Marcha para Jesus em Juiz de Fora (MG): o $how tem que parar!

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No dia 10 de junho estivemos em Juiz de Fora (MG) para participar da tradicional Marcha para Jesus. Na cidade, está em sua 24a. edição, e é organizada pelo Conpas, o Conselho de Pastores local, que trazia como novidade as presenças “vip” dos (im)pastores Silas Malafaia, Jabes de Alencar e Flamarion Rolando, todos pregadores da famigerada e demoníaca Teologia da Prosperidade, aquela que atrai fiéis com a promessa de bênçãos financeiras e que exige, para tal, “provas de fé” na forma de grandes quantias em dinheiro (aceita-se carros, jóias e casas também). Um exemplo famoso é o da “unção financeira” mais Bíblia da Prosperidade de brinde para quem desse R$900,00 para o Malafaia (porém, nem para o Malafaia essa negociata gospel deu certo).

Enfim, como a Marcha estava marcada para as 12h, estávamos no local desde às 11:30h e estendemos as faixas. Logo percebemos olhares por parte dos que trabalhavam no evento, mas depois – muito depois – entendemos o porquê.

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Os pastores da Conpas vieram falar conosco e, sabendo qual o nosso propósito ali, foram muito gentis. Aliás, fica aqui nosso elogio a todo o povo juizforano por sua educação e amabilidade. Mesmo quem não concordava com nossas faixas não nos hostilizou, ao contrário do que já aconteceu em outros eventos.

Também colocamos como ponto positivo nessa Marcha que, pelo menos enquanto estávamos na praça (até umas 18:30h), não vimos nenhum político no palco. Havia propaganda de apoio da prefeitura de Juiz de Fora, mas o palco não foi maculado com discursos políticos ou com “orações” para quem pudesse, posteriormente, “retribuir” com as igrejas presentes.

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Falando em igrejas presentes, lá estavam algumas Igrejas do Evangelho Quadrangular e algumas pentecostais. As igrejas históricas de Juiz de Fora e neopentecostais como a do R. R. Soares não participaram. Na pequena multidão havia senhores e senhoras com suas bíblias, mas majoritariamente jovens. A grande maioria só chegou depois das 18h.

Estendemos nossas faixas e lá ficamos. Pessoas se aproximaram para melhor ler, receberam folhetos, algumas apoiavam, outras iam embora. Percebemos alguns homossexuais dispersos na praça e só entendemos à noite: por conta da presença de Silas Malafaia, um grupo LGBT havia marcado, pelas redes sociais, um protesto pacífico. Porém, até o momento em que lá estivemos, nada aconteceu.

Do lado do palco havia uma espécie de camarote, onde moradores de rua dormiam. Foi emblemático que eles tiveram que sair do local que os protegia para dar lugar aos preparativos da Marcha. E mais emblemático ainda que se colocaram ao lado das faixas, sendo que um deles aproveitou a sombra delas para se proteger.

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E começou o show gospel. Cantores e bandas se alternavam a propagandas dos patrocinadores. Havia de apartamentos com iniciais de apenas R$ 299,00 a sorteio de lava-jato e martelinho de ouro. Talvez tocados pelas faixas, os apresentadores a todo momento lembravam o público de que o “show” ali era no sentido da tradução “mostrar”, não de espetáculo ou entretenimento.

Como sempre, teve o tal “ato profético”, pelo qual muitas e muitas vidas seriam salvas através da Marcha para Jesus.

Mas o mais triste foi ouvir dos apresentadores, volta e meia, que aquela era a “segunda” maior Marcha do Brasil, só perdendo para São Paulo. E que era a “maior” Marcha da região. E nem foi pelo fato de acharmos, quando muito, que no total havia umas mil pessoas (e que Marchas como a de Guarulhos [SP] devem ter muito mais adesão). O triste é ver que, enquanto Jesus ensinava Seus discípulos que em Seu Reino o maior era o menor, muitas igrejas ainda vão pela lógica daquele que tentou a Cristo no deserto, a lógica do “quanto maior, melhor”. Não dá para entender esse desejo gospel de destaque, de ser o maior, o melhor, o mais rico, o mais poderoso, o com o templo mais majestoso, o com o carro mais possante.

Lembremo-nos de Jesus, que deveria ser nosso foco, nosso baluarte: Ele lavou os pés dos discípulos. E nós, líderes deste tempo, o que fazemos? Queremos que as ovelhas lavem não apenas nossos pés, mas nossas mãos e nossa cabeça também.

No mais, o de sempre em todas as Marchas: à tardinha, após muita música gospel, todos saíram em Marcha pelas ruas da cidade, ao som de vários ritmos, indo do forró ao funk gospel. Havia três trios-elétricos (sem fotos de pastores e apóstolos, outro ponto positivo), mas em nenhum os “vips” estavam presentes. Anoiteceu, enrolamos nossas faixas e fomos embora, mas de onde estávamos hospedados dava para ouvir o que ocorria no evento. Assim, ouvimos Jabes de Alencar, Flamarion Rolando e Silas Malafaia pregando por pouco tempo. Malafaia, quando muito, falou uns 20 minutos. Acreditamos que as ausências nos trios e o pouco tempo no palco se deveu pelo receio de manifestações dos grupos LGBT.

Nossa oração é para que todos os que tiveram acesso a nossos folhetos e às faixas possam refletir sobre seu papel na Igreja, no Corpo de Cristo. É para que, numa próxima edição da Marcha em Juiz de Fora, não haja a necessidade de afirmação como “uma das maiores” ou promessas de que todos da cidade serão salvos, pois quem acrescenta os salvos é o Espírito Santo, pela Sua vontade, cabendo aos cristãos apenas testemunhar e pregar o Evangelho. Que não haja “atos proféticos” para crescimento dos evangélicos, mas que haja arrependimento e verdadeira conversão daqueles que buscarem a Cristo. Oremos para que o avivamento e a transformação se inicie dentro da Igreja e que esse movimento transborde pelas ruas da cidade, atingindo a todos que se dispuserem para tal. E oremos para que não seja necessário pagar cachês para (im)pastores e artistas gospel, pois se a Marcha é para Jesus quem dela participa o deveria fazer de graça, pois é para Ele, não para o benefício próprio.

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Dia 15 de junho é a vez da Marcha para Jesus em São Paulo. Se concordar e puder, venha estender faixas conosco.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre!

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