Marcha dos políticos supostamente para Jesus no Rio de Janeiro: o $how tem que parar!

marchario2Ontem, dia 30/05, houve a Marcha para Jesus no Rio de Janeiro. Como sempre, muita música, muita dança, muito grito, muita festa. E muitos políticos também.

O tema da marcha do Malafaia (pois ele é quem manda na organização do evento carioca) foi “Pela família, pelo Brasil e contra a corrupção”. Um tema muito bonito, mas…

Como em todo ano, no trio-elétrico do Malafaia desfilaram alguns pastores e muitos políticos: o Senador Magno Malta, o presidenciável Pr. Everaldo, o Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, o Deputado Federal Jair Bolsonaro (católico, mas sempre presente), entre outros. Sentimos a falta do Senador Lindbergh Farias, presente em outras edições da Marcha, sempre sendo bastante honrado pelo Malafaia, com direito a se apresentar no palco principal e tudo o mais.

Marcha pela família, pelo Brasil e contra a corrupção…

Vamos começar pelo Deputado Eduardo Cunha, grande aliado de Malafaia. Segundo a revista Veja:

“Embora não tivesse muita afinidade política com Garotinho, foi nomeado para a presidência da Companhia Estadual de Habitação (Cehab), que controla as verbas destinadas à construção de casas populares. Foi acusado de favorecer uma empreiteira vencedora de concorrências consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Assim como Garotinho, hoje é deputado federal eleito pelo PMDB. Ambos são inimigos declarados e, no começo de 2011, trocaram uma série de insultos via Twitter. Cunha é alvo de inquérito no STF por crimes contra a ordem tributária. Também responde a ações por crime de improbidade administrativa. Em 2014, concorre novamente a uma vaga na Câmara.”

Selfie dos homens de Jenezio

Selfie dos homens de Jenezio

Hummm… e que tal o Pr. Everaldo? Segundo o jornalista Lauro Jardim:

“O pastor Everaldo Dias (PSC), o quarto colocado entre os candidatos a presidente, de acordo com todas as pesquisas, escolheu o tema família como mote de sua campanha. É justamente de casa, contudo, que surge uma acusação grave contra o candidato evangélico.

No ano passado, a ex-mulher de Everaldo, Katia Maia, levou ao STJ um processo em que o acusa de agressão física, seguida de ameaça de morte. Na ação, há relatos de “chutes e socos, o que causou a perfuração da membrana timpânica” de Katia.

Everaldo diz que agiu em legítima defesa depois de uma perseguição de carro pelas ruas do Rio de Janeiro.

Em 2012, o pastor foi condenado na primeira instância a pagar para a ex-mulher uma indenização de 84 450 reais por danos morais e materiais. Everaldo reverteu a decisão no Tribunal de Justiça do Rio e agora o caso está em Brasília.”

Sobre o Senador Magno Malta, consta acusação de envolvimento no Escândalo dos Sanguessugas:

“Segundo os Vedoin, combinou a apresentação de emendas favoráveis à Planam no valor de 1 milhão de reais e recebeu como adiantamento um Fiat Ducato, que usou entre 2003 e 2005.

marchario3O que aconteceu

Malta foi reeleito senador pelo PR do Espírito Santo em 2006. O Conselho de Ética arquivou a acusação naquele ano, mas o senador ainda é alvo de inquérito no STF, que corre sob segredo de Justiça.”

E o que dizer do Deputado Jair Bolsonaro? Apesar de se dizer cristão católico, além de ser a favor da pena de morte, ainda é favorável à tortura:

“(…) A uma emissora de TV, Bolsonaro disse também que ‘a situação do país seria melhor hoje se a ditadura tivesse matado mais gente’.
Entre os que deveriam ser eliminados, ele incluiu o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Posteriormente, Bolsonaro defendeu novamente a tortura. Referindo-se ao ex-padre José Antônio Monteiro, que denunciou o ex-diretor-geral do PF João Batista Campelo por tortura, afirmou: ‘É o que dá torturar e não matar’.”

Antes do envolvimento na Operação Lava-Jato, Lindbergh Farias estava em todas com o Malafaia.

Antes do envolvimento na Operação Lava-Jato, Lindbergh Farias estava em todas com o Malafaia.

E, apesar de não estar presente neste ano, como podemos nos esquecer do Senador Lindbergh Farias, que conseguiu se eleger graças ao apoio dos evangélicos, por “indicação” e influência de Silas Malafaia?

“A base da investigação são dois depoimentos prestados ao Ministério Público Estadual (MPE) pela ex-chefe de gabinete da Secretaria de Finanças de Nova Iguaçu Elza Elena Barbosa Araújo. ÉPOCA obteve cópias das declarações, prestadas em fevereiro de 2007 e até aqui mantidas sob sigilo. Elza disse que, logo no início do mandato de prefeito, em 2005, Lindbergh montou um esquema de captação de propina entre empresas contratadas pelo município. O valor podia chegar a R$ 500 mil por contrato. O dinheiro sujo, segundo Elza, chegava à sala da secretaria em bolsas e maletas trazidas por empresários. Depois as quantias eram usadas, conforme ela disse, para quitar despesas pessoais de Lindbergh.

Pregação no Largo da Carioca

Pregação no Largo da Carioca

Segundo os depoimentos, o esquema ainda bancava as prestações de um apartamento da mãe de Lindbergh, Ana Maria, num edifício em Brasília. Elza relatou que numa das ocasiões, em 11 de julho de 2005, ela saiu da prefeitura com R$ 15 mil em dinheiro para pagar uma das prestações do imóvel. Sobraram R$ 4.380, que Elza disse ter depositado na conta de Lindbergh. Ela também afirmou que a propina abastecia a conta da empresa Bougainville Urbanismo, que pertence a Carlos Frederico Farias, irmão de Lindbergh que mora na Paraíba, terra natal de Lindbergh. A empresa recebeu, ainda conforme a acusação, quatro depósitos que totalizaram R$ 250 mil.

O MPE considerou os depoimentos “homogêneos e ricos em detalhes”. Os procuradores disseram que receberam documentos de Elza, incluindo uma planilha, chamada “pendências para Chico”, uma referência ao nome do então secretário de Finanças de Nova Iguaçu, Francisco José de Souza. A lista traz “diversos números de contas bancárias, valores de dívidas e pagamentos que deveriam ser efetuados por Chico em favor do prefeito e seus familiares”, diz o MPE. Com base no material, os procuradores abriram uma investigação e pediram, em julho de 2008, a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lindbergh, sua mulher, sua mãe, dois irmãos e sete empresas da família, incluindo a Bougainville.

marchario6O Tribunal de Justiça (TJ) autorizou a quebra de sigilos relativa ao período de junho de 2004 a junho de 2008. Exatamente um ano depois, em 2009, o TJ estendeu a medida aos cartões de crédito e aplicações em Bolsas de Valores. ÉPOCA obteve cópias das duas decisões relativas às quebras de sigilo, que também permaneciam inéditas. De acordo com o desembargador Alexandre Varella, os extratos dão sustentação às acusações de Elza. Varella afirmou que o pedido do MPE não tinha como base apenas os depoimentos da ex-funcionária. “Foram inquiridas testemunhas que confirmaram a presença de pessoas por ela mencionadas na referida prefeitura”, como os portadores de malas com dinheiro.”

E então? Você ainda concorda com o slogan que o Malafaia escolheu para sua Marcha de 2015? Ou concorda com a manchete do jornal O Dia?

Marcha para Jesus ganha tom político

Deputados da bancada evangélica, além do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, participam de evento

marchario4Infelizmente, essa marcha não foi para Jesus. Também não foi pela família, pelo Brasil e contra a corrupção. Essa marcha, como infelizmente todas as demais, têm um único objetivo: mostrar ao mundo que meia dúzia de lideranças evangélicas têm poder sobre uma multidão de milhares de fiéis. Esse poder se manifesta sob a forma de influência em todos os assuntos: nos valores morais, no investimento de suas finanças e até na escolha de políticos que venham a governar o Brasil. Não à toa, tantos políticos se aliam aos religiosos. E tantos religiosos buscam se infiltrar na política.

Mas como influenciar multidões e fazê-las concordar com nossos pensamentos, com nossas escolhas, com nossos candidatos ao poder? Dando-lhes aquilo que elas mais gostam: música, dança, festa, alegria, entretenimento – e tudo isso sob uma falsa aura de espiritualidade. Afinal, não estão numa rave. Estão numa autointitulada Marcha para Jesus.

Porém, é tudo tão diferente de Jesus…

Jesus não estaria no alto de um trio-elétrico, estaria caminhando entre o povo. Seria tão disponível que até uma mulher conseguiria tocar Suas vestes em meio à multidão.

marchario7Jesus não estaria rodeado de políticos. Estaria rodeado de pecadores e marginalizados, pois os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.

Jesus não estaria cantando e dançando funk e afins para Deus. Estaria de joelhos, em oração, vertendo lágrimas de sangue por essa nossa geração perversa.

Mas ainda tem quem diga que a Marcha é para Jesus…

Horas antes da Marcha, um pequeno grupo foi pregar – gratuitamente – no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro. Não se pregou sobre a vitória do crente, sobre teologia da prosperidade, sobre plantar dez e colher mil. Pregou-se sobre a Boa-Nova do Reino, e apesar de não haver métodos de entretenimento, algumas pessoas se aproximaram e puderam ouvir a Palavra.

Sim, a Palavra de Deus ainda atrai as pessoas, sem a necessidade de métodos humanos.

À tarde, os integrantes do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) estenderam suas faixas com os versículos bíblicos que muitos líderes gospel arrancaram de suas bíblias (por serem contrários às intenções de seus ministérios). Como sempre, muitos olhares de desaprovação e outros muitos de apoio e reflexão.

É um trabalho como o da andorinha que tentava apagar o incêndio na floresta. Se uma única pessoa na multidão se permitir ouvir a voz do Espírito Santo, deixando assim de ser parte da massa de manobra de líderes gananciosos, grande será a festa no céu.

A maior corrupção não é a cometida pelos políticos. A maior corrupção é a que envolve o nome Santo Santo Santo de Deus. Quem se utiliza do Seu nome, seja para batizar uma marcha com fins políticos, seja para arrecadar dinheiro dos fiéis e enriquecer, melhor seria se amarrasse uma pedra no pescoço e se lançasse no fundo de um rio.

Que possamos nos arrepender enquanto é tempo.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

P.S.: Dia 4/6 (quinta) haverá a Marcha para Jesus em São Paulo. Se Deus permitir, estaremos lá. E se você puder, esteja lá também para nos ajudar a estender as faixas (a seara é grande, mas poucos os trabalhadores).

 

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