Ainda somos colônia

Neste ultimo sábado no fim da tarde, fui ao Carrefour Pauliceia em São Bernardo dos Campos como sempre faço nos sábados. Fiz minhas compras, e já estava saindo em direção ao estacionamento quando subitamente ouvi gritos de crianças, como se estivesse apanhando. Larguei tudo e sai na tentativa de saber de onde vinha o barulho. Foi quando subi uma escadaria que fica de canto no mercado e vi de encontro, um funcionário do Carrefour (uniformizado), espancando a socos e pontapés duas crianças, que não aparentavam mais de 8 anos. As crianças negras, sujinhas, pés descalços, com certeza crianças de uma favela que fica bem próximo do supermercado. Quando fui de encontro a cena varias pessoas também chegaram pois os gritos eram ouvidos por todo canto. O funcionário quando viu a multidão chegando saiu correndo e sumiu dentro do mercado. Todos foram para dentro da loja e pediam pela gerencia, o que apareceu após uns 15 minutos. Todos tentavam ligar para a policia o estranhamente também não conseguíamos. A gerencia chegou com ar de deboche e totalmente irônico disse que aquilo não existia. Mais de 30 pessoas que viram a cena e estavam indignadas, foram desmentidas. Logo chegou uma cidadão dizendo que era chefe da segurança, e dize que aquilo não acontecia, o interessante que o local que as crianças estavam sendo espancadas é o único local na loja onde não há câmeras. O mais triste em meio a tudo isto os gerentes saíram rindo e nos deixaram ali plantados sem respostas. Não conseguimos falar no 190, restou ligar para o 0800 do Carrefour, que fez o atendimento como o de uma reclamação comum, com a fala costumeira: queira anotar o numero do protocolo, Senhor!!!   Estou triste, pois esta não é uma situação isolada, isto acontece em todo canto em nosso pais. Basta ter aparência de pobre, estar sujo, mal vestido que a violência gratuita acontece. E o mais triste isto não assusta mais ninguém pois gritos de dor de pobre não toca o coração de muitos. É negro, pobre, sujo, deve ter feito alguma coisa, tem que apanhar mesmo. Graças a Deus isto não aconteceu neste fato, dezenas de pessoas se mostraram estarrecidas com o fato, e ficaram lá quase uma hora esperando a policia (que não veio). E alguns tentaram ate contato com a imprensa. Lamentavelmente se tratando de maturidade social ainda estamos nos dias de colônia, onde negros, índios e escravos eram espancados a céu aberto, tudo em nome do progresso. Esta é a realidade, estou triste, pois só consegui tiras as crianças das mãos deste torturador, não consegui puni-lo. Não consegui fazer justiça. Com certeza estas crianças vão apanhar outros dias, pois esta é de um pais que vive a cultura da violência, principalmente contra os mais fracos. O Carrefour perdeu um cliente pois quem apoia o erro comete dois erros. Que Deus abra os nossos olhos e nos de coragem para lutar por um pais mais justo.

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;   Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;   Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;   Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;   Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;   Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;   Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”;   Mateus 5:3-9

Vivemos uma crise de humanização, perdemos a consciência do que é a vida.

Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós.

Paulo Siqueira

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3 respostas para Ainda somos colônia

  1. Luís disse:

    Então, Paulo ande sempre armado, seu celular registrando tudo, quem poderá negar!!!Mas o tu sabes bem que o mundo vai de mal a pior!!!
    Fica com Deus!!!

    • pedrasclamam disse:

      Caro Luís, Graça e paz.
      Infelizmente ainda somos o pais que explora covardemente as minorias. Ainda temos que assistir cenas como a descrita no texto. O que me entristece muito é saber que a igreja brasileira na sua militância não tem como essência a luta pela vida. lamentavelmente todos sabem que a tortura é praticada todos os dias, ate mesmo pelos aparelhos do Estado, e isto soa como algo natural. Perdemos a fome e a sede de justiça, que Jesus falou que seria uma das condições de herdarmos o reino dos céus. Triste, muito triste. No caso descrito varias pessoas também denunciaram o caso, e a empresa citada tomou providencias. É pouco mas é o inicio de um aluta que ainda vai durar muito tempo. Não vai ser fácil destruir esta cultura da violência que insiste em abater pobres, negros, e os menos favorecidos. Que Deus nos ajude.

      Deus lhe abençoe.

      Paulo Siqueira

  2. Gi disse:

    sabe o que penso…como certas pessoas reagiriam se vivessem na época de Nabucodonosor, rei da Babilônia, sabendo que ele foi usado por Deus…
    Fariam uma rebelião contra Deus? Protestos?

    Tem uma frase interessante de Paul Washer que diz: “Se Deus não limitasse algumas pessoas, elas fariam com que Hitler parecesse um coroinha”

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