Por que as verdades bíblicas não entusiasmam muitos evangélicos?

bibliaalgemas“O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.” – 1 Coríntios 13:6

Neste mês, tive a oportunidade de pregar em diferentes lugares, e algo pude constatar:

Há muitas instituições e seus membros vivendo um verdadeiro engano em relação às verdades bíblicas. Alguns por ignorância, por desconhecimento. Outros, porém, por pura falta de caráter genuinamente cristão.

A partir do próximo mês iniciamos em São Paulo o período das chamadas “feiras gospel”. Atualmente, em São Paulo, temos 3 segmentos. Nos anos 2000 era apenas uma, que subitamente se extinguiu. Essa era chamada de Expo Cristã, feira da qual tive a oportunidade de participar e também de conhecer seu idealizador e produtor.

A Expo Cristã reproduziu o avanço da “explosão gospel”, que inundou o país, transformando e capitalizando todos os sentidos da fé então evangélica. Essa feira transformava em algo visual e palpável os avanços e os desejos de muitas instituições e de muitos ditos evangélicos.

abertura-expocrista

Em seguimento ao que era mostrado nessa feira, surgiu nos púlpitos a famigerada teologia da prosperidade, uma verdadeira febre a partir dessa época, tornando a igreja um verdadeiro mercado, e as suas lideranças, verdadeiros homens de negócio, onde nasceu o termo pejorativo “pequenas emprejas, grandes negócios”.

Esse período todo é muito bem descrito e explicado no livro Explosão Gospel da Profa. Magali Cunha.

Desde essa década, na visão de muitos pregadores da TdP (Teologia da Prosperidade), a igreja não mais deveria se diferenciar do mundo, mas buscar, de forma veemente, ser igual ao mundo, principalmente no contexto de mercado. Afinal, segundo eles, Deus é o dono de todo o ouro, de toda a prata, e nós, como filhos, devemos tomar “posse”. Para isso, há inúmeros textos, versículos, opiniões que buscar apoiar essas ideias.

Em busca dessa tal igualdade para com o mundo, usa-se de tudo: desde misticismo, mágicas extravagantes, cultos em formato de show e entretenimento, pregações com técnicas de hipnose e neurolinguística, mescla de ritos de outras religiões, ou seja, um verdadeiro vale tudo para tentar impor aos fiéis a crença de que tudo posso naquele que me fortalece.

Tudo isso regado a enormes desafios financeiros, na promessa de que os membros estarão conquistando os céus na terra.

Para as lideranças, esse movimento todo tinha como objetivo aumentar o número de fiéis e expor ao mundo a instituição como representante legal de Deus na terra.

Até aqui eram simplesmente intenções. Porém, como o caráter do homem é o principal foco do pecado, muitas coisas mudaram nas últimas décadas.

Em busca do tal crescimento, da tal prosperidade e da expansão midiática, muitas coisas entraram nesse “negócio”. Hoje está quase impossível se definir o que é pentecostalismo, quase impossível saber o que creem os ditos cristãos históricos e impossível saber os limites das extravagâncias e heresias dos ditos neopentecostais.

Hoje é possível ver presbiterianos, metodistas, batistas, luteranos na prática de métodos de crescimento celular. Há cultos ditos de avivamento, batalha espiritual e campanhas financeiras. Tudo em nome do tal “crescimento”.

A feira citada acima ganhou novos donos, donos esses que não são divulgados. Por exemplo, o proprietário da feira não é citado nos eventos da própria feira. Por que será?

Essas mudanças todas e esse interesse pelo extravagante, pelo moderno, fizeram com as igrejas e suas lideranças entrassem por um caminho obscuro, onde as essências do cristianismo não são relevantes.

O primeiro ponto é que essas práticas em busca do crescimento e da prosperidade ignoram as verdades bíblicas, pois muito do que vemos nesses cultos, seja na liturgia, seja no louvor, seja nas pregações e nas práticas ensinadas, muito, mas muito mesmo foge da Palavra de Deus.

O segundo ponto é o fato de que, em nome do crescimento e da prosperidade, o vale tudo tem criado uma atmosfera onde a verdade é menosprezada, ou seja, não é simplesmente mentir, mas é a vivência em um espírito total de mentiras. Por exemplo, vemos metodistas enaltecendo práticas neopentecostais e desprezando as tradições e a teologia wesleyana de forma pública. Porém, quando interrogados, mentem de forma natural. E isso não é uma prática só dos metodistas, é uma prática geral. É claro que nos pentecostais isso é mais aparente pois são mais numerosos. Outro exemplo disso é que, diante do caos político, social e econômico, pouco vimos de ações envolvendo as lideranças e os evangélicos em prol da ética, contra a corrupção, em prol de um Brasil melhor.

E o por que disso é o fato de muitas lideranças e instituições evangélicas estarem envolvidas até o cabelo com a corrupção e o apoio a políticos e seus partidos. Em busca de crescimento e prosperidade, muitas são as instituições e lideranças que barganham o voto de seus membros por privilégios vindos das verbas públicas.

Um exemplo bem pequenino disso tudo é a concessão de passaportes diplomáticos a lideranças evangélicas. Essa é apenas a ponta do iceberg.

A vivência nessa forma escrachada de mentiras paralisa a ação do Espírito Santo, pois o Espírito Santo é puro e não se envolve em nada impuro.

É preciso dizer que 99,9% de verdade é 100% de mentiras. Não podemos dizer que somos genuinamente cristãos se vivemos em meias verdades.

Um dos pontos centrais do cristianismo é viver a verdade, pois a verdade é o próprio Cristo. Ele mesmo disse isso em João 14:6. E esse foi um dos pontos citados aos fariseus em João 8:32. Os fariseus eram o exemplo máximo dos danos de uma religiosidade focada na tentativa de se igualar ao mundo.

Por diversas vezes, o próprio Cristo cita que o grande mal dos fariseus era a sua hipocrisia. Ou seja, viviam uma espiritualidade puramente aparente, superficial, mas ostentavam uma vida dogmática, cercada de ritos, porém suas essências estavam focadas nas discriminações, desprezo para com os mais fracos e acima de tudo, na prática e na vivência da mentira, pois os Evangelhos destacam que as lideranças tinham acordos e comunhão com o sistema político vigente na época.

Qualquer semelhança com os dias atuais não é mera coincidência.

Estamos vivendo dias catastróficos no meio evangélico. Em nome do crescimento, da prosperidade, a mentira se tornou uma prática comum. Isso fica claro na vida diária de muitas lideranças, pois quando não mentem descaradamente, omitem ou fazem o jogo das meias verdades. A Palavra de Jesus para os fariseus em João 8:32 é viva e eficaz para os nossos dias, pois é preciso que a verdade volte a ser a essência daqueles que se dizem evangélicos. Só assim teremos o verdadeiro testemunho de que somos libertos do mundo e dos seus valores.

Que a igreja não tenha como principal foco o crescimento e a prosperidade, pois isso já são promessas naturais para aqueles que buscam o Reino de Deus. Que nossa sede, que nossa busca seja por um mundo mais justo, com menos desigualdades sociais, econômicas. Que a nossa riqueza não seja nos nossos templos, nem nos jatos, nem nas casas, nem nos carros, nem nos relógios, roupas e joias, nas nossas lideranças e membros, mas que seja no nosso caráter genuinamente cristão, nas práticas do amor ao próximo, na solidariedade, na misericórdia, na promoção da paz.

Que nós, evangélicos, sejamos conhecidos como um povo que vive a verdade e que não negocia nem barganha isso por nada. Sei que isso é um grande desafio, mas esse é o trabalho daqueles que realmente se dizem cristãos.

E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”.
João 8:32

Respondeu Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.
João 14:6

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

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