TER – A SOLUÇÃO DA MODERNIDADE

Pastor Hector Vargas Gómez
http://www.igrejapaz.org.br

Desde criança, aprendemos que devemos “ter”. Os métodos usados pela pedagogia são inteiramente voltados ao ensino do “ter”. Segundo entendemos, esse verbo, “ter”, tem expressado o desejo excessivo de adquirir bens materiais, cujo único objetivo é: alcançar felicidade. E tal atitude tem contribuindo muito na formação do caráter e personalidade do indivíduo.

Com o tempo, a cultura do “ter” passou a fazer parte do nosso viver diário. Ou seja, tudo o que fazemos ou pensamos está diretamente relacionado a essa cultura. Se observarmos o nosso país, veremos como a riqueza está sendo distribuída. E, pelo o que podemos constatar, somente 1% dos brasileiros detém a riqueza, o restante corre atrás sem alcançá-la. E o pior. Aqueles que a possuem não abrem mão dela por nada deste mundo. Quando as pessoas se dão conta de que lutam muito e não alcançam tal riqueza, sentem-se derrotadas. A sensação de perda toma conta delas, restando-lhes apenas sonhar em “ter” e com todos os prazeres que esta cultura pode lhes trazer. Mas tudo não passa de um sonho, porque a realidade do “ter” é muito cruel. As pessoas, então, sentem-se frustradas, e até mesmo revoltadas, com a política e com o governo. Enfim, parece que estamos vivendo em um mundo sem solução.

Amadurecidas pelas frustrações e não sabendo o rumo que tomará a vida, saem à procura e, algumas vezes, deparam-se com religiões que dizem ter a solução para os seus problemas. Mas como ninguém lhes ensinou a lidar com os assuntos espirituais, ou, então, foram indiferentes a esses assuntos, quando conduzidas a (ou por) alguma religião, não sabem lidar com a situação. E como estão à procura de saídas (soluções) para suas crises, mudam de estratégia, ou seja, “internam-se” nas religiões de auto-ajuda com um único objetivo: retomar o poder aquisitivo. Não importa a religião, desde que as ajude. Isso é o bastante.

Muitos pensam da seguinte forma: se tudo está bem e possuem bens materiais, não precisam apegar-se às questões espirituais. Então, torna-se fácil sonhar com a felicidade, pois o “ter” é a única coisa necessária em suas vidas.

Então, o que fazem? Fecham os olhos para Deus.

Na tal cultura do “ter” quanto mais temos mais queremos. As pessoas jamais ficam satisfeitas. E essa inquietude de querer sempre mais nos leva a estar sempre ansiosos, parece que nada satisfaz, estamos sempre procurando novidades que possam trazer a tão desejada paz e felicidade por meio do “ter”.

Deus se preocupa conosco?

Aqui, cabe a pergunta: “O que será que Deus pensa de nós?”. Afinal, não conseguimos ultrapassar a média de tempo de vida: 70 anos, e, durante esse período, estamos sujeitos, como seres humanos, a toda sorte de doenças e limitações. Mas Deus continua sendo o Dono de tudo e de todos. Será que seria muita pretensão de nossa parte perguntar se Deus se preocupa conosco, criaturas tão insignificantes, egoístas e presunçosas que somos?

A Bíblia nos orienta e nos assegura que Deus está sempre pensando em nós. Mais do que isso. Ele só quer o nosso bem e a nossa paz, não deseja apenas nos julgar ou repreender pelas nossas falhas e irresponsabilidades.

O desejo de Deus é que todos nós atinjamos os nossos objetivos de vida. Sim, aquilo que está em nosso coração, aquilo que almejamos ser ou aquilo que é de mais sublime em nós e que, por um sem-número de situações, não conseguimos conquistar: uma família, um lar, uma vida saudável, uma vida abastecida pelo trabalho e pelo esforço, entre tantas outras coisas.

Deus é galardoador daqueles que o buscam. No coração de Deus não há limites para as bênçãos que deseja oferecer para todos aqueles que se voltarem para Ele de todo o coração.

Foi com este propósito que o Filho do Deus Altíssimo, Jesus de Nazaré, nasceu, há mais de dois mil anos. Jesus não foi apenas um homem brilhante por sua inteligência extraordinária, antes, se destacou por sua personalidade. Com um pouco mais de três anos de ensinamentos, conquistou fama indescritível e, depois de sua morte, o mundo foi dividido em “antes” e “depois” de Cristo.

Jesus abalou os alicerces da filosofia

Jesus de Nazaré colocou à disposição dos povos idéias e pensamentos de extrema complexidade para os intelectuais da época. Suas idéias sobre a liberdade do homem e suas múltiplas escolhas abalaram os alicerces da filosofia e de todo e qualquer pensamento humanista. Suas palavras transformaram vidas, perturbaram as idéias dos intelectuais da época (versados em culturas milenares) e conquistaram o coração de quem precisava.

Em sua vida diária, Jesus sempre foi tolerante quanto à questão do “ter”, mas ensinou algo mais importante e necessário: a questão do “ser”. Fez isso porque conhecia as pessoas e se preocupava com elas. Conhecia também suas necessidades. Opôs-se ao sistema religioso e político da época porque sabia que esse sistema escravizava ao invés de libertar o homem. Ensinou que as pessoas deveriam “ter” fé. Ensinou que deveriam “ser” perseverantes.

A palavra fé a que Jesus se referia ultrapassa qualquer interpretação científica, pois supera a lógica. A fé de que falou é a total ausência de dúvida. Quando a pessoa crê e tem fé, caminha segura, tranqüila e realizada aonde quer que vá, independente da circunstância ou situação que estiver.

Durante toda a sua vida terrena, Jesus de Nazaré sempre se dedicou à seguinte causa: mostrar às pessoas a necessidade do crer, de “ter” fé. E falava da fé como um processo gradativo de crescimento que supera o mundo físico, que ultrapassa o mundo dos sentidos. Apesar de Jesus gastar muito tempo ensinando a crer e a “ter” fé, não desmereceu a condição humana e muito menos a capacidade do homem de pensar ou criticar. Toda pessoa tem o livre-arbítrio e deve exercitar a arte de pensar. Deve refletir primeiro para depois crer e “ter” fé. A nossa liberdade e a nossa consciência nos levam, de fato, a crer e a “ter” fé. Esta dedicação exclusiva ao “ter” (algo que aprendemos desde criança) nos conduz ao caminho da solidão existencial, um dos males que mais atacam a vida moderna, em especial a personalidade do indivíduo. Entendemos por personalidade aquilo que nos diferencia dos outros, aquilo que nos permite nos relacionarmos na sociedade. Uma vez que este mal domina a personalidade, o homem se vê perdido em uma estrada sem-fim. Mas, ainda que esse homem se veja cercado pelas circunstân-cias, a vida continua e o seu desejo de “ter” não acaba. Então, faz grande esforço para reverter a situação.

É justamente o que acontece com as pessoas. Ainda que amarguradas,encurraladas e embrutecidas pelas experiências, pensam somente em progredir. Os outros, para tais pessoas, servem apenas como alavanca para que possam obter seu progresso. E fazem isso a qualquer preço. Segundo pensam, nessa nova estrada em que se encontram só há concorrentes que devem ser ultrapassados.

Com o passar do tempo, as pessoas que conservam esse utópico desejo de “ter” ficam sem amigos, sem cônjuge, sem filhos… E chegam novamente a um triste fim: a mais obscura solidão. Então, perguntam: Por que fiz tudo isso? Por que fiz aquilo?

O desejo de “ter” nos traz solidão, é contrário à natureza para a qual as pessoas foram feitas. Quando dominadas por esse desejo, as pessoas se tornam individualistas, com personalidade duvidosa. A vida deve ser vivida na vontade de “ser” e de “ter”, não apenas de “ter”. A pessoa só pode ser feliz quando mantém boa relação (seja de amizade, de afeto, etc.) com o próximo. Deus não nos criou para vivermos sós ou em solidão. A nossa felicidade consiste em termos comunhão com Deus e seus semelhantes. Ninguém é melhor que ninguém. Afinal, todos somos feitos da mesma matéria orgânica.

A solidão é conseqüência de uma vida que se preocupa apenas em viver no mundo material, ou seja, que se preocupa apenas em “ter”.

Primeiramente, devemos orar ao Senhor, pedindo sua ajuda para que possamos encontrar soluções e encarar as situações da melhor maneira possível, sempre buscando compreender a nós mesmos e refletindo sobre as seguintes questões: Por que vivo? Para que vivo? Por que desejo tanto “ter”? O que, na verdade, estou querendo para a minha vida? As respostas, com certeza, virão; e, quando chegarem, saberemos o que realmente significa “ter”, porque o nosso auxílio virá do Criador, do Deus de tudo o que existe. Do Deus que, inclusive, nos criou. Assim, amado(a) leitor(a), ainda que não obtenha respostas para todas as situações, você deve saber que não está sozinho(a).
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2 respostas para TER – A SOLUÇÃO DA MODERNIDADE

  1. Nilton Santos disse:

    Muito bom este texto, parabéns! Este lance de “ter” está invadindo as igrejas há muito tempo e confundindo as pessoas.

  2. Nos tempos da pos-modernidade, o secularismo invadiu as nossas igrejas e infelizmente o “ter” se tornou mais importante que o “ser”.

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