Os agraciados em meio a tantas desgraças

“As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.” – Lamentações 3.22-23

Estamos em dias difíceis: a mídia nos bombardeia com noticias de assaltos, sequestros, homicídios, pedofilia, corrupção de políticos, caos na saúde, no social, na educação.  Tudo isso já são itens do nosso cotidiano. Ninguém se assusta mais se ao acordar e ligar a televisão, a notícia do dia for  a queda de um avião a cem metros de sua casa. Tudo parece ser repetido, principalmente se for bem distante de nós. O que a queda das Torres-Gêmeas interferiram no nosso dia-a-dia? Ou a queda do avião da TAM?

Se não tiver alguém próximo de nós, são puramente notícias. Temos em nós a tendência ao descaso às dores alheias ao nosso cotidiano. Quando o mal ou o caos está próximo de nós, tudo muda.

Vivenciamos uma situação de caos na saúde pública: é a gripe suína ou H1N1. Enquanto a mídia noticiava sua ação no México, EUA, Europa, eram apenas notícias, não importando o número de vítimas. Até mesmo quando começou a se manifestar no Chile, na Argentina, tudo era problema do “vizinho”. Em poucas semanas começamos a ouvir o alastramento da doença dentro do território nacional. Bastou duas dezenas de vítimas para ouvirmos a mudança nas notícias. Pânico em diversos Estados do país, busca desesperada pelos postos de saúde, busca desesperada pelo medicamento indicado pela classe médica, estamos em clima de guerra, pois até mesmo as forças armadas foram convocadas para ajudar a população.

Lembrei-me de uma antiga fabula que conta que em um reinado uma doença estava para se manifestar. O rei, ao saber disso, convocou a doença para uma audiência. Após muito conversar, ficou acertado entre o rei e a doença que somente mil pessoas seriam mortas em decorrência da doença. Com o passar dos dias, rapidamente foram crescentes o número de vítimas: mil, dois mil, três mil, quatro mil… O rei, ao perceber o avanço devastador da doença, convocou-a e logo foi em cobrança ao acordo em relação ao número de vítimas. A doença respondeu, assustada com os números: eu não matei nem mil ainda!!! O rei responde: mas já estamos próximos dos dez mil mortos!!!  A doença responde: eu não ataquei nem mil, esses todos estão morrendo é de medo!!!

Tenho bastante medo das reações que a mídia, o Estado e toda a população terão com o número crescente de vítimas da gripe H1N1, mas tenho muito mais medo da reação da igreja em meio a tudo isso. Logo veremos campanhas de quebra de maldição, de revestimento do corpo e da alma, do salmo 91 (para que todos caiam ao seu redor mas você não seja atingido), campanha da armadura de Deus para não ser atingido pelo vírus, marcha para declarar que o Brasil é do Senhor Jesus e não da gripe.

Parecem fantasias, mas é a pura realidade. Tenho esperança de que a igreja brasileira seja instrumento, assim como o Estado e suas autoridades, de propagação da saúde pública, levando informação e conforto ao povo brasileiro em meio a mais um desafio a ser vencido por todos. O Evangelho deve ser o meio pelo qual os seres humanos provem da infinita Graça e misericórdia de Deus.

Anúncios
Esse post foi publicado em Igreja e Sociedade e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s