A neopentecostalização de igrejas históricas e pentecostais

Hoje, com muita tristeza, soubemos que pastores e presbíteros de igrejas históricas estão sendo ameaçados da perda de seus cargos ministeriais caso não cumpram as metas de arrecadação (ou, no linguajar da carta ao lado, não paguem as cotas orçamentárias). Infelizmente, é apenas mais uma prova do movimento de neopentecostalização em que algumas igrejas pentecostais e até denominações históricas têm se entranhado, com o fim de crescimento rápido.

Além da cobrança financeira cada vez maior, temos igrejas se neopentecostalizando através da adoção de práticas judaizantes, movimentos tipo G12, rituais de cura interior e libertação, nomeação de apóstolos e de campanhas mirabolantes. Isso é razoavelmente compreensível quando se trata de pastores sem instrução teológica, sem conhecimento da história da Igreja, que muitas vezes seguem ventos de doutrina por achar que, se a maioria está fazendo, é porque é o certo. Porém, o que dizer das igrejas históricas e algumas pentecostais envolvidas nesse movimento?

A Igreja Metodista, por exemplo, exige de seus pastores o bacharelado em Teologia na UMESP. Ninguém se torna pastor metodista só por vocação ou por ter uma carteirinha de ministro do Evangelho. É preciso ficar no mínimo 4 anos estudando matérias como noções de Hebraico e Grego, Hermenêutica, Exegese Bíblica, Homilética e Fundamentos Históricos Cristãos. Não se aprende maldição hereditária, teologia da prosperidade, a importância do lenço ungido. Ao contrário, o docente sai preparado justamente para rechaçar as heresias que rodeiam nosso meio.

Mas então, como é possível que essas mesmas pessoas venham a aceitar ensinos estranhos ao Evangelho?

Enche os olhos de muitos o crescimento exponencial dos impérios neopentecostais no Brasil. Em poucos anos, vemos um Agenor Duque abrir sua igreja, tornar-se “apóstolo” (?), alugar horários em rádios e tevê e a partir daí abrir filiais em todo o Brasil. E isso tudo utilizando-se de misticismo exacerbado (pois o brasileiro é um místico por excelência), rituais judaizantes, venda de objetos ungidos e um incessante e contundente discurso de petições financeiras em troca de bênçãos específicas.

metodistag12Algumas igrejas pentecostais e históricas, ao ver tudo isso, percebem que se manter fiéis à pregação pura do Evangelho não lhes renderá dinheiro e sucesso, pois o povo quer ver espetáculo e ver suas vontades atendidas, não a Cruz. E resolvem não abandonar a Cruz de todo, mas incrementá-la com os métodos aprendidos dos neopentecostais.

Porém, ao adotar esses métodos, tornam a Cruz, instrumento de morte do Eu, num obelisco, monumento de exaltação ao Eu. A cruz deixa de ser Cruz e Cristo deixa de ser o Filho de Deus para se tornar o mordomo dos dizimistas e ofertantes fiéis.

metodistaÉ muito triste e preocupante ver esse movimento de neopentecostalização avançando nas igrejas. Cada vez é menor o número daquelas nas quais se pode aprender e praticar o verdadeiro Evangelho, nas quais os cristãos valem mais do que suas contas bancárias e onde a ênfase é a manutenção do ser humano, não de catedrais cada vez maiores e mais vistosas. Se as estatísticas apontam o Brasil como segundo maior país cristão do mundo, as evidências (aumento da corrupção, violência, desigualdade social) apontam para o contrário: uma nação onde poucos realmente prezam pelos valores de Cristo e buscam praticá-los no cotidiano.

Lamentavelmente, a neopentecostalização está se tornando recorrente no universo da igreja evangélica brasileira, onde o Sagrado se transforma em profano, onde o fiel se torna um cliente, onde a instituição se torna uma fonte de comércio.

Que os cristãos pentecostais e históricos possam demover as lideranças de suas denominações para que se mantenham firmes no propósito de pregar o Evangelho, o verdadeiro, aquele pelo qual milhões nesses séculos entregaram – e ainda entregam – suas vidas. Muito melhor morrer em Cristo do que viver pelas benesses desse mundo que jaz no maligno.

Que o Remanescente não venha a se calar, mesmo que isso lhe custe um alto preço. O maior, Jesus Cristo já pagou por nós.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
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