Um país de mãos sujas

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Nos últimos meses, o país tem sido tomado por uma avalanche de denúncias de corrupção, transformando a atual crise econômica em uma crise também política. O que antes era apenas um conjunto de ideias, agora passou a ser expressa de forma clara por muitos, pois o Brasil se dividiu em apoiadores da direita e da esquerda.

Uma palavra ganhou destaque, além da palavra corrupção: democracia. Muitos foram e são os que se denominam defensores da tal democracia.

Como teólogo e também sociólogo, gostaria de expressar neste artigo minhas opiniões a respeito de tudo o que estamos vendo. Primeiramente gostaria de dizer que tenho uma posição apartidária, pois, na minha opinião, o problema da corrupção no Brasil não é de um partido ou de outro: é uma situação cultural, instituída no país desde o nosso descobrimento. Somos um povo culturalmente corrupto. Para muitos, isso se chama “jeitinho brasileiro”. O tal “jeitinho” são habilidades para criar contravenções e burlar regras e leis.

É comum no Brasil muitos atribuírem a honestidade e o bom caráter somente no sentido das grandes coisas. Muitos dizem: “eu nunca roubei nem matei”, porém aquele que desvia dinheiro com a corrupção indiretamente mata e rouba.

É comum muitos comprarem a carteira de habilitação, adulterar a declaração do imposto de renda, ter sempre uma perspectiva de vantagens em tudo o que se faz. Isso vai de uma simples discussão a um negócio. Somos o país onde, se o problema não é meu, não me interessa. Não me importo com a violência policial, desde que não seja com um familiar meu. Não me importo com uma catástrofe natural, afinal eu moro bem. Por que vou me preocupar com o desemprego, se estou bem empregado? E dessa forma, muitos são os que não se preocupam com a situação ético-moral do país.

Num país como o nosso é comum a expressão “a ocasião faz o ladrão”. E em meio a tudo isso temos os evangélicos.

Hoje, no Congresso Nacional e também no Senado, os representantes da “bancada evangélica” são bastante numerosos. Alguns são totalmente impercebíveis, porém alguns nos últimos anos fizeram questão de ganhar notoriedade através do desserviço ao povo brasileiro. Exemplo disso: o sr. Marco Feliciano.

2aypx7ijr4_6dqq6q316a_fileEm meio à guerra ideológica que tomou conta do país, temos também inúmeros ditos evangélicos – que também dizem lutar pela tal democracia. A questão é que estamos vivendo uma crise às custas da soberba e da ganância desenfreada de muitos que ganharam do povo a oportunidade de trabalhar pelo povo. Pode ser ingenuidade minha, mas essa é a essência do serviço público. Ah sim, lembrando: deputados, senadores, presidente, ministros são servidores públicos, ou melhor, deveriam ser.

O que vemos é uma grande farra, irresponsável, com as verbas públicas. O que está em jogo em meio a tudo isso é a vida de muitas pessoas. É a vida com qualidade, pois o Erário desviado das suas principais funções gera fome, miséria, a morte de diferentes formas. A morte vem pela falta de um medicamento, de um aparelho, pela falta ou incapacidade ou incompetência de um profissional ou de uma estrutura, seja ela hospitalar ou escolar.

Vivemos em um país onde a grande maioria não tem saneamento básico, não tem moradia, não tem educação. E quando tem essas coisas, as tem de forma precária, de má qualidade. Somos o país com as menores verbas para pesquisas e para a produção de bens para o povo.

Triste que, em meio a tudo isso, a tal “bancada evangélica” é totalmente nula, pois dos projetos apresentado, todos são de interesses individualizados às instituições religiosas que eles representam ou de interesse pessoal de cada um. A tal “bancada evangélica” se resume a concessões de rádio, tv e jornais, datas comemorativas, passaportes diplomáticos, liberação de impostos ou encargos, liberação de terrenos e nada mais.

Uma pena, pois o Brasil tem tantas necessidades. Foi triste ver que quando um representante evangélico teve a oportunidade de assumir um cargo à frente da Comissão de Direitos Humanos, o mesmo só soube incitar e plantar o ódio em decorrência das diferenças.

Parece que muitos evangélicos não conseguem enxergar o mundo além dos seus interesses. Em meio a tudo o que estamos vendo, poucas são as lideranças evangélicas com autoridade moral para se expressarem, pois muitos sujaram suas mãos com as barganhas do partidarismo e dos conchavos políticos.

Agora entrou em moda as cartas abertas, onde alguns tentam, de forma totalmente hipócrita, tirar proveito da atual circunstância. Muitos se esquecem que as Sagradas Escrituras nos declaram que não podemos servir a dois senhores.

Alguns estão tentando fazer-nos acreditar que o sistema político não é tão sujo como pensamos. Eles se esquecem de que o povo prova dos frutos do sistema no seu dia a dia. Prova do descaso e da incompetência política no seu cotidiano: no mercado, no consumo de combustíveis, na precariedade dos ruas, nas dificuldades de se locomover pela péssima qualidade dos transportes públicos, no medo constante provado pela violência, na falta de qualidade de vida em geral.

Mesmo sendo povo, sabemos das mordomias que os cartões corporativos oferecem aos políticos em geral. Sem contar os altos salários recebidos.

Ou seja, a questão em foco é a corrupção geral e os males causados.

Eu não acredito que partido A ou B ou C vai resolver tudo isso. Como disse no início, somos um povo corrupto. As exceções partem da individualidade de muitos, que não se deixam levar por esse capital cultural, e não se deixa ser um reprodutor desse aspecto.

Em meio a tudo isso, minha tristeza é pelo fato de que muitos são os evangélicos que não se deixam ser sal e luz. Ao contrário, no contexto geral os evangélicos até criaram uma teologia para contemporizar com a realidade. Esquecemo-nos de que Deus é Santo, e não se alia às imundícias deste mundo.

Muitos líderes até podem achar que suas alianças partidários ou com indivíduos políticos lhes trazem privilégios e grandes favores, porém é preciso que saibam que a glória de Deus não se compra com favores humanos.

Em Deuteronômio 11, 26-27 a Palavra de Deus nos declara que há duas condições para o homem: as bênçãos e as maldições. As bênçãos se cumprimos as ordenanças de Deus e as maldições se não as cumprirmos e nos desviarmos dos caminhos Dele para adorar a outros deuses.

Essas são regras básicas das Sagradas Escrituras e se destinam a todos aqueles que se dizem cristãos. Não há atalhos e nem barganhas. Há os que acreditam que o dinheiro tudo compra, não importando a procedência. A Bíblia diz que quanto o homem pagará por sua vida.

Não importa o que esteja acontecendo no mundo à nossa volta, é dever de todo o cristão estar de mãos limpas. Muitas serão as oportunidades para nos esquecermos dos valores cristãos, mas devemos nos lembrar de tudo o quanto fizermos, um dia daremos conta diante de Deus.

“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.
Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza.
Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.” – Tiago 4:8-10

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz.

Paulo Siqueira

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Uma resposta para Um país de mãos sujas

  1. Jaqueline Oliveira disse:

    Em um sistema totalmente falho, com regras que não causam efeito algum, e pronunciadas da boca pra fora. A exigência dos direitos, vinda da parte de quem não cumpre suas obrigações. O que dizer de a um povo sego que não faz questão de enxergar, ou melhor que acha que esta na luz?
    Bom, deixemos a hipocrisia, façamos uma lavagem cerebral.
    Ou calem-se as vozes e vegetem em silêncio!
    É o mínimo!

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