o melhor, o mais rico, o mais poderoso, o com o templo mais majestoso, o com o carro mais possante.

Lembremo-nos de Jesus, que deveria ser nosso foco, nosso baluarte: Ele lavou os pés dos discípulos. E nós, líderes deste tempo, o que fazemos? Queremos que as ovelhas lavem não apenas nossos pés, mas nossas mãos e nossa cabeça também.

No mais, o de sempre em todas as Marchas: à tardinha, após muita música gospel, todos saíram em Marcha pelas ruas da cidade, ao som de vários ritmos, indo do forró ao funk gospel. Havia três trios-elétricos (sem fotos de pastores e apóstolos, outro ponto positivo), mas em nenhum os “vips” estavam presentes. Anoiteceu, enrolamos nossas faixas e fomos embora, mas de onde estávamos hospedados dava para ouvir o que ocorria no evento. Assim, ouvimos Jabes de Alencar, Flamarion Rolando e Silas Malafaia pregando por pouco tempo. Malafaia, quando muito, falou uns 20 minutos. Acreditamos que as ausências nos trios e o pouco tempo no palco se deveu pelo receio de manifestações dos grupos LGBT.

Nossa oração é para que todos os que tiveram acesso a nossos folhetos e às faixas possam refletir sobre seu papel na Igreja, no Corpo de Cristo. É para que, numa próxima edição da Marcha em Juiz de Fora, não haja a necessidade de afirmação como “uma das maiores” ou promessas de que todos da cidade serão salvos, pois quem acrescenta os salvos é o Espírito Santo, pela Sua vontade, cabendo aos cristãos apenas testemunhar e pregar o Evangelho. Que não haja “atos proféticos” para crescimento dos evangélicos, mas que haja arrependimento e verdadeira conversão daqueles que buscarem a Cristo. Oremos para que o avivamento e a transformação se inicie dentro da Igreja e que esse movimento transborde pelas ruas da cidade, atingindo a todos que se dispuserem para tal. E oremos para que não seja necessário pagar cachês para (im)pastores e artistas gospel, pois se a Marcha é para Jesus quem dela participa o deveria fazer de graça, pois é para Ele, não para o benefício próprio.

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Dia 15 de junho é a vez da Marcha para Jesus em São Paulo. Se concordar e puder, venha estender faixas conosco.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre!

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Uma análise sobre o uso de verbas públicas nas “Marchas para Jesus” parte 2: o caso de São Paulo

Leia também Uma análise sobre o uso de verbas públicas nas “Marchas para Jesus”.

“Os seus sacerdotes violentam a minha lei, e profanam as minhas coisas santas; não fazem diferença entre o santo e o profano, nem discernem o impuro do puro; e de meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles.” – Ezequiel 22:26

Nessa segunda parte, o foco será o estudo de caso da Marcha para Jesus de São Paulo edição 2017, no que tange ao recebimento de verbas públicas para sua realização.

Todos os anos, os vereadores enviam emendas ao Projeto de Lei Orçamentária do Município. São pedidos diversos de verba: ajuda a hospitais, escolas, eventos culturais, parques, atividades esportivas, etc. Esses pedidos são analisados e, caso aprovados, passam a fazer parte do Projeto de Lei.

Na cidade de São Paulo temos, para 2017, o PL 509/2016, que trata do orçamento do município. Nele estão previstos todos os gastos possíveis, respeitando-se a receita disponível. Segundo o Parecer 1698/2016, foram propostas 6366 emendas para o orçamento paulistano de 2017, contempladas no todo ou em parte, dispostas em 214 páginas. E, entre essas emendas, uma que nos chama especial atenção: a que define uma verba de 800 mil reais para a realização da Marcha para Jesus de São Paulo 2017 através da emenda E59 MAIS 800 mil para a infraestrutura e serviços utilizados no evento, através da emenda E1066, totalizando 1 milhão e seiscentos mil reais.

Vejamos as páginas 77 e 78, na qual consta as autorizações de verbas públicas para a Marcha para Jesus paulistana:

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Na primeira imagem (a título de exemplo) do parecer temos como maior valor justamente os 800 mil para a Marcha para Jesus. Dividem a página a verba de 100 mil reais para apoio à realização de diversos eventos do calendário municipal, 200 mil para campanhas e eventos do interesse da cidade, 70 mil para infraestrutura para realização de eventos da SVMA e 145 mil para infraestrutura de 2 feiras culturais e um evento católico.

A diferença de verbas assusta? Infelizmente, vai assustar ainda mais.

A seguir, pinçamos alguns outros exemplos de emendas para melhor demonstrar que a Marcha para Jesus, embora sendo um evento religioso, conseguiu um valor muito superior ao direcionado a outros setores do município (tudo pode ser comprovado no site do Parecer do Projeto de Lei Orçamentária de São Paulo 2017):

E4513 – Compra de Material Permanente para o Hospital Municipal do Tatuapé Dr.Carmino Caricchio, Av. Celso Garcia, 4815 – Tatuapé: R$ 300.000,00

E1435 – Aquisição de Equipamentos para o Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Correa Netto – CNPJ: 46.392.148/0026- 78: R$ 100.000,00

E87 – Contratação de Serviços e Equipamentos para Realização de Eventos (Palco, Iluminação, etc): R$ 500.000,00

E592 – Reforma e Acessibilidade de Passeios Públicos: R$ 800.000,00

Ainda não está chocado(a)?

E1341 – Urbanização de Favelas, Obras e Serviços em Prol da População de São Paulo: R$ 1.000.000,00 (já pensou se fosse R$ 2.600.000,00 quantas pessoas mais poderiam viver em melhores condições?)

E1472 – Construção de Moradias Populares por Autogestão: R$ 20.000,00 (não, não estão faltando zeros. São apenas 20 mil para a construção de casas em regime de mutirão na cidade de São Paulo – já pensou se fosse R$ 1.620.000,00, quantas pessoas seriam beneficiadas?)

E598 – Melhoria da Qualidade e Ampliação do Acesso à Educação na Rede Municipal de Ensino: apenas R$ 200.000,00

E123 – Campeonato Paulista de Karatê – Adulto – Federação Paulista de Karatê: R$ 168.181,00

Há uns 2 meses, passando em frente ao Shopping Plaza Sul vimos alguns rapazes de quimono fazendo “pedágio” no semáforo. Eram integrantes da Seleção de Karatê, qualificados para participar de um campeonato no exterior, porém sem dinheiro para as passagens. E estavam ali, pedindo para cada motorista qualquer quantia que os pudesse ajudar. E não custa lembrar que esses mesmos garotos – e muitos outros de outros esportes também esquecidos – estarão se desdobrando para representar o Brasil nas próximas Olimpíadas.

E1359 – Realização de Projeto de Cursos de Qualificação Profissional, a Serem Realizados em Entidades, em Parceria com Entidades Sociais: R$ 400.000,00

E3841 – Atendimento a Crianças e Adolescentes em Situação de Rua: R$ 750.000,00

E3929 – Parada LGBT Anual do Município: R$ 30.000,00

E1163 – Fornecimento de Infraestrutura e Serviços para Realização dos Eventos 24ª FESTA DAS NAÇÕES no Cangaíba Lei 15.927/2013, FESTA JUNINA no Cangaíba Lei 16.038/2014 e 5ª FESTA ARRAIAL SÃO JOÃO nas ruas do Brás Lei 15.785/2013: R$ 170.000,00

Veja a diferença… Para a “infra” da Marcha para Jesus, 800 mil. Já a “infra” de 3 festas católicas, com duração de mais de um dia cada, tem o gasto de R$ 170.000,00.

Alguma coisa está errada, não?

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Bom, na Marcha para Jesus há um palco para apresentação dos artistas gospel e há os trios-elétricos, cobertos com fotos do casal Apóstolo (?) Estevam e Bispa (???) Sonia Hernandes e outros pastores. Normalmente, uns dez trios-elétricos, entre os luxuosos estilo Carnaval de Salvador e os mais simples, bem pequenininhos mesmo. Ligamos para uma empresa que aluga trios-elétricos para ter uma noção de preço. Um trio com 12 metros sai por volta de 6 mil reais por um período de 6 horas. Já se tiver 24 metros custará cerca de 12 mil reais. Supondo por alto (bem por alto) 10 trios de 24 metros, o gasto seria em torno de 120 mil reais.

Não chegamos a pesquisar montagem de palco, mas não creio que saia mais do que uns 500 mil reais.

Assim, daria uns 620 mil reais por alto. Haveria um troco dos 800 mil de “infra”, que pagaria – e muito bem!!!! – todos os cachês de todos os artistas gospel que estarão “louvando a Deus” no evento.

E ainda sobram os outros 800 mil reais. Como as camisetas da Marcha são bem pagas e tudo na Marcha é vendido ou patrocinado, não conseguimos usar de criatividade para entender no quê esse valor restante será gasto. Mas enfim…

A verdade é que o uso de verbas públicas em eventos religiosos pode ser legal (no caso em estudo, as verbas estão previstas no Orçamento), mas é imoral. É imoral porque vivemos um momento de crise (e mesmo se não o vivêssemos), sendo pelos próprios ensinos de Cristo necessário cuidar dos mais necessitados, ao invés de fazer espetáculo pelas ruas para demonstrar poder pela força numérica e pelo alto volume das músicas entoadas. É imoral porque a Marcha para Jesus tem dono, foi patenteada pelo Apóstolo (?) Estevam Hernandes e pertence a ele, servindo para sua afirmação espiritual e política sobre a multidão. É imoral porque Jesus, que dá nome à Marcha, nunca buscou holofotes e poder político, mas se despiu de Sua Majestade para caminhar no meio de nós.

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E falando em caminhar, onde Jesus estaria na Marcha que dizem ser Dele?

Talvez estivesse caminhando entre a multidão, enquanto Herodes e os sacerdotes estariam no alto dos trios-elétricos. Talvez Jesus não acompanhasse toda a Marcha, pois estaria ocupado ajudando aqueles com dificuldades na caminhada. E talvez, se mesmo assim chegasse ao lugar do palco principal, pegaria seu chicote e repetiria a cena que se deu no templo.

As igrejas deveriam ser as primeiras a não lesarem o Erário. Afinal, são entidades isentas da cobrança de impostos. Mas os lobos em pele de cordeiro não se escandalizam em desviar recursos que poderiam ser utilizados na promoção do bem comum. O importante, para eles, é satisfazer seus próprios ventres.

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Mas aí alguém vai dizer que quem fez as emendas foram os vereadores, políticos eleitos pelo povo.  E aí vemos, na prática, o porquê de grandes igrejas se empenharem tanto para eleger os políticos amigos. A união Igreja-Estado já se mostrou virulenta desde os tempos de Constantino e os lobos continuam apostando nessa nefasta parceria.

É ultrajante e vergonhoso ver tantas pessoas desempregadas, endividadas, vivendo em condições precárias ou mesmo nas ruas, ver doentes jogados em macas nos corredores de hospitais, ver crianças tendo roubado o seu direito de estudar e brincar, e ao mesmo tempo ver que no dia 15 de junho de 2017 haverá um Carnaval Gospel pago com dinheiro que poderia mudar a vida de muita gente. Como cristãos estamos profundamente enojados de tudo isso.

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Não foi fácil revirar todo esse lixo para trazer esse artigo a vocês, mas é necessário. Que o Remanescente possa bradar contra toda essa abominação feita em nome do Santo Santo Santo Deus. Que a verdadeira Igreja se diferencie das demais por seu amor, sua justiça e sua ética cristã. Que os valores de Cristo se sobreponham aos ilusórios valores deste mundo.

Que sejamos Sal e Luz para este mundo, não aproveitadores covardes de recursos que pertencem a todos, e não apenas à nossa comunidade.

Que quem veja a nós, veja a Cristo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

“Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado.” – Ezequiel 16:49

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