Uma mão amiga

Imagem Folha de São Paulo – 06/01/2012

Essa semana toda a mídia escrita e falada esteve com suas atenções voltadas para o caos social em que nosso país está inserido. Primeiramente, pelo caos já anunciado das enchentes e alagamentos que ano após ano ceifam vidas em Minas, São Paulo, Rio de Janeiro. O filme é repetido, e até mesmo os lugares, porém nesse ano há um capítulo novo: mais de 90% das verbas destinadas à prevenção e socorro às vítimas das enchentes foram destinadas a um só Estado, Estado esse pertencente a um ministro “responsável” em distribuir as verbas.

É mais um fato sem culpados, sem apurações, sem justiça. O que se sabe é que muitas famílias estão a perecer e aguardam as migalhas que sobrarem do descaso político para com os brasileiros.

Outro fato, esse também uma história velha, é o ocorrido na “cracolândia”, território localizado no centro velho de São Paulo, conhecido como “boca-do-lixo”, onde homens, mulheres, crianças perambulam como mortos-vivos dia e noite, levados pelos efeitos devastadores das drogas, principalmente do crack e ox.

Um problema social, de saúde pública, que o governo de São Paulo, principalmente os governantes do PSDB, custam a tratar como uma frente de derrota para essa frente governista, pois a mais de uma década no poder, e a forma de agir para com os pobres continua a mesma. Quem não se lembra das estacas colocadas embaixo dos viadutos de São Paulo, para evitar que moradores de rua se utilizassem desses espaços para dormir?

Ações como essa são repetidas pelo atual governo, que insiste em tratar questões sociais com violência e truculência, através de seus braços armados. A prova disso é o número de presídios construídos pelo atual governo, que enxerga que é mais fácil punir e matar do que educar. Educar também não é o alvo do atual governo. A cracolândia é fruto de anos e anos de descaso, e esquecimento, da falta de investimentos nas reais necessidades das regiões mais pobres. Ou será que todo este caos se formou da noite para o dia? Muitos estão nestas condições de vida há anos, decadas. O governo que resolve problemas sociais com presidios e mortes agora se ve obrigado a dar uma resposta a sociedade, e o que faz? Põe em pratica aquilo que mais sabe fazer quando o assunto é pobreza, provoca dor e muito sofrimento, através da violencia de seus agentes.

Sobre a cracolândia, é um território já requisitado há anos pelo mercado imobiliário, ou seja, as ações que estamos presenciando nessa semana têm muito mais de interesses econômicos do que uma investida social do atual governo.

É lamentável ver as pessoas responsáveis por essas ações dizer que o projeto é fundamentado em “dor e sofrimento”. Eu tive a oportunidade de ser missionário nesse território, e posso afirmar que não é preciso levar a esse lugar dor e sofrimento, pois esse é o cotidiano daqueles seres humanos, que ali perambulam.

É fome, sede, dor, frio,abandono, sem contar toda a violência que envolve o cotidiano, vinda da prostituição, dos roubos, tudo para um único objetivo: adquirir e consumir a droga, que oferece cada vez menos prazer. O pouco de prazer que existe é a sopa quente e as roupas doadas por algumas instituições, religiosas ou não, existentes no local.

As madrugadas, além do frio e da fome e da busca contínua pela droga, ainda traz as ameaças dos traficantes, de outros usuários ou de um comerciante revoltado com a permanência deles no local, ou ainda algum morador já cansado de tudo isso. Porém, a violência maior vem do Estado e de seus agentes, pois só Deus sabe o que acontece nas madrugadas nesse local.

Um dos pontos que me levaram a desistir do trabalho nesse região foi presenciar essa violência e nada poder fazer, pois a violência sempre vinha de quem estava ali “para servir e proteger”.

Só espero que o governo e a prefeitura de São Paulo não empurrem esse “lixo” para debaixo da terra. Para não ficar só na crítica, gostaria de deixar uma sugestão. Por que, ao invés do Estado realizar essa faxina social, por que não investir em instituições já presentes no local, já habituadas e até reconhecidas pelos moradores de rua? Pois se utilizar de força policial, com certeza só terá reflexo no medo desses seres, pois há um ditado que diz: “quem bate, quem tortura, quem dá choques elétricos, quem espirra spray de pimenta esquece; mas quem sofre a violência não esquece jamais”.

É fácil compreender porque os pobres moribundos se espalham como baratas pela cidade. É que eles sabem qual é o peso da mão e da sola dos coturnos dos agentes do Estado. Mas fazer o quê? Em nome da ordem e do progresso, coisas piores já foram feitas nessa terra.

Que não nos esqueçamos de que ali há seres humanos. E acima de tudo, seres feitos à imagem e semelhança do Criador. Seres que ainda são alvos da Graça e do Amor de Deus.

“É fácil a missão de comandar homens e mulheres livres, basta mostrar-lhes um caminho”.

Que Deus tenha misericórdia.

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2 respostas para Uma mão amiga

  1. Alan disse:

    Paulo

    Preciso muito falar com o senhor, pode ser por email.

    Alan_gerais@yahoo.com.br

    • pedrasclamam disse:

      Querido Alan, Graça e Paz.
      Meu email:qaplokw@hotmail.com, meu fone (11-8267-6629). Um grande abraço.

      Paulo Siqueira

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