Quais os limites da Teologia da Prosperidade de Silas Malafaia?

Cartaz-CIMEB- - CópiaNa última semana, mais uma vez Silas Malafaia esteve em evidência na mídia brasileira. Não só por sua participação em mais um programa global, mas também porque sua igreja recebeu novamente a visita do pregador americano Morris Cerullo.

Para os menos avisados, Cerullo é um dos pais da Teologia da Prosperidade.

Malafaia não esconde que Cerullo lhe é uma influência direta, em se tratando das mudanças teológicas em seu ministério televisivo nas décadas de 90 e anos 2000. Todos nós já sabemos: Malafaia não é o mesmo, tanto no visual como nos seus valores, e muito menos teologicamente.

O homem que criticava a Globo, afirmando que o canal era um instrumento de satanás, hoje defende suas novelas e até se tornou uma das atrações da programação.

Nas questões teológicas, o mesmo Silas passou por grandes transformações. Hoje Silas defende com unhas e dentes que a igreja deve prosperar e que os membros devem desafiar a Deus através de seus sacrifícios financeiros.

Silas Malafaia se tornou multiforme. Atira para todos os lados, chegando a afirmar que o reino de Deus é business. Isso é facilmente percebível na sua constante luta por se tornar uma personalidade no meio midiático.

Para isso, a fórmula encontrada foi lutar pela família, através de um combate direto contra os movimentos LGTB, chegando ao ponto do mesmo afirmar ser a voz dos evangélicos no Brasil.

Na última quinta-feira nós do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) estivemos diante da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, igreja da qual Malafaia é pastor e que estaria recebendo Morris Cerullo para mais uma das suas conferências a respeito da Teologia da Prosperidade.

rio1Como sempre fazemos, estendemos nossas faixas para que todos que passassem pudessem lè-las e meditar sobre aquilo que levamos. Nosso objetivo é levar um pouco de consciência ao meio evangélico, que caminha por trilhos tortuosos, principalmente na sua teologia e na sua identidade.

Nossa participação nesse evento foi de grande valia. Só é possível entender Malafaia se você estiver próximo ao universo que o cerca. Isso nós conseguimos captar, estando de fronte à sua igreja, em uma atitude de contradição aos seus ensinamentos.

Fomos hostilizados, ameaçados como sempre somos em vários dos eventos nos quais participamos como movimento. Porém desta vez houve um ingrediente especial: o número de pessoas que nos hostilizou e que por diversas vezes repetiu que nós éramos invejosos por causa do sucesso de Silas.

rio2Em alguns momentos, chegamos a imaginar que o público iria cuspir em nós, ou até nos espancar, tamanha era a demonstração de repulsa das pessoas para com nosso ato. E olha que nossas faixas nada têm a dizer fora chamar o povo à reflexão.

Aos poucos fomos percebendo os porquês das atitudes. Subitamente, fomos cercados por viaturas policiais, fomos informados de que havia um grupo protestando e promovendo desordem no local.

É preciso dizer que estávamos presentes em quatro pessoas, diante de uma multidão de milhares de pessoas. O policial que veio atender a tal ocorrência, ao nos ver, logo concluiu que não oferecíamos ameaça alguma, a não ser na consciência daqueles que nos cercavam. O mesmo teve uma atitude até que engraçada, dispensando o reforço policial que também chegava ao local.

Dá para imaginar o que foi dito na chamada policial sobre nós.

A pergunta que faço: o que temos para ameaçar tão grande ministério, tão grande pastor?

A resposta veio logo, quando um grupo de homens nos cercou e com o dedo em riste nos perguntou: “quem são vocês? Como ousam? Esse ministério tem mais de trinta anos, e ninguém nunca ousou vir aqui na frente!”

Aí está a resposta.

rio3Silas Malafaia e as principais lideranças do meio pentecostal e neopentecostal não se acham na posição de serem questionados ou criticados por seus atos, ideias e teologia, pois se colocam em uma posição especial quanto às demais lideranças evangélicas.

É preciso afirmar em alto e bom tom que Silas Malafaia não representa os evangélicos brasileiros, pois a Igreja não se deixa representar por uma única fonte, e logicamente, não se deixaria representar por Silas Malafaia e sua Teologia da Prosperidade.

É preciso dizer que muitas são as igrejas e lideranças contrárias a essa teologia, pois representam uma Igreja que assume a sua responsabilidade social, bíblica para com o mundo. Uma responsabilidade que é cumprida através do amor, da justiça e da paz que está em Cristo. Uma Igreja que afirma que as essências do Evangelho não estão simplesmente no ter, mas no caráter cristão de sermos imitadores de Cristo.

Nesse sentido, temos que falar em alto e bom tom que Silas Malafaia fala por si só, fala por seus interesses, fala por sua ganância de conquistar mais e mais tesouros nesta terra. Para isso, não está medindo esforços nem financeiros, nem midiáticos.

É preciso que todos saibam essas verdades. Nós do MEEB reconhecemos que somos insignificantes diante do universo que cerca essas lideranças, porém vamos continuar exercendo nosso ministério profético, que é o de denunciar a realidade desses ministérios e dessas lideranças.

Não vamos nos calar. Vamos continuar a proclamar “voltemos ao Evangelho puro e simples, o $how tem que parar!”,

A Deus toda a glória.

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