Malafaia perde 30 mil ofertantes e barganha a fé para compensar

blog26Na manhã de hoje foi ao ar mais um programa do Pr. Silas Malafaia na Rede TV. Nesse programa, tal (im)pastor gastou quase 25 minutos numa pseudo-pregação com o fim de constranger os fiéis a lhe dar “ofertas especiais”.

Como sempre, Malafaia começou com seu manjado bordão: “duvidar, criticar e determinar”. Com isso, pretende que todos somos livres para analisar quaisquer propostas que nos cheguem, e então decidir pela sua aceitação, aceitação parcial ou total rejeição. No discurso malafaiano, muito bonito e digno de nota. Na prática, porém, tem efeito placebo total, já que tudo pode ser criticado e analisado, menos as ideias do Malafaia. Para quem decide por rejeitá-las sobram adjetivos, alguns expressos no programa de hoje: mesquinhos, caluniadores, manés, vagabundos, filhos do diabo, trouxas e palavras amáveis do tipo.

A “pregação” começou com Romanos 10.14-15:

“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?
E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas.”

Em seguida, Malafaia mostrou algumas obras sociais nas quais sua Associação Vitória em Cristo contribui com certa quantia em dinheiro e a quantidade de países nos quais seus programas televisivos estão disponíveis. E, como nada é por acaso, partiu logo para um resumo do programa “Uma vida de prosperidade”, aquele programa que foi um desafio para que se encontrasse nele algo fora da Bíblia. Um desafio de tolo, diga-se de passagem, pois praticamente toda a pregação demonstrava uma interpretação errônea, calcada na escolha de versículos isolados de seu contexto com o fim de afirmar a Teologia da Prosperidade, da qual Malafaia é um dos principais expoentes no Brasil. Enfim, como vale a pena ver de novo, eis o link para tal programa.

blog25O resumo sobre prosperidade versou sobre alguns versículos de 2 Coríntios 9: os versículos 6, 7, 8, 10 e 11, cada um, isoladamente e por si só, suficientes (segundo Malafaia) para justificar uma das 5 Leis do Ofertante, as leis da semeadura, da abundância, do favor de Deus para o ofertante, do amor de Deus para o ofertante e da multiplicação. Segundo a falsa interpretação de Malafaia, quem oferta em “terra boa” (ou seja, na dele), quase tudo o que tem (pois o que vale é a “qualidade” da oferta, e deu como exemplo a oferta da viúva), para investimento em evangelização receberá de Deus bênçãos materiai$ e espirituais com grande abundância, pois Deus gosta de multiplicação e não de soma, segundo o (im)pastor.

Claro, frisa o Malafaia, ninguém deve ser constrangido ou obrigado a ofertar. Porém, só quem ofertar receberá as bênçãos e favores divinos com abundância. Contraditório, não?

É engraçado que Malafaia usa, na defesa de sua pregação, 2 Coríntios 9.6,7,8,10 e 11. Note que ele pula o versículo 9. Por que será?

“Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre.” – 2 Coríntios 9:9

Ou, em outra tradução:

“Como está escrito: “Distribuiu, deu os seus bens aos necessitados; a sua justiça dura para sempre”. 

Ou seja, o versículo 9 destroi, aniquila, quebra, estraçalha a péssima interpretação malafaiana de 2 Coríntios 9. Afinal, quem lê todo o capítulo 9 (e o 8 também) percebe claramente que o Apóstolo (de verdade) Paulo fala da importância de se ofertar em prol dos necessitados. Já para Malafaia essa interpretação não é interessante, pois o tal (im)pastor não quer que os fiéis dêem dinheiro para os pobres, mas sim para SEU MINISTÉRIO VITÓRIA EM CRISTO.

E assim, Malafaia age como o ladrão, pois através de um absurdo exercício de exegese (acho que ele nem sabe o que é isso) leva os fiéis a transferirem para ele (ou para sua ADVEC, ou o que o valha) os recursos que, na Bíblia, há ordenamento para que sejam enviados aos que necessitam.

Bonito, né, sr. Malafaia?

O fato de ajudar a manter obras sociais não justifica a NINGUÉM alterar a mensagem bíblica. O fato de fazer o bem não justifica a ninguém deturpar a Palavra de Deus. Bem por bem, os espíritas fazem muito mais do que o (im)pastor Malafaia e muitos de nós.

Bonito, né, sr. Malafaia?

No final da pseudo-pregação, Malafaia explica o porquê de tanto ardor em “ensinar” liberalidade: após a reportagem da Revista Forbes, que o enumera entre os pastores mais ricos do Brasil, Malafaia perdeu cerca de 30 mil “patrocinadores fiéis” (aqueles que, mensalmente, enviam certa quantia para seu ministério).

Pois é, TRINTA MIL. E, talvez por isso, o (im)pastor necessite de algum dinheiro para ajudar a pagar as contas do seu ministério.

Mas, quem ensina algo deve, por um mínimo de coerência, praticar o que ensina. Já que Malafaia gosta tanto de ensinar o povo a ser liberal, dando boa parte do que têm para a igreja em troca das bênçãos financeiras e outras mais, porque o próprio Malafaia não põe a mão no bolso e investe ofertas bem alçadas em seu próprio ministério? Se o que ele prega for verdade, vai ser o maior investimento de sua vida, já que poderá investir uma Mercedes blindada e ganhar em troca umas 10; investir um anel de 4.000 dólares e ganhar outros cem anéis; doar o aviãozinho e receber uma frota em troca. Assim, não apenas cobriria o rombo financeiro de seu ministério, como também garantiria riquezas para umas 4 gerações depois da sua.

Ah, mas liberalidade, “lei da semeadura” e afins são para os pobres fiéis!!!

Bonito, né, sr. Malafaia?
blog27Só para piorar mais um pouquinho (se é que isso é possível), Malafaia é daqueles (im)pastores que sabem que, se suas ovelhas descobrirem o verdadeiro significado da Graça de Deus, não terá sobre elas o domínio cego que possui hoje. Por isso, para mantê-las aprisionadas em seu aprisco, Malafaia usa e abusa de “leis”, de normas ditas por ele bíblicas (mas na verdade inventadas por homens sedentos de poder), para que as ovelhas mantenham a obediência às suas ordens. Não à toa, segundo tal (im)pastor, para se obter a própria Graça de Deus é preciso seguir uma Lei específica, que é citada durante a pseudo-pregação. Essa lição Malafaia aprendeu de seu professor de heresia americano, o tal “Doutor” (em quê?) Mike Murdock, além das aulinhas de especialização com o “profeta de deus” (Mamom?) Morris Cerullo. A propósito, o Murdock já veio neste ano pedir dinheiro pro Malafaia. Está faltando o Cerullão, que deve aparecer nos próximos meses, cumprindo a tradição anual.

Bonito, né, sr. Malafaia?

Nada de bonito. É triste, abominável, execrável, terrível. Isso é zombar de Deus e zombar da inteligência dos fiéis. Está certo que há muitos que acreditam em qualquer baboseira que um líder religioso diga, mas aí a coisa fica ainda pior, pois é se aproveitar da boa fé e ingenuidade de muitos para alcançar seus objetivos financeiros e de poder. Sim, de poder também, pois já começou a corrida eleitoral e, claro, Malafaia e outros (im)pastores como ele já estão articulando apoio a candidatos de todos os níveis, com o fim de alcançar poder em todas as esferas políticas.

Já que o Malafaia gosta de ensinar, de dar conselhos, também vou dar meu conselho ao Malafaia:

Arrependa-se enquanto ainda é tempo.

“Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho;
O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo.
Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.
Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.” – Gálatas 1:6-9

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

 

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Uma resposta para Malafaia perde 30 mil ofertantes e barganha a fé para compensar

  1. Austri Junior disse:

    Se Jesus não voltar logo…

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