A Graça no cotidiano segundo o livro de Oseias

oseias“Semeai para vós em justiça, ceifai segundo a misericórdia; lavrai o campo de lavoura; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que venha e chova a justiça sobre vós”. (Oseias 10:12)

A partir dessa quarta-feira, dia 13 de janeiro, começamos a estudar na Igreja Paz o livro de Oseias, um livro que descreve o Amor de Deus em ação no mundo. Um mundo conturbado, onde os valores estão invertidos. Vivemos uma crise humanitária, o ser humano está sendo trocado por valores passageiros, o amor está fora do contexto. Tudo é passageiro, nada suporta a velocidade do novo. Com isso, o mundo se vê na necessidade de ter a cada dia mais. É a felicidade paradoxal de Gilles Lipovetsky.

Essa busca contínua pelo material e pelo prazer de ter também alcançou a igreja. A teologia da prosperidade e seus pregadores impõem sobre o fiel a necessidade de possuir, conquistar, não importando o que faça para isso. Essa teologia que ensina errado também desemboca em uma ética errada.

Por que estudar o livro de Oseias nos dias atuais? –  é a pergunta de muitos. Um livro do Antigo Testamento, sem muitas profecias relevantes para o contexto cotidiano, onde os temas são: vitória, prosperidade, poder, domínio, posse, restituição, etc.

Para Hernandes Dias Lopes, em seu comentário do livro de Oseias, Oseias é o profeta da Graça. Ele declara que Oseias é o homem de coração quebrantado pelo amor de Deus, pois suas mensagens não só falaram aos ouvidos mas também aos olhos dos seus ouvintes. Em dias onde o exemplo é escasso, o livro de Oseias é totalmente essencial, pois não só fala mas também toca em nossos corações a partir do testemunho de um homem que ousou amar como Deus nos ama.

Oseias era profeta de Israel, filho de Beeri (1.1), viveu durante a “era de ouro” do reinado de Jeroboão II e segundo uma tradição cristã, pertencia à tribo de Issacar. O nome “Oseias” era comum nos tempos do Antigo Testamento e significa “ajuda” ou “livramento”. O nome é derivado da palavra hebraica que significa “salvação”. “Jesus” ou “Yeshua” é uma forma desse nome (Mt 1.21). Oseias foi contemporâneo de Amós, pois ambos profetizaram no final do melhor dos tempos e nas bodas do pior dos tempos em Israel. O rei Jeroboão II estava no final do seu longo reinado. A nação havia alcançado seu apogeu tanto política como economicamente. Havia paz nas fronteiras e prosperidade dentro dos muros. Porém, com a morte desse grande monarca, a nação entrou em célebre decadência rumo ao colapso. O trono de Israel tornou-se o centro nevrálgico de intrigas, conspirações e assassinatos. Os reis insensatos faziam alianças com as grande potências mundiais da época: a Assíria e o Egito.

Para conhecer mais esse período da história, leia 2 Reis 14-17 e 2 Crônicas 26-29.

Nesse contexto, o profeta Oseias ergue sua voz contra essa estratégia insana e compara Israel a uma pompa enganada, deixando de confiar em Deus, colocando sua confiança naqueles que haveriam de pôr sobre seu pescoço um jugo pesado. Israel, ao invés de buscar as onipotentes mãos de Deus, buscou ajuda daqueles que mais tarde seriam implacáveis opressores. As alianças políticas pavimentaram o caminho da apostasia, fazendo com que Israel abandonasse a Deus, seu redentor, para render-se aos ídolos pagãos. Em vez de servir ao Criador, o povo apóstata prostrava-se diante das obras de suas próprias mãos, atribuindo as bênçãos aos baalins. Com isso, Israel rendeu-se à imoralidade, à idolatria, à prostituição e à morte. Os reis e os sacerdotes lideravam o povo nessa corrida rumo ao desastre. O palácio e os templos religiosos eram centros de opressão. A política e a religião se uniram pelos motivos mais sórdidos. A violência ganhou as ruas, a roubalheira acontecia à luz do dia, e a imoralidade transbordava por todos os lados. A nação inteira era como um corpo chagado.

Em Oseias 4:6 temos: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.”

Nessa passagem vemos que os dias de Oseias são bastante semelhantes aos nossos. O povo a cada dia abandona o conhecimento da Palavra de Deus para se render aos deuses deste mundo. E hoje muitos estão recorrendo aos líderes do momento, lhes dando mais atenção do que à Palavra do Senhor. Os males dos dias de Oseias se achegaram à igreja cotidiana: prostituição, imoralidade, idolatria e casamento do povo de Deus com os poderes e meretrizes modernas.

Oseias profetiza à Israel que, por não ter dado ouvido à voz de Deus, Israel receberia a disciplina de Deus. Com isso veio o amargo cativeiro como um remédio para a cura do povo. Porém, o fracasso de Israel não destruiu os planos de Deus, pois onde abundou o pecado, superabundou a Graça divina. (Rom 5:20)

Esta é a mensagem central do livro de Oseias: o amor de Deus prevalece sobre Sua ira. Da noite escura do pecado brota a luz da esperança. Deus, em Seu amor, chamou seu povo para voltar-se para Ele, trazendo em seus lábios palavras de arrependimento.

A mensagem do livro se torna presente nos dias de hoje, onde a igreja caminha para a apostasia. É preciso lembrar a muitos que o Deus de Israel não mudou. Ele ainda restaura e levanta o caído. Ele ainda se apresenta como orvalho para aqueles que vivem a aridez de um deserto. A mensagem de Oseias ecoa em nossos ouvidos, é para os nossos dias, pois a Palavra de Deus é sempre atual. Todos são convidados a buscar o conhecimento que vem da Palavra de Deus.

É tempo de voltarmos ao Evangelho puro e simples do Senhor.

A Deus toda glória.

Paulo Siqueira.

BIBLIOGRAFIA:
HOUSE, Paulo R. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2005.
WILLMINGTON, Harold. A Bíblia em Esboços. São Paulo: Hagnos, 2001.
MEARS, Henrietta. Estudo Panorâmico da Bíblia. São Paulo: Editora Vida, I982.
LOPES, Hernandes Dias. Oseias, O amor de Deus em ação. São Paulo: Hagnos, 20I0.
KLAIBER, Walter. MARQUARDT, Manfred. Viver a Graça de Deus: Um compendio de Teologia Wesleyana. 2ed. São Bernardo do Campo: Editeo, 2006.

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