Sendo protestantes no Dia da Reforma Protestante

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Protestantes do MEEB em São Paulo, em frente ao Templo de Salomão

Há 498 anos temos o monge Martinho Lutero afixando 95 teses na entrada da Catedral de Wittenberg (alguns historiadores dizem que enviando cartas para o Papa Leão X). Na época, para terminar a construção da Basílica de São Pedro, Leão X determinou a venda de indulgências (perdão dos pecados) como forma de arrecadação de dinheiro. O dominicano Tetzel saiu pela Europa vendendo indulgências e recolhendo o dinheiro, deflagrando o ato de Lutero.

Porém, antes de Lutero houve muitos indignados com a situação da igreja. E após Lutero, outros tantos se levantaram. Muitos, ao defender a fé diante da igreja constituída, foram perseguidos e martirizados, como Jan Huss e os valdenses.

Hoje ouvimos muito que não devemos julgar ou criticar os líderes religiosos porque isso pode dividir a igreja. Porém, o que a história do cristianismo nos ensina?

31aA começar pelos profetas do Antigo Testamento, todos foram enviados por Deus para exortar os líderes religiosos de seu tempo. Deus enviou até meninos (como Jeremias e Davi) para confrontar anciões, reis e sacerdotes. Todos os enviados por Deus devem ter ouvido que estavam agindo errado, afinal não se pode criticar um rei ou um sumo sacerdote. Mas não temeram perseguições ou morte e abriram suas bocas para proclamar a verdade e denunciar os erros doutrinários em voga.

Chegando no Novo Testamento, vemos Jesus Cristo e seus discípulos afrontando abertamente os líderes religiosos do seu tempo. O diálogo de Jesus com os fariseus em Mateus 23 é de arrasar. Se não dissermos que é Jesus falando com os sacerdotes, mas que é um protestante falando com um apóstolo (?) moderno, muita gente vai subir nas tamancas e defenestrar o protestante, afinal “não se pode tocar num ungido do Senhor” (citação fora do contexto, é claro).

E qual o resultado das exortações aos líderes religiosos no Novo Testamento? Perseguições e martírio dos cristãos.

31eE com o passar dos séculos, a Igreja começou a se contaminar com ensinos estranhos. Como no início, Deus levantou homens e mulheres para confrontar tais ensinos. Esses foram também perseguidos e martirizados, e quanto mais os verdadeiros seguidores de Cristo eram mortos, outros tantos se convertiam e abriam mão de suas vidas em prol da proclamação do Evangelho.

Na Idade das trevas, vemos uma luz: a Reforma Protestante, que visava trazer a Igreja ao eixo cristocêntrico. Novos grupos cristãos foram formados, mesmo com toda a perseguição e ameaça de morte. A Igreja Romana acabou obrigada a rever alguns conceitos (por medo de perder a hegemonia e o poder adquirido), culminando na chamada Contra-Reforma.

31fAs igrejas hoje chamadas evangélicas são frutos da Reforma Protestante. São frutos de divisão, divisão essa necessária para que a Bíblia pudesse ser resgatada e os ensinos de Cristo pregados em todas as nações.

Tudo o que foi dito aqui seria desnecessário se muitos dos que frequentam igrejas evangélicas conhecessem sua história. Porém, não apenas não conhecemos de onde viemos, como não sabemos o que somos ou o porquê de estarmos reunidos semanalmente num estabelecimento supostamente sem fins lucrativos.
31cA grande maioria dos evangélicos não sabem quem são. Não sabem que vieram de uma divisão. Não sabem que vieram do movimento protestante, conhecido assim porque seus integrantes protestavam contra os desmandos, as injustiças e os ensinos heréticos. Não sabem o que Jesus Cristo fazia ou ensinava, pois se soubessem não aceitariam calados tantos desvios doutrinários. Se muitos preferem ficar quietinhos no seu banco de igreja, é porque não entenderam a essência do que dizem seguir.

A maior prova de que não sabemos o que fazemos numa igreja é que muitos vamos buscar bênçãos pessoais. Porém, o objetivo maior, segundo o cristianismo, não é nosso próprio benefício e sim a anulação do nosso Eu, deixando espaço para o Espírito Santo agir em nossas vidas. O grande objetivo é o crescimento do Reino, não de nossas contas bancárias. Quando 31dvamos a uma igreja buscando apenas riqueza e sucesso, como vemos em muitos testemunhos, mais uma vez martirizamos a todos que deram suas vidas para que a Palavra de Deus chegasse até nós.

A história existe para que não venhamos a cometer os mesmos erros do passado. E por isso o ensino de história é tão menosprezado. Quanto menos o povo conhece de si, mais fácil se torna manipulá-lo.

A história da Igreja de Cristo é formada por milhares e milhares de homens, mulheres, crianças e velhos que um dia ousaram renunciar aos valores deste mundo para defenderem os valores do Reino de Deus. A defesa de valores diversos dos dominantes os fez serem odiados, perseguidos, torturados, executados. Esses protestantes pagaram o preço num mundo que não dá voz e nem vez a ninguém, num mundo em que todos são vistos como gado.

Protestantes do MEEB no Rio de Janeiro, em frente ao Barrashopping

Protestantes do MEEB no Rio de Janeiro, em frente ao Barrashopping

“E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas,
Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões,
Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos.
As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição;
E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões.
31jForam apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados
(Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra.
E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa,
Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados.” – Hebreus 11:32-40

31kQuando criticamos alguém por estar apontando os erros doutrinários de algum líder religioso, estamos desmerecendo todos os que, no passado, fizeram o mesmo. Graças a esses, o Evangelho nos chegou nos dias de hoje.

“E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus.
Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus.” – Lucas 12:8,9

31lConfessar a Jesus não é apenas levantar a mão e fazer uma oração para aceitá-Lo como Seu Único e suficiente Salvador. Confessar a Jesus é, abertamente, defender Suas doutrinas diante dos ensinos enganosos dos lobos em pele de cordeiro, dos demônios travestidos de anjos de luz.

Que Deus nos dê a ousadia e a coragem dos antigos reformadores, para que possamos defender a sã doutrina e para que o verdadeiro Evangelho chegue a todas as nações.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

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