Renascer em Cristo e suas tramoias mirabolantes para não pagar a quem deve

renasce1No último dia 02, uma notícia envolvendo a Igreja Apostólica Renascer em Cristo deixou muita gente abismada:

Igreja Renascer tem 20% do dízimo diário penhorado para pagar indenização

As doações dos fiéis às igrejas, conhecidas como dízimos, podem ser penhoradas se não houver outro meio de saldar dívidas contraídas pela instituição religiosa. O entendimento foi aplicado pela juíza Daniela Dejuste de Paula, da 21ª Vara Cível Central de São Paulo, ao determinar a penhora de 20% da receita diária da Renascer para pagar indenização de vítima de desabamento do templo, em janeiro de 2009.

Em 2012, a sentença condenou a instituição a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais. A Renascer recorreu e, no último dia 23, depois que a intimação para pagamento não foi atendida, a juíza concedeu a penhora de 20% da arrecadação do caixa do culto até que a indenização seja quitada. O valor atualizado da dívida é de R$ 27,5 mil.

A penhora do dízimo foi autorizada porque não há nenhum bem que garanta a execução. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, não foram encontrados valores em contas bancárias ou imóveis em nome da igreja para garantia do débito.

A juíza também determinou a nomeação de uma perita para analisar a possibilidade e administração da penhora. “Constatada a viabilidade da penhora, a perita fará jus a uma remuneração mensal correspondente a 15% do valor penhorado mensalmente, até integral satisfação do débito, entregando mensalmente o balancete do período correspondente e efetuando o depósito da quantia penhorada.”

“Fica a executada obrigada a entregar à administradora judicial todos os documentos por ela requisitados, sob pena de incidir em ato atentatório à dignidade da Justiça, com a aplicação de multa de até 20% do valor do débito, na forma do artigo 774, II, III, IV e § do CPC, sem prejuízo da adoção de outras medidas coercitivas e a caracterização do crime de desobediência”, complementou a juíza.

Ou seja, sete anos após o trágico desabamento do templo sede no bairro do Cambuci, em São Paulo, não houve pagamento de indenização para os parentes de nenhuma das nove vítimas fatais. Para ter que penhorar o dízimo, a Justiça alegou não ter encontrado nem dinheiro em contas bancárias da igreja, nem nenhum bem em seu nome.

Mas será que a Renascer não tem nenhum dinheiro mesmo? Ou será que o dinheiro e os bens estão em nome de seus dirigentes e “laranjas”?

Vejamos…

Pouco depois do desabamento do templo sede, o casal vinte gospel Apóstolo (?) Estevam Hernandes e Bispa Sônia Hernandes começaram uma campanha com seus membros para a arrecadação de dinheiro para a construção de um templo mais faraônico:

Renascer faz campanha para erguer novo templo

A Igreja Renascer em Cristo deu início a uma campanha entre os fiéis para reconstruir a sua sede em São Paulo. Foram oferecidas quatro opções de valores aos seguidores da igreja, que podem adquirir carnês a partir de R$ 15, R$ 100, R$ 500 ou R$ 1.000.

O custo aproximado do novo templo, que terá arquitetura moderna e interior luxuoso, é de R$ 10 milhões e o início das obras é esperado para este ano. Ele será levantado no mesmo endereço da igreja que desabou em 18 de janeiro, deixando nove pessoas mortas e outras 106 feridas: avenida Lins de Vasconcelos, 1108, no Cambuci (região central de SP). O projeto prevê um prédio de dois andares –mais um subsolo– com capacidade para 1.837 pessoas.

[…] Na última segunda-feira, feriado de 7 de Setembro, o casal visitou o terreno do Cambuci pela primeira vez, durante lançamento da pedra fundamental da obra. “Nós tivemos uma noite de choro, de tristeza, de dor, de faltar força para andar. Mas a manhã chegou. Esse é o início de um novo dia, estamos lançando a pedra fundamental de um espaço, de um prédio que vai ser uma marca nesse país”, disse a bispa Sônia, em evento que contou com a participação do jogador Kaká.

Passados sete anos, quem passa em frente ao número 1.108 da Av. Lins de Vasconcelos tem a mesma visão de antes: apenas a parede frontal do templo sede continua de pé. Quem pode subir nos prédios em volta, lá de cima enxerga o monte de escombros, que continua como em 2009 após a tragédia.

E fica a primeira pergunta: o que foi feito com o dinheiro (que não deve ter sido pouco) arrecadado na campanha para a reconstrução do templo? (em contas bancárias da igreja temos hoje certeza de que não está).

doacoes-vitimasAinda em 2009, a Renascer ofereceu uma conta bancária para doações para um “fundo de socorro às vítimas”. Porém, as vítimas até hoje não foram indenizadas (e não há saldo na conta, segundo investigação da Justiça).

O que aconteceu com o dinheiro das doações?

Em 2011, a Igreja Renascer foi destaque em reportagem da Revista Isto É, na qual se revela o salário, na época, dos líderes “apostólicos”:

bispa2“Quem acompanha a bispa hoje, porém, pode até acreditar que ela viva de bem com a vida, como diz o título de seu livro. Com um salário que gira em torno dos R$ 100 mil, ela continua com programas televisivos e de rádio diários, se veste com as mais exclusivas grifes e está sempre adornada com joias e relógios caros. Do apartamento triplex onde mora, em um bairro nobre na zona centro-sul da capital paulistana, ela sai pela cidade para cumprir suas obrigações de carro importado, blindado e escoltada por dois seguranças. Isso quando não usa um helicóptero avaliado em R$ 2,5 milhões para visitar seus sítios e haras no interior paulista. Mas que o observador não se engane. A riqueza que ela ostenta hoje não tem a retaguarda do começo dos anos 2000, quando a Renascer nadava de braçada no mar do crescente movimento evangélico brasileiro. “Hoje os Hernandes sangram a igreja para dar sobrevida ao padrão de vida nababesco que têm”, acusa um dissidente. Se nos anos 1990 a opulência do casal servia de chamariz para os adeptos da teologia da prosperidade, que celebra a riqueza material como uma dádiva proporcional ao fervor com que o devoto professa sua fé, hoje ela é uma ameaça à sobrevivência da instituição.”

O salário da bispa Sônia, em 2011, era em torno de cem mil reais. Relendo a primeira notícia deste artigo, um ano depois a Justiça ordenou o pagamento de apenas dez mil (ou seja, o “dízimo” do salário dos Hernandes), porém a Renascer não efetuou o pagamento e ainda recorreu da decisão.

Será que a igreja fez isso por não ter dinheiro (já que não tem saldo em contas bancárias)? Ou o fez não por má, mas por péssima fé (nos dois sentidos)?

mi_5620338784458472Ainda nessa reportagem da Revista Isto É, temos que, em 2011, a Renascer tinha cerca de 2 milhões de membros. Digamos que cada um desse apenas dez reais de dízimo (obviamente, um valor bem aquém da realidade, até pela forma “contundente” com que os líderes e pastores pedem dinheiro no púlpito). Fazendo as contas, essa igreja faturaria cerca de 20 milhões de reais por mês, totalmente livres de impostos. E continua faturando, pois o dizimista fiel continua dizimando até os dias de hoje. Mas mesmo assim, não há saldo nas contas bancárias da igreja.

Como assim?

Em 2012, os líderes da Igreja Renascer foram citados pela Revista Forbes, estando entre os cinco pastores mais ricos do Brasil. Coitadinhos, ficaram justamente em quinto lugar, perdendo para Edir Macedo, Valdemiro Santiago, Silas Malafaia e R. R. Soares. A “pequena” fortuna dos Hernandes, em 2012, estava em torno de 120 milhões de reais.

Levando-se em conta que há décadas o casal deixou seus empregos normais e enveredou para o ministério “apostólico”, como conseguiu juntar tanto dinheiro e bens em seu próprio nome? E como, ao mesmo tempo, as contas bancárias da Igreja Renascer não têm saldo?

E como não conseguiram pagar dez mil reais para uma das vítimas do desabamento do templo sede? E como não conseguiram pagar as demais vítimas?

Mas a Igreja Renascer não deve apenas a esses. Em reportagem de 2002 da Revista Época, escandalosamente verificou-se um esquema para o aluguel de templos em nome de fiéis, que acabavam tendo que arcar com o prejuízo, pois a igreja não honrava os pagamentos:

estevam-hernandesO lado sombrio da Renascer se revela a pessoas como a professora Maria Margarida Pinto Coelho, de 62 anos, de Brasília. Criada na Igreja Batista, ela conheceu a pregação dos Hernandes em 1998 e passou a freqüentar seus cultos. Fazia doações e até dava aulas como voluntária numa escola da igreja. No ano seguinte, um bispo a procurou para pedir-lhe um favor. A instituição necessitava de dois fiadores para alugar um cinema, onde instalaria um templo. “Eles precisavam de gente que tivesse imóveis em seu nome”, diz ela. Depois de muita insistência, Maria Margarida e outra fiel aceitaram de boa-fé. A professora só estranhou um pouco quando o bispo pediu que não contasse nada a ninguém, “nem para a própria família”, recorda. Em maio do ano passado ela descobriu que estava numa encrenca. Um oficial de Justiça bateu a sua porta para notificá-la de que a igreja não pagara os aluguéis. Ela, como fiadora, teria de honrar o contrato.A pendura estava em R$ 71 mil. Há alguns dias, a professora recebeu a visita de outro oficial. Ele comunicou que Maria Margarida tinha 24 horas para pagar a dívida – agora já somando R$ 260 mil -, ou perderia o apartamento. Pela lei brasileira, a casa de uma pessoa não pode ser confiscada como pagamento de dívida. A não ser quando ela é fiadora de um contrato. “Foi um choque. Nunca imaginei que minha fé pudesse ser explorada dessa maneira”, diz a professora. Érica Vieira, advogada de Maria Margarida e de outra fiel que pode ficar sem casa, recorreu da decisão e abriu uma representação criminal contra a Renascer, por estelionato. “Isso não é uma igreja, é uma quadrilha”, acusa.

Então recapitulemos: por baixo (bem por baixo), a Renascer deve receber uns 20 milhões de reais por mês de dízimos. Paga uns cem mil de salário para os Hernandes. Fora isso, não tem saldo nas contas bancárias para arcar com o pagamento de indenizações de dez mil reais e não conseguia pagar o aluguel dos próprios templos, maquiavelicamente alugados sob a fiança de fiéis.

marMas fora tudo isso, todos os anos a Igreja Renascer capitaneia uma tal “Marcha para Jesus” pelas ruas de São Paulo. Na verdade, os Hernandes são donos da marca “Marcha para Jesus”, e não duvido de que as outras cidades que a usam tenham que pagar alguma forma de royalties. Mas isso é uma suposição apenas.

Voltando, na tal “Marcha para Jesus” em São Paulo há a construção de um enorme palco, com toda a aparelhagem de luz, som e câmeras – afinal, lá por horas ocorrem shows de música gospel, além de discursos dos líderes religiosos e dos políticos que apoiam e são apoiados pelos Hernandes. Há também um desfile de trios-elétricos, seguidos pela multidão. Só nesse ano, havia cerca de onze trios, sendo que uns seis estampavam fotos do casal Hernandes – ou seja, deveriam pertencer à denominação.

O aluguel de um trio elétrico chinfrim está por volta de 200 reais por hora, ou uns 1.500 reais a diária. Um chinfrim, diga-se de passagem. Um trio elétrico top deve ser muito mais caro. Só em trios elétricos, a Renascer por baixo deve gastar uns 9 mil reais, fora todo o gasto com a estrutura do palco e do evento, além do pagamento dos profissionais que trabalham lá (não só de voluntários vivem os grandes eventos).

marchaMat1-eE para quê? Para demonstrar poder religioso e político, para dar entretenimento a alguns e para mascarar as tramoias que ocorrem em oculto, dando aparência de igreja avivada e cheia de alegria.

E ainda assim, não há saldo nas contas bancárias da igreja para sequer pagar as vítimas fatais do desabamento (nem estou falando das 106 pessoas que saíram feridas do local).

Gosto de matemática, mas sou melhor em Humanas. Mas, para mim, essa conta não se encaixa. Alguém de Exatas poderia me fornecer a equação do que acontece na contabilidade da Igreja Renascer em Cristo?

Como pagam os salários dos pastores e líderes, se não há saldo nas contas da igreja?

Onde depositam os dízimos e ofertas, se não há saldo nas contas da igreja?

Em que conta entram os dízimos e ofertas pagos na maquininha de cartão, já que as contas da igreja não têm saldo?

Como há dinheiro para pagar salário de executivos para os Hernandes, mas não há dinheiro para pagar decisões da Justiça ou mesmo para honrar com os aluguéis dos templos?

TatooRenascerSe tudo isso acontecesse numa empresa qualquer, seu proprietário seria taxado de estelionatário. Como ocorre numa instituição religiosa neopentecostal, seus proprietários são “perseguidos pelo diabo”. E o pior é que seus seguidores acreditam piamente nisso.

E olha que nem tocamos na estada “forçada” dos Hernandes nos Estados Unidos, após a tentativa de entrar no país com dinheiro escondido na Bíblia e em outros lugares…

Até quando, Senhor, farão escândalos com o Seu Santo Nome? Até quando ficaremos calados diante da profanação do Sagrado?

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

 

 

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2 respostas para Renascer em Cristo e suas tramoias mirabolantes para não pagar a quem deve

  1. Antonio disse:

    Do que podemos chamar todos aqueles que sobem nestes trios, como pastores, cantores, políticos, que apoiam essa “organização criminosa”? O que um homem de bem pode querer com um estelionatário? Sendo assim paira enorme suspeição em torno de nomes como Silas Malafaia, Marcos Feliciano, Valdemiro Santiago, Thalles Roberto, Fernanda Brum, entre outros que frequentam tal marcha que usa o nome do Senhor em vão.

    Um abraço Paulo! Saudade de vocês.

  2. Elias disse:

    Essa seita não m nada de apostólica.

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