Marcha para Jesus em São Paulo versus Corpus Christi: diferenças e semelhanças

Dia 26 de maio de 2016 muita gente não vai trabalhar. É dia de Corpus Christi, ou Corpo de Cristo, uma festa católica que, segundo o site Significados, “tem por objetivo celebrar o mistério da eucaristia, o sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo”. É uma festa muito bonita, especialmente nas cidades do interior, onde por tradição os fiéis confeccionam pelas ruas tapetes com serragem, flores e outros materiais, espelhando passagens bíblicas e símbolos católicos. E sobre esse tapete passa a procissão, todos a pé (desde o padre ou bispo até os fiéis), contritos, em oração, alguns carregando imagens de santos conforme sua fé. No início ou no fim da procissão há uma grande missa, segundo a liturgia católica. Tudo ocorre em clima de grande respeito e temor, afinal se encontram na presença do seu Deus.

O vídeo a seguir, de menos de 2 minutos, nos dá uma ideia dessa festa:

a01Porém, na cidade de São Paulo, a partir deste ano a festa católica de Corpus Christi terá que dividir espaço com a festa evangélica da Marcha para Jesus, isso segundo uma lei sancionada pelo Governador Geraldo Alckmin na presença da cúpula da Igreja Renascer em Cristo e da bancada evangélica estadual (confira no vídeo a seguir, de 3:32 minutos):

Gostaria de destacar, nas falas deste vídeo, parte do discurso da Bispa Sônia Hernandes:

“A bancada evangélica se mobilizou. Hoje é um dia de muitas atividades aqui dentro da Assembleia, mas a bancada toda estava aqui. Glória a Deus, eu preciso falar isso para que você saiba que Jesus nos une. […]”

a02Imagino a importância de uma lei que transfere o dia da Marcha para Jesus (que nacionalmente é no primeiro sábado 60 dias após a Páscoa, segundo lei sancionada pelo então Presidente Lula em 2009 numa tentativa de se aproximar na época do eleitorado evangélico) para o mesmo dia de uma importante festividade católica! Tal lei deve ser mesmo muito importante, pois segundo a fala da Bispa Sônia (coincidentemente a maior interessada no assunto), embora houvesse muitas atividades dentro da Assembleia Legislativa de São Paulo, ainda assim a bancada evangélica largou tudo apenas para apoiar a sanção da tal lei.

E o que será que ficou “de lado”? Votações de projetos de interesse do resto da sociedade?

Bom, como o objetivo deste artigo é comparar as Marchas para Jesus com as festas de Corpus Christi, assista agora ao vídeo institucional da Marcha para Jesus no Rio de Janeiro 2015 (lembrando que neste ano não haverá esse evento na cidade maravilhosa por falta de apoio ($$$) da Prefeitura do Rio e de políticos envolvidos em corrupção):

Vê as diferenças? Com certeza, muito mais do que semelhanças.

a03Como semelhanças entre os dois eventos religiosos, temos:

  • serem eventos religiosos;
  • terem Jesus no nome do evento (Corpus Christi, a partir de agora denominado CC e Marcha para Jesus, a partir de agora denominado MJ).

a04E as diferenças?

  • No CC, os sacerdotes estão entre o povo. Na MJ, distantes do povo, em cima de trios-elétricos;
  • No CC, a caminhada se dá em clima de contrição e oração. Na MJ, a caminhada se dá em clima de festa e entretenimento;
  • No CC, ocorre no início ou no final uma celebração litúrgica. Na MJ, no final ocorre uma série de discursos de políticos e shows de música gospel;
  • No CC, não há a participação de políticos, e se há, não são expostos no púlpito, caminhando junto ao povo. Na MJ, há grande participação de políticos, com direito a discursos, e com exceção de um deputado no vídeo (que queria um corpo a corpo eleitoral), costumam estar junto com os sacerdotes em cima dos trios-elétricos, na intenção de demonstrar apoio aos evangélicos e assim conseguir seus votos;
  • a05No CC, a música é a dos louvores segundo a liturgia católica. Na MJ, os músicos são normalmente os das gravadores evangélicas patrocinadoras ou das igrejas participantes, com o intuito de entreter a plateia e apresentar seu trabalho (objetivando a venda de cd’s e de convites para shows em igrejas e outros eventos gospel);
  • No CC, existem imagens de santos católicos, de Maria e de Jesus. Na MJ, estampam os trios-elétricos grandes fotos dos líderes evangélicos e dos cantores gospel;
  • No CC, os sacerdotes católicos anseiam apenas seguir a liturgia, levando os fiéis à oração e adoração a seu Deus. Na MJ, os sacerdotes evangélicos anseiam estreitar alianças políticas, entreter o povo e arrebanhá-los para suas nababescas igrejas e demonstrar aos políticos e à sociedade seu grande poder e influência sobre a multidão que caminha atrás dos trios-elétricos.

Como se vê, há mais diferenças do que semelhanças. E o mais triste, mais diferenças negativas para a Marcha para Jesus em relação à festa de Corpus Christi.

No vídeo a seguir há outro evento, que muito se assemelha às Marchas para Jesus (menos de 2 minutos):

Se Wesley Safadão, que se diz evangélico, apenas acrescentasse a palavra “Jesus” na letra de sua música, transformaria sua performance no carnaval de Salvador num legítimo evento gospel estilo Marcha para Jesus.

Não queremos, com este artigo, incitar os evangélicos a imitar os católicos. Os cristãos devem imitar a Jesus Cristo e aos seus Apóstolos (os de verdade, não os autodenominados do nosso tempo). Porém, os evangélicos precisam reconhecer que nos falta temor e tremor de Deus. Deveríamos nos dirigir a Ele em arrependimento, contrição, súplicas e lágrimas, não com interesses políticos e financeiros, ou como forma de entretenimento e desculpa para o remelexo do corpo e da alma. Afinal, temos visto que a situação no Brasil e no mundo tem piorado dia após dia, cumprindo-se o que diz as Escrituras: que os últimos dias seriam muito maus.

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Ao invés de pular e gritar pelo(a) cantor(a) gospel ou pelo líder evangélico, ao invés de aplaudir os políticos após seus maravilhosos discursos em nome de Jesus, que possamos nos ajoelhar e suplicar por perdão. Perdão para nós, para nossas famílias, para nossa cidade, para nosso país, para o mundo. E que possamos impactar o mundo por nossos atos de justiça, não por interditar o trânsito das cidades durante nossa micareta gospel, que deixa um grande rastro de sujeira pela cidade (pois até os evangélicos jogam lixo nas ruas, principalmente nesses grandes eventos).

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A Marcha para Jesus não é para Jesus. É para a vaidade dos líderes que as organizam e para a demonstração do poder dos lobos sobre a multidão, vendendo esse poder (na forma de votos) aos políticos que assistem, do alto dos trios-elétricos e do palco principal, à grandiosidade do rebanho. E quanto mais público (ou seja, mais votos), mais cara é a negociação. A sanção da lei da Marcha para Jesus foi apenas uma pequena parte do pagamento pelo apoio conseguido.

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No dia 26 de Maio de 2016, às 10 horas, haverá um pequeno grupo estendendo faixas com versículos bíblicos e frases que possam, pela ação soberana do Espírito Santo, levar parte da eufórica multidão a refletir sobre o verdadeiro motivo de estar ali. Diante da multidão são mínimos, insignificantes, mas lá estarão como juízo de Deus para que, Naquele Dia, ninguém diga que não sabia.

Se você quiser e puder, venha participar conosco. Basta chegar e se ajuntar. Quanto mais pessoas, mais faixas poderão ser abertas (há muitas faixas, mas poucos são os trabalhadores).

Jesus não veio ao mundo para reivindicar o poder terreno, mas nós que nos dizemos seguidores Dele temos feito isso, às custas da ética e dos Seus ensinos. Para alcançar o poder, temos fechado os olhos para a corrupção em nosso meio, trazendo assim grande escândalo diante do mundo, que atualmente relaciona a palavra “evangélico” com mentira, corrupção e desonestidade.

Que nos arrependamos e venhamos a ser sal e luz neste mundo em trevas. Mesmo que isso signifique cortar em nossa própria carne.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!!!

UM IMPORTANTE ADENDO: No vídeo a seguir, que foi direcionado apenas para os membros da Igreja do Evangelho Quadrangular (pois, obviamente, não poderia ser transmitido nacionalmente pela tevê), Malafaia claramente diz, a partir do minuto 1:35, que os fiéis devem votar nos candidatos indicados por seus líderes religiosos:

“O seu pastor, o seu líder, a sua igreja têm orientado a você para votar em pessoas que têm a condição de se eleger”

Será que ainda lhe resta alguma dúvida de que somos manipulados, e de que as Marchas ditas para Jesus são apenas o fazendeiro mostrando o rebanho para o abate?

 

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Um governo para chamar de seu

MALAFAIA1(Porque andamos por fé, e não por vista). 2 Coríntios 5:7

Este é mais um artigo onde tentarei expor meu repúdio aos atos praticados pelo sr. Silas Malafaia. Meu repúdio é pelo fato de mais uma vez ele se aproveitar do momento sócio-político do nosso país, tentando passar a imagem de que é o representante legal de todos os evangélicos do Brasil.

Vivemos dias extremamente turbulentos no que tange à nossa realidade político-econômica, e isso não é um fato novo em nossa história, como também não são novos os motivos que nos levam a esse caos. Novamente, nosso cenário político é abalado por denúncias de corrupção, pela incompetência dos atuais governantes e pelo descaso com a realidade de inúmeros brasileiros. Novamente o país é abalado por uma recessão desenfreada, produzindo uma inflação desesperadora.

Isso tudo já é um retrato velho do Brasil, retrato esse que se repete com personagens novos, porém com os danos de sempre. Nessa semana, tivemos o impeachment de mais uma governante, governante essa que teve o apoio de inúmeras lideranças evangélicas.

Por que cito inúmeras? Porque hoje os evangélicos se tornaram parte de suma importância no cenário político eleitoral. Cada evangélico representa um número importante na somatória de votos, que pode eleger certo candidato, trazendo enorme prestígio para partidos e indivíduos políticos.

Nas últimas décadas, várias lideranças tiveram seu momento de aparição dentro do cenário político, mas nenhum buscou tamanho destaque como Silas Malafaia. No Estado do Rio de Janeiro já está em evidência desde as primeiras candidaturas de Antony Garotinho, que é o mais notório dos candidatos, pois sua atuação inclui outros nomes.

Malafaia encabeça as lideranças que têm como projeto o tal “o Brasil será do Senhor Jesus”, projeto esse que visa ter um presidente da República evangélico. Para isso, Silas não tem poupado esforços, infiltrando-se nos meios políticos, buscando a todo custo interagir e aparecer como representante legal do povo evangélico.

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Desde seu apoio a Garotinho, o investimento nesse marketing político-religioso tem sido sua principal frente de trabalho. Para isso, comprou briga com os grupos LGTBs com o enredo de luta pela família e tomou a frente da Marcha para Jesus no Rio de Janeiro, transformando o evento num grande palanque para candidatos e eleitos de grande repercussão nacional.

Em meio a tudo isso, elegeu familiares a cargos públicos, bem como muitos aliados. Tornou-se amigo de políticos influentes, indo parar até mesmo na programação da Rede Globo (rede de televisão que combateu e endemonizou por muitos anos).

Não posso dizer que seus objetivos midiáticos não foram alcançados. Silas se tornou uma figura conhecida, fazendo questão de ser extravagante, arrogante, demonstrando sempre ser um camarada ambicioso, que busca o sucesso a todo custo. Com entrevistas do tipo a que deu na Revista Isto É, onde declara sua riqueza expondo um relógio de marca de alto custo, sem contar sua referência de que só usa roupas de grife estrangeira, os carros e casas de luxo. Porém, a cada sábado faz cara de choro ao mendigar ofertas dos irmãos para custear os seus programas de tv em rede nacional.

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Um ser bastante contraditório, pois em meio aos políticos, nas reuniões partidárias, se faz o dono da bola. Mas na tv se faz de um homem que necessita dos favores de muitos desconhecidos.

Silas age de forma premeditada, calculada, escolhendo a dedo seus apoios. Sabe onde quer chegar, pois sabe o quanto custa o poder. Para isso, se aliou a Eduardo Cunha e deu total apoio ao mesmo até que chegasse à presidência do Congresso Nacional, cargo esse em que fez questão de enfatizar seu apoio no palanque da Marcha para Jesus.

Porém, quando Eduardo Cunha entrou em desgraça, mediante as denúncias da Lava-Jato, Silas desconversou e até desmentiu seu apoio a Eduardo Cunha.

Silas se esquece que muitos como eu estavam presentes naquele dia na Marcha para Jesus. Nos últimos meses, Silas tem retirados os seus vídeos das redes sociais, como o vídeo onde ele critica a Igreja Universal e suas lideranças, vídeo apoiando Antony Garotinho, vídeo criticando severamente a Rede Globo e suas lideranças, vídeo criticando as metodologias modernas do universo neopentecostal e principalmente vídeos onde o mesmo critica a Teologia da Prosperidade.

O mais constrangedor de tudo é que atualmente o mesmo se contradiz de tudo pelo que um dia lutou e combateu.

Já fui severamente criticado por Silas, em decorrência de muitos outros artigos que aqui escrevi. Porém, observo que Silas se perdeu totalmente em seu referencial, no sentido das essências do verdadeiro cristianismo, pois em meio a todo o processo de impeachment, na exclusão de Eduardo Cunha como presidente do Congresso, Silas e demais autoridades eclesiásticas do universo pentecostal estiveram calados. Pouco se ouviu. Porém, com a confirmação do impeachment de Dilma, não só Silas, mas outros como Marco Feliciano apareceram como grandes apoiadores do novo governo.

Marco Feliciano aparece em um vídeo chamando o então vice-presidente de presidente e de irmão (nas últimas décadas tinha-se no cenário evangélico as suspeitas de que Temer era satanista) e desmentindo as possibilidades de Temer ser membro de religiões ocultistas.

Nessa semana, Silas Malafaia aparece no cenário, pois o então e agora presidente em exercício Temer é a bola da vez. Então Malafaia, agindo em prol de seu projeto, aparece em cena como o benfeitor dos evangélicos, orando e abençoando ao novo mandatário.

Muitos podem dizer: mas não é o certo abençoar? Sim, eu concordo. Porém é preciso avaliar todo o contexto. Temer está tomando posse em meio ao turbilhão político, onde o principal foco é que o governo está sendo tomado através de processos de um golpe, sem contar que Temer representa um conjunto de siglas partidárias, fruto de inúmeras acusações e denúncias na Lava-Jato (tanto é que o atual ministério de Temer possui 7 candidatos investigados na Lava-Jato).

A Bíblia nos orienta de que não devemos nos aliar a jugo desigual:

Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? 2 Coríntios 6:14

O mesmo Silas pede em seus programas de tv que seus críticos, antes de criticá-lo, avaliem tudo o quanto ele diz. Então, sr. Silas, não é contraditório tudo quanto o sr. tem feito em busca do poder e em relação às Sagradas Escrituras?

Silas Malafaia tem feito de tudo para ter um governo para chamar de seu, pois o mesmo quer ter o status de homem mais influente e poderoso deste país.

Creio que ele não vá parar nessa busca incessante. Porém, sr. Silas, assim como Deus usou inúmeros profetas para alertar e exortar aos reis e aos povos de Israel em seus erros, eu também te alerto:

“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” – Mateus 16:26

“Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” – Apocalipse 3:17

Nos últimos anos, tenho anunciado em todo canto que a Igreja brasileira precisa voltar-se ao Evangelho puro e simples de Jesus, o Evangelho que não se alia aos poderes deste mundo; o Evangelho que não se envaidece com os tesouros deste mundo.

Silas é o pregador do triunfalismo. Chama de idiotas os que não são gananciosos e que não querem tesouros nesta terra, mas sim tesouros nos céus.

Não sei onde vai dar o governo Temer, porém de uma coisa eu sei: a Bíblia nos orienta a não barganhar a glória de Deus. E também nos orienta que a nossa esperança vem Daquele que criou os céus e a terra.

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Que muitos tenham seus olhos abertos para as verdades que homens como Silas tentam esconder. Silas usa os evangélicos como moeda de troca e barganha com as forças políticas dispostas a pagar pelo apoio. Essa é a verdade que poucos têm a coragem de dizer.

Em meio a tantas sujeiras, falcatruas do meio político, Silas tenta fazer com que muitos acreditem que possa haver transformações. Eu creio num Evangelho transformador, transformador do caráter de cada indivíduo, mas creio numa transformação sem segundas intenções, sem a intenção de lucro e enriquecimento que saciam as vaidades e as ganâncias.

Creio num Evangelho que tenha o poder de transformar uma nação. Porém, pra que isso aconteça é preciso que esta nação se arrependa dos seus pecados. E pecado também é corrupção, omissão, hipocrisia, covardia, ganância, pecados esses que parecem que muitas lideranças evangélicas se esqueceram.

Recentemente tivemos a notícia de que o pastor Samuel Ferreira, líder da Assembleia de Deus Madureira, será ouvido pelo juiz Sergio Moro na investigação da Lava-Jato. Circula em muitos meios de que a fonte de investigação é a relação das propinas de Eduardo Cunha com as principais lideranças evangélicas.

No dito popular, onde há fumaça há fogo.E nesse caso, é fogo estranho.

Quem sabe é embaixo deste tapete que estão as respostas para os porquês de cada fortuna representativa dos grandes templos, das redes de rádio e tv, jatinhos, carros de luxo e a vida de reis que muitos levam.

Pastor aliado de Cunha será investigado pela Lava Jato

Será que o Brasil terá que passar pelos mesmos escândalos da Coreia do Sul?

Estou fazendo o meu papel de profeta, anunciando ao Cristo Ressurreto, que em breve voltará para buscar um povo zeloso, santo e com boas obras, e que não envergonha o nome do Senhor.

Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz à Igreja.

Voltemos ao Evangelho puro e simples, o $how tem que parar!

Paulo Siqueira

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Um país de mãos sujas

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Nos últimos meses, o país tem sido tomado por uma avalanche de denúncias de corrupção, transformando a atual crise econômica em uma crise também política. O que antes era apenas um conjunto de ideias, agora passou a ser expressa de forma clara por muitos, pois o Brasil se dividiu em apoiadores da direita e da esquerda.

Uma palavra ganhou destaque, além da palavra corrupção: democracia. Muitos foram e são os que se denominam defensores da tal democracia.

Como teólogo e também sociólogo, gostaria de expressar neste artigo minhas opiniões a respeito de tudo o que estamos vendo. Primeiramente gostaria de dizer que tenho uma posição apartidária, pois, na minha opinião, o problema da corrupção no Brasil não é de um partido ou de outro: é uma situação cultural, instituída no país desde o nosso descobrimento. Somos um povo culturalmente corrupto. Para muitos, isso se chama “jeitinho brasileiro”. O tal “jeitinho” são habilidades para criar contravenções e burlar regras e leis.

É comum no Brasil muitos atribuírem a honestidade e o bom caráter somente no sentido das grandes coisas. Muitos dizem: “eu nunca roubei nem matei”, porém aquele que desvia dinheiro com a corrupção indiretamente mata e rouba.

É comum muitos comprarem a carteira de habilitação, adulterar a declaração do imposto de renda, ter sempre uma perspectiva de vantagens em tudo o que se faz. Isso vai de uma simples discussão a um negócio. Somos o país onde, se o problema não é meu, não me interessa. Não me importo com a violência policial, desde que não seja com um familiar meu. Não me importo com uma catástrofe natural, afinal eu moro bem. Por que vou me preocupar com o desemprego, se estou bem empregado? E dessa forma, muitos são os que não se preocupam com a situação ético-moral do país.

Num país como o nosso é comum a expressão “a ocasião faz o ladrão”. E em meio a tudo isso temos os evangélicos.

Hoje, no Congresso Nacional e também no Senado, os representantes da “bancada evangélica” são bastante numerosos. Alguns são totalmente impercebíveis, porém alguns nos últimos anos fizeram questão de ganhar notoriedade através do desserviço ao povo brasileiro. Exemplo disso: o sr. Marco Feliciano.

2aypx7ijr4_6dqq6q316a_fileEm meio à guerra ideológica que tomou conta do país, temos também inúmeros ditos evangélicos – que também dizem lutar pela tal democracia. A questão é que estamos vivendo uma crise às custas da soberba e da ganância desenfreada de muitos que ganharam do povo a oportunidade de trabalhar pelo povo. Pode ser ingenuidade minha, mas essa é a essência do serviço público. Ah sim, lembrando: deputados, senadores, presidente, ministros são servidores públicos, ou melhor, deveriam ser.

O que vemos é uma grande farra, irresponsável, com as verbas públicas. O que está em jogo em meio a tudo isso é a vida de muitas pessoas. É a vida com qualidade, pois o Erário desviado das suas principais funções gera fome, miséria, a morte de diferentes formas. A morte vem pela falta de um medicamento, de um aparelho, pela falta ou incapacidade ou incompetência de um profissional ou de uma estrutura, seja ela hospitalar ou escolar.

Vivemos em um país onde a grande maioria não tem saneamento básico, não tem moradia, não tem educação. E quando tem essas coisas, as tem de forma precária, de má qualidade. Somos o país com as menores verbas para pesquisas e para a produção de bens para o povo.

Triste que, em meio a tudo isso, a tal “bancada evangélica” é totalmente nula, pois dos projetos apresentado, todos são de interesses individualizados às instituições religiosas que eles representam ou de interesse pessoal de cada um. A tal “bancada evangélica” se resume a concessões de rádio, tv e jornais, datas comemorativas, passaportes diplomáticos, liberação de impostos ou encargos, liberação de terrenos e nada mais.

Uma pena, pois o Brasil tem tantas necessidades. Foi triste ver que quando um representante evangélico teve a oportunidade de assumir um cargo à frente da Comissão de Direitos Humanos, o mesmo só soube incitar e plantar o ódio em decorrência das diferenças.

Parece que muitos evangélicos não conseguem enxergar o mundo além dos seus interesses. Em meio a tudo o que estamos vendo, poucas são as lideranças evangélicas com autoridade moral para se expressarem, pois muitos sujaram suas mãos com as barganhas do partidarismo e dos conchavos políticos.

Agora entrou em moda as cartas abertas, onde alguns tentam, de forma totalmente hipócrita, tirar proveito da atual circunstância. Muitos se esquecem que as Sagradas Escrituras nos declaram que não podemos servir a dois senhores.

Alguns estão tentando fazer-nos acreditar que o sistema político não é tão sujo como pensamos. Eles se esquecem de que o povo prova dos frutos do sistema no seu dia a dia. Prova do descaso e da incompetência política no seu cotidiano: no mercado, no consumo de combustíveis, na precariedade dos ruas, nas dificuldades de se locomover pela péssima qualidade dos transportes públicos, no medo constante provado pela violência, na falta de qualidade de vida em geral.

Mesmo sendo povo, sabemos das mordomias que os cartões corporativos oferecem aos políticos em geral. Sem contar os altos salários recebidos.

Ou seja, a questão em foco é a corrupção geral e os males causados.

Eu não acredito que partido A ou B ou C vai resolver tudo isso. Como disse no início, somos um povo corrupto. As exceções partem da individualidade de muitos, que não se deixam levar por esse capital cultural, e não se deixa ser um reprodutor desse aspecto.

Em meio a tudo isso, minha tristeza é pelo fato de que muitos são os evangélicos que não se deixam ser sal e luz. Ao contrário, no contexto geral os evangélicos até criaram uma teologia para contemporizar com a realidade. Esquecemo-nos de que Deus é Santo, e não se alia às imundícias deste mundo.

Muitos líderes até podem achar que suas alianças partidários ou com indivíduos políticos lhes trazem privilégios e grandes favores, porém é preciso que saibam que a glória de Deus não se compra com favores humanos.

Em Deuteronômio 11, 26-27 a Palavra de Deus nos declara que há duas condições para o homem: as bênçãos e as maldições. As bênçãos se cumprimos as ordenanças de Deus e as maldições se não as cumprirmos e nos desviarmos dos caminhos Dele para adorar a outros deuses.

Essas são regras básicas das Sagradas Escrituras e se destinam a todos aqueles que se dizem cristãos. Não há atalhos e nem barganhas. Há os que acreditam que o dinheiro tudo compra, não importando a procedência. A Bíblia diz que quanto o homem pagará por sua vida.

Não importa o que esteja acontecendo no mundo à nossa volta, é dever de todo o cristão estar de mãos limpas. Muitas serão as oportunidades para nos esquecermos dos valores cristãos, mas devemos nos lembrar de tudo o quanto fizermos, um dia daremos conta diante de Deus.

“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.
Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza.
Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.” – Tiago 4:8-10

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz.

Paulo Siqueira

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Engodo gospel: o Curso Internacional de Teologia de Silas Malafaia não teve fim

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Hoje o (im)Pastor Silas Malafaia apresentou mais um grande lançamento em seu programa: quatro livros de teologia para pentecostais, o que provavelmente quer dizer uma teologia voltada para a prosperidade e o individualismo, como a seguida pelo dono da Editora Central Gospel. Mas o importante disso foi que me fez lembrar de um “outro” grande lançamento, há mais de 2 anos.

Em março de 2014 Malafaia propagandeou que estava trazendo ao Brasil um curso de teologia da “maior escola bíblica do mundo” (sic total e um adendo: já reparou que todo produto lançado pelo Malafaia é o maior do mundo?). Chamou de Curso Internacional de Teologia, no qual o aluno, à distância, teria acesso a 6 módulos, lançados em intervalos de 4 a 5 meses (conforme vídeo a seguir), num total de 31 disciplinas. Os professores seriam figuras controversas como T. L. Osborn e Joyce Meyer, aceitos apenas entre os adeptos da teologia contrária à de Jesus, que é o não entesouramento na terra (onde as traças e a ferrugem corroem). Cada módulo (ainda à venda) custa R$ 259,79 na lojinha virtual da editora. E, segundo o site do curso, o aluno poderia concluir os seis módulos em 24 meses (certamente, se cada módulo fosse lançado em intervalos de 5 meses, conforme o prometido).

Porém…

Dois anos se passaram e apenas 2 módulos foram lançados. O segundo módulo foi lançado em setembro de 2014 e, de lá para cá, nada mais foi lançado. As pessoas que, de boa fé, pagaram mais de quinhentos reais nos dois primeiros módulos, infelizmente perderam duplamente seu dinheiro. Primeiro, porque não concluirão esse curso “fake” do Malafaia, apenas mais um produto criado para arrecadar dinheiro, não importando com evangelização ou desenvolvimento espiritual de ninguém. E segundo, porque mesmo se concluíssem tal curso, estariam sendo doutrinados na satânica doutrina da Teologia da Prosperidade, só que de forma aparentemente “acadêmica”.

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E falando em academia, no site do tal curso, na ânsia de vendê-lo, colocaram que não haveria nenhum curso à distância de teologia reconhecido pelo MEC. Pura mentira por ganância ou ignorância (não sei a motivação dessa informação), felizmente há cursos de teologia à distância reconhecidos pelo MEC, dos quais o aluno sai com Bacharelado, podendo avançar em seus estudos teológicos. É só pesquisar na internet.

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Não bastasse tudo isso, aqueles que caíram no engodo e tentam contato para concluir o curso nada conseguem (vide página do curso no Facebook: https://www.facebook.com/citeologia. Agora, tente enviar uma mensagem para o Malafaia dizendo que “deus” lhe ordenou a dar ao (im)pastor uma generosa oferta voluntária (conte os segundos para que alguém entre em contato com você)!

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E depois Malafaia e outros gospel ficam querendo falar contra a corrupção (dos outros, é óbvio!)… Pelos frutos os conhecereis, raça de víboras!!!

Não se iluda com discursos inflamados, com belos ternos, com grandes igrejas, com programas em televisão ou nas rádios. O Evangelho de Jesus não visa o lucro, não visa o engano, não se aproveita da boa fé das pessoas. É amor, mas um amor tal que é capaz de dar a própria vida por aqueles que nem o conhecem.

Sinto pelas pessoas que foram lesadas em mais um engodo gospel. E sinto muito mais, pois colocaram o Santo Nome do SENHOR para iludir e aumentar o lucro próprio.

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Arrependamo-nos enquanto é tempo. ELE está voltando.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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Agenor Duque, um neófito no Universo Neopentecostal

apostoloAs Sagradas Escrituras trazem como referência que o líder:“não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (1Tm 3.6). Essa é mais uma qualificação que Paulo apresenta na lista de Timóteo para ser um bom servo de Deus. Fica claro que o líder de igreja deve ser alguém relativamente maduro na fé.

Literalmente, neófito significa “recentemente plantado”, como uma árvore verde; recém-convertido (alguém que tenha recentemente se tornado um cristão). Alguém que tem tamanha responsabilidade como a de administrar uma igreja e um povo não pode ser imaturo tanto na fé como na vida cotidiana.

Outro conselho de Paulo, o Apóstolo, a Timóteo foi: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro  que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da verdade”. (2 Tm 2.15)

Agenor Duque e esposa "ungem" vinho da Santa Ceia para ele ter mais poder (só o sangue de Jesus é pouco)

Agenor Duque e esposa “ungem” vinho da Santa Ceia para ele ter mais poder (só o sangue de Jesus é pouco)

Agenor Duque poderia ser mais um pregador no cenário neopentecostal brasileiro, pois vem de uma linha costumeira. Suas referências são Valdemiro Santiago, Edir Macedo, Estevam Hernandes, Silas Malafaia, Renê Terra Nova, Benny Hinn, Jerônimo Onofre da Silveira e outros. Agenor aprendeu um pouco com cada um deles, porém todos, de uma forma ou de outra, influenciaram sua forma de ser e agir. Sua igreja ganhou notoriedade diante das extravagâncias litúrgicas e teológicas. Agenor pegou o que os outros já faziam e transformou em um festival místico, gnóstico, mágico. Não há impossíveis, tudo é possível, pois ele é o representante de Deus, onde uma simples oração se transforma em um festival fenomenológico. Seus cultos são um desafio ao discernimento entre o Sagrado, o profano e o circo. É muito grito, muito entusiasmo, muito deus, porém poucas referências à tradição e fundamentos genuinamente cristãos.

Agenor se diz formado em teologia, porém pouco usa as Sagradas Escrituras dentro do referencial teológico. Sua liturgia é nada cristã. A Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus se diferencia até mesmo das igrejas neopentecostais tradicionais.

O distanciamento bíblico parte do princípio da sua nomeação como apóstolo. Assim como outros, ele insiste em se intitular apóstolo.

Recentemente ganhou bastante notoriedade no cenário nacional por um vídeo viral onde amaldiçoava seus desafetos, declarando-se poderoso, com poderes vindos do alto, pois é homem de Deus. São muitos os vídeos vazados nas redes sociais onde o que se vê são ações em inconformidade com as Sagradas Escrituras. Inconformidades tantas, que fica difícil encontrar um elo entre as tradições cristãs e as práticas de Agenor e sua igreja.

Ouso chamar a Igreja Plenitude, o Agenor e seus fieis de uma comunidade de interesses, onde cada um está ali com propósitos totalmente definidos. Nesse emaranhado de inconformidades está o uso da hipnose como prática de libertação das pessoas de vícios e curas em geral. Enfim, tudo é cercado de extrema excentricidade. Tudo é feito para despertar e chamar a atenção, pois os recursos midiáticos são as principais formas de propagação e atração de novos membros. Não importa se os testemunhos deixem certas dúvidas ou interrogações. O importante é que todos saibam que ali há poder.

Seguindo as lógicas neopentecostais, o sucesso, o poder e a prosperidade são o foco. Para isso é preciso conquistar, tomar posse, passar por cima, ser cabeça. Para chegar a tudo isso, constantes desafios financeiros são colocados diante dos fieis. Desafios diários e corriqueiros, uma comunidade onde tudo tem seu preço e tudo é conquistado pela fé através do desprendimento financeiro. Ir a um lugar como esse de bolso vazio é uma grande ofensa, diz Agenor. Exemplificando isso temos o episódio onde sua esposa se assenta em um trono e os fieis formam filas para tocar seus pés para serem abençoados. Mas é preciso depositar certa quantia em dinheiro. No vídeo essa encenação é mostrada, e no áudio se percebe o povo sendo orientado a ser rápido em depositar o dinheiro e sair. Esse vídeo vazou nas redes sociais, mas logo foi bloqueado pela liderança da igreja.

Outro episódio marcante foi Agenor sendo surpreendido em um estacionamento com um carro importado de marca famosa. O vídeo também caiu nas redes sociais e logo Agenor teve que se justificar, dizendo que o carro era emprestado. Sem contar a infinidade de vídeos onde Agenor demonstra sua prosperidade em voos em avião particular em inúmeras viagens à Israel. Fico a me perguntar o por quê de tantos vídeos. A resposta é simples: é preciso usar as mídias para expandir a comunidade de interesses. Sem contar a matéria da Revista Época, levantando o tapete sobre o ministério Plenitude e Agenor.


Iniciei esse artigo definindo a palavra neófito, pois só é possível entender os porquês de tudo se aplicarmos a Agenor a classificação de neófito, afinal seu comportamento é o de um menino.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
  (1 Co 13.11)

Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.
(Ef. 4.14)

Não basta ser apóstolo. Tem que ser rei. Rei Momo Gospel.

Não basta ser apóstolo. Tem que ser rei. Rei Momo Gospel.

O perigo da liderança de um neófito é que isso pode lhe “subir à cabeça”. Ele pode ficar inchado e o resultado seria que ele cairia em muitas condenações do diabo. Sem contar o enorme orgulho, um pecado terrível para uma liderança. Tanto o orgulho como a arrogância transformam anjos em demônios.  A arrogância cega, pois se transforma em vaidades e ganância. Sem modéstia alguma, Agenor e seus pais na fé não escondem os frutos dos seus ministérios. E parecem influenciar a todos os seus seguidores a buscar os mesmo frutos, e claro que isso tem um custo alto.

Outro ponto ignorado por Agenor e os demais líderes do universo neopentecostal é o fato de que a ênfase na doutrina dos verdadeiros apóstolos de Cristo repousa nas Sagradas Escrituras, tanto que em Atos 2 se enfatiza que todos seguiam as doutrinas dos apóstolos e são descritos os seus feitos.

Esquecem-se que em Gálatas 1.8 Paulo diz: Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”.

Ou seja, só é possivel entender as meninices de Agenor se levarmos em conta que estamos diante de um neófito, de alguém que deveria estar ainda aprendendo. Quem sabe assim tudo seria diferente.

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As sandices e bizarrices são frutos da irresponsabilidade de um líder que optou pela excentricidade, porém se esqueceu de que com as Sagradas Escrituras não se brinca. Por que afirmo que Agenor é um menino na fé? Pois se as extravagâncias da Plenitude não forem meninice, só podem ser falta de um cárater genuinamente cristão, no qual os Frutos do Espírito Santo seriam derivados das Sagradas Escrituras. Um líder que se entitula apóstolo e não usa a Bíblia como sua referência essencial tem algo errado. E quando usa a Bíblia, a utiliza de forma exegética e hermeneuticamente equivocada com a história e as tradições realmente cristãs.

Procura, isto sim, apresentar-te aprovado diante de Deus, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a Palavra da verdade.
( 2 Tm 2.15)

Chamo de irresponsabilidade os atos de Agenor, pois só um néscio (sem instrução, sem discernimento, sem sentido, sem coerência, sem competência, ignorante, estúpido, incapaz, inepto, bronco, lerdo, arrogante) para brincar com as coisas de Deus.

O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; e o conhecimento do Santo é o entendimento.                                      
( Pv 9.10)

Para entender tudo isso tenho acompanhado os cultos e eventos do Agenor e da Plenitude. Não é fácil, pois é um segmento muito distante da tradição evangélica brasileira. Espero que o Espírito Santo possa agir trazendo arrependimento e transformação.

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Pentecostalismo enigmático

pentecostesComo poderíamos definir o atual pentecostalismo no Brasil? Com certeza não é uma tarefa muito fácil. Recentemente em um evento fiz uma pergunta  a um dos convidados: seria possível definir se as Igrejas Assembleia de Deus Vitoria em Cristo e do Brás, são realmente pentecostais??  O professor fugiu da resposta, falou e falou e nada respondeu.

Sinceramente diante do que tenho visto neste dois ministerios, e em suas lideranças o neopentecostalismo entrou para ficar em suas açãoes, cultos e reuniões. As vezes me pergunto do porque ainda sustentam o nome de Assembleia de Deus.

 

Sei que esta pergunta está dificil de ser respondida, pois a igreja está perdida em sua identidade, em sua tradição e em sua essência. Hoje lamentavelmente estamos perdidos em nossas relações com o cristianismo histórico e referencial. Não podemos nos classificar como a igreja primitiva de Atos 2:42-44: E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.

 E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.

 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.

 

Com o surgimento do Neopentecostalismo e do movimento apostólico ficou muito mais difícil definirmos o que realmente está acontecendo com a igreja brasileira. Já sabemos que igrejas Metodistas, Batistas, já sucumbiram às tentações do neopentecostalismo e movimento apostólico. O que estamos vendo foge do caos e se aproxima do pandemônio.

É preciso definir essas duas palavras para entrarmos na gravidade do problema enfrentado pela igreja.

Caos: Designação de desordem, confusão, balbúrdia ou barafunda; Referente a indistinção ou desarranjo; perturbação ou transtorno. Para os gregos o caos era antecedente de abismo.

Pandemônio: Origem  ETIM ing. pandemonium, palavra criada por Milton, no Paraíso Perdido (1667) para designar o palácio de Satã; significados: associação de pessoas para praticar o mal ou promover desordens e balbúrdias; mistura confusa de pessoas ou coisas; confusão.

 

 

As duas definições podem parecer semelhantes, porém na sua essência são bastante diferentes. Porém, ao avaliarmos a situação da igreja dentro de um contexto de responsabilidade bíblica, hermenêutica e exegética, confesso o temor e assombro com a realidade.

Atualmente a realidade assistida no contexto de algumas denominações só pode ser classificada como herética e próxima da apostasia. Algumas denominações podem ser definidas como tudo, menos como igrejas genuinamente cristãs. Por quê? Simples, suas práticas, ritos e cerimônias não refletem o texto bíblico e muito menos as tradições cristãs através da história do cristianismo. É preciso que saibam que apesar dos avanços e transformações do mundo, o cristianismo prossegue com suas essências inabaláveis.

 

Ao que Jesus lhe propôs: “O que está escrito na Lei? Como tu a interpretas?” E ele replicou: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e com toda a tua capacidade intelectual’ e ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’”. Então, Jesus lhe afirmou: “Respondeste corretamente; faze isto e viverás                                                                        ( Lucas I0:26-28)

 

 

Avaliação bíblica

 

À luz do texto bíblico, estamos vivendo dias dos profetas Isaías, Oseias e Amós. A igreja e suas lideranças avançam rumo à apostasia, com heresias frutos de desvios de caráter, enganos, vaidades, irresponsabilidades e cegueira espíritual de seus lideres. A igreja se tornou uma casa de negócios, como afirmou Silas Malafaia. Dentro desse aspecto, o cuidado com a pregação bíblica não mais importa, está em segundo plano. Isso é refletido nas letras das músicas, das pregações, no ensino.

Essa realidade é descrita na metodologia aplicada em muitos seguimentos vindos do pragmatismo americano, classificados como: células, GI2, MDA. Sistematizações que transformaram a igreja em um mecanismo de lucro e barganhas, onde fiéis são clientes de uma organização econômica. Os frutos dessa máquina podem render poder politico, econômico, social aos que souberem manipular as Escrituras em proveito próprio. O povo, ou melhor, os fiéis, são o retrato de uma nação já acostumada à manipulação oriunda de uma colonização já envolta no sincretismo religioso, onde o místico, mágico já estão inseridos. Para o brasileiro, o sagrado e o profano caminham próximos, não distinguidos à luz da bíblia, pois a bíblia é algo difícil. Observa-se que o sujeito religioso no cenário brasileiro não se assusta com a manipulação e o engano vindos das lideranças. Não se assustam com a falta dos textos bíblicos nos cultos, nas cerimônias e no dia a dia da vida religiosa.

Já ouvi uma fiel dizer que não precisa da bíblia, pois seu pastor sabe tudo da bíblia. Esse engano já foi experimentado na história do cristianismo, com as missas em latim e a proibição dos fiéis leigos de possuir a bíblia.

Isso está se repetindo em muitos segmentos ditos evangélicos no Brasil. O ensino foge da realidade bíblica, do verdadeiro cristianismo. Isso é claramente percebivel no cotidiano dessas igrejas. Por exemplo, não se ensina a Reforma Protestante, os Pais da Igreja. Não está incluso nos ensinos a história da igreja, pois toda essência é focada no imediatismo cotidiano. As relações dentro desse contexto é puramente material, a espiritualidade é uma forma  de negócio, pois gira no propósito de lucrar. A benção é uma forma de lucro tanto do líder, quanto da instituição e do fiel, não importando para isso que o texto bíblico fique de lado. Não importa se o pastor não porte a bíblia, não importa se os textos são adulterados, importa que dê resultados. Não importa quem Deus é, mas sim o que Ele produz.

 

No início fiz a pergunta: como definir se uma igreja é ou não pentecostal, afinal é possível definir se uma igreja é realmente metodista, presbiteriana, anglicana, etc. Não é mais possível, e vou mais a fundo, está difícil definir se uma igreja é realmente cristã, pois na verdade perdemos nossa identidade confessional.

Os motivos disso são muitos, vou destacar alguns:

 

Teologias intencionais

 

 

Não temos mais uma teologia cristã, e sim teologias intencionais. Hoje as universidades, seminários, cursos são puramente intencionais. A formação dos alunos seguem preceitos de doutrinação, domesticação, pois ao serem formados os alunos terão que agir dentro de propósitos já estabelecidos. Essa é a realidade de muitas instituições de ensino religioso. A teologia foge dos preceitos bíblicos e históricos do cristianismo e passam a ser puramente intencionais. Se o curso é metodista, nada foge do metodismo; se quiser estudar um teólogo liberal, vai encontrar dificuldades. E vice-versa, se o curso é pentecostal vai encontrar dificuldades para pesquisar teólogos fora da linha pentecostal. É uma teologia intencional, longe do cristianismo comum, não pode ser diferente pois, afinal, os que estão ali vão servir aos seus segmentos.

Mal sabem os futuros pastores que suas instituições esperam que eles atinjam as metas estabelecidas, em número de membros e financeiramente. E que seus ministérios estarão mais ligados ao cumprimento dessas metas do que ao conhecimento  adquirido. Ou seja, tem que dar fruto, tem que entreter o povo, tem que fazer a igreja crescer tanto em números como financeiramente. O amor ao próximo, o social, o aconselhamento, a pastoral… ora, alcance as metas e isso vai acontecendo naturalmente.

Já fui acordado de madrugada em minha casa por mães e pais pedindo ajuda, pois seus filhos estavam desaparecidos. Perguntei onde estavam seus pastores e eles responderam que o pastor não atende  àquela hora e, para falar com o pastor, era preciso marcar uma hora. Muitos jovens em hospitais ou com problemas judiciais que não podiam contar com ajuda pastoral, pois seus pastores estavam condicionados a estruturas muito mais empresariais do que pastorais. Quantas igrejas que possuem um poder econômico superior a muitas empresas e nada fazem pelo social de suas comunidades!  Com pastores e lideranças inacessíveis ao povo, pois vivem como verdadeiros astros do mundo gospel. Vivem cercados de seguranças, vivem com uma estrutura totalmente empresarial. O povo é visto a distância, o acesso só facilitado pelo poder econômico ou pelos benefícios da relação oferecidos. Sem contar as igrejas de pai para filho, ministérios que vivem de heranças ministeriais – não importa o talento ou capacitação dos demais, a igreja tem um herdeiro. São inúmeras as igrejas e membros fragilizados por lideranças sem carisma, sem capacitação ministerial ou pastoral. Ministérios fundamentados no histórico do pai ou do avô.

Anos atrás me chegou a história de uma certa igreja, onde o filho recebeu de herança uma igreja vinda da administração de 40 anos do pai. Em pouco tempo, o camarada passou a andar com carros de luxo, mudou-se para um bairro de luxo e uma grande mansão. Em poucos anos se descobriu que o camarada vivia em poligamia, pois tinha uma família na cidade onde estava a igreja e outras duas famílias em cidades ao redor. Após a descoberta, muitas irmãs relataram que eram assediadas cotidianamente, e eram ameaçadas a não denunciar aos seus familiares. O camarada herdou a igreja, porém era um pecador que ainda não tinha passado por uma verdadeira conversão. Pena que não posso contar muitos dos casos que chegam a mim, decorrentes do mesmo problema. Igrejas herdadas por vínculos familiares.

 

Fragmentação

A igreja não mais vive ou prega a unidade, tudo é motivo para a divisão. Divisões fruto de intrigas, iras, vinganças, ódio. Essa é a clara realidade de que falta caráter e espiritualidade realmente cristã nas lideranças. Falta perdão, humildade, simplicidade, muitos querem o poder a todo custo. Anos atrás soube de uma igreja no interior de SP que teve a presidência disputada a bala. Membros divididos pelos interesses dentro e fora e ao redor da igreja, armados, querendo a todo custo tomar posse do bem maior: a igreja e seus benefícios. Quer um retrato mais real da situação da igreja brasileira? Sem contar as inúmeras histórias que vão parar na justiça. Sem contar as que caem no  esquecimento popular. Hoje, cada denominação é encarada como um segmento dentro do contexto religioso. Todos estão à caça do sujeito religioso, e para isso é preciso apresentar seus produtos. Seguem as regras de mercado, onde os diferentes produtos são ofertados aos interessados. Como disse Edir Macedo, é dá ou desce. Temos igrejas para todos os segmentos: igrejas do rock, da dança, da cura, da prosperidade, do milagre urgente. Temos a igreja para tirar os vícios, o mal olhado, arrumar namoro e casamento. Tem igreja para rodar, pular, correr, rir, chorar, enfim, tem para todo gosto. O triste é que, com tantas igrejas, o brasileiro ainda seja tão desumano, antiético, corrupto, violento, mal educado. Ou seja, a multiplicação de igrejas pouco está fazendo no caráter do povo. Muitos vão à igreja dançar, gritar, cantar, porém ao saírem pouco reproduzem do verdadeiro cristianismo, do fruto dos ensinos de Cristo e seus verdadeiros apóstolos.

Temos um cristianismo sem vida real em Cristo Jesus.

 

 

Universo gospel

Não poderia deixar de citar esse segmento do universo evangélico. Onde foi parar a música?  Vi, dias atrás, em uma postagem do facebook uma discussão sobre louvor. Uma pessoa disse que devemos louvar a Deus pelo que Ele faz. Entrei no debate e disse: não, minha irmã, nós devemos louvar a Deus pelo que Ele é, pois é através da Sua existência que tudo o mais nos é feito. Foi para adorá-Lo que nós fomos criados. Adoramos a Deus por Sua existência em nossas vidas, por Sua fidelidade, por Sua soberania, amor, graça. Pelo universo criado a nosso dispor, ou seja, há inúmeros motivos para louvarmos a Deus. Por que vemos tantas músicas fora do contexto bíblico? É sabor de mel, é determina, restitui, dá o que é meu. Tem músicas que ao invés de levar-nos à Espiritualidade, ao sagrado, simplesmente nos entretêm. O universo gospel reflete claramente a realidade descrita nesse artigo, segue o mesmo contexto: business.

A música é um elemento de culto e não um produto a ser explorado. Tenho participado de muitos eventos do universo gospel nos últimos anos em todo o país. O que tenho visto é de assustar. Os cantores, cantoras, bandas se tornaram astros como no mundo secular. Ou melhor, não é possivel diferenciar um cantor gospel do cantor secular, os universos se uniram. Há de tudo: histeria, gritos, desmaios, muito choro, ou seja, os astros do universo gospel se tornaram cantores como os demais. Sem contar os cachês e o alto custo da promoção desse universo. Hoje as grandes empresas do universo musical exploram com veemência o ramo gospel. Quem sofreu com isso foi a igreja, pois os cultos se tornaram shows, onde o que se vê é tudo, menos adoração e louvor. Vemos cantores cobrando e exigindo coisas inimagináveis para um culto ao Senhor. O gospel tirou da música sua fonte de Espiritualidade e ação do sagrado. Só se vê emoções e lucros, nada mais. Hoje temos todos os ritmos e formas de músicas, porém pouco vemos de músicas que levem à reflexão e conversão. Ainda me lembro do tempo em que a música era uma forma de ação do Espirito Santo na conversão e libertação de quem adentrava a igreja para cultuar a Deus.

É preciso que os músicos saibam que o culto é para o Senhor e o espaço da igreja é para a Espiritualidade. Usar este espaço para o puro entretenimeto é prostituição e idolatria. Tenho visto pessoas gritarem os nomes de artistas e bandas, sem se atentar que o culto é para Deus. Recentemente participei de um evento onde os apresentadores tiveram que repreender a plateia diante da histeria ao anunciar um determinado artista. Onde vamos parar, sabendo que em muitas igrejas a música toma praticamente quase todo tempo do culto? Restando pouco tempo para a Palavra, isso faz com que a figura do músico seja em muitos redutos superior a do pastor. É preciso deixar claro: igreja é igreja, casa de show é outra coisa, a mistura não resulta em algo bom. Hoje vemos igrejas com baladas, louvorzão, com o slogan de alcançar os jovens, porém se esquecem que é preciso incentivar a integridade, a santificação, a responsabilidade para enfrentar os desafios da vida. Tenho notícias de jovens que engravidaram em retiros, vigílias, encontros, etc. Também tenho relatos de jovens que passaram a usar drogas depois de algumas amizades em algumas igrejas, onde havia muita música e muitas festas. Ou seja, é preciso haver bom senso, responsabilidade de quem lidera esse tipo de evento ou movimento. Gospel ou não, é preciso que promova a vida.

 

Enriquecimento desordenado de instituições e líderes a todo custo

Isso mesmo, enriquecimento, muito luxo, muitos bens, muitas vaidades. Pastores fazendeiros, donos de muitas terras e bois, cavalos, carros de luxo, aviões, roupas de grife, muitas joias, plásticas, viagens, muita mídia. Pastores colecionadores de motos, cavalos, botas, sapatos, relógios, anéis, perfumes. Ou seja, tudo o que a vaidade pode proporcionar às custas do dinheiro vindo de ofertas e dízimos. Pastores possuidores de fortunas que poderiam tirar a fome e a pobreza de muitos, porém isso não se cogita em hipótese nenhuma. Pobreza é do diabo, declara Edir Macedo. O povo é pobre porque não tem fé. Ele se esquece que a bíblia declara em Romanos 10:17: “Logo a fé vem pelo ouvir, e o ouvir vem pela Palavra de Cristo”.

Em muitas instituições o culto se resume à coleta de ofertas e dízimos, e a pregação é simplesmente um pretexto para a coleta. Tudo gira em torno da prosperidade, promessas, desafios, sacrifícios. Vale tudo para conseguir a riqueza prometida pelos pregadores. Em algumas igrejas, o salário do pastor é segundo as metas financeiras alcançadas, forçando o pastor a não ter medidas quando o assunto for dinheiro. Com isso muitos, na busca incansável por riquezas, se atiram nos sacrifícios propostos, porém não percebem que nesses ministérios quem realmente enriquece são as lideranças. Há um exército de frustrados, enganados, roubados por essa teologia do engano.

Temos hoje no Brasil até jurisprudências relacionadas com o estelionato de muitas igrejas e líderes. É preciso equilíbrio nas emoções ao adentrar esses locais. Em muitos templos estão usando até hipnose e técnicas de neurolinguística para poder induzir os fiéis a dar tudo o que possuem. Muitos induzem em seus discursos os fiéis a dar o dinheiro do aluguel, do pagamento de dívidas familiares, sem contar os desafios impostos em cima de empréstimos dos fiéis. Ou seja, vale tudo no propósito de construir os maiores templos e possuir os melhores bens. Esse espírito de ganância é também referencial no sentido de barganhar os fiéis aos partidos e políticos nos períodos eleitorais. O número de membros vale por cabeça em muitos ministérios, pois cada um representa um voto, e cada voto representa poder político e financeiro. Assim tem crescido muitos ministérios, que ampliam suas conquistas aos olhos de todos, dando o sentido de que conquistaram a  terra para Deus. Porém vemos que os cofres das lideranças estão cada dia mais cheios.

Essas barganhas políticas tiram da igreja a autoridade de cobrar o sistema político diante da incompetência de gerir a máquina pública em prol das necessidades da população. O que temos visto são políticos eleitos com o voto dos evangélicos, porém ao chegar no Congresso e no Senado, nada fazem prol do povo, pois ali estão para representar as instituições que os apoiaram ou a seus próprios interesses. A chamada bancada evangélica nada faz em prol dos interesses públicos, ao ponto de ser um grupo praticamente nulo no cenário político. Hoje, se não bastasse o enriquecimento das lideranças, o alvo é desfrutar dos favores vindos da máquina pública. São verbas públicas para financiar eventos (exemplo: marcha para Jesus, encontros, shows, lançamento de cds, livros, construção de templos, custeio de viagens), sem contar o tal passaporte diplomático que muitas lideranças fazem questão de publicar sua posse. Outro ponto é cada segmento, por ter seus representantes tanto no Senado como no Congresso, ficar a cada dia tentanto puxar a sardinha para seu fogo, aprovando projetos de concessões de rádios, jornais, canais de TV e outras fontes de comunicação. Tudo isso resulta em constantes fotos com políticos, sem contar a presença de políticos nos eventos promovidos pelos segmentos. Ou seja, política e religião têm sido bastante rentáveis às instituições religiosas e seus líderes.

A riquza de muitos líderes contrasta com a pobreza de um país todo, e muitos não estão nem aí com isso. Dizem fazer trabalhos sociais, porém o montante gasto com o social não chega a um décimo do seu gasto com roupas e luxos.

Em uma nação como o Brasil, saber que um pastor coleciona cavalos, carros, relógios, chega a ser ofensivo, pois o valor mínimo do luxo poderia matar a fome de muitos. Poderia dar vida digna a muitos miseráveis. Já andei ao redor dos grandes templos na Av. Celso Garcia, em São Paulo. É uma região onde inúmeros imigrantes da América Latina e África se amontoam em cortiços, em becos mal iluminados. Falta água, falta espaço, falta tudo. Crianças correm nuas, homens e mulheres com semblantes caídos. Nitidamente falta esperança a esses seres humanos. Os grandes templos fazem sombra à esses cortiços e becos. Porém, esses seres são invisíveis a muitos membros e líderes em seus carros e em suas roupas de grife nos cultos e reuniões. É a igreja como instrumento de desigualdades e segregação, pois a igreja em seu discurso e ações cotidianas não faz questão de ver os pobres e menos favorecidos. Isso é totalmente contrário à tradição cristã. A recomendação aos apóstolos de Jesus era que eles não se esquecessem dos pobres e viúvas. Os dízimos e ofertas foram instituídos para os pobres, as viúvas e os necessitados. Se dízimos e ofertas estão proporcionando riquezas e luxo algo está errado, pois onde há riquezas e luxo não há compartilhamento. A riqueza e o luxo na história  normalmente são frutos da exploração de um grupo ou de uma classe.

O título desse artigo é pentecostalismo enigmático porque acredito que só haverá uma solução para tudo isso se nos definirmos como verdadeiros cristãos. Os metodistas querem ser pentecostais, porém estão indo para o neopentecostalismo. Não vai demorar e teremos um apóstolo dito metodista. Precisamos e com urgência definir nosso pentecostes vindo das marcas da igreja de Cristo. Não basta simplesmente crescer numericamente ou enriquecer, é preciso ter um caráter cristão. Como pode um país que se diz cristão ser uma vergonha mundial na educação, saúde, segurança, saneamento básico, infraestrutura? Somos o país da falta de caráter, da falta de honestidade, do jeitinho antiético para tudo. Isso é manifesto pela corrupção, pelas desigualdades sociais, pela colonização exploradora, pela imposição da religião, porém agora também é manifesto pelos escândalos frutos das ditas igrejas evangélicas. O que dizer dos inúmeros casos de líderes e instituições evangélicas envolvidas nos escândalos de corrupção do país? O que dizer do escândalo envolvendo família de pastores  querendo entrar em outro país com dinheiro não declarado na cueca, na bíblia? Os inúmeros casos de estupros, pedofilia e demais casos envolvendo membros e líderes evangélicos?

Como disse, saímos do caos para cair no pandemônio, pois hoje há pessoas que convivem e apoiam essa situação. É lamentável, porém é a realidade.

Não sabemos mais a diferença dos profissionais da fé e dos falsos profetas de um cristão real e verdadeiro.

No meio desse pandemônio todo, graças a Deus que há aqueles e aquelas que não se dobram aos deuses e valores deste mundo. Pessoas que guardaram seus corações em Cristo e seus tesouros estão na Glória com Deus.

Posso citar um pessoa ímpar no estudo do verdadeiro pentecostalismo histórico. É o Prof. Dr. Bispo Paulo Aires, da UMESP. Uma referência no estudo do pentecostalismo desde suas fontes primárias, tanto do pentecostalismo americano como do latino americano e do Brasil. Uma pessoa que acredita que o pentecostalismo tem algo a oferecer ao povo brasileiro, no sentido de proporcionar uma fé palpável e possível tanto aos mais desfavorecidos, como aos mais abastados. Uma fé cidadã, plural, fundamentada nas Escrituras, calçada na vida cotidiana, onde cada ser humano é capacitado com a responsabilidade social e com as ferramentas que possibilitam a construção de mundo melhor. Um pentecostalismo onde os dons e serviços partem do equilíbrio entre os seres humanos e o universo que os cerca. Bispo Paulo é um camarada que faz com que você queira saber mais sobre o assunto, pois suas experiências ministeriais retratam que é possivel viver o pentecostes bíblico sem as extravagâncias observadas no universo pentecostal.

Outra pessoa a quem referencio é a Profa. Dra. Magali Cunha. Em seu livro Explosão Gospel temos um referencial consciente e responsável do que realmente é o gospel desde sua fundação. Profa. Magali é uma pessoa que conhece a fé em diferentes culturas. Uma visão abrangente no sentido global. São duas pessoas que deveriam ser referencial quando falamos em pentecostalismo e universo gospel. Tive a felicidade de ter os dois como mestres, e acredito que suas reflexões me cativaram a ter o senso crítico sobre o tema.

Minha luta tem sido contínua em denunciar, orar e lutar para que essa situação seja mudada. Creio ser possível viver o Evangelho de Cristo, e isso faço e vivo na comunidade em que colaboro. É preciso que os mercenários da fé saibam que Cristo ainda é honrado por muitos, que nem todos querem fazer parte do pragmatismo cotidiano de muitas instituições. Creio que a cada dia esse rebanho será despertado pelo Espírito Santo de Deus fazendo o verdadeiro pentecostes, que é a aproximação do Criador à suas criaturas mediante a graça e amor incondicionais, pois nada temos a não ser nosso louvor e gratidão contínua. Somos devedores, somos agraciados pelo sacrifício de Cristo na cruz, favor também imerecido, porém suficiente para nossa reaproximação com o Criador. Essa é a verdadeira mensagem do pentecostes. Essa é a verdadeira igreja pentecostal, a que reconhece a revelação de Cristo ao mundo, e mediante isso proclama ao mundo através de suas ações cotidianas refletidas na Palavra de Deus que: Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:I6). Com o exercício diário da convivência, mesmo com os diferentes da fé, refletimos  a paz que só Cristo dá. Paz essa refletida na vida, seja ela simples ou abastada, pois os verdadeiros tesouros estão distantes deste mundo que jaz no maligno.

Ora, sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não é escravo do pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o protege, e não permite que o Maligno o possa tocar. Estamos cientes de que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno. Da mesma forma, temos pleno conhecimento de que o Filho de Deus é vindo e nos tem concedido entendimento para reconhecermos o Verdadeiro. E nós estamos vivendo naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. …                                                                                             I João 5: I8-20

 

Voltemos ao evangelho puro e simples. O $how tem que parar.

 

A Deus toda honra e toda gloria.

 

Paulo Siqueira

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A Graça no cotidiano segundo o livro de Oseias

oseias“Semeai para vós em justiça, ceifai segundo a misericórdia; lavrai o campo de lavoura; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que venha e chova a justiça sobre vós”. (Oseias 10:12)

A partir dessa quarta-feira, dia 13 de janeiro, começamos a estudar na Igreja Paz o livro de Oseias, um livro que descreve o Amor de Deus em ação no mundo. Um mundo conturbado, onde os valores estão invertidos. Vivemos uma crise humanitária, o ser humano está sendo trocado por valores passageiros, o amor está fora do contexto. Tudo é passageiro, nada suporta a velocidade do novo. Com isso, o mundo se vê na necessidade de ter a cada dia mais. É a felicidade paradoxal de Gilles Lipovetsky.

Essa busca contínua pelo material e pelo prazer de ter também alcançou a igreja. A teologia da prosperidade e seus pregadores impõem sobre o fiel a necessidade de possuir, conquistar, não importando o que faça para isso. Essa teologia que ensina errado também desemboca em uma ética errada.

Por que estudar o livro de Oseias nos dias atuais? –  é a pergunta de muitos. Um livro do Antigo Testamento, sem muitas profecias relevantes para o contexto cotidiano, onde os temas são: vitória, prosperidade, poder, domínio, posse, restituição, etc.

Para Hernandes Dias Lopes, em seu comentário do livro de Oseias, Oseias é o profeta da Graça. Ele declara que Oseias é o homem de coração quebrantado pelo amor de Deus, pois suas mensagens não só falaram aos ouvidos mas também aos olhos dos seus ouvintes. Em dias onde o exemplo é escasso, o livro de Oseias é totalmente essencial, pois não só fala mas também toca em nossos corações a partir do testemunho de um homem que ousou amar como Deus nos ama.

Oseias era profeta de Israel, filho de Beeri (1.1), viveu durante a “era de ouro” do reinado de Jeroboão II e segundo uma tradição cristã, pertencia à tribo de Issacar. O nome “Oseias” era comum nos tempos do Antigo Testamento e significa “ajuda” ou “livramento”. O nome é derivado da palavra hebraica que significa “salvação”. “Jesus” ou “Yeshua” é uma forma desse nome (Mt 1.21). Oseias foi contemporâneo de Amós, pois ambos profetizaram no final do melhor dos tempos e nas bodas do pior dos tempos em Israel. O rei Jeroboão II estava no final do seu longo reinado. A nação havia alcançado seu apogeu tanto política como economicamente. Havia paz nas fronteiras e prosperidade dentro dos muros. Porém, com a morte desse grande monarca, a nação entrou em célebre decadência rumo ao colapso. O trono de Israel tornou-se o centro nevrálgico de intrigas, conspirações e assassinatos. Os reis insensatos faziam alianças com as grande potências mundiais da época: a Assíria e o Egito.

Para conhecer mais esse período da história, leia 2 Reis 14-17 e 2 Crônicas 26-29.

Nesse contexto, o profeta Oseias ergue sua voz contra essa estratégia insana e compara Israel a uma pompa enganada, deixando de confiar em Deus, colocando sua confiança naqueles que haveriam de pôr sobre seu pescoço um jugo pesado. Israel, ao invés de buscar as onipotentes mãos de Deus, buscou ajuda daqueles que mais tarde seriam implacáveis opressores. As alianças políticas pavimentaram o caminho da apostasia, fazendo com que Israel abandonasse a Deus, seu redentor, para render-se aos ídolos pagãos. Em vez de servir ao Criador, o povo apóstata prostrava-se diante das obras de suas próprias mãos, atribuindo as bênçãos aos baalins. Com isso, Israel rendeu-se à imoralidade, à idolatria, à prostituição e à morte. Os reis e os sacerdotes lideravam o povo nessa corrida rumo ao desastre. O palácio e os templos religiosos eram centros de opressão. A política e a religião se uniram pelos motivos mais sórdidos. A violência ganhou as ruas, a roubalheira acontecia à luz do dia, e a imoralidade transbordava por todos os lados. A nação inteira era como um corpo chagado.

Em Oseias 4:6 temos: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.”

Nessa passagem vemos que os dias de Oseias são bastante semelhantes aos nossos. O povo a cada dia abandona o conhecimento da Palavra de Deus para se render aos deuses deste mundo. E hoje muitos estão recorrendo aos líderes do momento, lhes dando mais atenção do que à Palavra do Senhor. Os males dos dias de Oseias se achegaram à igreja cotidiana: prostituição, imoralidade, idolatria e casamento do povo de Deus com os poderes e meretrizes modernas.

Oseias profetiza à Israel que, por não ter dado ouvido à voz de Deus, Israel receberia a disciplina de Deus. Com isso veio o amargo cativeiro como um remédio para a cura do povo. Porém, o fracasso de Israel não destruiu os planos de Deus, pois onde abundou o pecado, superabundou a Graça divina. (Rom 5:20)

Esta é a mensagem central do livro de Oseias: o amor de Deus prevalece sobre Sua ira. Da noite escura do pecado brota a luz da esperança. Deus, em Seu amor, chamou seu povo para voltar-se para Ele, trazendo em seus lábios palavras de arrependimento.

A mensagem do livro se torna presente nos dias de hoje, onde a igreja caminha para a apostasia. É preciso lembrar a muitos que o Deus de Israel não mudou. Ele ainda restaura e levanta o caído. Ele ainda se apresenta como orvalho para aqueles que vivem a aridez de um deserto. A mensagem de Oseias ecoa em nossos ouvidos, é para os nossos dias, pois a Palavra de Deus é sempre atual. Todos são convidados a buscar o conhecimento que vem da Palavra de Deus.

É tempo de voltarmos ao Evangelho puro e simples do Senhor.

A Deus toda glória.

Paulo Siqueira.

BIBLIOGRAFIA:
HOUSE, Paulo R. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2005.
WILLMINGTON, Harold. A Bíblia em Esboços. São Paulo: Hagnos, 2001.
MEARS, Henrietta. Estudo Panorâmico da Bíblia. São Paulo: Editora Vida, I982.
LOPES, Hernandes Dias. Oseias, O amor de Deus em ação. São Paulo: Hagnos, 20I0.
KLAIBER, Walter. MARQUARDT, Manfred. Viver a Graça de Deus: Um compendio de Teologia Wesleyana. 2ed. São Bernardo do Campo: Editeo, 2006.

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