Expo Cristã, digo Expo MAMOM 2017: quem disse que tínhamos chegado ao fundo do poço?

IMG_20170819_145328392Dinheiro. Essa é a palavra que melhor resume o “espírito” que imperou na ressuscitada Expo Cristã 2017. E dinheiro remete a Mamom.

Mamom é a tradução de dinheiro para o aramaico. Porém, tem conotação de ser um “deus” ou “espírito” pela comparação que Jesus faz em Mateus:

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. – Mateus 6:24

Não sejamos ingênuos em achar que tudo o que se compra remete à adoração a Mamom. Os cristãos precisam comprar alimentos, roupas, ter uma casa, móveis, se possível um meio de transporte, se possível pagar educação para os filhos, plano de saúde, etc. Também precisam adquirir pelo menos uma Bíblia, se possível bons livros para melhor aprender da Palavra, itens para evangelização, e por aí vai. Mas os cristãos não precisam comer até passar mal, não precisam de um closet de sapatos estilo Imelda Marcos, coleções de relógios Rolex ou de carros importados. Os cristãos não precisam de autógrafos de ídolos gospel, não precisam de livros que lhes ensinem heresias em nome de Deus, não precisam de objetos judaicos (ou é judeu, ou é cristão, fujamos do sincretismo religioso), não precisam incomodar os vizinhos tocando shofar de hora em hora.

Entendido isso (que há coisas que devem ser compradas pelos cristãos, outras são apenas vaidades das vaidades, para falar o mínimo), vamos analisar o que vimos nesta edição da Expo Cristã.

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O Pavilhão Amarelo do Expo Center Norte, onde ocorreu a feira, é o menor de todos. Tem cerca de 8 mil metros quadrados. Nas outras edições, a feira acontecia num pavilhão de cerca de 14 mil metros quadrados. Assim, fica difícil saber se havia mais ou menos gente, porque se confinarmos menos pessoas num espaço menor tem-se a impressão de multidão, de gigantismo. E talvez essa foi a intenção dos organizadores.

Mas o fato é que havia beeeem menos expositores que nas edições passadas.

Logo na entrada, é lógico, os estandes dos donos da feira: Apóstolo (?) Agenor Duque e Bispa (?) Ingrid Duque. Em comum, a venda de objetos judaizantes, kipás e talits. Tinha o véu vermelho da Bispa (?), tinha réplicas tamanho playmobil do Templo de Salomão (R$ 120,00), lamparinas de barro (das 10 virgens?) e até as moedas da viúva por R$ 10,00 (pensei em comprar e revender por 5 milhões no Mercado Livre, mas aí descobri que eram réplicas fajutas, sem valor nenhum. Será que essas emprejas as aceitariam como pagamento do dízimo?).

E tinha um tocador de shofar, que tocava de 5 em 5 minutos, acho que para atrair compradores para suas mercadorias.

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E falando em dízimo, esse negócio de ter que passar a sacolinha ou manter um gazofilácio no púlpito já era. Estamos em tempos digitais, onde a maioria das pessoas não costuma andar com dinheiro no bolso. E, sem muito dinheiro no bolso, como era antigamente, também caem bastantes as ofertas dos fiéis.

Mas claro, a Expo Mamom tem a solução! Vimos pelo menos 3 estandes de empresas diferentes, cada uma com sua solução para o recebimento de dízimos e ofertas via app, com cartão de crédito ou emissão de boleto bancário. Uma das 3 empresas ainda inovou mais e lançou também um totem, tipo os das lojas Renner e C&A, onde o fiel escolhe o tipo de pagamento que deseja fazer (dízimo, oferta, campanha, etc) e a forma de pagamento (cartão para os mais antenados, depósito na máquina com envelope para os mais tradicionais). O vendedor nos explicou a praticidade: o fiel vai orar na igreja de manhã e lembra que é o dia de dar o dízimo. Ao invés de ter que voltar à noite, faz o depósito do dízimo na mesma hora. Realmente muito funcional, mas… O preço do totem é 13 mil reais. Imagino que uma igreja que possa “investir” essa quantia não está assim tão necessitada de aumento dos dízimos…

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Onde tem dinheiro, tem que ter banco. E na Expo Cristã tinha, é claro! Em seu estande, o Bradesco distribuía sacolinhas contendo um bloco de anotações, uma caneta e uma pasta de papel expondo seus “nichos de mercado”, entre eles: franquias e negócios, microempreendedor individual, universitário, clubes e associações e RELIGIÕES. Sim, os bancos já perceberam que o negócio religioso é dos mais rentáveis, e não querem ficar de fora dessa boquinha.

E já que ainda falamos de negócios gospel (confesse que achou que exageramos quando resumimos a Expo Cristã na palavra dinheiro), “você sente que sua igreja está paralisada? Os membros da sua igreja estão desmotivados? Parece que sua oração não está funcionando?”

Na Expo Cristã você tem a solução!

Não, não tem nada a ver com orar, com arrepender-se, com ansiar com um avivamento, com buscar a ação do Espírito Santo no acrescentar das almas e na vivificação do rebanho. Isso tudo é coisa do passado. Agora a onda é ser moderno, ser digital, ser neurolinguista, ser COACHING. E um tal de Carlos Di Capi promete ensinar os pastores a levantarem seus ministérios com um curso de coaching de fim de semana por módicos R$ 997,00. Só para comparar, um mês inteirinho de estudos de Teologia na Universidade Mackenzie custa R$ 838,00 para o segundo semestre de 2017.

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E falando em Mackenzie, havia um estande lá. Vazio. Assim como estavam vazios os (raros) estandes de entidades assistenciais. Os Atletas de Cristo estavam vazios. A Jethro estava arrecadando assinaturas de apoio ao trabalho da Polícia Federal na operação Lava-Jato, mas poucos tinham “tempo” para parar e participar. A AMAV – Associação Missionária Atravessando os Vales – que tem trabalhos junto a moradores de rua e famílias em situação de risco no Brasil e na Bolívia, também estava com o estande vazio. E na AMAV o Pr. Paulo Felix estava distribuindo GRATUITAMENTE seu livro Tehillim – Poesia Hebraica Inserida nos Textos. Mas os livros continuavam nas estantes, pois quase ninguém se aproximava. A multidão estava interessada era em dinheiro e nos ídolos gospel.

Quase fomos atropelados pela multidão algumas vezes. Eu pessoalmente cambaleei quando uma turba enlouquecida correu atrás da cantora Priscila Alcântara. Senti-me como que junto aos fãs da Madonna (nos idos nos anos 80, claro).

Também quase caí quando, no estande da Igreja Renascer, surgiram o Apóstolo (?) Estevam Hernandes, Samuel Ferreira, Jabes de Alencar, Silas Malafaia e políticos gospel. Todo mundo queria ver, tirar foto, chegar perto. Até a quase desconhecida Lucimara Parisi (só fui lembrar quem era quando chegamos em casa) tinha sua fila para tirar fotos.

Fila para tirar fotos com um tal de Remuel (ou coisa parecida), gritos com o anúncio dos cantores gospel da Caravana do Raul Gil. O lugar dos shows super cheio. Cheio de fãs ensandecidos pelos seus ídolos. E pensar que esses mesmos fãs torcem o nariz quando alguém diz que vai assistir a um show de música “secular”. E se reviram contra os católicos, por conta da idolatria.

Encontramos um católico na Expo Cristã. Veio falar conosco. Estava horrorizado com tudo o que via ali, e sentiu que nem tudo estava perdido quando viu os dizeres em nossas camisetas.

Muitas pessoas nos abordaram. “Vocês não têm medo de apanhar aqui?”, “Nós os vimos na frente do Café de Pastores”, “Vocês têm muita coragem”.

Não, nós não temos muita coragem. Somos humanos, com medos e aflições como todos. Mas Deus plantou em nossos corações um zelo pela Sua Palavra, pelas Suas coisas. E esse zelo nos impediu de ficar calados, em casa, comendo pipoca e assistindo ao Caldeirão do Huck.

É emblemático que, há poucos dias de comemorarmos os 500 anos da Reforma Protestante, a igreja no Brasil esteja ainda em pior estado do que aquela que Lutero criticou em 1517. Se Tetzel estivesse vivo, teria que tomar umas aulinhas de coaching gospel e comprar um totem para melhor arrecadar, afinal o “espírito” é o mesmo, mas os métodos evoluíram com o tempo.

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E mais emblemático foi encontrar, no estande da editora do Malafaia, lado a lado um livro sobre a Reforma Protestante e um Guia de Sucesso Financeiro. Isso mais do que concretiza a tese de que estudar essas pessoas até estudam, saber até sabem, mas preferem Mamom a Deus abertamente. Não é por falta de conhecimento, é por safadeza e destemor puro e simples mesmo.

O triste é que, em sua ganância, acabam levando para a perdição os que cegamente os seguem. E, pelo que vimos na Expo Cristã, são a grande maioria dos que se dizem cristãos.

A propósito, vimos nos estandes imagens dos (im)pastores, dos artistas gospel, até do Seiya de Pégaso (Cavaleiros do Zodíaco). Mas numa feira que se diz cristã não vimos a Jesus Cristo. Levando-se em conta que na quinta, no Café de Pastores, o intuito era só de politicagem para conseguir dinheiro (vide presenças de João Dória e Geraldo Alckmin, e a “quase” presença do presidente Michel Temer, sobre quem recaem pesadas suspeitas de corrupção), não é de se admirar que a Expo Mamom tenha perfurado o fundo do poço gospel.

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No Café dos Pastores da Expo Cristã 2017

A quem nos abordou, distribuímos folhetos e marcadores de página do movimento. Nossa oração é para que, mesmo quem riu ou não gostou das frases em nossas camisetas, venham no futuro a refletir e a abrir os olhos para o verdadeiro Evangelho. Que as correntes da religiosidade caiam. Que a dependência dos políticos e de Mamom seja substituída pela dependência única e exclusiva de Deus.

A luta é grande, mas já sabemos quem é o vencedor (Apocalipse 22).

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória agora e para sempre.

Obs.: nos próximos dias disporemos o vídeo da Expo Mamom neste espaço.

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