Receita de prosperidade

SETE_SEGREDOS_PARA_O_HOMEM_FICAR_RICO_1271853457PTexto base: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” – Mateus 6:19-21

Estamos no século XXI. Para filósofos, sociólogos e teólogos vivemos dias modernos. Em algumas circunstâncias, alguns autores citam a pós-modernidade. E na modernidade, a palavra prosperidade torna-se a palavra a ser conquistada, seja para o sujeito social, seja para o sujeito religioso.

No universo social, político e econômico, a prosperidade é a diferença entre riqueza e pobreza. No universo religioso, prosperidade é a diferença entre vencedores e derrotados. Nesse sentido, a versão marxista é uma grande idiotice, pois para Marx essa realidade se resume em opressor e oprimido, diferenciados pelo largo abismo da desigualdade.

Porém, o que eu gostaria de refletir nesse artigo é uma visão da prosperidade cristocêntrica. Muitas lideranças, em suas instituições religiosas têm total foco no tema. Seus sermões, suas canções, sua liturgia tem um único tema: prosperar e vencer. E para isso é preciso ser cabeça e não cauda.

Silas Malafaia, em seus sermões, destaca: sua igreja é business, e quem dá dinheiro sem a intenção de receber algo em troca é um idiota. Outro pregador, Jerônimo Onofre, resume seus sermões numa busca desenfreada por riquezas, tendo como ênfase o chamado curso “como ficar rico”.


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Porém, o contexto bíblico vai revelar um grande contraste em meio a essas ideias todas. Podemos dar o exemplo das diversas vezes em que os Evangelhos destacam Cristo trazendo pensamentos extremamente sensatos no sentido de prosperidade.

O primeiro exemplo disso é a passagem do jovem rico (Mateus 19). O jovem citado no texto tinha tudo para ser um exemplo a ser seguido, porém Jesus vai resumi-lo em uma palavra: vende tudo o que tens, dá aos pobres e segue-me.

Outro exemplo é o texto de Lucas 9.58: “E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”.

Tenho dito nos últimos anos, em meio a tanta ênfase em prosperidade: se prosperidade é o que importa, por que o texto acima faz referência de que Jesus era pobre? Porque já é uma verdade que os diversos ministérios e lideranças que têm como foco a questão da prosperidade, embasada em um sistema de barganhas, onde o fiel dá dez para receber cem, que nesse processo os únicos a enriquecer são as lideranças. E isso não é conclusão minha, mas sim da Revista Forbes, que destacou algumas lideranças brasileiras entre os mais ricos no Brasil e também no mundo.

Algo não está certo em meio a tudo isso. Se as lideranças ficam ricas, por que os membros continuam pobres?

Outro ponto em destaque é que os próprios apóstolos, após a ressurreição de Cristo, continuam a viver em simplicidade. Vários exemplos são descritos no livro de Atos. O exemplo maior vem do próprio apóstolo Paulo, que cita por diversas vezes em suas cartas ser imitador de Cristo, vivendo bem mesmo em tempos de fartura ou de dificuldade, pois para ele o viver era Cristo. Ou seja, seus valores não estavam fixados nos valores do mundo.

Acredito que essa forma de viver era em reflexo ao texto que abre esse artigo, pois o apóstolo Paulo já havia vivido os valores da lei. Porém, após seu encontro com Cristo no caminho de Damasco, ele descobre que o viver dentro de uma essência cristocêntrica é viver além dos valores desta terra.

A Palavra diz que não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Lucas 4.4).

O que vemos é uma mistura de mágica, misticismo, uma espécie de lavagem cerebral com o uso de neurolinguística e técnicas, que fazem com que muitas igrejas se tornem verdadeiros picadeiros, onde o texto bíblico é desprezado, onde bases exegéticas e hermenêuticas são desprezadas pelo único propósito de lucrar com os sujeitos religiosos em trânsito no universo religioso.

Eu creio em prosperidade. Porém, creio numa prosperidade embasada em um conjunto de fatores. E o primeiro vem do exemplo bíblico. Não existe prosperidade sem ética, sem trabalho, sem esforço, dedicação, respeito. A prova disso é que nem todo homem rico enriqueceu com algo lícito ou ético, ou com valores religiosos.

Para um sujeito religioso, a prosperidade bíblica é precedida de amor ao próximo, piedade e justiça. Um homem temente a Deus não enriquece para si mesmo, mas faz uso da prosperidade concedida por Deus em prol dos que o cercam, sendo caridoso e usando a dádiva de Deus, fruto de Sua graça, amor e misericórdia, para a transformação daqueles que o cercam.

O exemplo disso era Jó, que quando lhe sobreveio o mal os que o cercavam se indignaram muito mais com o que lhe ocorreu. Isso era em decorrência do testemunho e da bondade de Jó diante dos que o cercavam. A prosperidade de um servo de Deus não se resuma às coisas unicamente materiais, mas está fundamentada no reconhecimento de que nenhum valor monetário deste mundo é capaz de comprar a salvação de um ser humano.

O texto bíblico diz: quanto dará o homem por sua alma? Pois de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma (Marcos 8.36)?

Lamentavelmente, muitos dos que seguem os métodos, as fórmulas mágicas, os desafios financeiros se esquecem de olhar para uma das essências do cristianismo que é a Palavra de Deus.

Em Josué 1.8: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.”

Essa palavra tem milhares de anos. Foi uma Palavra de Deus nos primórdios da história de Israel. Se o povo tivesse seguido esses preceitos, não seria necessário em pleno século XXI muitos pularem a fogueira de Israel, depositar dinheiro nos pés de líderes, fazer votos de sacrifício e muitas outras heresias e mágicas dos nossos dias.

Como disse no início deste artigo, que tem por título Receita de Prosperidade, a ênfase aqui é bíblica. Não há fórmulas, pois para um verdadeiro cristão não importa em qual situação financeira estamos. Cristo é sempre o Senhor.

Para encerrar, o texto base para mim, quando a vaidade e os desejos deste mundo me rodeiam:

“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” – Mateus 6:33

A Deus toda a glória.

Paulo Siqueira

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