Ano novo, porém com histórias velhas

Mais um ano nasce em todo o mundo. Ano que nasce para que nós, os seres humanos sujeitos da história, possamos escrever os nossos caminhos.

Nessa noite em que vivemos a entrada do ano, muitas são as manifestações no sentido de “abrir” os caminhos para a felicidade, a prosperidade. Parece um vale-tudo de crenças e crendices, que vai do misticismo desenfreado a simples orações.

Para muitos, a entrada do ano só tem sentido se for à beira-mar, com muitos fogos, muita bebida. Para outros, só tem sentido se envolver uma atmosfera mística-religiosa. Também vale-tudo, desde músicas tocadas de forma seguida, como mantras, depois a profetada do ano, com muitas promessas seguidas de pedidos de grandes ofertas e desafios a Deus. Ou seja, quanto mais você der na passagem do ano, mais receberá durante o ano.

Enfim, tem tudo isso.

Estive a me lembrar do que fiz durante muitos anos de vida pentecostal, em uma pequena igreja no interior de São Paulo. Na passagem do ano, nos dirigíamos ao culto e às 23 horas todos se ajoelhavam, e cada um fazia suas orações. A igreja ficava silenciosa, pois todos balbuciavam suas orações.

Eu agradecia, louvava a Deus, pedia perdão e apresentava a Deus os objetivos e propósitos para o novo ano. Depois, já quase próximo da passagem do ano, era ministrada a Santa Ceia, quando a congregação entrava no ano novo tomando do pão e tomando do cálice do Senhor.

Era tudo muito simples, sem fogos, sem misticismo, sem profetadas. No final, o pastor orava e despedia a todos na Paz do Senhor.

Fiz isso por muitos anos. Nessa passagem de ano (2011/2012), morando em São Paulo não senti vontade de ir a nenhuma igreja, pelo simples fato de saber que não experimentaria a simplicidade dos anos anteriores.

Parece que está difícil vivenciar a fé sem envolvimento financeiro ou material. Você pode até participar de um bom culto, com bons louvores, boa pregação, porém tudo termina no “desafio financeiro”. Parece que tudo só tem sentido se envolver prosperidade. Palavras como saúde, paz, justiça desapareceram. Tudo só tem sentido no financeiro.

Esquecemo-nos da simplicidade de Jesus, homem simples, porém cheio da vontade de Deus e do propósito de estender o Reino; desprovido das ambições e dos tesouros deste mundo.

Em meu primeiro artigo neste ano, quero desejar a todos um Ano Novo repleto da vontade de fazer a vontade de Deus e estender o Seu Reino, e que o Espírito Santo de Deus, o verdadeiro, nos desperte a lutar pela justiça e pela paz, levar o que comer aos que padecem pela fome, e levar aos que sofrem a verdadeira alegria no coração.

Quanto a nós do Movimento pela Ética, continuaremos a anunciar o Evangelho puro e simples, até que Cristo volte.

Deus abençoe a todos em mais um ano que o Senhor nos proporciona.

Paulo Siqueira

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