Resoluções da Igreja para o novo ano

ano-novo-destroi-anos-de-idadeÀs vésperas de 2017, muita gente está fazendo sua listinha de resoluções para o próximo ano. Emagrecer, voltar a estudar, fazer uma viagem dos sonhos, arrumar casamento… Enfim, a simbologia de que tudo se modifique junto à mudança do calendário pode servir de alavanca para se deixar a procrastinação e o comodismo. Ou não (a repetição de certas resoluções ano após ano que o diga).

Mas e se as igrejas também tivessem sua lista de resoluções, de desejos para 2017? Imagino que seria mais ou menos assim:

– Fazer uma dieta urgente para perder a gordura das falsas conversões, que me tornam inchada e desnutrida espiritualmente;
– Fazer uma poupança nos céus, onde a inflação e o consumismo não corroem, distribuindo os recursos financeiros terrenos onde forem necessários para trazer dignidade às pessoas;
– Desapegar dos valores deste mundo, que têm ocupado um espaço muito grande em meu coração, tirando o espaço para Deus;
– Dedicar um bom tempo ao estudo e à prática das Escrituras, para não ser vítima de estelionatários e aproveitadores da fé;
– Adquirir o máximo de almas possível com o preço do sacrifício de Cristo e o amor por Ele ordenado;
– Tratar a todos com equidade, sem acepção de pessoas, não havendo distinção entre o menor e o maior ofertante, entre o desconhecido e o artista gospel, entre quem cometeu um ou outro tipo de pecado;
– Refutar com todas as forças a tentação da teologia da prosperidade, que me faz negar a Cristo em troca das promessas de satanás no deserto, enchendo-me de ganância pelas riquezas desta terra (de cujos valores preciso me desapegar);
– Exercitar diariamente o perdão, em sessões de setenta vezes sete;
– Viajar muito, não em caravanas gospel para Israel ou em cruzeiros marítimos com pregadores famosos, mas para os lugares onde minha presença se faz necessária para levar provisão, conforto e esperança aos necessitados;
– Deixar de confiar nos poderes político e econômico e passar a confiar Naquele que detém todo o Poder;
– Lembrar-me de que não sou feita de tijolos, mas de gente – e que preciso alimentar gente, não tijolos;
– Libertar-me da “cura e da libertação” e de todas as metodologias de crescimento e superstições gospel, que dificultam o acesso a Cristo ao impor rituais e cerimônias para a obtenção daquilo que Ele já me conquistou na Cruz do Calvário;
– Aguardar ansiosamente pelo meu casamento, nos céus, linda e ataviada, pura e santa. E enquanto aguardo a chegada do Noivo, que eu possa espelhar Sua luminosidade, trazendo, através do meu testemunho, luz a esse mundo em trevas.

E depois, 365 dias para colocá-las em prática. Será?

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Que as igrejas possam  sair do círculo vicioso no qual vivem há séculos e se definam como Igreja, como Corpo guiado pelo Cabeça que é Cristo.

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Algumas considerações sobre a condução coercitiva de Silas Malafaia

497861156-pastor-silas-malafaia-grava-video-indignado-por-ser-alvo-de-conducao-coercitiva-em-acao-da-policia-fOntem, a imprensa noticiou uma etapa da Operação Timóteo, da Polícia Federal, que investiga “um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral”. […] “O diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral, Marco Antonio Valadares Moreira, e a mulher dele foram presos pela PF.” (fonte: O Estado de São Paulo). Até aí, mais uma operação contra a corrupção no país. Porém, o (im)Pastor Silas Malafaia também foi alvo, através de um mandato de condução coercitiva.

O Canal Ciências Criminais traz uma boa definição do que é condução coercitiva:

“[…]’é um instrumento de restrição temporária da liberdade conferido à autoridade judicial para fazer comparecer aquele que injustificadamente desatendeu à intimação e cuja presença seja essencial para o curso da persecução penal, seja na fase do inquérito policial, seja na da ação penal.’ (Desembargador Cândido Ribeiro MEDIDA CAUTELAR CRIMINAL (BusApr) 0042276-27.2013.4.01.0000/DF.g.n.)

Além do conceito, é importante também ressaltar os requisitos para a condução coercitiva:

  • Intimação/comunicação regular para comparecimento ao ato
  • Recusa injustificada de quem foi intimado e não compareceu ao ato.”

Assim posto, vamos aos fatos:

Na manhã do dia 16/12 a Polícia Federal foi à busca de Silas Malafaia para conduzi-lo coercitivamente para depor a respeito de uma oferta que teria recebido a cerca de dois anos, de um dos envolvidos na investigação. Malafaia, que estava em São Paulo (por conta da inauguração da filial de sua igreja – vide artigo anterior), imediatamente lançou um áudio e posteriormente um vídeo explicando a situação: anos atrás, “orou” por um advogado, membro endinheirado do seu colega, pr. Michel Abud da igreja Embaixada do Reino de Deus. Então, há uns 2 anos, esse advogado entregou uma “oferta pessoal” de cem mil reais para Malafaia. Essa oferta em forma de cheque foi depositada na conta conjunta do (im)Pastor e sua esposa, e segundo ele, declarada em seu Imposto de Renda. A tal condução coercitiva seria uma forma do Poder Judiciário o intimidar, já que estaria “batendo forte” sobre a questão de abuso de autoridade.

Algumas considerações:

Em primeiro lugar, realmente não é muito compreensível o juiz ter emitido o mandato de condução coercitiva nesse caso. Afinal, segundo Malafaia, ele não foi intimado anteriormente e, se o fosse, não se recusaria a depor. Ao contrário do que aconteceu com o ex-presidente Lula, que se recusou a depor e por isso foi conduzido coercitivamente. Porém, de forma obrigatória ou de forma voluntária, a intimação ao depoimento atrairia de qualquer forma toda a atenção da imprensa, pois Malafaia é uma pessoa pública e bastante controversa, devido ao seu império eclesiástico e suas declarações, além do grande envolvimento na política.

Em segundo lugar, chama a atenção a rapidez com que Malafaia lançou sua defesa por áudio e vídeo. Enquanto a Polícia Federal fazia buscas em sua residência no RJ, Malafaia explicava, via áudio, os pormenores da oferta recebida há 2 anos. Ora, esse (im)pastor, pelo negócio que administra, deve receber muitas, mas muitas ofertas de todos os valores possíveis. Assim, como foi possível se lembrar especificamente da oferta objeto de investigação? Teria alguém infiltrado na PF ou no Judiciário, que lhe passaria informações privilegiadas? Teria recebido essa oferta ciente de sua proveniência duvidosa? Teria sido alertado profeticamente do problema que iria acontecer?

Sinceramente, não sei. Só sei que é muito suspeito alguém se defender imediatamente de uma coisa que aconteceu há muito tempo e da qual acaba de ter conhecimento.

Só lembrando, durante anos, enquando o PT ainda governava o Brasil, Malafaia volta e meia alertava a seus fiéis de que os “esquerdopatas” (como ele se refere aos petistas) estariam armando alguma armadilha ou mentira para denegrir sua imagem. É irônico que sua “profecia” tenha se realizado justamente após a queda do PT, em pleno governo PMDB, dos seus amigos Eduardo Cunha e Michel Temer.

Em terceiro lugar, a questão da “oferta pessoal”. Que um pastor, um padre, um funcionário público, um bancário, recebam, no exercício de sua função, algum presente, sem problemas. Mas quando o presente é da ordem de cem mil (o valor do tal cheque), ou um Mercedes E500 blindado na Alemanha, a situação passa a ser no mínimo constrangedora, quando não claramente corruptível.

Ou um funcionário público teria coragem de multar alguém que lhe presenteou com cem mil reais? E como um pastor pode exortar alguém que lhe dá cem mil reais?

Não à toa, vemos o réu preso Eduardo Cunha como membro da Igreja Assembleia de Deus no Brás, e vemos esse tal advogado Jader como membro da Embaixada do Reino de Deus. E quantos outros Cunhas e Jaders não existem nas igrejas, posando de bons e generosos moços, comprando seus líderes eclesiásticos com muito dinheiro, achando que assim compram, também, o perdão de sua iniquidade e a salvação eterna (sem ter que deixar a corrupção para isso)?

E o que dizer desses (im)pastores, que pensam que podem vender o perdão e a salvação eterna, desfrutando do dinheiro de quem os possa corromper?

O funcionário público, quando recebe um presente de grandes proporções, precisa recusá-lo veementemente ou, na impossibilidade disso, doá-lo para alguma entidade. Mas Malafaia acha que não precisa fazer isso, que não precisa se desfazer do dinheiro em prol de missões ou de entidades que cuidam de pessoas, afinal ele é filho do rei, é cabeça e não cauda, veio para vencer e prosperar e todo esse blablablá da demoníaca Teologia da Prosperidade da qual tornou-se grande divulgador. Eis que começa a colher os frutos de sua imprudência e ganância.

Um adendo: quando ainda tentava salvar sua pele, a ex-presidente Dilma promulgou uma lei que anistiou os pastores e outros líderes religiosos de multas que teriam, junto à Receita Federal, por erros em suas declarações de renda pessoais. Além disso, isentou-os totalmente a partir de então (antes a isenção era só para as contas das instituições religiosas). Silas Malafaia, nessa história, foi anistiado em 1,5 milhão de reais. Ou seja, muuuuito dinheiro, talvez de “ofertas pessoais”, havia sido “canetado” até então. E após isso, pode cair quantas “ofertas pessoais” quiser em sua conta, que nada será tributado junto à Receita Federal.

Não sei porque, mas lembrei que tenho que fazer lavagem… de algumas roupas, aproveitando o dia de sol.

Por fim, fica o recado dado pela Operação Timóteo (baseada na carta a Timóteo, capítulo 6):

“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.” – 1 Timóteo 6:9-11

Faixa vista por Malafaia nas Marchas para Jesus no Rio. Infelizmente, ele não pode dizer que não foi avisado.

Faixa vista por Malafaia nas Marchas para Jesus no Rio. Infelizmente, ele não pode dizer que não foi avisado.

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Malafaia abre filial de sua empreja na capital do capital

silas_malafaiaHoje o (im)Pastor Silas Malafaia está todo radiante. Afinal, é o dia da inauguração do “templo provisório” da sua igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) na cidade de São Paulo. Disse ser um templo provisório, pois já tem o terreno e o projeto para a construção de uma catedral para até 9 mil fiéis. No templo provisório, localizado em frente ao Shopping Mooca Plaza, a capacidade é de 4 mil pessoas.

Inteligente a estratégia de empreendedorismo gospel do Malafaia na capital financeira do país. Primeiro, abre uma grande igreja num ponto de relativo fácil acesso (estação de trem, tendo como ponto de referência um shopping). Como a cada culto suporta 4 mil pessoas e deverão ser em média uns 6 cultos semanais (tendo como referência a programação do templo no Rio de Janeiro), imagina-se uma grande arrecadação semanal na forma de dízimos e ofertas.

E essa arrecadação tende a ser bastante agressiva. Afinal, existe um terreno (que se dirá que precisa ser pago), um grande projeto de catedral gospel (que precisa ser viabilizado, para aumentar o número de frequentadores de 4 para 9 mil a cada culto), fora, obviamente, o valor do aluguel e das despesas do templo provisório e, claro, ajuda para o pagamento dos programas de televisão.

Só a título de curiosidade, a catedral malafaiana carioca custou a bagatela de 30 milhões de reais. Quanto custará a catedral paulistana?

Não importa. O que importa é que o empresário de visão vai para onde o dinheiro está. Apesar da crise, é em São Paulo que circula boa parte do dinheiro do país. E um dia a crise vai embora (segundo alguns economistas, haverá melhoras a partir de 2018).

Mas existem dois setores que não sofrem (ou sofrem muito pouco) com a crise: o setor bancário e o mercado da fé. Esse segundo, ainda por cima costuma dar um pequeno prejuízo para o primeiro. Explico:

Na Teologia da Prosperidade, na qual o “deus” dá retorno ao fiel proporcionalmente ao que dele recebe na forma de ofertas e dízimos entregues à instituição religiosa, a ideia é dar o máximo possível para receber no futuro esse máximo multiplicado 10, 20, 100 vezes mais. Em nenhum lugar do mundo os bancos oferecem lucratividade tão alta em tão curto espaço de tempo (os impastores costumam propagar a bênção em uma semana, um mês, um ano quando muito). Assim, qualquer um que tenha noções mínimas de matemática (e nenhuma noção do que Jesus Cristo realmente ensinou) entende que é mais lucrativo tirar o dinheiro da poupança e aplicá-lo no poço sem fundo das igrejas da prosperidade. Como, em meio a uma multidão de fiéis, estatisticamente alguns realmente ficarão prósperos (com ou sem dízimo), esses alguns se tornam testemunhos poderosos de que o negócio com o Sagrado realmente funciona. E assim, líderes religiosos inescrupulosos conseguem manter seus impérios apesar de quaisquer crises.

Eu mesma sei de várias pessoas que retiraram todo o dinheiro de suas aplicações financeiras para transferi-los para contas de igrejas que seguem a diabólica Teologia da Prosperidade. Infelizmente, por mais que se tente demovê-las, isso não é possível. A lavagem cerebral feita nessas igrejas é tão grande a ponto dos fiéis acharem que serão castigados caso desobedeçam às ordens do seu (im)pastor. Como exemplo, um triste caso contado no Facebook, no qual uma senhora carregava a culpa da morte de seu filho por não ter dizimado no mês em que ele coincidentemente morreu.

nova-sede-ad-vitoria-em-cristoMas voltemos ao empresário gospel e mercador da fé, o (im)Pastor Silas Malafaia. Aberta a filial provisória da sua empreja, a meta inicial será convencer os fiéis de que precisam ajudar – e muito! – financeiramente para o pagamento do templo provisório, dos programas de tevê e para a construção do megatemplo oficial. E dá-lhe campanha financeira, pregações de autoajuda gospel, venda de bênçãos em troca de grandes ofertas, enfim, tudo aquilo que ele já faz há tempos.

E Evangelho de Jesus Cristo que é bom…

E, uma vez realizado o projeto do megatemplo, São Paulo terá mais uma grande catedral linda e imponente, cheia de pompa e circunstância, pronta para concorrer com o Templo de Salomão, com a Cidade Mundial e com tantas outras catedrais que, de Jesus Cristo, Aquele que é manso e humilde de coração, não têm nada.

Estão mais para antros de adoração a Baal e a Mamom, pois ensinam a adorar a si próprio, a ser maior e melhor do que os outros e a amontoar tesouros nessa terra que jaz no maligno.

Como empresário da fé, Malafaia está é muito certo. Está investindo na cidade onde pode ganhar muito dinheiro. Investindo é modo de dizer, pois o dinheiro virá dos fiéis, totalmente livre de impostos e deduções. E no final, o megatemplo luxuoso não pertencerá a Deus ou aos fiéis. Pertencerá à Malafaia e sua família, embora conste o nome de ADVEC como proprietária. Ou alguém acha que os feudos saem das mãos de seus donos? Hoje o presidente da ADVEC é Malafaia, amanhã será o Malafaia Júnior, depois o filho do Júnior, e assim por diante. Mas quem investiu – e muito! – continuará de campanha em campanha, esperando uma prosperidade financeira que só os líderes religiosos, com seus argumentos sem qualquer escrúpulo religioso, conseguem obter.

Aqui cabe um adendo: anos atrás a Revista Forbes nomeou Malafaia como um dos 3 pastores mais ricos do Brasil, com uma fortuna estimada em 150 milhões de dólares. Malafaia está processando a revista, afinal alega que esses milhões não são dele, estão em nome da ADVEC. Está tudo claro ou preciso desenhar?

Se, como empresário, Malafaia está certo, como Pastor Malafaia está no caminho errado. Espiritualidade, santidade, fé, temor a Deus não se mede pelo tamanho ou luxo do templo. As Escrituras nos ensinam, ao contrário, que o Templo do Espírito Santo somos nós, eu, você, o pobre, a viúva, o doente, o necessitado. Nesses templos é que a verdadeira Igreja investe seus recursos.

Os valores do mundo são o mais e o melhor. Os valores de Deus, o menos e o menor, para que ninguém Lhe roube a glória. Jesus morreu em nosso lugar não para que nos assentássemos em poltronas de couro e debaixo de potente ar condicionado, mas para que fôssemos salvos apesar de sermos pecadores. Muitos enriquecemos líderes religiosos e suas instituições pela ganância do recebimento da bênção cem vezes mais, mas somos incapazes de ajudar um parente ou conhecido que passa, nesses tempos de crise, por grave situação financeira. Na igreja, temos a promessa de multiplicação aqui e agora. Mas ajudar ao pobre, em que serei retribuído?

Infelizmente, só temos sido ensinados a juntar tesouros na terra, e Malafaia é um desses professores. Ah, se juntássemos tesouros nos céus!

Termino com um longo vídeo (mas que vale muito a pena ser visto), de uma pregação do (im)Pastor Silas Malafaia, na qual anos atrás ele desafiou os críticos de seus ensinos a mostrar onde estava a heresia. Confesso que foi muito fácil, pois Malafaia não prega em prol do Reino, mas em prol de si mesmo.

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Conferência Vozes

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A Conferência Vozes (18 a 20 de novembro) tem como tema Reflexões a Partir de uma Visão Cristocêntrica. Embora ocorra no Acre, tem transmissões ao vivo pelo Youtube (canal Ibr Oficial), e as palestras e debates ficam disponíveis para visualização posterior. Além disso, há o site do evento, que traz toda a programação: www.conferenciavozes.com.

Participam da conferência:

Pr. Geremias Couto – RJ
Pr. Paulo Siqueira – SP
Pr. Hector Vargas – SP
Pr. Joaquim Ribeiro – AC
Pr. Marcos Lopes – AC

Que possamos juntos refletir sobre a centralidade de Jesus Cristo na Igreja nos dias de hoje.

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De que vale ser Protestante se até na igreja há quem prefira as bruxas?

31cOntem, dia 31 de outubro, uma pequena parte da população se lembrou de Martinho Lutero, Calvino, Zwínglio, Huss, Pedro Valdo e tantos homens e mulheres que, na defesa da pureza do Evangelho, não hesitaram em até dar suas próprias vidas. E uma parte bem maior estava às voltas com a celebração mitológica e mística das bruxas, num mini carnaval fora de época.

E nós do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) nos colocamos diante da sede da Igreja Plenitude do Trono de Deus, no Brás, com faixas que remetiam à reflexão sobre a importância do resgate dos valores cristãos, a tônica dos reformadores.

Mas ali, diante daquelas pessoas que olhavam as faixas e logo depois adentravam no templo, fiquei me perguntando: de que vale estarmos aqui?

Enquanto estávamos lá fora, imagino que do lado de dentro acontecia o que fora antes anunciado: uma reunião de pastores e empresários, com o mote na vitória financeira e com o bônus da revelação da “visão apostólica” para 2017 para quem estava sob a “cobertura espiritual” do Apóstolo (?) Agenor Duque.

“Visão apostólica”, “cobertura espiritual”… onde você já ouviu essas expressões?

Se você respondeu movimento apostólico e de batalha espiritual e cura interior, penso que acertou.

No espiritismo kardecista, temos uma “revelação”. Allan Kardec teve como guia um espírito que se autointitulava “Espírito de Verdade”, e que se dizia o Consolador prometido por Jesus Cristo há 2000 anos. As informações do “Espírito de Verdade” eram condizentes com o amor ao próximo e, por que não dizer? com o amor e a busca de justiça e paz. E muitos outros também tiveram “revelações” divinas: Joseph Smith (através do Anjo Moroni), José Luis de Jesus Miranda (que se dizia o Jesus Cristo Homem), etc. E a partir dessas “revelações”, cada um criou sua religião embasada na figura de Jesus Cristo. Até o espiritismo kardecista se autointitula cristão, pois considera Jesus o “maior espírito” que já pisou na Terra, além de ser uma espécie de governador do planeta espiritualmente falando.

Assim, uma “revelação” não é divina ou cristã só porque se coloca o nome de Jesus na história. E a grande prova é que há atualmente centenas ou milhares de igrejas com a inscrição “Jesus Cristo é o Senhor” na entrada, porém que em nada refletem o caráter cristão e a direção do Espírito Santo.

Cientes disso, vamos brevemente analisar a “visão apostólica” (ou “palavra profética”) e a “cobertura espiritual”:

O atual movimento apostólico é bastante recente. O anterior ocorreu na Igreja Primitiva, com os Doze mais o Apóstolo (de verdade) Paulo. Passaram dois mil anos após a morte do último Apóstolo (de verdade), e em dois mil anos não houve a falta desse chamado ou dom. Ninguém reivindicou ser apóstolo, a Palavra não deixou de ser pregada em toda a terra apesar das pesadas perseguições. Porém, 2ooo anos depois alguém aprouve ressuscitar esse título, que coincidentemente recai sob líderes de igrejas grandes, que repassam o título para líderes de pequenas congregações, e esses últimos são voluntariamente obrigados a estar sob a “cobertura espiritual” de quem os ungiu Apóstolos (?).

A “cobertura espiritual” é um negócio (literalmente) interessante. Pressupõe que o Apóstolo (?) Mor, o que tem o maior ministério, o que unge, por ser bem sucedido segundo os valores do mundo (ou seja, tem grandes templos, carros, jatinhos, seguranças, horários em rádio e tv, influência com políticos, etc) tem o poder de passar toda sua “unção” para pastores mais humildes, em início de carreira. É claro, contanto que eles aceitem o negócio: são ungidos Apóstolos (?) também (o que por si só já lhes aumenta a autoestima, pois é uma massagem e tanto no ego), e recebem oração especial e constante do líder maior. Mas como em todo negócio, há sempre a contrapartida: a exigência de fidelidade total e irrestrita do apostolozinho ao apostolozão (inclusive no que tange a apoio aos políticos indicados e direcionamento dos votos dos fiéis), e claro, quantias mensais pagas religiosamente (afinal, todo clube tem despesas de manutenção). E seguir a “visão apostólica” do chefe é item básico nisso tudo.

A prova cabal de que a “visão apostólica” depende do freguês é que, ano após ano, cada Apóstolo (?) envia sua visão, diferente das visões dos demais. Ora, mas se o Espírito Santo é o mesmo, como isso é possível?

Exemplo: “visão apostólica” 2016

Igreja Apostólica Renascer em Cristo: ano apostólico de Israel (conquistas, prosperidade e avanço);
Igreja Reino dos Céus: ano apostólico de Davi (edificação dos seus sonhos);
Comunidade Vida: ano apostólico da colheita sobrenatural (constituição Apostólica como primogênito, herdeiro, realizador, consagrado e abençoado do Deus vivo).

E por aí vai.

Da mesma forma que alguns ressuscitaram o apostolado 2000 anos depois da morte do último Apóstolo, os espíritas também, quase 2000 anos depois, reinventaram o Espírito Santo, se apossando dele através da alcunha de Espírito de Verdade. E da mesma forma que os espíritas se maravilham dos fenômenos que ocorrem nos centros (incorporação, psicografia, revelações do futuro, pintura mediúnica, cirurgias espirituais que curam doenças, etc), os adeptos do movimento apostólico buscam não a Palavra de exortação que leva ao reconhecimento do pecado e ao arrependimento e verdadeira conversão, mas buscam o espetáculo das curas milagrosas, das profecias sobre o futuro, dos rituais judaizantes, das quedas no “espírito” e gritarias de supostos demônios (muitas vezes apenas transe hipnótico), do ouro e da púrpura dos templos e de seus líderes.

Tudo muito lindo, muito milagroso, muito espetacular, muito feliz. Mas onde está Jesus em tudo isso?

Lutero também não viu Cristo na pompa e circunstância da Catedral de Wittenberg. Nem nas roupas luxuosas dos cardeais. Nem na “infalível” e quase toda poderosa figura papal. Nem na bolsa de Tetzel, que tilintava com o chacoalhar das moedas de ouro conseguidas na venda de objetos ditos sagrados (ou, no linguajar atual, “ungidos”). Tanto não viu Cristo, que Lutero se dispôs a escrever suas teses, no intuito de trazê-Lo à vista de todos (mesmo desagradando, assim, a muitas pessoas).

Pronto. Agora sei a resposta para a pergunta do terceiro parágrafo deste texto.

“E, chegando um, anunciou-lhes, dizendo: Eis que os homens que encerrastes na prisão estão no templo e ensinam ao povo.
Então foi o capitão com os servidores, e os trouxe, não com violência (porque temiam ser apedrejados pelo povo).
E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou,
Dizendo: Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina, e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem.
Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.
O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro.
Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.
E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem.” – Atos 5:25-32

Cada vez que, em nome de Jesus, se produzem heresias, é a Ele que tentam novamente matar e crucificar. É o véu do templo que tentam recosturar, dificultando a aproximação a Deus para se obter vantagens na intermediação entre o Divino e o fiel.

Mas Ele tem a Vida Eterna. E já rasgou o véu do templo. TUDO está consumado, não dependendo de rituais místicos para nos achegarmos ao Sagrado.

Que Deus abra os olhos do Seu povo.

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Os desafios da Igreja Cristã num mundo pós-moderno

Somos a quarta nação em índices de corrupção no mundo. Somos um dos países mais violentos do globo terrestre. Nossa qualidade na educação não supera pequenos países da América do Sul, sem contar a triste realidade da saúde, do saneamento básico, moradia, etc.

Nossos índices de pobreza e miséria em alguns Estados se assemelham a países da África. Muitos dizem: “mas está melhorando”. Eu digo: já foi pior, por isso notamos algumas diferenças.

O mais triste desta realidade é que a igreja evangélica brasileira diz crescer em meio a tudo isso. Esse crescimento só tem destaque pois a avaliação é dentro de uma perspectiva puramente quantitativa. Os números não condizem com a qualidade do Evangelho de Cristo.

Nossa sociedade demonstra resultados contrários para uma nação genuinamente cristã. Vivemos no Brasil uma atmosfera dos resultados do que seria o Evangelho de Cristo, pois o Evangelho vive e existe numa perspectiva qualitativa.

Muitos são os que se enganam, acreditando que simplesmente o fato de ser membro de uma instituição evangélica lhes garante a vida eterna. Ser um cristão genuíno envolve muito mais coisas do que simplesmente estar inserido nesse sistema de clientelismo religioso.

Essa realidade e suas complexidades, bem como suas possíveis transformações, serão debatidas amanhã no programa A Última Trombeta na Rádio Cear, um ministério radiofônico que se utiliza dos meios de comunicação para levar o Evangelho a muitos países.

Você é o(a) nosso(a) convidado(a) para refletir sobre a realidade do mundo religioso que nos cerca.

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Uma triste expectativa para a Igreja Brasileira: a era de Laodiceia

rene“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” – Apocalipse 3:15,16

No dia 10 de setembro nós do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) estivemos no Congresso Estadual M12SP, no Estádio da Portuguesa em São Paulo. Esse evento é liderado pela autointitulado Apóstolo-Patriarca Renê Terra Nova, criador de mais um processo metodológico de crescimento para igrejas, onde os cultos nos lares reproduzem as teologias místicas do líder referido.

Nesse evento, o Apóstolo-Patriarca trataria da “Reforma”, que para ele parte do “manto apostólico” gerando avivamento. Meu Deus! O que seria tudo isso?

Estivemos na porta de entrada com nossas faixas, camisetas e folhetos, no intuito de chamar a atenção e despertar o povo para uma consciência essencialmente cristã. O texto que vos apresento é uma reflexão diante do que vi e ouvi naquele lugar.

Primeiramente, não posso negar: Renê Terra Nova e sua nefasta teologia atrai pessoas, principalmente jovens. Porém, a questão aqui é refletir sobre essas pessoas.

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Lamentavelmente, o conhecimento bíblico e sua reflexão é o que menos importa nesses ambientes. Algumas pessoas até concordam que a Igreja precisa passar por transformações, porém não permitem, em hipótese alguma, que alguma crítica seja feita à sua liderança e muito menos que as ideologias ali pregadas sejam contestadas ou colocadas à prova. Essas pessoas estão sob a influência da Teologia do Medo, fundamentada no texto de 1 Samuel 26, na triste crônica do “não toqueis nos ungidos”. Também na famigerada Teologia da Prosperidade, que se fundamenta nas obrigações de Deus de abençoar o fiel que oferta e dizima. Essas teologias trazem uma atmosfera mística, mágica, como se um anjo fosse pousar no referido local de culto.

O que se observa nesses ambientes são pessoas num certo transe, movidas por uma perspectiva de algo grandiosamente sobrenatural. O triste de tudo isso é que nesses eventos temos um número incontável de adolescentes e jovens, envolvidos por essas lideranças e por esses propósitos.

Por isso minha reflexão nesse texto é de uma triste expectativa para a Igreja Brasileira, pois no Brasil temos vários segmentos dessa mesma realidade. Renê Terra Nova chama sua metodologia de Mir12, porém temos outras variantes, por exemplo o Movimento Celular do Cesar Castelhanos (G12), o MDA de Santarém (PA), agora temos igrejas históricas com suas cópias e transformações da metodologia, enfim, temos muitas igrejas envolvidas com esses métodos que têm como única finalidade produzir números, tanto de frequentes como de arrecadação financeira para as diversas instituições religiosas.

pastor-e-dinheiroPor que essa perspectiva é ruim, a meu ver?

Porque essas pseudoteologias não se fundamentam na Palavra de Deus. Não são cristocêntricas. Fundamentam-se numa fonte de entretenimento e não numa fonte de espiritualidade.

Lideranças como Renê Terra Nova não representam o caráter cristão, que era a marca predominante dos verdadeiros apóstolos de Cristo. E o lamentável, Renê Terra Nova está conseguindo reproduzir suas ideias e sua metodologia, cegando a muitos.

Muitos jovens querem se espelhar em Renê e demais lideranças.

O que esperar de uma igreja que tem suas bases não fundamentadas na Palavra, e que se fundamenta no entretenimento, no lucro e no crescimento numérico?

Triste, mas estamos plantando ervas daninhas nos pastos verdejantes do Senhor. Isso não vai acabar bem.

A Igreja está entorpecida com os elementos da pós-modernidade. A Igreja está trocando o Eterno pelo momentâneo, pelo passageiro. Os cultos promovidos pelo Renê e sua turma objetivam o consumismo e perpetuam os valores terrenos, ou seja, preciso comer o melhor dessa terra. Mas muitos se esquecem que o Senhor Jesus nos ordenou a não ajuntarmos tesouros nessa terra.

Infelizmente, essas metodologias tiram a Igreja de sua verdadeira essência, que é transformar o caráter do ser humano, fazendo-0 uma nova criatura em Cristo Jesus.

Temos muita emoção, porém pouca razão. Muita música, muita dança, muito pulo, muitos gritos, porém pouca espiritualidade. E quando se pensa que há uma espiritualidade, essa aparente espiritualidade é fruto de técnicas neurolinguísticas, hipnose, transes coletivos, ou seja, uma esquizofrenia coletiva, com ares de uma espiritualidade.

Se você for dialogar com as pessoas que participam desses eventos, a resposta é sempre a mesma: “foi tremendo”. Como se estivessem em transe. Porém, muitos se esquecem de que o verdadeiro sentido do genuíno cristianismo está na transformação dos seres humanos no seu cotidiano. Ou seja, novas criaturas que refletem os valores cristãos nas suas atividades diárias, seja no trabalho, seja na família, ou seja, em toda a sociedade.

Nesse sentido, esses eventos não refletem a realidade do nosso país, onde o pecado reflete os altos índices de corrupção, de violência, de uso de substâncias tóxicas, lícitas e ilícitas, a má qualidade da nossa política e  dos nossos políticos e, consequentemente, a má qualidade das nossas igrejas, que também nesse contexto reproduzem uma péssima teologia, teologia essa quase inexistente, pois no nosso país as teologias produzidas só existem para os interesses daqueles que a produzem.

O reflexo disso são as nossas universidades. Todas possuem donos, onde se ensinam as teologias de interesses. Essa é a razão de termos comunidades eclesiásticas de interesses.

Tudo isso são reflexos de uma era pós-cristã. Isso mesmo. Estamos vivendo dias de um pós-cristianismo, pois as igrejas e suas lideranças não mais se importam com as essências do Cristianismo.

Vivemos um momento onde não importa o certo, mas sim o que dá certo, o que dá lucro, o que dá crescimento, o que dá resultado. Lamentavelmente, a cultura do jeitinho brasileiro adentrou nossas igrejas, influenciando as lideranças e também a membresia. O importante é que estou recebendo a bênção, não importa se é fruto de heresias, se é fruto de hipnose, de transe ou pura emoção. O importante é a bênção.

Muitos são os cristãos que frequentam essa realidade há anos e nada sabem sobre a volta de Jesus, sobre o julgamento de cada individuo diante do trono de Deus. Muitos jamais leram os primeiros capítulos de Apocalipse, onde o Senhor avalia as igrejas, numa linguagem também futurística, prevendo a realidade das igrejas da modernidade.

Diante desses textos, classifico que estamos na era de Laodiceia, onde a igreja não é quente nem fria, é morna, morna porque tem uma aparência de santa, porém é extremamente pecadora, pois não é dependente de Deus, mas sim de homens. Morna porque sua espiritualidade é falsa, pois suas essências são momentâneas, são passageiras, são emocionais, fruto de metodologias e entendimento puramente humanos, ou seja, irreais e falsos. Morna porque seu crescimento não se fundamenta em almas convertidas, transformadas pela ação do Espírito Santo através da Palavra genuína de Deus. Morna porque busca o lucro, que se fundamenta nas riquezas deste mundo e seus valores que produzem desigualdades e o sofrimento de muitos.

laodiceia1À Igreja de Laodiceia restou ao Senhor vomitá-La.

Confesso que diante do que tenho visto nesses últimos anos, participando de diversos eventos, também estou nauseado, também sinto vontade de vomitar. Talvez faça isso em forma de palavras, porém é minha tentativa de despertar e conscientizar alguns de que a Igreja de Cristo não é isso o que estamos vendo, pois a Igreja Genuína persevera na Palavra, persevera na comunhão, tem tudo em comum, é dependente totalmente de Deus e por isso luta pela justiça, pela verdade e pela paz.

E acima de tudo, é solidária, é piedosa, não vive para os seus próprios prazeres, mas vive pelo próximo, luta pela vida. Não tem seus pés fixados nesse mundo, mas ao contrário, almeja a casa que o Senhor foi nos preparar junto ao Pai.

Ou seja, a nossa verdadeira morada.

Minhas expectativas são de que muitos ainda serão despertados, porque minhas expectativas estão fundamentadas na Palavra de Deus. É Nele que creio e confio.

Quem tem ouvidos, que ouça a voz do Espírito Santo.

Paulo Siqueira

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